quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

CARNAVAL - A FESTA DA CARNE



Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo,vivereis.
 (Rm 8.13)

O carnaval no Brasil, uma das mais conhecidas festas populares do mundo, é totalmente contrário aos valores cristãos. Mas, por outro lado, não podemos deixar de considerar que esta festa é uma manifestação folclórica e cultural do povo brasileiro. Será que o carnaval, na proporção que vemos hoje – com suas mais variadas atrações, com direito a escândalos e tudo, envolvendo políticos (quem não se lembra do episódio ocorrido com Itamar Franco?) e alcançando as camadas mais humildes da sociedade – é o mesmo de antigamente? Onde e como teve início o carnaval? Qual tem sido a sua trajetória, desde o seu princípio até os dias atuais? Existem elementos éticos em sua origem? São perguntas que, na medida do possível, estaremos respondendo no artigo que segue.

Origem histórica da festa do rei Momo

A palavra carnaval deriva da expressão latina carne levare, que significa abstenção da carne. Este termo começou a circular por volta dos séculos XI e XII para designar a véspera da quarta-feira de cinzas, dia em que se inicia a exigência da abstenção de carne, ou jejum quaresmal. Comumente os autores explicam este nome a partir dos termos do latim tardio carne vale, isto é, adeus carne, ou despedida da carne; esta derivação indicaria que no carnaval o consumo de carne era considerado lícito pela última vez antes dos dias do jejum quaresmal - outros estudiosos recorrem à expressão carnem levare, suspender ou retirar a carne: o Papa São Gregório Magno teria dado ao último domingo antes da quaresma, ou seja, ao domingo da qüinquagésima, o título de dominica ad carnes levandas; a expressão haveria sido sucessivamente abreviada para carnes levandas, carne levamen, carne levale, carneval ou carnaval – um terceiro grupo de etmologistas apela para as origens pagãs do carnaval: entre os gregos e romanos costumava-se exibir um préstito em forma de nave dedicada ao deus Dionísio ou Baco, préstito ao qual em latim se dava o nome de currus navalis: de onde vem a forma carnavale.
Segundo o historiador José Carlos Sebe, ao carnaval estão relacionadas as festas e manifestações populares dos mais diversos povos, tais como o purim, judaico, e as saturnálias e as caecas, babilônicas, manifestações que contribuíram muito para o carnaval atual.
A real origem do carnaval é um tanto obscura. Alguns historiadores assentam sua procedência sobre as festas populares em honra aos deuses pagãos Baco e Saturno. Em Roma, realizavam-se comemorações em homenagem a Baco (deus de origem grega conhecido como Dionísio e responsável pela fertilidade. Era também o deus do vinho e da embriaguez). As famosas bacanais eram festas acompanhadas de muito vinho e orgias, e também caracterizadas pela alegria descabida, eliminação da repressão e da censura e liberdade de atitudes críticas e eróticas. Outros estudiosos afirmam que o carnaval tenha sido, talvez, derivado das alegres festas do Egito, que celebravam culto à deusa Isís e ao deus Osíris, por volta de 2000 a.C.
A Enciclopédia Britânnica afirma: Antigamente o carnaval era realizado a partir da décima segunda noite e estendia-se até a meia-noite da terça-feira de carnaval2. Outra corrente de pensamento entende que o carnaval teve sua origem em Roma. Enquanto alguns papas lutaram para acabar com esta festa (Clemente, séculos IX e XI, e Benedito, século XIII), outros, no entanto, a patrocinavam.
A ligação desta festa com o povo romano tornou-se tão sólida que a Igreja Romana preferiu, ao invés de suspendê-la, dar-lhe uma característica católica. Ao olharmos para países como Itália, Espanha e França, vemos fortes denominadores comuns do carnaval em suas culturas. Estes países sofreram grandes influências romanas. O antigo Rei das Saturnais, o mestre da folia, é sempre morto no final das antigas festas pagãs.
Vale ressaltar que O festival Dionisíaco expõe em seu tema um grande contra-senso, descrito na The Grolier Multimedia. Enciclopédia, 1997: A adoração neste festival é chamada de Sparagmos, caracterizada por orgias, êxtase e fervor ou entusiasmo religioso. No entanto, seu significado é descrito no mesmo parágrafo da seguinte forma: Deixar de lado a vida animal, a comida dessa carne e a bebida desse sangue.

A origem do carnaval no Brasil

O primeiro baile de carnaval realizado no Brasil ocorreu em 22 de janeiro de 1841, na cidade do Rio de Janeiro, no Hotel Itália, localizado no antigo Largo do Rócio, hoje Praça Tiradentes, por iniciativa de seus proprietários, italianos empolgados com o sucesso dos grandes bailes mascarados da Europa. Essa iniciativa agradou tanto que muitos bailes o seguiram. Entretanto, em 1834, o gosto pelas máscaras já era acentuado no país por causa da influência francesa.
Ao contrário do que se imagina, a origem do carnaval brasileiro é totalmente européia, sendo uma herança do entrudo português e das mascaradas italianas. Somente muitos anos depois, no início do século XX, foram acrescentados os elementos africanos, que contribuíram de forma definitiva para o seu desenvolvimento e originalidade.
Nessa época, o carnaval era muito diferente do que temos hoje. Era conhecido como entrudo, festa violenta, na qual as pessoas guerreavam nas ruas, atirando água uma nas outras, através de bisnagas, farinha, pós de todos os tipos, cal, limões, laranjas podres e até mesmo urina. Quando toda esta selvageria tornou-se mais social, começou então a se usar água perfumada, vinagre, vinho ou groselha; mas sempre com a intenção de molhar ou sujar os adversários, ou qualquer passante desavisado. Esta brincadeira perdurou por longos anos, apesar de todos os protestos. Chegou até mesmo a alcançar o período da República. Sua morte definitiva só foi decretada com o surgimento de formas menos hostis e mais civilizadas de brincar, tais como o confete, a serpentina e o lança-perfume. Foi então que o povo trocou as ruas pelos bailes.

Símbolos carnavalescos

Como em qualquer manifestação popular, o carnaval também se utilizou de formas simbólicas para aguçar a criatividade do povo e, conseqüentemente, perpetuar sua história. As fantasias apareceram logo após as máscaras, por volta de 1835, dando um colorido todo especial à festa. Com o passar dos anos, as pessoas iam perdendo a inibição e as fantasias, que a princípio eram usadas como disfarce (por serem quentes demais), foram dando lugar a trajes cada vez mais leves, chegando ao nível que vemos hoje, de quase completa nudez. Independente das mudanças, os grandes bailes, portanto, permaneceram realizando concursos de fantasias, incentivando a competição entre grandes figurinistas e modelos.
Como já foi citado, o primeiro baile de carnaval no Brasil foi realizado em 1841, na cidade do Rio de Janeiro, e, desde então, não parou mais. No começo eram apenas bailes de máscaras e a música era a polca, a valsa e o tango. Havia também coros de vozes para animar a festa. Nota-se que nem sempre foi tocado o samba, mas modinhas. Os escravos contribuíram com o carnaval com um estilo de música chamado lundu, ritmo trazido de Angola. Tal ritmo, no entanto, por ser considerado indecente, limitava-se apenas às senzalas. Contudo, permaneceu durante todo o século XIX.
Com esta fusão de ritmos nasce o semba, uma expressão do dialeto africano quibundo. Essa expressão passou por uma culturação e se tornou o que chamamos hoje de samba. O samba se popularizou nos entrudos, pois em sua origem este ritmo não era propriamente música, mas uma dança feita nos quilombos. Todo este contexto histórico nos leva até os anos 20, ocasião em que nasce aquilo que hoje é chamado de a excelência do samba, ou seja, o samba de enredo.
O carnaval hoje conta com bailes de todos os tipos, como o baile à fantasia, baile da terceira idade, matinês para crianças, bailes de travestis, entre outros. Os embalos musicais destes bailes contam com o bater dos surdos e o samba é o ritmo predominante. Também toca-se axé music, um estilo baiano. No carnaval hoje não se dança mais, pula-se.

