sexta-feira, 17 de junho de 2016

Admite-se Educadores Cristãos - INÍCIO IMEDIATO

A vida no século XXI possui uma característica que já dava sinais de sua permanência desde o século anterior. As mudanças e variações são constantes em todas as áreas da existência humana. A necessidade de adaptação e contextualização tornaram-se habituais e a atualização e especialização são hoje prioritárias tanto academicamente como profissionalmente.
Vivemos em um mundo que muda a cada instante. Os avanços em diversas áreas melhoraram a qualidade de vida das pessoas e aumentaram os níveis de conhecimento e de comunicação entre elas.
Por isso, quem ficar parado, estagnado ao que já sabe ou ao que já alcançou acaba por ser "engolido" pela onda das novas metodologias e tecnologias e da própria nova forma de viver.
A necessidade de qualificação, aperfeiçoamento, treinamento e atualização constantes são princípios basilares da vida nesse novo século e nós como cristãos que nele vivemos precisamos entender isso e não negligenciarmos essas mudanças e todo o contexto que as envolvem.
Estas constatações também são fatos no universo evangélico em nosso país. Observamos que causaram e ainda causam uma crescente migração de pessoas que advem de denominações, grupos e movimentos pseudo-cristãos, na maioria das vezes, decepcionados, feridos e doutrinados em "evangelhos" estranhos ao Evangelho de Cristo, como é o caso do evangelho da prosperidade ou triunfalista tão disseminado pelos grupos neopentecostais e seitas das "novas unções". Faz-se urgente a necessidade de termos em nossas igrejas pessoas vocacionadas, preparadas e qualificadas para o ensino e discipulado cristãos.
A Educação Cristã precisa aceitar o desafio de atualizar seu processo de comunicação e toda sua metodologia, sem contudo alterar ou prejudicar o conteúdo e sua essência. Em 1999 num relatório realizado pela Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI sob a coordenação de Jacques Delors e entregue a UNESCO,  entendeu-se que a boa educação é firmada em quatro preceitos ou pilares fundamentais:

 Aprender para conhecer, aprender para conviver, aprender para fazer e aprender para ser.
Estes pilares são aplicáveis e diria, prioritários também na Educação Cristã. Adaptando-os ao contexto cristão, podemos assim interpretá-las:
Aprender para conhecer Jesus (Evangelismo e Discipulado Cristão);
Aprender para conviver com Deus e meus irmãos (Comunhão e Integração Cristãs);
Aprender para fazer (Serviço e Mordomia Cristãs);
Aprender para ser o que Deus quer que eu seja (Ensino Cristão Sistemático, Edificação e Maturidade).

Como já mencionei, o crescente avanço do número de "igrejas" de todos os tipos e com motivações de toda ordem, e com escalas de prioridades totalmente equivocadas, formou uma multidão de "crentes" sem educação e discipulados verdadeiramente cristãos.
Mesmo com a persistência das igrejas tradicionais e pentecostais históricas em manter em sua rotina programas e atividades de ensino, muitos tem desanimado nessa árdua tarefa, pois raros são aqueles que se atualizam e se contextualizam em seus métodos e práticas no ensinar. Muitos possuem vontade, desejo e até vocação para isso, mas não possuem preparo e treinamento adequados e tão importantes nesses dias.
As Escolas Bíblicas estão sendo atacadas e minimizadas, mas ainda continuam sendo a melhor forma de educar e discipular pessoas e famílias inteiras na igreja.
As consequências do menosprezo com a Educação Cristã vê-se claramente na qualidade das letras dos cânticos atuais, nas pregações sem fundamento bíblico/teológico e apoiadas em filosofias de auto-ajuda e em técnicas psicológicas de manipulação e ainda pela total ausência de métodos de ensino, didática e princípios básicos de pedagogia por parte daqueles que exercem ministérios de ensino em nossas igrejas.
Por isso, o aperfeiçoamento e contextualização são medidas emergenciais a serem tomadas em nossas igrejas. Elas precisam se estruturar para atender a demanda cada vez maior e precisam ter pessoas qualificadas espiritualmente e academicamente para conseguir responder as frequentes buscas e necessidades do povo do século XXI, sem contudo perder sua característica e missão de ensinar fielmente a Palavra de Deus.
As nossas lideranças precisam dar prioridade ao preparo de novos educadores cristãos e atualizar os que já se encontram na frente de batalha.
A Igreja cristã precisa olhar para suas fileiras e ter a sensibilidade de enxergar vidas sedentas em aprender e proporcionar a elas alimento saudável e bem preparado.
Se não cuidarmos da Educação Cristã hoje, teremos no futuro uma igreja repleta de crentes anêmicos, raquíticos espiritualmente e que não suportarão as responsabilidades que Deus impôs a Sua Igreja ( Ide, Ensinai, Batizai, Pregai, Fazei discípulos, Crescei...)

Algumas sugestões, ouso fazer, a meus irmãos que de alguma forma exercem liderança cristã:

a) Invista em sua capacitação e formação acadêmica. Se atualize, leia muito e leia bons livros da área, faça cursos... (Deus usará seu conhecimento para abençoar outros, além de ser um bom exemplo ao rebanho)
b) Fortaleça as Escolas Bíblicas com estruturas novas e pessoas qualificadas (boa administração + planejamento + vocacão espiritual + preparação adequada são poderosas ferramentas no ensino da Palavra de Deus)
c) Não negligencie a Educação Cristã em prol de outras atividades como: eventos, festas ou por não ser tão agradável ao povo (seu compromisso é com o bom alimento e não com as "guloseimas espirituais", que vez por outra podem até ser servidas, mas nunca substitua o alimento por elas)
d) Não entre na "onda  neopentecostal" da ansiedade por encher templos (lembre-se o Evangelho de Cristo não é pra agradar, na grande maioria das vezes Ele incomoda!)
e) Não consagre, ordene ou motive a acontecer consagrações ou ordenações de novos ministros porque são "seus amigos", ou porque fortalecerão suas bases "políticas denominacionais", ou ainda porque são "crentes fiéis" ou vão lhe ajudar de alguma forma a "manter seu poder ou privilégios". (Somente encaminhe ao ministério pastoral ou de ensino homens e mulheres crentes em Cristo que possuírem vocação (chamada), capacitação (dons espirituais), formação educacional e teológica (capacitação acadêmica e treinamento específico) e vida (testemunho) cristã adequados para ensinarem a Palavra de Deus).
f) Faça dessas sugestões algo natural na igreja que congrega ou pastoreia (esses são bons costumes que trarão bons frutos no futuro próximo).

