terça-feira, 23 de junho de 2015

O erro do Pragmatismo aplicado a Igreja Cristã

A definição de pragmatismo segundo o dicionário teológico é a seguinte: “É uma filosofia que tem como base a utilidade imediata, ou seja, a verdade é medida pelos efeitos práticos que produz”. 
Colocando em uma forma mais simples de compreender, a filosofia do pragmatismo se resume em chegar-se ao objetivo não importando que formas e métodos tenham que ser usados, o que importa é o fim não os meios. O que importa é se "dá certo", "se funciona", sem a preocupação com critérios ou fundamentos.
Olhando para esta filosofia superficialmente pode-se até ser convencido.
Mas ao analisar com um pouco mais de profundidade vai se chegar a conclusão que esta filosofia não se sustenta pela revelação bíblica, experiência ou história cristã. O que é útil hoje pode não ser amanhã.
Nem sempre o que dá resultados mais rápidos é o mais correto, principalmente quando se trata de coisas espirituais.
Aplicando esta filosofia no trabalho cristão, muitas igrejas ou comunidades cristãs começaram a utilizar meios muitas vezes duvidosos para se alcançar os fins que estão determinados para a Igreja alcançar nas Escrituras.
Essa filosofia não é muito nova, já em 1955, A. W. Tozer denunciava esta atitude da Igreja evangélica afirmando que,

durante séculos a Igreja manteve-se firme contra toda forma de entretenimento humano, reconhecendo-o como um dispositivo para perder tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um plano para desviar a atenção da prestação de contas quanto a moral. Ultimamente entretanto, ela se cansou de ser abusada e simplesmente desistiu da luta. Parece ter firmado a posição de que, se não pode vencer o deus do entretenimento, o que melhor pode fazer é unir suas forças às dele e aproveitar o máximo de seus poderes. Por isso, contemplamos hoje o assombroso espetáculo de milhões de dólares sendo vertidos no negócio nada santo de prover entretenimento mundano aos chamados filhos dos céus. O entretenimento religioso está, em muitos lugares, rapidamente desalojando as sérias coisas de Deus. Muitas Igrejas, em nossos dias, se tornaram nada mais que pobres teatros onde “produtores” de quinta categoria mascateiam suas mercadorias de baixo valor com plena aprovação dos líderes evangélicos, que chegam a citar textos bíblicos para justificar tal delinquência. E é difícil acharmos alguém que ouse levantar sua voz contra isso”.

Veja então que  isso não é novidade para a Igreja evangélica, já fomos atacados por muitas outras filosofias como esta e conseguimos prevalecer até hoje graças a Deus.
O imediatismo, filho do pragmatismo, é um conceito mundano e na Bíblia não vemos em nenhuma parte a preocupação com o tempo, mas sim vê-se claramente a preocupação de se alcançar os objetivos de Deus com santidade e perseverança, mesmo que para isso se tenha passado muitos anos.
Hoje contrariamente a isso, vêmos pessoas neófitas sendo "consagradas" ou "ordenadas" a ministérios na Igreja sem sequer ter obtido experiência de vida cristã, e mais, algumas em pecado consciente. O processo de santificação naquela vida está em seu início e já se submete aquela pessoa a liderar outras, pelo simples fato de serem pessoas da confiança do líder que ali se encontra ou por que há um interesse pessoal, carnal e por vezes até demoníaco por trás dessa atitude.
Outro problema são as novas formas, meios e métodos que surgem a cada dia. Temos que ter discernimento e sabedoria para distinguir o que presta, o que é lícito, o que convém e o que edifica. Temos que advertir, alertar quanto ao erro. Não podemos nos eximir de tal responsabilidade.
A verdade é nossa arma contra o erro, o engano, a mentira e o engodo.
Se nos utilizarmos do exemplo de vida de Moisés, Josué, Abraão, Paulo e tantos outros  personagens  bíblicos veremos que o tempo nunca foi uma preocupação para Deus.
Se olharmos para os profetas: Isaías, Jeremias, Ezequiel, e todos os outros  profetas menores também veremos que a grande maioria deles profetizaram durante anos e anos sem nenhum resultado prático e visível.
O profeta Jeremias é o mais contundente quanto a isso, pois profetizou por mais de quarenta anos sem ninguém dar ouvidos a sua mensagem, pelo contrário seus conterrâneos ameaçaram matá-lo se não parasse de profetizar (Jeremias 11: 19-23), seus próprios amigos conspiraram contra ele (12:6), não foi permitido por Deus que se casasse e  sofreu  solidão agonizante ( 16:2), sua própria família e amigos conspiraram para matá-lo (18:20-23), foi ferido e colocado no tronco (20:1,2) e no final ainda foi considerado um traidor por sua própria nação (37:13,14).
Já no NT, o apóstolo Paulo não tinha um ministério pragmático como muitos defendem hoje, pelo contrário evitou métodos engenhosos e artifícios que conduzissem as pessoas a falsas conversões, através da persuasão carnal. Ele mesmo escreveu:

“Eu, irmãos quando fui ter convosco, anunciando-vos testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e , sim no poder de Deus” (1 Coríntios 2: 1-5). A Igreja em Tessalônica ele lembrou: “Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o Evangelho, assim falamos não para que agrademos a homens, e, sim, a Deus, que prova o nosso coração. A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. Também  jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros.” (1 Tess. 2: 3-6).
 
Estes textos são mais que esclarecedores sobre este assunto que abordamos, só não entende quem não quer ou não é salvo para poder entender as coisas espirituais.
Será que estes homens tiveram que mudar de método, já que não obtinham resultados imediatos? Será que os métodos usados por eles não eram os corretos ? Será que não tinham “visão” por isso não obtinham  resultados  práticos ?  Será que não tinham suficiente “comunhão e intimidade” com Deus e por isso fracassaram em suas missões?
Se analisarmos as Escrituras Sagradas veremos que estes homens eram pessoas que tinham uma comunhão e intimidade com Deus tão grande que isso os levava a ter uma convicção tremenda do que estavam fazendo e da vontade de Deus.
Eram homens que não buscavam agradar aos homens, mas sim agradar a Deus. Eram homens que ficavam entristecidos sim, por não ver acontecer os resultados que queriam porém, não ousavam mudar o meio pelo qual Deus os orientava a trabalhar. Eram homens que sabiam que mesmo que os resultados não acontecessem  imediatamente, Deus era fiel para fazer acontecer no tempo que Ele determinasse, no tempo certo.
Eram homens que sabiam que a santidade, a vida piedosa e a obediência a Deus eram ítens obrigatórios para seus ministérios e não tinham dificuldade em reconhecer quando erravam e a partir daí, arrependidos, suplicar o perdão de Deus.
Eram homens que criam na soberania e providência de Deus, por isso foram escolhidos e capacitados para estas missões específicas.
Charles Spurgeon a muito anos atrás já advertia a respeito daqueles que “gostariam de unir a Igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças”. Na época foi tido como um alarmista, mas o que diríamos disso hoje.
Será que a “profecia” de Spurgeon não se concretizou de fato ?
Nas Escrituras, nada indica que a Igreja deveria atrair as pessoas a virem a Cristo através de apresentar o Cristianismo como uma opção atrativa.
Quanto ao evangelho, nada é opcional: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12). O Evangelho não tem o objetivo de ser atraente. Ele tem como propósito revelar Cristo e orientar o povo de Deus.
Quero enfatizar que o Evangelho é perturbador, chocante, transformador, confrontador, produz convicção de pecado e é ofensivo ao orgulho humano. Não há como fazer maquiagem no Evangelho bíblico.
Oponho-me frontalmente ao pragmatismo pois dá espaço para os modismos que são formas totalmente indisciplinadas de se  portar e agir, afastando as pessoas das Igrejas verdadeiramente bíblicas e desviando as prioridades bíblicas para a Igreja.
A popularização do Cristianismo como alguns defendem  irresponsavelmente, é sem o menor medo de errar, uma aberração do verdadeiro Cristianismo, que não se distancia do povo, mas que não aceita o comportamento e a filosofia de vida mundana.
O Senhor Jesus Cristo comia em casa de pecadores e publicanos,  porém, não agia e se comportava como eles, Ele tinha seus próprios métodos de agir e não era influenciado pelos métodos dos gentios e pecadores, ao contrário os pecadores vinham até Ele porque tinha algo de diferente, agia diferente, falava diferente, era diferente na essência e na aparência.
Sem dúvida, o pragmatismo não faz parte do pensamento bíblico ortodoxo e conservador. As Escrituras são a nossa regra de fé e prática, não nossas próprias concepções acerca dos acontecimentos e das pessoas. Somos instrumentos usados por Deus, não somos os que tem poder para fazer alguma coisa.
Todo o  poder  pertence a Deus e não podemos de forma alguma pensar que as coisas acontecem porque temos um meio, uma estratégia, uma forma que fará isso acontecer. Quem faz acontecer é Deus, devemos estar disponíveis  para sermos usados conforme Sua soberana  vontade. Os meios já foram nos revelados pelas e nas Escrituras Sagradas.
Há um ditado popular muito usado por todos que diz que “o apressado come  cru”  e se aplicarmos isso também para métodos e meios da Igreja, têm-se também uma conclusão óbvia.
O pragmatismo não é uma filosofia recomendável, principalmente na Igreja de Cristo, pois a Bíblia não nos ensina a agir assim. Esta filosofia para ministérios da Igreja é absurda. Imagine usar esta filosofia no evangelismo ou no aprendizado de crentes. Infelizmente muitos a estão utilizando, fazendo com que muitas pessoas freqüentem as nossas igrejas, porém a maioria sem uma conversão genuína, isso porque os que os trouxeram queriam resultados imediatos e visíveis e não levaram em consideração que quem faz a obra de conversão em uma pessoa não são os métodos ou os meios, mas sim Deus.
Devemos fazer nossa parte pregando e evangelizando, porém os resultados dependem de Deus.
Não queiramos tomar o lugar de Deus.
Lembre-se que há muito tempo alguém quis fazer isso e à partir daí a sua história não foi das melhores, chega a ser trágica inclusive. Quem foi este alguém? Se chama Lúcifer.

