quinta-feira, 5 de maio de 2016

Teologia Reformada e Vida Esfarrapada... algo está muito errado aqui.



Gosto de estar com meus amigos e irmãos, aprecio muito conversar sobre as coisas de Deus com pessoas amigas e conhecidas, e mesmo em algumas ocasiões com pessoas que não tenho maior intimidade. Sou adepto de uma boa conversa sobre teologia, Igreja, Bíblia, etc... e com isso vamos aprendendo, ensinando e partilhando muitas coisas. Mas, também vamos percebendo algumas contradições entre a teoria, a crença, a exposição e a prática, a aplicação do que as pessoas crêem ou professam.
Percebe-se que há um grande problema na maioria das pessoas que são severas e zelosas no extremo, os chamados radicais em termos de linhas teológicas ou mesmo costumes e metodologias advindos, segundo eles, dessas pressuposições.  Sempre digo a eles: "seja fundamentalista no que é fundamental, não no que é opcional, secundário ou em questões que a Bíblia não 'bateu o martelo' ". 
Entretanto, na maioria das vezes (não em todas) essas atitudes  de extrema severidade com as pessoas que não seguem o mesmo raciocínio ou linha desses radicais, não são aplicadas a elas mesmas em sua vida e postura pessoal.
Resume-se assim: Severidade e excesso de zelo na teologia, suavidade e concessões pecaminosas na vida pessoal.
Vejo e penso que a teologia reformada não atingiu a vida dessas pessoas integralmente, atingiu apenas a mente e quem sabe o coração mas, não as ações objetivamente.
Muitos discutem e asseveram com veemência crer em doutrinas reformadas (e ressalto que sou reformado) e as defendem com "unhas e dentes" mas quando se trata de ter uma vida piedosa, tal qual a maioria dos pré-reformadores ou dos próprios reformadores, já não se vê a mesma disposição e fidelidade às Escrituras tão defendida e meticulosamente conhecida e exposta por eles.
Há um abismo entre a teologia crida e a vida vivida.
Certamente isso de nada ajuda na confirmação das crenças e linhas teológicas professadas por essas pessoas, do contrário, vão na contramão, trazendo dúvidas e questionamentos aos que os ouvem e grande tristeza e decepção aos que os conhecem pessoalmente e os têm como amigos mais íntimos.
Essa realidade traz à tona uma questão intrigante e por isso, sempre me chamou a atenção desde os tempos em que ouvia atentamente meus professores em sala de aula nos primeiros cursos teológicos que fiz: 
O que é mais relevante para um cristão?
a) a piedade (vida piedosa, ou seja, de acordo com às Escrituras), b) a erudição (ser um bom teólogo) ou c) a oratória (ser um bom pregador).
Se analisarmos com honestidade segundo o viés espiritual correto, biblicamente falando, veremos que encontramos no universo cristão evangélico ou como rotulamos também, protestante, muitos que se enquadram nas alternativas b e c mas poucos na alternativa a.
Encontramos muitos teólogos, destes um bom número de bons teólogos, homens que se preocupam com a sã doutrina e com a defesa da fé cristã, além de propiciar muito material para os ministros e educadores cristãos na sua lida diária e ministerial. São uma benção de Deus para a vida da Igreja.
Também encontramos muitos pregadores da Palavra, alguns muito bons e fiéis a essa Palavra (infelizmente estão escasseando...). Os que reconhecem a importância e responsabilidade desse ministério trazem a vida da Igreja muitas contribuições de Deus para sua atuação e impacto nesse mundo. Quando expõem a Palavra previamente estudada, analisada, corretamente interpretada e fielmente aplicada, produzem nos seus ouvintes e irmãos a orientação precisa de Deus que necessitam para ter uma vida abundante, edificada, fortalecida, até a volta de Cristo.
Mas, quanto aos piedosos, raramente os encontramos. Onde estão eles então? Por que não os encontramos tão facilmente quanto os demais? 
Primeiro, porque não estão em evidência, não estão na "vitrine" eclesiástica.