Cuidemos hoje, para que amanhã não lamentemos.
Pr. Magdiel G Anselmo.

domingo, 5 de junho de 2016

As Festas Juninas e o Cristão


As Festas Juninas e o Cristão

Neste estudo aprenderemos quais as origens e significados das famosas "festas juninas" e as orientações e consequências para a vida de um cristão verdadeiramente evangélico/protestante.

O Inciso VI, do artigo 5º da Constituição Federal reza o seguinte: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias”.

O ensino brasileiro tem explorado em nossas escolas (públicas e/ou particulares) as muitas manifestações folclóricas do nosso povo, inserindo-as em seus calendários de atividades com o respeitável propósito de auxiliar a definição da verdadeira identidade brasileira. Nosso país, em virtude de seu passado histórico, absorveu diversas culturas e costumes, fato que nos tornou conhecidos como “um país de muitas caras”. Desde que conquistamos a independência de Portugal estamos lutando para nos descobrirmos. E um dos meios eficazes para atingir esse objetivo é justamente a avaliação acurada das vastas e peculiares manifestações populares.
Naturalmente, as festas juninas fazem parte das manifestações populares mais praticadas no Brasil, e todas as considerações sobre essas comemorações exigem uma análise equilibrada, pois há um limite entre o folclore e a religião, visto que esta quase sempre acaba mesclando-se com as tradições. E é justamente o que faço neste estudo e análise: uma avaliação equilibrada.
Afinal, será que temos maturidade espiritual para delinear as fronteiras entre o que é folclore e o que é religião?
Então, vamos a análise que responde a essa pergunta.

1. Uma herança portuguesa

A palavra folclore é formada dos termos ingleses folk (gente) e lore (sabedoria popular ou tradição) e significa “o conjunto das tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em provérbios, contos ou canções; ou estudo e conhecimento das tradições de um povo, expressas em suas lendas, crenças, canções e costumes”.
Como é do conhecimento geral, fomos descobertos pelos portugueses, povo de crença reconhecidamente católica. Suas tradições religiosas foram por nós herdadas e facilmente se incorporaram em nossas terras, conservando seu aspecto folclórico. Sob essa base é que as instituições educacionais promovem, em nome do ensino, as festividades juninas, expressão que carrega consigo muito mais do que uma simples relação entre a festa e o mês de sua realização.
Entretanto, convém ressaltar a coerente distância existente entre as finalidades educacionais e as religiosas. Além disso, não podemos nos esquecer de que o teor de tais festas oscila de região para região do país, especialmente no Norte e no Nordeste, onde o misticismo católico é mais acentuado.
As origens dessa comemoração remontam à antiguidade, quando se prestava culto à deusa Juno da mitologia romana. Os festejos em homenagem a essa deusa eram denominados “junônias”. Daí o atual nome “festas juninas”.
As primeiras referências às festas de São João no Brasil datam de 1603 e foram registradas pelo frade Vicente do Salvador, que se referiu aos nativos que aqui estavam da seguinte forma: “os índios acudiam a todos os festejos dos portugueses com muita vontade, porque são muito amigos de novidade, como no dia de São João Batista, por causa das fogueiras e capelas”.

2. A origem das festividades

Para as crianças católicas, a explicação para tais festividades é tirada da Bíblia com acréscimos mitológicos. Os católicos descrevem o seguinte:
“Nossa Senhora e Santa Isabel eram muito amigas. Por esse motivo, costumavam visitar-se com freqüência, afinal de contas amigos de verdade costumam conversar bastante. Um dia, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora para contar uma novidade: estava esperando um bebê ao qual daria o nome de João Batista. Ela estava muito feliz por isso! Mas naquele tempo, sem muitas opções de comunicação, Nossa Senhora queria saber de que forma seria informada sobre o nascimento do pequeno João Batista. Não havia correio, telefone, muito menos Internet. Assim, Santa Isabel combinou que acenderia uma fogueira bem grande que pudesse ser vista à distância. Combinou com Nossa Senhora que mandaria erguer um grande mastro com uma boneca sobre ele. O tempo passou e, do jeitinho que combinaram, Santa Isabel fez. Lá de longe Nossa Senhora avistou o sinal de fumaça, logo depois viu a fogueira. Ela sorriu e compreendeu a mensagem. Foi visitar a amiga e a encontrou com um belo bebê nos braços, era dia 24 de junho. Começou, então, a ser festejado São João com mastro, fogueira e outras coisas bonitas, como foguetes, danças e muito mais!”
Como podemos ver, a forma como é descrita a origem das festas juninas é extremamente pueril, justamente para que alcance as crianças.
As comemorações do dia de São João Batista, realizadas em 24 de junho, deram origem ao ciclo festivo conhecido como festas juninas. Cada dia do ano é dedicado a um dos santos canonizados pela Igreja Católica. Como o número de santos é maior do que o número de dias do ano, criou-se então o dia de “Todos os Santos”, comemorado em 1 de novembro. Mas alguns santos são mais reverenciados do que outros. Assim, no mês de junho são celebrados, ao lado de São João Batista, dois outros santos: Santo Antônio, cujas festividades acontecem no dia 13, e São Pedro, no dia 24.

