sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Questões acerca do "batismo com Espírito Santo" terceira parte.




"Experiências pessoais e especiais com o Espírito Santo devem ser 

consideradas como "padrão" para todos os demais cristãos?"

Prosseguindo com a série, nesta terceira parte passarei a escrever sobre a questão das experiências espirituais e por isso, especiais (pois penso que experiências com Deus são, sem dúvida, especiais e não podem ser entendidas como banais) que todos os cristãos vivenciam na sua caminhada cristã. Mas desejo também expor e esclarecer que nem sempre uma experiência espiritual tem origem em Deus, muitas vezes é simplesmente carnal (espírito ou psique humana) e em outras, diabólica mesmo.
Mencionarei de passagem três explicações das quais não deveríamos nos esquecer, mas com as quais não quero me demorar. 

Em primeiro lugar, uma pequena parte destas experiências sem dúvida são demoníacas, uma imitação horrível efetuada por Satanás, das experiências espirituais genuínas. 
Jesus nos advertiu deste tipo de coisas, e a onda alarmante de fascinação com as coisas ocultas nos dias de hoje, deveria pôr-nos em estado de alerta, ilusões satânicas falsas não deveriam enganar os filhos de Deus, por outro lado. O diabo odeia tanto Cristo quanto a santidade, e não iremos ver Cristo honrado ou a santidade promovida onde ele controla a situação.

Em segundo lugar, uma grande parte destas experiências é psicológicaE óbvio que, em certo sentido, todas as nossas experiências são psicológicas. 
No entanto, o que eu quero dizer é que algumas experiências que consideramos espirituais, na verdade são psicológicas, porque se originam em nossa psique humana, e não no Espírito de Deus. Isto certamente vale para parte do chamado "falar em línguas". Não posso precisar o volume delas. Porém, formas de "glossolalia", fala involuntária além do controle da mente consciente, são bem conhecidas em círculos hindus, muçulmanos e mórmons, bem como em algumas condições clínicas, e este fenômeno não parece ser diferente do que muitos cristãos praticam hoje. 
No entanto, isto não deveria nos preocupar demais. Atribuir algo à psique humana não é a mesma coisa que atribuí-lo ao diabo, O que é "psicológico" pode ser moral e espiritualmente neutro. É muito mais importante perguntar se glorifica a Cristo e promove justiça.

Em terceiro lugar, algumas outras experiências do nosso tempo parecem realmente ser experiências de conversão. 
Quando ouvimos falar de cristãos nominais, liberais ou católicos que dizem ter sido "batizados com o Espírito", muitas vezes suspeitamos que eles estão na verdade descrevendo o que costumava ser chamado de "experiência evangélica", isto é, a sua conversão. Neste caso, a sua descrição do que lhes aconteceu é mais bíblica do que muitos possam pensar!
Tendo mencionado estas três explicações, quero agora concentrar-me em experiências que não parecem ser nem demoníacas nem puramente psicológicas, e que também, evidentemente, não são experiências de conversão, porque acontecem com cristãos convertidos já há multo tempo. 
Pelo contrário, são autênticas, experiências mais profundas de Deus. 
Sobre estas, sem dúvida a primeira coisa que precisa ser dita é que o Espírito Santo é Deus, o Senhor. Ele é o Espírito divino, o Espírito poderoso, o Espírito livre e soberano. Não devemos querer limitar sua atuação; na verdade, mesmo se quiséssemos fazê-lo, não conseguiríamos. Devo insistir que, de acordo com o Novo Testamento, a norma de Deus é um "batismo" inicial com o Espírito, seguido por uma apropriação contínua e crescente da sua plenitude, que inclui um crescimento contínuo em santidade e em direção à maturidade cristã; apesar disto deve ser acrescentado que, dentro deste processo de crescimento, podem haver muitas experiências mais profundas, e que, às vezes, o Espírito atua de maneira ainda mais fora do comum. Ao escrever sobre estas experiências subsequentes, quero enfatizar primeiro seu caráter variado, depois sua importância secundária e, por último, o fato de que elas são sempre incompletas.

