quinta-feira, 19 de março de 2015

Para ser pastor precisa "falar em línguas"?


Esta questão de falar em línguas ou do dom de línguas, como uma obrigatoriedade para se exercer o pastorado é muito usada e ensinada em certos grupos e igrejas cristãs, e está vinculada a outras questões (como batismo com Espírito Santo e contemporaneidade dos dons espirituais), mas estas demais questões não serão trabalhadas neste artigo e procurarei me restringir especificamente a questão ora posta no título do artigo e se ela encontra respaldo e apoio nas Escrituras Sagradas.
Analisemos então biblicamente esta questão e normas utilizadas por muitos.
Para iniciar nossa análise verificamos que o apóstolo ensina categoricamente em 1 Coríntios que o dom de "línguas" é somente um entre muitos dons, que não é concedido a todos os cristãos. Parece que não há bases sólidas para a distinção que algumas pessoas tentaram fazer entre as referências a "línguas" em Atos e em 1 Coríntios 12 e 14, no sentido de que a primeira se refira ao "sinal" de línguas, que todos devem apresentar, e as outras o "dom" de línguas, que somente alguns recebem. Na verdade, alguns líderes de igrejas pentecostais e do movimento carismático estão aceitando agora que "línguas" não são um sinal indispensável do dom do Espírito e concordo com eles, pois a conversão de uma pessoa não é confirmada pelo dom de línguas mas, segundo a Palavra, pelos frutos que ela revela durante sua vida cristã, portanto, dom de línguas como evidência de conversão é facilmente descartado quando submetemos este conceito ao crivo bíblico.
Mas, a questão que desejo trabalhar aqui é se o dom de línguas é critério bíblico para se exercer o pastorado. Vamos lá então.

O argumento usado pelos que defendem o dom de línguas obrigatório para um pastor é de que este cristão precisa estar “cheio do Espírito” ou usando outro termo, estar na “plenitude do Espírito” para exercer seu ministério com poder dos Céus e então, a evidência de ser cheio do Espírito ou desta plenitude do Espírito é o falar noutras línguas.
Será?
Analisemos isso.


1. Analisando biblicamente, a questão da plenitude do Espírito ou do enchimento do Espírito? 
Como é possível conseguir esta plenitude e este enchimento? Para podermos responder à estas perguntas, vamos primeiro analisar o "mandamento para sermos cheios" do Novo Testamento. 

         O  Mandamento  para  Sermos  Cheios
O mandamento "Enchei-vos do Espírito".
Preste atenção a quatro aspectos deste verbo.

Em primeiro lugar, ele está no modo imperativo
"Enchei-vos" não é uma sugestão que pode ser tentada, uma recomendação branda, uma advertência educada. É uma ordem que Cristo nos dá, com toda a autoridade de um dos apóstolos que Ele escolheu. Não temos nem um pouco mais de liberdade para escapar desta obrigação do que temos das obrigações éticas que formam o contexto, isto é, falar a verdade, trabalhar honestamente, ser gentil e perdoar uns aos outros, ou viver em pureza e amor. A plenitude do Espírito Santo não é opcional, mas obrigatória para o cristão.

Em segundo lugar, ele está na forma plural. 
O mesmo ocorre com o verbo anterior, "não vos embriagueis com vinho". Os dois imperativos de Efésios 5:18, tanto a proibição como a ordem, são escritos para toda a comunidade cristã. Eles têm aplicação universal. Nenhum de nós deve embriagar-se; todos devemos ser cheios do Espírito. Enfaticamente, a plenitude do Espírito Santo não é um privilégio reservado para alguns, mas uma obrigação de todos. Assim como a exigência de sobriedade e domínio próprio, a ordem de buscar a plenitude do Espírito é dirigida a todo o povo de Deus, sem exceção.

Em terceiro lugar, o verbo está na voz passiva: "Sede enchidos". 
Uma outra tradução seria: "Deixai-vos encher pelo Espírito". Uma condição importante para gozar da sua plenitude é entregar-se a Ele sem receios. Mesmo assim, não devemos pensar que somos apenas agentes passivos ao recebermos a plenitude do Espírito, assim como quando alguém fica bêbado. Torna-se bêbado bebendo; ficamos cheios do Espírito também bebendo, como no ensino do nosso Senhor em João 7:37.

