sexta-feira, 25 de abril de 2014

Administração e liderança cristã X Administração e liderança empresarial


Diferenças Marcantes e Fundamentais
1. Igreja não é empresa. 
Igreja é a multiforme sabedoria de Deus expressa através de Seus filhos.

2. Pastor não é chefe e muito menos um funcionário. 
Pastor é um líder cristão a serviço de Deus.

3. Crentes não são consumidores
Crentes são filhos de Deus, salvos e remidos pelo e através do sangue de Cristo derramado na Cruz.

4. Jesus não é um produto
Jesus é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.

5. Igreja não visa lucrosvisa abençoar vidas com a pregação do Evangelho.

6. O investimento da Igreja são nas pessoas, não em coisas.

7. A propaganda e o marketing da Igreja é a mensagem da Cruz e não as técnicas e métodos usados pelas agências de propaganda para vender um produto ou serviço.

8. A música na Igreja não é para facilitar a venda ou para entreter ou animar, é para encaminhar à adoração e o louvor a Deus. 
E, em alguns casos, nem necessária é para tais objetivos. Na Igreja não existem artistas, devem existir adoradores.

9. A salvação não é um produto a ser comercializado, é uma operação do Espírito Santo, estrita e exclusivamente espiritual sem nenhum mérito ou merecimento humano (não importando o sacrifício que os homens façam para adquiri-la), orientada e direcionada pela vontade de Deus (convencimento do Espírito), não do homem.

10. Deus não é um dono de uma empresa que busca contratar funcionários competentes e que mereçam um cargo em seu império. Ele é o Justo Juiz que julgará todas as pessoas no dia final separando definitivamente o joio do trigo, os salvos dos condenados, os santos dos ímpios.

Quando é que os pseudo-líderes cristãos das tais "igrejas" do momento entenderão isso? 

Na verdade não são igrejas na concepção bíblica do termo. São empreendimentos empresariais que visam o lucro financeiro e a expansão de seus patrimônios. São aberrações eclesiásticas que perturbam e deturpam a harmonia do arraial do povo de Deus. São grupos que confundem a mente dos desavisados e despreparados, trazendo a escuridão à vida das pessoas que sem conhecimento misturam o santo com o profano, o vil com o puro.
Os que ignoram as advertências da Palavra (Leia a carta de Judas por ex.) caminham a passos largos para a perdição eterna. Triste mas justo fim para os que desprezaram a sabedoria e o conhecimento de Deus. O sofrimento eterno está reservado para os que assim procedem.
Vigiemos para não sermos seduzidos pela tentação da igreja fácil ou da igreja empresa que forma e replica discípulos de Belial.

A Deus toda Glória e Louvor para sempre!

Pr. Magdiel G Anselmo.

Em busca da maturidade cristã



Texto base: 2 Pedro 3:18
Existem crentes que tem muitos anos de vida cristã mas continuam agindo como crianças espirituais. Por que isso? Como isso pode ser?

Para analisar essa questão vamos primeiro fazer uma comparação entre crianças (literalmente falando) e crianças do ponto de vista espiritual (crentes infantis). 

1. Atitudes e características de crianças
a) A criança pergunta muito, mas nem sempre tem paciência em ouvir a resposta.
b) Na maioria das vezes é muito egoísta (tudo é "eu", "meu"...), principalmente se for mimado pelos que deveriam ensina-la corretamente.
c) A criança ama brincar e na maioria das vezes fora de hora.
d) Costuma dormir muito e em qualquer lugar.
e) Gosta muito de guloseimas, doces... enfim, alimentos que tem um sabor bom mas nem sempre alimentam de verdade (diria que nunca). O doce pode até engordar mas jamais alimentar corretamente.
f) A criança se magoa facilmente e fica "de bico".
g) A maioria das crianças acredita fielmente em quem elas gostam. Não importando o que digam, acreditam sem pestanejar. (é aí que mora o perigo muitas vezes pois podem ser facilmente manipuladas)
h) A criança não gosta de disciplina.
i) Geralmente gosta de bagunça, de festa, de barulho...
j) Costuma exagerar nas coisas, é fantasiosa...
k) Geralmente não sabe porque acredita em algo, simplesmente acredita, mas não tem firmeza nessas opiniões quando tem que argumentar sobre elas.
l) Geralmente é muito mais fraca que os adultos.
m) Não entende coisas mais complexas que exijam poder de reflexão ou de discernimento (ora, ela ainda é uma criança...)

