terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Mais Palavra e menos cantorias estranhas.


"Não é canto de vitória, nem canto de derrota; mas ouço o som de canções!"
Essa foi a declaração feita por Moisés ao ouvir um som estranho no arraial quando descia do Monte.
A verdade é que tem muita gente que sabe cantar e tocar instrumentos nas igrejas, mas pouquíssimas que realmente sabem pregar a Palavra de Deus e aqui incluo muitos que são chamados de "pastores".
Se todos que se dedicam a aprender a cantar e tocar instrumentos, a realizar ensaios de louvor demorados, a copiar a forma e o jeito daquele cantor ou grupo gospel, se preocupassem na mesma medida em ler, meditar, memorizar e estudar a Palavra de Deus, de frequentar cultos de oração, de frequentar assiduamente a EBD, de conhecer um pouco sobre a boa teologia cristã, teríamos, sem dúvida, equipes e ministérios de louvor realmente cristãos que fariam composições e cantariam canções fundamentadas na Bíblia e não na opinião equivocada e muitas vezes herética daquele "artista gospel" do momento, e certamente, teríamos também uma geração de pregadores fiéis a Palavra de Deus.
Enquanto se valorizar mais as músicas e apresentações, os períodos de louvor, do que a pregação e o ensino da Palavra de Deus continuaremos a viver essa mediocridade e superficialidade nos cultos ditos "cristãos" e a formar e atrair pessoas que apenas desejam "cantar", "pular", "saltar", "dançar", "tocar instrumentos" e que não suportam ouvir uma pregação que tenha mais profundidade, fidelidade e iluminação de Deus.
A igreja se torna, sem a fiel pregação da Palavra, um tipo de empresa que comercializa um produto e visa agradar seus consumidores para que consumam o que oferecem ali em troca de frequência e "gordas ofertas". Esses consumidores medíocres e superficiais esperam uma pregação diferente da bíblica, uma pregação que os agrade, que tenha "berros", "chavões", "piadinhas" e coisas semelhantes a essas (sem contar as tais revelações extra bíblicas), que apenas entretém e emocionam mas nada edificam ou trazem a verdadeira e poderosa orientação de Deus para os problemas e dilemas da vida.
O que estes ainda não descobriram é que o crescimento, a edificação e sem dúvida, a salvação, se dão através da pregação, ensino e prática da Palavra de Deus e não através dos louvores (se é que podemos chamar de louvores o que ouvimos hoje. A pergunta que fica é: Louvores a quem?).
O ministério da música quando posto em seu devido lugar (secundário) e com canções fiéis a Palavra produzem um ambiente propício a pregação da Palavra e conduz as pessoas a adoração verdadeira (é nesse tipo de adoração e louvor que Deus habita, não confundamos as coisas).
Entretanto, o "louvor" estranho produz histerias, emocionalismos, confusão, engano e uma espécie de culto como o que Arão produziu na ausência de Moisés, conduzindo as pessoas a práticas estranhas a Palavra e a propagação de heresias de toda ordem.
Interessante lembrar que para ouvir a Deus e reconhecer o seu senhorio, é necessário primeiro "aquietar-se" e não o contrário.
Um crente responsável e fiel a Bíblia será conduzido e ensinado pela Palavra e não levado por estes ventos de destruição em forma de melodias e canções.
O culto racional é alicerçado na fiel pregação, aqui vemos um aparente paradoxo, mas é isso, sem a pregação da Palavra não há espiritualidade e racionalidade alguma do ponto de vista bíblico e cristão.
Cantemos e louvemos a Deus (faz parte do culto cristão), mas priorizemos o que realmente é prioritário e primário e não esqueçamos de cantar e louvar com sabedoria e orientação vindos da Palavra.
Não tragamos "fogo estranho" ou "som estranho" diante do Senhor pois certamente, Deus não habitará em tais situações.
Não brinque de ser crente. Deus não brinca de ser Deus.
Deus é fogo consumidor.

"Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra."
Salmos 46:10
"Então Moisés desceu do monte, levando nas mãos as duas tábuas da aliança; estavam escritas em ambos os lados, frente e verso. As tábuas tinham sido feitas por Deus; o que nelas estava gravado fora escrito por Deus. Quando Josué ouviu o barulho do povo gritando, disse a Moisés: "Há barulho de guerra no acampamento". Respondeu Moisés:
"Não é canto de vitória, nem canto de derrota; mas ouço o som de canções! "
Quando Moisés aproximou-se do acampamento e viu o bezerro e as danças, irou-se e jogou as tábuas no chão, ao pé do monte, quebrando-as. Pegou o bezerro que eles tinham feito e o destruiu no fogo; depois de moê-lo até virar pó, espalhou-o na água e fez com que os israelitas a bebessem. E perguntou a Arão: "Que lhe fez esse povo para que você o levasse a tão grande pecado? "
Respondeu Arão: "Não te enfureças, meu senhor; tu bem sabes como esse povo é propenso para o mal. Eles me disseram: ‘Faça para nós deuses que nos conduzam, pois esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu’.
Então eu lhes disse: Quem tiver enfeites de ouro, traga-os para mim. O povo trouxe-me o ouro, eu o joguei no fogo e surgiu esse bezerro! "
Moisés viu que o povo estava desenfreado e que Arão o tinha deixado fora de , tendo se tornado motivo de riso para os seus inimigos. Então ficou em pé, à entrada do acampamento, e disse: "Quem é pelo Senhor, junte-se a mim". Todos os levitas se juntaram a ele.
Declarou-lhes também: "Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘Pegue cada um sua espada, percorra o acampamento, de tenda em tenda, e mate o seu irmão, o seu amigo e o seu vizinho’ ".
Fizeram os levitas conforme Moisés ordenou, e naquele dia morreram cerca de três mil dentre o povo.
Disse então Moisés: "Hoje vocês se consagraram ao Senhor, pois nenhum de vocês poupou o seu filho e o seu irmão, de modo que o Senhor os abençoou neste dia".
No dia seguinte Moisés disse ao povo: "Vocês cometeram um grande pecado. Mas agora subirei ao Senhor, e talvez possa oferecer propiciação pelo pecado de vocês".
Assim, Moisés voltou ao Senhor e disse:
"Ah, que grande pecado cometeu este povo! Fizeram para si um deus de ouro.
Êxodo 32:15-31

Pr. Magdiel G Anselmo.

domingo, 30 de novembro de 2014

Devem os cristãos celebrar o Natal?


Em todos os finais de ano, a pergunta é feita e a questão é novamente levantada.
Devem os cristãos celebrar o Natal? 

Penso que muitos deveriam deixar o radicalismo em certas questões que são secundárias e buscar se aprofundar para conhecer melhor sobre o que falam ou escrevem, e acima de tudo, um pouco de equilíbrio e prudência não faria mal nesses momentos.
Tenho visto muitas atitudes equivocadas sobre esse assunto  (pastores e igrejas que se recusam a realizar um culto celebrando o nascimento de Cristo (Natal de Cristo) ou alguma atividade celebrando essa data). Não que não celebremos isso todos os dias ou em todos os cultos realizados na igreja ou fora dela, mas qual o problema em separarmos um dia ou noite para algo especial relacionado a isso? Será que as pessoas não farão isso em seus lares? É pecado comemorar o aniversário da encarnação de Cristo nesse mundo?
Bom, Procurarei nesse artigo trazer uma reflexão ponderada e bíblica. Afinal, não é isso que somos ensinados a fazer pelo nosso Mestre Jesus?
Mas, vamos lá.
Um bom número de seitas e novas igrejas que professam seguir a Cristo, insistem que o Natal é uma festa pagã o qual todos os verdadeiros cristãos devem afastar-se.
Provavelmente a mais notável destas religiões são as Testemunhas de Jeová, que publicam ferroados ataques sobre a celebração do Natal ano após ano. No entanto, estes grupos não estão sós na sua condenação destes feriados religiosos mais populares.
Muitos cristãos evangélicos também acreditam que o Natal é uma celebração pagã, vestindo “roupas cristãs”. Enquanto muitos cristãos marcam o Natal como um dia especial para adorar a Cristo e dar graças pela Sua entrada no mundo, eles rejeitam qualquer coisa que tenha a ver com Papai Noel, árvores de Natal, troca de presentes e tal.

Existem bases bíblicas para rejeitar tudo ou parte do Natal? Qual deve ser a atitude dos cristãos neste assunto? Essa pergunta que está diante de nós.

