sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Teologia Reformada X Vida Esfarrapada



Gosto de estar com meus amigos e irmãos, aprecio muito conversar sobre as coisas de Deus com pessoas amigas e conhecidas, e mesmo em algumas ocasiões com pessoas que não tenho maior intimidade. Sou adepto de uma boa conversa sobre teologia, Igreja, Bíblia, etc... e com isso vamos aprendendo, ensinando e partilhando muitas coisas. Mas, também vamos percebendo algumas contradições entre a teoria, a crença, a exposição e a prática, a aplicação do que as pessoas crêem ou professam.
Percebe-se que há um grande problema na maioria das pessoas que são severas e zelosas no extremo, os chamados radicais em termos de linhas teológicas ou mesmo costumes e metodologias advindos, segundo eles, dessas pressuposições.  Sempre digo a eles: "seja fundamentalista no que é fundamental, não no que é opcional, secundário ou em questões que a Bíblia não 'bateu o martelo' ". 
Entretanto, na maioria das vezes (não em todas) essas atitudes  de extrema severidade com as pessoas que não seguem o mesmo raciocínio ou linha desses radicais, não são aplicadas a elas mesmas em sua vida e postura pessoal.
Resume-se assim: Severidade e excesso de zelo na teologia, suavidade e concessões pecaminosas na vida pessoal.
Vejo e penso que a teologia reformada não atingiu a vida dessas pessoas integralmente, atingiu apenas a mente e quem sabe o coração mas, não as ações objetivamente.
Muitos discutem e asseveram com veemência crer em doutrinas reformadas (e ressalto que sou reformado) e as defendem com "unhas e dentes" mas quando se trata de ter uma vida piedosa, tal qual a maioria dos pré-reformadores ou dos próprios reformadores, já não se vê a mesma disposição e fidelidade às Escrituras tão defendida e meticulosamente conhecida e exposta por eles.
Há um abismo entre a teologia crida e a vida vivida.
Certamente isso de nada ajuda na confirmação das crenças e linhas teológicas professadas por essas pessoas, do contrário, vão na contramão, trazendo dúvidas e questionamentos aos que os ouvem e grande tristeza e decepção aos que os conhecem pessoalmente e os têm como amigos mais íntimos.
Essa realidade traz à tona uma questão intrigante e por isso, sempre me chamou a atenção desde os tempos em que ouvia atentamente meus professores em sala de aula nos primeiros cursos teológicos que fiz: 
O que é mais relevante para um cristão?
a) a piedade (vida piedosa, ou seja, de acordo com às Escrituras), b) a erudição (ser um bom teólogo) ou c) a oratória (ser um bom pregador).
Se analisarmos com honestidade segundo o viés espiritual correto, biblicamente falando, veremos que encontramos no universo cristão evangélico ou como rotulamos também, protestante, muitos que se enquadram nas alternativas b e c mas poucos na alternativa a.
Encontramos muitos teólogos, destes um bom número de bons teólogos, homens que se preocupam com a sã doutrina e com a defesa da fé cristã, além de propiciar muito material para os ministros e educadores cristãos na sua lida diária e ministerial. São uma benção de Deus para a vida da Igreja.
Também encontramos muitos pregadores da Palavra, alguns muito bons e fiéis a essa Palavra (infelizmente estão escasseando...). Os que reconhecem a importância e responsabilidade desse ministério trazem a vida da Igreja muitas contribuições de Deus para sua atuação e impacto nesse mundo. Quando expõem a Palavra previamente estudada, analisada, corretamente interpretada e fielmente aplicada, produzem nos seus ouvintes e irmãos a orientação precisa de Deus que necessitam para ter uma vida abundante, edificada, fortalecida, até a volta de Cristo.
Mas, quanto aos piedosos, raramente os encontramos. Onde estão eles então? Por que não os encontramos tão facilmente quanto os demais? 
Primeiro, porque não estão em evidência, não estão na "vitrine" eclesiástica.
Segundo, porque a sua importância é negligenciada em prol de uma falsa espiritualidade, unidade e comunhão que, acreditam muitos, venham de programações e mecanismos, e não de vidas piedosas, santas. Segundo esses, o movimento humano de crescimento de igrejas, tendência que iniciou-se devido a "falência" (será que tem a ver com conceito equivocado de "igreja-empresa"?), de diversas igrejas norte-americanas (um paradoxo não? quem faliu, "quebrou", quer ensinar outros a crescer e prosperar...) com suas fórmulas e receitas prontas, é muito mais fundamental do que o movimento de Santificação ordenado, realizado e movido pelo Espírito Santo na vida dos salvos em Cristo.
Pensam esses, que Deus usa muito mais (e quem sabe exclusivamente) coisas e pessoas "especiais" que impactam multidões com suas pregações ou "louvores" e menos, muito menos (ou quem sabe, nunca) crentes simples, fiéis e obedientes a Palavra que sem alarde, barulho ou "oba-oba" ensinam e fazem discípulos apenas (se é que posso usar esse termo aqui) com o doutrinamento bíblico puro das Escrituras e com a confirmação do exemplo de suas vidas.
O interessante e que deveria chamar a atenção de todos, é que em via de regra, os poucos que se preocupam em ter uma vida piedosa, "odeiam" a fama e "amam" a anonimidade. Não desejam ser homenageados ou evidenciados como sendo "super-crentes" (como bem explicitou Romeiro em seu best-seller com esse título), mas simplesmente como "crentes" que não fazem mais que sua obrigação, apenas servos.
No mínimo curisosa a diferença para os outros dois grupos, onde (com exceções) procuram ser conhecidos e reconhecidos por todos estampando seus títulos e realizações com empolgação não disfarçada.
O que pode-se concluir dessa pequena análise aqui realizada é que aqueles crentes que buscam uma vida piedosa não precisam estar "discutindo" ou "convencendo" os demais irmãos da linha teológica que acreditam e seguem ou da metodologia eclesiástica ou ministerial que adotam como melhor ou mais objetiva. Eles não tem essa necessidade. Sabe por que?
Por que não precisam (a redundância aqui é justificada). Eles são seguidos naturalmente e ouvidos constantemente devido o respeito e a admiração que adquiriram com suas vidas aos pés do Senhor.
E mais, a forma como vivem, o jeito como procedem em sua vida particular, pessoal (familiar, profissional, social, etc...) reflete o que as Escrituras ensinam e orientam e mesmo não sendo perfeitos (e ninguém o é) e sendo pecadores (como todos nós) tentam com imenso esforço levar uma vida santa diante de Deus e isso é o que os diferencia dos demais. Essa preocupação e busca constante os faz mais próximos de Deus, sem dúvida alguma, e mais ouvidos e observados por todos.
Portanto, se você deseja que seus demais irmãos ouçam-no quando, calorosamente, defende e argumenta em prol de suas crenças e linha teológica, antes disso, muito antes, tenha uma vida piedosa que falará muito mais alto que seus brados teológicos sem vida que somente produzem (em muitos casos) inimizades e impressões negativas a seu respeito.
Veja que é também significativo para entender essa questão, observar que quando a Bíblia nos orienta sobre crescimento, ela situa a Graça antes do Conhecimento (2 Pedro 3:18), algo a se pensar não é mesmo?
Busquemos todos muito mais uma vida piedosa, e muito menos discussões teológicas.
A teologia só faz sentido no contexto de uma vida piedosa, lembre-se sempre disso.
Deus os abençoe.
Pr. Magdiel G Anselmo.








