domingo, 5 de janeiro de 2014

A Santificação, um processo espiritual em andamento


Prosseguindo analisando e expondo a doutrina da salvação, vamos aprofundar um pouco no aspecto "santificação" que se trata de um processo na vida de todo nascido de novo, salvo em Cristo Jesus. Mencionando o diálogo entre o Senhor Jesus e Nicodemos, O Mestre denomina de “nascer de novo” um fenômeno que se dá na conversão de uma pessoa e acabamos de analisa-lo juntamente com a forma usada para isso acontecer na postagem anterior. Como vimos, a conversão, regeneração, justificação e adoção se dá imediatamente na salvação de uma pessoa. Já a santificação é processual e é ela que abordamos agora.
Jesus faz questão de destacar e diferenciar as origens e consequências dos dois nascimentos que ele reconhece. O primeiro nascimento é da carne. Gera, portanto, seres carnais. O segundo nascimento é, conforme declaração do Senhor, do Espírito. Logicamente, portanto, gera seres espirituais. O fato concreto, no entanto, é que somente se “nascer de novo” o homem pode entrar no Reino de Deus.
Nasceu ! E agora ?
Agora tem início um processo normal a todo ser vivo: crescimento. Crescimento até à maturidade. 
Na vida do cristão este crescimento tomou o nome especial que já mencionei, de santificação. E está certo. Sim, porque ao deixar a sua incredulidade e a rebeldia consequente que o afastava do Criador, o homem de novo gerado inicia uma vivência em que vai aprender a crer de novo em Deus, a obedecer-lhe em tudo e a viver em sua comunhão. Foi exatamente para participar da família celestial que o pecador abandonou o seu caminho anterior. Assim ele está literalmente se separando da carne, do mundo, dos atos pecaminosos de incredulidade, para se dedicar à obediência, á soberania do Pai, à prática de sua comunhão com o Pai, o Espírito e o Filho, e com os irmãos de fé.
Nas Escrituras, o Senhor Jesus é apresentado desempenhando várias funções. Uma delas é a de modelo. É importante também notarmos que o agente do nosso crescimento é o próprio Deus. E a pessoa divina encarregada de nos conduzir neste desenvolvimento cristão é o próprio Espírito do Senhor, e esse crescimento se dará através do ensino sadio e sistemático das Escrituras e do envolvimento do crente com a igreja de Cristo buscando em todas as suas formas de atuação e serviço o seu lugar, seus dons e ministérios no corpo do Senhor. Para entendermos melhor, dividamos o crescimento espiritual em três aspectos fundamentais:

1. Crescimento na Graça
Precisamos entender biblicamente o que significa a “Graça de Deus”. Sabemos que graça é favor; todo favor é imerecido quando se trata da relação homem e Deus, se não deixaria de ser favor. Nossa salvação é um favor de Deus. Nós não a merecemos, mas Deus nos agraciou com esta benção.
Em termos jurídicos somos justificados mediante a fé (Rom. 5:1)) tendo atribuída a nós a santidade e a perfeição de Cristo. Em termos paternais somos readmitidos no convívio da “casa do Pai” por termos abandonado a incredulidade e movidos a  crer no amor e nas promessas do Pai. A nossa “graça”, pois, é : 
1. não existir mais nenhuma promissória de dívida nossa diante de Deus (Cl. 2:14); 2. podemos entrar no Santo dos Santos, ou seja, na presença do próprio Deus (Hb. 10:19-22a) e 3. gozamos a presença e a atuação do Espírito Santo em nosso viver de cada dia (João 14:26; 16:13). 
A Graça de Deus com relação ao ser humano é algo inexplicável, pois Ele continua mantendo todo o mundo e os que nele habitam, mesmo sendo esta raça aquela mesma que o ignorou e o desrespeitou lá no princípio e no transcorrer de sua existência até hoje. Sustenta e ainda fornece todos os meios para ela sobreviver.
Poderia Ele, Deus tê-la destruído a muito, mas pela sua Graça ainda a mantém. Com relação aos Seus escolhidos esta Graça é ainda mais inexplicável e infinita pois, além de mantê-los vivos e sustentá-los como o faz com todos os outros seres humanos, resolveu salvá-los e tê-los em Sua presença eternamente.
 Somente a Graça de Deus. Sola Gratia !
O crescer na Graça significa reconhecer que foi e é alvo dela a todo instante por parte de Deus buscando assim cada vez mais intimidade com o Senhor,  e que sendo assim deve, dentro do seu âmbito de atuação, estendê-la a todos que tem convívio ou contato.
Infelizmente o inimigo tem ardilosamente desviado grande número de servos do Senhor com relação ao seu crescimento espiritual. Assim é que para muitos crescer como cristãos é assumir cargos de liderança, é ascender em conceito perante a congregação, menos crescer na comunhão com o Senhor.

