terça-feira, 24 de junho de 2014

Uma reflexão sobre a resistência de líderes cristãos ao combate a práticas não bíblicas

O combate a falsos ensinos e práticas deveria ser uma ação e atitude naturais de todo cristão em todos os lugares e em todas as épocas. Faz parte da essência do que é ser cristão e essas atitudes são largamente ensinada nas Escrituras, portanto, devem ser realizadas e cumpridas conforme a Igreja caminha. A verdade é que as heresias percorrem a história da Igreja tentando se infiltrar e destruir a missão dada a ela pelo Seu Deus e Senhor.
Entretanto existem vários tipos de falsos ensinos e práticas não cristãs que devem ser combatidas e a cada dia surgem outras novas. Essa mudança de ação e muitas vezes de roupagem, confunde a alguns e outros são iludidos durante esse combate. Não é incomum alguns combaterem contra o que não é errado e em outras situações não combater o que é errado. 
Esse combate que deveria ser em unidade, ou seja, como Igreja, muitas vezes se vê dividido em guetos e grupos, banhados e permeados pela vaidade da busca pela afirmação de estar sempre certo e o outro sempre errado. Uma bobagem que invade até as mentes de doutores e mestres que servem na Igreja de Cristo. E não raras vezes, o combate principal as heresias e práticas não cristãs é esquecido e desprezado e novos combates, muitas vezes até mais mortais, se dá entre irmãos que deveriam estar juntos pela mesma causa e propósitos.
Em meus anos de ministério pastoral, como professor e teólogo tenho visto muito disso ocorrer e destruir amizades que poderiam ser construtivas e úteis ao Reino de Deus. 
Mas além das heresias e práticas nada cristãs existem também os excessos e equívocos que da mesma forma, devem ser combatidos e extinguidos da vida da Igreja pois se assim não for, corremos o risco de perder o foco e a missão dada a nós por Deus.
Aqui faço um alerta pois todo excesso ou equívoco se não for combatido devidamente produzirá em breve futuro, heresias e práticas nocivas à Igreja.
Umas das razões dessas rupturas e inimizades acontecem quando se argumenta biblicamente e em contrário ao que crêem com relação a algumas atitudes e doutrinas chamadas de pentecostais. 

Aqui vale uma observação: "Mesmo sendo crente tradicional e reformado respeito e muito meus irmãos pentecostais, mas não posso deixar de apontar o que entendo ser um equívocos ou excessos ocorridos dentro de igrejas pentecostais (não de neo pentecostais que aqui pelo menos existe a unidade tanto de tradicionais como de pentecostais de que cometem absurdos). Nessa linha seguem algumas questões como o "batismo com Espírito Santo" (que ressalto que a nomenclatura, o termo usado (batismo) é o principal problema aqui e não propriamente as experiências pessoais com o Espírito Santo que um crente tenha. Escrevi várias postagens sobre isso aqui em meu blog), "as revelações extra bíblicas ou se preferir, as profecias extra bíblicas ou particulares", o uso desequilibrado de certos dons espirituais como o "dom de línguas", a tal "liberdade no Espírito" criadora das diversas "unções de animais, bichos, etc..." que de Espírito nada tem e transforma e diria, transtorna cultos cristãos. E só menciono algumas aqui."

Alertar para desvios ou incentivar uma análise mais criteriosa e bíblica sobre essas questões não deveria afastar irmãos, mas infelizmente, afasta.
Ouso enumerar algumas razões desse afastamento:

a) A má vontade em ouvir

A desunião ou o afastamento se dá muito mais pela indisposição e má vontade em compreender as razões que levaram um irmão a crer diferente do que propriamente nas questões doutrinárias. Logo se ergue um muro de defesa onde não há existe possibilidade de diálogo ou exposição. Não há portas para o amor e a comunicação. Triste e lamentável pois divergências nesses aspectos, que julgo secundários, não deveriam afastar irmãos e muito menos líderes cristãos. E mais, quando se combate esses excessos e equívocos, logo afirmam que estamos provocando divisões e temos o que é secundário como primário. 
Ora, afirmar o que se crê em questões não essenciais, não deveria trazer inimizades e causar melindres dentro da irmandade cristã. Devemos entender que existirão pessoas que pensarão diferente de nós sobre esses temas e devemos respeitar isso.
Devemos ouvir os argumentos antes de rejeitá-los. É o mínimo que se espera de um irmão em Cristo.
Temos que deixar os melindres de lado e buscar compreender nossos irmãos, sejam eles tradicionais, reformados ou pentecostais e a partir dessa premissa, entender os argumentos contrários, e mesmo não os aceitando, respeitá-los, pois como já observei, são coisas secundárias que não deveriam estar a gastar muito de nosso tempo, seja em pensamentos, conversas e diria, em provocações e indiretas feitas muitas vezes de forma covarde e sorrateira aqui pela internet.
Não é assim que cristãos agem.
Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.
Tiago 1:19-20