A resposta dada aqui é de que, enquanto certos elementos da tradição Natalina são essencialmente pagãos, eles devem ser rejeitados (especialmente as bebidas e imoralidades, na qual o mundo se acha dona naquele período do ano), o Natal em si e muitas das tradições associadas com ele, pode ser celebrado pelos cristãos que tem uma consciência clara, repito, consciência clara. Aqueles que se inclinam a rejeitar fora de mão, tal posição, podem estar interessados em saber que, durante um tempo este escritor teria concordado com eles. Um exame minucioso destes assuntos incluídos, no entanto, conduz a uma conclusão diferente.


Celebrando o aniversário de Jesus

O argumento básico e comum apresentado contra o Natal, é de que não se encontra na Bíblia. Muitos cristãos, e também grupos como as Testemunhas de Jeová, sentem de que ao não estar mencionado nas Escrituras, não é portanto para ser observado. De fato, as Testemunhas argumentam que desde que as únicas pessoas na Bíblia que celebravam o seu aniversário onde Faraó (Gn 40:20-22) e Herodes (Mt 14:6-10), Deus tem uma visão obscura a respeito de celebrações de aniversário em geral.

Sendo assim, eles sentem, que Deus não aprovaria a celebração do aniversário de Jesus.

Em resposta a estes argumentos, algumas coisas precisam ser ditas. Primeiro de tudo, o fato é que a Bíblia nada diz contra a prática de celebração de aniversários. O que foi mau nos casos de Faraó e Herodes, não era o fato de celebrarem seus aniversários, mas, sim as práticas más nos seus aniversários (Faraó matou o chefe dos padeiros, e Herodes matou João Batista). Segundo, o que a Bíblia não proíbe, seja explicitamente ou por implicação de alguns princípios morais, é permitido ao cristão, enquanto for para edificação (Rm 13:10; 14:1-23; I Co 6:12; 10; 23; Col 2:20-23; etc.). Portanto, desde que a Bíblia não proíbe aniversários, e eles não violarem princípios bíblicos, não há base bíblica para rejeitar aniversários. Pelo mesmo motivo, não há razões bíblicas para rejeitar completamente a idéia de celebrar o aniversário de Jesus.


25 de Dezembro ????

Outra objeção comum ao Natal está relacionado com a guarda de 25 de dezembro como sendo o aniversário de Cristo. Freqüentemente instam que Cristo não podia ter nascido no dia 25 de dezembro (geralmente porque os pastores não teriam seus rebanhos nos campos de noite naquele mês), portanto, no dia 25 de dezembro, não podia ter sido seu aniversário. Como se isso não bastasse é também apontado de que 25 de dezembro era a data de um festival no Império Romano no quarto século, quando o Natal era largamente celebrado nesse dia.
É verdade que parece não haver evidência como sendo o aniversário de Cristo nessa data.
Por outro lado, tem sido demonstrado que tal data não é impossível, como é suposto normalmente.
Contudo, pode ser admitido de que é altamente improvável que Cristo realmente tenha nascido em dezembro 25.
Este fato invalida o Natal? Realmente, não. Não é essencial para a celebração de aniversário de alguém, que seja comemorado na mesma data do seu nascimento. Os americanos comemoram os aniversários de Washington e Lincoln na terceira Segunda-feira de Fevereiro todos os anos, ainda que o aniversário de Lincoln era no dia 14 de Fevereiro e o de Washington, 22 de Fevereiro. Se tivesse certeza de que Cristo realmente nasceu digamos, em 30 de abril, deveríamos então celebrar o Natal naquele dia? Enquanto que não haveria nada de errado com tal mudança, não seria necessário. O propósito é o que importa, não a atual data.

Mas, e com respeito ao fato de ser 25 de dezembro a data de um festival pagão? Isto não prova que o Natal é pagão? Não, não o prova. 

Em vez, prova que o Natal foi estabelecido como um rival da celebração do festival pagão. Isto é, o que os cristãos fizeram era como dizer, “Antes do que celebrar em imoralidade o nascimento de Ucithra, um falso deus que nunca nasceu realmente, e que não pode lhe salvar, celebremos com alegre justiça o nascimento de Jesus, o verdadeiro Deus encarnado que é o Salvador do mundo.”
Algumas vezes, se insta a que se tome um festival pagão tentando “cristianizá-lo” é insensatez. No entanto, Deus mesmo fez exatamente isso no Antigo Testamento. A evidência histórica nos mostra conclusivamente, que algumas festas dadas a Israel por Deus através de Moisés eram originalmente pagãs, os festivais agriculturais, os quais eram cheios de práticas e imagens idólatras.
O que Deus fez com efeito, era estabelecer festividades os quais tomariam o lugar dos festivais pagãos, sem adotar nada da idolatria e imoralidade associado com ela.
Poderia dar a impressão, então, que em princípio nada há de mal em fazê-lo, se tratando do Natal.


Santa Claus (Papai Noel)
Provavelmente a coisa que mais incomoda aos cristãos sobre o Natal mais do que qualquer coisa, é a tradição do Papai Noel. 
As objeções para esta tradição inclui o seguinte: [1] Papai Noel é uma figura mística incluído com atributos divinos, incluindo onisciência e onipotência; [2] quando as crianças aprendem que Papai Noel não é real, eles perdem a fé nas palavras dos seus pais e em seres sobrenaturais; [3] Papai Noel distrai a atenção de Cristo; [4] a história de Papai Noel ensina as crianças a serem materialistas. Em face a tais objeções convincentes, pode-se dizer algo de bom do Papai Noel.
Antes de examinar cada uma destas objeções, deve se notar que, o Natal pode ser celebrado sem o Papai Noel. Retire Papai Noel do Natal e o Natal permanece intacto. Retire Cristo do Natal, no entanto, e tudo que sobre é uma festa pagã. Sejam quais forem nossas diferenças individuais de como tratar o assunto de Papai Noel com as nossas crianças, como Cristãos nós podemos concordar com este tanto.

1.) Não existe dúvida alguma de que Papai Noel na sua presente forma, é um mito, ou conto de fada. No entanto, houve realmente um Papai Noel o nome “Santa Claus” é uma forma anglosaxona do Holandês, Sinter Klaas, que por sua vez significava “São Nicolau”.
Nicolau foi um bispo cristão, no quarto centenário, sobre quem pouco sabemos por certo. Ele aparentemente, assistia ao Concílio de Nicéia no AD. 325, e uma forte tradição sugere que ele demonstrava uma singular bondade para com as crianças. Enquanto que o velho vestido de vermelho puxando um trenó conduzido por veado voador ou renas é um mito, a história de um velho amante de crianças que lhes trouxe presentes, provavelmente não é - e em muitos países, é só isso que “Santa Claus” é.
Deve-se admitir que contar às crianças que Papai Noel pode vê-los em todo tempo, e de que ele sabe se eles foram bons ou maus, etc... está errado.
Também é verdade que os pais não deviam contar a seus filhos a história de Papai Noel como se fosse uma verdade literal

2.) Quando as crianças aprenderem que Papai Noel não é real, poderá perturbá-los somente se os pais lhes disseram que ele realmente existe e que ele faz tudo que se pretendia dele. É por isso que deve-se dizer às crianças que a estória de Papai Noel como é propagada pela mídia ou por muitas pessoas é mero faz de conta como o são as estórinhas dos sete anões e da Branca de Neve ou dos três porquinhos. Antes de ser uma pedra de tropeço para acreditar no sobrenatural, ele pode ser um trampolim.
Como assim? 
Ora, diga às crianças que enquanto Papai Noel é uma faz de conta, Deus e Jesus não são. Diga-lhes que, enquanto Papai Noel só pode trazer coisas que os pais podem comprar ou fazer, Jesus pode lhes dar coisas que ninguém pode – um amigo que sempre está com eles, perdão para as coisas más que eles fazem, vida num lugar maravilhoso com Deus para sempre, etc.

3.) Siga as sugestões acima e não mais será Papai Noel um motivo para distraí-los de Cristo. Diga a seus filhos porque Papai Noel dá presentes, e porque Deus nos deu o presente mais maravilhoso, Cristo.

4.) Pelo contrário, a história de Papai Noel é melhor contada quando é usada para encorajar as crianças a ser abnegadas e generosas. Por isso, conte a história de forma correta. Sendo assim, nenhum mal fará, ao contrário, será um bom exemplo a ser contado.      