Em quarto lugar, o verbo está no tempo presente
É bem sabido que, na língua grega, se o imperativo está no aoristo, ele se refere a uma ação única; se está no presente, a uma ação contínua. Assim, quando em Caná, Jesus disse: "Enchei d'água as talhas" (João 2:7), o imperativo aoristo mostra que ele queria que o fizessem somente uma vez. O imperativo presente "sede enchidos com o Espírito", por sua vez, não indica alguma experiência dramática ou determinante, que resolve o problema para o bem, porém uma apropriação continua.
Isto é reforçado na Carta aos Efésios pelo contraste entre o "selo" e a "plenitude" do Espírito. Duas vezes o apóstolo escreve que seus leitores foram "selados" com o Espírito Santo (Efés. 1:13; 4:30). Os aoristos são idênticos e aplicam-se a todo crente arrependido. Deus o aceitou e colocou nele o selo do Espírito, autenticando-o, marcando-o e garantindo-o como Seu. Todos os crentes são "selados", mas nem todos permanecem "cheios", porque o selo foi colocado uma vez, no passado, enquanto a plenitude é (ou deveria ser) presente e contínua.
Talvez aqui uma ilustração ajude a mostrar que a plenitude de Espírito não deve ser uma experiência estática, mas progressiva. Comparemos duas pessoas. Uma é um bebê, recém-nascido e pesando três quilos, que começou a respirar há pouco. A outra é um homem feito, com 1,80m de altura e 75 quilos de peso. Ambos são aptos e saudáveis; ambos estão respirando normalmente; pode-se dizer dos dois que estão "cheios de ar". Então, qual é a diferença entre eles? A diferença está na capacidade dos seus pulmões. Ambos estão "cheios", porém uns estão mais cheios que os outros porque sua capacidade é muito maior.
O mesmo vale para vida e crescimento espirituais. Quem pode negar que um bebê recém-nascido em Cristo está cheio do Espírito? O corpo de qualquer crente é o templo do Espírito Santo (1 Cor. 6:19); podemos dizer que o Espírito, ao entrar em seu templo, não o preenche? Um cristão maduro e piedoso, perseverando há muitos anos, também está cheio do Espírito. A diferença entre os dois está no que pode ser chamado de seus pulmões espirituais, ou seja, a medida da sua compreensão com fé do propósito que Deus tem para eles.
Isto se torna evidente na primeira oração do apóstolo pelos cristãos de Éfeso. Ele diz:
"Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito [ou, talvez, "Espírito"] de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos, e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos ... "(Efés. 1:17-19).
Este texto bíblico desenvolve os estágios do crescimento espiritual. Os que "crêem" experimentam a plenitude do poder de Deus. Porém primeiro precisamos "conhecer" sua grandeza, e para isso, carecemos que o Espírito Santo ilumine os olhos dos nossos corações.
Portanto, a seqüência é esta: iluminação, conhecimento, fé, experiência. Conhecemos com a iluminação, e pela fé passamos a gozar o que conhecemos. Nossa experiência de fé, portanto, está amplamente condicionada pelo nosso conhecimento de coração. 
Além disto, quanto mais sabemos, maior se torna nossa capacidade espiritual, bem como nossa responsabilidade de exigir pela fé a nossa herança. Por isso, quando alguém acaba de nascer do Espírito, sua compreensão do plano de Deus para si geralmente é muito limitada, e sua experiência é proporcionalmente limitada. Todavia, à medida que o Espírito Santo ilumina os olhos do seu coração, diante dele abrem-se horizontes com os quais antes ele dificilmente sonhara. Ele começa a ver e compreender a esperança do chamamento de Deus, as riquezas da herança de Deus e a grandiosidade do poder de Deus. Ele é desafiado a abraçar pela fé a plenitude do propósito que Deus tem para ele.
A tragédia é que, muitas vezes, nossa fé não acompanha o ritmo do nosso conhecimento. Nossos olhos são abertos para verem cada vez mais os aspectos maravilhosos do propósito que Deus tem conosco em Cristo, porém nos abstemos de tomar posse dele pela fé. Este é um dos meios de perdermos a plenitude do Espírito, não necessariamente por desobediência, mas por fala de fé. Nossos pulmões se desenvolvem, mas não os usamos. Precisamos estar sempre nos arrependendo da nossa descrença e clamar a Deus para que ele aumente a nossa fé, de maneira que, à medida que nosso conhecimento cresce, nossa fé possa crescer com ele e possamos estar sempre tomando posse de maiores partes da grandeza do propósito e do poder de Deus.

         2. Quais são, então, as evidências  da  Plenitude  ou Enchimento do  Espírito?

Uma segunda passagem do Novo Testamento dá ênfase à evidência da plenitude do Espírito, apesar de também incluir uma ordem de ser cheio, que precisamos estudar com cuidado. 
Quais são as características de uma pessoa cheia do Espírito de Deus hoje?

Não pode haver dúvidas de que a principal evidência é moral, não miraculosa, e reside no Fruto do Espírito, não nos dons do Espírito. Já tivemos oportunidade de constatar que os coríntios, que tinham sido batizados com o Espírito e ricamente dotados dos dons do Espírito, mesmo assim provaram ser cristãos "não espirituais", porque lhes faltava a qualidade moral do amor (1 Cor. 3:1-4).
Eles se vangloriavam de uma certa plenitude, o que fez Paulo escrever-lhes com um toque de sarcasmo: "Já estais fartos" (cheios, 4:8)! Mas não era a plenitude do Espírito Santo. Se eles estivessem cheios do Espírito, obviamente teriam estado cheios de amor, o primeiro fruto do Espírito. O amor é o poderoso elo de união entre o fruto e os dons do Espírito. Isto não ocorre somente porque sem amor os dons são sem valor (1 Cor. 13), mas também porque o amor requer os dons como equipamento necessário para poder servir outros.
No único trecho em suas cartas onde o apóstolo Paulo descreve as conseqüências da plenitude do Espírito, elas são todas qualidades morais. Esta passagem é Efésios 5:18-21:
"E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo."
No texto grego este trecho tem dois verbos na forma imperativa ("não vos embriagueis com vinho"; "enchei-vos do Espírito"), dos quais dependem quatro verbos que são particípios presentes (literalmente: "falando", "cantando e fazendo melodias", "agradecendo" e "submetendo"). Em outras palavras, a ordem única de ser cheio do Espírito é seguida de quatro conseqüências descritivas da plenitude do Espírito Santo.
A ordem de ser cheio é contrastada diretamente com a outra ordem de não se embriagar. A partir daí, algumas pessoas deduziram rapidamente que embriaguez e a plenitude do Espírito podem ser comparadas. Elas dizem que a plenitude do Espírito é um tipo de ebriedade espiritual; o apóstolo está contrapondo dois estados de embriaguez: física, através do vinho; e espiritual, pela plenitude do Espírito. Não é este o caso. 
É verdade que um bêbado está "sob a influência do álcool" e que, de maneira semelhante, pode-se dizer que um crente cheio do Espírito esteja sob o controle do Espírito. Também é verdade que no dia de Pentecostes, quando o Espírito concedeu aos 120 que falassem publicamente em outras línguas, alguns da multidão comentaram: "Estão embriagados" (Atos 2:13). 
Porém os que disseram isto evidentemente eram uma minoria; eles acharam que os discípulos estivessem bêbados porque não conseguiam entender nenhuma das línguas faladas; a maioria reagiu com surpresa, ao ouvir os galileus falarem de maneira inteligível idiomas nativos da Ásia e da África que a multidão podia entender.
Portanto, é um erro crasso supor que estes primeiros crentes cheios do Espírito estavam em um tipo de transe alcoólico, ou que este estado devesse ser um padrão das experiências da plenitude do Espírito. Paulo tem exatamente o oposto em mente. Há uma implicação clara em Efésios 5:18 de que a embriaguez e a plenitude do Espírito não podem ser comparadas assim, porque a embriaguez é vista como "dissolução" ou "perdição" (BLH). A palavra grega asotia, que em suas duas outras menções no Novo Testamento é traduzida também por "devassidão" (Tito 1:6, 1 Ped. 4:4), literalmente descreve uma situação em que a pessoa não consegue mais "salvar-se" ou controlar-se. Paulo escreve que a embriaguez envolve uma perda de controle, e por isso deve ser evitada. No outro extremo, é dito claramente em Gál. 5:23 que parte do fruto do Espírito é domínio próprio (enkrateia)! As conseqüências da plenitude do Espírito, que o apóstolo passa a descrever, devem se manifestar em um relacionamento inteligente, controlado e saudável com Deus e com as outras pessoas.
É verdade que podemos concordar que tanto na embriaguez como na plenitude do Espírito há duas grandes forças nos influenciando interiormente, o álcool em nossa corrente sanguínea e o Espírito Santo em nosso coração. Todavia, o álcool em excesso conduz a um comportamento incontrolado e irracional, que transforma o bêbado num animal; a plenitude do Espírito, por sua vez, leva a um comportamento moral controlado e racional, que transforma o cristão na imagem de Cristo. Portanto, os resultados de estar sob a influência de emanações alcoólicas, por um lado, e do Espírito Santo de Deus, por outro, são total e completamente diferentes. Um nos transforma em animais, o outro em Cristo.
Agora temos condições para analisar os quatro resultados benéficos, e, com isso, evidências objetivas sólidas, da plenitude do Espírito. Estes resultados tornam-se visíveis no relacionamento. A plenitude do Espírito não é tanto uma experiência mística particular, quanto um relacionamento moral com Deus e as pessoas ao nosso redor.