"Santo" Antônio

Pouca gente sabe que o nome verdadeiro desse santo não era Antônio, mas Fernando de Bulhões, segundo consta. Ele nasceu em Portugal em 15 de agosto de 1195 e faleceu em 13 de junho de 1231. Aos 24 anos, já na Escola Monástica de Santa Cruz de Coimbra, foi ordenado sacerdote. Ao tomar conhecimento de que quatro missionários foram mortos pelos serracenos, decidiu mudar-se para Marrocos. Ao retornar para Portugal, a embarcação que o trazia desviou-se da rota por causa de uma tempestade, e ele foi parar na Itália. Lá, foi nomeado pregador da Ordem Geral. Viveu tratando dos enfermos e ajudando a encontrar coisas perdidas. Dedicava-se ainda em arranjar maridos para as moças solteiras.
Sua devoção foi introduzida no Brasil pelos padres franciscanos, que fizeram erigir em Olinda (PE) a primeira igreja dedicada a ele. Faz parte da tradição que as moças casadouras recorram a Santo Antônio, na véspera do dia 13 de junho, formulando promessas em troca do desejado matrimônio.
Esse fato acabou curiosamente transformando 12 de junho no “Dia dos Namorados”. No dia 13, multidões se dirigirem às igrejas pelo pão de Santo Antônio. Dizem que é bom carregar o santo na algibeira para receber proteção.
É bastante comum entre as devotas de Santo Antônio colocá-lo de cabeça para baixo no sereno amarrado em um esteio. Ou então jogá-lo no fundo do poço até que o pedido seja satisfeito. Depois cantam:

“Meu Santo Antônio querido,
Meu santo de carne e osso,
Se tu não me deres marido,
Não te tiro do poço”.

As festas antoninas são urbanas, caseiras, domésticas, porque Santo Antônio é o santo dos nichos e das barraquinhas.
Na A Tribuna de 14 de junho de 1997, página A8, lemos: “O dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, foi lembrado... com diversas missas e a distribuição de 10 mil pãezinhos. Milhares de fiéis compareceram às igrejas para fazer pedidos, agradecer as graças realizadas e levar os pães, que, segundo dizem os fiéis, simbolizam a fé e garantem fartura à mesa”.
Ainda para Santo Antônio, cantam seus admiradores:

“São João a vinte e quatro
São Pedro a vinte e nove
Santo Antônio a treze
Por ser o santo mais nobre”4.

São João

A Igreja Católica o consagrou santo. Segundo essa igreja, João Batista nasceu em 29 de agosto, em 31 A.D., na Palestina, e morreu degolado por Herodes Antipas, a pedido de sua enteada Salomé (Mt 14.1-12). A Bíblia, em Lucas 1.5-25, relata que o nascimento de João Batista foi um milagre, visto que seus pais, Zacarias e Isabel, na ocasião, já eram bastante idosos para que pudessem conceber filhos.
Em sua festa, São João é comemorado com fogos de artifício, tiros, balões coloridos e banhos coletivos pela madrugada. Os devotos também usam bandeirolas coloridas e dançam. Erguem uma grande fogueira e assam batata-doce, mandioca, cebola-do-reino, milho verde, aipim etc. Entoam louvores e mais louvores ao santo.
As festas juninas são comemoradas de uma forma rural, sempre ao ar livre, em pátios e/ou grandes terrenos previamente preparados para a ocasião.
João Batista, biblicamente falando, foi o precursor de Jesus e veio para anunciar a chegada do Messias. Sua mensagem era muito severa, conforme registrado em Mateus 3.1-11. Quando chamaram sua atenção para o fato de que os discípulos de Jesus estavam batizando mais do que ele, isso não lhe despertou sentimentos de inveja (Jo 4.1), pelo contrário, João Batista se alegrou com a notícia e declarou que não era digno de desatar a correia das sandálias daquele que haveria de vir, referindo-se ao Salvador (Lc 3.16).
Se em vida João Batista recusou qualquer tipo de homenagem ou adoração, será que agora está aceitando essas festividades em seu nome, esse tipo de adoração à sua pessoa? Certamente que não!

São Pedro

É atribuída a São Pedro a fundação da Igreja Católica, que o considera o “príncipe dos apóstolos” e o primeiro papa. Por esse motivo, os fiéis católicos tributam a esse santo honrarias dignas de um deus. Para esses devotos, São Pedro é o chaveiro do céu. E para que alguém possa entrar lá é necessário que São Pedro abra as portas.
Uma das crendices populares sobre São Pedro (e olha que são muitas!) diz que quando chove e troveja é porque ele está arrastando móveis no céu. São Pedro é cultuado em 29 de junho como patrono dos pescadores. Na ocasião, ocorrem procissões marítimas em sua homenagem com grande queima de fogos. Para os pescadores, o dia de São Pedro é sagrado. Tanto é que eles não saem ao mar para pescaria.
A brincadeira de subir no pau-de-sebo é a que mais se destaca nas festividades comemorativas a São Pedro. O objetivo para quem participa é alcançar os presentes colocados no topo.
Os sentimentos do apóstolo Pedro eram extremamente diferentes do que se apregoa hoje, no dia 29.
De acordo com sua forma de agir e pensar, conforme mencionado na Bíblia, temos razões para crer que ele jamais aceitaria os tributos que hoje são dedicados à sua pessoa.
Quando Pedro, sob a autoridade do nome de Jesus, curou o coxo que jazia à porta Formosa do templo de Jerusalém e teve a atenção do povo voltada para ele como se por sua virtude pessoal tivesse realizado o milagre não titubeou, mas declarou com muita segurança: “Por que olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem? ...o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Jesus ... Pela fé no nome de Jesus, este homem a quem vedes e conheceis foi fortalecido. Foi a fé que vem pelo nome de Jesus que deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saúde” (At 3.12-16).
O Pedro da Bíblia demonstrou humildade ao entrar na casa de Cornélio, que saiu apressado para recepcioná-lo. O texto sagrado declara: “E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio a recebê-lo, e, prostrando-se a seus pés, o adorou. Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem” (At 10.25-26).