Deus nos ajude,

Pr. Magdiel G Anselmo.

domingo, 14 de junho de 2015

As Festas Juninas e o Cristão


As Festas Juninas e o Cristão

Neste estudo aprenderemos quais as origens e significados das famosas "festas juninas" e as orientações e consequências para a vida de um cristão verdadeiramente evangélico/protestante.

O Inciso VI, do artigo 5º da Constituição Federal reza o seguinte: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias”.

O ensino brasileiro tem explorado em nossas escolas (públicas e/ou particulares) as muitas manifestações folclóricas do nosso povo, inserindo-as em seus calendários de atividades com o respeitável propósito de auxiliar a definição da verdadeira identidade brasileira. Nosso país, em virtude de seu passado histórico, absorveu diversas culturas e costumes, fato que nos tornou conhecidos como “um país de muitas caras”. Desde que conquistamos a independência de Portugal estamos lutando para nos descobrirmos. E um dos meios eficazes para atingir esse objetivo é justamente a avaliação acurada das vastas e peculiares manifestações populares.
Naturalmente, as festas juninas fazem parte das manifestações populares mais praticadas no Brasil, e todas as considerações sobre essas comemorações exigem uma análise equilibrada, pois há um limite entre o folclore e a religião, visto que esta quase sempre acaba mesclando-se com as tradições. E é justamente o que propomos neste estudo e análise: uma avaliação equilibrada.
Afinal, será que temos maturidade espiritual para delinear as fronteiras entre o que é folclore e o que é religião?
Então, vamos a análise que responde a essa pergunta.