O primeiro resultado é "falando". 
A tradução "entre vós" não deve ser entendida como se as pessoas cheias do Espírito começassem a falar consigo mesmas, como se sua mente estivesse anuviada! A tradução "uns aos outros" (BLH, BJ) transmite melhor o sentido. Na passagem paralela em Colossenses (3:16) o apóstolo incentiva seus leitores a deixarem a Palavra de Cristo habitar ricamente neles, para que possam "instruir e aconselhar-se mutuamente em toda a sabedoria".
É bastante interessante o fato de que a primeira evidência de ser cheio do Espírito é falarmos uns aos outros. Mas isto não deve nos surpreender, já que o primeiro aspecto do Fruto do Espírito é o amor. Por mais profunda e íntima que nossa comunhão com Deus possa parecer, não podemos dizer que estamos cheios do Espírito se, porventura, não conseguimos falar com algum irmão.

O primeiro sinal da plenitude é a comunhão. 
Mais anda, é comunhão espiritual, porque falamos uns aos outros não com "tagarelice mundana", mas "com salmos, ... hinos e cânticos espirituais".
É óbvio que isto não pode significar que o meio de comunicação normal entre crentes cheios do Espírito seja a música! Antes, significa que a verdadeira comunhão se expressa no culto conjunto. Um bom exemplo é o Ven te (Sal. 95), que os anglicanos cantam muitas vezes no culto público aos domingos pela manhã. Falando especificamente, o Salmo não é de adoração, porque não é dirigido a Deus, mas à congregação: "Vinde, cantemos ao Senhor." Esta é uma ocasião em que pessoas pertencentes a Deus falam umas às outras com um Salmo, incentivando-se mutuamente a adorarem seu Senhor.

Isto nos conduz ao segundo resultado da plenitude do Espírito, que é "cantando e fazendo melodias" para o Senhor. 

O Espírito Santo adora glorificar o Senhor Jesus, manifestando-o ao seu povo de uma maneira em que eles se regozijem em cantar louvores a Ele. Pessoas sem aptidão musical, às vezes, recebem conforto pela versão Revista e Corrigida desta exortação, que é cantar ao Senhor "no vosso coração". Esta terminologia dá a impressão de que seu júbilo pode ser integralmente interior, dirigido somente "aos ouvidos do Senhor". Porém a tradução "de (todo o) coração" provavelmente é mais correta. O coração não é o lugar, mas a maneira como estamos cantando. O apóstolo nos exorta a não ficarmos em silêncio, mas a adorarmos sem preconceitos.

Em terceiro lugar, devemos dar "sempre graças por tudo". 

Muitos cristãos dão graças às vezes, por algumas coisas; crentes cheios do Espírito agradecem sempre, por todas as coisas. Não existe hora nem circunstância pelas quais eles não agradecem. Eles o fazem "em nome de nosso Senhor Jesus Cristo", isto é, porque são um com Cristo, e "a nosso Deus e Pai", porque o Espírito Santo testemunha a seu espírito que eles são filhos de Deus e que seu Pai é integralmente bom e sábio. A murmuração, um dos pecados costumeiros de Israel, é um pecado grave cerque é um sintoma de descrença. Sempre que começarmos a reclamar e a nos queixar, isto é um sinal claro de que não estamos cheios do Espírito. Sempre que o Espírito Santo domina os crentes, eles agradecem ao seu Pai celestial a toda hora, por tudo.
Vimos que os segundo e terceiro sinais da plenitude do Espírito são relacionados a Deus, ou seja, cantando ao Senhor e dando graças ao Pai. O Espírito Santo nos coloca em um relacionamento correto de louvor com o Pai e o Filho. O crente cheio do Espírito não tem dificuldades práticas com a doutrina da Trindade. 

