sábado, 2 de fevereiro de 2013

MEMÓRIAS DE UM PÚLPITO

 
"03 de setembro de 1978 - Hoje eu nasci.
 
Eu era uma árvore frondosa junto à floresta da Amazônia.
Estava no caminho das máquinas que arrumavam a estrada que construiram.
Então me cortaram.
Pensei que seria o meu fim. Levaram-me para a a madeireira e fizeram de mim uma prancha bem trabalhada. Fui para São Paulo, num estoque gigantesco de madeiras.
Fiquei 3 anos ali. Na semana passada vieram me buscar. Levaram-me para uma marcenaria. Cortaram-me, colaram-me, pregaram-me e transformaram-me num púlpito de igreja.
Disseram que serei muito útil nos trabalhos de Deus. Fico feliz. Fiquei muito bonita, aliás, muito bonito, pois agora não sou mais A TÁBUA, mas O PÚLPITO.
Vamos ver o que me acontece..."
 
 
 " 09 de setembro de 1978 -
 
Acabo de chegar à igreja. Nossa, que lugar grande!
Eles estão terminando o templo e vão inaugurá-lo amanhã. Todos os bancos novinhos em folha, o chão com revestimento de ardósias, o teto com lindo forro de gesso. Acho que será uma festa e tanto! ..."
 
 " 10 de setembro de 1978" -
 
Agora descobri para que sirvo.
O pastor coloca a Bíblia sobre mim, mantem-na aberta num trecho e prega o que está escrito. Que honra servir a Deus desse jeito! Parece que todos gostaram de mim! No final do culto muita gente veio até mim e deu toques com a mão, falando da beleza do acabamento, da qualidade da madeira, do quanto combinou com os bancos, etc. Estou muito satisfeito! Colocaram um montão de bíblias e folhetos no armário que está dentro de mim. Também resolveram guardar microfones e cordas de violão.
Sou polivalente! ..."
 
 " 05 de junho de 1982 -
 
Estamos em conferências aqui na igreja.
Uns pastores americanos foram convidados para pregar. Eu já estou conhecendo bem as Escrituras Sagradas. Também, pudera: dia após dia ouço o pastor e os pregadores que se sucedem. Até critico os pregadores! Tem uns que são ótimos. Outros, porém, percebo que estão enrolando, ou apenas apelando às emoções. M
as está sendo ótimo este evento..."
 
 " 04 de julho de 1984 -
 
 É mês da mocidade.
O culto desta manhã foi dirigido por eles. Um rapaz magrinho, de 16 anos, foi convidado para pregar. Nossa! Ele tem futuro! Já faz pose de gente grande, ele realmente leva jeito de pregador! Gostei. A mocidade está de parabéns. Espero que muitos novos talentos apareçam aqui. Terei prazer em auxiliá-los!..."
 
 " 10 de maio de 1991 -
 
A igreja está trocando de pastor.
Parece que houve um problema com o anterior e eles resolveram aceitar o seu pedido de exoneração. Eu gostava tanto dele! Apesar de que muitas vezes apanhei: ao pregar, ele dava uns socos em mim, frisando alguns textos. Eu agüentava, era pra Deus! Mas agora ele foi embora. Que triste. Espero que o outro seja tão bom quanto este..."
 
 " 18 de agosto de 1996 -
 
Cinco cupins tentaram entrar na minha base hoje à tarde.
Eles sairam em revoada de primavera, perderam as asas, cairam no chão e foram devorar as minhas bases. Graças a Deus eles sentiram o gosto do veneno que colocaram em mim quando me fizeram. Ficaram tontos e foram embora. Falei como o pastor: "Yess!...". Ou como o presidente dos jovens: um a zero pra nós!..."
 
 " 03 de janeiro de 1998 -
 
Hoje eu servi de pedestal para bebês: o pastor apresentou o primeiro bebê nascido neste ano. Colocou-o sobre mim. Que ternura! Quase que o bebê me molha, mas foi ficou só no "quase". Estou feliz! Como me sinto útil no trabalho do Senhor!..."
 
 " 15 de novembro de 1998 -
 
Estou sentindo algo estranho.
O pastor é meio esquisito, parece que não gosta de mim.
Outro dia, quando ele foi me usar, disse: "porcaria de tranqueira que só ocupa espaço..." O microfone estava desligado, mas eu escutei em alto e bom som. O pessoal daqui não estã mais me usando como antes. A criançada cresceu, virou adolescente, e agora toca muito bem os instrumentos. Mas o pastor acha tão bonito, que diz não haver necessidade de pregação, e manda colocar-me de lado, cobrindo-me com a toalha da mesa de Ceia. Estou achando estranho, mas, tudo bem. Deve ser uma fase..."
 
