domingo, 10 de abril de 2016

O Cristão e a Vida Acadêmica (Universidade)

Vivendo e atuando no ambiente acadêmico a anos como professor universitário, tenho observado o aumento significativo de cristãos nas Universidades e Faculdades, e isso tem trazido algumas consequências tanto para a própria Academia como para a vida destes cristãos. 
Em minha adolescência não me lembro de termos nenhum dos jovens de nossa igreja local na Universidade, tínhamos um contingente de jovens cristãos muito inferior ao que temos hoje no ensino superior. Hoje temos uma grande quantidade de jovens que tem se preparado academicamente e a presença de cristãos protestantes dentro da Academia tem aumentado consideravelmente. A ABUB (Aliança Bíblica Universitária do Brasil) tem trabalhado na evangelização de jovens dentro dos centros universitários desde a década de setenta.
O interesse dos protestantes pela Academia não é novo, um exemplo bem conhecido dos reformados é a Academia de Genebra criada por Calvino e tantos outros centros acadêmicos criados por cristãos como Oxford, Yale e Princeton. No Brasil temos a Universidade Presbiteriana Mackenzie que tem sido uma escola de destaque em solo brasileiro, na verdade desde a chegada dos protestantes no Brasil há interesse pela educação seja ela básica ou superior. 
Entretanto, nas últimas décadas, a chegada de cristãos de uma forma geral (protestantes, evangélicos pentecostais e mesmo os neo pentecostais com seus equívocos teológicos de toda ordem) nas Universidades e Faculdades, tem alterado o ambiente das aulas e sem dúvida, estimulado o surgimento de conflitos e problemas que se não forem tratados adequadamente produzirão malefícios a ambos os lados (Academia e cristãos).
Nesse processo de volta ou de chegada, principalmente dos cristãos protestantes e evangélicos a Academia, algo que sempre foi difícil no Brasil por conta da condição financeira e na defasagem da educação da maioria dos evangélicos, e tendo vivenciado como aluno conflitos que hoje observo em meus alunos, é que entendo relevante e urgente o trabalhar desta questão pelos pais cristãos e pelas igrejas locais de uma forma geral. Alguns fatores positivos e negativos colhemos desta questão quando trabalhada. Vejamos de forma panorâmica, estes fatores:

O primeiro fator que enxergo e de forma positiva, é o fato de a condição econômica ter melhorado nos últimos anos por conta inicialmente da estabilização da moeda e de programas educacionais que foram implantados tivemos a oportunidade de educar jovens cristãos no ensino superior (se bem que nos últimos anos, estes programas tem sido negligenciados pelo Estado devido a queda abrupta da credibilidade na gestão da economia brasileira, abandonando os jovens que aderiram a eles, mas de forma geral, ainda são benéficos e positivos). 

No entanto, temos o segundo fator e lado negativo da questão. É inegável que muitos jovens cristãos quando chegam na Universidade ficam desmotivados e confusos por conta dos confrontos das ideias cientificas  que querem destruir a religião de uma forma geral. Com isso temos alguns efeitos interessantes, primeiro temos aqueles que vivem uma dicotomia, a figura do professor universitário é uma autoridade em sala de aula e ali a ciência está em primeiro plano, ali não é lugar para a fé (essa é uma observação que ouvi muito de professores na graduação), mas, lugar de investigação cientifica, portanto o método cientifico supera as questões religiosas. Com isso muitos jovens tem uma cosmovisão bifurcada, na Academia e na Igreja Local que congregam. Muitos jovens não sabem explicar porque creem na Bíblia, não sabem explicar sobre a pessoa de Cristo ou sobre pecado e salvação. Dentro desse primeiro ponto temos algumas questões a tratar, na maioria das vezes as igrejas não fornecem suporte a esses adolescentes e jovens que tem ido à Universidade, por isso é necessário que a igreja se preocupe com isso, não impedindo que o jovem cristão vá a Universidade, mas o preparando para estar lá. E aqui, sem dúvida, se aplica o ensino teológico de qualidade (mesmo que ainda básico), em Escolas Bíblicas e/ou atividades semelhantes no âmbito da Igreja Local

Questões como teoria da evolução, Criacionismo, a existência de Deus, a questão do mal, a inerrância da Bíblia e muitas outras questões que se levantam na Universidade devem ser trabalhadas em classes de jovens e adolescentes nas Igrejas Locais (congregações). E eles devem ser instruídos desde a pré adolescência. Ao que vemos hoje, posso dizer pela experiência que há um interesse maior dos jovens por questões relacionadas a Apologética Cristã (defesa da fé cristã) por conta do confronto que sofrem não só nas Universidades e Faculdades, mas também em escolas de ensino fundamental e médio. O fato de ainda não termos atentado no Brasil para uma Educação Cristã dificulta muito a formação de nossas crianças. De certa forma, há uma negligencia ao mandato cultural e social, na maioria das vezes defendemos que só a evangelização é a missão da igreja e não a transformação da cultura. Quando fazemos nosso papel na sociedade existe uma alteração cultural, existe uma evangelização integral. E ao tratarmos dessa integralidade não me refiro somente a uma questão de justiça social no que se refere a um recorte e cuidado com os pobres, mas na educação do nosso povo e daqueles que não são cristãos também. 