Os terceiro e quarto sinais, entretanto, têm a ver com nosso relacionamento com as outras pessoas: falando uns aos outros, e agora sujeitando-se uns aos outros.

O apóstolo continua mostrando que a submissão é a obrigação específica de uma esposa diante de seu marido, de filhos diante de seus pais e de empregados diante de seus empregadores, mas ele começa dizendo que ela é a obrigação geral de todos os cristãos uns diante dos outros (o que inclui maridos, pais e empregadores). A submissão humilde é uma parte tão importante do comportamento cristão que o verbo aparece trinta e duas vezes no Novo Testamento. A marca registrada no cristão cheio do Espírito não é a auto-afirmação, mas a auto-submissão.
É verdade que às vezes, quando um princípio teológico ou moral fundamental está em jogo, não podemos ceder. Paulo deu um exemplo destacado desta necessidade de firmeza quando se opôs a Pedro, numa confrontação direta e pública, em Antioquia (Gál. 2:11-14). Porém precisamos sempre tomar cuidado para que nossa firmeza aparente em um principio não seja uma exibição desagradável de orgulho. É sábio desconfiar de nossa indignação justa; geralmente há nela mais que alguns traços de vaidade injusta. O teste está nas últimas palavras da frase: "No temor de Cristo". Nossa obrigação primordial é submissão reverente e humilde ao Senhor Jesus. Devemos nos submeter aos outros somente até ao ponto exato em que nossa submissão a eles implicar em deslealdade a Cristo.
Assim, expus quais são os resultados venturosos da plenitude do Espírito. 

As duas principais áreas em que esta plenitude se manifesta são culto e comunhão. Se estamos cheios do Espírito, estaremos louvando a Cristo e agradecendo a nosso Pai, e estaremos falando e submetendo-nos uns aos outros. 

       O Espírito Santo nos coloca em um relacionamento correto com Deus e as pessoas. Devemos procurar a principal evidência da plenitude e enchimento do Espírito Santo nestas qualidades e atividades espirituais, e não em fenômenos sobrenaturais como o falar noutras línguas. Esta é a ênfase do apóstolo quando ele trata deste assunto em suas cartas aos efésios e coríntios, bem como quando ele especifica o "Fruto do Espírito" em sua carta aos gálatas. 
E quando tratamos com o pastorado, existe biblicamente ainda outros critérios a se levar em alta consideração, que estão largamente descritas e reveladas nas cartas pastorais (I e II Timóteo e Tito).

Sendo assim e respondendo a questão origem deste artigo, não é necessário, muito menos obrigatório que um pastor, presbítero, diácono ou obreiro de uma forma geral possua o dom de línguas, mas sim que ele evidencie o Fruto do Espírito e aquelas virtudes e características que mencionei e a que as Escrituras exigem para este ministério. 
Esta é a verdade bíblica, o que passar disso é criação e norma humana que deve ser respeitada como tal, mas jamais posta ao mesmo nível das Escrituras.
Por fim, espero ter ajudado na sua compreensão e entendimento, caro leitor, desta questão.

Em Cristo,

Pr. Magdiel G Anselmo.


quarta-feira, 18 de março de 2015

Pode o pastor ter um salário? Pode ser remunerado?




"(...) O trabalhador (obreiro) é digno de seu salário" 

1 Timóteo 5:18

"Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o Evangelho que vivam do Evangelho (...)"  

1 Coríntios 9: 14





Esse ponto e questão, penso eu, são polêmicos, não por que não seja esclarecido biblicamente, mas porque muitas pessoas, inclusive irmãos, tem total desconhecimento dessa questão do ponto de vista exclusivamente bíblico.

Pode o pastor ter um salário? Pode ser remunerado?

Essas indagações e questionamentos advém do conceito que pastorear não é um trabalho. É isso mesmo, muitos pensam que pastorear deve ser algum tipo de lazer ou de hobbie que não exige esforço, dedicação e sem dúvida, trabalho.
Muitos confundem ainda mais isso afirmando que por ser o pastorado uma questão de vocação (e concordo), não uma profissão, não deve ter salário ou remuneração alguma pois se isso ocorrer o pastor passa a ser um empregado e a igreja uma empresa.
Alguns ainda, usam o mau exemplo de uma igreja negligente com seu obreiro (no caso o apóstolo Paulo) que obrigou o apóstolo a novamente exercer sua profissão de antes de sua conversão (fazedor de tendas) para que pudesse ter seu sustento como sendo o exemplo e princípio correto para um pastorado bíblico. Uma rápida examinada no texto mostraria que estão equivocados, mas pra que fazer isso não é mesmo. já que suas concepções prévias acerca do tema já direcionam suas opiniões e argumentações. Pois é...
Mas costumo responder a todas estas pessoas e conceitos, asseverando que entendo que pastorear não é realmente um trabalho profissional, mas não deixa por isso de ser um trabalho. O vocacionado não foi chamado para ser um desocupado. 

Ao contrário, foi chamado para trabalhar, e muito. O pastor não é um profissional, o pastorado não é uma profissão. Mas, é um trabalho! E esse trabalho exige total disposição e dedicação, ou seja, não há pastorado de qualidade se não houver a disposição para um pastorado integral, pois somente este tipo de pastorado é o bíblico e portanto, responderá as necessidades do rebanho de Cristo aos seus cuidados. 

Deixa eu explicar melhor este ponto aqui do tempo integral para o pastorado.