Desfiles das Escolas de Samba

Iniciou-se no começo do século XX com os blocos, mas somente nos anos 60 e 70 é que acontece no carnaval brasileiro a chamada Revolução Plástica, com a participação da classe média na folia e todos os seus valores estéticos e estilísticos, que viriam incrementar todo o contexto das escolas de samba.
Os desfiles das escolas de samba são, sem dúvida, o ponto alto do carnaval brasileiro, turistas vêem de todos os cantos e pagam pequenas fortunas para assistirem ao desfile. Outras tantas pessoas perdem noites de sono vendo a festa pela televisão.
A competição entre as escolas de samba é ferrenha, e não raro ocorrem brigas entre seus líderes (leia-se presidentes) durante a apuração dos resultados, pois os pontos são disputados um a um, para que, ao final, se saiba quem foi a grande campeã do carnaval.
Um detalhe importante. A oficialização do desfile das escolas aconteceu em 1935, com a fundação do Grêmio Recreativo Escola de Samba. Antes desta data, porém, mais precisamente em 1930, já se via desfiles nas ruas do Rio de Janeiro.

O carnaval e a igreja católica romana

Devido à sua origem pagã, e pelo fato de ser uma festa um tanto obscena, a relação entre a Igreja Romana e o carnaval nunca foi amigável. No entanto, o que prevaleceu por parte da igreja foi uma atitude de tolerância quanto à essa manifestação, até porque a liderança da igreja não conseguiu eliminá-la do calendário. A solução, então, foi: se não pode vencê-los, junte-se a eles. Daí, no século XV, a festa da carne, por assim dizer, foi incorporada ao calendário da igreja, sendo oficializado como a festa que antecede a abstinência de carne requerida pela quaresma: Por fim, as autoridades eclesiásticas conseguiram restringir a celebração oficial do carnaval aos três dias que precedem a quarta-feira de cinzas (em nossos tempos, alguns párocos bem intencionados promovem, dentro das normas cristãs, folguedos públicos nesse tríduo a fim de evitar que sejam os fiéis seduzidos por divertimentos pouco dignos). Como se vê, a igreja não instituiu o carnaval; teve, porém, de o reconhecer como fenômeno vigente no mundo em que ela se implantou. Sendo em si suscetível de interpretação cristã, ela o procurou subordinar aos princípios do Evangelho; era inevitável, porém, que os povos não sempre observassem o limite entre o que o carnaval pode ter de cristão e o que tem de pagão. Esta claro que são contrários às intenções da igreja os desmandos assim verificados. Em reparação dos mesmos foram instituídas adoração das quarenta horas e as práticas de retiros espirituais nos dias anteriores à quarta-feira de cinzas.
José Carlos Sebe escreveu: Apenas no século XV, provavelmente movido pelo sucesso popular da festa, o Papa Paulo II a incorporou no calendário cristão. Aliás, Paulo II foi mais longe, chegando a patrocinar toda uma rica celebração antes do advento da Quaresma. Não apenas o carnaval popular foi organizado pelos papas. Paulo IV promoveu uma terça-feira gorda, um lauto jantar onde compareceu o sacro colégio romano, e o festim regado a vinho pôde ser considerado uma das primitivas celebrações em salão fechado.
A tentativa da Igreja Católica Romana na cristianização do carnaval e sua atual justificativa é totalmente inconseqüente, infeliz e irresponsável. Não existe uma referência bíblica sequer favorável ao seu argumento. Pelo contrário. Existe todo um contexto bíblico explicitamente contrário à essa manifestação popular. Todos os especialistas cristãos sabem muito bem quando devem aplicar a transculturação cristã em determinada manifestação cultural (como exemplo, o Natal, período em que ocorre a mudança do objeto de culto e a extirpação total da velha ordem, transformação das simbologias e referências). Sabem também quando à determinada comemoração popular é impossível aplicar quaisquer processos de cristianização.
O carnaval é um exemplo real da sobrevivência do paganismo, com todos os seus elementos presentes. É a explicita manifestação das obras da carne: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes. O apóstolo Paulo declara inequivocamente que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (Gl 5.19-21).

Posição da igreja evangélica no período do carnaval

Como pudemos observar, o carnaval tem sua origem em rituais pagãos de adoração a deuses falsos. Trata-se, por isso, de uma manifestação popular eivada de obras da carne, condenadas claramente pelas Sagradas Escrituras. Seja no Egito, Grécia ou Roma antiga, onde se cultua, respectivamente, os deuses Osíris, Baco ou Saturno, ou hoje em São Paulo, Recife, Porto Alegre ou Rio de Janeiro, sempre notaremos bebedeiras desenfreadas, danças sensuais, música lasciva, nudez, liberdade sexual e falta de compromisso com as autoridades civis e religiosas. Entretanto, não podemos também deixar de abordar os chamados benefícios do carnaval ao país, tais como geração de empregos, entrada de recursos financeiros do exterior através do turismo, aumento das vendas no comércio, entre outros.
Traçando o perfil do século XXI, não é possível isentar a igreja evangélica deste momento histórico. Então, qual deve ser a posição do cristão diante do carnaval? Devemos sair de cena para um retiro espiritual, conforme o costume de muitas igrejas, a fim de não sermos participantes com eles (Ef.5.7)? Devemos, por outro lado, ficar aqui e aproveitarmos aoportunidade para a evangelização? Ou isso não vale a pena porque, especialmente neste período, o deus deste século lhes cegou o entendimento (2 Co.4.4) ?
Creio que a resposta cabe a cada um. Mas, por outro lado, a personalidade da igreja nasce de princípios estreitamente ligados ao seu propósito: fazer conhecido ao mundo um Deus que, dentre muitos atributos, é Santo.
Há quem justifique como estratégia evangelística a participação efetiva na festa do carnaval, desfilando com carros alegóricos e blocos evangélicos, o que não deixa de ser uma tremenda associação com a profanação. Pergunta-se, então: será que deveríamos freqüentar boates gays, sessões espíritas e casas de massagem, a fim de conhecer melhor a ação do diabo e investir contra elas? Ou deveríamos traçar estratégias melhores de evangelismo?
No carnaval de hoje, são poucas as diferenças das festas que o originaram, continuamos vendo imoralidade, música lasciva, promiscuidade sexual e bebedeiras.
José Carlos Sebe, no livro Carnaval de Carnavais, página 16, descreve, segundo George Dúmezil (estudioso das tradições mitológicas): O carnaval deve ser considerado sagrado, porque é a negação da rotina diária. Ou seja, é uma oportunidade única para extravasar os desejos da carne, e dentro deste contexto festivo, isto é sagrado, em nada pervertido. Na página 17, o mesmo autor descreve: Beber era um recurso lógico para a liberação pessoal e coletiva. A alteração da rotina diária exigia que além da variação alimentar, também o disfarce acompanhasse as transformações.
Observe ainda o que diz Manuel Gutiérez Estéves: No passado, faziam-se nos povoados, mas sobretudo nas cidades, diversos tipos de reuniões em que todos os participantes aparentavam algo diferente daquilo que, na realidade, eram. A pregação eclesiástica inseriu na mensagem estereotipada do carnaval a combinação extremada da luxúria com a gula. Não falta, sem dúvida, fundamento para isto.
Como cristãos, não podemos concordar e muito menos participar de tal comemoração, que vai contra os princípios claros da Palavra de Deus: Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito (Rm 8.5-8). Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus (1 Co 6.20).

Evangelismo ou retiro espiritual?