Os balões

A sociedade “Amigos do Balão” nasceu em 1998 para defender a presença do ‘balão junino’ nessas festividades. O padre jesuíta Bartolomeu de Gusmão e o inventor Alberto Santos são figuras ilustres entre os brasileiros por soltarem balões por ocasião das festas juninas de suas épocas, portanto podemos dizer que eles foram os precursores dessa prática.
Hoje, como sabemos, as autoridades seculares recomendam os devotos a abster-se de soltar balões pelos incêndios que podem provocar ao caírem em uma floresta, refinaria de petróleo, casas ou fábricas. Não obstante, essa prática vem resistindo às proibições das autoridades. Geralmente, os balões trazem inscrições de louvores aos santos de devoção dos fiéis, como, por exemplo, “VIVA SÃO JOÃO!!!”, ou a outro santo qualquer comemorado nessas épocas.
Todos os cultos das festas juninas estão relacionados com a sorte. Por isso os devotos acreditam que ao soltarem um balão e ele subir sem nenhum problema seus desejos serão atendidos, caso contrário (se o balão não alcançar as alturas) é um sinal de azar. Mas tudo isso não passa de crendices populares.

3. Sincretismo religioso

Religiões de várias regiões do Brasil, principalmente na Bahia, aproveitam-se desse período de festas juninas para manifestar sua fé junto com as comemorações católicas.
O candomblé, por exemplo, ao homenagear os orixás da sua linha, mistura suas práticas com o ritual católico. Assim, durante o mês de junho, as festas romanas ganham um cunho profano com muito samba de roda e barracas padronizadas que servem bebidas e comidas variadas. Paralelamente, as bandas de axé music se espalham pelas ruas das cidades baianas durante os festejos juninos. Lá, devido ao candomblé, Santo Antônio é confundido com Ogum, santo guerreiro da cultura afro-brasileira.

4. Os evangélicos e as festas juninas

Diante de tudo isso, perguntamos: “Teria algum problema os evangélicos acompanharem seus filhos em uma dessas festas juninas realizadas nas escolas, quando as crianças, vestidas a caráter (de caipirinha), dançam quadrilha e se fartam dos pratos oferecidos nessas ocasiões: cachorro-quente, pipoca, milho verde etc?”.
É óbvio que nenhum crente participa dessas festas com o objetivo de praticar a idolatria, pois tal procedimento, por si só, é condenado por Deus!
Quanto à essa questão, tão polêmica, é oportuno mencionar o comportamento de certas igrejas evangélicas, com a alegação de estarem propagando o evangelho durante o Carnaval, dedicam-se a um tipo duvidoso de evangelização nessa época do ano. Fazem de tudo, inclusive usam blocos carnavalescos com nomes bíblicos.
Não devemos nos esquecer, no entanto, de que as estratégias evangelísticas devem ocorrer o ano todo, e não apenas em determinadas ocasiões. O mesmo acaba acontecendo no período das festas juninas. Ultimamente, surgiram determinadas igrejas evangélicas que, a fim de levantar fundo para os necessitados e distribuir cestas básicas aos pobres, estão armando barracas junto com os católicos em locais em que as festas juninas são promovidas por órgãos públicos. Os produtos que vendem, diga-se de passagem, são característicos das festividades juninas. Os “cristãos” que ficam nas barracas vestem-se a caráter e pensam que, dessa forma, estão procedendo biblicamente.

E o que dizer das igrejas que promovem festas juninas em suas próprias dependências com a alegação de arrecadarem fundos? As festas juninas têm um caráter religioso que desagrada a Deus. Então, como separar o folclore da religião se ambas estão intrinsecamente ligadas?

Como podemos analisar essa questão biblicamente?
Bem, vêmos na Bíblia que o povo de Israel abraçou os costumes das nações pagãs e foi criticado pelos profetas de Deus. A vida de Elias é um exemplo específico do que estamos falando. Ele desafiou o povo de Israel a escolher entre Jeová Deus e Baal. O profeta pôs o povo à prova: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o” (1Rs 18.21).
É claro que o contexto histórico do texto bíblico em pauta é outro, mas, como observadores e seguidores da Palavra de Deus, devemos tomar muito cuidado para não nos envolvermos com práticas herdadas do paganismo. Pois é muito arriscada a mistura de costumes religiosos, impróprios à luz da Bíblia, adotada por alguns evangélicos. É preciso que os líderes e pastores aprofundem a questão, analisem a realidade cultural do local em que desenvolvem certas atividades evangelísticas e ministério e orientem os membros de suas respectivas comunidades para que criem e ensinem os filhos nos preceitos recomendados pela Palavra de Deus.
O simples fato de proibirem as crianças a participar dessas comemorações na escola em que estudam não resolve o problema, antes, acaba agravando a situação. Simplesmente proibir sem explicar corretamente o porque dessa proibição, ou simplemente dizer que "a festa é do diabo", traz outros tipos de confusão e transtornos às crianças. Por isso a recomendação bíblica de ensinar a criança no caminho que deve andar...