1. Uma herança portuguesa

A palavra folclore é formada dos termos ingleses folk (gente) e lore (sabedoria popular ou tradição) e significa “o conjunto das tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em provérbios, contos ou canções; ou estudo e conhecimento das tradições de um povo, expressas em suas lendas, crenças, canções e costumes”.
Como é do conhecimento geral, fomos descobertos pelos portugueses, povo de crença reconhecidamente católica. Suas tradições religiosas foram por nós herdadas e facilmente se incorporaram em nossas terras, conservando seu aspecto folclórico. Sob essa base é que as instituições educacionais promovem, em nome do ensino, as festividades juninas, expressão que carrega consigo muito mais do que uma simples relação entre a festa e o mês de sua realização.
Entretanto, convém ressaltar a coerente distância existente entre as finalidades educacionais e as religiosas. Além disso, não podemos nos esquecer de que o teor de tais festas oscila de região para região do país, especialmente no Norte e no Nordeste, onde o misticismo católico é mais acentuado.
As origens dessa comemoração remontam à antiguidade, quando se prestava culto à deusa Juno da mitologia romana. Os festejos em homenagem a essa deusa eram denominados “junônias”. Daí o atual nome “festas juninas”.
As primeiras referências às festas de São João no Brasil datam de 1603 e foram registradas pelo frade Vicente do Salvador, que se referiu aos nativos que aqui estavam da seguinte forma: “os índios acudiam a todos os festejos dos portugueses com muita vontade, porque são muito amigos de novidade, como no dia de São João Batista, por causa das fogueiras e capelas”.

2. A origem das festividades

Para as crianças católicas, a explicação para tais festividades é tirada da Bíblia com acréscimos mitológicos. Os católicos descrevem o seguinte:
“Nossa Senhora e Santa Isabel eram muito amigas. Por esse motivo, costumavam visitar-se com freqüência, afinal de contas amigos de verdade costumam conversar bastante. Um dia, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora para contar uma novidade: estava esperando um bebê ao qual daria o nome de João Batista. Ela estava muito feliz por isso! Mas naquele tempo, sem muitas opções de comunicação, Nossa Senhora queria saber de que forma seria informada sobre o nascimento do pequeno João Batista. Não havia correio, telefone, muito menos Internet. Assim, Santa Isabel combinou que acenderia uma fogueira bem grande que pudesse ser vista à distância. Combinou com Nossa Senhora que mandaria erguer um grande mastro com uma boneca sobre ele. O tempo passou e, do jeitinho que combinaram, Santa Isabel fez. Lá de longe Nossa Senhora avistou o sinal de fumaça, logo depois viu a fogueira. Ela sorriu e compreendeu a mensagem. Foi visitar a amiga e a encontrou com um belo bebê nos braços, era dia 24 de junho. Começou, então, a ser festejado São João com mastro, fogueira e outras coisas bonitas, como foguetes, danças e muito mais!”
Como podemos ver, a forma como é descrita a origem das festas juninas é extremamente pueril, justamente para que alcance as crianças.
As comemorações do dia de São João Batista, realizadas em 24 de junho, deram origem ao ciclo festivo conhecido como festas juninas. Cada dia do ano é dedicado a um dos santos canonizados pela Igreja Católica. Como o número de santos é maior do que o número de dias do ano, criou-se então o dia de “Todos os Santos”, comemorado em 1 de novembro. Mas alguns santos são mais reverenciados do que outros. Assim, no mês de junho são celebrados, ao lado de São João Batista, dois outros santos: Santo Antônio, cujas festividades acontecem no dia 13, e São Pedro, no dia 24.

"Santo" Antônio

Pouca gente sabe que o nome verdadeiro desse santo não era Antônio, mas Fernando de Bulhões, segundo consta. Ele nasceu em Portugal em 15 de agosto de 1195 e faleceu em 13 de junho de 1231. Aos 24 anos, já na Escola Monástica de Santa Cruz de Coimbra, foi ordenado sacerdote. Ao tomar conhecimento de que quatro missionários foram mortos pelos serracenos, decidiu mudar-se para Marrocos. Ao retornar para Portugal, a embarcação que o trazia desviou-se da rota por causa de uma tempestade, e ele foi parar na Itália. Lá, foi nomeado pregador da Ordem Geral. Viveu tratando dos enfermos e ajudando a encontrar coisas perdidas. Dedicava-se ainda em arranjar maridos para as moças solteiras.
Sua devoção foi introduzida no Brasil pelos padres franciscanos, que fizeram erigir em Olinda (PE) a primeira igreja dedicada a ele. Faz parte da tradição que as moças casadouras recorram a Santo Antônio, na véspera do dia 13 de junho, formulando promessas em troca do desejado matrimônio.
Esse fato acabou curiosamente transformando 12 de junho no “Dia dos Namorados”. No dia 13, multidões se dirigirem às igrejas pelo pão de Santo Antônio. Dizem que é bom carregar o santo na algibeira para receber proteção.
É bastante comum entre as devotas de Santo Antônio colocá-lo de cabeça para baixo no sereno amarrado em um esteio. Ou então jogá-lo no fundo do poço até que o pedido seja satisfeito. Depois cantam:

“Meu Santo Antônio querido,
Meu santo de carne e osso,
Se tu não me deres marido,
Não te tiro do poço”.