A maioria das igrejas evangélicas, hoje, tem sua própria opinião quanto ao tipo de atividade que deve ser realizada no período do carnaval. Opinião esta que, em grande parte, apoia-se na teologia que cada uma delas prega. Este fato é que normalmente justifica sua posição. A saber: enquanto umas participam de retiros espirituais, outras, no entanto, preferem ficar na cidade durante o carnaval com o objetivo de evangelizar os foliões.
Primeiramente, gostaríamos de destacar que respeitamos as duas posições, pois cremos que os cristãos fazem tudo por amor ao Senhor e com a intenção de ganhar almas para Jesus e edificar o corpo de Cristo (Cl 3.17). Entendemos, também, o propósito dos retiros espirituais: momentos de maior comunhão com o Senhor que tem feito grandes coisas em nossas vidas. Muitos crentes têm sido edificados pela pregação da Palavra e atuação do Espírito Santo nos acampamentos promovidos pelas igrejas. Todavia, a visão de aproveitarmos o carnaval para testemunhar é pouco difundida em nosso meio. Na Série Lausanne, encontra-se uma descrição sobre a necessidade da igreja ser flexível. A consideração é feita da seguinte forma: o processo de procura de novas estruturas nos levará, seguidamente, a um exame mais íntimo do padrão bíblico e a descoberta de que um retorno ao modelo das Escrituras e sua adaptação aos tempos atuais é básico à renovação e à missão . 
Entendemos, com isso, que, em meio à pressão provocada pela mundo, a igreja deve buscar estratégias adequadas para posicionar-se à estas mudanças dentro da Palavra de Deus, e não dentro de movimentos contrários a ela. A Bíblia é a fonte, e não os fatores externos.
Cristãos de todos os lugares do Brasil possuem opiniões diferentes a respeito da maneira adequada para a evangelização no período do carnaval. Mas devemos notar que Cristo nunca perdeu uma oportunidade para pregar, nem mesmo fugia das interrogações ou situações religiosas da época. Não podemos deixar de olhar o que está escrito na Bíblia: Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina (2 Tm 4.2). Aqui o apóstolo Paulo exorta a Timóteo a pregar a Palavra em qualquer situação, seja boa ou má. A Palavra deve ser anunciada. Partindo deste princípio, não devemos deixar de levar o evangelho, não importando o momento.
Assim, devemos lançar mão da sabedoria que temos recebido do Senhor e optar pela melhor atividade para a nossa igreja nesse período tão sombrio que é o carnaval. A igreja jamais pode ser omissa quanto a esse assunto. O cristão deve ser sábio ao tomar sua decisão, sabendo que: Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus (Ef 2.2-6).

Curiosidades do carnaval

Turismo - Rio de Janeiro - Em 1999, cerca de 250 mil turistas visitaram a cidade, 61% de fora do país.
Nordeste - nos últimos anos, uma média de 700 mil turistas desembarcaram em Recife.
Dinheiro - Em 1999, no Rio de Janeiro, cada escola recebeu R$ 500 mil da Prefeitura. Escolas de samba como Imperatriz Leopondinense e Beija-flor de Nilópolis chegaram a gastar R$ 1,5 Bilhão com o desfile. A Paraíso do Tuiuts (de onde?) desfilou com um orçamento mais modesto: R$ 800 mil. Em 2000, as escolas de samba (seria bom citar o local dessas escolas) desembolsaram uma quantia aproximada em nada mais nada menos do que R$ 22,5 milhões, sendo que cada delas levou R$ 500 mil, somando um total de R$ 7,5 milhões gastos pela Prefeitura (Aqui se refere ao Rio de Janeiro, apenas?).
Acidentes - Só no ano de 1999 foram registrados, pela Polícia Rodoviária Federal, 2468 acidentes nas estradas do país, com 150 mortos e mais de 551 feridos. 

As armas da festa

Confete - Procedente da Espanha, veio para o Brasil em 1892;
Serpentina. De origem francesa, chega ao país também em 1892;
Lança-perfume - Bisnaga de vidro ou metal (hoje feita de plástico), que continha éter perfumado. De origem francesa, chegou ao Brasil em 1903.

O rei momo no carnaval carioca

De origem greco-romana, Momo é a figura mais tradicional do carnaval. Segundo consta a lenda, ele foi expulso do Olimpo, habitação dos deuses, por causa de sua irreverência.
Nas festas de homenagem ao deus Saturno, na antiga Roma, o mais belo soldado era escolhido para ser o rei Momo. No final das comemorações, o eleito era sacrificado a Saturno em seu altar.
O rei Momo foi introduzido no carnaval carioca em 1933. Sua figura era representada por um boneco de papelão. Em 1949, no entanto, o boneco de papelão foi substituído por personalidades importantes da época. Em 1950, esta festa popular deixou de contar apenas com a representação do rei Momo, surgindo, então, as rainhas e princesas do carnaval.
Atualmente, a escolha do rei Momo é feita por eleição. O pretendente a esse cargo deve possuir as seguintes características:
Ser brasileiro e residir na cidade do Rio de Janeiro;
Ter entre 18 a 50 anos;
Medir no mínimo 1,65m;
Pesar no mínimo 110 Kg.
O prêmio concedido ao vencedor no ano passado foi R$ 7.550,00, além de ter o privilégio de desfilar como rei. Rei?!

Pesquisa sobre a opinião da população sobre o Carnaval 
Realizada entre o 18 a 19 de dezembro de 2000 
Foram entrevistadas 1273 pessoas em São Paulo, que responderam as seguintes perguntas: Você é a favor ou contra o carnaval e qual a sua religião?

191 Evangélicos:
A Favor: 42
Contra: 131
Indecisos: 18

46 Espíritas:
A Favor: 30
Contra: 7
Indecisos: 9

779 Católicos:
A Favor: 532
Contra: 142
Indecisos: 105

257 Outros:
A Favor: 128
Contra: 62
Indecisos: 67

Bibliografia:

Almanaque Abril. 24a Edição,1998, pp.38-39.
Enciclopédia Mirador. Vol 2, pp.2082-2097.
Pergunte e Responderemos. Vol 5, Maio 1958, pp.210-211.
Carnaval de Carnavais. José Carlos Sebe, Editora Ática, 1986.
O Evangelho e o Homem Secularizado. Série Lausanne, editora A.B.U.
Dicionário dos deuses e demônios. Menfred Gurker. Editora Martins Fontes, 1993, p.31.
Dicionário Aurélio, Aurelio Buarque de Holanda. Editora Nova Fronteira.
Revista Religião e Sociedade. Manuel Gutiérrez Estévez, ISER/CER 1990.
Revista Ano Zero, n° 10. Fev 1992, pp.12-21.
Revista Época, 15 de Fevereiro de 1999, p. 43.
Revista Carta Viva, Abril de 2000, nº 53, pp. 6-7.
Jornal Novas do Centro de Juventude Cristã, fev. 1993, p.3.
Jornal O Globo, Ana Paula Vieira, 03/fev/1991.
Jornal AIBOC Informa, nº 48, fev. 1999, p.4.
Jornal O Estado de São Paulo, 30 de Novembro de 2000.
Coloboradores: Antonio Figueró, Elvis Brassaroto Aleixo, Moisés P. Carreiro, Simei Gonçalves Pires, Fernando Augusto Bento, Danilo Raphael A. Moraes, Ronivon Vieira de Souza, Zilda Maria Lara, Marcos Heraldo Paiva, Ricardo Alexandre E. Maiolini.

Fonte: http://www.icp.com.br/31materia1.asp
site do ICP - Instituto Cristão de Pesquisas.

Pr. Magdiel G Anselmo.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Falando a verdade sobre os tais shows "gospels"



