terça-feira, 23 de setembro de 2014

Votando como um bom cristão


        O cenário político de nosso país está impregnado de corrupção, mentiras, falsas promessas e muita, mas muita desordem e falsidade. E, nesse contexto de pecados de todos os tipos temos que votar, escolher nossos governantes e legisladores.
Como proceder então diante e em meio a toda essa balbúrdia?
Bem... precisamos ser criteriosos e acima de tudo, cristãos, pois neste tempo em que vivemos uma campanha eleitoral a todo vapor, vemos e ouvimos muitas pessoas falando acerca do assunto. As opiniões são diversas, mas pouco se vê ou se lê sobre ponderações e argumentações que realmente tenham algum fundamento bíblico.
Desejo então, não esgotando o assunto, trabalhar alguns argumentos utilizados, me atendo aqueles de pessoas que se dizem cristãs, mas que se valem de conceitos nada cristãos para emitir suas opiniões e quem sabe até, persuadir outros a imitá-los.
Alguns desses conceitos e argumentos trabalho rapidamente a seguir:

1.              “Crente vota em crente” ou “irmão vota em irmão”.

Esse conceito é equivocado, pois estamos aqui a refletir sobre o melhor governante e legislador e não como faríamos para aprovar um candidato ao pastorado ou a uma função ministerial ou eclesiástica no âmbito da Igreja. O candidato a presidente, senador ou deputado pode até ser um bom crente, entretanto, poderá ser um político incompetente e inútil. Não basta ser crente tem que saber trabalhar nessa área assim como fazem todas as pessoas nas áreas que atuam.

Em poucas palavras, um bom crente pode ser um péssimo político.
Portanto, critérios e observações aqui devem ser usados como:
a) O cristão preparado (com formação e vocação para política) está em vantagem para governar – Pv 28:5; 26:1
b) O cristão não pode associar-se com pessoas inescrupulosas – Sl 94:20; Pv 25:26.
c) Devem ser pessoas que não se dobrem diante da sedução do poder, sexo e bens materiais.
Ouro aspecto é que de uns tempos pra cá virou “status” se declarar evangélico e depois “mudar de idéia”. A multidão de “crentes nominais” a cada dia aumenta e envergonha os que fielmente servem e seguem a Cristo.
O Rev. Hernandes Dias Lopes em um artigo aborda qual deve ser o perfil de um político segundo os princípios bíblicos:

“1. Vocação – John Mackay diz a distribuição de vocações é mais importante do que a distribuição de riquezas. Calvino entendia que o poder civil é uma sacrossanta vocação. Há pessoas dotadas e vocacionadas para o poder público. Uma pessoa não está credenciada para ser um bom candidato apenas por ser evangélica. Exemplo: José do Egito – Sempre foi líder em casa, na casa de Potifar, na prisão, no trono.
2. Preparo intelectual – O lider político precisa ser uma pessoa preparada. Ele precisa ter independência para pensar, decidir e lutar pelas causas justas. Ele não pode comer na mão dos outros. Ele não pode ser um refém nas mãos dos espertos. Exemplo: Moisés – Moisés se preparou 80 anos para servir 40. Ele aprendeu a ser alguém nas Univerdades do Egito. Ele aprendeu a ser ninguém nos Desertos da Vida. Ele aprendeu que Deus é Todo-Poderoso na liderança do povo.
3. Caráter incorruptível – A maioria dos políticos sucumbem diante do suborno, da corrupção e vendem suas consciências. Há muitos políticos que são ratazanas, sanguessuga. Há muitos políticos que são lobos que devoram o pobre. Há muitos políticos que decretam leis injustas. O político precisa ser honesto e irrepreeensível. Exemplo: Daniel – Ele era sábio. Ele era lider. Ele era incorrupto. Ele era piedoso. Ele não era vingativo. Um exemplo oposto é ABSALÃO. Ele era demagogo e capcioso. Ele furtava o coração das pessoas com falsas promessas.
4. Coragem para se envolver com os problemas mais graves que atingem o povo – O político não pode ser uma pessoa covarde e medrosa. Ele precisa ser ousado. Neemias é o grande exemplo: 1) Ele ousou fazer perguntas; 2) Ele se viu como resposta de Deus resolver os problemas do seu povo; 3) Ele agiu com prudência e discernimento; 4) Ele mobilizou o povo para engajar-se no trabalho com grande tato; 5) Ele enfrentou os inimigos com prudência. Exemplo: Winston Churchil.
5. Visão – O político precisa ser um homem/mulher de visão. Ele precisa enxergar por sobre os ombros dos gigantes. Ele vê o que ninguém está vendo. Ele tem a visão do passado, dos dias atuais e do futuro. Ele antecipa soluções. Exemplo: José do Egito, Calvino. Veja Pv 11:14. Ester esteve disposta a morrer pela causa do seu povo.
6. Tino Administrativo – Há políticos que são talhados para o executivo e outros para o legislativo. Colocar uma pessoa que não tem capacidade gerencial para governar é um desastre. Exemplo: Neemias – ele revelou capacidade de mobilizar pessoas, resolver problemas, encorajar, e colocar as pessoas certas nos lugares certos para alcançar os melhores resultados.
7. Capacidade de contornar problemas aparentemente insolúveis – O líder é alguém que vislumbra saídas para problemas aparentemente insolúveis. Exemplo: Davi – 1) Ele viu a vitória sobre Golias quando todos só olhavam para derrota; 2) Ele ajuntou 600 homens amargurados de espírito e endividados e fez deles uma tropa de elite; 3) Ele reanima-se no meio do caos e busca força para reverter situações perdidas – 1 Samuel 30:6.
8. Não temer denunciar os erros dos poderosos – Samuel denunciou os pecados de Saul (1 Sm 15:10-19). Natã não se intimidou de denunciar o pecado de Davi. João Batista denunciou Herodes.” 