Fazendo um paralelo...

Veja que todas essas características ou atitudes de crianças podem ser facilmente relacionadas com "crianças espirituais", ou seja, com os novos na fé, e isso é normal.
Todos os crentes ou são ou já foram assim. Não existem problemas com relação a isso.
Mas imagine uma criança que não cresça nunca, que fique criança e mais, que goste de assim permanecer?
Aqui que se instaura o grande problema. Quando essas crianças não crescem, não amadurecem. Aí podemos perceber um processo patológico, ou seja, uma enfermidade espiritual que pode se tornar um mal ainda maior se não for tratada adequadamente.
O que fazer então? 

Qual o tratamento adequada para crentes crianças que não crescem nunca?

2. Tratamento: 

a) Alimentação Bíblica (2 Timóteo 3:16,17; Jeremias 15:16)
  • Leitura diária
  • Meditação (devocional diário)
  • Memorização de textos chave
  • Estudo bíblico de temas doutrinários
b) Oração (1 Tess. 5:17)
  • Vida de oração diária
  • Aprender a orar
c) Ação (Tiago 1:22)
  • Exercício, prática. (praticar o que aprende no cotidiano)
Aplicando o tratamento surgirão consequências nítidas, como as seguintes:

3. Algumas consequências advindas na vida de um crente que cresce espiritualmente

a) Ama a Deus e as pessoas indistintamente
b) Perdoa as pessoas que as prejudica
c) Busca compreender as limitações das demais pessoas e enfatiza as qualidades, as virtudes.
d) Busca a paz entre as pessoas (é um pacificador) Tiago 4:11; Pv. 11:13.
e) Possui discernimento espiritual (sabe distinguir o certo do errado). Vê além, não é precipitado.
f) Busca sabedoria em Deus para viver.
g) Estuda a Bíblia (geralmente é um frequentador assíduo das EBD's e estudos bíblicos) Tiago 1:5; Pv. 16:20.
h) Aplica a mansidão no que fala e no que faz (não age movido por emoções ou sentimentos) Tiago 1:20
i) É feliz com o que Deus lhe proporciona na vida.
j) Busca ter paciência com as demais pessoas.
k) Tem domínio próprio (equilíbrio)
e outras...

Conclusão e aplicação
Portanto, todos nós temos que crescer espiritualmente. Não podemos ficar sempre como crianças.
Ser criança faz parte da vida cristã, mas não é a sua totalidade.
Cresça, amadureça... essa é a vontade de Deus para sua vida.

"Antescrescei na Graça e no Conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno." 2 Pedro 3: 18

Pr. Magdiel G Anselmo.