Árvores de Natal
Um dos poucos elementos sobre a celebração tradicional do Natal, dos que se opõe a isso, afirmam o que diz na Escritura sobre árvores de Natal. Especificamente pensa-se que em Jeremias 10:2-4 Deus explicitamente condenava árvores de Natal: “Assim diz o Senhor: Não aprendais o caminho das nações, nem vos espanteis com os sinais dos céus, embora com eles se atemorizem as nações. Porque os costumes dos povos são vaidade; cortam do bosque um madeiro, e um artífice o lavra com o cinzel.”
Certamente há uma semelhança entre a coisa descrita em Jeremias 10, e a árvore de Natal. Semelhança, no entanto, não é igual a identidade. 
O que Jeremias descreveu era um ídolo – uma representação de um falso deus – como o verso seguinte mostra:“Como o espantalho num pepinal, não podem falar; necessitam de que os levem, pois não podem andar. Não tenhais receio deles; não podem fazer o mal, nem podem fazer o bem.” (v.5)A passagem paralela em Isaías 40:18-20 esclarece que o tipo de coisa que Jeremias 10 tem em mente, é na verdade um objeto de adoração:“Também consumirá a glória da sua floresta, e do seu campo fértil desde a alma até o corpo; será como quando desmaia o doente. O resto das árvores da sua floresta será tão pouco que um menino as poderá contar. Naquele dia os restantes de Israel, e os que tiverem escapado da casa de Jacó, nunca mais se estribarão sobre aquele que os feriu, mas se estribarão lealmente sobre o Senhor, o Santo de Israel.” (Is 10:18-20)

Assim, a semelhança é meramente superficial. A árvore de Natal não se origina de adoração pagã de árvores (o qual foi praticada), porém, de dois símbolos explicitamente cristãos, do Ocidente da Alemanha Medieval. 

A Enciclopédia Britânica explica o seguinte:A moderna árvore de Natal, em hora, se originou na Alemanha Ocidental. O principal esteio de uma peça medieval sobre Adão e Eva, era uma árvore de pinheiro pendurada com maças (Árvore do Paraíso) representando o jardim do Éden. Os alemães montaram uma “árvore do Paraíso” nos seus lares no dia 24 de dezembro, a festa religiosa de Adão e Eva. Eles penduravam bolinhos delgados (simbolizando a hóstia, o sinal cristão de redenção); as hóstias eventualmente se transformaram em biscoitos de vários formatos. Velas, também, eram com freqüência acrescentadas como símbolo de Cristo. No mesmo quarto, durante as festividades de Natal, estava a pirâmide Natalina, uma construção piramidal feito de madeira com prateleiras para colocar figuras de Natal, decorados com sempre-verdes, velas e uma estrela. Lá pelo 16º século a pirâmide de Natal e a árvore do Paraíso tinham desaparecido, se transformando em árvore de Natal.

Mais uma vez, não há nada essencial sobre a árvore de Natal para celebrar o Natal. Como o mito moderno de Papai Noel, é uma tradição relativamente recente; as pessoas celebravam o Natal durante séculos sem a árvore e sem o semi-divino residente do Polo Norte.

O que é essencial ao Natal é Cristo.
No entanto, isso não quer dizer que devemos jogar a fábula de Papai Noel e a árvore fora de vez. Neste assunto temos liberdade cristã para adotar estas tradições e usá-los para ensinar os nossos filhos sobre Cristo, ou para celebrar o nascimento de Cristo, sem elas.

Nesse caso, não há nenhuma obrigação para celebrar seu aniversário também, desde que não é ordenado para nós na Escritura.
Todavia, seria realmente estranho de fato, se alguém que foi salvo pelo filho de Deus, não regozijar-se, não celebrar, em pensar no dia que a encarnação de Cristo manifestou-se pela primeira vez ao mundo naquela noite santa. 
Tenhamos discernimento. Não valorize o que não é importante. Não crie conflitos onde não existem. Não dê ibope ao diabo que tenta dividir a irmandade com questões secundárias. Cuidado com a síndrome da pseudo-apologética. Foque no que é relevante. Saiba separar as coisas, o que é estória permaneça estória (tem sua utilidade). O que é história, permaneça história (é fato, é verdade).
Talvez menos paixão e mais reflexão bíblica, e sem dúvida, um pouco de bom senso, são indispensáveis e recomendáveis a alguns cristãos da atualidade.

Pr. Magdiel G Anselmo
com menções de artigo de Joaquim de Andrade - CACP.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

MODELOS BÍBLICOS PARA A IGREJA.


A METODOLOGIA DIVINA 

Este assunto é de suma importância em nossos dias. Quando presenciamos a Igreja sendo bombardeada de todos os lados por falsos ensinos, inovações perniciosas e pessoas com claras intenções em transtornar a sua real essência e gloriosa missão, faz-se necessário voltarmos ao que as Escrituras nos revelam sobre como o próprio Cristo organizou Sua Igreja e o Espírito Santo a preparou.
Inicio esta série de textos (postagens) com o Modelo Bíblico de Comunhão. Você verá que é diferente de muitas formas atuais de “comunhão” ou de “união” apresentados na Igreja atual.
Mas, antes do modelo de comunhão, conheçamos os métodos usados pelos apóstolos que formaram-no.
Á medida que vamos analisando a Igreja Primitiva Apostólica descobrimos a forma pelo qual o Espírito Santo quer atuar na igreja e a forma que a igreja deve atuar na força do Espírito Santo. Muito temos que aprender ou pelo menos relembrar com as experiências e ensinos dos primeiros cristãos.
Homens e mulheres que foram perseguidos, açoitados e mortos muitos deles por seguirem o Cristianismo. Crentes que buscavam a glória de Deus e a obediência a Sua vontade. Vamos ver como eram as primeiras formas de atuação da igreja como comunidade cristã.
Enfim, como já afirmei a igreja primitiva apostólica tem muito a nos ensinar. As Escrituras mostram que os apóstolos seguiam os métodos ensinados por Cristo, não poderia ser diferente, mas quais eram esses métodos?

a. Pregação do Evangelho de Cristo: Aproveitavam todas as oportunidades para pregar o Evangelho, não tinham receio de quem fosse o ouvinte. Tinham uma missão e a cumpriam o melhor que podiam. E Deus os capacitava para tal. O número também não importava, podia ser uma pessoa assim como milhares. Tinham consciência do valor de uma pessoa para Cristo, pois foram alvos deste amor um dia e tinham ciência de que Cristo morreu pelo pecador que cresse na mensagem.

b. Batismo nas águas: Após a conversão imediatamente batizavam os novos na fé como obediência a ordem do Mestre Jesus Cristo.

c. Ensinavam sistematicamente a doutrina que aprenderam de Cristo: Em várias partes do NT vê-se o verbo “ensinar” usado para mostrar uma função e atuação apostólica. As cartas paulinas, joaninas e petrinas são um exemplo marcante deste método de atuação.

Foi desta forma que os apóstolos iniciaram seus ministérios e devido a isso as primeiras congregações foram organizadas. Muitas vidas foram salvas e ensinadas e o mundo daquela época foi sacudido pelo poder do Evangelho de Cristo. Muitos foram reconciliados com o Pai através de poucos e frágeis homens que capacitados e dirigidos pelo Espírito Santo deram continuidade ao plano divino.
Dito isso, vejamos agora o modelo de comunhão na Igreja Primitiva:

I. O Modelo Bíblico de Comunhão:
O modelo de comunhão da e na Igreja Primitiva era simples e prático, porém de grandes resultados na vida de cada participante. Os textos bíblicos de Atos 2: 42-47 e de 11: 19-25 são bem esclarecedores quanto ao que acontecia com e na Igreja Primitiva. Lendo-os percebe-se que os cristãos (como foram chamados em 11: 26 pela primeira vez), eram muito próximos uns dos outros, ou como diz em 2: 44 “tinham tudo em comum” e isso parece-nos que era algo natural entre eles.
A união da Igreja ocorria devido ao amor desinteressado em coisas materiais e visíveis, realmente era despojado de materialismo. Ao contrário, existia um amor ardente em cada coração pela pregação do Evangelho e pela edificação em amor da Igreja como um todo.
O relato bíblico mostra uma união crescente da igreja. Havia a simplicidade e a necessidade de estarem sempre juntos, orando e louvando a Deus.
Seguiam literalmente o exemplo de Jesus Cristo e dos apóstolos, visando sempre alcançar vidas pela pregação e pelo amor às pessoas.
Não vemos, neste princípio, intrigas ou conflitos internos relevantes. Alguns dizem que isso ocorria porque a Igreja ainda estava no primeiro amor e empolgada com o encontro com Cristo. Mas, se continuarmos a ler o livro de Atos, veremos mais a frente que esta “empolgação” como alguns argumentam ser o motivo desta comunhão, não impediu que esta Igreja fosse séria e comprometida com a Verdade. Um exemplo disto é o texto de Atos 5: 1-11.
Para aqueles que justificam o esfriamento ou diminuição do amor como sendo coisa natural a vida do crente, posso lembrá-los da advertência de Cristo a igreja em Éfeso (Apocalipse 2: 2-7). Se a Bíblia não basta para removê-los de seu erro, não sei mais o que bastará.
Com certeza, o exemplo de comunhão da igreja primitiva deve ser uma busca incessante da Igreja atual. A simplicidade do Evangelho deve ser vivida em toda sua plenitude. A comunhão entre irmãos deve ser uma prioridade da comunidade evangélica. Mas que comunhão? Será esta comunhão simples palavras, sorrisos ou abraços em meio a cânticos que nos forçam a olhar e falar com nossos irmãos, a qual nem o nome sabemos muitas vezes? Será esta comunhão o simples fato de sermos membros de uma denominação e cultuarmos a Deus em um mesmo local? Será esta comunhão nos cumprimentarmos com “a paz do Senhor”, “graça e paz” ou outra forma usada para nos diferenciarmos do mundo?
Que comunhão era aquela da Igreja Primitiva, que os levava a renunciar bens e propriedades em prol do irmão necessitado? Que os levava a ter a simpatia daqueles que não faziam parte da igreja? Que os fazia alegres e simpáticos, mesmo em meio a terríveis perseguições? Que comunhão era aquela?
Evidente que não era o tipo de comunhão que muitos estufam o peito e dizem que tem uns com os outros atualmente. Ah, como muitas vezes somos hipócritas e cheios de interesses pessoais. Cantamos que somos um, mas não nos conhecemos além da liturgia de nossos cultos. Estamos na maioria das vezes preocupados com as aparências e esquecemos de que a comunhão que a Igreja Primitiva tinha não era aparente, mas interna, espiritual. Temos vergonha de abraçarmos nosso irmão porque não o conhecemos e não temos a mínima intimidade com ele(a) para isso. Por isso muitas vezes esta atitude induzida por cânticos é pura hipocrisia e falsidade. Falta-nos o amor tão natural nos primeiros cristãos.
Nosso dia-a-dia, os problemas da vida, a ansiedade em ter e ser, o materialismo, as aparências e tudo o mais tiraram da Igreja de Cristo o sinal, a marca dos verdadeiros cristãos: “o amor as pessoas” e o “o amor a Palavra de Deus”. É assim que seríamos conhecidos, já dizia Cristo. Não há como amar as pessoas (o próximo) sem que haja amor a Palavra. O simples praticar e ensinar a Palavra são expressões deste amor ao próximo. A Igreja Primitiva amava e perseverava na doutrina dos apóstolos (na Palavra).
Quando alguém surge, como um solitário soldado, e começa a priorizar o retorno ao espiritual e dar atenção e importância ao que a Bíblia nos revela e ensina sobre as questões e inquietações da vida, muitos não aceitam e entendem suas intenções e inicia-se uma campanha contra. Afirmam: “Onde já se viu priorizar o espiritual e dar importância tão grande ao zelo pela prática da fidelidade às Escrituras? Como não buscar as coisas materiais e a auto-suficiência intelectual?” “Por que não questionar esses ensinos ‘antigos’? Os tempos são outros.” E muitos começam a pôr em dúvida até o caráter deste soldado solitário, pautados em princípios capitalistas e valores mundanos e seculares.
Quando vemos alguém viver na dependência total de Deus, amando as pessoas e buscando levá-las a Cristo pela pregação e ensino do Evangelho e para isso se entregando integralmente para aprender, se preparar e trabalhar na obra de Deus, muitas vezes rotula-se esta pessoa de “à toa”, “aproveitadora”, “desocupada” e até de “alienada”.
O amor e o ardor pela sã doutrina, pela fiel interpretação do texto bíblico e pelas pessoas iludidas e ludibriadas por um evangelho antropocêntrico são a motivação desses fieis cavaleiros da justiça. O próprio Espírito tem movido o coração destes soldados solitários e tem os levado a lutar pelo retorno ao modelo de comunhão da Igreja Primitiva.
A comunhão na Igreja Primitiva se dava primeiro pela mesma forma de pensar. Os objetivos de todos era levar Cristo aqueles que não o conheciam e ajudar objetivamente a irmandade em todos os sentidos. Não havia egoísmo ou interesses pessoais. Tudo em comum, era o lema. A seguir, a comunhão era preservada pelo Espírito por causa da obediência e submissão a Palavra de Deus, bem como, a defesa da fé cristã que fora ensinada pelos apóstolos.
A comunhão na igreja de Cristo deve seguir o modelo dos primeiros cristãos. Conhecer-nos é uma oportunidade para exercermos amor. As dificuldades e problemas de meu irmão também são meus, as alegrias e vitórias de meu irmão também são minhas. Só assim haverá intimidade e reciprocidade. Um entendendo o outro, orando uns pelos outros com sinceridade e amor. Repreendendo quando necessário, mas acima de tudo estando juntos para fortalecer e encorajar.
Esta comunhão (mesma forma de pensar, amor genuíno, interação, preservação pelo Espírito) só será possível e não simplesmente uma utopia, se a Igreja entender que somente pela obediência fiel a Palavra se têm essa verdadeira comunhão. Sem a fidelidade às Escrituras em tudo que fizermos, falarmos ou vivermos não haverá a aprovação de Deus e portanto não haverá comunhão. Haverá sim, superficialidade e vidas vazias de Deus.
Se o corpo não estiver ligado à cabeça, que é Cristo e unido pelo vínculo do Espírito tudo é em vão. A comunhão com o Deus da igreja é imprescindível para que a verdadeira comunhão entre irmãos aconteça e prevaleça.
Abaixo o materialismo. Abaixo o evangelho teatral. Abaixo a omissão da Verdade disfarçada de comunhão enganosa.

Viva o verdadeiro Cristianismo! Viva o Cristianismo Bíblico !
Voltemos ao modelo primitivo apostólico, voltemos a Deus.

Em Cristo,
Pr. Magdiel G Anselmo.

As Heresias em nome do Amor

Venho afirmando a tempos que não concordo com uma apologética distanciada do amor cristão e também de uma ausência de prudência para analisar fatos e pessoas com posturas inadequadas.
Mas, com igual convicção, discordo da aceitação de atos, posturas, costumes e ensinos sem coerência e fidelidade a correta interpretação e aplicação do julgamento da Palavra.
Penso que a defesa da fé e o amor cristão são complementares e não excludentes. O erro muitas vezes decorre de um equivocado entendimento do que na realidade significa amor do ponto de vista bíblico.
Nessa direção, o texto a seguir muito nos auxilia no correto entendimento da questão.

Boa leitura.



Deus é amor.
Isso é um fato básico e inquestionável da fé cristã.
Não é preciso ser um grande teólogo para apreender essa verdade; de fato, nem mesmo é preciso ser cristão para ter conhecimento disso.
Mas existe algo sobre essa afirmação que merece uma reflexão: o que isso significa? Quais as implicações do fato de Deus ser amor? De que modo isso afeta a teologia em que acreditamos – e, por conseguinte, nossa vida prática? Pode parecer algo tão óbvio que nem mereça discussão, mas fato é que a má interpretação do conceito da essência amorosa de Deus é justamente a gênese de muitos e grandes problemas e até de heresias que têm surgido no seio da Igreja nesse início de século XXI.
Vamos pensar um pouco sobre isso então.
A essência de Deus é o amor. Agora: nós, humanos, só conseguiremos compreender plenamente o que isso significa se formos capazes de encaixar esse conceito divino essencial no que cada um de nós percebe como sendo amor. Uma analogia, para ficar mais claro: imagine que numa ilha distante só existam pássaros brancos. Automaticamente, todos seus habitantes associam o conceito de “pássaro” à cor branca. Um dia você atraca nessa ilha, encontra um nativo e tenta explicar para ele o que é, digamos, um urubu. Se disser a ele apenas que “o urubu é um pássaro”, automaticamente ele vai visualizar o urubu como uma ave branca. Afinal, é o único conceito de “pássaro” que ele conhece. Do mesmo modo, se na concepção de uma pessoa o conceito de “amor” é X, se você lhe disser que “Deus é amor”, automaticamente esse indivíduo compreende como “Deus é X”. Mesmo que a essência de Deus seja, por exemplo, Y. É uma mera questão de formar um signo por significados e significantes adequados e compreendidos por todos.
Diante disso, a pergunta que devemos nos fazer é:

O que a civilização brasileira do século XXI entende como sendo “amor”?