sábado, 15 de dezembro de 2012

O correio chegou ! Carta pra você, pastor !

Uma carta a um pastor cansado, ferido e desanimado que pensa em deixar o pastorado para viver “quieto e tranqüilo”.




Caro pastor, sei que passas por dificuldades e tens sofrido. Sofro e choro contigo, meu amigo.
Tenho ciência da vida a que se submete um pastor e que não é incomum tratarmos em Cristo as feridas de irmãos, tendo, nós mesmos feridas profundas na alma. Também sei que no cumprimento de nosso ofício, somos ofendidos, humilhados, desprezados e mesmo atacados de forma vil, traiçoeira e ingrata.
Muitos não nos respeitam e nos incluem indevida e maldosamente com aqueles falsos pastores que não entendem o que significa pastorear. E, mesmo assim, devemos manter a postura firme e exemplar diante da congregação para que nossas fraquezas e dores não sirvam de pretexto para os fracos e novos e, sendo assim, não lutem e superem os obstáculos e problemas da vida e conseqüentemente alcancem crescimento e maturidade. Sei que marchamos muitas vezes, sangrando e gemendo, sei bem disso. Mas, é um sacrifício necessário para um bem maior, a glória de Deus.
Também estou familiarizado como o stress e as angústias a que estamos sujeitos diariamente. A lida pastoral exige preparo e persistência. E nos preparamos para isso, pelo menos deveríamos, mas nem tudo pode ser previsto e planejado de antemão. Muitas vezes somos pegos de surpresa por ações e situações que nos afligem e tentam nos abalar e entristecer.