Abro um parênteses aqui: Devo incluir aqui também a necessidade urgente da criação e implantação de escolas de ensino infantil, fundamental e médio confessionais (raras existem) para que pais cristãos possam ter uma opção diante da escola formal que se apresenta com suas tendências, filosofias e políticas que confrontam os princípios e valores bíblicos. Sem dúvida, a Igreja tem negligenciado esta sua função na sociedade brasileira e abandonado nossas crianças, adolescentes e jovens a mercê do Estado, e isto traz consequências quando estes chegam a Academia sem a bagagem e conhecimento suficientes para fazer frente a investida massiva contra o Cristianismo no ambiente acadêmico.

Depois e em consequência do que já abordei, vem o terceiro fator. 
Temos aqueles que abandonam a fé por não terem “provas” consubstanciais da fé. Por isso, a Apologética Cristã é relevante e devemos ensinar os jovens cristãos a terem uma cosmovisão Bíblica e Cristocêntrica. É necessário que se prepare os jovens para a entrada na Universidade, seja através de palestras na Igreja Local, escolas bíblicas e/ou ensino confessional, trabalhando pontos específicos relacionados ao contexto que eles irão integrar. 

Um livro que recomendo e sugiro a todos os jovens cristãos que tem seguido no campus universitário é sem duvida “De todo o teu entendimento” do teólogo luterano Gene Edward Veith. Esta obra, dentre outras, irá mostrar de forma clara e de fácil compreensão como um cristão deve se portar no ambiente acadêmico tomando como base Daniel e seus amigos na corte de Nabucodonosor. Aqueles jovens estavam em Babilônia, exilados, e foram escolhidos para estudarem, note que eles já eram jovens de grande evidencia por seu intelecto e dedicação (Cap. 1 de Daniel).

Veith nos diz algo precioso:

"Em muitos aspectos, a experiência de Daniel é notavelmente parecida com a dos cristãos de hoje. Os estudantes cristãos numa universidade secular, ou os cristãos que confrontam a cultura contemporânea e o mundo intelectual atual se sentirão frequentemente como exilados numa terra estranha e hostil, assim como Daniel se sentiu. No entanto, o primeiro capitulo de Daniel sugere que é possível que alguém que crê no Deus verdadeiro se beneficie da instrução vigente. Ele mostra as provações, tentações e pressões com as quais ele pode deparar, mas também sugere como lidar com elas. Daniel conseguiu aprender a ciência Babilônica sem fazer a mínima concessão quanto a qualquer ponto doutrinal ou moral. Na verdade, Daniel, Sadraque, Mesaque, e Abede-Nego conseguiram prosperar na Universidade da Babiônia, mas a fé que eles tinham permitiu-lhes verdadeiramente superar seus contrapartes pagãos em seus próprios termos."

  É bom notarmos também que eles não comeram dos manjares do rei, porque eram oferecidos aos ídolos, exemplo precioso ais jovens crentes, lembre-se que você está em uma Babilônia e que muitas coisas oferecidas ali, até certos conteúdos curriculares não ídolos.

Um quarto fator que não podemos deixar de abordar é o deslumbre de muitos cristãos ao chegarem ao ambiente acadêmico que, além do pecado que tenazmente os assedia neste ambiente novo e multifacetado, muitos acabam tornando tudo aquilo a fonte de conhecimento absoluto e desprezam a Palavra de Deus, se não formalmente, mas ideologicamente.  Qual o fim disso? O fim se dará no final da vida quando se notará que o conhecimento sem Deus é fútil como Salomão dizia:

Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.Eclesiastes 1:16-18

Eu apliquei o meu coração para saber, e inquirir, e buscar a sabedoria e a razão das coisas, e para conhecer que a impiedade é insensatez e que a estultícia é loucura. Eclesiastes 7:25

De fato devemos encorajar os nossos jovens a estarem em ambiente acadêmico, na Reforma Protestante uma das questões trabalhadas na Teologia dos Reformadores foi a questão vocacional, isso deve ser enfatizado aqui, Deus chama homens e mulheres para serem médicos, engenheiros, advogados, políticos, economistas, artistas, cientistas. Quando esse chamado tem consciência de sua vocação e de que forma ou por que lente deve ser tratada determinada ciência chegaremos a um conceito chave mais profunda e numa cosmovisão cristã. 

Para concluirmos, não poderíamos deixar de citar esse trecho das Escrituras que encorajador a jovens estudantes cristãos:

Quanto a estes quatro jovens, Deus lhes deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras, e sabedoria; mas a Daniel deu entendimento em toda a visão e sonhos. E ao fim dos dias, em que o rei tinha falado que os trouxessem, o chefe dos eunucos os trouxe diante de Nabucodonosor. E o rei falou com eles; entre todos eles não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; portanto ficaram assistindo diante do rei. E em toda a matéria de sabedoria e de discernimento, sobre o que o rei lhes perguntou, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos astrólogos que havia em todo o seu reino. Daniel 1:17-21


Portanto e finalmente chego a um chamado e advertência a todos que amam a Deus, Sua Palavra e Sua Igreja (onde cada um de nós é um membro) e que, por conta disso, tem responsabilidade com as atuais e novas gerações de cristãos. Precisamos como Igreja, preparar melhor nossos jovens para a entrada na Academia, e para o convívio num ambiente e campus universitário, onde, sem dúvida, encontrarão obstáculos, filosofias, crenças e direcionamentos ideológicos, religiosos, culturais, etc, de toda ordem e tipo.
Consideremos esta necessidade e reconheçamos nossa negligencia.
Mudemos nossa postura diante deste fato e amemos nossos jovens a tal ponto de nos preocuparmos com seus conflitos, dilemas e anseios.
Deus nos capacite para tal missão.