As festas antoninas são urbanas, caseiras, domésticas, porque Santo Antônio é o santo dos nichos e das barraquinhas.
Na A Tribuna de 14 de junho de 1997, página A8, lemos: “O dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, foi lembrado... com diversas missas e a distribuição de 10 mil pãezinhos. Milhares de fiéis compareceram às igrejas para fazer pedidos, agradecer as graças realizadas e levar os pães, que, segundo dizem os fiéis, simbolizam a fé e garantem fartura à mesa”.
Ainda para Santo Antônio, cantam seus admiradores:

“São João a vinte e quatro
São Pedro a vinte e nove
Santo Antônio a treze
Por ser o santo mais nobre”4.

São João

A Igreja Católica o consagrou santo. Segundo essa igreja, João Batista nasceu em 29 de agosto, em 31 A.D., na Palestina, e morreu degolado por Herodes Antipas, a pedido de sua enteada Salomé (Mt 14.1-12). A Bíblia, em Lucas 1.5-25, relata que o nascimento de João Batista foi um milagre, visto que seus pais, Zacarias e Isabel, na ocasião, já eram bastante idosos para que pudessem conceber filhos.
Em sua festa, São João é comemorado com fogos de artifício, tiros, balões coloridos e banhos coletivos pela madrugada. Os devotos também usam bandeirolas coloridas e dançam. Erguem uma grande fogueira e assam batata-doce, mandioca, cebola-do-reino, milho verde, aipim etc. Entoam louvores e mais louvores ao santo.
As festas juninas são comemoradas de uma forma rural, sempre ao ar livre, em pátios e/ou grandes terrenos previamente preparados para a ocasião.
João Batista, biblicamente falando, foi o precursor de Jesus e veio para anunciar a chegada do Messias. Sua mensagem era muito severa, conforme registrado em Mateus 3.1-11. Quando chamaram sua atenção para o fato de que os discípulos de Jesus estavam batizando mais do que ele, isso não lhe despertou sentimentos de inveja (Jo 4.1), pelo contrário, João Batista se alegrou com a notícia e declarou que não era digno de desatar a correia das sandálias daquele que haveria de vir, referindo-se ao Salvador (Lc 3.16).
Se em vida João Batista recusou qualquer tipo de homenagem ou adoração, será que agora está aceitando essas festividades em seu nome, esse tipo de adoração à sua pessoa? Certamente que não!

São Pedro

É atribuída a São Pedro a fundação da Igreja Católica, que o considera o “príncipe dos apóstolos” e o primeiro papa. Por esse motivo, os fiéis católicos tributam a esse santo honrarias dignas de um deus. Para esses devotos, São Pedro é o chaveiro do céu. E para que alguém possa entrar lá é necessário que São Pedro abra as portas.
Uma das crendices populares sobre São Pedro (e olha que são muitas!) diz que quando chove e troveja é porque ele está arrastando móveis no céu. São Pedro é cultuado em 29 de junho como patrono dos pescadores. Na ocasião, ocorrem procissões marítimas em sua homenagem com grande queima de fogos. Para os pescadores, o dia de São Pedro é sagrado. Tanto é que eles não saem ao mar para pescaria.
A brincadeira de subir no pau-de-sebo é a que mais se destaca nas festividades comemorativas a São Pedro. O objetivo para quem participa é alcançar os presentes colocados no topo.
Os sentimentos do apóstolo Pedro eram extremamente diferentes do que se apregoa hoje, no dia 29.
De acordo com sua forma de agir e pensar, conforme mencionado na Bíblia, temos razões para crer que ele jamais aceitaria os tributos que hoje são dedicados à sua pessoa.
Quando Pedro, sob a autoridade do nome de Jesus, curou o coxo que jazia à porta Formosa do templo de Jerusalém e teve a atenção do povo voltada para ele como se por sua virtude pessoal tivesse realizado o milagre não titubeou, mas declarou com muita segurança: “Por que olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem? ...o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Jesus ... Pela fé no nome de Jesus, este homem a quem vedes e conheceis foi fortalecido. Foi a fé que vem pelo nome de Jesus que deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saúde” (At 3.12-16).
O Pedro da Bíblia demonstrou humildade ao entrar na casa de Cornélio, que saiu apressado para recepcioná-lo. O texto sagrado declara: “E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio a recebê-lo, e, prostrando-se a seus pés, o adorou. Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem” (At 10.25-26).