Segundo, porque a sua importância é negligenciada em prol de uma falsa espiritualidade, unidade e comunhão que, acreditam muitos, venham de programações e mecanismos, e não de vidas piedosas, santas. Segundo esses, o movimento humano de crescimento de igrejas, tendência que iniciou-se devido a "falência" (será que tem a ver com conceito equivocado de "igreja-empresa"?), de diversas igrejas norte-americanas (um paradoxo não? quem faliu, "quebrou", quer ensinar outros a crescer e prosperar...) com suas fórmulas e receitas prontas, é muito mais fundamental do que o movimento de Santificação ordenado, realizado e movido pelo Espírito Santo na vida dos salvos em Cristo.
Pensam esses, que Deus usa muito mais (e quem sabe exclusivamente) coisas e pessoas "especiais" que impactam multidões com suas pregações ou "louvores" e menos, muito menos (ou quem sabe, nunca) crentes simples, fiéis e obedientes a Palavra que sem alarde, barulho ou "oba-oba" ensinam e fazem discípulos apenas (se é que posso usar esse termo aqui) com o doutrinamento bíblico puro das Escrituras e com a confirmação do exemplo de suas vidas.
O interessante e que deveria chamar a atenção de todos, é que em via de regra, os poucos que se preocupam em ter uma vida piedosa, "odeiam" a fama e "amam" o anonimato. Não desejam ser homenageados ou evidenciados como sendo "super-crentes" (como bem explicitou Romeiro em seu best-seller com esse título), mas simplesmente como "crentes" que não fazem mais que sua obrigação, apenas e sempre servos.
No mínimo curiosa é a diferença para os outros dois grupos, onde (com exceções) procuram ser conhecidos e reconhecidos por todos estampando seus títulos e realizações com empolgação não disfarçada.
O que pode-se concluir dessa pequena análise aqui realizada é que aqueles crentes que buscam uma vida piedosa não precisam estar "discutindo" ou "convencendo" os demais irmãos da linha teológica que acreditam e seguem ou da metodologia eclesiástica ou ministerial que adotam como melhor ou mais objetiva. Eles não tem essa necessidade. Sabe por que?
Por que não precisam (a redundância aqui é justificada). Eles são seguidos naturalmente e ouvidos constantemente devido ao respeito e a admiração que adquiriram com suas vidas aos pés do Senhor.
E mais, a forma como vivem, o jeito como procedem em sua vida particular, pessoal (familiar, profissional, social, ministerial, etc...) refletem o que as Escrituras ensinam e orientam e mesmo não sendo perfeitos (e ninguém o é) e sendo pecadores (como todos nós) tentam com imenso esforço levar uma vida santa diante de Deus e isso é o que os diferencia dos demais. Essa preocupação e busca constante os faz mais próximos de Deus, sem dúvida alguma, e mais ouvidos e observados por todos..
Portanto, se você deseja que seus demais irmãos ouçam-no quando, calorosamente, defende e argumenta em prol de suas crenças e linha teológica, antes disso, muito antes disso, tenha uma vida piedosa que falará muito mais alto que seus brados teológicos sem vida que somente produzem (em muitos casos) inimizades e impressões negativas a seu respeito.
Veja que é também significativo para entender essa questão, observar que quando a Bíblia nos orienta sobre crescimento, ela situa a Graça antes do Conhecimento (2 Pedro 3:18), algo a se pensar não é mesmo?
Busquemos todos muito mais uma vida piedosa, e muito menos discussões teológicas.
A teologia só faz sentido no contexto de uma vida piedosa, lembre-se sempre disso. 
O conhecimento só trará frutos espirituais se for acompanhado da sabedoria construída em uma vida coerente com o que se ensina e prega.
Teologia reformada, sim, mas antes, uma vida regrada, fundamentada e vivida conforme os princípios e valores bíblicos, jamais esfarrapada e desordenada.

Deus nos abençoe.
Pr. Magdiel G Anselmo.

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