A síndrome da preguiça de pensar e repensar


Há uma enfermidade que se alastra cada dia mais na sociedade atual: é a síndrome da preguiça em pensar e repensar, que quando em seu estado mais avançado transforma-se numa outra enfermidade ainda mais séria, a agressividade contra tudo e todos que o contrariam. 
A verdade é que poucos tem o trabalho de raciocinar de verdade e analisar situações, circunstâncias e tudo mais. A tendência a uma superficialidade e uma mediocridade advinda dela está presente em todas as esferas da vida humana nessa sociedade pós moderna que acentua a rapidez e pragmatismo como sendo filosofias de vida a se buscar. O aprofundamento e estudo tem sido deixado de lado e considerado pela imensa maioria como formas antiquadas e "politicamente incorreta" de agir. 
Isso está criando gerações de pessoas que não pensam e aceitam tudo que lhes é imposto sem uma análise e sem uma interpretação correta. As pessoas que imaginam pensar, "pensam" que aquilo que exigirá maior atenção e tempo não é relevante, portanto, descartável e desnecessário.
E aí cresce a geração de "papagaios" que só repetem e replicam opiniões de outros sem a devida, repito, análise.
Quer um exemplo dessa realidade? Veja, existem grandes problemas na forma com que as pessoas pensam e interpretam textos e, conceitos, posições, convicções e princípios advindos deles atualmente. Já algum tempo, a humanidade caminha na tendência de não se aprofundar na leitura e buscar sempre a superficialidade e o imediatismo. Com o advento da internet isso parece que piorou. As pessoas não aceitam ler mais do que três linhas... O twitter está aí pra provar o que digo. 
As pessoas não conseguem interpretar um texto porque simplesmente não o leem. E pior, amam emitir opiniões a partir do que desejam entender e não do que entenderiam ao se ocupar com a leitura na íntegra de um artigo, obra ou postagem e sua devida reflexão. Basta postar uma chamada para uma postagem ou artigo e já aparecem muitos emitindo opinião sem, contudo, ter tido o cuidado de ler a postagem inteira. Pura preguiça e desconhecimento do básico de interpretação de textos.
Certamente, essa tendência tem se infiltrado na Igreja a tempos, com cristãos que não leem a Bíblia ou a leem "em retalhos" e saem emitindo opiniões e até ensinando outros. 
A hermenêutica e a exegese bíblica para esses são apenas termos "esquisitos" falados por teólogos que não tem o que fazer. O bom exercício da leitura e da reflexão do que se leu tem se perdido em meio a essa filosofia pragmática e pós-moderna que incentiva o senso comum e não o senso crítico a respeito do que se é propagado seja em obras escritas, seja pela mídia em geral, seja nos púlpitos das igrejas, seja na academia. 
O bom exemplo dos crentes bereianos de analisar, se aprofundar, confirmar e passar tudo que se ouve, lê e vê pelo crivo bíblico já se torna ultrapassado em muitos locais e grupos. Se você emiti uma opinião contrária, é tratado como inimigo ou insensível, se discorda mas não mostra sua divergência, de covarde ou omisso. Mas poucos decidem conhecer de fato o que escreveu. A grande maioria apenas ataca, ofende, agride...mas não sabe ler, interpretar, e consequentemente, pensar..., discernir espiritualmente, é lamentável. 
Isso confirma e corrobora ainda mais o que penso e creio acerca dos que radicalizam e não possuem equilíbrio necessário para compreender que jamais na história da Igreja houve consenso total sobre questões secundárias (antigas), e as mais recentes então nem se fala. As questões e doutrinas fundamentais da fé cristã devem ser cridas, propagadas e defendidas por todos os cristãos, agora, existem questões secundárias (usos e costumes, metodologias, formas, etc...) que não devem causar contendas ou conflitos desnecessários, a não ser e exceto quando contrariar ou perverter os princípios e valores revelados por Deus em Sua Palavra. Do contrário, não merecem maior atenção dos cristãos responsáveis, sérios e tementes a Deus e não devem dividir de tal forma que causem prejuízos e males ao caminhar da Igreja e sua missão.
Ora, certamente, não é a opinião contrária nessas questões secundárias que divide, é a reação desproporcional, desequilibrada, precipitada e, sem dúvida, nada cristã com relação a elas que assim o faz. Os cristão deveriam aprender a discordar e argumentar honestamente sobre pontos não fundamentais da fé cristã com vistas a edificação e não se fechar aos argumentos contrários que se fundamentam nas Escrituras. Se isso não ocorrer, o aprofundamento necessário na opinião que diverge não será levada em consideração e, acredito, que se perde uma ótima oportunidade de lidar com temas que muitos consideram delicados e complicados (e em sua maior parte o são mesmo). 
Como cristãos deveríamos ouvir atentamente uns aos outros, se amigos, a observação bíblica de "que ferro com ferro se afia" é deveras interessante e adequada aqui. Isso não significa que obrigatoriamente mudaremos nossa opinião ou convicção, mas sem dúvida, tivemos a coragem de por a prova essas mesmas convicções confrontando-as com argumentos e convicções de outros cristãos e homens de Deus. Essa prática é muito saudável, pra não dizer bíblica.
Entretanto, sei que sempre será mais fácil repelir sem analisar, do que refletir para depois reavaliar suas próprias convicções. Mas, deveríamos atentar para o fato de que a primeira nos faz escravos de nosso guetos religiosos e denominacionais, a segunda, nos liberta para crescermos como cristãos e filhos de Deus com visão de Reino... cristãos que pensam, além de crer.
Pense e reflita nisso. Se é que leu até aqui ...