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Leitura Recomendada a Cristãos Universitários:

A Morte da Razão – Francis Schaeffer, Ed. Ultimato.
O Deus que se revela - Francis Schaeffer, Ed. Cultura Cristã.
O Deus que intervém - Francis Schaeffer, Ed. Cultura Cristã.
Discípulo Radical – John Stott, Ed. Ultimato.
De Todo o teu entendimento – Gene Edward Veith Jr. Ed, Cultura Cristã.
Tempos Pós- Modernos - Gene Edward Veith Jr. Ed, Cultura Cristã.
No Crepúsculo do Pensamento – Herman Doeeyweerd, Ed. Hagnos.
Os cristãos e os Desafios contemporâneos – John Stott, Ed. Ultimato.
Pense Biblicamente – John MacArthur, Ed. Hagnos.
Filosofia e Fé Cristã - Colin Brown - Ed, Vida Nova.

sábado, 9 de abril de 2016

Exegese (análise) de Gálatas 5: 22, 23.


“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei”
(Gálatas 5:22,23).
Várias passagens do NT ensinam que os seguidores ou discípulos de Cristo precisam remover o mal de suas vidas. Essa é uma verdade que permeia toda a Escritura.
Temos que crucificar a carne "... com as suas paixões e concupiscências" (Gálatas 5:24).
Algumas vezes, as pessoas não entendem tais instruções e pensam que a vida de um cristão é vazia, despojada de todo o prazer. Mas Deus não tem intenção de deixar um vazio, de tornar nossas vidas vácuos sem significado. Quando ele nos diz que precisamos remover o pecado, ele também nos mostra outras coisas ¬ que são muito melhores ¬ para encher nossas vidas e fazê-las mais rica. Por exemplo, quando Paulo disse a Timóteo: “Foge, outrossim, das paixões da mocidade”, ele imediatamente acrescentou esta instrução positiva para encher o vazio: "Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor" (2 Timóteo 2:22). Ele tinha que remover o mal, mas imediatamente lhe foi dito que pusesse o bem no seu lugar.
Ao analisar Gálatas 5 percebemos que esta instrução se torna muito clara.
Precisamos crucificar a carne, removendo suas obras de nossas vidas (versículos 19-21). Mas Paulo não parou aí. Ele continua essa lista de obras proibidas com uma descrição do "fruto do Espírito" (versículos 22-23). Aqueles que vivem no Espírito devem andar no Espírito. Devemos desenvolver cada uma destas qualidades como uma parte de nossa personalidade. O fruto do Espírito tem que ser produzido na vida de cada seguidor de Cristo.
Mas o fruto do Espírito - Tanto a carne - as disposições pecaminosas do coração e do espírito humano - como o estado transformado e purificado da alma, pela graça de Deus, são representados pelo apóstolo como árvores, uma produzindo bom fruto e outra produzindo mau fruto; os produtos de cada uma sendo segundo a natureza da árvore, assim como a árvore é segundo a natureza da semente da qual ela brotou. A semente má produz uma árvore má, produzindo toda maneira de fruto mau; a boa semente produz uma boa árvore, produzindo frutos dos mais excelentes tipos.
Não é sem desígnio, evidentemente, que o apóstolo usa a palavra “Espírito” (Fruto do Espírito), denotando que essas coisas não fluem de nossa própria natureza. Os vícios enumerados nos versículos 19 a 21 são as “obras” apropriadas ou o resultado das operações do coração humano; as virtudes que ele enumera são produzidas por uma influência exterior — a agência do Espírito Santo. Por conseguinte, Paulo não as atribui aos nossos próprios corações, mesmo quando renovados. Ele diz que elas devem ser consideradas como o resultado apropriado das operações do Espírito sobre a alma.
Como o trabalho não tem a intenção de analisar as obras da “carne” mencionadas, não nos aprofundaremos nesta lista, apenas estou usando-a para extraindo seu correto contexto, seguir adiante enfocando os versículos 22 e 23.
William Hendriksen (1994) observa que, “talvez possamos dividir estes noves preciosos dons em três grupos, perfazendo três frutos em cada grupo.”
Se Hendriksen estiver correto — de forma alguma se tem certeza! —, o primeiro grupo estaria referindo-se às qualidades espirituais mais básicas: amor, alegria, paz. O segundo grupo indicaria aquelas virtudes que se manifestam nas relações sociais. Pressupomos que considera os crentes em seus diversos contatos uns com os outros e com aqueles que não pertencem à comunidade cristã: longanimidade, benignidade, bondade. No último grupo, se bem que aqui há bastante espaço para divergência de opinião, o primeiro fruto poderia referir-se à relação dos crentes com Deus e sua vontade revelada na Bíblia: fidelidade ou lealdade.
O segundo, presume-se, teria a ver com seu contato com os homens: mansidão. O último, à relação que cada crente tem consigo mesmo, ou seja, com seus próprios desejos e paixões: domínio próprio.


