sexta-feira, 25 de abril de 2014

A síndrome da preguiça de pensar e repensar


Há uma enfermidade que se alastra cada dia mais na sociedade atual: é a síndrome da preguiça em pensar e repensar, que quando em seu estado mais avançado transforma-se numa outra enfermidade ainda mais séria, a agressividade contra tudo e todos que o contrariam. 
A verdade é que poucos tem o trabalho de raciocinar de verdade e analisar situações, circunstâncias e tudo mais. A tendência a uma superficialidade e uma mediocridade advinda dela está presente em todas as esferas da vida humana nessa sociedade pós moderna que acentua a rapidez e pragmatismo como sendo filosofias de vida a se buscar. O aprofundamento e estudo tem sido deixado de lado e considerado pela imensa maioria como formas antiquadas e "politicamente incorreta" de agir. 
Isso está criando gerações de pessoas que não pensam e aceitam tudo que lhes é imposto sem uma análise e sem uma interpretação correta. As pessoas que imaginam pensar, "pensam" que aquilo que exigirá maior atenção e tempo não é relevante, portanto, descartável e desnecessário.
E aí cresce a geração de "papagaios" que só repetem e replicam opiniões de outros sem a devida, repito, análise.
Quer um exemplo dessa realidade? Veja, existem grandes problemas na forma com que as pessoas pensam e interpretam textos e, conceitos, posições, convicções e princípios advindos deles atualmente. Já algum tempo, a humanidade caminha na tendência de não se aprofundar na leitura e buscar sempre a superficialidade e o imediatismo. Com o advento da internet isso parece que piorou. As pessoas não aceitam ler mais do que três linhas... O twitter está aí pra provar o que digo. 
As pessoas não conseguem interpretar um texto porque simplesmente não o leem. E pior, amam emitir opiniões a partir do que desejam entender e não do que entenderiam ao se ocupar com a leitura na íntegra de um artigo, obra ou postagem e sua devida reflexão. Basta postar uma chamada para uma postagem ou artigo e já aparecem muitos emitindo opinião sem, contudo, ter tido o cuidado de ler a postagem inteira. Pura preguiça e desconhecimento do básico de interpretação de textos.
Certamente, essa tendência tem se infiltrado na Igreja a tempos, com cristãos que não leem a Bíblia ou a leem "em retalhos" e saem emitindo opiniões e até ensinando outros. 
A hermenêutica e a exegese bíblica para esses são apenas termos "esquisitos" falados por teólogos que não tem o que fazer. O bom exercício da leitura e da reflexão do que se leu tem se perdido em meio a essa filosofia pragmática e pós-moderna que incentiva o senso comum e não o senso crítico a respeito do que se é propagado seja em obras escritas, seja pela mídia em geral, seja nos púlpitos das igrejas, seja na academia. 
O bom exemplo dos crentes bereianos de analisar, se aprofundar, confirmar e passar tudo que se ouve, lê e vê pelo crivo bíblico já se torna ultrapassado em muitos locais e grupos. Se você emiti uma opinião contrária, é tratado como inimigo ou insensível, se discorda mas não mostra sua divergência, de covarde ou omisso. Mas poucos decidem conhecer de fato o que escreveu. A grande maioria apenas ataca, ofende, agride...mas não sabe ler, interpretar, e consequentemente, pensar..., discernir espiritualmente, é lamentável. 
Isso confirma e corrobora ainda mais o que penso e creio acerca dos que radicalizam e não possuem equilíbrio necessário para compreender que jamais na história da Igreja houve consenso total sobre questões secundárias (antigas), e as mais recentes então nem se fala. As questões e doutrinas fundamentais da fé cristã devem ser cridas, propagadas e defendidas por todos os cristãos, agora, existem questões secundárias (usos e costumes, metodologias, formas, etc...) que não devem causar contendas ou conflitos desnecessários, a não ser e exceto quando contrariar ou perverter os princípios e valores revelados por Deus em Sua Palavra. Do contrário, não merecem maior atenção dos cristãos responsáveis, sérios e tementes a Deus e não devem dividir de tal forma que causem prejuízos e males ao caminhar da Igreja e sua missão.
Ora, certamente, não é a opinião contrária nessas questões secundárias que divide, é a reação desproporcional, desequilibrada, precipitada e, sem dúvida, nada cristã com relação a elas que assim o faz. Os cristão deveriam aprender a discordar e argumentar honestamente sobre pontos não fundamentais da fé cristã com vistas a edificação e não se fechar aos argumentos contrários que se fundamentam nas Escrituras. Se isso não ocorrer, o aprofundamento necessário na opinião que diverge não será levada em consideração e, acredito, que se perde uma ótima oportunidade de lidar com temas que muitos consideram delicados e complicados (e em sua maior parte o são mesmo). 
Como cristãos deveríamos ouvir atentamente uns aos outros, se amigos, a observação bíblica de "que ferro com ferro se afia" é deveras interessante e adequada aqui. Isso não significa que obrigatoriamente mudaremos nossa opinião ou convicção, mas sem dúvida, tivemos a coragem de por a prova essas mesmas convicções confrontando-as com argumentos e convicções de outros cristãos e homens de Deus. Essa prática é muito saudável, pra não dizer bíblica.
Entretanto, sei que sempre será mais fácil repelir sem analisar, do que refletir para depois reavaliar suas próprias convicções. Mas, deveríamos atentar para o fato de que a primeira nos faz escravos de nosso guetos religiosos e denominacionais, a segunda, nos liberta para crescermos como cristãos e filhos de Deus com visão de Reino... cristãos que pensam, além de crer.
Pense e reflita nisso. Se é que leu até aqui ...



Pr. Magdiel G Anselmo.

Um comentário:

  1. É verdade Pastor, existe um comodismo que já passou dos limites, eu faço alguns posts mas já com cuidado para as pessoas leiam, pois sei que essa preguiça é realmente uma doença. Infelizmente temos que nos adaptar aos que não tem disposição para lê , estudar etc.

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