b) A insegurança em permitir que os liderados pensem

A atitude equivocada e insegura de defender uma idéia ou conceito para alguém que antes não conhece "os dois lados da moeda" é uma forma de ditadura que prende e oprime as pessoas proibindo-as de analisar, raciocinar e discernir sobre as diversas linhas teológicas existentes sobre a mesma questão.
Essa estratégia é largamente utilizada por ditadores e sistemas de governo opressores e autoritários. O que vale é o que é informado e propagado pelo sistema e as pessoas ali estão proibidas de conhecer o “lado de fora da cerca”.
Isso demonstra insegurança e mesmo dúvidas. Será que o líder tem convicção mesmo do que ensina, ou tem dúvidas de suas certezas?
E já que são pontos secundários, e o são, por que o medo? por que a aversão? por que a insegurança? por que a tendência de não permitir a tal liberdade que tanto defende? 
São paradoxos interessantes a se refletir não acha?
Somente para ilustrar, tenho por costume quando ensino teologia especificamente em Teologia Sistemática e mais especificamente ainda, na questão da doutrina do Espírito Santo (Pneumatologia) de mostrar as principais linhas existentes e deixar o aluno tomar partido daquela que entende ser a mais correta biblicamente. Quando ensino sobre isso na Igreja que pastoreio digo qual a linha que a Igreja segue e deixo as pessoas entenderem e aceitar ou não, ficando ali ou procurando uma outra igreja para congregar onde seguirá aquilo que entende ser o correto nessas questões secundárias.
Não podo as pessoas, não as prendo em um curral. Deixo-as pensar.
Isso é liberdade cristã, o resto é conversa fiada.
Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor...
Isaías 1:18

c) A busca pelo debate ou quem sabe até, a contenda.

É interessante e diria intrigante, que muitos mestres pentecostais que abominam o tal debate sobre essas questões não param de falar e escrever sobre elas. Ora, faça o que diz para os outros fazerem. Seja coerente. Não seja rabugento ou procure discussões inúteis. Mesmo em divergências podemos ter uma postura cristã.
Eu pessoalmente não aprecio debater sobre certas questões, mas também não fujo de propagar o que creio, mesmo nessas questões secundárias. Aqui no blog trabalho várias dessas questões, mas sempre com respeito, educação e bom senso. Não sou perfeito, mas penso que devemos agir assim.
E não tenho medo ou receio de alguém da igreja que sou pastor venha a pensar diferente de mim nessas questões e decida congregar em outra igreja.
Não considero isso divisão ou rebeldia, considero isso normal na vida e na história da Igreja. Rebeldia seria ficar e causar transtornos tentando alastrar o seu pensamento como o certo e dos demais como errado. Aí poderiam haver divisões e contendas.
Negar o fato de divergências em questões secundárias é negar a própria Bíblia onde narra e registra discordâncias entre irmãos em pontos não essenciais, mas que no final das contas decidiam juntos, sempre com respeito e amor cristão (Leia Atos e encontrará o que afirmo).
Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar;
Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento;...
1 Timóteo 3:2-3

d) A estratégia do pastor "paz e amor"

Alguns pastores e líderes cristãos usam uma estratégia muito usada na política ou melhor, na politicagem secular para arrebanhar e assegurar que as pessoas não saiam de seus currais para conhecer a grandeza do pasto que o Senhor lhes oferece. 
Eles se transformam em pastores "paz e amor", ou seja, não falam ou ensinam nada que possa magoar ou incomodar os membros das igrejas que pastoreia.  E mais, sendo assim, eles também não acreditarão em nada que outros pastores de igrejas que seguem outras linhas teológicas. Fazem de tudo para serem considerados como "paizões" enganando as pessoas e não deixando que elas vejam além dos currais de sua denominação.
A realidade é que se trata de um amor com interesse e não um amor cristão genuíno. A intenção é exclusivista e egoísta e busca prender as pessoas e não amá-las.
Isso não é apascentar o rebanho de Cristo, isso é enganar o povo de Deus.
O combate então aos excessos e equívocos é deixado de lado em prol do tal amor paternal. 
Mas que pai é esse que não permite que seus filhos cresçam? 