5. O que diz a Bíblia?

Para muitos cristãos, pode parecer que a participação deles nessas festividades juninas não tenha nenhum mal, e que a Bíblia não se posiciona a respeito.
O apóstolo Paulo, no entanto, declara em 1 Coríntios 10.11 que as coisas que nos foram escritas no passado nos foram escritas para advertência nossa. Vejamos o que ele disse: “Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”.
O que nos mostra a história do povo de Israel em sua caminhada do Egito para Canaã? Quando os israelitas acamparam junto ao Monte Sinai, Moisés subiu ao monte para receber a lei da parte de Deus. A demora de Moisés despertou no povo o desejo de promover uma festa a Deus. Arão foi consultado e, depois de concordar, ele próprio coletou os objetos de ouro e fabricou um bezerro com esse material. O texto bíblico diz o seguinte: “Ele os tomou das suas mãos, e com um buril deu forma ao ouro, e dele fez um bezerro de fundição. Então eles disseram: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito. Arão, vendo isto, edificou um altar diante do bezerro e, apregoando, disse: Amanhã será festa ao Senhor” (Êx 32.4-5).
Qual foi o resultado dessa festa idólatra ao Senhor?
Deus os puniu severamente: “Chegando ele ao arraial e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se-lhe a ira, e arremessou das mãos as tábuas, e as quebrou ao pé do monte. Então tomou o bezerro que tinham feito, e o queimou no fogo, moendo-o até que se tornou em pó, e o espargiu sobre a água, e deu-o a beber aos filhos de Israel. Então ele lhes disse: Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa. Passai e tornai pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu vizinho” (Êx 32.19-20,27).
O teor religioso das festas juninas não passa de um ato idólatra quando se presta culto a Santo Antônio, São João e São Pedro. Paulo declara o seguinte: “Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios” (1Co 10.19-20).
“E serviram aos seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço. Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios. E derramaram sangue de seus filhos e de suas filhas que sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi manchada com sangue”(Sl 106.36-37).

Como crentes, devemos adorar somente a Deus: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.10). Assim, nossos lábios devem louvar tão-somente o Senhor Deus: “Portanto, ofereçamos sempre por meio dele a Deus sacrifício de louvor, que é o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13.15). O texto de Apocalipse 7.9 é um bom exemplo do que estamos falando: “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas com palmas nas suas mãos. E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro”.

É possível imaginar um cristão cantando louvores a São João Batista? O cântico seria mais ou menos assim:

“Onde está o Batista?
Ele não está na igreja
Anda de mastro em mastro
A ver quem o festeja”

Lembramos a atitude de Paulo e Barnabé diante de um ato de adoração que certos homens quiseram prestar a eles: “E as multidões, vendo o que Paulo fizera, levantaram a sua voz, dizendo em língua licaônica: Fizeram-se os deuses semelhantes aos homens, e desceram até nós. E chamavam Júpiter a Barnabé, e Mercúrio a Paulo; porque este era o que falava. E o sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para a entrada da porta touros e grinaldas, queria com a multidão sacrificar-lhes. Porém, ouvindo isto os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgaram as suas vestes, e saltaram para o meio da multidão, clamando, e dizendo: Senhores, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há” (At 14.11-15).

Os santos não podem ajudar

Normalmente, as pessoas que participam das festas juninas querem tributar louvores a seus patronos como gratidão pelos benefícios recebidos. Admitem que foram atendidas por Santo Antônio, São João Batista e São Pedro. Crêem também que esses santos podem interceder por elas junto a Deus. Entretanto, os santos não podem fazer nada pelos vivos. Pedro e João, como servos de Deus obedientes que foram, estão no céu, conscientes da felicidade que lá os cerca (Lc 23.43; 2Co 5.6-8; Fp 1.21-23). Não estão ouvindo, de forma nenhuma, os pedidos das pessoas que os cultuam aqui na terra. O único intercessor eficaz junto a Deus é Jesus Cristo. Diz a Bíblia: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1Tm 2.5).
E mais:

“É Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8.34).

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1Jo 2.1-2).

Foi o próprio Senhor Jesus quem nos disse que deveríamos orar ao Pai em seu nome para que pudéssemos alcançar respostas aos nossos pedidos: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome eu o farei” (Jo 14.13-14).
Quanto ao teor religioso das festas juninas, podemos declarar as palavras de Deus ditas por meio do profeta: “Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me exalarão bom cheiro” (Am 5.21).

6. ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE AS FESTAS JUNINAS

FOGUEIRAS
A fogueira é um elemento essencial nas festas juninas. Algumas regiões ainda conservam a bizarra tradição de caminhar sobre as brasas. Você sabia que convencionalmente cada uma das três festas, Santo Antônio, São Pedro e São João, exige um arranjo diferente de fogueira?

Santo Antônio
As lenhas são atreladas em formato quadrangular.

São Pedro
As lenhas são atreladas em formato triangular.

São João
As lenhas são atreladas observando o modelo habitual; possui formato arredondado semelhante à pirâmide.

COMIDAS TÍPICAS
As festas juninas são comemoradas com comidas típicas: curau, batata-doce, mandioca, pipoca, canjica, pé-de-moleque, pinhão, gengibre, quentão, entre outros.

A QUADRILHA (Dança Típica)
Que a quadrilha é uma dança de origem francesa? Foi trazida ao Brasil no início do século XIX passando a ser dançada nos salões da corte e da aristocracia brasileira. Com o passar do tempo, deixou a nata da sociedade e incorporou-se às festas populares gerando, assim, suas variantes no interior do país.

PIROLÁTRICOS (As famosas bombinhas e rojões)
Você sabia que os cultos pirolátricos são de origem portuguesa? Antigamente, em Portugal, acreditava-se que o estrondo de bombas e rojões tinha como finalidade espantar o diabo e seus demônios na noite de São João. Atualmente, no mês de junho intensifica-se o uso desses artifícios, porém, desassociado dessa antiga crendice.

CONCLUSÃO

Como seguidores de Cristo, suplico, diante deste estudo e análise, que Deus nos conceda sabedoria para que consigamos proceder de uma maneira que O agrade em todas as circunstâncias, e que não participemos dessas festas de adoração a outros deuses, pois: “toda ação de nossa vida toca alguma corda que vibrará na eternidade” (E. H. Chapin).

Deus os abençoe.
Pr. Magdiel G Anselmo.