Os balões

A sociedade “Amigos do Balão” nasceu em 1998 para defender a presença do ‘balão junino’ nessas festividades. O padre jesuíta Bartolomeu de Gusmão e o inventor Alberto Santos são figuras ilustres entre os brasileiros por soltarem balões por ocasião das festas juninas de suas épocas, portanto podemos dizer que eles foram os precursores dessa prática.
Hoje, como sabemos, as autoridades seculares recomendam os devotos a abster-se de soltar balões pelos incêndios que podem provocar ao caírem em uma floresta, refinaria de petróleo, casas ou fábricas. Não obstante, essa prática vem resistindo às proibições das autoridades. Geralmente, os balões trazem inscrições de louvores aos santos de devoção dos fiéis, como, por exemplo, “VIVA SÃO JOÃO!!!”, ou a outro santo qualquer comemorado nessas épocas.
Todos os cultos das festas juninas estão relacionados com a sorte. Por isso os devotos acreditam que ao soltarem um balão e ele subir sem nenhum problema seus desejos serão atendidos, caso contrário (se o balão não alcançar as alturas) é um sinal de azar. Mas tudo isso não passa de crendices populares.

3. Sincretismo religioso

Religiões de várias regiões do Brasil, principalmente na Bahia, aproveitam-se desse período de festas juninas para manifestar sua fé junto com as comemorações católicas.
O candomblé, por exemplo, ao homenagear os orixás da sua linha, mistura suas práticas com o ritual católico. Assim, durante o mês de junho, as festas romanas ganham um cunho profano com muito samba de roda e barracas padronizadas que servem bebidas e comidas variadas. Paralelamente, as bandas de axé music se espalham pelas ruas das cidades baianas durante os festejos juninos. Lá, devido ao candomblé, Santo Antônio é confundido com Ogum, santo guerreiro da cultura afro-brasileira.

4. Os evangélicos e as festas juninas

Diante de tudo isso, perguntamos: “Teria algum problema os evangélicos acompanharem seus filhos em uma dessas festas juninas realizadas nas escolas, quando as crianças, vestidas a caráter (de caipirinha), dançam quadrilha e se fartam dos pratos oferecidos nessas ocasiões: cachorro-quente, pipoca, milho verde etc?”.
É óbvio que nenhum crente participa dessas festas com o objetivo de praticar a idolatria, pois tal procedimento, por si só, é condenado por Deus!
Quanto à essa questão, tão polêmica, é oportuno mencionar o comportamento de certas igrejas evangélicas, com a alegação de estarem propagando o evangelho durante o Carnaval, dedicam-se a um tipo duvidoso de evangelização nessa época do ano. Fazem de tudo, inclusive usam blocos carnavalescos com nomes bíblicos.
Não devemos nos esquecer, no entanto, de que as estratégias evangelísticas devem ocorrer o ano todo, e não apenas em determinadas ocasiões. O mesmo acaba acontecendo no período das festas juninas. Ultimamente, surgiram determinadas igrejas evangélicas que, a fim de levantar fundo para os necessitados e distribuir cestas básicas aos pobres, estão armando barracas junto com os católicos em locais em que as festas juninas são promovidas por órgãos públicos. Os produtos que vendem, diga-se de passagem, são característicos das festividades juninas. Os “cristãos” que ficam nas barracas vestem-se a caráter e pensam que, dessa forma, estão procedendo biblicamente.