Sendo assim, o melhor presidente do país não precisa, necessariamente, ser um crente, evangélico, pentecostal, tradicional, protestante ou coisa semelhante (rótulos não me agradam). Ele precisa ser competente e preparado para a função, honesto em sua vida pessoal e pública (sem condenações judiciais ou envolvimentos comprovados em atos de corrupção) e aceitar e respeitar os valores e princípios cristãos estipulados e revelados na Bíblia. Todos esses fatores são fundamentais aqui.
Existem pessoas assim mesmo não professando ser evangélico (se for, melhor ainda). Precisamos é disso e não de votarmos em alguém porque esse se declara “um dos nossos”. Essa atitude precipitada e impensada traz grandes prejuízos ao nosso país e motiva ainda mais as pessoas a tomar decisões sem pensar, refletir e discernir as situações e as pessoas.

2.              Voto nesse não por ser o que realmente desejo que ganhe, mas apenas para o outro não ganhar.


Esse é outro equívoco e digo a razão. Por que simplesmente não é uma atitude apoiada pela Bíblia.
Pode ser até um bom conselho do ponto de vista político e humano, mas não o é do ponto de vista bíblico e espiritual.
Como cristãos precisamos ser honestos em todas as nossas atitudes e ações. Isso não ocorre quando voto em alguém apenas para que o outro não vença. Na verdade votei em quem eu não desejaria que fosse eleito e se este vencer, não venceu quem, na verdade, eu gostaria que vencesse. Em outras palavras, votei errado. Fui desonesto.
O correto e cristão seria votar em quem eu considero a melhor pessoa para o cargo que disputa mesmo que esse candidato aos olhos da mídia ou das pesquisas seja improvável vencer as eleições. O interessante é que se todos que pensam: “ele não vai ganhar então vou votar no outro para que aquele não vença”, se votasse naquele que realmente deseja que ganhe as eleições, esse candidato teria muitos votos e quem sabe, até disputasse de verdade as eleições.
Como cristãos precisamos ser verdadeiros e honestos, inclusive na hora de votar, do contrário, seremos falsos, desonestos e mentirosos.
Se confiamos que Deus está no controle das situações, porque tememos fazer o que é certo?
É nossa obrigação como cristãos fazer o que é certo, independente do que dizem as pesquisas, a mídia ou nossa tendência humana de mascarar a verdade. Para os cristãos, os fins jamais justificarão os meios.
O que deve nos orientar não são pesquisas eleitorais, mas os princípios e valores de Deus revelados na Palavra.