Veja que quando alguém é chamado e vocacionado por Deus para exercer o ministério pastoral recebe uma responsabilidade, um desafio e um trabalho muito maior que toda sua capacidade física, emocional ou intelectual poderiam conseguir realizar. É chamado para cumprir uma missão muito além de suas forças, intelecto ou influência. Terá que tratar com pessoas de todos os tipos (temperamentos, formação, história), e acima de tudo, terá que cuidar e liderar de forma que essas pessoas rumem ao crescimento e maturidade espiritual. 
É um trabalho árduo, diário, constante e muitas vezes solitário. 
Além de pregar, ensinar, treinar, discipular, visitar, administrar, liderar, aconselhar e estar presente em atividades e circunstâncias diversas, terá que se preparar sempre em oração, consagração, meditação e estudo da Palavra de Deus. 
O rebanho do Senhor deve ser tratado com o máximo de cuidado, responsabilidade e amor. Por isso, o pastor terá muitas vezes que renunciar seus próprios interesses e planos em prol da edificação da congregação da qual Deus permitiu que apascentasse.
Além dessas tarefas que mencionei e de outras próprias do ofício pastoral (Batismo, Ceia, Casamentos, etc...), do pastor é exigido disponibilidade. É um trabalho de 24 horas diárias. É um trabalho de tempo integral. Essa exigência do rebanho e penso da própria missão de pastorear, vê-se implícito no ministério do Senhor Jesus, de Paulo, Pedro, Timóteo, Tito e dos demais apóstolos e em todo o NT. 
Faço aqui uma respeitosa observação aos meus colegas pastores de tempo parcial. Sei que existem pastores de tempo parcial. Sei também e entendo, que em algumas circunstâncias o pastor se vê obrigado a ter um trabalho secular para poder sustentar a si e sua família dignamente tal qual fez Paulo em certa ocasião. Sei que existem, lamentavelmente, igrejas que não se importam em suprir as necessidades de seu pastor. Sei também que alguns fazem a opção por não depender totalmente do ministério pastoral que exercem. Não estou aqui para julgá-los ou a seus motivos. Mas, mesmo esses entendem e sabem que o ministério pastoral exige tempo integral e que hoje uma realidade circunstancial os impede, mas que desejam no futuro poder cumprir esse ideal bíblico. Eles sabem que o ideal bíblico é bem diferente do real que hoje vivem no ministério.
Por isso, registro aqui o meu respeito a todos eles.

Retornando ao meu argumento da disponibilidade, o pastor muitas vezes é chamado pelo rebanho para estar presente em momentos de profunda alegria e também de profunda tristeza. Faz-se um casamento a noite e um culto fúnebre na manhã seguinte. Ora-se por uma criança e a dedica a Deus e logo depois visita-se um enfermo em um leito de hospital. São situações que as pessoas desejam a presença de seu pastor, e dele exigem disposição e prontidão em assisti-los. São momentos e situações marcantes para as pessoas e o bom pastor deve estar lá, participando da alegria ou da tristeza, sempre levando a Palavra de Deus que trará ou o conforto para quem está em angústia ou a orientação para aquele que celebra.
É um trabalho que requer saúde mental, física, emocional e espiritual. É um serviço que requer esforço, dedicação, responsabilidade e renúncia.
Além disso, a missão de pastorear exige a atualização contínua, o aperfeiçoamento das metodologias e das práticas, bem como o constante mergulho na infinitude do conhecimento bíblico. O pastor deve sempre buscar aprender teoricamente (cursos, atualizações, etc...) como também na sua experiência do dia-a-dia pastoral. Aprender a ouvir a Deus cada vez mais e também as pessoas. Reconhecer que é servo e depende de Deus para fazer o trabalho e que o rebanho não é dele, mas do Senhor, e que foi chamado para levar esse rebanho ao bom alimento, boa água, descanso e a proteção do Bom Pastor, Cristo.
E, finalmente, precisa crer que todo esse trabalho, mesmo com lágrimas e suor muitas vezes, mesmo com ingratidões e decepções em outras, não é vão no Senhor.
Enfim, não consigo entender como um pastor conseguirá exercer todo o seu trabalho tendo que exercer juntamente com seu pastorado, um trabalho secular regular com regras, horários, local de trabalho, problemas e situações do trabalho secular, etc. Penso ser impossível realizar as duas tarefas com eficiência e bom desempenho.

Retorno agora a questão do sustento pastoral e deixa eu aprofundar mais um pouco esta questão...

Engana-se quem pensa que o salário que um pastor possa receber de uma igreja é a paga ou a remuneração por esse trabalho que exerce, cumprindo sua missão determinada pelo seu patrão, Deus. Engana-se quem pensa que o trabalho de um pastor possa ser remunerado.
O trabalho de pastorear não pode ser pago por dinheiro algum. O valor desse trabalho não é material, visível ou palpável. É em essência um trabalho espiritual e por isso não há dinheiro ou contribuição que possa pagá-lo dignamente ou corretamente.

A verdade bíblica é:
O pastor não recebe salário pelo que ele faz.
Recebe salário para poder fazer o que deve ser feito.