Uma análise exegética de cada um é a intenção a seguir:


Amor - agaph· Um desejo intenso de agradar a Deus, e para fazer o bem à humanidade; a própria alma e espírito de toda verdadeira religião; o cumprimento da lei, e que dá energia à própria fé. (Conforme Gálatas 5:6.). É o amor puro, desprendido, sacrificial, que Deus mostra para conosco. A única maneira de aprendermos este amor é olhando para seu exemplo. Em 1 João 4:7-12, lemos:
 "Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus em nós; em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado."
Sabemos, pelo exemplo de Deus, como amar. Este amor sempre procura o melhor para aqueles que são amados. Deus procurou o melhor para nós quando deu seu Filho. O esposo que ama sua esposa procura cuidar dela e protegê-la, até a ponto de sacrificar sua vida para salvá-la (Efésios 5:25). O discípulo que ama Cristo obedece a tudo que o Senhor ordenou (João 14:15). Mas o imitador de Deus que ama seus inimigos não procura destruí-los, mas ajudá-los e salvá-los (Mateus 5:43-48). Não há maior desafio nas Escrituras do que amar como Deus ama. Em contraste com as paixões da carne, vazias e passageiras, este amor é eterno (1 Coríntios 13:13).
Alegria - cara· A exultação que emerge de um senso da misericórdia de Deus comunicada à alma no perdão de suas iniqüidades, e o prospecto daquela glória eterna da qual ele teve o antegozo no perdão dos pecados. Conforme Romanos 5:2. Calvino ao analisar este ponto observa, “...não tomo alegria, aqui, no sentido de Romanos 14:17, mas como aquele bom humor [hilaritas] para com nossos companheiros, o qual é o oposto de melancolia.”
Esta Alegria descreve o privilégio de regozijar em Cristo, apreciando as maravilhosas bênçãos de nossa relação com ele. Esta alegria não é dependente de nossas circunstâncias físicas. Dinheiro não compra esta alegria. Um dos livros do Novo Testamento que fala mais claramente sobre alegria foi escrito por um homem que sofreu muito. Enquanto ele estava na prisão, onde às vezes lhe faltava o essencial, Paulo escreveu a seus irmãos em Filipos: "alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos" (Filipenses 4:4; veja também 3:1; 1 Tessalonicenses 5:16). Muitas pessoas pensam que tal felicidade depende das circunstâncias. Até mesmo muitas igrejas falam tanto de saúde física e bênçãos materiais que dão a impressão de que essas coisas são necessárias à felicidade. A prosperidade física é nada mais do que um substituto barato e temporário para a alegria real que encontramos em Cristo. Os verdadeiros cristãos não consideram cada provação e dificuldade como um sinal de infidelidade ao Senhor, mas percebem que tais provações são ocasiões para alegria e oportunidades para crescimento espiritual (Tiago 1:2-4). Nossa alegria vem de Cristo, que é totalmente suficiente, não da temporária prosperidade material.
Paz - eirhnh· A calma, sossego e ordem que tomam lugar na alma justificada, ao invés de dúvidas, temores, alarmes e terríveis apreensões, que todo verdadeiro penitente sente mais ou menos, e deve sentir até que a certeza do perdão traga paz e satisfação à mente. Paz é o primeiro fruto perceptível do perdão do pecado. (Conforme Romanos 5:1). Calvino observa que, “Paz contrasta com rixas e contendas.”
É a sensação de bem-estar e tranqüilidade que resulta de nossa amizade com Deus. Numa de suas horas mais difíceis, Jesus falou com seus apóstolos a respeito de sua partida. Ele tinha que ir embora, para completar sua missão. Mas o próprio pensamento desta partida afligia profundamente os apóstolos. Nesse contexto, ele lhes deu esta segurança: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize" (João 14:27).
Jesus não está fisicamente presente neste mundo, mas nos deixou sua paz!