Pois é ao detectarmos qual é o sentido que esse conceito tem no inconsciente coletivo do brasileiro de nossos dias que conseguiremos visualizar como essa mesma civilização compreende o fato de Deus ser amor. E é exatamente aqui que começa o problema, uma vez que o conceito primário de “amor” para você e para mim é totalmente alheio à Bíblia. Trata-se do amor dos contos de fadas.
Geração após geração, século após século, década após década, nós ensinamos para nossas crianças que “amor” é aquilo que ocorre entre um príncipe e uma princesa nas fábulas e histórias de ninar. Ou seja, um grande e utópico sentimento destituído de implicações práticas, exigências ou contrapartidas. As inocentes histórias que crescemos ouvindo de nossos pais, professores, desenhos animados e outras fontes de formação de conceitos condicionam pavlovianamente gerações inteiras a abraçar uma ideia de amor que, antes de qualquer coisa, é um sentimento meloso, paternalista e ultraprotetor.
Repare: a princesa vê o príncipe e, apenas por olhar para aquela figura divina passa a amá-lo eternamente (e vice-versa). Não o conhece. Mal ou nunca conversou com ele. Às vezes a donzela está até mesmo dormindo e só toma conhecimento do “amado” após o beijo que arranca suspiros de todos. Isso na vida real seria tão esdrúxulo que se a sua filha decidisse se casar com um homem que mal conhecesse, no mínimo você teria uma séria conversa com ela.
Mas nos contos de fadas… ah, o amor é lindo! E toda um geração cresce acreditando que amor é aquilo. Assim, somos condicionados desde os primeiros anos de nossas vidas a associar amor a uma sensação da qual nasce um relacionamento que não exige nada, que não tem contrapartidas – pois, afinal, o príncipe ama a princesa in-con-di-cio-nal-men-te, sem precisar renunciar a nada, sem uma gota se sacrifício. E mais: é o amor do príncipe que faz com que ele pegue a princesa nos braços e a carregue sem permitir que ela sue ou se canse. Que põe a capa sobre a poça de lama para que ela não suje o sapatinho de cristal. Que faz de tudo para que ela não tenha um incômodo sequer. É um amor de gente bastante mimada, convenhamos.
E, claro, esse amor dos contos da carochinha é complacente. A princesa nunca exige nada do príncipe. O príncipe não fica chateado com nada que a princesa faça. Eles apenas cantam e dançam, cavalgando sorridentes corcéis de crinas bem escovadas por prados verdejantes, cercados de cervos saltitantes e meigos coelhinhos de olhos grandes. É um amor de pura doação, poético, que não senta para cobrar atitudes. Que não demanda nenhuma renúncia. Basta entrar no castelo e a única exigência que se faz é que se seja feliz para sempre.
Esse conceito de amor de contos de fadas está tão introjetado no inconsciente coletivo que basta examinar as comédias românticas de Hollywood ou os grandes romances do cinema (que não passam de contos de fadas para crianças crescidas) e ver que o conceito se repete.
Mais ainda: o modelo de sucesso das telenovelas da Globo justamente faz tanto sucesso porque segue a ideia introjetada no mais profundo de nossa mente desde nossa infância do amor-sentimento-nada-exigente: desde que haja aquele “sentir” arrebatador vale trocar o marido pelo amante, transar antes do casamento ou o que for e todos aplaudem. Sem exigir nada em troca, sem renunciar, sem se sacrificar pelo outro: basta suspirar, dar um grande beijo na boca e… ai ai…
Dor torna-se, então, por essa perspectiva, um conceito alienígena ao amor dos contos de fadas. Sofrimento quem impõe é a bruxa má, o príncipe jamais permitiria que sua princesa furasse um dedinho numa agulha de roca. Tristeza? INCONCEBÍVEL!
Repare: o amor do conto de fadas é aquele em que (e isto é um ponto fundamental!) o ser amado vive feliz para sempre.
Pois é esse conceito de “amor” que ensinam a todos nós desde a nossa primeira infância, pela leitura de continhos de fadas, depois pelos desenhos animados, por fim pelos filminhos sentimentalóides. Somos condicionados, adestrados, ensinados, acostumados a que isso sim é amor.

O amor de contos de fadas aplicado a Deus.

E de que modo esse conceito de amor de contos de fadas se aplica a Deus? Simples: quando então falamos que “Deus é amor”, automaticamente associamos o amor divino a esse tipo de amor fictício.
Logo, enxergamos o amor de Deus como algo sentimental. Meloso. Poético. Que jamais poderia exigir do ser amado renúncias. Que torna inconcebível a ideia de sacrifício. Que exclui veementemente o amador permitir o sofrimento do amado. O Deus que é amor se torna, assim, um ser que não pode de jeito nenhum exigir algo de quem Ele ama, porque, na nossa cabeça, isso o tornaria alguém destituído de amor.
Na nossa concepção de amor, formatada por anos de condicionamento à base de contos de fadas, telenovelas e filminhos água com açúcar, um Deus de amor jamais poderia exigir contrapartidas, jamais poderia estabelecer bases, sua aliança com o ser amado seria complacente, de autoanulação, uma eterna devoção dEle a nós. Uma eterna lua-de-mel.
E mais: por essa perspectiva, o amor de Deus tornaria inconcebível que o ser amado por Ele sofresse, sentisse dor, passasse maus bocados. O ser amado por Deus, na nossa mente pré-programada por contos de fadas, tem obrigatoriamente que fazer com que sejamos…felizes para sempre. O príncipe celestial jamais permitiria que a sua princesa-noiva-do-Cordeiro sofresse, pois senão ele não seria o príncipe, seria a bruxa. Então, a ideia de alguém que ama e permite o sofrimento do amado é um contrassenso, não conseguimos admitir, não aceitamos.
E começamos a encaixar a nossa revolta em conceitos bíblicos: um Deus que ama mas permite o sofrimento não tem… graça.
É aí que começam a surgir os problemas – um nome elegante para heresias. Para o indivíduo condicionado ao conceito do amor de conto de fadas, um Deus que ama não permitiria que milhares morressem num tsunami, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa.
Um Deus que ama não permitiria que centenas morressem num deslizamento de terra na região serrana do Rio, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa.
Um Deus que ama não permitiria que milhões fossem para o inferno, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa.
Um Deus que ama não imporia um código de ética, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa – e uma bruxa legalista.
Um Deus que ama não exigiria o cumprimento aos seus mandamentos dolorosos, pois aí ele não seria o príncipe da graça, seria a bruxa do legalismo.
Um Deus que ama não teria verdades absolutas, pois aí ele não seria o príncipe, seria uma bruxa que transforma conceitos como “dogma” e “doutrina” em palavrões abomináveis. E esse conceito humano, infantil e fictício de amor começa a tomar ares de teologias.
E nós adoramos isso! 
Adoramos que Deus não mande muitos para o inferno, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Adoramos que Deus não esteja no controle das tragédias, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Adoramos que Deus não exija de nós que nos sacrifiquemos para cumprir seus mandamentos, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Adoramos que Deus nos proponha uma graça frouxa e destituída de renúncias daquilo que nos é conveniente e agradável por obediência e submissão a Ele, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Confeccionamos teologias que fazem do Deus da Bíblia um deus de contos de fadas.
Ou seja: um Deus que viva o amor como Cinderela, Branca de Neve ou Rapunzel viveram. Mas não é isso que a Bíblia diz.