3.              A Mistificação ou espiritualização excessiva e inapropriada do voto para justificar uma opinião ou posição


Outro equívoco muito comum.
Não me entendam mal, mas as pessoas tendem a mistificar tudo e todos.
Se a pessoa não estava no avião que caiu, foi livramento. Se o candidato errou e cometeu equívocos numa entrevista, foi estratégia de Deus. Se forem descobertas falcatruas ou incoerências na vida ou na forma de atuar como político, são ataques do diabo e assim por diante.
A Bíblia nos ensina sobre o espiritual, mas também nos orienta a pensar e a discernir as situações e pessoas. E ainda, nos alerta para as sutilezas e ardis de satanás. O inimigo muitas vezes nos oferece ilusões como sendo dádivas de Deus, mas no final das contas, descobrimos que eram apenas seduções criadas por ele para nos enganar e iludir. Temos que ser sábios nessas situações.
Precisamos não ceder a impulsividade e a precipitação em afirmar “é santo” ou “é de Deus” e tal qual os bereianos submeter tudo a análise da Palavra de Deus. É ela que nos confirmará ou não a autenticidade e verdade e não nossas impressões ou opiniões pessoais acerca disso ou daquilo.
O inverso aqui também é verdadeiro, ou seja, nem tudo é o diabo e nem tudo é obra de satanás. Na verdade damos muito ibope pra ele (pra usar o linguajar eleitoral (rs) )
Essa tendência de mistificar tudo tem trazido muitos prejuízos à vida das pessoas. A boa análise bíblica sempre deve ser a melhor opção para um cristão temente a Deus pois a grande parte dos acontecimentos são conseqüências e resultados de nossas ações e reações (lei espiritual da semeadura e colheita) e não propriamente uma intervenção direta de Deus ou do diabo. A ida a Bíblia sempre trará respostas objetivas nessas questões e não nossas impressões ou opiniões.

Conclusão:

Muito mais eu poderia aqui escrever sobre outros conceitos equivocados e nada bíblicos, mas vou me ater a esses que julgo ser os principais e mais comuns.
Por fim, preciso afirmar que como historiador, teólogo e cristão não me impressiono com uma boa oratória, retórica ou carisma. Prefiro pesquisar a fundo para tomar decisões e fazer minhas escolhas.
Quem se contenta com as aparências e o discurso e não pesquisa criteriosamente a vida, a história, a trajetória, a formação, a vocação, as idéias, a ideologia e as ações de uma pessoa confrontando todo esse contexto e fatos com a Palavra de Deus, antes de decidir por tê-la como alguém que o representará no cenário político nacional, apenas age por impressões e emoções e não pelo conteúdo e essência, e muito menos por aquele que deveria ser o manual de regra e fé de todo cristão, a Bíblia.
O diabo é o maior e melhor vendedor de ilusões que já existiu. Ele chegou a enganar até anjos do Senhor, quem dera a cristãos que são levados pela "síndrome da boiada", ou seja, vão atrás apenas porque outros estão indo.
Recuso-me a fazer parte dessa boiada. Deus me deu a capacidade de pensar, refletir e discernir as coisas e pessoas e não serei influenciado por crentes nominais que apenas se auto rotulam de evangélicos, mas negam o Evangelho com suas ações, ideologias, companhias e ações.
Se não houver um candidato que possa representar-me dignamente, não votarei em ninguém, mas não venderei minhas convicções cristãs pelo preço de um voto ou apenas pela falsa satisfação de ter participado votando em alguém. Também não voto em alguém para outro perder. Isso não é voto, isso é o anti voto. Isso é mentira e já aprendi quem é o pai da mentira e que não sou seu filho.
Portanto, pense como cristão antes de votar em candidatos para Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual.
Prossiga sendo fiel aos princípios e valores cristãos.
Prossiga preservando sua comunhão e paz com Deus. 
            E acima e antes de tudo, confie que Deus está no controle de todas as coisas. 
            Assim eu creio. Assim eu farei. 
            E você?




Pr. Magdiel G Anselmo.



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