sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A doutrina do Espírito Santo (Pneumatologia)


Iniciando uma série de análises teológicas acerca das doutrinas fundamentais da fé cristã, decidi escrever e iniciar com a doutrina do Deus Espírito Santo, a pneumatologia, ou se preferir, a paracletologia. 
Apesar da Bíblia nos apresentar claramente o Espírito Santo como pessoa, existe muita gente e até mesmo seitas e facções religiosas que negam esta Verdade, afirmando que o Espírito Santo é apenas uma influência, uma energia ou em termos mais duvidosos uma “força ativa” de Deus. 
Além disso, muito do que ocorre em locais, templos ou reuniões cristãs é justificado como sendo o mover do Espírito, sendo que nem sempre isso é verdadeiro. A análise bíblica de cada situação deve ser sempre uma prioridade ao cristão sério e comprometido com a Palavra de Deus e a precipitação em afirmar "isto é de Deus" ou trata-se do "mover do Espírito", deve ser rejeitada em prol de uma reflexão bíblica mais profunda e detalhada, evitando assim o apoio e propagação de atitudes e práticas descontroladas e desequilibradas, histerismos, emocionalismos e heresias de toda ordem.
Pautar e fundamentar a vida pelas doutrinas cristãs reveladas na Palavra de Deus é essencial para uma vida cristã equilibrada e saudável. 
Alguns diriam que esse procedimento ou essa atitude criteriosa com relação ao Espírito Santo nos tornam religiosos, críticos e por fim, frios e insensíveis ao seu mover e obra. Isso não é verdade. De forma alguma isso é verdade.
Não deixamos de ser cristãos fervorosos por assim agir. Ao contrário, penso que nos tornamos melhores cristãos e muito mais fervorosos e sensíveis ao Espírito Santo porque obedecemos a orientação bíblica de analisar, conferir e não sermos levados por todo vento de doutrina. 
Sendo assim, com o mesmo zelo e dedicação com que confrontamos biblicamente atitudes, práticas e ensinos desvinculados da Palavra, também devemos asseverar que cremos na personalidade, pessoalidade e divindade do Espírito Santo e que sentimos Sua companhia, temos Sua ajuda e vivemos sob Sua direção. 
Nessa análise teológica exponho um pouco do muito que a Bíblia nos relata a respeito da pessoa do Espírito Santo e da Sua personalidade. Divido para melhor esclarecer, assim:

1. A divindade do Espírito Santo
2. A personalidade do Espírito Santo
3. A Obra do Espírito Santo

Vejamos então o primeiro ponto:

1. A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO

Veja algumas evidências da divindade do Espírito em textos bíblicos, abaixo:
a) No episódio de Ananias e Safira, quando o apóstolo Pedro diz: “Não mentistes aos homens, mas a Deus”. (Atos 5: 1-11);
b) Na passagem em que o apóstolo Paulo ensina sobre o corpo do cristão. (I Coríntios 3:16; 6:19);
c) O texto em que Paulo ensina sobre os atributos do Espírito Santo. (I Coríntios 2: 10,11);
d) O próprio Senhor Jesus Cristo afirmou que Seus seguidores seriam guiados a toda a verdade pelo Espírito. (João 16:13) e
e) Textos que ensinam sobre a atuação do Espírito Santo na vida do crente. (Lucas 1:35; Rm. 15:19; João 16:8-11; João 3:5-8).
f) Textos que situam o Espírito Santo em igualdade com as outras duas pessoas da Trindade Divina. (Mateus 28:19; I Coríntios 13:14; II Coríntios 12: 4-6; I Pedro 1:2)

Sendo assim, aprendemos que o Espírito Santo é Deus e não uma mera força, energia ou luz. É a terceira pessoa da Trindade. Ele é onipotente, onisciente e onipresente. É uma pessoa e juntamente com Deus Pai e Deus Filho que são também pessoas distintas, são um único Deus.

Partamos agora para o segundo ponto.

2. Veja algumas características da PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO, abaixo:

a) O uso do pronome masculino para representá-lo e não um pronome neutro que seria o normalmente usado para uma coisa (“pneuma” - que significa no grego espírito) e não para uma pessoa;
b) A referência em vários textos bíblicos de Sua sabedoria e conhecimento (João 14:26; I Coríntios 12:11);
c) Várias confirmações quanto ao Espírito ser uma pessoa e ter personalidade própria são notados na Bíblia. (Efésios 4:30; I Tess. 5:19; Atos 7:51; Mateus 12:31: Marcos 3:29; Romanos 8:26; João 16:8).

Por fim, vejamos o terceiro ponto.

3. A OBRA DO ESPÍRITO SANTO
A obra do Espírito Santo é de especial interesse para os cristãos, pois é particularmente por seu trabalho que Deus se envolve de forma pessoal e atua na vida do crente.

