terça-feira, 29 de março de 2016

Esposa de pastor, uma Mulher de Deus!

Escrevi sobre esse tema tempos atrás e resolvi agora escrever novamente porque minha esposa merece, e sei que todas as outras esposas de pastor merecem ser honradas e não somente lembradas em discussões teológicas, seja qual linha, pensamento, conceito ou teoria seja a mais correta e bíblica. 

A boa teologia jamais desprezará as honras devidas às diversas pessoas existentes e participantes da Igreja de Cristo.
Portanto, façamos e ensinemos a boa teologia, mas não nos esqueçamos das pessoas, dos salvos, que são a razão de Cristo morrer na cruz.
Dito isso, vamos a minha exposição e entendimento sobre o tema.
Desejo partilhar convosco duas experiências que vivi que se relacionam diretamente com a questão que abordarei aqui.
A primeira se deu outro dia e fiquei incomodado com este episódio. Fui convidado para ministrar uma palestra em uma instituição cristã e ali estive juntamente com minha esposa Adriana. Depois de apresentados os convidados e os visitantes naquela oportunidade, assim fui apresentado:
Temos a alegria e honra hoje em receber o pastor Magdiel Anselmo, professor, teólogo, historiador, doutor e palestrante dessa tarde e estamos ansiosos por ouvi-lo...
E alguém então rapidamente, enquanto o irmão ainda falava sobre a importância do assunto que seria exposto por mim, entregou-lhe um bilhete. Ele então após lê-lo, disse:
- Cometi um grave erro aqui... Esqueci de dizer que juntamente com o pr. Anselmo também nos alegramos com a presença de sua esposa. E continuou com o que falava antes.
 Sequer disse o nome de minha esposa.
A segunda experiência ocorreu há alguns anos quando da ocasião do aniversário de minha esposa. A igreja após o culto preparou uma comemoração organizada “às escondidas” para surpreendê-la. Havia um grande bolo, salão decorado e todos ali para abraçá-la e agradecer a ela pelo seu trabalho na liderança da igreja, auxiliando e complementando meu pastorado e desejar-lhe os parabéns naquele dia.
Quando chegamos a nossa casa, ela me confessou o seguinte:
- Sempre nesses anos todo de seu ministério, presenciei com alegria você recebendo presentes e sendo homenageado no dia do seu aniversário ou no dia do pastor. Muitas vezes estava ali junto com os irmãos preparando toda a festa, etc... Alegro-me com isso ainda hoje. Porém, foi a primeira vez que se lembraram de mim assim. Estou muito feliz. Sinto-me valorizada pela igreja e entendo que esse foi um presente de aniversário dado por Deus.
Não sei para você, mas essas experiências me fizeram refletir sobre esta questão.
Não importa se sua esposa, querido pastor, é chamada, consagrada ou ordenada ao ministério pastoral, ou mesmo se é mais uma irmã na igreja, chamada simplesmente e equivocadamente de “esposa do pastor”. Não é essa a questão aqui. Não me importa também se crê ou admite o ministério pastoral feminino ou se admite esse ministério feminino somente quando a mulher é esposa de um pastor ou ainda, se entende que dons de pastor, mestre ou para liderança são dados somente para homens. Por favor, não desejo entrar nesse terreno minado que, se não for tratado com o devido cuidado, mais produz desavenças e feridas do que harmonia e edificação. Claro que tenho minha posição e opinião formada e fundamentada na Bíblia quanto a essas questões, entretanto, não desejo aqui dissertar ou discutir sobre tal tema, quem sabe no futuro até escreva sobre isso, mas não agora. O que desejo é perguntar aos meus nobres colegas de ministério o seguinte: "O que seriam de nossos ministérios sem elas?"
Seja sincero, pense bem, como você faria para pastorear adequadamente sem o apoio, os cuidados, a presença, a compreensão, os ouvidos, o carinho, o amor e principalmente, as orações de sua esposa?
Outro dia minha esposa me disse: “É preciso ter coragem e vocação para ser esposa de um pastor”.
Penso que é uma verdade. Ser esposa de pastor não deve ser fácil.
É ela quem está conosco nos bons e maus momentos de nosso ministério. Que muitas vezes ouve nossas queixas e suporta nossa irritabilidade. Quem vê nossas lágrimas e conhece apenas de olhar em nossos olhos. É ela quem nos protege em Cristo inúmeras vezes, nos cobrindo com suas intercessões diante de Deus.
Mas também é ela que muitas vezes é desprezada, colocada de lado, ignorada em suas necessidades e que divide seu marido com dezenas de outras pessoas.
Nós, ocupados com a lida ministerial, não percebemos que tal como nós, ela também precisa de pastoreio, amparo e compreensão. E além de tudo de nossa presença e amor.
Pensando nisso, seguem algumas sugestões a todos nós pastores:

1. Invista em sua esposa ouvindo-a
Dedique tempo para ouvi-la, para descobri-la como pessoa ímpar e não somente alguém que existe para tomar conta de suas necessidades. Ao ouvi-la você está dizendo que se preocupa com o que ela se preocupa. Sem julgamentos, sem opiniões, sem soluções inteligentes. Só ouça.
Ouvir atentamente é uma maneira convincente e eloqüente de dizer: Eu Te Amo.
Ouvir sua esposa é um dos maiores presentes que você pode dar.

2. Invista em sua esposa partilhando com ela
Compartilhe seus sonhos, sua visão com ela. Compartilhe seus medos também, não “entupindo-a” com todas as coisas negativas que estejam acontecendo, mas sendo pessoalmente vulnerável, dizendo-lhe como pode orar por você.
Isso faz com que a esposa se sinta útil e parte integrante do seu ministério e que vocês dois formam uma equipe de verdade.

3. Invista em sua esposa espiritualmente
Seja por um, seja por vários dias, ou mesmo por uma tarde ou uma noite, compartilhe alvos pessoais, espirituais, e ambos orem um pelo outro. Invista espiritualmente um no outro ouvindo juntos um DVD inspirativo ou lendo um livro empolgante e rico em introspecção. Compartilhe a Palavra um com o outro, não como material para sermão, mas para o próprio crescimento pessoal de cada um com Deus, como pepitas bem enterradas e maravilhosas que nos inspiram a prosseguir.

4. Invista em seu Casamento
Comemore seu relacionamento. Faça festa por ele.
Dêem boas risadas. Lembrem os bons momentos existentes em seu casamento.
Tenha momentos de lazer com sua esposa. Passeie com ela, se divirta com ela.
Diga a ela o quanto a ama, e pratique esse amor diariamente.
Mesmo que digam que isso é ultrapassado, seja romântico.

5. Invista em sua esposa ministerialmente
Descubra os dons e talentos que Deus deu a ela.
Proporcione a ela oportunidades para usá-los e aperfeiçoá-los.
Honre-a diante da congregação e ensine aos irmãos a importância das esposas.
Ensine a igreja a respeitá-la, seja ela uma pastora ordenada ou “a esposa do pastor”
Seja bom marido em casa e na igreja.

 E acima de tudo, ame a sua esposa.
Valorize-a. Ela merece.
“A esposa é para o marido, o que a Igreja é para Cristo”.

ps. Ah sim, a esposa de pastor tem nome!


Em Cristo,
Pr. Magdiel G Anselmo.