E o que dizer das igrejas que promovem festas juninas em suas próprias dependências com a alegação de arrecadarem fundos? As festas juninas têm um caráter religioso que desagrada a Deus. Então, como separar o folclore da religião se ambas estão intrinsecamente ligadas?

Como podemos analisar essa questão biblicamente?
Bem, vêmos na Bíblia que o povo de Israel abraçou os costumes das nações pagãs e foi criticado pelos profetas de Deus. A vida de Elias é um exemplo específico do que estamos falando. Ele desafiou o povo de Israel a escolher entre Jeová Deus e Baal. O profeta pôs o povo à prova: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o” (1Rs 18.21).
É claro que o contexto histórico do texto bíblico em pauta é outro, mas, como observadores e seguidores da Palavra de Deus, devemos tomar muito cuidado para não nos envolvermos com práticas herdadas do paganismo. Pois é muito arriscada a mistura de costumes religiosos, impróprios à luz da Bíblia, adotada por alguns evangélicos. É preciso que os líderes e pastores aprofundem a questão, analisem a realidade cultural do local em que desenvolvem certas atividades evangelísticas e ministério e orientem os membros de suas respectivas comunidades para que criem e ensinem os filhos nos preceitos recomendados pela Palavra de Deus.
O simples fato de proibirem as crianças a participar dessas comemorações na escola em que estudam não resolve o problema, antes, acaba agravando a situação. Simplesmente proibir sem explicar corretamente o porque dessa proibição, ou simplemente dizer que "a festa é do diabo", traz outros tipos de confusão e transtornos às crianças. Por isso a recomendação bíblica de ensinar a criança no caminho que deve andar...

5. O que diz a Bíblia?

Para muitos cristãos, pode parecer que a participação deles nessas festividades juninas não tenha nenhum mal, e que a Bíblia não se posiciona a respeito.
O apóstolo Paulo, no entanto, declara em 1 Coríntios 10.11 que as coisas que nos foram escritas no passado nos foram escritas para advertência nossa. Vejamos o que ele disse: “Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”.
O que nos mostra a história do povo de Israel em sua caminhada do Egito para Canaã? Quando os israelitas acamparam junto ao Monte Sinai, Moisés subiu ao monte para receber a lei da parte de Deus. A demora de Moisés despertou no povo o desejo de promover uma festa a Deus. Arão foi consultado e, depois de concordar, ele próprio coletou os objetos de ouro e fabricou um bezerro com esse material. O texto bíblico diz o seguinte: “Ele os tomou das suas mãos, e com um buril deu forma ao ouro, e dele fez um bezerro de fundição. Então eles disseram: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito. Arão, vendo isto, edificou um altar diante do bezerro e, apregoando, disse: Amanhã será festa ao Senhor” (Êx 32.4-5).
Qual foi o resultado dessa festa idólatra ao Senhor?
Deus os puniu severamente: “Chegando ele ao arraial e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se-lhe a ira, e arremessou das mãos as tábuas, e as quebrou ao pé do monte. Então tomou o bezerro que tinham feito, e o queimou no fogo, moendo-o até que se tornou em pó, e o espargiu sobre a água, e deu-o a beber aos filhos de Israel. Então ele lhes disse: Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa. Passai e tornai pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu vizinho” (Êx 32.19-20,27).
O teor religioso das festas juninas não passa de um ato idólatra quando se presta culto a Santo Antônio, São João e São Pedro. Paulo declara o seguinte: “Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios” (1Co 10.19-20).
“E serviram aos seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço. Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios. E derramaram sangue de seus filhos e de suas filhas que sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi manchada com sangue”(Sl 106.36-37).

Como crentes, devemos adorar somente a Deus: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.10). Assim, nossos lábios devem louvar tão-somente o Senhor Deus: “Portanto, ofereçamos sempre por meio dele a Deus sacrifício de louvor, que é o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13.15). O texto de Apocalipse 7.9 é um bom exemplo do que estamos falando: “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas com palmas nas suas mãos. E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro”.