Pr. Magdiel G Anselmo.

Homossexualismo (ou homossexualidade) não é uma doença, é PECADO.



Muitos receiam falar sobre esse tema, pois temem magoar ou ir contra a mentalidade dessa sociedade atual que aceita e até incentiva a homossexualidade. Eu não tenho compromisso com o erro, meu compromisso é com meu Deus e Sua Palavra (e mais, não vejo desamor em falar a verdade) e é nessa Palavra que me fundamento para declarar abertamente a verdade bíblica:
"Homossexualismo é uma prática pecaminosa, considerada abominável do ponto de vista bíblico. Homossexuais que não se arrependerem e deixarem essa prática estão fadados ao inferno".
Essa é a realidade. Não existem meias palavras.
Se quer chamar isso de preconceito ou discriminação, fique à vontade, é um direito seu (assim como tenho o meu de declarar o que penso e creio), eu chamo de Verdade Bíblica, ou você aceita e crê nisso ou não.
Porém, o final não mudará por que não acredita. O final do homossexual que não se arrepender sempre será a condenação eterna, não importa quantos movimentos em defesa dessa prática existam e se levantem contra essa verdade.
Por isso, não se omita em falar a verdade a uma pessoa que pratica esse pecado.
A palavra de ordem é: Arrependa-se enquanto ainda pode! Jesus está voltando !

"Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro"
Romanos 1:26-27.

"Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas (homossexuais passivos ou ativos), nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus.
1 Coríntios 6:9-10

"Não se deite com um homem como quem se deita com uma mulher; é repugnante.
Levítico 18:22

"Se um homem se deitar com outro homem como quem se deita com uma mulher, ambos praticaram um ato repugnante. Terão que ser executados, pois merecem a morte. Levítico 20:13

Entretanto, se tem tendências nessa área ou comete esse pecado:

Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados.
Atos 3:19
O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.
Provérbios 28:13

Deus está pronto a perdoar todo aquele que, honestamente, se arrepender de seus pecados, confessando-os a Ele. Há esperança e salvação para você em Deus. Vá a Ele e seja liberto. (João 3:16; 1 João 1:8-10; 2:1)

Pr. Magdiel G Anselmo.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Conselhos Práticos e as Diferenças no Discipulado de Homens e Mulheres


O discipulado e o aconselhamento cristãos são funções que todo pastor se vê envolvido e comprometido no seu dia-a-dia pastoral. Sabe-se que todo cristão deve, em certo momento de sua vida cristã, ser aconselhado, discipulado e conduzido à luz da Palavra pelo pastor que Deus direcionou e enviou para aquela igreja local. Entretanto, alguns cuidados e e diferenças existem entre realizar esse trabalho com homens e mulheres. 
Esse curto artigo trata desse tema, buscando oferecer alguns conselhos práticos, ressaltando essas diferenças básicas.
Duas questões definirão a nossa discussão: 1) Em que um pastor precisa pensar ao discipular e aconselhar um homem? 2) Em que um pastor precisa pensar ao discipular ou aconselhar uma mulher?

Pensamentos sobre o pastor discipulando homens
O que um pastor precisa ter em mente quando discípula e aconselha homens?