Não considere qualquer um, "homem de Deus"


Um termo muito usado pelos crentes de uma forma geral, para designar um pastor ou ministro da Palavra é chama-lo de "homem de Deus. 
E antigamente isso era bem seletivo, ou seja, não era qualquer um que era chamado assim, somente aqueles que realmente possuíam as "credenciais bíblicas" eram assim denominados pelos seus irmãos.
 Entretanto, o conceito de "homem de Deus" tem sido deturpado e muitos equivocadamente denominam pessoas assim, porque simplesmente nunca tiveram a oportunidade de conhecer realmente um homem de Deus. Nunca tiveram um referencial de vida e liderança cristã que pudessem se espelhar. É compreensivo, daí, se espelharem equivocadamente em pessoas que apenas "os usam" para seus interesses pessoais e mesquinhos. Pseudos líderes cristãos.
 E, lamentavelmente, pastores desse tipo formam outros pastores semelhantes. E, a Igreja sofre.
 Mas, eu posso ajudar, quem sabe, a alguns na melhor compreensão do que é ser "um homem de Deus" na concepção bíblica do termo.


 Vejamos quem NÃO pode ou NÃO deve ser chamado de "homem de Deus":

 a) Um crente que provoca ou apoia facções, divisões, contenda ou inimizades entre irmãos não pode ser chamado de "homem de Deus";

 b) Um crente que divide uma igreja para poder "abrir a sua" não pode ser chamado de "homem de Deus";

 c) Um crente que não prioriza o estudo da Palavra de Deus em sua vida e na vida da igreja que "lidera", que vive apenas da superficialidade, da propagação de chavões e de manipulações, não pode ser chamado de "homem de Deus";

 d) Um crente que "lidera" uma igreja, mas tem resistência em divulgar abertamente a seus membros qual é o uso que faz do dinheiro da igreja, não pode ser chamado de "homem de Deus";

 e) Um pseudo líder que consagra ou ordena pessoas ao ministério pastoral apenas para que essas pessoas não saiam da "sua igreja", não pode ser chamado de "homem de Deus";

 f) Um pseudo líder que tem um passado duvidoso, mau testemunho, em igrejas que antes congregou e liderou, não pode ser chamado de "homem de Deus".

E por fim, quais as características de um VERDADEIRO "homem de Deus" diante das situações que eu mencione acima:

 a) Um homem de Deus quando se vê diante da possibilidade de ocorrer facções, divisões, contendas ou inimizades entre irmãos por sua causa, logo procura solucionar essas situações para que isso jamais ocorra, mesmo que para isso tenha que renunciar a seus interesses e planos pessoais ou ministeriais;

 b) Um verdadeiro homem de Deus jamais fundará uma nova igreja com grupos que dividiram outra igreja. Se ele entender que Deus o direciona para iniciar um novo trabalho, sairá sozinho da igreja que congregava e iniciará esse trabalho sem que para isso "carregue" grupos da igreja anterior.
Uma igreja que inicia sua vida originada de uma divisão jamais terá a aprovação e benção de Deus por mais que aparentemente isso ocorra aos olhos humanos;

 c) Um homem de Deus sempre buscará se aperfeiçoar no conhecimento bíblico. Será sempre um estudante da Bíblia e motivará os irmãos aos seus cuidados a estudar e também se aprofundar. O ensino da Palavra, o discipulado, o treinamento e formação de crentes na igreja que pastoreia sempre será o "carro chefe" de seu ministério e não as campanhas, festas, eventos ou coisas desse tipo.
Porque ele sabe que sem conhecimento bíblico tudo que a igreja possa fazer, pode fazer errado e com a motivação equivocada. Sabe da importância do ensino profundo e sistemático da Bíblia pra que todos caminhem na direção certa da vontade de Deus;

 d) Um verdadeiro homem de Deus que está a liderar uma igreja sempre fará da transparência da administração eclesiástica uma de suas características marcantes. Para tanto, não terá dificuldade alguma em administrar e divulgar o uso que é feito do dinheiro das ofertas e dízimos da igreja.
Ele sabe que esse dinheiro não é dele, mas para uso na obra de Deus;

