sexta-feira, 1 de abril de 2016

A Confusão causada pelos Falsos Pastores.


Lamentavelmente, tenho que afirmar que este assunto que vamos tratar agora, está cada vez se tornando mais real para a Igreja de Cristo. Não é de assustar, pois a Bíblia já nos adverte quanto a isso desde o AT.

Muitas pessoas atualmente são chamadas de “pastores, presbíteros, apóstolos, bispos e coisas semelhantes a essas”, porém nunca foram chamadas por Deus para o serem. Em meus anos de igreja já encontrei alguns ‘profissionais de púlpito’ que se utilizam de seus cargos para angariarem notoriedade e segurança financeira. Outros se utilizam do cargo para se aproveitar do rebanho executando em oculto transações comerciais com dinheiro da igreja com fins de lucro pessoal e ouso afirmar que alguns são mesmo enviados de satanás para causarem confusão e escândalo.

Pessoas que buscam o interesse próprio e o de sua família sem considerar o rebanho e a sua missão como pastor de ovelhas. Certa vez constatei que um destes “falsos pastores” submetia o rebanho a pagar inclusive vacinas e veterinário de um animal doméstico que lhe pertencia e, além disso, se utilizava do trabalho indevido e ilegal de dependentes químicos em uma casa de recuperação que dirigia, fazendo-os “vender quinquilharias” nos semáforos e residências (trabalho este não remunerado) para angariar fundos para uso duvidoso de sua parte.

Estes profissionais e aproveitadores de rebanhos são na realidade pessoas de má fé, oportunistas, que se infiltram nas igrejas demonstrando uma falsa espiritualidade, ensinando o povo a dar ênfase na busca pela prosperidade financeira e pressionando e induzindo os crentes a darem tudo ou o máximo que puderem em dinheiro e bens para a igreja, pois desta forma serão abençoados por Deus. Chegam ao cúmulo de arrecadarem em seus cultos duas e até mais vezes, as ofertas. Fazem isso não visando a benção do povo, mas evidentemente o enriquecimento próprio e o crescimento numérico de suas congregações, já que ensinam que “é dando que se recebe”, uma forma completamente distorcida do ensino bíblico ortodoxo. Enganam líderes ingênuos, desatentos ou simplesmente enganam líderes que buscam inovações sem medir suas conseqüências, ou seja, deixam ser enganados.

O texto de Colossenses 2:8 diz o seguinte: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo a Cristo...” . Esta advertência de Paulo aos irmãos colossenses é bem aplicada nesta situação.

Há outro tipo também de “falso pastor”. Este segundo tipo é aquele que não é desonesto como os que mencionei, mas não foi chamado para este ministério e insiste em permanecer. Isso causa transtornos imensos para a Igreja, pois por não ser vocacionado para tal função não tem as ferramentas necessárias para exercê-la e o trabalho se torna infrutífero e sem objetivo. Neste pastor não há o desejo de se aprofundar no estudo da Bíblia e, por conseguinte alimentar o povo cada vez mais com alimentos nutritivos e necessários. A consequência disto são sermões sem conteúdo e sem sentido, normalmente cansativos e repetitivos, demonstrando nitidamente a falta de preparo e mesmo disposição do pastor em prepará-los.

Ressalto que o pastor não precisa ser necessariamente um pregador eloqüente e carismático, porém deve pregar corretamente e aplicar os princípios divinos para a vida do homem hoje com responsabilidade e conhecimento bíblico. Deve alimentar o rebanho sistematicamente com tudo aquilo que este precisa, que Deus o dirige a servir. Para isso, o pastor gastará tempo em leitura, meditação e estudo de sua Bíblia bem como em oração e devoção diária. O aperfeiçoamento e a busca de maior conhecimento bíblico e geral deve ser uma tarefa constante na vida do verdadeiro pastor e isso ele faz naturalmente porque o Espírito Santo o leva a amar o rebanho e ter prazer nisto.

