sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

AS CRISES DO E NO MINISTÉRIO PASTORAL - parte 1

Refletindo sobre esse tema me atrevo a escrever aqui sobre ele pois, penso eu, é um assunto que povoa a mente dos pastores e líderes. Claro que não desejo aqui me aprofundar em todos os aspectos, mas expor alguns que são em meu entender, relevantes e que podem facilitar a elucidação do tema. Sei que é um assunto que por vezes "tira a paz" e em outras, nos lembra o que realmente somos e o que realmente devemos fazer como crentes chamados por Deus para determinado ministério (serviço) no Reino de Deus.
A conscientização de nossa missão deve ser um ponto a ter destaque em nossa vida e ministério. Somente com um entendimento claro sobre isso poderemos atuar tendo a edificação de vidas em Cristo como frutos de nossa ação.
Por isso, penso que as crises nos ajudam nesse entendimento, pois são nesses momentos que somos forçados a fazer uma reavaliação de nossa posição e atuação. Mesmo que em algumas situações essas crises podem parecer tudo menos algo positivo, podemos sim, extrair delas boas reflexões e consequente posturas e decisões a se tomar.
Nenhum homem de Deus está isento dessas crises.
Alguns ficarão pelo caminho. Sucumbirão diante e em meio a elas.
Todavia, muito mais que uma seleção natural ou espiritual, essas crises se bem entendidas e digeridas, fortalecem e amadurecem aqueles pastores que conseguiram ultrapassar as barreiras e ver além delas.
Dito isso, como já afirmei, me atrevo a escrever sobre algumas dessas crises tão temidas, mas sempre vividas, pelos pastores e líderes cristãos.
 
A Crise de Identidade e Vocacional
 
Há um tempo, estive lendo a obra de Irland Azevedo com o título: “De pastor para pastores”, e penso ser interessante e concordo com o que escreveu sobre essa crise. Ele argumenta que,
“muitas vezes o pastor, que é gente como toda gente, entra numa crise de identidade e existencial, não entendendo por que existe, por que Deus o chamou, por que está a atravessar um momento difícil no ministério, quando outros colegas seus, estão, pensa ele, felizes, suas igrejas crescem, e eles não enfrentam as mesmas dificuldades.”
 
Outros autores corroboram com esta opinião e seguem uma linha de argumentação que nos direciona para entendermos que freqüentemente ainda estamos a nos debater com nossa chamada. Tenho para mim que meu maior medo é que as pessoas sejam motivadas a entrar no ministério por um desejo de ajudar os outros, e não em resposta a uma chamada de Deus.
Entendo que o pastor como observou Azevedo é gente como toda gente e por isso destaco algumas de suas características:
 
a) Ele possui fraquezas e limitações como todos os demais irmãos;
b) Ele tem sentimentos e emoções como todos os demais irmãos;
c) Ele fracassa e erra como todos os demais irmãos;
d) Ele é ferido e magoado como todos os demais irmãos;
e) Ele sabe que é pecador;
f) Ele tem uma missão singular diferente dos demais irmãos
g) Essa missão singular na maioria das vezes não é bem entendida pelos demais irmãos;
h) Essa missão deve ser realizada com primazia e excelência;
i) Ele está bem ciente de suas limitações e fraquezas;
j) Ele sabe que é pecador.
k) Ele não se sente apto ou preparado para ser pastor;
l) Ele não sabe por que Deus o chamou para ser pastor;
m) Por fim, ele sabe que é Deus que dá forças, capacitação, dons e sabedoria para que ele possa pastorear;
n) Ele confia em Deus mas teme sua carnalidade;
o) Ele sabe que Deus pode usa-lo como instrumento de bênçãos para os demais irmãos;
p) Ele sabe que é pecador;
q) Ele sabe que Deus o capacitou com dons e talentos espirituais para exercer o ministério pastoral;
r) Ele quer fazer o certo, mas muitas vezes faz o errado.
s) Ele sabe que a grande maioria dos irmãos não entenderão suas crises ministerias;
t) Ele sabe que Deus o entende;
u) Ele sabe que é pecador. E como sabe disso...
 