Se você gosta desses tais "shows gospels" que lamentavelmente, a cada dia se propagam com maior intensidade em nosso país, mas não gosta muito de orar ou de ler a Bíblia, se você "ama" estar nesses shows, a ponto de chegar de madrugada, ficar em filas intermináveis, mas para frequentar uma EBD ou grupo de estudo bíblico é uma guerra e considera torturante e cansativo estudar a Bíblia, se você "adora" comprar cds e dvd's desses "artistas gospels" mas para contribuir na obra de Deus sempre tem uma justificativa afirmando que não pode. Se você canta qualquer "louvor" sem se preocupar com a letra ou com a vida de quem o compôs, somente porque a melodia é "gostosa", "dançante" ou porque fica "emocionado", ou ainda, porque quem está cantando é aquele artista gospel do momento. 
Por fim, se você ficar chateado ou contrariado com o que escrevo aqui, deixe eu lhe dizer algumas verdades.
Você não é diferente dos fãs desse artista mal educado e irresponsável chamado Justin Bieber. Você dirá que esse artista americano não é um crente e por isso não é igual aos tais artistas gospels. Eu lhe respondo que as atitudes irresponsáveis são muito semelhantes (basta ver as notícias) e as reais intenções e motivações também são muito semelhantes (fazendo qualquer coisa e aceitando qualquer proposta para "aparecer", obter mais fama, dinheiro e "fãs"). A única diferença que vejo, é que você enganado como está, "pensa" que com suas atitudes (anti cristãs) esta adorando e louvando a Deus. Saiba que Deus não pactua com quem usa Seu nome para enriquecer, obter fama e se conformar com o mundo. Deus não nos orientou a fazer shows ou essa "bagunça, confusão" e mau testemunho que vemos e que muitos acompanham nos tais "festivais" televisivos que mais parecem shows de grupos e cantores mundanos sem qualquer temor e tremor a Deus, com muito gritaria, pulos, saltos, barulho, mas de pregação evangélica e composições que tem a Bíblia como fundamento e base, nada, absolutamente nada. 
Ora, Deus nos mandou pregar o Evangelho e não fazer festa com Ele (se é que o que se propaga nesses eventos pode ser chamado de "Evangelho de Cristo"). A festa que o povo de Deus deve fazer é muito, mas muito diferente dessa cópia de 5ª que fazem de uma festa munda e profana, propagada pela "globeleza gospel" que desnuda o tal artista de toda reverência e fidelidade às Escrituras, fatores fundamentais para um verdadeiro adorador.
Isso não é pregação, não é evangelização, não é louvor e adoração cristãs, não são práticas coerentes e firmadas na Palavra. 
São aberrações criadas pelo diabo para enganar, distrair e corromper os desavisados, imaturos, infantis e rebeldes. 
Se és um filho de Deus, salvo, remido e redimido pelo sangue de Cristo, fuja desses tais eventos e vá para a igreja. Se não congrega em uma igreja, encontre irmãos em Cristo e cultue a Deus com eles de forma bíblica, seja em sua casa ou em um templo cristão, seja num grupo grande ou pequeno, não importa. Ore, cante, ouça a Palavra, use seus dons e talentos, edifique e seja edificado pela comunhão dos santos, adore a Deus e pregue e evangelize os ímpios. Mas, faça isso tudo seguindo e segundo os critérios bíblicos e não segundo a última moda "gospel" ou "global".
Por amor a Cristo, não caia mais nessa armadilha!
Vá para a igreja, vá orar, aprender com a Palavra de Deus a ser um cristão de verdade. Deixe de meninice e rebeldia. 
Quem gosta de show gospel é o diabo, aqui não é lugar de festa, aqui é lugar de trabalho, de pregar, ensinar e viver a Palavra. Festa faremos nos Céus quando o Senhor Jesus voltar e levar Sua Igreja. 
Crente, filho de Deus, gosta mesmo é de cultuar a Deus com ordem e decência, juntamente com seus irmãos, louvando a Deus com cânticos e hinos espirituais, sendo edificados pela Palavra pregada em forma de sermão e obedecendo a essa Palavra. Isso é ser Igreja, o resto é invencionice diabólica ou carnal, que só atrapalha, destrói e não edifica.
Gostando ou não, essa é a verdade.


"E vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade, porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito, e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade." 
João 4: 23,24.




Pr. Magdiel G Anselmo.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Crentes são descartáveis ou são importantes mesmo quando estão longe?



Os que me conhecem, já congregaram comigo ou foram membros nas igrejas que já pastoreei ou pastoreio atualmente, sabem que não desisto de orar e amar os que se afastaram do rebanho do Senhor. Alguns me dizem pra esquece-los e olhar pra frente, outros, me dizem que não eram do rebanho mesmo, ainda outros, que é assim mesmo... Não acredito em nenhuma dessas afirmações. A Bíblia não me orienta a esquecer de irmãos como se eles jamais tivessem existido e feito parte de nossas vidas. A Bíblia nos revela que sempre há uma oportunidade para os que são de Jesus. E como não posso julgar a salvação de ninguém, sempre os considerarei meus irmãos em Cristo (alguns mesmo como meus filhos e filhas queridas que nasceram na fé diante de meus olhos).

Podem me chamar de bobo por isso, mas sei que não sou.

Continuarei amando as pessoas, não importando se por elas sou amado. Amar não significa se omitir em falar a verdade. Amar não é um simples sentimento bobo, sem sentido... Amar é se importar com as pessoas, é buscar orienta-las mesmo que não percebam, não ouçam ou rejeitem esse ensino. Amar é acompanha-las (às vezes mesmo de longe, sofrendo por elas, como no caso bíblico do filho pródigo), é interceder por elas com lágrimas aos pés do Senhor, é não desistir porque não vê resultados ou respostas... Amar é amar.
Não busco reconhecimento por isso, busco vidas aos pés da Cruz para o meu Jesus. Sei que só assim serão realmente felizes. Sei a quem tenho seguido e servido. Sei que Deus pode transformar pessoas. Sei que um dia fui também como eles... Sei que amor demais nunca fez mal a ninguém. 
Eu que o diga, não é mesmo meu Senhor?
Por isso, assim como Jesus não desistiu de mim, não desisto de clamar a Ele por você. 


Pr. Magdiel G Anselmo.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O choro de um homem de Deus...

Resolvi partilhar com os leitores de meu blog essa preciosidade.
Este vídeo aborda com propriedade o problema dos "modismos" e da falta de temor a Deus e amor às almas perdidas, que tanto assolam o meio evangélico em todas as áreas e locais de nosso planeta, além da busca desenfreada de muitas pessoas e líderes para trazer inovações que empolgam e agradam a maioria do povo, sem contudo se preocupar com critérios ou embasamentos bíblicos.
É uma síntese e expressão do sentimento da grande maioria dos cristãos que se alistaram nessa batalha incessante contra as falsas doutrinas e manifestações absurdas propagadas como se fossem um "mover" de Deus e na propagação da verdadeira e genuína Palavra de Deus.
Me junto a ele e choro também ... e você?

Não vou escrever mais. 
Desejo que veja o vídeo pois o considero muito edificante...

Deus os abençoe,
Em Cristo,
Pr. Magdiel G Anselmo.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Questões acerca do "batismo com Espírito Santo" parte final.

     

Concluindo essa série "questões acerca do batismo com Espírito Santo", é importante recapitular o que foi exposto.

Primeiro, foi trabalhado o equívoco terminológico, ou seja, o termo, ou se preferir, a nomenclatura, "batismo" usado por alguns, principalmente pelos então denominados "pentecostais", para essa experiência com Espírito Santo. 


Segundo, foi abordado e comentado os textos comumente usados para confirmar o "batismo com Espírito Santo" como uma experiência única e posterior a salvação, evidenciado por falar noutras línguas, bem como, a necessidade da busca por ela em nossos dias da forma como ocorreu naqueles dias. 

Sendo assim, diferentemente de uma obrigatoriedade da busca por esse "batismo", aprende-se que a "promessa" ou "batismo" do Espírito, é um generoso dom inicial que Deus nos dá quando nos toma para sermos Seu povo. O perdão e o dom do Espírito são verso e anverso da salvação ampla que Cristo nos dá. Nunca devemos deixar de agradecer a Deus com admiração renovada diariamente pelo fato de que Ele, em seu amor, primeiro deu Seu Filho para morrer por nós, e depois deu Seu Espírito para viver em nós. Hoje não há mais templo em Jerusalém para onde precisamos ir a fim de nos encontrarmos com Deus; cada um de nós é templo de Deus, bem como a igreja local, porque Deus mora em nós através do Seu Espírito.

Terceiro, aqui o objetivo foi comentar e fundamentar biblicamente a questão das experiências pessoais dos cristãos com o Espírito Santo, enfatizando que experiências pessoais por mais que sejam impactantes e abençoadoras, não podem ser "padrão" para todos os demais (caso do então denominado "batismo do Espírito Santo" no entendimento pentecostal), ao contrário são experiências distintas de cristãos para cristãos e não podem e não devem, por isso, se tornar doutrina ou criar obrigatoriedade a partir delas, como é a atitude correta em relação ao caso dos textos normativos das e nas Escrituras. 


Quarto, foi alvo de minha pesquisa e estudo, a diferença ou diferenças entre batismo e plenitude do Espirito, sendo que aqui se buscou esclarecer o uso correto da terminologia bíblica para "ser cheio" ou, "o enchimento do Espírito" confrontando com o equívoco já exposto anteriormente na primeira parte da série. Aprende-se aqui que precisamos buscar cada vez mais a plenitude do Espírito, através de arrependimento, fé e obediência e, também, continuar semeando no Espírito, de modo que seu fruto cresça e amadureça em nosso caráter. Eu creio que devemos criar o hábito de orar para que cada dia Deus nos encha de Seu Espírito (ato constante, contínuo) e faça aparecer o Fruto do Espírito mais em nossa vida.


Conclusão

Dessa forma, óbviamente, não se encerra o assunto ou muito menos se tratou aqui de todas as questões referentes a ele. Apenas alguns pontos que considero mais relevantes foram abordados e aqui estudados.

A intenção foi, como já mencionei em outras postagens, de aprofundar a análise e entendimento dessas questões e motivar um estudo mais detalhado. O estudo bíblico, a correta interpretação bíblica são, sem dúvida, ferramentas indispensáveis a todo cristão que deseja conhecer mais a Palavra de Deus em todos os seus desígnios. 
Não houve de minha parte nenhum ataque a pessoas ou instituições, apenas a conclusão de minhas pesquisas e estudos dos aspectos e questões abordadas sobre o assunto.