Detalhando mais alguns excessos e equívocos, entendo que na sua grande maioria se concentram na forma como alguns cristãos entendem o que é adoração e/ou culto cristãos. 

a) Excessos na Adoração:
Alguns aqui diriam como posso averiguar ou medir o que é um excesso na adoração. Ora, respondo que realmente não posso, mas a Palavra de Deus pode e assim o faz. 
Existem várias formas de adoração com expressões físicas registradas na Bíblia (principalmente no AT) que devem pautar e guiar a nossa adoração a Deus seja congregacional ou individual. Temos um série de exemplos e ensinamentos sobre essa questão na Bíblia, na história da Igreja e também muita gente boa e cristã que já escreveu sobre isso como Russel Shedd, Sproul, Stott e outros (se quiser posso mencionar até mais de 10 autores aqui...).
Mas eu desafio alguém a me mostrar algum registro ou ensino acerca da adoração ou culto como vemos em certos locais, por ex: ficar girando, piruetas, rodopiando, sapateando, imitando animais, uivando, empurrando um ao outro (atitudes que são muito comuns em reuniões espíritas e cultos de religiões africanas), andando como se tivesse quatro patas, se vestindo de avental branco, emitindo sons e urros como animais e outras práticas sem vínculo algum com o texto bíblico.
E mais, estamos na era das "unções". Cria-se unções de todos os tipos e para todos os gostos, até passar a unção de um para o outro já inventaram (até a unção das vassouras, unção do aviãozinho, etc, vejam vocês...)
Estes excessos devem ser combatidos e expulsos da Igreja de Cristo.

b) A confusão entre emoções e emocionalismos
Alguns mestres e doutores pentecostais (digo alguns porque existe muita gente boa e com discernimento no meio pentecostal), diriam aqui que não podemos excluir as emoções das pessoas, pois assim ficariam reprimidas e doentes. Argumento que novamente há uma confusão aqui. Não se podem confundir emoções com emocionalismos.
Emoções todos nós temos e isso é bom.

Já o emocionalismo é o descontrole dessas emoções de tal forma que nos tornamos pessoas descontroladas, histéricas e irracionais. Mas vão adiante estes que não suportam serem contrariados, afirmam que não podemos afirmar que essas manifestações ou experiências não provenham de Deus. Como assim pergunto? Como pode um crente sério, responsável e temente a Deus entender que esses absurdos tem origem em Deus? Onde encontram respaldo escriturístico para tais afirmações? 

E para encerrar, há uma falácia propagada por alguns ao defender a unidade e amor cristãos. Dizem esses que essa unidade e amor se dão pela concessão que fazemos em certos casos em prol de um falso equilíbrio.
Ora, a aparente harmonia não é sinal de unidade cristã ou de expressão do amor, a unidade e amor cristão são marcados e autenticados pela fidelidade e lealdade à Palavra de Deus. O equilíbrio revelado nas Escrituras não acontece porque somos complacentes com o erro, mas sim pelo trabalhar do Espírito em nossa vida (Fruto do Espírito) nos santificando dia-a-dia pela e através da Palavra.
Essa é a verdade bíblica e nem uma tentativa frustrada de compêndio ou argumento "teológico" conseguirá mudar isso.




Que Deus nos ilumine para entender que somos um só povo e não vários.
Que Deus nos ilumine para entender que as ovelhas aos nossos cuidados não são nossas, mas de Jesus Cristo.
Façamos o trabalho de apascentar esse rebanho, não de aprisioná-los em nossas teimosias, melindres, interesses pessoais e escusos.

Deus, por misericórdia, nos abençoe.
Pr. Magdiel G Anselmo.



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