Loganimidade - makroqumia· Tolerância, suportando as implicações e provocações dos outros, à partir da consideração de que Deus tem sido longânimo para com as nossas; e que, se Ele não tivesse sido, já teríamos sido prontamente consumados: suportando também todas as tribulações e dificuldades da vida sem murmurar ou reclamar; submetendo alegremente a toda dispensação da providência de Deus, e assim, derivando benefício de todo acontecimento. Este ponto é comentado por Calvino como “a suavidade da mente, a qual nos dispõe a levar tudo com otimismo, não permitindo a suscetibilidade.”
É a capacidade de pensar antes de agir. Deste modo, demonstramos paciência e perseverança. Por causa da sua longanimidade, Deus tem dado tempo suficiente ao homem para se arrepender de seus pecados (2 Pedro 3:9,15). Ele não quer condenar ninguém, então procura a reconciliação com cada pecador. Paulo nos diz que a mesma atitude deveria governar nossas relações com nossos irmãos (Efésios 4:2). Em vez de escapar com raiva ou agir despeitadamente para ferir aquele que nos feriu, deveríamos pacientemente mostrar nosso amor e procurar reconciliar com essa pessoa. Tal atitude melhorará nossas relações em todos os aspectos. Você pode imaginar como poderiam as igrejas e famílias ser mais fortes e mais felizes se cada membro praticasse a longanimidade verdadeiramente?
Benignidade - crhstothv· Delicadeza, afabilidade; uma graça muito rara, freqüentemente ausente em muitos que têm uma porção considerável da excelência cristã. Uma boa educação e maneiras polidas, quando trazidas sob a influência da graça de Deus, trará esta graça com grande efeito.
É a bondade de Deus, que é mais bem ilustrada por suas ações para nos salvar quando estávamos profundamente enterrados no pecado. Paulo mostra este ponto em Tito 3:3-7. Deus nos viu em pecado, como escravo de todo tipo de desejo ruim e totalmente incapaz de nos salvarmos. Por causa de sua benignidade e amor, ele nos abençoou ricamente através de seu Filho e do Espírito Santo e resgatou-nos do pecado.
Agora, em vez de sermos escravos, somos herdeiros, com uma esperança de vida eterna! É assim que Deus mostra benignidade. Temos que imitar tal bondade, mesmo para com nossos inimigos!
Bondade - agaqwsunh· O desejo perpétuo e estudo sincero, não só de abster-se de toda aparência do mal, mas de fazer o bem aos corpos e almas dos homens ao extremo da nossa capacidade. Mas tudo isso deve fluir de um coração bom - um coração purificado pelo Espírito de Deus; e então, a árvore sendo feito boa, o fruto deve ser bom também.
É semelhante à benignidade. Esta palavra ressalta a generosidade em dar mais do que alguém merece. É a palavra que Jesus usou para descrever o homem que pagou ao seu empregado mais do que seu trabalho realmente valia (Mateus 20:15). Os cristãos não devem ser pessoas avarentas, tão preocupadas com o que é "certo" que perdem a capacidade de ser generosas e dar mais do que uma pessoa realmente merece. Deus é generoso para conosco. Podemos ser generosos para com outros.
Fé - pistiv, aqui usado para fidelidade - pontualidade no cumprimento de promessas, cuidado consciente em preservar aquilo que é comprometido à nossa confiança, em restaurá-lo ao seu proprietário devido, em manejar o negócio nos confiado, nem trair o segredo de nosso amigo, nem desapontar a confiança de nosso patrão. Calvino observa que, “Fé é usada para verdade, e é contrastada com astúcia, engano e falsidade.”
É a lealdade que mantém sua palavra, cumpre suas promessas e não trai os outros. Empregados devem mostrar esta qualidade em seu trabalho (Tito 2:10). Aqueles que ensinam o Evangelho têm que mostrar fidelidade em seu uso da palavra, percebendo que serão julgados por Deus (2 Timóteo 2:2: 1 Coríntios 4:1-4).
Mansidão - praothv· Brandura, indulgência para com o fraco e errante, sofrimento paciente de injúrias sem sentir um espírito de vingança, um equilíbrio de todos os temperamentos e paixões, o contrário completo da ira.
É algumas vezes confundida com fraqueza e timidez, mas esta qualidade nunca é fraca. Mansidão, ou brandura, é a força sendo dominada. Moisés e Jesus eram mansos, mas mostravam força para enfrentar as autoridades poderosas de seu tempo e condenar claramente seus pecados. O cristão tem que mostrar sua sabedoria com mansidão (Tiago 3:13). Esta é a atitude da submissão humilde, dominada, com a qual temos que estudar a Bíblia (Tiago 1:21). É a atitude que os seguidores de Cristo têm que mostrar quando resgatam um irmão que recaiu no pecado (Gálatas 6:1; 2 Timóteo 2:25).
Temperança- egkrateia· Continência, domínio próprio, principalmente com respeito aos apetites sensuais ou animais. Moderação no comer, beber, dormir, etc.
É a capacidade de governar nossos próprios desejos. Diferente da pessoa que anda na carne, como um escravo de paixões pecaminosas, o servo do Senhor deve mostrar o domínio próprio (2 Pedro 1:6).
Esta característica nos capacita a negar nossos desejos carnais. A pessoa que aprende a se dominar é capaz de vencer os vícios e maus hábitos que governam as vidas de muitas pessoas que continuam a andar na carne.
Diversos manuscritos muito respeitáveis, como D*EFG, como a Vulgata, a maioria das cópias da Itália e diversos dos pais, adicionam agneia, castidade. Isso certamente não pode estar separado do caráter cristão genuíno, embora ele possa ser incluso na palavra egkrateia, continência ou moderação, imediatamente precedente.
Contra estas coisas não há lei - Aqueles, cujas vidas são adornadas pelas virtudes acima, não podem ser condenados por qualquer lei, pois o propósito e desígnio inteiro da lei moral de Deus é cumprido naqueles que têm o Espírito de Deus, produzindo em seus corações e vidas os frutos precedentes.
Uma vez que Paulo aqui completou uma lista de virtudes, que são coisas, não pessoas, é natural interpretar suas palavras como significando: “contra tais coisas — tais virtudes — não existe lei”. A gramática não proíbe tal construção.
Também é óbvio que, à semelhança dos vícios enumerados, esta lista de virtude é apenas representativa. Não podemos mesmo afirmar que todas as excelências cristãs estão incluídas na lista. Portanto, Paulo diz: “contra tais... Ao dizer que contra tais coisas não existe lei, ele está encorajando a cada crente a manifestar estas qualidades, a fim de que, assim procedendo, os vícios possam ser aniquilados”.
O incentivo de que precisamos para exibir estes excelentes traços do caráter foi fornecido por Cristo, pois é devido à gratidão que os crentes sentem para com Cristo que os usam para adornar sua conduta. O exemplo, também, em conexão com todos eles, foi dado por ele. E as próprias virtudes, associadas ao poder para exercê-las, são doadas pelo seu Espírito.
Embora Paulo tenha qualificado as virtudes enumeradas de “o fruto do Espírito”, agora ele desvia a ênfase do Espírito para Cristo. Se ele pôde fazer isso tão prontamente, é devido ao fato de que quando o Espírito ocupa o coração, Cristo também o faz (Efésios 3:16,17). Cristo e o Espírito não podem ser separados entre si. Cristo mesmo habita a vida interior dos crentes “no Espírito” (Romanos 8:9,10). O Espírito não foi dado por Cristo? (João 15:26; 2 Coríntios 3:17).
A razão para esta mudança de ênfase é que o apóstolo lembrará os gálatas de que eles crucificaram a carne. Isso, naturalmente, chama a atenção imediatamente para Cristo e sua cruz. E assim Paulo prossegue em sua carta.
A relevância do assunto e sua fundamentalidade na obra e vida de Cristo confirmam que a origem da orientação é divina e que todo cristão deve buscar estas virtudes em sua vida e observar com cuidado se há frutificação real e não simplesmente superficial e por conseguinte inexistente. 