Espero ter contribuído de alguma forma para um aprofundamento dessas questões, para uma melhor análise, reflexão e mais claro entendimento.

Mesmo entendendo que para se compreender coisas espirituais (e é o que se trata aqui), precisamos da iluminação do Espírito Santo, sem a qual não temos condições ou capacidade para discernir tais coisas, penso que o confronto honesto e humilde de nossas convicções com outras diferentes e muitas vezes, discordantes, faz-nos reavaliar nossas concepções e nos tornam aquilo que Deus idealizou ao nos criar, seres pensantes. E, sem dúvida, se o caro leitor, é um filho de Deus, salvo e remido por Cristo, o Espírito habita em vós e pode iluminá-lo para um maior conhecimento e discernimento acerca Dele.
Esse é o meu desejo e oração, findando aqui meu trabalho. 
Também nesse ponto, o querer e o realizar são atos exclusivos de Deus.

Deus abençoe a todos.


Pr. Magdiel G Anselmo. 



Se desejar entender ainda melhor os diversos aspectos da série, acrescento 02 vídeos a seguir que podem esclarecer ainda mais as questões abordadas e trabalhadas. Assista. Recomendo.









domingo, 2 de fevereiro de 2014

Questões acerca do "batismo com Espírito Santo" quarta parte.



Prosseguindo com a série, escrevo agora sobre a diferença que há entre batismo e plenitude do Espírito.

Busquei nas três postagens anteriores concentrar-me no significado da expressão "dom" ou "batismo" do Espírito. Tentei resumir a forte evidência bíblica de que ambos são a mesma coisa, e que descrevem uma bênção inicial (recebida no início da vida cristã, na conversão), não subseqüente (recebida algum tempo depois), e que, portanto, é uma bênção universal (concedida a todos os cristãos), não esotérica (secreta, experimentada somente por alguns).
Ressalto, novamente, que ao escrever sobre tais temas não tenho a pretensão de diminuir ou atacar pessoas ou instituições, escrevo baseado em minhas convicções adquiridas pelo estudo e analise bíblicas, entretanto, respeito posições divergentes e diferentes das minhas. E faço isso, porque considero o fundamental da fé cristã como o que nos une. Os pontos advindos dessa essência podem ser divergentes, porém devem concordar no que é fundamental, essencial. 
Por exemplo, posso enfatizar em minha confissão doutrinária a predestinação (soberania divina) e outros, o livre-arbítrio (responsabilidade humana), porém os dois grupos devem concordar que a salvação segue o que nos é revelado em Efésios 2: 8,9, ou seja, pela graça mediante a fé em Cristo, não por obras, mas dom de Deus. Isso é fundamental.  Posso divergir em questões acerca do Espírito Santo (pneumatologia), mas devemos sempre concordar em que o Espírito Santo é uma pessoa e é Deus. Isso é fundamental. E assim por diante em relação a todas as doutrinas bíblicas fundamentais da fé cristã. 
Para alguns leitores mais impacientes ou "radicais", aqui do blog ou de redes sociais onde participo, pode parecer que em algumas situações, minha abordagem é negativa e até inútil, uma posição estéril, pois, aparentemente limita-se a muita teoria e "pouca experiência com Deus". Quem sabe até postagens que não trazem nenhuma perspectiva atraente para a vida cristã ou até prejudicam o crescimento de novos convertidos. Acontece que isto não é verdade.
Penso que o cristão de uma forma geral deve ter contato e ciência acerca das diversas linhas e posições teológicas existentes dentro da Igreja Cristã. Esconder ou tentar fazer com que as pessoas não conheçam o que e como outros irmãos (ressalto aqui "irmãos, ou seja, os que creem e professam as mesmas doutrinas cristãs fundamentais), pensam e creem acerca de temas importantes, no mínimo, demonstra insegurança com relação a própria liderança que exerce e, no máximo, desconhecimento do poder de Deus que nos ilumina para entender as coisas pertinentes ao Seu reino. 
Muitos cristãos mudaram, alteraram e melhor avaliaram posições que antes defendiam por causa de um exame mais cuidadoso da Palavra, fruto, sem dúvida, de uma atitude humilde visando seu crescimento como cristão e líder. Não há aqui nenhum demérito nisso, ao contrário, há aqui um sinal aparente de honestidade, sinceridade e espírito dócil e ensinável (características cristãs). Eu mesmo, no transcorrer de minha trajetória cristã, a medida que estudava a Palavra e convivia com o Deus da Palavra, mudei muito do que pensava quando do início de minha vida cristã e de meu ministério pastoral. Basta dizer que nasci em uma igreja pentecostal, iniciei meu ministério pastoral lá, fui estudar em seminário batista, prossegui em seminário presbiteriano e continuo estudando em universidade presbiteriana ainda hoje... Já pastoreei igrejas pentecostais, tradicionais e fundei, por direção de Deus, juntamente com alguns irmãos a INAC, hoje IPNAC - Igreja Presbiteriana Nova Aliança em Cristo. Em toda essa trajetória sempre estive aberto ao crescimento e aprendizado. Por isso, fico bem a vontade para tratar com questões espirituais como essas que escrevo aqui. Não tenho somente a teoria, o conhecimento bíblico, teológico e histórico, mas também a experiência e vivência necessárias para entender os contextos e ensinos existentes. 
E com humildade e temor a Deus propago o que Deus me iluminou, por obra de Seu Espírito, a crer, entender e viver. 
Dito isso, vamos a questão que analiso nesta postagem da série.

A  Diferença  entre  "Batismo"  e  "Plenitude"