O salário pastoral é para o sustento do pastor e de sua família, para que ele possa ter tranquilidade para exercer seu ministério sem a preocupação com suas necessidades básicas e dos seus. Sem esse devido sustento, terá que buscar outras atividades, além das que já exerce.
Analisando biblicamente isso, nota-se que além disso que já expus, Paulo ao escrever aos coríntios (1 Coríntios 9), afirma que ele tinha o direito de ser apoiado pelas igrejas locais entre as quais trabalhava. Tinha o direito de comer e beber (v.4), o direito de levar uma esposa (v.5), o direito de não trabalhar secularmente (v.6). E quando analisamos mais profundamente o texto, vêmos que não eram direitos meramente fundamentados em conveniências ou desejos pessoais, mas na prática de outros apóstolos (v.5), com base na analogia da experiência humana, ou seja, nas ilustrações do soldado, do agricultor e do pastor (vs.7,10), com base na ordens claras da lei mosaica (vs. 8,9), com base nos direitos reconhecidos dos levitas no templo (v. 13), e, finalmente, com base no decreto explícito do próprio Cristo (v.14). Os que eram chamados para o serviço, o trabalho de tempo integral, fossem quem fossem, estivessem onde estivessem, eram, portanto, da direta responsabilidade das igrejas de Deus, ou seja, o cuidado pelos servos de Deus chamados para pastorear, era responsabilidade do povo de Deus, e ainda o são.
Por isso, penso que cada congregação deve refletir sobre isso e decidir que tipo de pastor deseja. Se preferir um de tempo integral, deve obrigatoriamente, sustentá-lo, bem como sua família de forma digna e fiel às Escrituras.
Um amigo certa vez me disse com verdade:
- Cada igreja tem o pastor que merece.
E é um fato. Se o pastor precisar diminuir de seu tempo para o pastorado por causa de outras atividades extra-pastorais para poder sustentar seu lar, não pode ser cobrado se seu pastorado não estiver dando os frutos desejados, se sua pregação não estiver bem preparada, se não faz visitas regularmente, se não é encontrado quando se precisa de um aconselhamento ou em um momento marcante ou ainda porque sua presença não é constante nos trabalhos e programações da igreja. Simplesmente, ele não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. É uma lei da física.
Portanto, a discussão sobre salário é totalmente equivocada, porque muitos não entendem esse conceito. O salário não é o pagamento pelos serviços prestados. O salário pastoral é para poder prestar o serviço.

E o valor? Pode o pastor ter carteira assinada?

Ora, o valor varia de pastor para pastor. depende do tamanho de sua família. Depende do tamanho do rebanho que pastoreia. Mas, principalmente, depende do entendimento sobre essa questão e enfaticamente, depende do amor que o rebanho tem pelo seu pastor. Com relação a carteira assinada e possuir vínculos empregatícios, penso que são formas usadas em algumas denominações que trazem muito mais obscurantismo sobre a questão do que esclarecimentos. Produzem ou incentivam o conceito que já mencionei, do pagamento pelo trabalho realizado, ou pior do pastor como um empregado da igreja e um funcionário tendo a igreja como seu patrão. Outras formas e métodos para sustentar seu pastor devem ser buscadas, não criando ainda mais problemas onde já existem tantos.


Considerações Finais

Penso que o artigo trouxe algumas questões à tona e buscou respondê-las e entendê-las à luz das Escrituras, entretanto todo cristão responsável e temente a Deus buscará se aprofundar ainda mais neste tema com o intuito de abençoar vidas em Cristo e ajudar na expansão da Igreja.
Meu desejo e oração é que toda a irmandade cristã esteja unida neste objetivo seguindo o nosso manual e regra de fé e pratica, a Bíblia Sagrada.

Deus abençoe a todos.

Pr. Magdiel G Anselmo. 




Pastorado: Uma Vocação ou mais uma Profissão ?

Este tema merece a atenção e estudo de todos os cristãos.
A falta de envolvimento pessoal e conhecimento dos que comentam sobre esta questão determinam, a meu ver, a realidade e o entendimento equivocado de muitos acerca desta questão. Uma realidade de muita confusão quando se discute o assunto proposto. Cada grupo ou denominação religiosa entende do seu jeito e criam o seu formato, tornando o entendimento correto e bíblico mais uma opinião ou argumentação como as demais.
O que significa ser um pastor, quais os critérios, características e a missão pastoral de acordo com que revela a Palavra de Deus são totalmente negligenciados e toma-se um conceito humano e empresarial para explicar o ofício e as funções de um pastor.
Isso causa muitos conflitos e perturbações à vida da Igreja e por fim incentivam oportunistas, interesseiros e preguiçosos a se candidatarem a futuros ministros.
Não deveria ser assim.
Mas por que isso acontece?
Porque pouco ou nada se ensina sobre o assunto. O pastor ou o educador cristão tem, muitas vezes, receio de ministrar e até falar sobre o que significa ser um pastor do ponto de vista bíblico, porque pensa que estará ministrando em interesse ou defesa própria. E assim, o povo fica sem entender a questão e aí se originam os erros e as distorções existentes.
Por causa também disso, o universo evangélico criou vários tipos de pastores. Vejam alguns deles a seguir:

1. O pastor de “final de semana e feriados”.

Este entende o pastorado como um trabalho complementar e secundário. Somente o exerce quando não realiza outra atividade. Durante a semana possui um emprego e trata de se dedicar a ele e a seus afazeres pessoais. Quando chega o final de semana ou feriado se veste de pastor e vai à igreja pregar e rever seus irmãos. Durante o meio de semana não se pode contar com ele. Estou trabalhando, afirma. Quando perguntam como sustenta a família, ele diz orgulhosamente:
- Tenho o meu trabalho. Não toco em um centavo do dinheiro da igreja.
E isso vai sendo ensinado à congregação que “pastoreia”.

2. O pastor “nominal”.

Este entende o pastorado como uma forma de ostentação. Ama ostentar seu título de pastor nos círculos familiares, eclesiásticos e de relacionamentos. Não se preocupa com o rebanho do Senhor e muito menos com o que pensa o Senhor do rebanho. Está sempre buscando outros e mais títulos, porém sempre com a motivação errada. Ele quer ser destacado entre os demais. O nome de Jesus é só mais um detalhe. O nome dele é que importa ser notado e comentado.
Muitos destes “pastores” se tornam em outro tipo que chamo de “midiáticos”, ou seja, usam a mídia (televisão, rádio, TV a cabo, etc...) para propagar seus devaneios com roupagem de cristianismo com intenções de adquirir fama e prosperidade material às custas do povo desavisado.
E isso vai sendo ensinado à congregação que “pastoreia”.