2. Crescimento em Conhecimento
Outro aspecto importante do caráter cristão é o conhecimento. Desejando estimular os crentes de Roma a uma vida cristã sólida o apóstolo aos gentios fala em “culto racional” (Rm. 12:1,2).
Deus nos legou um livro que na verdade são 66. Neles Deus trata de todos os assuntos possíveis e imagináveis para revelar Seu amor, Sua sabedoria, Sua bondade, Sua longanimidade e nos chama a crescer em direção a termos os mesmos sentimentos que houve em Cristo Jesus (Fp. 2:5).
Novamente aqui temos de fazer um lamento e uma ressalva. Infelizmente muitos dos salvos se despertam para crescer em conhecimento, mas não do Senhor. Buscam títulos em faculdades humanas, destacam-se em ciências e artes, mas estacionam no conhecimento do seu Deus. Não saem de João 3:16.
Deus tem prazer em nos dizer como fez, porque fez e com que propósitos o fez. Ele quer que entendamos os Seus pensamentos. Claro, enquanto mantivemos nossos pontos de vista do pecado se aplicava em nós o ensino do profeta (Is. 55:8). Mas, agora que passamos a adotar os pensamentos de Deus para nortear os nossos procedimentos ele quer mais é nos revelar o máximo que pudermos aprender para que melhor possamos admirá-lo, adorá-lo, amá-lo e com Ele comungar.
Deus quer nos fazer entender todo o Seu bom propósito seja pela leitura da Bíblia, seja pelo estudo bíblico e teológico, seja pela comunhão em oração; seja pelo testemunho interior que o Seu Espírito está pronto a oferecer ao nosso espírito, sempre (Rm. 8:14,16).

3. Crescimento em Obediência
Nosso modelo, o Senhor Jesus Cristo, no dizer de Paulo depois de se ter esvaziado das prerrogativas divinas, achando-se em forma humana fez-se obediente até à morte. É exatamente isto o que nos revela o incidente da oração no Getsêmani (Mt. 6:39). 
 A causa de tantos  convertidos depois de algum tempo desertarem  do caminho é que não aprendem, e principalmente não aprendem que devem obedecer. E quando aprenderem da forma mais dolorosa e resolverem retornar já terão perdido muito tempo, tempo que poderiam estar servindo a Deus.
Ora, o crescimento é em direção à maturidade. 
Esta tem como padrão a “perfeita varonilidade de Cristo” e a “plenitude da Sua estatura de varão perfeito”(Ef. 4:13). 
É alto demais? Só para quem foi realmente gerado de novo. Para todo aquele a quem o Espírito do Senhor fez nova criatura a vontade de Deus é “boa, agradável e perfeita” (Rm. 12:2).
Assim todo aquele que se torna nova criatura em Cristo Jesus deve ter consciência plena do que significa ter sido perdoado, ter sido admitido à presença do Senhor e “operar a sua salvação com temor e tremor”(Fp. 2:12 ).

Vale lembrar que crescimento é natural e necessário 
a todo ser que é saudável.
Nunca mais morreremos pois fomos regenerados, salvos por Deus e temos a segurança eterna de nunca mais ficarmos perdidos. Uma vez salvo, salvo para sempre. Porém, esta verdade não diminui nossa responsabilidade de crescer na Graça, no conhecimento e na obediência do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Não diminui nossa responsabilidade de avançar, subir novos degraus em nossa vida espiritual, de mergulhar no rio da Graça de Deus, de conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor. 
Precisamos crescer para servir aos nossos irmãos ainda novos e que precisam de nossa instrumentalidade, amor e conhecimento. É nosso dever cristão. E, isso tem tudo a ver com o processo de santificação operado pelo Espírito em nossa vida. 
Um dia todos nós prestaremos contas a Cristo de todos os nossos atos (Rm. 14:10; 2 Cor. 5:10). Portanto, cresça, amadureça para Glória de Deus.

Pr. Magdiel G Anselmo. 

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