Ao transferirmos nossa atenção agora, do "batismo" para a "plenitude" do Espírito, estamos passando de um dom inicial que Deus deu a todos os seus filhos e que jamais tirará deles, para uma condição que Deus quer que seja contínua, mas que pode não ser constante. Quando falamos do batismo do Espírito estamos nos referindo a uma concessão definitiva; quando falamos da plenitude do Espírito estamos reconhecendo que é preciso apropriar-se contínua e crescentemente deste dom.
Vamos então ao ponto.
Deixe-me procurar expandir o que tentei mostrar antes. O que aconteceu no dia de Pentecostes foi que Jesus "derramou" o Espírito do céu e, assim, "batizou" com o Espírito, primeiro os 120 e depois os três mil. A conseqüência deste batismo do Espírito foi que eles "todos ficaram chãos do Espírito Santo" (Atos 2:4). Portanto, a plenitude do Espírito foi a conseqüência do batismo do Espírito. O batismo é o que Jesus fez (ao derramar Seu Espírito do céu); a plenitude foi o que eles receberam. O batismo foi uma experiência inicial única; a plenitude, Deus queria que fosse contínua, o resultado permanente, a norma.
Como acontecimento inicial, o batismo não pode ser repetido nem pode ser perdido, mas o ato de ser enchido pode ser repetido e, no mínimo, precisa ser conservado. Quando a plenitude não é conservada, ela se perde. Se foi perdida, pode ser recuperada. O Espírito Santo é "entristecido" pelo pecado (Efésios 4:30) e deixa de dominar o pecador. Neste caso o único meio de recuperar a plenitude é o arrependimento. Mesmo em casos em que não há indícios de que a plenitude foi perdida por causa de algum pecado, lemos que algumas pessoas foram novamente preenchidas, mostrando que uma crise ou um desafio diferente requer um novo revestimento de poder do Espírito.
Uma comparação dos diversos textos do Novo Testamento que falam de pessoas que são "enchidas" ou "cheias" do Espírito Santo leva a crer que eles podem ser divididos em três grupos principais. 
Primeiro, fica implícito que ser "cheio" ou "enchido" era uma característica normal de cada cristão dedicado. Por isso, os sete homens que foram escolhidos para cuidar das viúvas na igreja de Jerusalém deveriam ser "cheios do Espírito", assim como deveriam ser "de boa reputação", "cheios de sabedoria" e "cheios de fé" (Atos 6:3,5). Creio que a "sabedoria" e a "fé" poderiam ser consideradas dons espirituais especiais. Porém uma boa reputação dificilmente poderia ser algo fora do comum para os cristãos. Nem, penso eu, o fato de serem cheios do Espírito. 
De maneira semelhante, Barnabé é descrito como um "homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé" (Atos 11:24), e os recém-convertidos discípulos de Antioquia da Pisídia "transbordavam de alegria e do Espírito Santo" (Atos 13:52). Estes versículos parecem descrever o estado normal do cristão, ou, pelo menos, como Deus gostaria que ele fosse.
Em segundo lugar, a expressão indica uma capacitação para um ministério ou cargo especial. Assim, João Batista seria "cheio do Espírito Santo, já do ventre materno", aparentemente como preparo para seu ministério profético (Lucas 1:15-17). Da mesma forma, as palavras de Ananias a Saulo de Tarso, de que ele seria "cheio do Espírito Santo", parecem referir-se à sua indicação como apóstolo (Atos 9:17; veja 22:12-15 e 26:16-23).
Em terceiro lugar, há ocasiões em que a plenitude do Espírito foi concedida para equipar não tanto para um cargo vitalício (como apóstolo ou profeta, por exemplo), mas para uma tarefa imediata, especialmente numa emergência. 
Zacarias foi preenchido antes de profetizar (mesmo seu ofício sendo de sacerdote, não de profeta. Veja também sua esposa Isabel, Luc. 1:5-8, 41, 67). A mesma coisa aconteceu com Pedro, antes de ele falar ao Sinédrio; com o grupo de cristãos em Jerusalém, antes de eles continuarem com seu ministério da Palavra mesmo em face da perseguição emergente; com Estevão, antes de ele ser martirizado; e com Paulo, antes de ele repreender o mágico Elimas. Lemos que todos estes ficaram "cheios do Espírito Santo", provavelmente para capacitá-los a enfrentarem a situação com que se defrontavam (Atos 4:8,31, 7:55, 13:9).
Resta a interessante referência quádrupla de Lucas ao Espírito Santo, no quarto capítulo do seu Evangelho, em conexão com o início do ministério público do nosso Senhor. Ela parece colocar sua experiência da plenitude do Espírito Santo em todos os três grupos. Lemos que ele retornou do Jordão "cheio do Espírito", e é natural concluirmos que este era seu estado espiritual inalterável. Igualmente, a afirmação segue imediatamente seu batismo no qual o Espírito desceu sobre ele (3:22) para "ungi-lo" e equipá-lo para seu ministério como Messias (4:14,18). E já que a história da tentação é iniciada e encerrada com referências ao Espírito Santo (4:1: "Foi guiado pelo Espírito", e 4:14: "no poder do Espírito"), parece que o Senhor foi fortalecido de maneira especial pelo Espírito para esta emergência.
Junto com estas diversas descrições de pessoas cheias com o Espírito, seja como experiência constante, seja com um propósito especial, Efésios 5:18 contém a bem conhecida ordem a todos os cristãos para serem cheios, ou melhor, a estarem sempre sendo enchidos (é um imperativo presente contínuo, na voz passiva) com o Espírito. Mais adiante, estudaremos este texto em maior profundidade.
Não há afirmações ou mandamentos semelhantes no Novo Testamento em relação ao batismo do Espírito. A razão para isto, como já afirmei, é que ele é uma experiência inicial.

Não há nenhum sermão ou carta dos apóstolos que contenha um apelo para que as pessoas se deixem batizar com o Espírito

Na verdade todas as sete referências ao batismo com o Espírito no Novo Testamento estão no indicativo, estejam no aoristo, no presente ou no futuro; nenhuma delas é uma exortação, no imperativo, Porém, o fato de que há estas referências à plenitude do Espírito, descrevendo como alguns cristãos foram novamente preenchidos e ordenando a todos os crentes que se deixem encher sempre de novo, mostra que infelizmente é possível que cristãos, que foram batizados com o Espírito, deixem de ser cheios do Espírito.
Os cristãos de Corinto constituem uma advertência solene para nós neste assunto. 
Na primeira carta que Paulo lhes escreve, transparece que todos eles tenham sido batizados com o Espírito Santo (12:13). Também tinham sido enriquecidos com todos os dons espirituais (1:4-7). Mesmo assim o apóstolo os chama de pessoas não espirituais, ou seja, não cheias do Espírito. Ele deixa claro que a evidência da plenitude do Espírito não é a prática dos seus dons (eles tinham muitos), mas a produção de seu fruto, isso lhes falava. 
Ele escreve que não podia chamá-los de pneumatikoi, cristãos "espirituais", mas somente de sarkinoi ou sarkikoi, cristãos "carnais", quem sabe "bebês" em Cristo. Sua carnalidade ou imaturidade era tanto intelectual como moral. Ela revelava-se em sua compreensão infantil, por um lado, e em sua inveja e competição, por outro (1 Cor. 3:1-4). Eles tinham sido batizados com o Espírito, ricamente dotados pelo Espírito, mas não estavam cheios com o Espírito (pelo menos não na época em que ele os visitou e lhes escreveu).
Você percebe que o apóstolo não faz diferença entre os que receberam o batismo do Espírito e os que não o receberam, mas entre cristãos "espirituais" e cristãos "carnais", ou seja, cristãos cheios do Espírito e cristãos dominados por sua natureza humana. Será que a condição dos cristãos de Corinto não é a mesma de muitos de nós hoje? Não podemos negar que, de acordo com a Escritura, fomos batizados com o Espírito por termos nos arrependido e crido, e nosso batismo de água significou e selou nosso batismo com o Espírito. Mas será que estamos cheios do Espírito? Esta é a questão.
Muitas pessoas não conseguiram responder à esta pergunta. Não sabem nem se são cheias do Espírito, nem como é possível saber. E quando se deparam com o ensino de que o "dom de línguas" é o sinal indispensável de ter recebido o Espírito, concluem que nunca o receberam, ou, pelo menos, não em sua plenitude. 

Entretanto, a partir da Escritura não se pode provar que "línguas" sempre acompanham o recebimento do Espírito. De todos os grupos dos quais se diz em Atos que receberam o Espírito, somente três "falaram em línguas" (2:1-4, 10:44-46, 19:1-6). Dos outros grupos que receberam o Espírito não se diz isto, portanto seria especulação dizer que falaram.

Além disto, o apóstolo ensina categoricamente em 1 Coríntios que o dom de "línguas" é somente um entre muitos dons, que não é concedido a todos os cristãos. Parece que não há bases sólidas para a distinção que algumas pessoas tentaram fazer entre as referências a "línguas" em Atos e em 1 Coríntios 12 e 14, no sentido de que a primeira se refira ao "sinal" de línguas, que todos devem apresentar, e as outras o "dom" de línguas, que somente alguns recebem. Na verdade, alguns líderes de igrejas pentecostais e do movimento carismático estão aceitando agora que "línguas" não são um sinal indispensável do dom do Espírito. 

Então, qual é a evidência da plenitude do Espírito? Como é possível conseguir esta plenitude? Para podermos responder à estas perguntas, vamos primeiro analisar o "mandamento para sermos cheios" do Novo Testamento. 

O  Mandamento  para  Sermos  Cheios
Vamos agora ao mandamento "Enchei-vos do Espírito". Preste atenção a quatro aspectos deste verbo.

Em primeiro lugar, ele está no modo imperativo
"Enchei-vos" não é uma sugestão que pode ser tentada, uma recomendação branda, uma advertência educada. É uma ordem que Cristo nos dá, com toda a autoridade de um dos apóstolos que Ele escolheu. Não temos nem um pouco mais de liberdade para escapar desta obrigação do que temos das obrigações éticas que formam o contexto, isto é, falar a verdade, trabalhar honestamente, ser gentil e perdoar uns aos outros, ou viver em pureza e amor. A plenitude do Espírito Santo não é opcional, mas obrigatória para o cristão.

Em segundo lugar, ele está na forma plural. 
O mesmo ocorre com o verbo anterior, "não vos embriagueis com vinho". Os dois imperativos de Efésios 5:18, tanto a proibição como a ordem, são escritos para toda a comunidade cristã. Eles têm aplicação universal. Nenhum de nós deve embriagar-se; todos devemos ser cheios do Espírito. Enfaticamente, a plenitude do Espírito Santo não é um privilégio reservado para alguns, mas uma obrigação de todos. Assim como a exigência de sobriedade e domínio próprio, a ordem de buscar a plenitude do Espírito é dirigida a todo o povo de Deus, sem exceção.