3. O pastor “profissional”

Este entende o ministério pastoral como mais uma profissão e a Igreja de Cristo como mais uma empresa. Cumpre com suas obrigações trabalhistas, que foram pré-determinadas em sua contratação, e está tranquilamente consciente que pode ser dispensado por seus empregadores se não as cumpri-las. Busca agradar seus “chefes” fazendo aquilo que os agrada, porque se não o fizer pode ficar desempregado.
É um profissional do púlpito. É um político eclesiástico.
E isso vai sendo ensinado à congregação que “pastoreia”.

4. O pastor “falso”.




Este não foi chamado para ser pastor. Não possui vocação e por isso não consegue amar o rebanho como deveria. Pode até ser um bom crente, porém não tem ferramentas espirituais para pastorear e teima em prosseguir. Não deseja se aprofundar no conhecimento bíblico, não deseja se sacrificar em prol do reino de Deus. Não se preparou para o ofício pastoral porque não entende isso ser relevante.
Não possui coração de pastor.
Causa dores e sofrimentos em si e no rebanho. Produz maus costumes e heresias. É motivo de piadas e “chacotas” dos descrentes e até de membros de sua congregação.
E isso vai sendo ensinado à congregação que “pastoreia”.




5. O pastor “enviado de satanás”.

Este entende o que significa o ministério pastoral e por isso, diabolicamente, procura perverte-lo e corrompe-lo diante dos olhos apavorados do povo. Desta forma, tenta produzir falta de credibilidade sobre o ofício e a pessoa dos demais pastores. A desconfiança e incredulidade ao pastorado são suas intenções.
São enviados de satanás para iludir e enganar o povo de Deus e assim deturpar o real sentido e significado da Igreja, das doutrinas bíblicas e do episcopado.
E isso vai sendo ensinado à congregação que “pastoreia”.

6. O pastor “preguiçoso”

Este pensa que ser pastor é ficar à toa. Não aceita trabalhar secularmente, mas também não deseja trabalhar ministerialmente. Não estuda. Não se prepara. Sequer prepara um sermão. O púlpito é muito mais freqüentado por outros irmãos do que por ele. De vez em quando prega e justifica que está dando oportunidades a futuros pregadores. Não freqüenta a EBD, nunca ministrou em uma sala, porque preparar aula dá muito trabalho. Teologia pra ele é “coisa de fariseu”. Delega o que é pra ser delegado e o que não é. Gosta de muito barulho e de chavões. Tudo pra ele é de improviso e diz que é o Espírito Santo. Não gosta e nem sabe planejar nada. Pensar, discernir, refletir pra ele é muito desgastante. Não respeita horários. É um exemplo de falta de sabedoria. O pastorado pra ele é uma fuga da realidade dura da vida. É o preguiçoso por excelência.

Existem outros maus exemplos de "pastores", mas penso que esses já são o bastante.
Diante dessa realidade, não podemos culpar a maioria do povo por não entender o ministério pastoral e considerá-la de forma totalmente equivocada e não bíblica e também de muitos generalizarem e rotularem todos os pastores de “oportunistas, picaretas e desocupados”.
Fundamentando-me biblicamente, como então devemos entender e ensinar a questão à luz das Escrituras Sagradas?

O pastor à Luz da Palavra de Deus.

1. É um crente chamado, vocacionado e capacitado por Deus para exercer tal missão. (todos aqueles que exerceram posições de liderança ou pastoreio no relato bíblico foram chamados pessoalmente por Deus)

2. Sua chamada e vocação são marcadas por um desejo interno, profundo e ardente em cuidar, para Deus e sob Sua direção, de um grupo de crentes por um longo período em locais que ele não escolhe. (nota-se isso claramente nos textos escritos por Paulo, Pedro, João e outros escritores neo-testamentários)

3. Sua chamada e vocação são confirmadas pelas pessoas que pastoreia ou que de alguma forma estiveram sob seus cuidados pastorais. (A "aceitação" da Igreja com relação às cartas neo-testamentárias e a confirmação de que se tratava de escritos inspirados por Deus (canonicidade) corroboram isso)

4. Sua capacitação se dá através de dons espirituais dados por Deus para bem exercer o ofício e ministério pastoral como, por exemplo: dom de pastor, de profeta, de mestre e outros que formam um “pacote” capacitando este crente para pastorear. (os dons alistados em Efésios 4:11 são uma prova de que se trata de dons ministeriais ou para liderança na Igreja. O contexto do capítulo confirma isso.)

5. O amor a Deus e ao rebanho de Deus são marcas visíveis neste crente. Sem isso seria impossível pastorear. Isso o move ao perdão, paciência e perseverança incomuns à maioria dos cristãos. (O amor dos apóstolos e a o amor dos genuínos pastores pelo rebanho e pela Palavra de Deus no transcorrer da história da Igreja são contundentes para corroborar este ponto)

6. Entende que seu pastorado não é uma profissão, mas sim uma missão determinada a Ele por Deus. Ele não é um empresário, muito menos um empregado da Igreja. É um ministro da Palavra de Deus. Seu trabalho é fundamentalmente espiritual. (A Bíblia em sua integralidade confirma isso)

7. Não possui interesses pessoais acima dos espirituais e ministeriais. Não tem dificuldade em renunciar aos seus prazeres e satisfações pessoais em prol do rebanho do Senhor. (As cartas pastorais ensinam largamente esse princípio bíblico da abnegação voluntária)

8. Não busca ostentação e elogios. Não busca enriquecimento material. Busca vidas salvas e libertas para glória de Deus. (As cartas pastorais ensinam largamente esse conceito bíblico)

9. Dedica e administra todo o seu tempo, bens, dons e talentos nas prioridades corretas, ou seja, o espiritual sempre está a frente do material. Mas, não significa que descuide do cuidado pessoal ou de sua família. É um lutador que vive para Deus na dependência Dele dentro dos parâmetros já delineados pelas Escrituras, ou seja, entende que é mordomo e prestará contas a Deus de tudo que lhe foi confiado. (O Senhor Jesus ensinou isso na parábola dos talentos.)