 e) Um homem de Deus de verdade terá cuidado e zelo em impor as mãos sobre alguém para consagra-lo ou ordena-lo ao ministério pastoral. Não fará isso apenas porque aquela pessoa é da "sua turma" ou porque pode perde-la se assim não o fizer. O que leva em consideração para isso é o chamado, a vocação e a preparação para o ministério e não simpatias ou politicagens;

 f) Um homem de Deus de verdade pode ter cometido erros no passado, em outras igrejas que passou ou com pessoas.
Entretanto, ele fará de tudo para consertar esses erros. Procurará resolver os problemas e explicar as situações a todos para que não haja dúvidas sobre sua conduta e postura como crente e como líder cristão. Não fugirá ou se esconderá dessa responsabilidade. Ele sabe que disso depende o futuro de seu ministério diante de Deus.

Percebe quais são as diferenças?

 Portanto, pense bem antes de considerar ou chamar alguém de "homem de Deus".
 Reflita sobre isso.

 Pr. Magdiel G Anselmo.

quinta-feira, 3 de março de 2016

O Homeschooling vai chegar ao Brasil?


A década de 1990 e a primeira década deste novo século foram caracterizadas por mega tendências (megatrends[2]), ou seja, grandes modificações no curso dos relacionamentos sociais e empresariais. Entretanto, na década 2010-2020 vemos aflorar micro tendências que podem igualmente causar grandes impactos futuros em diversas áreas da sociedade.  Mark J. Penn e Kinney Zolesne, em seu livroMicrotrends, chamam a nossa atenção exatamente para esse viés das “pequenas forças por trás das grandes mudanças de amanhã”.[3]

O livro traz um capítulo inteiro dedicado ao segmento da educação, onde apresenta comentários e dados sobre uma minúscula tendência, nos Estados Unidos, que vem crescendo exponencialmente e já afeta significativamente o modus operandi de instituições de ensino tradicionais e a visão do campo educacional como um todo. Trata-se doHomeschooling, ou a educação escolar ministrada nos lares, onde as crianças recebem no aconchego de suas casas o preparo acadêmico, fora da estrutura formal supervisionada pelo estado. A primeira vista pode-se pensar que essa tendência teria apenas repercussão na educação básica (do maternal ao 3º ano do Ensino Médio), no entanto, os reflexos no Ensino Superior já não podem mais ser ignorados.

Como avaliar essa microtendência e seus impactos no Brasil? Não chegaremos a uma avaliação precisa se acharmos que o tema representa apenas uma peculiaridade ou idiossincrasia norte-americana. É verdade que lá encontramos bolsões significativos de ferrenha resistência às garras do estado voraz, e à sua avidez em não somente exigir impostos sobre impostos, mas também por pontificar em todas as esferas da atividade humana.[4] No entanto, a prática do homeschooling nos Estados Unidos vai muito além de ser mera característica exclusiva de comunidades contestadoras. 