Em terceiro lugar, o verbo está na voz passiva: "Sede enchidos". 
Uma outra tradução seria: "Deixai-vos encher pelo Espírito". Uma condição importante para gozar da sua plenitude é entregar-se a ele sem reservas. Mesmo assim, não devemos pensar que somos apenas agentes passivos ao recebermos a plenitude do Espírito, assim como quando alguém fica bêbado. Torna-se bêbado bebendo; ficamos cheios do Espírito também bebendo, como no ensino do nosso Senhor em João 7:37.

Em quarto lugar, o verbo está no tempo presente
É bem sabido que, na língua grega, se o imperativo está no aoristo, ele se refere a uma ação única; se está no presente, a uma ação contínua. Assim, quando no casamento em Caná, Jesus disse: "Enchei d'água as talhas" (João 2:7), o imperativo aoristo mostra que ele queria que o fizessem somente uma vez. O imperativo presente "sede enchidos com o Espírito", por sua vez, não indica alguma experiência dramática ou determinante, que resolve o problema para o bem, porém uma apropriação continua.
Isto é reforçado na Carta aos Efésios pelo contraste entre o "selo" e a "plenitude" do Espírito. Duas vezes o apóstolo escreve que seus leitores foram "selados" com o Espírito Santo (Efés. 1:13; 4:30). Os aoristos são idênticos e aplicam-se a todo crente arrependido. Deus o aceitou e colocou nele o selo do Espírito, autenticando-o, marcando-o e garantindo-o como Seu. Todos os crentes são "selados", mas nem todos permanecem "cheios", porque o selo foi colocado uma vez, no passado, enquanto a plenitude é (ou deveria ser) presente e contínua.
Talvez aqui uma ilustração ajude a mostrar que a plenitude de Espírito não deve ser uma experiência estática, mas progressiva. Comparemos duas pessoas. Uma é um bebê, recém-nascido e pesando três quilos, que começou a respirar há pouco. A outra é um homem feito, com 1,80m de altura e 75 quilos de peso. Ambos são aptos e saudáveis; ambos estão respirando normalmente; pode-se dizer dos dois que estão "cheios de ar". Então, qual é a diferença entre eles? A diferença está na capacidade dos seus pulmões. Ambos estão "cheios", porém uns estão mais cheios que os outros porque sua capacidade é muito maior.
O mesmo vale para vida e crescimento espirituais. Quem pode negar que um bebê recém-nascido em Cristo está cheio do Espírito? O corpo de qualquer crente é o templo do Espírito Santo (1 Cor. 6:19); podemos dizer que o Espírito, ao entrar em seu templo, não o preenche? Um cristão maduro e piedoso, perseverando há muitos anos, também está cheio do Espírito. A diferença entre os dois está no que pode ser chamado de seus pulmões espirituais, ou seja, a medida da sua compreensão com fé do propósito que Deus tem para eles.
Isto se torna evidente na primeira oração do apóstolo pelos cristãos de Éfeso. Ele diz:
"Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito [ou, talvez, "Espírito"] de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos, e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos ... "(Efés. 1:17-19).
Esta passagem desenvolve os estágios do crescimento espiritual. Os que "crêem" experimentam a plenitude do poder de Deus. Porém primeiro precisamos "conhecer" sua grandeza, e para isso, carecemos que o Espírito Santo ilumine os olhos dos nossos corações.
Portanto, a seqüência é esta: iluminação, conhecimento, fé, experiência. Conhecemos com a iluminação, e pela fé passamos a gozar o que conhecemos. Nossa experiência de fé, portanto, está amplamente condicionada pelo nosso conhecimento de coração. 
Além disto, quanto mais sabemos, maior se torna nossa capacidade espiritual, bem como nossa responsabilidade de exigir pela fé a nossa herança. Por isso, quando alguém acaba de nascer do Espírito, sua compreensão do plano de Deus para si geralmente é muito limitada, e sua experiência é proporcionalmente limitada. Todavia, à medida que o Espírito Santo ilumina os olhos do seu coração, diante dele abrem-se horizontes com os quais antes ele dificilmente sonhara. Ele começa a ver e compreender a esperança do chamamento de Deus, as riquezas da herança de Deus e a grandiosidade do poder de Deus. Ele é desafiado a abraçar pela fé a plenitude do propósito que Deus tem para ele.
A tragédia é que, muitas vezes, nossa fé não acompanha o ritmo do nosso conhecimento. Nossos olhos são abertos para verem cada vez mais os aspectos maravilhosos do propósito que Deus tem conosco em Cristo, porém nos abstemos de tomar posse dele pela fé. Este é um dos meios de perdermos a plenitude do Espírito, não necessariamente por desobediência, mas por fala de fé. Nossos pulmões se desenvolvem, mas não os usamos. Precisamos estar sempre nos arrependendo da nossa descrença e clamar a Deus para que ele aumente a nossa fé, de maneira que, à medida que nosso conhecimento cresce, nossa fé possa crescer com ele e possamos estar sempre tomando posse de maiores partes da grandeza do propósito e do poder de Deus.

Evidências  da  Plenitude  do  Espírito
Uma segunda passagem do Novo Testamento dá ênfase à evidência da plenitude do Espírito, apesar de também incluir uma ordem de ser cheio, que precisamos estudar com cuidado. 