Esse aparente paradoxo ou essa luta constante entre carne e espírito, muitas vezes levam o pastor a questionar o porquê das coisas. Por isso talvez, tantos conflitos vocacionais e de identidade ocorram. Considero isso saudável e necessário, mesmo sendo muito dolorido e difícil para todos os pastores.
Nesse "vale da sombra e da morte pastoral", alguns se isolam e ficam deprimidos (alguns ficam mesmo enfermos). Outros, tentam fugir abandonando seus ministérios e buscando tal qual Jonas, o porão do navio (outras atividades, inclusive seculares) como um refúgio "inútil". E ainda, outros justificam essas crises porque realmente não eram para ser pastores (o que em certos casos é um entendimento positivo, correto e muito proveitoso para a Igreja).
O remédio para essa crise de identidade e vocacional é, sem dúvida, ter um tempo se refugiando com e em Deus. Em alguns casos, se possível, um tempo longe da lida pastoral e do rebanho. Um período que possibilite por meio da oração, Palavra e arrazoamento avaliar, refletir, meditar, discernir e tomar posição e decisões dirigidas e apoiadas por Deus.
Conversar com um ministro mais experiente, que já passou por essas crises e que tenha absoluta confiança e amizade também seria uma atitude recomendável, mas nunca como substituição ao período com Deus já mencionado no parágrafo anterior.
Prosseguir sem esse período com Deus é um ato temerário que pode ocasionar malefícios ao ministério e ao povo pastoreado.  
 
Desta forma, pode-se os que assim agem, como já afirmei, fortalecer ainda mais seus ministérios e prosseguir agora, com mais forças, direção, maturidade e experiência.
 
A Crise Geográfica
 



 
Lutas e dificuldades haverão em todo o lugar do ministério.
Entretanto, entendo que Deus muitas vezes, senão em todas, escolhe o lugar e o momento para o pastor. Resta ao pastor entender a vontade de Deus e obedecê-la.
 
Neste contexto podem ocorrer várias crises geográficas, ou seja, questões e interrogações que povoam a mente do pastor: Será que Deus me quer aqui? Será que Deus me quer ali?
Li a experiência de um pastor que contava um episódio em sua vida que ilustra bem estes momentos de crises geográficas,

“Em meus primeiros anos de ministério, aceitei o convite de uma igreja que tinha passado por sérias dificuldades internas e divisões. Como jovem pastor, a pressão sobre mim era intensa. Às vezes pensava que ia ceder às pressões e cheguei mesmo a questionar minha sanidade. Durante os dias mais difíceis desse período, uma igreja grande convidou-me para servir em sua equipe pastoral. Meu desejo era fugir de onde estava, mas tive a nítida sensação de que estava ali na vontade de Deus. Mais tarde, a igreja grande telefonou-me: ‘Sabemos por que você não aceitou. Não lhe oferecemos um salário decente’. Assim me ofereceram mais dinheiro. Informei-lhes que não se tratava de dinheiro, mas que estava absolutamente certo de que ocupava o lugar onde Deus me havia posto. a situação em meu pastorado mudou, e crescemos significativamente e causamos grande impacto na comunidade, revelando-se uma das épocas mais felizes de minha vida”
(trecho da obra “As inigualáveis lutas dos pastores” por pastor Dennis Davis)


Com isso aprendemos mais uma vez que Deus é soberano e somos apenas servos.
Por isso, penso que "esse negócio" de ficar escolhendo muito o local onde irá pastorear não se enquadra com precisão na essência e nos fundamentos do ministério pastoral. Servir a Deus como pastor não é como alguém que escolhe em que empresa deseja ou irá trabalhar. A decisão não é dele, é de Deus. Pastorado não é profissão. Igreja não é empresa. Crentes não são consumidores. Jesus não é um produto.
O pastor que entende isso não levará em conta o tamanho da igreja, ou quais serão seus benefícios materiais se ali se fixar, mas sim, terá como referencial e parâmetro, seu discernimento espiritual sobre essa questão. A vontade de Deus é que deve ser acatada e não a vontade do pastor.
Essa "escolha" (que muitas vezes o pastor pensa equivocadamente que é dele) será entendida e sabida como certa ou errada somente por Deus e pelo pastor.
E todo genuíno pastor sabe quando Deus não o enviou para tal lugar ou igreja e o contrário também é uma verdade. Claro que o pastor sabe. Teimar ou contrariar a vontade de Deus trará consequências a vida e ministério do pastor. E, no fim das contas, fará aquilo que Deus determinou, pode ter certeza disso. O desnecessário ou o excesso de sofrimento que trará como bagagem é uma colheita que será proporcional às atitudes do pastor.
Por isso, caro colega, não lute com Deus. Você não o vencerá.

 
o artigo continua na próxima postagem com outras crises participantes do ministério pastoral...
 
 
Pr. Magdiel G Anselmo.

 

Um comentário:

  1. Parabéns pelo blog pastor Magdiel. Mensagens edificantes. Que a potente mão do Senhor esteja sobre o seu ministério.

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