Primeiro, portanto, sua variedade. 
Sob este título eu incluo que experiências iguais ou semelhantes podem ser repetidas. Se atentarmos cuidadosamente para o ensino do Novo Testamento observaremos que pode ser resumido como "um batismo, muitos enchimentos". Um novo preenchimento pode preceder uma nova responsabilidade, e ser concedido para nos equipar para um trabalho novo e exigente. Ou ele pode seguir um período de desobediência, declínio ou sequidão, quando o pecador arrependido de repente se vê elevado a um novo plano de percepção espiritual e vivência.
Até certo ponto estas experiências irão variar de acordo com o nosso temperamento. O Espírito Santo nos respeita como indivíduos e não suprime com uma nova criação o que já somos por nascimento. Ele trabalha dentro de nós com meios adequados a nós, fazendo-nos livres para sermos nós mesmos, conforme o potencial pleno com que fomos criados. Nosso temperamento básico não muda, e esta é uma das principais razões para a ampla variedade das experiências espirituais. Não iremos e nem podemos esperar que tipos chamados "fleumáticos" ou "coléricos" ou extrovertidos e introvertidos (usando aqui a teoria e tese dos temperamentos), experimentem Cristo da mesma maneira.
Entretanto, todos os cristãos podem esperar experiências novas de Deus. Deus não gosta de coisas antiquadas ou estagnadas. Ele pede que cantemos um cântico novo, porque Ele quer que nosso conhecimento acerca dEle seja novo; ele também promete que Suas misericórdias "renovam-se cada manhã" (Sal. 40:3; 98:1; Lam. 3:23). 
Às vezes, o testemunho interior do Espírito Santo, assegurando-nos que somos realmente filhos de Deus, é confirmado de maneira poderosa e maravilhosa, libertando-nos completamente de escuridão e dúvidas. Às vezes, ele inunda nosso coração como uma onda tão imponente do seu amor que quase lhe pedimos que detenha sua mão para não sermos afogados por ela. Às vezes, nosso coração "arde" quando Cristo nos abre as Escrituras, e nós O vemos nas Escrituras como ainda não o tínhamos visto antes (Luc. 24:27,32). Às vezes, experimentamos uma aceleração do nosso pulso espiritual, um bater do coração, uma intensificação do nosso amor por Deus e pelas pessoas, uma sensação penetrante de paz e bem-estar. Às vezes, na reverência digna do culto público, ou na comunhão espontânea de uma reunião numa casa, ou durante a Ceia do Senhor, ou durante a oração pessoal, de repente uma realidade invisível toma conta de nós. O tempo pára. Entramos em uma nova dimensão da eternidade. Ficamos em silêncio e conhecemos que Deus é Deus. Calmos aos seus pés e o adoramos.
Já quando tentamos descrever o que é indescritível vimos que todos os integrantes da Trindade estão envolvidos. A experiência do cristão é experimentar Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Na verdade não existe uma "experiência do Espírito Santo", da qual Pai e Filho estão excluídos. Seja como for, o Espírito Santo é um Espírito discreto. Ele não chama, intencionalmente, a atenção para Si mesmo. Ele prefere nos levar a orar "Aba, Pai!", dando, assim, testemunho do relacionamento de filhos com Deus (Rom. 8:15,16; Gál. 4.6). 
E, acima de tudo, ele glorifica Cristo. Ele dirige os fachos poderosos dos seus holofotes para o rosto de Jesus Cristo. Não existe momento em que Ele esteja mais contente do que quando o crente se concentra em Jesus Cristo. Foi no contexto da vinda do Espírito que Jesus disse:
"Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele." (João 14:21).
Quem ama Jesus realmente, provando seu amor com obediência, não pode imaginar recompensa maior que esta manifestação prometida do seu Amado pelo Espírito. Isto traz o que Pedro chama de "alegria indizível e cheia de Glória" (1 Ped. 1:8).
Estas experiências das quais eu falei até agora podem ser chamadas de "comuns", porém e ao mesmo tempo, "especiais" (paradoxo proposital), porque se relacionam com a certeza, o amor, a alegria, e a paz que, de acordo com a Escritura, são comuns a todos os crentes, em alguma medida. Eu ficaria surpreso se algum leitor cristão desse artigo não tivesse nenhuma noção delas. 
Todavia, existem outras experiências, às quais preciso chegar agora, de caráter mais "incomum", ou ainda "mais especiais" por não serem parte da experiência normal do cristão que o Novo Testamento apresenta. Pode acontecer que o Espírito Santo conceda ao crente o que concedeu ao apóstolo Paulo, "visões e revelações do Senhor", de uma maneira tal que Paulo diz ter sido "arrebatado até o terceiro céu" e ouviu "palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir" (2 Cor. 12:1-4). Em outras ocasiões, especialmente em tempos de reavivamento, crentes dizem ter tido experiências e visitações de Deus bastante extraordinárias.
Algumas vezes, um evangelista ou pregador cristão recebe acesso maravilhoso ou poder sobrenatural para o ministério especial para o qual Deus o chamou. Provavelmente já lemos destas experiências nas biografias de grandes homens de Deus como John Wesley e George Whitefield, Jonathan Edwards e David Brainerd, D, L. Moody e outros. Com terminologia bíblica, diríamos que estes homens foram "ungidos" com o Espírito Santo (ressalto, "com terminologia bíblica").
Apenas explicando melhor com relação a terminologia, devemos ter cuidado em usar esta palavra, porque, em certo sentido, todos os cristãos foram "ungidos" com o Espírito Santo, ou receberam a "unção" do Espírito (2 Cor. 1:21, 1 João 2:20,27). Mesmo assim, a Escritura também usa estes termos para situações especiais como quando Jesus aplicou a si mesmo as palavras de Isa. 61:1, no início do Seu ministério público, dizendo: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar..." (Luc. 4:18). Talvez também devamos entender neste sentido o que aconteceu a Saulo de Tarso quando Ananias o visitou. Ele deveria ficar "cheio do Espírito Santo" (Atos 9:17), para ser "testemunha" de Cristo a todas as pessoas, acerca do que vira e ouvira (22:15; veja também 26:16-18). Esta foi sua nomeação e unção como apóstolo.
A esta altura precisamos notar a grande variedade de tais experiências. Não tenho a intenção de duvidar ou questionar sua validade. O que preocupa é o estereótipo fixo que algumas pessoas zelosas tentam impor a todos, insistindo em um chamado "batismo do Espírito", subseqüente à conversão, que deve assumir uma certa forma e ser acompanhado por certos sinais. É isto que eu me sinto obrigado a rejeitar como incompatível com a Escritura.
Entretanto, não substituamos um estereótipo por outro! 
Tudo o que podemos dizer é que a vida cristã começa com um novo nascimento, que pode acontecer de muitas maneiras diferentes, mas sempre inclui o "dom" ou "batismo" do Espírito, e que é seguido de crescimento em maturidade, um processo que pode incluir uma grande variedade de experiências mais profundas.