 " 7 de fevereiro de 2000 -
 
Hoje aconteceu um acidente.
Colocaram-me no centro da plataforma novamente (fazia meses que eu ficava no canto, utilizado só uma vez por mês). O pregador era de fora. Sempre colocam um copo com água para que o visitante beba. Parece que os pregadores agora ficam roucos (quando vim pra cá não tinha dessas coisas!). Só que, na hora em que ele foi dar um tapa na bíblia e, conseqüentemente em mim, ele derrubou o copo e a água caiu. Penetrou toda em meu interior.
Ah, meu Deus! Senti um pequeno estufamento na parte superior. Espero que seja passageiro e que amanhã eu volte ao normal..."
 
 " 23 de outubro de 2000 -
 
Estou encostado na parede do batistério da igreja há 3 meses.
Eles não me usam mais.
A plataforma serve agora para instrumentos musicais e para as pessoas que chegam chorando. O auditório da igreja mudou muito! Eles pulam tanto durante o culto que chegam a suar! Depois choram; eu não entendo! Se sofrem tanto, por que fazem? Tenho saudades do meu tempo de ser usado como apoio dos pregadores! No meu armário as bíblias estão cheias de traças. As cordas de violão enferrujaram (só usam instrumentos elétricos agora). Tenho duas hóspedes: uma barata, que está com um ninho repleto de ovos, e uma aranha, que adormeceu e há mais de um mês não acorda. Vamos ver o que acontece..."
 
 "02 de janeiro de 2001 -
 
Colocaram-me no porão.
Dizem que a igreja tem que se modernizar, que não há lugares para velharias. Seria meu novo nome? "Velharia"? Prefiro ser chamado de púlpito. Aqui eu divido o espaço com o órgão, com pedestais usados, com uma pilha de hinários antigos, com as roupas do coral, e com bastante poeira. Às vezes aparece um casal de namorados procurando alguma privacidade, ou um irmão buscando refúgio para oração. Mas a maioria do tempo a porta permanesse trancada. É tão escuro e monótono! O que vão fazer comigo?..."
 
 " 28 de novembro de 2001 -
 
Fui desmontado a golpes de martelo, marreta e pé-de-cabra.
Esfolaram meu acabamento. Quebraram meus encaixes. Colocaram-me numa carroça de um homem chamado "catador de lixo". O que será que farão comigo?..."
 
 " 05 de dezembro de 2001 -
 
Estou numa grande pilha de madeiras velhas.
Encontrei pedaços de uma árvore lá da Amazônia, ficava pertinho da minha copa. Que saudade! Mas saudade mesmo estou da igreja. Será que virão me buscar? Irão me reformar? Disseram que eu serei "reciclada". O que viria a ser isso? Espere: estou vendo uma coisa.... Estão pegando as madeiras da pilha ao lado e ateando fogo! Deixe-me escutar o que eles dizem: "Tião, pode queimar essa pilha toda, porque não presta pra nada! ..." Era isso que chamavam de "reciclagem"? A
cho que estou correndo perigo!..."
 
 " 21 de dezembro de 2001 -
 
 Hoje eu morri queimado..."
 FIM.
autor: Pr. Wagner Antonio de Araújo.
Fonte: Grupo Reviver (feacebook) administrador: Pr. Ricardo Fermam.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

AS CRISES DO E NO MINISTÉRIO PASTORAL - Parte final

A Crise dos Falsos Pastores:

 
Lamentavelmente, tenho que afirmar que este assunto que vamos tratar agora, está cada vez se tornando mais real para a igreja de Cristo. Não é de assustar, pois a Bíblia já nos adverte quanto a isso desde o VT.
Muitas pessoas atualmente são chamadas de “pastores”, porém nunca foram chamadas por Deus para o serem. Em meus anos de igreja já encontrei alguns ‘profissionais de púlpito’ que se utilizam de seus cargos para angariarem notoriedade e segurança financeira.  Outros se utilizam do cargo para se aproveitar do rebanho executando em oculto transações comerciais com dinheiro da igreja com fins de lucro pessoal e ouso afirmar que alguns são mesmo enviados de satanás para causarem confusão e escândalo.
Pessoas que buscam o interesse próprio e o de sua família sem considerar o rebanho e a sua missão como pastor de ovelhas.
Certa vez constatei que um destes “falsos pastores” submetia o rebanho a pagar inclusive vacinas e veterinário de um animal doméstico que lhe pertencia e, além disso, se utilizava do trabalho indevido e ilegal de dependentes químicos em uma casa de recuperação que dirigia, fazendo-os “vender quinquilharias” nos semáforos e residências (trabalho este não remunerado) para angariar fundos para uso duvidoso de sua parte.
Estes profissionais e aproveitadores de rebanhos são na realidade pessoas de má fé, oportunistas, que se infiltram nas igrejas demonstrando uma falsa espiritualidade, ensinando o povo a dar ênfase na busca pela prosperidade financeira e pressionando e induzindo os crentes a darem tudo ou o máximo que puderem em dinheiro e bens para a igreja, pois desta forma serão abençoados por Deus. Chegam ao cúmulo de arrecadarem em seus cultos duas e até mais vezes, as ofertas. Fazem isso não visando a benção do povo, mas evidentemente o enriquecimento próprio e o crescimento numérico de suas congregações, já que ensinam que “é dando que se recebe”, uma forma completamente equivocada e desvinculada do ensino bíblico ortodoxo. Enganam líderes ingênuos, desatentos ou simplesmente enganam líderes que buscam inovações sem medir suas conseqüências.
 O texto de Colossenses 2:8 diz o seguinte: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo a Cristo...” . Esta advertência de Paulo aos irmãos colossenses é bem aplicada nesta situação.
Porém, as igrejas, ressalto, não devem fechar as portas para estas pessoas, pois Jesus pode restaurar estas vidas, porém nunca devem ser recebidas e aceitas em cargos de liderança muitos menos em posições de dirigir e pastorear  pontos de pregação, congregações ou igrejas locais. Isto seria um perigo e uma irresponsabilidade enorme de quem está na liderança de qualquer denominação evangélica.
Há outro tipo também de “falso pastor”.
Este segundo tipo é aquele que não é desonesto como os que mencionei, mas não foi chamado para este ministério e insiste em permanecer. Isso causa transtornos imensos para a igreja, pois por não ser vocacionado para tal função não tem as ferramentas necessárias para exercê-la e o trabalho se torna infrutífero e sem objetivo. Neste pastor não há o desejo de se aprofundar no estudo da Bíblia e, por conseguinte alimentar o povo cada vez mais com alimentos nutritivos e necessários. A conseqüência disto são sermões sem conteúdo e sem sentido, normalmente cansativos e repetitivos, demonstrando nitidamente a falta de preparo e mesmo disposição do pastor em prepará-los.
Ressalto que o pastor não precisa ser necessariamente um pregador eloqüente e carismático, porém deve pregar corretamente  e aplicar os princípios e valores divinos para a vida do homem hoje com responsabilidade e conhecimento bíblico. Deve alimentar o rebanho sistematicamente com tudo aquilo que este precisa e que Deus o dirige a servir.
Para isso, o pastor gastará tempo em leitura, meditação e estudo de sua Bíblia bem como em oração e devoção diária. O aperfeiçoamento e a busca de maior conhecimento bíblico e geral deve ser uma tarefa constante na vida do verdadeiro pastor e isso ele faz naturalmente porque o Espírito Santo o leva a amar o rebanho e ter prazer nisto.
Já o “falso pastor” não sente prazer nesta tarefa e a considera cansativa e sem muita utilidade. Defende na maioria das vezes a tese de que “Deus me revelará Sua vontade” e por isso não se prepara adequadamente para pregar ou ensinar. Sua atuação então se torna medíocre e certamente todo o rebanho perceberá isso, e não terá a confiança necessária para respeitá-lo como líder espiritual.
Outra característica desse “falso pastor” é a falta de amor pelas  ovelhas.
Ele não foi preparado por Deus para suportar os problemas e situações que se sucedem no ministério pastoral. Ele não tem “coração de pastor” e por isso trata as ovelhas a distância e não quer de forma alguma conhecê-las mais profundamente, porque se fizer isso vai ter que ajudá-las, entendê-las, aconselhá-las e fazer todo o possível na força de Cristo para conduzi-las a restauração.
Este processo todo para o “falso pastor” é muito difícil e complicado porque tudo isso depende do amor que ele tem pela ovelha, e isso infelizmente ele não tem o suficiente. Ele se torna muitas vezes apenas um administrador de coisas e as pessoas de sua comunidade são deixadas para elas mesmas se cuidarem.
Os tipos de crises que mencionei são danosas para a Igreja de Cristo e provocam um desconforto entre os verdadeiros pastores.
Cabe a igreja de Cristo identificar esses falsos líderes e adverti-los quanto ao erro que estão cometendo, bem como os verdadeiros pastores cabe o confronto bíblico com estas situações e falsos pastores e de forma alguma pode existir o corporativismo nestas questões.
A verdade bíblica é absoluta, fundamental e necessária e deve ser comunicada a todos.

 “Filho do Homem, profetiza contra os pastores de Israel, profetiza e dize-lhes: Ai dos pastores de Israel que apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curaste, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. Assim se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram pasto para todas as feras do campo. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque. Portanto. ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor Deus, visto que as minhas ovelhas foram entregues à rapina e se tornaram pasto para todas as feras do campo, por não haver pastor, e que os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas. Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra os pastores e deles demandarei as minhas ovelhas, porei termo no seu pastoreio, e não se apascentarão mais a si mesmos; livrarei as minhas ovelhas da sua boca, para que já não lhes sirvam de pasto. Porque assim diz o Senhor: Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei...”       Ezequiel 34: 2-11

Que Deus tenha misericórdia destes “falsos pastores” !
 
Que os pastores verdadeiros, chamados pelo Senhor cumpram seu ministério com amor, zelo, dedicação e fidelidade às Escrituras, sabendo que o seu Senhor pedirá contas naquele dia.

Pr. Magdiel G Anselmo.
 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...