Faz parte, diriam alguns.
Portanto, não fico surpreso, meu caro, que estejas perturbado com a oposição em conseqüência das ofensas, qualquer que seja sua causa, a ponto de dizer que preferes livrar-te dos labores do pastorado e viver quieto e tranqüilo, a continuar no ofício delegado a ti. Não me surpreendo com tua perturbação, mas me surpreendo que tenhas sido surpreendido por isso.
Lembre-se o que Senhor nos diz: “Bem aventurados os que perseveram até o fim”.
De onde viria essa bendita esperança, senão da força da paciência?
Pois como proclama o apóstolo: “Todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.”
E não são apenas perseguições calculadas,  ou seja, aquelas que nos preparamos para resistirmos e confrontarmos e que vem contra a religião cristã de uma forma geral. A perseguição direta muitas vezes é infligida por aqueles que protegemos, pelos feridos que acabam por nos ferir, pela desobediência persistente e pelas farpas de línguas maldosas. E uma vez que todos os membros da igreja são sempre vulneráveis a esses ataques e a essas ações e nenhuma porção dos fiéis está livre dessa tentação, de modo que a vida venha a ser tranqüilidade e quietude, sem perigo, quando isso ocorrer, quem guiará o navio por entre as ondas do mar se o timoneiro abandonar o posto? Quem guardará as ovelhas das armadilhas dos lobos, se o pastor não estiver vigilante? Quem resistirá aos ladrões e roubadores se o amor pela quietude afastar o guarda colocado para manter a visão no rigor da vigilância? Quem levará o unguento que sara às feridas daqueles que necessitam de cuidados? Quem se porá na brecha por aqueles que não sabem ainda usar as armas espirituais contra as investidas do acusador? Quem fará isso?
A pessoa chamada e vocacionada deve, portanto, permanecer no ofício que lhe foi delegado. A justiça deve ser mantida com firmeza, misericórdia e amor. O pecado deles deve ser odiado, mas não os indivíduos. O orgulhoso deve ser advertido, o fraco, sustentado, e aqueles pecados que exigem punição severa devem ser tratados não com espírito de vingança, mas com desejo de cura.
E, se uma tempestade mais feroz de tribulação nos atingir, não sejamos consumidos pelo terror como se tivessemos de vencer o desastre por nossas próprias forças, pois tanto nosso conselho como nossa força é Cristo, e por meio Dele podemos todas as coisas.
Ele nos alerta: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” E de novo diz: “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo.”
Não podemos deixar que nenhuma ofensa enfraqueça essas promessas, para não parecermos ingratos com nosso Deus por nos ter feito seus vasos escolhidos, uma vez que a sua assistência é poderosa, e suas promessas, verdadeiras.
 
Visto que o pastor (e toda esposa de pastor) enfrentam dificuldades interpessoais na obra de Deus, nosso coração deve buscar força externa. E essa força vem de Deus. Deus nos concede meios para nos relacionarmos com Ele. Quando o coração do pastor se derrete como cera, quando o desânimo lhe bater à porta, quando o sangue das feridas lhe atrapalham a visão, chegando até em pensar abandonar seu ofício e negligenciar seu chamado, Deus concede a força do Espírito para que ele seja consolado, curado e fortalecido.
 
Por isso, caro irmão e colega de ministério, não corra por suas próprias forças, pois logo será tentado a deixar seu ministério. Não pense também que abandonando o ministério encontrará quietude, tranqüilidade e paz. Certamente, será o contrário, pois seu coração continuará a ser movido ao pastorado.
 
 
Isso não vem de ti, vem de Deus, não há como fugir dessa realidade, fostes escolhido, chamado, vocacionado e capacitado por Deus para tal trabalho. Não há porão de navio nem ventre de grandes peixes que nos servirão de esconderijo se tentarmos fugir de nossa responsabilidade.
Meu conselho final pra ti é que mantenha seu relacionamento com o Sumo Pastor e terá recursos para amar o povo de Deus sacrificialmente e mesmo com e em aflições, terás o consolo, a direção e a força que precisas para prosseguir.
Ainda existem muitos como ti que não se dobraram a baal.
Saia da caverna, se alimente, sacie sua sede e volte ao campo de batalha.
Deus é contigo.
 
Pr. Magdiel G Anselmo.

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