Do caráter variado destas experiências, passo para um comentário da sua importância secundária. 
Elas podem ser profundamente comoventes, até empolgantes. Mas não é possível que qualquer uma delas se compare em importância com a primeira obra da Graça de Deus, quando ele teve misericórdia para conosco e nos reconciliou com ele. Alguns cristãos falam com exagero das suas experiências posteriores, como se antes estivessem aprisionados e agora livres: "antes tudo era aguado, agora a água se transformou em vinho".
A verdade é que eles devem estar confundindo sentimentos subjetivos com realidades objetivas. Quando nos unimos a Cristo pela fé, acontece algo tão tremendo que o Novo Testamento não encontra palavras adequadas para descrevê-lo. É um novo nascimento, sim, mas também é uma nova criação, uma ressurreição, luz no meio das trevas, vida que sai da morte. Éramos escravos, agora somos filhos. Estávamos perdidos, agora voltamos para casa. Estávamos condenados e destinados à ira de Deus, agora fomos justificados e adotados em Sua família. Que experiência posterior é possível comparar com esta em grau de importância? Ao descrevermos experiências posteriores, devemos ter cuidado em não desvalorizar nossa regeneração ou desprezar a primeira, decisiva e criadora obra do amor de Deus.

Minha terceira observação sobre as experiências subsequentes é que elas são incompletas. 
Algumas pessoas falam das suas próprias experiências dando a impressão de que nada lhes tinha acontecido antes, e que nada mais poderia lhes acontecer depois! Elas dão a impressão de que chegaram onde é possível chegar. Foi esta presunção dos coríntios que Paulo descreveu com sarcasmo tão mordaz:
"Vocês já têm tudo o que precisam! Já são ricos! Vocês já se tornaram reis, e nós, não! Que bom se vocês fossem reis de verdade, para que nós pudéssemos reinar junto com vocês!" (1 Cor. 4:8, BLH).
Eles se comportavam como se estivessem gozando seu pequeno milênio particular! Acontece que o mesmo Novo Testamento, que fala em termos tão contundentes do que Deus fez por nós em Cristo, insiste em nos lembrar que apenas estamos começando a entrar na posse da nossa herança. Ainda iremos passar fome e sede durante esta vida, sabendo que somente na próxima não estaremos mais famintos nem sedentos. Por esta razão encontramos no Novo Testamento, lado a lado, expressões de afirmação e de anseio, de satisfação e de insatisfação. Por um lado "alegramo-nos", por outro "gememos" (p. ex., Rom. 8:23, 2 Cor. 5:2). É verdade que a alegria é parte do fruto do Espírito, mas também existe tristeza para o cristão.
Alguns cristãos falam e se apresentam como se estivessem pensando que devessem trazer no rosto um sorriso permanente! Em conteste, lemos sobre o santo do Antigo Testamento, que disse: "Torrentes de água nascem dos meus olhos, porque os homens não guardam a tua lei (Sal. 119:136), ou do próprio Senhor Jesus, que chorou porque a cidade de Jerusalém não queria se arrepender (Luc. 19:4l), ou do seu apóstolo Paulo que, em certas ocasiões, pôde escrever somente "chorando" (p. ex., Filip. 3:18). Às vezes, desejo poder ver mais lágrimas de cristãos hoje; desejo que existam mais cristãos sensíveis, profundamente perturbados com a contínua pecaminosidade do mundo, da Igreja e do próprio coração, e chorando por isso. Somente na consumação Deus irá enxugar tocas as lágrimas dos nossos olhos (Apoc. 21:4).