Quais são as características de uma pessoa cheia do Espírito de Deus hoje? 
Não pode haver dúvidas de que a principal evidência é moral, não miraculosa, e reside no Fruto do Espírito, não nos dons do Espírito. Já tivemos oportunidade de constatar que os coríntios, que tinham sido batizados com o Espírito e ricamente dotados dos dons do Espírito, mesmo assim provaram ser cristãos "não espirituais", porque lhes faltava a qualidade moral do amor (1 Cor. 3:1-4).
Eles se vangloriavam de uma certa plenitude, o que fez Paulo escrever-lhes com um toque de sarcasmo: "Já estais fartos" (cheios, 4:8)! Mas não era a plenitude do Espírito Santo. Se eles estivessem cheios do Espírito, obviamente teriam estado cheios de amor, o primeiro fruto do Espírito. O amor é o poderoso elo de união entre o fruto e os dons do Espírito. Isto não ocorre somente porque sem amor os dons são sem valor (1 Cor. 13), mas também porque o amor requer os dons como equipamento necessário para poder servir outros.
No único trecho em suas cartas onde o apóstolo Paulo descreve as conseqüências da plenitude do Espírito, elas são todas qualidades morais. Esta passagem é Efésios 5:18-21:
"E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo."
No texto grego este trecho tem dois verbos na forma imperativa ("não vos embriagueis com vinho"; "enchei-vos do Espírito"), dos quais dependem quatro verbos que são particípios presentes (literalmente: "falando", "cantando e fazendo melodias", "agradecendo" e "submetendo"). Em outras palavras, a ordem única de ser cheio do Espírito é seguida de quatro conseqüências descritivas da plenitude do Espírito Santo.
A ordem de ser cheio é contrastada diretamente com a outra ordem de não se embriagar. A partir daí, algumas pessoas deduziram rapidamente que embriaguez e a plenitude do Espírito podem ser comparadas. Elas dizem que a plenitude do Espírito é um tipo de ebriedade espiritual; o apóstolo está contrapondo dois estados de embriaguez: física, através do vinho; e espiritual, pela plenitude do Espírito. Não é este o caso. 
É verdade que um bêbado está "sob a influência do álcool" e que, de maneira semelhante, pode-se dizer que um crente cheio do Espírito esteja sob o controle do Espírito. Também é verdade que no dia de Pentecostes, quando o Espírito concedeu aos 120 que falassem publicamente em outras línguas, alguns da multidão comentaram: "Estão embriagados" (Atos 2:13). 
Porém os que disseram isto evidentemente eram uma minoria; eles acharam que os discípulos estivessem bêbados porque não conseguiam entender nenhuma das línguas faladas; a maioria reagiu com surpresa, ao ouvir os galileus falarem de maneira inteligível idiomas nativos da Ásia e da África que a multidão podia entender.
Portanto, é um erro crasso supor que estes primeiros crentes cheios do Espírito estavam em um tipo de transe alcoólico, ou que este estado devesse ser um padrão das experiências da plenitude do Espírito. Paulo tem exatamente o oposto em mente. Há uma implicação clara em Efésios 5:18 de que a embriaguez e a plenitude do Espírito não podem ser comparadas assim, porque a embriaguez é vista como "dissolução" ou "perdição" (BLH). A palavra grega asotia, que em suas duas outras menções no Novo Testamento é traduzida também por "devassidão" (Tito 1:6, 1 Ped. 4:4), literalmente descreve uma situação em que a pessoa não consegue mais "salvar-se" ou controlar-se. Paulo escreve que a embriaguez envolve uma perda de controle, e por isso deve ser evitada. No outro extremo, é dito claramente em Gál. 5:23 que parte do fruto do Espírito é domínio próprio (enkrateia)! As conseqüências da plenitude do Espírito, que o apóstolo passa a descrever, devem se manifestar em um relacionamento inteligente, controlado e saudável com Deus e com as outras pessoas.
É verdade que podemos concordar que tanto na embriaguez como na plenitude do Espírito há duas grandes forças nos influenciando interiormente, o álcool em nossa corrente sanguínea e o Espírito Santo em nosso coração. Todavia, o álcool em excesso conduz a um comportamento incontrolado e irracional, que transforma o bêbado num animal; a plenitude do Espírito, por sua vez, leva a um comportamento moral controlado e racional, que transforma o cristão na imagem de Cristo. Portanto, os resultados de estar sob a influência de emanações alcoólicas, por um lado, e do Espírito Santo de Deus, por outro, são total e completamente diferentes. Um nos transforma em animais, o outro em Cristo.
Agora temos condições para analisar os quatro resultados benéficos, e, com isso, evidências objetivas sólidas, da plenitude do Espírito. Estes resultados tornam-se visíveis no relacionamento. A plenitude do Espírito não é tanto uma experiência mística particular, quanto um relacionamento moral com Deus e as pessoas ao nosso redor.
O primeiro resultado é "falando". 
A tradução "entre vós" não deve ser entendida como se as pessoas cheias do Espírito começassem a falar consigo mesmas, como se sua mente estivesse anuviada! A tradução "uns aos outros" (BLH, BJ) transmite melhor o sentido. Na passagem paralela em Colossenses (3:16) o apóstolo incentiva seus leitores a deixarem a Palavra de Cristo habitar ricamente neles, para que possam "instruir e aconselhar-se mutuamente em toda a sabedoria".
É bastante interessante o fato de que a primeira evidência de ser cheio do Espírito é falarmos uns aos outros. Mas isto não deve nos surpreender, já que o primeiro aspecto do Fruto do Espírito é o amor. Por mais profunda e íntima que nossa comunhão com Deus possa parecer, não podemos dizer que estamos cheios do Espírito se, porventura, não conseguimos falar com algum irmão. O primeiro sinal da plenitude é a comunhão. Mais anda, é comunhão espiritual, porque falamos uns aos outros não com "tagarelice mundana", mas "com salmos, ... hinos e cânticos espirituais".
É óbvio que isto não pode significar que o meio de comunicação normal entre crentes cheios do Espírito seja a música! Antes, significa que a verdadeira comunhão se expressa no culto conjunto. Um bom exemplo é o Ven te (Sal. 95), que os anglicanos cantam muitas vezes no culto público aos domingos pela manhã. Falando especificamente, o Salmo não é de adoração, porque não é dirigido a Deus, mas à congregação: "Vinde, cantemos ao Senhor." Esta é uma ocasião em que pessoas pertencentes a Deus falam umas às outras com um Salmo, incentivando-se mutuamente a adorarem seu Senhor.
Isto nos conduz ao segundo resultado da plenitude do Espírito, que é "cantando e fazendo melodias" para o Senhor. 
O Espírito Santo adora glorificar o Senhor Jesus, manifestando-o ao seu povo de uma maneira em que eles se regozijem em cantar louvores a Ele. Pessoas sem aptidão musical, às vezes, recebem conforto pela versão Revista e Corrigida desta exortação, que é cantar ao Senhor "no vosso coração". Esta terminologia dá a impressão de que seu júbilo pode ser integralmente interior, dirigido somente "aos ouvidos do Senhor". Porém a tradução "de (todo o) coração" provavelmente é mais correta. O coração não é o lugar, mas a maneira como estamos cantando. O apóstolo nos exorta a não ficarmos em silêncio, mas a adorarmos sem preconceitos.
Em terceiro lugar, devemos dar "sempre graças por tudo". 
Muitos cristãos dão graças às vezes, por algumas coisas; crentes cheios do Espírito agradecem sempre, por todas as coisas. Não existe hora nem circunstância pelas quais eles não agradecem. Eles o fazem "em nome de nosso Senhor Jesus Cristo", isto é, porque são um com Cristo, e "a nosso Deus e Pai", porque o Espírito Santo testemunha a seu espírito que eles são filhos de Deus e que seu Pai é integralmente bom e sábio. A murmuração, um dos pecados costumeiros de Israel, é um pecado grave cerque é um sintoma de descrença. Sempre que começarmos a reclamar e a nos queixar, isto é um sinal claro de que não estamos cheios do Espírito. Sempre que o Espírito Santo domina os crentes, eles agradecem ao seu Pai celestial a toda hora, por tudo.
Vimos que os segundo e terceiro sinais da plenitude do Espírito são relacionados a Deus, ou seja, cantando ao Senhor e dando graças ao Pai. O Espírito Santo nos coloca em um relacionamento correto de louvor com o Pai e o Filho. O crente cheio do Espírito não tem dificuldades práticas com a doutrina da Trindade. Os terceiro e quarto sinais, entretanto, têm a ver com nosso relacionamento com as outras pessoas: falando uns aos outros, e agora sujeitando-se uns aos outros.
O apóstolo continua mostrando que a submissão é a obrigação específica de uma esposa diante de seu marido, de filhos diante de seus pais e de empregados diante de seus empregadores, mas ele começa dizendo que ela é a obrigação geral de todos os cristãos uns diante dos outros (o que inclui maridos, pais e empregadores). A submissão humilde é uma parte tão importante do comportamento cristão que o verbo aparece trinta e duas vezes no Novo Testamento. A marca registrada no cristão cheio do Espírito não é a auto-afirmação, mas a auto-submissão.
É verdade que às vezes, quando um princípio teológico ou moral fundamental está em jogo, não podemos ceder. Paulo deu um exemplo destacado desta necessidade de firmeza quando se opôs a Pedro, numa confrontação direta e pública, em Antioquia (Gál. 2:11-14). Porém precisamos sempre tomar cuidado para que nossa firmeza aparente em um principio não seja uma exibição desagradável de orgulho. É sábio desconfiar de nossa indignação justa; geralmente há nela mais que alguns traços de vaidade injusta. O teste está nas últimas palavras da frase: "No temor de Cristo". Nossa obrigação primordial é submissão reverente e humilde ao Senhor Jesus. Devemos nos submeter aos outros somente até ao ponto exato em que nossa submissão a eles implicar em deslealdade a Cristo.
Assim, expusemos os resultados venturosos da plenitude do Espírito. 


As duas principais áreas em que esta plenitude se manifesta são culto e comunhão. Se estamos cheios do Espírito, estaremos louvando a Cristo e agradecendo a nosso Pai, e estaremos falando e submetendo-nos uns aos outros. 

O Espírito Santo nos coloca em um relacionamento correto com Deus e as pessoas. Devemos procurar a principal evidência da plenitude do Espírito Santo nestas qualidades e atividades espirituais, e não em fenômenos sobrenaturais. Esta é a ênfase do apóstolo quando ele trata deste assunto em suas cartas aos efésios e coríntios, bem como quando ele especifica o "Fruto do Espírito" em sua carta aos gálatas. 
Assim sendo, espero ter ajudado na sua compreensão, caro leitor, no entendimento das diferenças entre batismo e plenitude do Espírito.
A próxima postagem, quinta da série estarei concluindo esse artigo.
Aguardem. Deus os abençoe.


Bibliografia pesquisada:

Brown, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 
Hodge, C. A Commentary on the Epistle to the Ephesians, (Banner of Truth, Londres, 1964)
Gruden, Wayne. Manual de Teologia Sistemática. Ed. Vida. 
Mounce, William D. Fundamentos do Grego Bíblico.
Novo Comentário da Bíblia. J. D. Douglas. Ed. Vida Nova.
Novo Dicionário da Bíblia. J. D. Douglas. Ed. Vida Nova.
Stott, John. Batismo e Plenitude do Espírito Santo. (pgs.35-46). Ed. Vida Nova.
Sproul, R. C. Eleitos de Deus. Ed. Cultura Cristã.
Bíblia em várias versões.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...