O conceito bíblico do amor

A Bíblia Sagrada nos revela muitos aspectos da pessoa de Deus que os contos de fadas jamais associam aos seus personagens apaixonados. O mesmo Jesus que é a suprema prova do amor dvino (Jo 3.16; Fp 2.7-9) é o Deus encarnado que afirma: “Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento.
Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’ será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno” (Mt 5.22). Ou ainda, que devemos ter medo “daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno” (Mt 10.28), ou seja, Deus.
Não dá para imaginar isso sendo falado sobre o príncipe da Branca de Neve, não é? Logo, por associação, na cabeça da civilização adestrada pela ficção pueril não dá para imaginar isso sendo falado sobre o Deus da Bíblia.
Assim, as pessoas, confusas com esse suposto paradoxo, começam a buscar explicações. De repente, o Deus que permitiu que Jó passasse por mais de 40 capítulos de sofrimento, dor, decepção, lágrimas e angústia é apenas fruto de uma fábula. Jó agora deixou de existir. virou uma metáfora.
Aquele fato nunca aconteceu. Pois o Deus que ama como nos contos de fadas jamais deixaria que seu querido passasse por aquele sofrimento. Agora o Deus da Bíblia não controla mais forças da natureza e outras calamidades, pois um Deus que ama como nos contos de fadas e nos filmes de Julia Roberts e Sandra Bullock jamais estaria de acordo com genocídios, tsunamis, terremotos, Hitlers, Pol Pots e similares. Não, isso não condiz com o caráter de um Deus que quer que sejamos felizes para sempre.
Então, dizemos que o Deus que controla as forças da natureza é uma referência às deidades greco-romanas-pagãs que as controlavam. Esquecemos que Jesus acalmou o vento e a fúria dos mares com uma ordem, esquecemos que o Senhor conteve as águas do Mar Vermelho e do rio Jordão, consideramos inconcebível que esse Deus tenha provocado o dilúvio de Noé, que dizimou milhares.
Ah, claro – dizem os teólogos adeptos do deus de contos de fadas – essas histórias são metáforas, são fábulas. Embarcamos no liberalismo teológico, numa teologia de relacionamento ou de universalismo que põem para fora do ser de Deus a pontapés os seus propósitos insondáveis, os seus planos elevados, a sua realidade infinitamente superior. Forjamos um deus que não compactuaria com dores e sofrimentos, quando Isaías 53 nos afirma que Jesus foi “ferido”, “moído”, “oprimido” e “afligido” – e isso desde antes da fundação do mundo.
Dizem esses teólogos poéticos que Deus jamais determinará o sofrimento das pobres vítimas da tragédia no Japão. Mas a Bíblia diz sobre o próprio Filho Unigênito do Deus que é amor que “ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Is 53.10).
Sobra a leitura de 1 Coríntios 13 mas falta a leitura de Romanos 9, por exemplo, onde o Deus que é amor afirma: “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão” (Rm 9.15). E aos que não concebem um Deus que não aja segundo as vontades humanas ou a teologia dos contos da carochinha, o apóstolo Paulo dá o ultimato cinco versículos à frente: “Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus?” (Rm 9.20). E logo depois: “E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição?”.
Olha só: o Deus que é amor se ira! Uma ira, aliás, explicitada em numerosas passagens, como Nm 22.22; Dt 4.25; Dt 6.15; Dt 7.4; Jo 3.36; Rm 1.18; Rm 2.5; Rm 3.5; Rm 5.9; Rm 9.22; Ef 5.6; Cl 3.6; Hb 3.17; Hb 4.3; Ap 14.10; Ap 14.19; Ap 15.1; Ap 15.7, entre outras.
Sim, o amor de Deus convive com sua ira. E o não-cumprimento de sua vontade exige o cumprimento da justiça divina. Pois a Bíblia escancara de Gênesis a Apocalipse o fato incontestável de que Deus tem um código de certo/errado.
Ou seja: por definição, tem um padrão moral. Um padrão ético. E exige de nós que o cumpramos, mesmo que precisemos renunciar a nossas vontades, ao que nos é conveniente, ao que fazemos em nome de uma graça barata. “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama”, diz Jesus em Jo 14.21. O mesmo Jesus de amor que em Jo 14.15 vaticina: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos”. Sim, o amor de Deus está condicionado à obediência a seus mandamentos (ou: normas, dogmas, decretos ou o nome impopular que se queira dar a aquilo que o Senhor determina que façamos em cumprimento a Sua vontade).
E como Jesus é o Deus da graça, fica claro que sua graça e seu amor trafegam em conjunto com a obediência a seus mandamentos. O que, na cabeça de muitos, faria dele um Deus legalista, veja você.
Sim, pois há aqueles que apostam na teologia do complacente Deus Papai Noel, um velhinho bonachão que nos vê desobedecer seus valores (explícitos nos mandamentos da graça) e passa a mão na nossa cabeça, quando o Deus da Bíblia, que é amor, afirma: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará” (Mt 10.38, 39).
Ou seja, é um Deus que exige renúncia por amor a Ele. Renúncia de nós, de nossos desejos, de nossas vontades, de nossos prazeres, daquilo que nos é mais conveniente, daquilo que exige esforço de nós. Mas graça não é sinônimo de moleza. “O Reino dos céus é tomado à força” (Mt 11.12). Quer desfrutar do amor e da graça de Deus? Então ouça o que a encarnação do amor diz: “”Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8.34).

Conclusão

Vivemos dias em que um conceito equivocado sobre o que significa “amor” está fazendo muitos cristãos acreditarem que o Deus que é amor não é mais soberano sobre tudo o que acontece, ou não condena mais os filhos da perdição ao fogo eterno, ou não exige obediência à custa de renúncia pessoal. Pintamos um Deus que, em nome de um amor que não é o amor bíblico, nos isenta de sofrimentos ou nos dispensa do cumprimento de seus mandamentos.

O Amor bíblico está longe de ser o amor dos contos de fadas.

O Amor bíblico permite que José passe décadas sofrendo como escravo e presidiário por um bem maior. O Amor bíblico permite que o príncipe do Egito passe 40 anos no deserto de Midiã e depois mais 40 no deserto do Sinai para cumprir seus planos soberanos. O Amor bíblico entrega Seu Filho unigênito para sofrer injustamente por multidões que não mereciam. Isso é o Amor bíblico: um Amor que custa caro. Que é dado pela graça, mas que custa no mínimo o preço da obediência e do respeito à vontade soberana de Criador dos Céus e da Terra. É um Amor que não isenta aqueles que são mais amados de serem “torturados (…) enfrentaram zombaria e açoites; outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados” (Hb 11.35-37).

O Amor bíblico é sacrificial.
É um Amor que permite catástrofes e sofrimentos porque a mente de Deus é muito mais elevada que a nossa e chega a ser arrogante tentar compreender o porquê de o Senhor optar por permitir tragédias que, dentro do grande esquema das coisas, poderão cumprir um propósito maior que não entendemos (afinal “agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido”).

O Amor bíblico cumpre a Justiça divina e condena muitos sim à perdição eterna, pois é a profundidade do vale que determina a altura da montanha da eternidade ao lado de Cristo.

O Amor bíblico exige do barro a coerência de obedecer de modo submisso ao oleiro, sem julgar que a renúncia de vantagens pessoais configure ausência de graça ou legalismo.

O Amor de Deus, o Amor bíblico, entrega Cristo para a cruz.
Entrega o Cordeiro inocente para a humilhação, a tortura, a dor e a morte, pois sabe que a leve e momentânea tribulação redundará num eterno peso de glória. E não somos melhores que o Cordeiro. Não estamos isentos de humilhação, tortura, dor e morte. E, se nós, japoneses, moradores da região serrana ou qualquer outro passa por isso, temos a certeza de que Deus está no controle e que todas as coisas contribuem para o bem dos que o amam e andam segundo o seu propósito.
Afinal, reconhecer que Deus é amor quando tudo vai bem é fácil. Difícil é confessar esse amor no meio do sofrimento, da perda, da lástima, do apedrejamento, da perda de entes queridos, de um casamento dissolvido, do desemprego, da fome, da miséria. Bem-aventurados os que creram nesse amor sem ter visto sua expresão poética. Bem-aventurados os que não se guiam por vista, mas por fé.
 E, afinal… não é isso que é fé? Crer com perseverança no amor de Deus quando tudo ao nosso redor tentar nos fazer acreditar que Deus não nos ama?