Bibliografia:
CARVALHO, Hernani de – No Mundo Maravilhoso do Folclore
LIRA, Mariza – Migalhas Folclóricas
RUIZ, Corina – Livro e Folclore (citado no site
http:venus.rdc.puc.rio.br/kids
ICP - Instituto Cristão de Pesquisas.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Movimentos de Crentes sem Igreja (Templos X igreja nos lares)


Escrevi tempos atrás sobre os movimentos de crentes sem igreja (veja aqui no blog o artigo "Movimentos de Crentes sem Igreja" - http://pranselmoteologia.blogspot.com.br/2010/10/os-movimentos-de-crentes-sem-igreja.html), depois de pesquisar o assunto e por se tratar de um tema que no dia-a-dia pastoral e acadêmico se tornou algo habitual, pois não é incomum nos depararmos com pessoas que deixaram suas igrejas e que defendem uma revolução na forma e na metodologia usualmente adotada pelas instituições e organizações cristãs (denominadas evangélicas e/ou protestantes), entendendo esses, que quase tudo que fazem ou pensam essas instituições é errado e contraria a essência do ensino das Escrituras sobre a Igreja.
Algumas pessoas me procuraram para afirmar que não eram sem igreja, mas que eram adeptos de uma nova forma de igreja ou de um retorno a forma correta e bíblica de igreja, que seria a igreja no lar. Não conseguiam explicar bem como era isso, pois defendiam que não havia "muita estrutura" ou "organização" e que isso é que lhes agradava. O Espírito Santo é que comanda!, me afirmavam.
Por isso volto a escrever sobre esse tema pontuando dentro dele uma questão que muito me chamou a atenção nos argumentos utilizados pelos então “revolucionários” asseverando estes que a igreja instituição como dois mil anos de história formaram, não é a vontade de Deus para Sua Igreja (Noiva do Cordeiro).
Para tanto atacam muitas vezes com veemência os prédios da igreja. O argumento é expresso de diversas maneiras: “A igreja é formada por pessoas, não por prédios”; “Não podemos ir à igreja, pois somos a igreja”.
A história é mais ou menos assim: No princípio, quando a igreja era pura, as pessoas se encontravam nas casas. Os cristãos só passaram a reunir-se em seus próprios prédios no século IV, sob Constantino, “o pai dos edifícios eclesiásticos”. Daí os cristãos começaram a chamar seus prédios de “igreja”. Mais tarde, passaram a chamar os prédios de “templos”.
Penso que em muitas ocasiões e locais, os cristãos estejam obcecados por construções, desperdiçando muito tempo e dinheiro em instalações demasiadamente grandes. De fato, às vezes achamos que prédios e igreja são a mesma coisa, quando o importante são as pessoas. O prédio não é um lugar sagrado, pelo menos não no mesmo sentido em que o templo era sagrado. Não creio que o chão dentro da igreja é mais santo do que fora. Portanto, concordo que muitas vezes existe um exagero e até mesmo certa espiritualidade equivocada com relação aos prédios ou templos da igreja em nossos dias.
Entretanto, existe também um exagero na argumentação dos sem igreja com relação ao mesmo tema.
Por que digo isso?
Para começar, é destacado exageradamente que os primeiros cristãos se reuniam em casas.
Ora, eles não se reuniam em casas ou lares para num esforço dar início à primeira religião não religiosa do mundo. Estudiosos do Cristianismo primitivo comentam que “a prática de reunir-se em residências particulares foi provavelmente um expediente usado pelos judeus em muitos lugares, assim como para os cristãos paulinos, a julgar pelas ruínas de sinagogas em Dura Europos, Stohi, Delos e outros lugares, que eram adaptações de habitações particulares”.
E mais, os cristãos se reuniram em casas por trezentos anos porque sua fé era ilegal. Não havia outro lugar onde pudessem se encontrar, razão pela qual os prédios começaram a surgir depois de Constantino ter descriminalizado o Cristianismo. Não há mandamento para que os cristãos se reúnam em pequenos grupos em lares e nenhuma razão para pensar que tenham feito isso por algum outro motivo que não a necessidade e a conveniência.
Também vale ressaltar que uma casa romana, especialmente com pátio, poderia ser bem espaçosa, permitindo que quase cem pessoas se reunissem ali. Portanto, a “igreja no lar” não necessariamente significava um pequeno grupo de estudo bíblico. Em alguns casos, essas reuniões tinham mais pessoas que muitas igrejas espalhadas pelo nosso país.

Além disso, os primeiros cristãos não se reuniam exclusivamente em lares.
Vemos em Atos que eles também se encontravam no Pórtico de Salomão (At. 5:12), ainda iam as sinagogas (3:1) e ocasionalmente alugavam locais para palestras, como na Escola de Tirano (19:9). Provas arqueológicas também demonstram que eles às vezes se encontravam em cavernas.
Além disso, escavações descobriram uma casa de meados do século III (antes de Constantino!) que foi amplamente reformada, incluindo um salão de reuniões aumentado, para tornar-se um prédio “inteiramente dedicado a funções religiosas”, após o que “toda atividade doméstica cessou”. Será que isso tem alguma semelhança com as igrejas atuais? Claro que tem.
Por cima de tudo isso, temos Tiago 2:2, onde se lê: “Se, portanto, entrar na vossa sinagoga algum homem...” O termo original pode ser traduzido como “reunião” (NVI) ou “ajuntamento” (RC), mas também pode referir-se a uma sinagoga real. Considerando que Tiago escreveu a judeus (1:1) e que “sinagoga” era o termo comum usado para construções religiosas entre os judeus, é possível que Tiago 2:2 faça referência a cristãos judeus primitivos que se reunissem em seus antigos edifícios religiosos.

Resumindo:
Essa conversa toda sobre prédios da igreja é muito barulho por nada. Mesmo os “sem igreja” precisam reunir-se em algum lugar. Ainda que não possuam prédios, presumivelmente a sua reunião de adoração não ocorre num lugar aleatório, secreto e mutável (a não ser que estejam enfrentando perseguição como os primeiros cristãos). A verdade é que possuem um local para tal.

O fato (mesmo que não se agradem de ler isso) é que existe algum lugar no qual sua igreja se reúne.