Já o “falso pastor” não sente prazer nesta tarefa e a considera cansativa e sem muita utilidade. Defende na maioria das vezes a tese de que “Deus me revelará Sua vontade” e por isso não se prepara adequadamente para pregar ou ensinar. Sua atuação então se torna medíocre e certamente todo o rebanho perceberá isso, e não terá a confiança necessária para respeitá-lo como líder espiritual.

Outra característica desse “falso pastor” é a falta de amor pelas ovelhas do Senhor. Ele não foi preparado por Deus para suportar os problemas e situações que se sucedem no ministério pastoral. Ele não tem “coração de pastor” e por isso trata as ovelhas a distância e não quer de forma alguma conhecê-las mais profundamente, porque se fizer isso vai ter que ajudá-las, entendê-las, aconselhá-las e fazer todo o possível na força de Cristo para conduzi-las a restauração.

Este processo todo para o “falso pastor” é muito difícil e complicado porque tudo isso depende do amor que ele tem pela ovelha, e isso infelizmente ele não tem o suficiente. Ele se torna muitas vezes apenas um administrador de coisas e as pessoas de sua comunidade são deixadas para elas mesmas se cuidarem. Por isso, muitas pessoas estão feridas e afastadas da comunhão com seus irmãos.

Esses tipos de pastores que mencionei são danosos e causam todo tipo de confusão para a Igreja de Cristo e provocam um desconforto entre os verdadeiros pastores. Cabe a igreja de Cristo identificar esses falsos líderes e adverti-los quanto ao erro que estão cometendo, bem como os verdadeiros pastores cabe o confronto bíblico com estas situações e falsos pastores e de forma alguma pode existir o corporativismo nestas questões. A verdade bíblica é absoluta e deve ser comunicada a todos.

Porém as igrejas, tenho que observar, não devem fechar as portas para estas pessoas, pois Jesus pode restaurar estas vidas, porém nunca devem ser recebidas e aceitas em cargos de liderança muitos menos em posições de dirigir e pastorear pontos de pregação, congregações ou igrejas locais. Isto seria um perigo e uma irresponsabilidade enorme de quem está na liderança de qualquer denominação evangélica. O processo de restauração ou mesmo de libertação dessas vidas deve ser realizado com critérios bíblicos, com paciência e sabedoria de Deus, sem "pular" as etapas e sem "atropelar" os princípios ensinados pelo Senhor aos que pecam (arrependimento, confissão, perdão, restauração, serviço cristão). Eles devem ser tratados pelo bom remédio e em algumas situações até serem submetidos a "cirurgias" como tratamento intensivo, para que tenham oportunidades de caminhar pelo caminho correto e aprender que ser um líder cristão, acima de tudo, não é ter mais um emprego, um trabalho profissional, uma oportunidade para lucrar em vários sentidos, mas sim, é a prática de uma vocação originada e comunicada por Deus a certos servos, que tem como objetivo maior abençoar vidas em Cristo, ao custo muitas vezes do seus próprios interesses e planos pessoais.

Uma análise e reflexão do texto abaixo alerta para o perigo de imaginar que Deus não observa e julga atitudes de pessoas que tratam o povo Dele de forma não condizente com a orientação, vocação e chamado divino. Vale a pena, certamente, considerá-lo.

“Filho do Homem, profetiza contra os pastores de Israel, profetiza e dize-lhes: Ai dos pastores de Israel que apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curaste, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. Assim se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram pasto para todas as feras do campo. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque. Portanto. ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor Deus, visto que as minhas ovelhas foram entregues à rapina e se tornaram pasto para todas as feras do campo, por não haver pastor, e que os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas. Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra os pastores e deles demandarei as minhas ovelhas, porei termo no seu pastoreio, e não se apascentarão mais a si mesmos; livrarei as minhas ovelhas da sua boca, para que já não lhes sirvam de pasto. Porque assim diz o Senhor: Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei...” Ezequiel 34: 2-11

Que Deus tenha misericórdia destes “falsos pastores” !


Pr. Magdiel G Anselmo.

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