BIBLIOGRAFIA PESQUISADA:
Bíblia Sagrada. Edições revista, revisada, atualizada, NVI.
Bíblia de Genebra.
Comentário de Gálatas de João Calvino, publicado pela Editora Paracletos, páginas 170 e 171.
Comentário de Gálatas de William Hendriksen, publicado pela Editora Cultura Cristã, páginas 321-325.
MANUAL BÍBLICO. Vida Nova. 2003. SP.
FOLKES, Francis. Comentário de Gálatas. Vida Nova.2001. SP.
BRUCE, F. F. Comentário de Gálatas. Vida Nova. 2001. SP.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Batismo é para convertidos e não para converter.


O passo seguinte após ter crido em Jesus Cristo é ser batizado.
O batismo cristão deve fazer parte da vida da Igreja. Igreja que não faz batismos regularmente está com sérios problemas. O novo nascimento deve ser seguido do batismo. Se não há batismos, não houve novos nascidos. Isso é grave para uma Igreja Cristã.
Entretanto, alguns aspectos deste ato ou rito devem ser explicados para que todo aquele que estiver para ser batizado saiba e entenda o significado, o sentido, a finalidade, quem deve ser batizado, o modo e qual a fórmula utilizada e porque.

1. O significado ou sentido do Batismo Cristão:

O batismo cristão não tem poder em si mesmo para salvar ninguém, porém as pessoas devem ser batizadas não para serem salvas, mas porque já o são (Ef. 2:8), em cumprimento da justiça (Mat. 3:1 –5) e em obediência ao Senhor Jesus (Mat. 28:1-9 / Marc. 16:16). O batismo demonstra o testemunho do crente em sua identificação com a morte e ressurreição de Jesus. Ele simboliza a morte, sepultamento e ressurreição do Filho de Deus.
Sendo assim, o batismo é o ato por meio do qual o crente publicamente simboliza a sua confissão da fé em Cristo e se identifica com Sua igreja. É uma ordenança ou rito confiada a guarda da igreja e a ser administrada por sua autoridade, por isso deve ser ministrada por uma pessoa crente, também batizada e autorizada pela igreja.
O batismo é, portanto, uma proclamação poderosa da verdade do que Cristo fez, é uma “palavra em forma de água”, confirmando a participação do crente na morte e ressurreição de Cristo. É mais um símbolo que um mero sinal, pois é um quadro vivo da verdade que transmite.
O que precisa ficar bem claro é que o batismo não é fundamental e muito menos necessário para a salvação de qualquer pessoa, porém faz parte da vida de quem já é salvo. Um crente que não deseja ser batizado e como um namorado que não deseja se casar com sua namorada. Das duas uma, ou não ama a namorada como diz amar, ou simplesmente é um enganador, fingindo ser quem não é.
O batismo nas águas deve ser o passo seguinte após a conversão, mas não faz parte da conversão, faz parte da vida cristã.