É certo que, a rigor, podem querer pensar nesse local mais como uma casa de reunião (como os puritanos) que como uma igreja. Mas, se chamarem o prédio de “igreja”, creio que Deus vai entender.
E, no caso de pensarem, sem nenhuma superstição: “Posso adorar a Deus em todo o lugar onde estiver, mas este é o único lugar onde o adoro com o Corpo de Cristo, onde recebo as ministrações (sacramentos ou ordenanças, como quiser) e celebro a ressurreição, o dia do Senhor e, portanto devemos separá-lo de algum modo”, isso também não será um impulso ruim.
Além do mais, muitos prédios eclesiásticos são usados praticamente todas as noites da semana. É certo que um prédio custa dinheiro e exige esforço para ser mantido, mas estudos bíblicos, classes de discipulado, almoços festivos, encontros de casais, eventos esportivos, classes de idiomas, EBD e centenas de outras coisas acontecem naquele prédio o tempo todo exatamente porque isso não funcionaria na casa de alguma pessoa.

Por fim, não critico quem adora a Deus em sua casa ou em outra, ou em um trem ou praça, nas ruas ou em qualquer outro local. É uma forma, mas não é a forma. Grupos pequenos são úteis e fazem parte da vida da igreja. São complementares as duas formas, seja em lares, seja no templo, seja em grupos pequenos, seja de forma congregacional. Não são excludentes.
Mas, critico sim essa história de retorno ao que era correto e bíblico. Não creio que Deus abandonou a igreja nesse dois mil anos e permitiu que ela se desviasse da Sua vontade. Penso que Deus é que direcionou a Sua Igreja (e aqui me refiro "as igrejas" pois elas formam a Igreja) a prosseguir e o Espírito Santo a conduziu até hoje. Ela não é perfeita (não me refiro a seitas, mas igrejas) e não será antes da glorificação, mas "até aqui nos ajudou o Senhor".
Há algumas revoluções que precisamos realizar, mas não nessa questão.

Por isso, não me preocupo com a igreja. Ela sobreviverá a mais essa onda. Os seus cultos, sermões, liturgia, forma institucional e organizacional sobreviverá e prosseguirá. Me preocupo com os que saem da igreja. Como estarão daqui a cinco ou dez anos? Será que ainda estarão defendendo essa tal revolução? Me preocupo como estarão seus corações distantes da família e como estarão suas feridas?
Quero fazer uma observação antes de encerrar:
Alguns escritores, principalmente norte-americanos (e está na moda escrever sobre os defeitos da igreja) são adeptos do slogan: “aquele que adora debaixo de um campanário não condene o que adora debaixo de uma chaminé”. Em nosso contexto seria algo do tipo: “aquele que adora em bancos de templos não condene o que adora em seu sofá da sala”. Isso é uma verdade, mas também deveria ser verdadeiro “que aquele que adora no sofá da sala de estar não condene quem adora em bancos, juntamente com púlpitos, vitrais e salão social”.

Pr. Prof. Magdiel G Anselmo.
com citações da obra "Porque amamos a igreja" de Kevin Deyoung e Ted Kluck (Ed. Mundo Cristão).

A Igreja deve evitar e até proibir qualquer forma de estrutura e hierarquia. Basta nos reunirmos. Será isso bíblico?

Em uma tentativa de implantação de uma nova eclesiologia, algumas pessoas defendem que a Igreja não precisa de estrutura organizacional para fazer seu trabalho e cumprir sua missão determinada por Cristo. Afirmam que a estrutura atrapalha e mais, o que conhecemos como organização foi meramente uma "invenção" humana ou ainda uma estratégia demoníaca para contaminar a igreja e afastá-la de seu real propósito e objetivo.
Essa eclesiologia parte dessa pressuposição para então iniciar toda uma argumentação que tem como intenção maior (assim afirmam), um retorno ao que é correto e uma defesa do "verdadeiro Cristianismo".
Não ouso aqui julgar as intenções dessas pessoas e muito menos tentar ocultar os erros e desvios da igreja atual. Sei bem que muito precisa ser restaurado e reformado, porém não vejo o problema no conceito de igreja organizada ou de organização e estrutura eclesiástica. O problema não está no conceito ou no formato de organização ou instituição, mas nas pessoas que compõem essa organização.
Tenho como finalidade nessa postagem realizar uma análise desses conceitos e pressuposições à luz das Escrituras, que deve e é nossa regra de fé e PRÁTICA.
Vejamos então alguns argumentos que não concordam com essa minha afirmação e que trilham o caminho da desestruturação ou desconstrução do que hoje existe e que chamamos de Igreja organizada:

1. A hierarquia impõe leis e regras e você termina perdendo a beleza do relacionamento que Deus deseja para nós.
A idéia é que a Igreja pode existir, e parece que ela precisa existir, sem estruturas de autoridade ou sem que os papéis de seus membros tenham alguma distinção.
Existem apenas dois problemas com esse modelo de igreja: Ele não é nem bíblico nem realista.
A anarquia não funciona.
Dizer que Cristo fundou uma Igreja destituída de qualquer organização, governo ou poder é uma declaração que surge de princípios característicos do misticismo filosófico, mas não leva em conta os ensinamentos da Escritura nem as realidades da vida.
É claro que ninguém quer uma Igreja conduzida por ditadores ou egomaníacos,  e que teimam em liderar como "chefes" e não como pastores,  que não "passam o cajado"  de forma alguma a não ser obrigatoriamente quando morrem. É óbvio que ninguém deseja uma Igreja conduzida por homens de ontem com idéias de antes de ontem, desvinculados da realidade e descontextualizados da vida de nossos dias.
E também ninguém deseja uma Igreja na qual os relacionamentos são sufocados por políticas e procedimentos em detrimento da correta postura cristã.
Mas, como já afirmei o problema não está na estrutura, mas sim nas pessoas.
Por que afirmo isso? Porque a Bíblia simplesmente não nos revela uma Igreja sem estruturas de liderança.
Ao contrário, vemos os apóstolos exercendo grande autoridade sobre as igrejas (2 Cor. 13:1-4). Os pastores recebem a ordem de exortar e repreender "com toda a autoridade" (Tito 2:15; 2 Tm. 4:2). Vemos a atuação de presbíteros (At. 14:23, 15:2, 20:17; 1 Tm 3: 1-7, 5:17; Tt. 1:5; Tg. 5:14; 1 Pe. 1:1; 5:1), juntamente com o ofício de diáconos, que deveriam cuidar das necessidades físicas da congregação (1 Tm. 3: 8-13; Fp. 1:1; At. 6: 1-7). Certamente os presbíteros ou pastores não devem ser dominadores sobre aqueles que estão debaixo de sua autoridade, mas ainda assim devem exercer supervisão (1 Pe. 5: 2,3), e os membros da congregação recebem uma instrução importante:"Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas" (Hebreus 13: 17).
Além disso, dizer que não existem relacionamentos saudáveis entre as pessoas e com Deus porque ali existe hierarquia ou uma estrutura de liderança organizada é no mínimo falta de conhecimento bíblico e diria até ausência de vivência cristã em congregação ou comunidade.