Muitos escolhem essa modalidade simplesmente por constatarem a falência do sistema público de educação; a deterioração da disciplina e segurança para suas crianças, nas escolas; e o preço proibitivo das melhores instituições de ensino particulares ou confessionais. Observem também os seguintes dados,[5] que evidenciam a importância dessa prática que começou timidamente na década de 1970, nos Estados Unidos, e que só passou a ser levada a sério a partir de 1999, quando o Ministério da Educação daquele país começou a levantar dados sobre a crescente onda:
  • Em 1999 já haviam 850 mil crianças sendo educadas nos lares. Em quatro anos esse número havia crescido 30%, para 1,1 milhão.
  • Isso significa um acréscimo de 1,7% da população nessa idade escolar para 2,2%.
  • Existem hoje milhares de sites e eventos destinados a disseminar a prática. O mercado de livros, currículos, vídeos e outros materiais relacionados com ohomeschooling, movimenta quase um bilhão de dólares por ano.
  • Apesar das crianças educadas no lar representarem apenas pouco mais de 2% da população escolar compatível, elas se destacam surpreendentemente em competições educativas como, por exemplo, nos populares concursos de soletração, onde constituem 12% dos finalistas. Nos testes de admissão ao ensino superior (SAT), os alunos advindos de educação recebida no lar, tiram notas 15% superior às dos demais.
  • As universidades têm se adaptado à tendência. Em 2000 apenas 52% possuíam critérios formais de avaliação dos candidatos educados no lar. Atualmente, 83% já adotam critérios na expectativa de recebimento destes, e eles são bem-vindos pela expectativa de um excelente desempenho acadêmico.
Da mesma forma, não podemos apenas adotar uma visão simplista e dizer que no Brasil ohomeschooling é proibido e, portanto, não é assunto a ser discutido, pois não há perspectiva de impacto em nosso sistema educacional. Nos Estados Unidos, mesmo tendo começado na década de 1970, até 1981 ela era ilegal na maioria dos estados norte-americanos; agora ela é legalizada em todos eles. Semelhantemente, no Japão ohomeschooling é proibido, mas estima-se que 2 a 3 mil crianças estão sendo educadas dessa forma. Até na China, onde subsiste a proibição formal, a existência da “Shanghai Home-School Association”, deixa vislumbrar que a pratica existe, em extensão considerável. Atualmente, além de nos Estados Unidos, o homeschooling é legalizado na Austrália, Nova Zelândia, Inglaterra e no Canadá.

Presentemente o Brasil já contabiliza alguns poucos casos que têm resultado em processos e contestações judiciais. O Dr. Carlos Roberto Jamil Cury, professor da PUC-MG, em seu ensaio, “Educação Escolar e Educação no Lar: espaços de uma polêmica”[6]apresenta alguns casos de homeschooling no Brasil, que receberam sentenças adversas do nosso judiciário.[7] Dr. Cury concorda com as sentenças e cita parecer do Conselho Nacional de Educação, que expressa a visão prevalecente nos círculos governamentais, de que a única forma de ensino é nas escolas:

Os filhos não são dos pais, como pensam os Autores [do Mandado de Segurança]. São pessoas com direitos e deveres, cujas personalidades se devem forjar desde a adolescência em meio a iguais, no convívio formador da cidadania. Aos pais cabem, sim, as obrigações de manter e educar os filhos consoante a Constituição e as Leis do país, asseguradoras do direito do menor à escola...

Mesmo os cristãos que não são a favor do homeschooling, não podem aceitar essa visão estatal de que "os filhos não são dos pais"!

No lado do homeschooling, alguns casos têm recebido atenção da mídia, como por exemplo:[8]
  • O caso da família Bueno (9 filhos), de Jardim, MS. Durante 13 anos praticaram a educação escolar no lar. Depois de denunciada à Promotoria Pública por familiares, e de julgamentos adversos, mudou-se para o Paraguai.
  • O caso do casal Nunes (3 filhos), de Timóteo, MG. O casal tirou as crianças da escola em 2006. Foram denunciados ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público. Para provar que os filhos não estavam “abandonados intelectualmente”, como era alegado, eles foram inscritos no vestibular da Faculdade de Direito de Ipatinga, MG. Passaram em posição excelente, no 7º e 13º lugar, mesmo sem terem completado o ensino médio.
  • O Caso de Júlio Severo, figura controvertida por suas posições políticas e religiosas, que defende homeschooling desde 1991 e foi forçado a mudar-se do Brasil, supostamente por contestações da justiça às suas convicções.[9]
  • O caso da conhecida família Schürmann (3 filhos), que, em 1984 empreendeu uma viagem de 10 anos, navegando pelos mares do globo, aplicando ohomeschooling em seus filhos, durante todo esse tempo.
Em 1994 o deputado João Teixeira, do PL, apresentou o projeto lei 4657/1994 procurando regulamentar a educação escolar no lar. No entanto ele foi arquivado no ano seguinte. Em 2008, os deputados federais Henrique Afonso, ex- PT, e Miguel Martini, do PHS, apresentaram o projeto de lei 3518/2008, propondo, novamente, a regulamentação dohomeschooling no Brasil, do 1º ao 9º ano.