10. Dedica-se a oração, pregação, ao estudo e ao ensino bíblico com responsabilidade e temor. (As orientações paulinas a Timóteo enfatizam também essa questão.)

11. É humilde e reconhece suas limitações. Sabe que mesmo sendo pastor, continua sendo servo. (A Bíblia em sua integralidade ensina isso)

12. É pastor de tempo integral. Está ciente que sua vocação e ofício exigem isso. (Observa-se esse princípio claramente nos ministérios de Pedro, Paulo e demais discípulos. (...)Quem prega a Palavra, que viva da Palavra...)

12. É incansável no cuidado da sã doutrina. Cuida para que os demais irmãos sejam ministrados em todo desígnio de Deus revelado em Sua Palavra. (As cartas pastorais enfocam isso)

13. É sustentado por Deus, através da instrumentalidade da Igreja. Vive nesta dependência alegremente. Se for necessário e temporariamente irá “confeccionar tendas”, mas sabe que isto não é o ideal bíblico para seu ministério. Irá trabalhar para que sua congregação assim entenda o ministério pastoral. (O ministério de Paulo é um bom exemplo disso. Foi obrigado a fazer tendas pela negligência da Igreja com o sustento do apóstolo. É um exemplo do que não é pra ser feito por uma igreja, e não o contrário. O próprio Paulo explica isso em suas cartas)

14. É consciente que somente os que também são vocacionados, como ele o é ao ministério pastoral, conseguem entende-lo completamente. (A Bíblia mostra pelas cartas pastorais que somente um pastor consegue entender outro pastor em todos os aspectos que constituem o ministério pastoral)

15. É consciente que mesmo possuindo dons espirituais não conseguirá pastorear sem a ajuda e direção de Deus. Sabe que quem realiza é Deus.

16. Sabe discernir e alertar o rebanho quando este está em perigo e quando falsos mestres se introduzem nele. (sabe que o Espírito Santo o usa como o atalaia de Deus para a Igreja do Novo Testamento. O princípio ensinado em Ezequiel 33 é aplicável hoje.)

17. Tem consciência que muitas vezes se sentirá solitário e cansado. Mas tem a firme convicção que Deus está com ele e Nele tem suas forças revigoradas pra prosseguir. (Não pode negligenciar o dom que há nele dado por Deus. Continua firme fazendo a obra de um evangelista)

17. Ensina estes itens aos irmãos que pastoreia. (Não tem receio ou medo de “tocar” nesse assunto.)

18. Sabe que desse ensino resultará no bom preparo de outros pastores segundo o coração de Deus.

19. Sabe que nem todos o entenderão.

20. Sabe que Deus o entenderá e apoiará.

Amigos pastores, por amor a Cristo, ensinemos isso ao povo de Deus.
Ainda existem muitos pastores fiéis a Deus e dignos de serem chamados de “homens de Deus”.
Mudemos a concepção que os farsantes produziram em muitos e propaguemos a verdade e dignidade do santo ministério. Rechacemos os lobos em peles de cordeiros. Honremos Aquele que nos chamou.
A Igreja agradece.



Forte abraço,
Em Cristo,

Pr. Magdiel G Anselmo.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Todo CUIDADO ainda é pouco nesses dias.



ACAUTELEMO-NOS contra as recomendações de experiências ou de revelações superiores desvinculadas do texto bíblico. 
CUIDADO com afirmações de santidade excepcional. 
CUIDADO com declarações feitas com zelo marcado por falsidade, orgulho ou amargura. 
CUIDADO com o pastor ou líder que fala muito sobre sua vida, sobre seu ministério, sobre seu trabalho, sobre seus objetivos e desejos e quase NADA sobre Cristo e sua Igreja. 
CUIDADO com um Cristianismo destituído da CRUZ, um Cristianismo que gira em torno do sucesso e não do serviço e da adoração. 
CUIDADO com as "igrejas" que se guiam por visões e "revelações" e não pela pregação e pelo ensino da Palavra. 
CUIDADO com igrejas e líderes que não buscam despertar a consciência das pessoas para o pecado e para o dia do juízo. 
CUIDADO com pregadores que pouco ou quase nada usam a Bíblia em suas mensagens. 
CUIDADO com "igrejas" que não incentivam o uso das Escrituras. 
CUIDADO ... MUITO CUIDADO. 
Não se guie pelo que sente ou pelo o que os outros sentem, guie-se pela Palavra de Deus. Ela é e sempre será inerrante e infalível. Julgue, filtre e prove tudo por meio dela. 
Se assim fizer, Deus lhe dará discernimento para que não seja enganado ou confundido.
O relevante é obedecer ao Deus da Bíblia.
Entenda de uma vez por todas que Deus não lhe direciona para esta ou para aquela denominação ou grupo, Ele lhe direciona e orienta a ter uma vida coerente, alinhada e fiel às Escrituras. Claro que é importante estar congregando com seus irmãos em uma igreja, mas não endeuse sua igreja (denominação), tornando tudo o que ali ocorre como algo que não deva ser julgado criteriosamente à luz da Palavra de Deus.
Portanto, mudanças muitas vezes são necessárias em nossa vida para que não pequemos ou entristeçamos ao Espírito. A verdade é que a responsabilidade por uma vida piedosa é pessoal e não depende de outras pessoas ou mesmo da denominação que congrega. 
Por isso, quando perceber e discernir que aquele grupo ou denominação não segue ou vive o que a Palavra nos revela e ordena, advirta-os para o engano e saia enquanto ainda não foi contaminado pelo erro propagado ali, se afaste dali o mais rápido que puder. Deus sempre lhe apoiará nesses momentos de mudança e lhe fortalecerá nessa atitude de fidelidade às Escrituras.
Portanto, todo cuidado ainda é pouco em dias onde a contaminação do pecado invade os arraiais cristãos.

Pr. Magdiel G Anselmo.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...