Uma  Exortação
 Para concluir esta terceira parte, tomo a liberdade de pronunciar uma exortação prática e pessoal, primeiro aos que não dizem ter tido manifestações excepcionais do Espírito Santo; depois aos que dizem que as tiveram, e, por último, a todos nós, quaisquer que tenham sido as nossas experiências.
Primeiro, quero dirigir-me àqueles que, apesar de podermos ter tido muitas experiências profundas do tipo mais "comum", talvez não tenham vivido qualquer experiência mais incomum com o Espírito Santo. Para nós seria fácil, por causa de medo, orgulho ou inveja, questionar ou mesmo negar a validade de experiências que outros dizem ter. Porém, seria um erro agir assim, somente porque outros dizem ter tido estas experiências e nós não as tivemos. Sem dúvida devemos "julgar todas as coisas" e, especialmente, "provar os espíritos" (1 Tess. 5:21; 1 João 4:1). Também podemos achar sábio abster-nos de julgar, em alguns casos.
Ao mesmo tempo, desde que na experiência não haja nada contrário à Escritura, e desde que os frutos da experiência pareçam ser benéficos para o crente e edificantes para a Igreja, humildemente devemos estar dispostos a reconhecer a atuação incomum do Espírito Santo em outras pessoas.
Todos nós, nestes dias em que o Espírito Santo parece estar ativo, precisamos ser sensíveis ao que ele pode estar dizendo e fazendo entre nós. Temos de tomar muito cuidado para não blasfemarmos contra o Espírito Santo, atribuindo sua obra ao diabo, e também para não entristecer o Espírito, tentando enquadrá-lo em nossos próprios padrões tradicionais e seguros. Por outro lado, também não devemos apresentar um descontentamento pecaminoso com sua atuação mais comum em nós. Experiências fora do comum não são necessárias para a maturidade cristã. Devemos nos alegrar no que conhecemos do Espírito Santo como mestre e testemunha, e no amor, na alegria, na paz e no poder que ele nos conferiu.
Em segundo lugar, quero dirigir uma palavra aos que receberam uma visitação incomum do Espírito. Sem dúvida, vocês estão agradecendo a Deus pela grandiosa Graça que Ele lhes concedeu. Entretanto, lembrem-se que o Espírito Santo é um Espírito soberano. Ele distribui os diferentes dons espirituais "Como lhe apraz" (1 Cor. 12:11) e, da mesma forma, exerce seu ministério incomum também de acordo com Sua vontade. É compreensível que você queira dar testemunho do que Deus fez por você. Mas peço-lhe que não procure estereotipar a experiência espiritual de todos ou, mesmo, imaginar que o Espírito Santo necessariamente pretende dar aos outros o que deu a você. São as graças espirituais que devem ser comuns a todos os cristãos, não os dons ou as experiências espirituais. Em outras palavras, deixe que sua experiência leve você a louvar e adorar; mas faça com que sua exortação aos outros seja baseada, não em suas experiências, mas na Escritura.
Para ser mais específico, quero apelar a você que não exija dos outros um "batismo do Espírito" como uma segunda experiência subseqüente, totalmente distinta da conversão, porque isto não pode ser provado na Escritura. Em vez disto, por favor insista em que todos tenhamos o que a Escritura espera de nós, realmente: que não entristeçamos ou apaguemos o Espírito Santo (Efés. 4:30, 1 Tess. 5:19), mas que andemos no Espírito e sejamos preenchidos pelo Espírito (Gál. 5:16, Efés. 5:18). Insista nestas coisas, e lhe seremos gratos.
Por último, quero fazer uma exortação a nós todos, seja qual for nossa condição espiritual. Busquemos constantemente ser cheios do Espírito, ser guiados pelo Espírito, andar no Espírito. Será que não podemos concordar nisto com alegria, de maneira que não haja divisões entre nós? Além disto podemos concordar que a principal condição para receber a plenitude é estar com fome. A Escritura diz que Deus enche a boca dos famintos com coisas boas e despede os ricos vazios. Ele diz: "Abre bem a tua boca, e ta encherei" (Sal. 81:10).
Isto não quer dizer que nesta vida haverá um momento em que estaremos tão cheios que não teremos mais fome. É claro que Deus, em Cristo, através do Espírito, satisfaz nossa fome e mata nossa sede, mas, afinal, está escrito que somente na outra vida "jamais terão fome, nunca mais terão Sede" (Apoc. 7:16). Nesta vida nossa fonte é satisfeita somente para se manifestar de novo. Jesus disse: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça" (Mat. 5:6), deixando implícito que ter fome e sede de justiça é tanto um estado permanente do cristão quanto ser "pobre de espírito", "manso" ou "misericordioso".

Portanto, nem os que tiveram experiências incomuns, nem os que não as tiveram, devem crer que já "chegaram lá", e que Deus não pode enchê-los anda más de Si mesmo! Todos nós precisamos ouvir e atender o convite gracioso de Jesus: "Se alguém tem Sede, venha a mim e beba". Precisamos aprender a continuar indo a Jesus e continuar bebendo. Somente assim, na linguagem sábia e equilibrada do Livro Comum de Oração, podemos "diariamente crescer sempre mais no Espírito, até entrarmos no Reino eterno de Deus".
Que assim seja.

Pr. Magdiel G Anselmo.

*Em breve a quarta parte da série: "Questões acerca do batismo com Espírito Santo", abordando agora o seguinte aspecto: "A diferença entre batismo e plenitude do Espírito". Aguarde.

Bibliografia pesquisada:

Brown, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 
Hodge, C. A Commentary on the Epistle to the Ephesians, (Banner of Truth, Londres, 1964)
Gruden, Wayne. Manual de Teologia Sistemática. Ed. Vida. 
Mounce, William D. Fundamentos do Grego Bíblico.
Novo Comentário da Bíblia. J. D. Douglas. Ed. Vida Nova.
Novo Dicionário da Bíblia. J. D. Douglas. Ed. Vida Nova.
Stott, John. Batismo e Plenitude do Espírito Santo. (pgs.59-69). Ed. Vida Nova.
Sproul, R. C. Eleitos de Deus. Ed. Cultura Cristã.
Bíblia em várias versões.




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