É possível imaginar um cristão cantando louvores a São João Batista? O cântico seria mais ou menos assim:

“Onde está o Batista?
Ele não está na igreja
Anda de mastro em mastro
A ver quem o festeja”

Lembramos a atitude de Paulo e Barnabé diante de um ato de adoração que certos homens quiseram prestar a eles: “E as multidões, vendo o que Paulo fizera, levantaram a sua voz, dizendo em língua licaônica: Fizeram-se os deuses semelhantes aos homens, e desceram até nós. E chamavam Júpiter a Barnabé, e Mercúrio a Paulo; porque este era o que falava. E o sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para a entrada da porta touros e grinaldas, queria com a multidão sacrificar-lhes. Porém, ouvindo isto os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgaram as suas vestes, e saltaram para o meio da multidão, clamando, e dizendo: Senhores, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há” (At 14.11-15).

Os santos não podem ajudar

Normalmente, as pessoas que participam das festas juninas querem tributar louvores a seus patronos como gratidão pelos benefícios recebidos. Admitem que foram atendidas por Santo Antônio, São João Batista e São Pedro. Crêem também que esses santos podem interceder por elas junto a Deus. Entretanto, os santos não podem fazer nada pelos vivos. Pedro e João, como servos de Deus obedientes que foram, estão no céu, conscientes da felicidade que lá os cerca (Lc 23.43; 2Co 5.6-8; Fp 1.21-23). Não estão ouvindo, de forma nenhuma, os pedidos das pessoas que os cultuam aqui na terra. O único intercessor eficaz junto a Deus é Jesus Cristo. Diz a Bíblia: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1Tm 2.5).
E mais:

“É Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8.34).

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1Jo 2.1-2).

Foi o próprio Senhor Jesus quem nos disse que deveríamos orar ao Pai em seu nome para que pudéssemos alcançar respostas aos nossos pedidos: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome eu o farei” (Jo 14.13-14).
Quanto ao teor religioso das festas juninas, podemos declarar as palavras de Deus ditas por meio do profeta: “Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me exalarão bom cheiro” (Am 5.21).

6. ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE AS FESTAS JUNINAS

FOGUEIRAS
A fogueira é um elemento essencial nas festas juninas. Algumas regiões ainda conservam a bizarra tradição de caminhar sobre as brasas. Você sabia que convencionalmente cada uma das três festas, Santo Antônio, São Pedro e São João, exige um arranjo diferente de fogueira?

Santo Antônio
As lenhas são atreladas em formato quadrangular.

São Pedro
As lenhas são atreladas em formato triangular.

São João
As lenhas são atreladas observando o modelo habitual; possui formato arredondado semelhante à pirâmide.

COMIDAS TÍPICAS
As festas juninas são comemoradas com comidas típicas: curau, batata-doce, mandioca, pipoca, canjica, pé-de-moleque, pinhão, gengibre, quentão, entre outros.

A QUADRILHA (Dança Típica)
Que a quadrilha é uma dança de origem francesa? Foi trazida ao Brasil no início do século XIX passando a ser dançada nos salões da corte e da aristocracia brasileira. Com o passar do tempo, deixou a nata da sociedade e incorporou-se às festas populares gerando, assim, suas variantes no interior do país.

PIROLÁTRICOS (As famosas bombinhas e rojões)
Você sabia que os cultos pirolátricos são de origem portuguesa? Antigamente, em Portugal, acreditava-se que o estrondo de bombas e rojões tinha como finalidade espantar o diabo e seus demônios na noite de São João. Atualmente, no mês de junho intensifica-se o uso desses artifícios, porém, desassociado dessa antiga crendice.

CONCLUSÃO

Como seguidores de Cristo, suplico, diante deste estudo e análise, que Deus nos conceda sabedoria para que consigamos proceder de uma maneira que O agrade em todas as circunstâncias, e que não participemos dessas festas de adoração a outros deuses, pois: “toda ação de nossa vida toca alguma corda que vibrará na eternidade” (E. H. Chapin).

Deus os abençoe.
Pr. Magdiel G Anselmo.

Bibliografia:
CARVALHO, Hernani de – No Mundo Maravilhoso do Folclore
LIRA, Mariza – Migalhas Folclóricas
RUIZ, Corina – Livro e Folclore (citado no site
http:venus.rdc.puc.rio.br/kids
ICP - Instituto Cristão de Pesquisas.

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