2. Todos devem cuidar uns dos outros. Todos pastoreiam todos.
Alguns que defendem esse argumento não percebem que essa idéia reforça o ataque cada vez maior contra o pastorado conforme ensinado na Bíblia.
Como grupo, os pastores certamente não estão acima das críticas, mas o ofício em si não deve sofrer reprovação. Afinal de contas, "Cristo designou uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres" (Ef. 4:11). Uns, alguns, não todos.
Não podemos desprezar o ofício pastoral simplesmente porque preferimos uma "estrutura plana" ou apenas porque alguns pastores são despreparados, desatualizados, mal-intencionados ou simplesmente idiotas. Deus confiou o ministério pastoral aos anciãos ou presbíteros da igreja (At. 20:28; 1 Pe. 5: 1,2).
Os bons pastores, aqueles que foram chamados, vocacionados e que foram preparados devem exercer seu ofício com o uso benevolente da autoridade.
Autoridade sem compaixão leva ao autoritarismo implacável. Compaixão sem autoridade leva ao caos social.
Portanto, biblicamente falando, a pessoa do pastor na Igreja é fundamental para o cumprimento do propósito que a ela foi designada, assim como, os demais dons e ministérios também o são.
Como diz o ditado popular: "cada macaco no seu galho".

3. Toda forma de estrutura de liderança deve ser evitada.
É curiosa essa forma de pensar, porque nos sugere questionar por que será que alguém tem essa aversão a ser liderado? Mas, enfim...
Além de serem bíblicas, as estruturas de liderança são simplesmente inevitáveis.
Se quiser ser honesto, perceberá que nenhum grupo pode persistir por um período de tempo significativo sem desenvolver alguns padrões de liderança, alguma diferenciação nos papéis dos membros, algumas formas de gerenciar o conflito, algumas maneiras de articular os valores e normas comuns e algumas sanções para garantir níveis aceitáveis de conformidade a essas normas. 
Alguém precisa decidir as disputas ou conflitos. Alguém ou algum grupo precisa dar a palavra final. 
Se alguém não consegue entender o que afirmo, exemplifico da seguinte maneira me utilizando da instituição família:
a) Mamãe e papai estabelecem regras
b) Papai tem a função de liderar
c) Num bom lar, haverá estrutura e rotina
d) As tarefas são divididas
e) O horário de ir pra cama é determinado
f) As contas serão pagas em determinado dia
g) As refeições serão servidas por volta de certo horário
e outras...

Toda casa tem suas regras, escritas ou não, assim como diversos padrões para tomada de decisão que ajudam a trazer alguma medida de ordem em meio ao caos.
O mesmo vale para a família da fé.
Tenho que confessar que nunca gostei de regras, mas aprendi que elas são necessárias.
Prefiro liderar ouvindo as pessoas e buscando um consenso, mas há situações e momentos que tenho que assumir a liderança nos processos de tomadas de decisão. Não é muitas vezes agradável, mas faz parte da liderança.

Conclusão:
A igreja como povo escolhido de Deus, é tanto um organismo como uma organização. A Igreja é algo vivo que respira, cresce e está em amadurecimento. Também compreende certa ordem (1 Cor. 14:40), normas institucionais (5: 1-13), padrões doutrinários (15: 1,2) e rituais definidos (11: 23-26). Os dois aspectos da Igreja (organismo e organização), não devem ser jogados um contra o outro, pois ambos "se baseiam na operação do comando glorificado da igreja através do Espírito Santo". Ofício, ministérios e dons, governança e pessoas, organização e organismo, todas essas coisas estão relacionadas. Todas são bênçãos da obra de Cristo.
Deus poderia dirigir Sua Igreja de maneira diferente, mas optou por usar esses recursos. Vemos em toda a Bíblia a "preferência divina pela atuação humana".
A multidão contrária à Igreja entende isso quando se trata do mundo, ou seja, ninguém contesta que a liderança é essencial em outras áreas como a profissional, familiar, comunitária, etc..., mas tem pouca paciência com essa questão quando se trata da Igreja.
Contrastam o Espírito e as estruturas, o cuidado de Cristo e o cuidado pastoral e a autoridade divina com a autoridade humana.
Concordo com Bonhoeffer quando diz: "A Igreja ou congregação como Corpo de Cristo, incluímos sua articulação e ordem. Ambas são essenciais ao corpo e são uma designação divina. Um corpo desarticulado está fadado a perecer. A ordem na Igreja é divina tanto em origem como em caráter, embora, tenha o propósito de servir, não de dominar".
Cuidemos em não desarticular, cresçamos e ajudemos no fortalecimento dessa estrutura.
Examinemos nossas reais intenções e origens de nossos argumentos. Levemos nossos argumentos, idéias e conceitos ao crivo das Escrituras.
Reformemos o que precisa ser reformado, mas não destruamos o que possui o aval bíblico.
Como bem afirmava um dos lemas da Reforma:

Sola Scriptura

A Escritura é inerrante como fonte única de Revelação Divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado. Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de Revelação.

  
Pr. Prof. Magdiel G. Anselmo.
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