2. A Forma ou Modo do Batismo Cristão

A forma adotada pela maioria das igrejas evangélicas e/ou protestantes é a imersão, sendo o corpo totalmente imerso nas águas batismais. Seguindo o exemplo do Senhor Jesus quem irá batizar e quem irá ser batizado devem descer ou entrar nas águas (Atos 8:38; João 3:23; Mat. 3:16).
Algumas igrejas evangélicas e/ou protestantes adotam a forma da aspersão, que nada mais é que derramar ou aspergir água sobre a cabeça daquele que irá ser batizado.
Não há biblicamente uma orientação minuciosa ou precisa quanto à imersão ou aspersão, e não vou entrar aqui nessa discussão. Nas duas formas existem defensores que se fundamentam na Palavra de Deus. O equilíbrio aqui é a melhor atitude. Quando a Bíblia não é clara e contundente sobre algo, não devemos nós o ser.
O que importa realmente é o que significa e pra qual finalidade e não o modo ou forma em si (estou me referindo as duas formas que já mencionei). A Imersão ou aspersão são formas que não transgridem a Palavra e portanto, devem ser respeitadas e aceitas por todos os cristãos.
Cada grupo ou denominação pode se posicionar e realizar seus batismos em uma das formas, sem contudo, desrespeitar os que realizam também seus batismos usando a outra forma ou modo.
O rebatismo usado por algumas denominações é inaceitável nesse caso. Somente se batiza alguém "novamente" quando reconhecidamente aquela pessoa veio e foi batizada em uma seita ou religião não cristã, jamais quando veio de outra denominação, seja qual for a linha teológica que seguia naquele momento (pentecostal, tradicional ou reformada) ou se o modo é diferente da comumente usada ali (me refiro aqui novamente as duas formas já mencionadas).

3. Quem Deve Ser Batizado

Só existe uma regra, condição ou critério para alguém ser batizado. Esta pessoa tem que ser salva, ou seja, o batismo é para quem, pela obra poderosa e milagrosa de convencimento do Espírito Santo, se arrependeu dos seus pecados, creu e confessou Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador (Atos 8:37; Atos 2:38; Atos 22:16). Portanto, quem é salvo deve dar o passo seguinte que é o batismo.
É inaceitável não batizar um crente porque este não é casado legalmente quando quem não deseja legalizar a condição de casado é o companheiro ou companheira não crente. Nesses casos, quando reconhecidamente a pessoa crente deseja regularizar sua situação mas a outra não permite, deve-se batizar pois essa regularização não depende do crente mas sim do ímpio. Privar um irmão ou irmã do batismo nesses casos é não compreender a situação e castigar quem não comete infração alguma. 
Cada caso portanto, deve ser analisado com cuidado e zelo e não com superficialidade, caprichos, vaidades ou tradicionalismos denominacionais.

4. A Fórmula do Batismo

O batismo assim como Jesus ordenou, deve ser em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (A Trindade).

Considerações finais

Muitas igrejas matriculam os candidatos ao batismo em estudos bíblicos ou cursos para que entendam o que expus antes de ser batizados. É muito saudável e sábio esse procedimento.
Ensinar sobre o batismo aos seus futuros membros é uma obrigação da Igreja.

AUXÍLIO AO ESTUDO

Texto para meditação: Mateus 28:1-9 e Marcos 16:16

Pr. Magdiel G Anselmo.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

A Confusão causada pelos Falsos Pastores.


Lamentavelmente, tenho que afirmar que este assunto que vamos tratar agora, está cada vez se tornando mais real para a Igreja de Cristo. Não é de assustar, pois a Bíblia já nos adverte quanto a isso desde o AT.

Muitas pessoas atualmente são chamadas de “pastores, presbíteros, apóstolos, bispos e coisas semelhantes a essas”, porém nunca foram chamadas por Deus para o serem. Em meus anos de igreja já encontrei alguns ‘profissionais de púlpito’ que se utilizam de seus cargos para angariarem notoriedade e segurança financeira. Outros se utilizam do cargo para se aproveitar do rebanho executando em oculto transações comerciais com dinheiro da igreja com fins de lucro pessoal e ouso afirmar que alguns são mesmo enviados de satanás para causarem confusão e escândalo.

Pessoas que buscam o interesse próprio e o de sua família sem considerar o rebanho e a sua missão como pastor de ovelhas. Certa vez constatei que um destes “falsos pastores” submetia o rebanho a pagar inclusive vacinas e veterinário de um animal doméstico que lhe pertencia e, além disso, se utilizava do trabalho indevido e ilegal de dependentes químicos em uma casa de recuperação que dirigia, fazendo-os “vender quinquilharias” nos semáforos e residências (trabalho este não remunerado) para angariar fundos para uso duvidoso de sua parte.

Estes profissionais e aproveitadores de rebanhos são na realidade pessoas de má fé, oportunistas, que se infiltram nas igrejas demonstrando uma falsa espiritualidade, ensinando o povo a dar ênfase na busca pela prosperidade financeira e pressionando e induzindo os crentes a darem tudo ou o máximo que puderem em dinheiro e bens para a igreja, pois desta forma serão abençoados por Deus. Chegam ao cúmulo de arrecadarem em seus cultos duas e até mais vezes, as ofertas. Fazem isso não visando a benção do povo, mas evidentemente o enriquecimento próprio e o crescimento numérico de suas congregações, já que ensinam que “é dando que se recebe”, uma forma completamente distorcida do ensino bíblico ortodoxo. Enganam líderes ingênuos, desatentos ou simplesmente enganam líderes que buscam inovações sem medir suas conseqüências, ou seja, deixam ser enganados.

O texto de Colossenses 2:8 diz o seguinte: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo a Cristo...” . Esta advertência de Paulo aos irmãos colossenses é bem aplicada nesta situação.