Uma visão bíblica para o discipulado masculino
Comecemos com uma visão bíblica para discipular homens: devemos encorajar a semelhança com Cristo através de discipulado pessoal. Homens cristãos mais velhos devem deliberadamente investir em homens cristãos mais jovens, encorajando seu crescimento espiritual (Tt 2.1).
Nossa visão bíblica pode ser expandida em duas maneiras específicas: 1) devemos encorajar homens a amar a Palavra de Deus (Sl 1.2; Js 1.8) e a amar o povo de Deus (Ef 4.11-16); 2) devemos encorajar os homens a uma liderança forte, sacrificial e servil no lar e na igreja. Homens são chamados a olhar para Cristo, imitando o seu serviço sacrificial que concede vida (Ef 5.21-33).

Estratégia prática para o discipulado masculino
Movendo da visão para a estratégia, vale a pena notar que pastores frequentemente negligenciam o desenvolver de fortes homens líderes na congregação, porque usam o seu tempo e energia defensivamente. A tirania da urgência governa as suas agendas. Eles permitem que seu tempo seja gasto de maneira reativa a várias crises, ou preparando lições, sermões e eventos para o domingo seguinte. Como resultado, muitos pastores não têm estratégia de longo prazo para cultivar liderança masculina na igreja e em casa. Como conseguimos tal estratégia?
Comece com pouco. Escolha poucos homens que têm o potencial para ser bons líderes e organize almoços regulares com eles. Seja proativo em construir um relacionamento com esses homens. E, se você tem uma equipe de liderança, encoraje-os a fazer o mesmo.
Discipular homens é extremamente importante. Como pastor, você deve ser exemplo para outros nisso. Mas se você quer mais resultados, você pode considerar desenvolver um grupo de discipulado masculino que ajude os homens a pensar teologicamente a respeito de tudo na vida. Escolha bons recursos teológicos que ajudem os homens a aplicar teologia a questões como casamento, comunicação, finanças, sexo, paternidade, trabalho secular, etc. 

Pensamentos sobre o pastor discipulando mulheres
Se pastores deveriam discipular homens para serem líderes no lar e na igreja, como isso difere de discipular mulheres?

Uma visão bíblica para o discipulado feminino
Comecemos novamente com uma visão bíblica. Assim como com os homens, os pastores deveriam buscar encorajar uma maior semelhança com Cristo em discipulado pessoal, só que nesse caso, as mulheres devem fazer a grande maioria desse discipulado. No curso normal dos relacionamentos na igreja, os homens devem discipular homens e mulheres devem discipular mulheres. Então encoraje cristãs mais velhas a investir nas cristãs mais novas, ajudando-as a crescer espiritualmente, o que é precisamente o que Paulo manda Tito a fazer, ou seja, instruir as mulheres em sua igreja (Tt 2.3-5).
Como, então, um pastor (que é homem) deveria pensar sobre conhecer, cuidar e pastorear as mulheres em sua congregação?
Se pensamos em discipulado como orientação de longo prazo deliberada, não parece sábio que um pastor discipule uma mulher (por exemplo, encontrando-se com ela semanalmente ao longo de um ano). Nós devemos reservar esse tipo de orientação espiritual intensa para relacionamentos de gêneros específicos. Nos resta, então,o aconselhamento, que é uma atividade  de curto prazo.
Embora alguns argumentem que pastores nunca deveriam aconselhar uma mulher, isso não parece estar em concordância com o que a Escritura diz sobre o pastor conhecendo todas as suas ovelhas (At 20.28; Jo 10.12, 16), e o exemplo específico que Jesus define para nós. Em João 4, Cristo tem uma conversa muito pessoal com uma mulher samaritana, entre os dois somente. Pastores precisam sim pastorear pessoalmente as mulheres em suas congregações.
Quais são algumas das coisas específicas que os pastores deveriam encorajar as mulheres a fazer? Pastores devem encorajar o amor delas pela Palavra e pela igreja, o respeito pela autoridade, o desejo de tornar o lar primário (mesmo que elas trabalhem fora de casa) e o crescimento em evangelismo pessoal. Para mulheres casadas, os pastores devem encorajar a suscetibilidade à liderança do marido. Para mulheres solteiras, os pastores devem encorajá-las a seguir a autoridade piedosa na igreja, especialmente quando seu pai não está envolvido espiritualmente em sua vida.
Ainda assim, os pastores devem primariamente buscar pastorear mulheres nesses caminhos através da capacitação de mulheres na congregação para discipular outras mulheres. Como pastores podem facilitar e construir essa cultura de mulheres discipulando mulheres?