Por Mauricio Zagari.
Jornalista, colunista da revista Cristianismo Hoje.
Fonte: púlpito cristão.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Reflexões esparsas pós resultados eleitorais

Não sou profeta, nem filho de profeta, assim, não tomem qualquer palavra abaixo como o certo para o futuro, mas apenas percepções. Pelo tamanho, poucos lerão.

1. Sim, somos uma democracia, ainda que nova e imatura. O pleito eleitoral, com todas as mazelas e jogos sujos, às vezes dos candidatos, muitas vezes dos partidários, aconteceu, mas foi bem sucedido.

2. Houve fraude? Como dizer? Resta aguardar que denúncias sérias, se levantadas, sejam investigadas pelos instrumentos do Estado, que deveriam ser independentes do governo. Sair gritando que houve fraude não resolve nada.

3. Corremos perigos? Sim! Imediatos? Nem tanto, mas, ainda assim, crescentes e rápidos. Minha percepção, por conta da ideologia e ações recentes, é que o partido no governo não preza a democracia. Sua origem de luta contra a ditadura de direita não o coloca na categoria democrática. Seus ideólogos gramicianios tem sido bem sucedidos, a despeito de seus líderes populares terem se embebedado com a glória do poder e suas riquezas. Digite "gramiscismo" no Google e leia, pesquise e tire suas conclusões.

4. Para que o projeto acima de certo, é necessário um aparelhamento do Estado e, ao mesmo tempo, uma aparência de legitimidade democrática associada a conceitos de hegemonia de pensamento. Os mesmos que são acusados de ser "contra o partido" (ex: Globo) são aqueles que promovem as causas dessa consolidação de pensamento: insistência no governo para as supostas minorias (negros, gays, mulheres como oprimidas, os sem terra) causa aborcionistas, desarmamento, etc. (vejam as ênfases no discurso da vitória da presidente). Tudo isso serve como uma quebra dos chamados valores tradicionais (mantidos pelas "elites") e o surgimento de uma nova hegemonia de pensamento (quem foi o representante da juventude?).

5. Passam por este projeto alguns elementos essências, entre eles, a reforma política e a educação (nada no discurso foi gratuito). Sim, o Brasil precisa de uma reforma política, mas se houver força do governo para que aconteça, será nefasta e aparelhará ainda mais o governo. No totalitarismo o governo nunca sai do poder, seja seja em Cuba, seja na Bolívia.

6. A educação brasileira já está totalmente aparelhada, mas os que estão dentro, muitas vezes não percebem. Quanto mais ignorantes (aqueles que ignoram), melhor! Não há real interesse em que exista pensamento autônomo, no sentido do indivíduo que pensa por si mesmo (ainda que este seja o discurso da educação há décadas) mas no indivíduo que aja com a massa, como uma torcida, liderada pelos Conselhos Populares. Enquanto os cristãos deveriam lutar por uma educação heteronormativa (no caso, segundo a norma de Deus) as políticas governamentais tem sido sistematicamente opostas. Nossos filhos vão para a escola e voltam para casa achando que todos os tópicos citados acima são o certo e o verdadeiro, o contrário do que seus pais caretas e suas igrejas ensinam.

7. Entre tais ensinamentos existe a famosa doutrinação contra o famigerado capital, o livre comércio, a iniciativa privada, a privatização e todos os temas pertinentes. É daí que surge o socialista rico que maquina a revolução social de seu studio em Paris, bebendo champanhe. É assim que a presidente diz com cara lavada a uma economista desempregada que faça um curso para se colocar em um mercado com cada vez menos empregos reais (quem já desistiu de procurar emprego ou quem ganha bolsa x ou y não conta nas estatísticas, por isto, anda tão baixa).

8. O que fazer, como cristão que sou?
a) devo orar pela paz e pelo governo, não só em tempo de eleições, mas em todo tempo;
b) devo estar alerta, não só em tempo de eleições, mas entre elas, quando as coisas de fato acontecem - leia, informe-se, fale, pressione e vote certo nas próximas eleições;
c) lute contra as pequenas corrupções para que tenha como perceber e lutar contra as grandes - pequenas corrupções admitidas em nossas vidas nos cegam para a grande corrupção ao nosso redor;
d) ore para que a nossa jovem democracia e suas instituições resistam às pressões e leis que serão empurradas goela abaixo nos próximos 4 anos;
e) lembre-se, a esperança do cristão está em Cristo e não no estado e no governo, porém, cabe-nos agir sempre em função da verdade e da paz, denunciando a corrupção e os sistemas que a alimentam.

Fonte: Blog O Tempora, O Mores

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Votando como um bom cristão


        O cenário político de nosso país está impregnado de corrupção, mentiras, falsas promessas e muita, mas muita desordem e falsidade. E, nesse contexto de pecados de todos os tipos temos que votar, escolher nossos governantes e legisladores.
Como proceder então diante e em meio a toda essa balbúrdia?
Bem... precisamos ser criteriosos e acima de tudo, cristãos, pois neste tempo em que vivemos uma campanha eleitoral a todo vapor, vemos e ouvimos muitas pessoas falando acerca do assunto. As opiniões são diversas, mas pouco se vê ou se lê sobre ponderações e argumentações que realmente tenham algum fundamento bíblico.
Desejo então, não esgotando o assunto, trabalhar alguns argumentos utilizados, me atendo aqueles de pessoas que se dizem cristãs, mas que se valem de conceitos nada cristãos para emitir suas opiniões e quem sabe até, persuadir outros a imitá-los.
Alguns desses conceitos e argumentos trabalho rapidamente a seguir:

1.              “Crente vota em crente” ou “irmão vota em irmão”.

Esse conceito é equivocado, pois estamos aqui a refletir sobre o melhor governante e legislador e não como faríamos para aprovar um candidato ao pastorado ou a uma função ministerial ou eclesiástica no âmbito da Igreja. O candidato a presidente, senador ou deputado pode até ser um bom crente, entretanto, poderá ser um político incompetente e inútil. Não basta ser crente tem que saber trabalhar nessa área assim como fazem todas as pessoas nas áreas que atuam.

Em poucas palavras, um bom crente pode ser um péssimo político.
Portanto, critérios e observações aqui devem ser usados como:
a) O cristão preparado (com formação e vocação para política) está em vantagem para governar – Pv 28:5; 26:1
b) O cristão não pode associar-se com pessoas inescrupulosas – Sl 94:20; Pv 25:26.
c) Devem ser pessoas que não se dobrem diante da sedução do poder, sexo e bens materiais.
Ouro aspecto é que de uns tempos pra cá virou “status” se declarar evangélico e depois “mudar de idéia”. A multidão de “crentes nominais” a cada dia aumenta e envergonha os que fielmente servem e seguem a Cristo.
O Rev. Hernandes Dias Lopes em um artigo aborda qual deve ser o perfil de um político segundo os princípios bíblicos:

“1. Vocação – John Mackay diz a distribuição de vocações é mais importante do que a distribuição de riquezas. Calvino entendia que o poder civil é uma sacrossanta vocação. Há pessoas dotadas e vocacionadas para o poder público. Uma pessoa não está credenciada para ser um bom candidato apenas por ser evangélica. Exemplo: José do Egito – Sempre foi líder em casa, na casa de Potifar, na prisão, no trono.
2. Preparo intelectual – O lider político precisa ser uma pessoa preparada. Ele precisa ter independência para pensar, decidir e lutar pelas causas justas. Ele não pode comer na mão dos outros. Ele não pode ser um refém nas mãos dos espertos. Exemplo: Moisés – Moisés se preparou 80 anos para servir 40. Ele aprendeu a ser alguém nas Univerdades do Egito. Ele aprendeu a ser ninguém nos Desertos da Vida. Ele aprendeu que Deus é Todo-Poderoso na liderança do povo.
3. Caráter incorruptível – A maioria dos políticos sucumbem diante do suborno, da corrupção e vendem suas consciências. Há muitos políticos que são ratazanas, sanguessuga. Há muitos políticos que são lobos que devoram o pobre. Há muitos políticos que decretam leis injustas. O político precisa ser honesto e irrepreeensível. Exemplo: Daniel – Ele era sábio. Ele era lider. Ele era incorrupto. Ele era piedoso. Ele não era vingativo. Um exemplo oposto é ABSALÃO. Ele era demagogo e capcioso. Ele furtava o coração das pessoas com falsas promessas.
4. Coragem para se envolver com os problemas mais graves que atingem o povo – O político não pode ser uma pessoa covarde e medrosa. Ele precisa ser ousado. Neemias é o grande exemplo: 1) Ele ousou fazer perguntas; 2) Ele se viu como resposta de Deus resolver os problemas do seu povo; 3) Ele agiu com prudência e discernimento; 4) Ele mobilizou o povo para engajar-se no trabalho com grande tato; 5) Ele enfrentou os inimigos com prudência. Exemplo: Winston Churchil.
5. Visão – O político precisa ser um homem/mulher de visão. Ele precisa enxergar por sobre os ombros dos gigantes. Ele vê o que ninguém está vendo. Ele tem a visão do passado, dos dias atuais e do futuro. Ele antecipa soluções. Exemplo: José do Egito, Calvino. Veja Pv 11:14. Ester esteve disposta a morrer pela causa do seu povo.
6. Tino Administrativo – Há políticos que são talhados para o executivo e outros para o legislativo. Colocar uma pessoa que não tem capacidade gerencial para governar é um desastre. Exemplo: Neemias – ele revelou capacidade de mobilizar pessoas, resolver problemas, encorajar, e colocar as pessoas certas nos lugares certos para alcançar os melhores resultados.
7. Capacidade de contornar problemas aparentemente insolúveis – O líder é alguém que vislumbra saídas para problemas aparentemente insolúveis. Exemplo: Davi – 1) Ele viu a vitória sobre Golias quando todos só olhavam para derrota; 2) Ele ajuntou 600 homens amargurados de espírito e endividados e fez deles uma tropa de elite; 3) Ele reanima-se no meio do caos e busca força para reverter situações perdidas – 1 Samuel 30:6.
8. Não temer denunciar os erros dos poderosos – Samuel denunciou os pecados de Saul (1 Sm 15:10-19). Natã não se intimidou de denunciar o pecado de Davi. João Batista denunciou Herodes.” 

Sendo assim, o melhor presidente do país não precisa, necessariamente, ser um crente, evangélico, pentecostal, tradicional, protestante ou coisa semelhante (rótulos não me agradam). Ele precisa ser competente e preparado para a função, honesto em sua vida pessoal e pública (sem condenações judiciais ou envolvimentos comprovados em atos de corrupção) e aceitar e respeitar os valores e princípios cristãos estipulados e revelados na Bíblia. Todos esses fatores são fundamentais aqui.
Existem pessoas assim mesmo não professando ser evangélico (se for, melhor ainda). Precisamos é disso e não de votarmos em alguém porque esse se declara “um dos nossos”. Essa atitude precipitada e impensada traz grandes prejuízos ao nosso país e motiva ainda mais as pessoas a tomar decisões sem pensar, refletir e discernir as situações e as pessoas.

2.              Voto nesse não por ser o que realmente desejo que ganhe, mas apenas para o outro não ganhar.


Esse é outro equívoco e digo a razão. Por que simplesmente não é uma atitude apoiada pela Bíblia.
Pode ser até um bom conselho do ponto de vista político e humano, mas não o é do ponto de vista bíblico e espiritual.
Como cristãos precisamos ser honestos em todas as nossas atitudes e ações. Isso não ocorre quando voto em alguém apenas para que o outro não vença. Na verdade votei em quem eu não desejaria que fosse eleito e se este vencer, não venceu quem, na verdade, eu gostaria que vencesse. Em outras palavras, votei errado. Fui desonesto.
O correto e cristão seria votar em quem eu considero a melhor pessoa para o cargo que disputa mesmo que esse candidato aos olhos da mídia ou das pesquisas seja improvável vencer as eleições. O interessante é que se todos que pensam: “ele não vai ganhar então vou votar no outro para que aquele não vença”, se votasse naquele que realmente deseja que ganhe as eleições, esse candidato teria muitos votos e quem sabe, até disputasse de verdade as eleições.
Como cristãos precisamos ser verdadeiros e honestos, inclusive na hora de votar, do contrário, seremos falsos, desonestos e mentirosos.
Se confiamos que Deus está no controle das situações, porque tememos fazer o que é certo?
É nossa obrigação como cristãos fazer o que é certo, independente do que dizem as pesquisas, a mídia ou nossa tendência humana de mascarar a verdade. Para os cristãos, os fins jamais justificarão os meios.
O que deve nos orientar não são pesquisas eleitorais, mas os princípios e valores de Deus revelados na Palavra.

3.              A Mistificação ou espiritualização excessiva e inapropriada do voto para justificar uma opinião ou posição


Outro equívoco muito comum.
Não me entendam mal, mas as pessoas tendem a mistificar tudo e todos.
Se a pessoa não estava no avião que caiu, foi livramento. Se o candidato errou e cometeu equívocos numa entrevista, foi estratégia de Deus. Se forem descobertas falcatruas ou incoerências na vida ou na forma de atuar como político, são ataques do diabo e assim por diante.
A Bíblia nos ensina sobre o espiritual, mas também nos orienta a pensar e a discernir as situações e pessoas. E ainda, nos alerta para as sutilezas e ardis de satanás. O inimigo muitas vezes nos oferece ilusões como sendo dádivas de Deus, mas no final das contas, descobrimos que eram apenas seduções criadas por ele para nos enganar e iludir. Temos que ser sábios nessas situações.
Precisamos não ceder a impulsividade e a precipitação em afirmar “é santo” ou “é de Deus” e tal qual os bereianos submeter tudo a análise da Palavra de Deus. É ela que nos confirmará ou não a autenticidade e verdade e não nossas impressões ou opiniões pessoais acerca disso ou daquilo.
O inverso aqui também é verdadeiro, ou seja, nem tudo é o diabo e nem tudo é obra de satanás. Na verdade damos muito ibope pra ele (pra usar o linguajar eleitoral (rs) )
Essa tendência de mistificar tudo tem trazido muitos prejuízos à vida das pessoas. A boa análise bíblica sempre deve ser a melhor opção para um cristão temente a Deus pois a grande parte dos acontecimentos são conseqüências e resultados de nossas ações e reações (lei espiritual da semeadura e colheita) e não propriamente uma intervenção direta de Deus ou do diabo. A ida a Bíblia sempre trará respostas objetivas nessas questões e não nossas impressões ou opiniões.

Conclusão:

Muito mais eu poderia aqui escrever sobre outros conceitos equivocados e nada bíblicos, mas vou me ater a esses que julgo ser os principais e mais comuns.
Por fim, preciso afirmar que como historiador, teólogo e cristão não me impressiono com uma boa oratória, retórica ou carisma. Prefiro pesquisar a fundo para tomar decisões e fazer minhas escolhas.
Quem se contenta com as aparências e o discurso e não pesquisa criteriosamente a vida, a história, a trajetória, a formação, a vocação, as idéias, a ideologia e as ações de uma pessoa confrontando todo esse contexto e fatos com a Palavra de Deus, antes de decidir por tê-la como alguém que o representará no cenário político nacional, apenas age por impressões e emoções e não pelo conteúdo e essência, e muito menos por aquele que deveria ser o manual de regra e fé de todo cristão, a Bíblia.
O diabo é o maior e melhor vendedor de ilusões que já existiu. Ele chegou a enganar até anjos do Senhor, quem dera a cristãos que são levados pela "síndrome da boiada", ou seja, vão atrás apenas porque outros estão indo.
Recuso-me a fazer parte dessa boiada. Deus me deu a capacidade de pensar, refletir e discernir as coisas e pessoas e não serei influenciado por crentes nominais que apenas se auto rotulam de evangélicos, mas negam o Evangelho com suas ações, ideologias, companhias e ações.
Se não houver um candidato que possa representar-me dignamente, não votarei em ninguém, mas não venderei minhas convicções cristãs pelo preço de um voto ou apenas pela falsa satisfação de ter participado votando em alguém. Também não voto em alguém para outro perder. Isso não é voto, isso é o anti voto. Isso é mentira e já aprendi quem é o pai da mentira e que não sou seu filho.
Portanto, pense como cristão antes de votar em candidatos para Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual.
Prossiga sendo fiel aos princípios e valores cristãos.
Prossiga preservando sua comunhão e paz com Deus. 
            E acima e antes de tudo, confie que Deus está no controle de todas as coisas. 
            Assim eu creio. Assim eu farei. 
            E você?




Pr. Magdiel G Anselmo.



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