Há outro tipo também de “falso pastor”. Este segundo tipo é aquele que não é desonesto como os que mencionei, mas não foi chamado para este ministério e insiste em permanecer. Isso causa transtornos imensos para a Igreja, pois por não ser vocacionado para tal função não tem as ferramentas necessárias para exercê-la e o trabalho se torna infrutífero e sem objetivo. Neste pastor não há o desejo de se aprofundar no estudo da Bíblia e, por conseguinte alimentar o povo cada vez mais com alimentos nutritivos e necessários. A consequência disto são sermões sem conteúdo e sem sentido, normalmente cansativos e repetitivos, demonstrando nitidamente a falta de preparo e mesmo disposição do pastor em prepará-los.

Ressalto que o pastor não precisa ser necessariamente um pregador eloqüente e carismático, porém deve pregar corretamente e aplicar os princípios divinos para a vida do homem hoje com responsabilidade e conhecimento bíblico. Deve alimentar o rebanho sistematicamente com tudo aquilo que este precisa, que Deus o dirige a servir. Para isso, o pastor gastará tempo em leitura, meditação e estudo de sua Bíblia bem como em oração e devoção diária. O aperfeiçoamento e a busca de maior conhecimento bíblico e geral deve ser uma tarefa constante na vida do verdadeiro pastor e isso ele faz naturalmente porque o Espírito Santo o leva a amar o rebanho e ter prazer nisto.

Já o “falso pastor” não sente prazer nesta tarefa e a considera cansativa e sem muita utilidade. Defende na maioria das vezes a tese de que “Deus me revelará Sua vontade” e por isso não se prepara adequadamente para pregar ou ensinar. Sua atuação então se torna medíocre e certamente todo o rebanho perceberá isso, e não terá a confiança necessária para respeitá-lo como líder espiritual.

Outra característica desse “falso pastor” é a falta de amor pelas ovelhas do Senhor. Ele não foi preparado por Deus para suportar os problemas e situações que se sucedem no ministério pastoral. Ele não tem “coração de pastor” e por isso trata as ovelhas a distância e não quer de forma alguma conhecê-las mais profundamente, porque se fizer isso vai ter que ajudá-las, entendê-las, aconselhá-las e fazer todo o possível na força de Cristo para conduzi-las a restauração.

Este processo todo para o “falso pastor” é muito difícil e complicado porque tudo isso depende do amor que ele tem pela ovelha, e isso infelizmente ele não tem o suficiente. Ele se torna muitas vezes apenas um administrador de coisas e as pessoas de sua comunidade são deixadas para elas mesmas se cuidarem. Por isso, muitas pessoas estão feridas e afastadas da comunhão com seus irmãos.

Esses tipos de pastores que mencionei são danosos e causam todo tipo de confusão para a Igreja de Cristo e provocam um desconforto entre os verdadeiros pastores. Cabe a igreja de Cristo identificar esses falsos líderes e adverti-los quanto ao erro que estão cometendo, bem como os verdadeiros pastores cabe o confronto bíblico com estas situações e falsos pastores e de forma alguma pode existir o corporativismo nestas questões. A verdade bíblica é absoluta e deve ser comunicada a todos.

Porém as igrejas, tenho que observar, não devem fechar as portas para estas pessoas, pois Jesus pode restaurar estas vidas, porém nunca devem ser recebidas e aceitas em cargos de liderança muitos menos em posições de dirigir e pastorear pontos de pregação, congregações ou igrejas locais. Isto seria um perigo e uma irresponsabilidade enorme de quem está na liderança de qualquer denominação evangélica. O processo de restauração ou mesmo de libertação dessas vidas deve ser realizado com critérios bíblicos, com paciência e sabedoria de Deus, sem "pular" as etapas e sem "atropelar" os princípios ensinados pelo Senhor aos que pecam (arrependimento, confissão, perdão, restauração, serviço cristão). Eles devem ser tratados pelo bom remédio e em algumas situações até serem submetidos a "cirurgias" como tratamento intensivo, para que tenham oportunidades de caminhar pelo caminho correto e aprender que ser um líder cristão, acima de tudo, não é ter mais um emprego, um trabalho profissional, uma oportunidade para lucrar em vários sentidos, mas sim, é a prática de uma vocação originada e comunicada por Deus a certos servos, que tem como objetivo maior abençoar vidas em Cristo, ao custo muitas vezes do seus próprios interesses e planos pessoais.

Uma análise e reflexão do texto abaixo alerta para o perigo de imaginar que Deus não observa e julga atitudes de pessoas que tratam o povo Dele de forma não condizente com a orientação, vocação e chamado divino. Vale a pena, certamente, considerá-lo.

“Filho do Homem, profetiza contra os pastores de Israel, profetiza e dize-lhes: Ai dos pastores de Israel que apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curaste, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. Assim se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram pasto para todas as feras do campo. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque. Portanto. ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor Deus, visto que as minhas ovelhas foram entregues à rapina e se tornaram pasto para todas as feras do campo, por não haver pastor, e que os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas. Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra os pastores e deles demandarei as minhas ovelhas, porei termo no seu pastoreio, e não se apascentarão mais a si mesmos; livrarei as minhas ovelhas da sua boca, para que já não lhes sirvam de pasto. Porque assim diz o Senhor: Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei...” Ezequiel 34: 2-11

Que Deus tenha misericórdia destes “falsos pastores” !


Pr. Magdiel G Anselmo.
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