Estratégia prática no discipulado feminino
Para construir uma cultura na igreja que encoraja o discipulado entre mulheres, os pastores devem ensinar sobre a importância do discipulado sempre que isso naturalmente surgir na Escritura durante uma série de sermões nos domingos. O objetivo nisso é encorajar as mulheres mais velhas da igreja a discipular as mais jovens.
Podemos também ensinar sobre discipulado em outros locais. Por exemplo, na minha igreja nós regularmente oferecemos um seminário no sábado sobre discipulado para ajudar novos membros a pensar em como serem discipulados e em como discipular outros. Também oferecemos uma classe de EBD de três meses de duração sobre discipulado todos os anos. Na última vez que ensinamos na classe, eu abordei várias mulheres mais velhas na igreja e as encorajei a participar. Ensino e modelo ajudam a construir uma cultura na igreja que leva a sério o discipulado.
Essas são algumas maneiras de construir uma cultura de discipulado, mas como o pastor pastoreia pessoalmente os membros do sexo feminino? Obviamente, haverá diversas oportunidades para fazer reuniões de aconselhamento em grupo, onde o pastor fornece conselhos gerais e aconselhamento bíblico para os problemas diários da vida.
Se o problema requer mais do que uma reunião, o pastor tem que julgar quando o aconselhamento de curto prazo precisa passar a ser um discipulado de longo prazo. Mas antes que as coisas sequer alcancem esse ponto, muitos pastores precisam parar de se reunir por causa das pressões de suas agendas cheias. Ao invés de eles mesmos se reunirem com as mulheres, eles sabiamente conectam o membro do sexo feminino com outra pessoa na igreja (como um membro feminino da diretoria, a esposa do pastor ou uma mulher mais velha na congregação) ou alguém de fora que possa ajudar (como uma conselheira local ou uma organização paraeclesiástica que seja especializada em questões como violência doméstica).

Para aconselhar mulheres sabiamente, os pastores precisam criar alguns limites:

1.                    Limite o número de reuniões que você tem com qualquer mulher. Você deve ser cuidadoso para não alimentar uma dependência emocional do pastor. Especialmente, no caso de mulheres em maus casamentos, você não deve ser um substituto emocional ou espiritual de seus maridos.

2.                    Seja muito, muito cauteloso com mulheres emocionalmente dependentes. Mulheres muito necessitadas anseiam por encontrar um homem que deem atenção a elas, e pastores frequentemente possuem um ouvido compreensivo e são bons ouvintes. Embora você deva sim oferecer aconselhamento gentil e piedoso, você não deve alimentar intimidade ou dependência emocional errôneas.

3.                    Sempre que possível — dependendo da situação de sua família — inclua a sua esposa.

4.                    Certifique-se de fazer o aconselhamento em um gabinete onde você seja sempre muito visível. Coloque a sua cadeira na linha de visão daqueles fora do gabinete. Se a porta do seu gabinete não tiver vidro, substitua por uma que tenha.

5.                    Faça aconselhamento com mulheres apenas durante horário comercial, para que a secretária da igreja ou outros funcionários estejam presentes no prédio da igreja. Nunca fique sozinho com uma mulher na igreja para que você seja sempre irrepreensível (1Tm 3.2).