É possível, que mesmo com a visão monolítica de nossa legislação sobre a educação escolar no lar, talvez estejamos testemunhando mudanças e até a formação de jurisprudência que pode impactar o status quo da educacional tradicional.

Será que, com a globalização os casos de homeschooling não poderão se multiplicar no Brasil? Existirão outras decisões judiciais, ou novas leis, que venham legitimar e encorajar a prática? Em uma era de ênfase à Educação a Distância, como barrar iniciativas de “estudo independente” que apresente melhores desempenhos e avaliações do que a educação clássica tradicional?[10] Obviamente ninguém tem respostas precisas a essas indagações, mas ignorar essa microtendência educacional não nos parece o melhor caminho. Assim, nossas Instituições de Ensino Superior deveriam monitorar a tendência e iniciar estudos sobre os impactos (sociais, financeiros, estruturais, acadêmicos e organizacionais) resultantes de uma abertura do homeschooling no Brasil. Deveriam até considerar a possibilidade de que esta modalidade venha a adentrar o Ensino Superior. Possivelmente essa é uma rica linha de pesquisa que poderia estar presente em diversos programas de pós graduação, de forma bastante interdisciplinar, com teses e estudos objetivos e sem paixões ideológicas que substanciarão muitas decisões e definições.

É possível que pesquisas objetivas e sem radicalismos estatais, procurando aferir o lamentável estado do ensino básico, principalmente em sua esfera pública, que leva os pais a procurarem alternativas mais adequadas aos seus filhos, possam contribuir para o sistema educacional como um todo, preparando-nos melhor para o futuro.

Por Solano Portela
Fonte: Blog O Tempora O Mores.





[1] O autor ocupou a Diretoria de Planejamento e Finanças do Mackenzie (Universidade e Colégios Presbiterianos) e é, atualmente, o Diretor Educacional da Instituição, da qual, de 2005 a 2008, foi também Superintendente de Educação Básica. É escritor, professor e conferencista.
[2] Como exemplo citamos as mega tendências apresentadas nos livros de John Naisbitt e Patrícia Aburdene: Megatrends (1982) e Megatrends 2000 (1990), todas elas confirmadas por uma aferição histórica do que motivou as grandes mudanças sociais e empresariais dessas décadas.
[3] Subtítulo do livro Microtrends (NY: Twelve Hatchette Book Group, 2007), 454 pp.
[4] Nossa convicção, sem endossar extremismos norte-americanos, é a de que o estado(independente de sua nacionalidade) realmente tem a tendência de extrapolar a sua esfera específica de atuação, que é: garantir a segurança pública e assegurar, a todos os cidadãos, oportunidades iguais de igualmente desenvolverem as suas desigualdades.
[5] Trazidos por Mark Penn, em seu livro.
[6] Texto completo disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?
[7] Por exemplo, o Mandado de segurança n. 7.407 – DF (2001/0022843-7), impetrado por família interessada cuja segurança foi denegada pelo judiciário, confirmando parecer anterior do Conselho Nacional de Educação.
[8] Um bom relato desses está disponível em:http://ozielfalves.blogspot.com/2008/10/escola-em-casa-crianas-longe-dos-bancos.html , acessado em 24.05.2010
[9] Para mais informações sobre suas posições, vide este blog, mantido pelo Severo:http://escolaemcasa.blogspot.com/, acessado em 24.05.2010
[10] Em 02.05.2015 foi postado artigo com o título: “O Homeschooling é liberado no Brasil”, em http://www.portaltl.com/?p=563 (acessado em 05.02.2016), mas o título é um pouco exagerado e não existiam novidade em trâmites jurídicos relacionados com a prática, até aquela data.
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