3.1- O Espírito Santo no Antigo Testamento

No AT raramente é usado o termo “Espírito Santo” e sim é usado “Espírito de Deus”. Há várias áreas importantes de atuação do Espírito Santo nos tempos do Antigo Testamento. Em primeiro lugar existe a criação: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas (Gn. 1:2)”. Outra área de atuação no AT é a transmissão das profecias e da Escritura. Os profetas afirmavam que os seus pronunciamentos e escritos provinham do fato de o Espírito Santo ter vindo sobre eles (Ezequiel 2:2; 8:3; 11:1, 24). Também há outra área de atuação no AT do Espírito Santo que é a transmissão de certas habilidades necessárias para várias tarefas, como vemos, por exemplo, Deus dizendo em Êxodo 31: 3-5:  “enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento...” 
O Espírito Santo, porém não estava atuante apenas em incidentes ou oportunidades, mas também estava nas qualidades dos líderes nacionais e nos heróis de guerra e na vida espiritual de Israel (Neemias 9:20; Salmo 51:11).

3.2 - O Espírito Santo na vida de Jesus Cristo

Quando examinamos a vida de Jesus, descobrimos uma presença e atividade maciça e poderosa do Espírito em toda sua extensão. Mesmo o próprio início de sua existência encarnada foi obra do Espírito Santo (Lc. 1:35). Também estava presente em Seu batismo (Mateus 3:16; Mc. 1:10; Lc. 3:22; João 1:32). O Espírito também o impeliu ao deserto (Marcos 1:12), e após a tentação foi conduzido no poder e pela direção do Espírito Santo (Lucas 4:14).
Não apenas os ensinamentos e milagres de Jesus, mas toda a Sua vida era “no Espírito Santo”. Até as Suas emoções era no Espírito Santo (Lucas 10:21).
Percebe-se que no ministério terreno de Jesus Cristo, Ele contou com a presença marcante e constante do Espírito Santo, pois já que havia se sujeitado temporariamente à forma humana e as limitações humanas, nada mais que natural da ajuda do Espírito Santo para conduzi-lo em Sua missão.

3.3 - O Espírito Santo na vida do cristão

O Senhor Jesus Cristo ensinou que a atividade do Espírito é essencial tanto na conversão, que é o início da vida cristã a partir de nossa perspectiva, quanto na regeneração, que é o início da perspectiva de Deus.
A conversão é a volta do indivíduo para Deus. Isso consiste em um elemento positivo e outro negativo: arrependimento, ou seja, abandonar o pecado, e fé, ou seja, aceitar as promessas e a obra de Cristo. Como vemos em João 16:8-11 sem esta obra do Espírito Santo não pode haver conversão.
A regeneração é transformação miraculosa do indivíduo, é o novo nascimento que Jesus ensinou a Nicodemos (João 3:3-7). O Espírito Santo é o agente que produz esse novo nascimento, esse acontecimento sobrenatural. Essa transformação nem pode ser compreendida pelo intelecto humano (João 3:8). 
A obra do Espírito Santo não é completada quando a pessoa passa a crer. Há outros papéis que Ele desempenha na vida do crente, como:

a) Ele dá poder
Ele capacita o crente para pregar o Evangelho e para viver uma vida piedosa. (João 14:12; Atos 1:4,5,8);

b) Ele habita no crente. 
O Espírito é capaz de nos afetar com maior  intensidade porque, habitando em nós, pode atingir o centro de nosso pensamento e de nossas emoções. Habitando nos que crêem, O Espírito pode levá-los a toda a verdade, como Jesus prometeu (João 16:13, 14);

c) Ele tem uma função didática também, Ele nos ensina. A iluminação do Espírito Santo para entendermos a Palavra de Deus e para explicá-la a outros é uma atuação fundamental para todo o crente. (João 14:26);

d) Ele também intercede por nós
Os que crêem tem a garantia que além da intercessão do Senhor Jesus Cristo junto ao Pai tem também a intercessão do Espírito que com sabedoria intercede ao Pai quando não sabemos orar e para que a vontade de Deus seja feita. (Romanos 8:26, 27);

e) Ele também produz a Santificação no crente. 
Enquanto a Justificação é um ato instantâneo, a Santificação é um ato contínuo na vida do crente que o torna a cada dia mais santo e bom aos olhos de Deus (Romanos 8:1-17).

f) Ele também concede dons espirituais aos crentes dentro do corpo de Cristo para edificação e serviço cristão. (Romanos 12:6-8; I Coríntios 12:4-11; Efésios 4:11 e I Coríntios 12:28). 

Glórias ao Espírito Santo !
Louvado seja o Pai, o Filho e o Espirito para sempre !


Pr. Magdiel G Anselmo.

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