6.                    Se possível, posicione a mesa da secretária próximo à porta do seu gabinete.

7.                    Alguns pastores preferem manter a porta escorada levemente aberta (ou totalmente aberta), certificando-se de que, caso a secretária ouça a conversa, mantenha o sigilo.

8.                    Não faça aconselhamento em uma parte isolada da igreja, mas em algum lugar onde haja bastante movimento, com pessoas passando constantemente.

9.                    Certifique-se de que pelo menos um membro da diretoria conheça (ou pelo menos tenha acesso à) sua agenda. Se ninguém mais sabe o que você está fazendo, há mais potencial para você esconder coisas.

10.                 Certifique-se de que você tenha uma prestação de contas regular com outro pastor ou líder em sua igreja, o que inclui conversar sobre as suas mais difíceis situações de aconselhamento.

O privilégio de pastorear o rebanho de Jesus
Que privilégio imenso é ser um pastor auxiliar de Jesus. Quer sejam homens ou mulheres, esperamos cuidar bem das ovelhas confiadas ao nosso cuidado. Pastores, aprendam com o exemplo de Cristo: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11).

Pr. Magdiel G Anselmo.
Adaptado do texto original de Deepak Reju.
Fonte: Editora Fiel
Tradução: Alan Cristie



Carta Aberta aos Grupos de Louvor

  


Querido Grupo de Louvor,

Eu aprecio muito a sua disponibilidade e desejo de oferecer seus dons a Deus em adoração. Aprecio sua devoção e celebro sua fidelidade — arrastando-se para a igreja cedo, domingo após domingo, separando tempo para ensaiar durante a semana, aprendendo e escrevendo novas canções, e tantas coisas mais. Assim como aqueles artistas e artesãos que Deus usou para criar o tabernáculo (Êxodo 36), vocês são dispostos a dispor seus dons artísticos a serviço do Deus Triuno.
Portanto, por favor, recebam esta pequena carta no espírito que ela carrega: como um encorajamento a refletir sobre a prática de “conduzir a adoração”. A mim parece que vocês frequentemente simplesmente optaram por uma prática sem serem encorajados a refletir em sua lógica, sua “razão de ser”. Em outras palavras, a mim parece que vocês são frequentemente recrutados a “conduzir a adoração” sem muita oportunidade de parar e refletir na natureza da “adoração” e o que significaria “conduzir”.
Especificamente, minha preocupação é que nós, a Igreja, tenhamos involuntariamente encorajado vocês a simplesmente importar práticas musicais para a adoração cristã que — ainda que elas possam ser apropriadas em outro lugar — sejam prejudiciais à adoração congregacional. Mais enfaticamente, às vezes me preocupo de que tenhamos involuntariamente encorajado vocês a importar certas formas de execução que são, efetivamente, “liturgias seculares” e não apenas “métodos” neutros. Sem perceber, as práticas dominantes de execução nos treinam a relacionar com a música (e os músicos) de certa maneira: como algo para o nosso prazer, como entretenimento, como uma experiência predominantemente passiva. A função e o objetivo da música nestas “liturgias seculares” é bem diferente da função e o objetivo da música na adoração cristã.
Então deixe-me oferecer apenas alguns breves conceitos com a esperança de encorajar uma nova reflexão na prática da “condução da adoração”:

1. Se nós, a congregação, não conseguimos ouvir a nós mesmos, não é adoração. 
A adoração cristã não é um concerto. Em um concerto (uma particular “forma de execução”), nós frequentemente esperamos ser sobrepujados pelo som, particularmente em certos estilos de música. Em um concerto, nós acabamos esperando aquele estranho tipo de privação dos sentidos que acontece com a sobrecarga sensorial, quando o golpe do grave em nosso peito e o fluir da música sobre a multidão nos deixa com a sensação de uma certa vertigem auditiva. E não há nada de errado com concertos! Só que a adoração cristã não é um concerto. A adoração cristã é uma prática coletiva, pública e congregacional — e o som e a harmonia reunidos de uma congregação cantando em uníssono é essencial à prática da adoração. É uma maneira “desempenhar” a realidade de que, em Cristo, nós somos um corpo. Mas isso requer que nós na verdade sejamos capazes de ouvir a nós mesmos, e ouvir nossas irmãs e irmãos cantando ao nosso lado. Quando o som ampliado do grupo de louvor sobrepuja às vozes congregacionais, não podemos ouvir a nós mesmos cantando — então perdemos aquele aspecto de comunhão da congregação e somos encorajados a efetivamente nos tornarmos adoradores “privados” e passivos.

2. Se nós, a congregação, não podemos cantar juntos, não é adoração. 
Em outras formas de execução musical, os músicos e as bandas irão querer improvisar e “serem criativos”, oferecendo novas execuções e exibindo sua virtuosidade com todo tipo de diferentes trills e pausas e improvisações na melodia recebida. Novamente, isso pode ser um aspecto prazeroso de um concerto, mas na adoração cristã isso significa apenas que nós, a congregação, não conseguimos cantar junto. Então sua virtuosidade desperta nossa passividade; sua criatividade simplesmente encoraja nosso silêncio. E enquanto vocês possam estar adorando com sua criatividade, a mesma criatividade, na verdade, desliga a canção congregacional.

3. Se vocês, o grupo de louvor, são o centro da atenção, não é adoração. 
Eu sei que geralmente não é sua culpa que os tenhamos colocado na frente da igreja. E eu sei que vocês querem modelar a adoração para que nós imitemos. Mas por termos encorajado vocês a basicamente importar formas de execução do local do concerto para o santuário, podemos não perceber que também involuntariamente encorajamos a sensação de que vocês são o centro das atenções. E quando sua performance se torna uma exibição de sua virtuosidade — mesmo com as melhores das intenções — é difícil opor-se à tentação de fazer do grupo de louvor o foco de nossa atenção. Quando o grupo de louvor executa longos riffs, ainda que sua intenção seja “ofertá-los a Deus”, nós na congregação nos tornamos completamente passivos, e por termos adotado o hábito de relacionar a música com os Grammys e o local de concerto, nós involuntariamente fazemos de vocês o centro das atenções. Me pergunto se há alguma ligação intencional na localização (ao lado? conduzir de trás?) e na execução que possa nos ajudar a opor-nos contra estes hábitos que trazemos conosco para a adoração.

Por favor, considerem estes pontos com atenção e reconheçam o que eu não estou dizendo. Este não é apenas algum apelo pela adoração “tradicional” e uma crítica à adoração “contemporânea”. Não pense que isto é uma defesa aos órgãos de tubos e uma crítica às guitarras e baterias (ou banjos e bandolins). Minha preocupação não é com o estilo, mas com a forma: O que estamos tentando fazer quando “conduzimos a adoração?” Se temos a intenção que a adoração seja uma prática congregacional de comunhão que nos traz a um encontro dialógico com o Deus vivo — em que a adoração não seja meramente expressiva, mas também formativa (1) — então podemos fazer isso com violoncelos, guitarras, órgãos de tubos ou tambores africanos.
Muito, muito mais poderia ser dito. Mas deixe-me parar por aqui, e por favor receba esta carta como o encorajamento que ela foi feita para ser. Eu adoraria vê-los continuar a oferecer seus dons artísticos ao Deus Triuno que está nos ensinando uma nova canção.
Sinceramente,
Jamie
________________
Notas:

(1) De acordo com o The Colossian Forum, a despeito de a adoração ser encarada hoje em dia apenas como algo que se vai em direção a Deus (expressão), ao longo da história ela sempre foi encarada também como a causadora de algo em nós (formação). “A adoração cristã é também uma prática formativa justamente porque a adoração também é um encontro ‘descendente’ no qual Deus é o atuante primário” (Fonte: http://www.colossianforum.org/2011/11/09/glossary-worship-expression-and-formation/). [N. do T.]

Por James K.A. Smith. Original: forsclavigera.blogspot.com.br
Tradução: canteasescrituras.com
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.


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