quinta-feira, 31 de maio de 2012

A relevância do Ensino Cristão constante e sistemático

Este assunto é de suma importância para a Igreja de Cristo, e dentro do plano de Deus existe uma ênfase a isso, basta observar como o Senhor estabeleceu a atuação da Igreja. Quando vemos que Deus salva e automaticamente distribui dons espirituais para os salvos vocacionando-os para serviços ou ministérios dentro do corpo de Cristo (Igreja), temos que observar então que vários dons espirituais são dados por Deus para atuação na área de ensino, seja direta ou indiretamente.
Além do dom de ensino ou de mestre que está direcionado obviamente para a educação cristã do salvo há outros que respaldam, secretariam ou complementam este dom espiritual como: o dom de administrar, de governos, de palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, de exortar além de dons espirituais que necessitam do complemento do dom de ensino como o de pastor e o de profeta. Percebe-se que Deus esteve “preocupado” com o crescimento do salvo, por isso dá a ele totais condições para isso, através dos dons espirituais e dos ministérios da Igreja de Cristo.
O próprio Senhor Jesus Cristo deu muita importância ao ensino constante e sistemático, usando várias formas e métodos de ensino para incultar nos discípulos aquilo que eles precisavam saber. Somente depois de anos ao lado do Mestre é que foram enviados para evangelizar os perdidos, e isso aconteceu com muitas outras pessoas ao longo da história bíblica.  
Se tivermos o interesse em estudar mais profundamente os dons espirituais verificaremos que o ensino cristão constante e sistemático é um objetivo de Deus e que Ele forneceu as ferramentas para se alcançar com êxito este objetivo.
Portanto, para se estar dentro do plano de Deus e conseqüentemente agradar ao Pai é necessário também dar a importância devida a este assunto, buscando descobrir os dons espirituais que temos e os utilizar nos ministérios (serviços) a que fomos vocacionados com responsabilidade, visando à edificação da Igreja e a glória de Deus.
As colunas basilares do Cristianismo têm que ser ensinadas aos seguidores de Cristo constantemente e de forma que estes aprendam e apliquem no quotidiano. As doutrinas fundamentais, os princípios para uma vida cristã sadia, o conhecimento da Bíblia e a interpretação correta de seus textos devem ser a meta de todo líder evangélico para com o povo de Deus a que eles estão liderando.
Os apóstolos tiveram esta preocupação e passaram grande parte de suas vidas ensinando aos já salvos os princípios e valores de Deus. A maior parte do NT se constitui de ensinamentos a crentes. As cartas paulinas, petrinas e joaninas são todas destinadas a ensinar e doutrinar crentes em várias situações que se apresentavam e independente disto, ensinar as principais doutrinas evangélicas aos novos na fé.
Mas, o ensino não se restringe ao NT, os livros do VT também são repletos de exemplos de quão importante é estudar as Escrituras Sagradas.
Os profetas vez por outra afirmavam isso e todos os grandes expoentes bíblicos do VT eram pessoas que buscavam conhecer e estudar as Escrituras que existiam na época, pode-se  perceber isto claramente em Josué 1:1-9; Deut. 17: 14-20; 31:9; Salmo 119: 97-105; Provérbios 3:1-8;  Êxodo 13:9 e tantos outros...
O estudo da Palavra de Deus de modo sério e responsável é uma orientação divina e cabe a todo crente obedecê-la.
Mas, qual a importância prática deste ensino constante e sistemático para o crente? O que ele proporciona para sua vida?
Posso responder a esta pergunta lembrando como é o processo de salvação.
Sabe-se que a doutrina da salvação é dividida, resumidamente, em regeneração, justificação, santificação e glorificação. Todos estes são aspectos da doutrina da salvação, ou seja, da soteriologia.
A regeneração e a justificação são processos instantâneos na pessoa alvo da ação salvadora de Deus, o que isso quer dizer? Significa que uma vez o Evangelho sendo comunicado a essa pessoa por meio da pregação pública do Evangelho ou do evangelismo pessoal e o Espírito Santo a convencendo do pecado, da justiça e do juízo levando-a pela fé a tomar uma decisão pensada e concreta de entregar sua vida a Cristo reconhecendo-O como seu único e suficiente Salvador pessoal e Senhor de sua vida, automaticamente esta pessoa passa a ser regenerada e justificada por Deus. Ela é convertida e nascida de novo pelo Espírito e então agora é reconhecida por Deus como filha por adoção mediante a fé na obra salvífica de Cristo, e isso por causa da graça de Deus (Efésios 2: 8,9).
Portanto, a salvação instantânea, ou seja, a justificação e a regeneração acontecem na conversão do pecador, já a santificação é um processo contínuo e difere de uma pessoa para outra. Este processo é diferente de uma pessoa para outra devido ao nível de conhecimento que esta pessoa tem de Deus através de Sua Palavra, levando-a a transformar seu antigo comportamento pelas orientações bíblicas.
A busca pelo conhecimento bíblico também leva este crente a ter uma intimidade maior e crescente com Deus, ajudando assim a mudar conceitos e valores antes mundanos para agora divinos.  Tudo isso direciona este crente para uma vida diária e constante de oração e estudo da Bíblia e uma profunda preocupação em agradar a Deus em tudo que faz e fala.
Como vemos, o conhecimento da vontade de Deus é importantíssimo neste processo de santificação. É aí que entra o ensino como instrumento de transformação na vida do crente, pois é através dele que se encontram os melhores meios e recursos para aprender e compreender as Escrituras. Quanto mais cedo se começa a estudar, mais cedo se tornará um crente maduro.
A Escola Bíblica Dominical (departamento este voltado para todas as idades), os estudos bíblicos sobre doutrinas básicas do Cristianismo, os discipulados  para  novos-convertidos assim como para crentes já adultos, os cursos periódicos para aperfeiçoamento e treinamento de líderes, os grupos familiares enfocando assuntos da vida cristã, além da pregação semanal ensinando a congregação os princípios de Deus extraídos da Bíblia e aplicados no dia-a-dia dos membros, são áreas e tarefas inegociáveis da Igreja, ou seja, tem que existir em toda denominação ou grupo evangélico, pois disto depende o crescimento do povo de Deus.
É através disto que o Espírito Santo ensina para na ocasião oportuna e necessária nos fazer lembrar tudo que temos aprendido (João 14: 26).
Portanto, a santificação é diretamente vinculada ao ensino constante e sistemático das Escrituras.


Por que ensino constante? Por que ensinar de quando em quando as mesmas coisas às mesmas pessoas?

Respondendo estas perguntas, entendo que os princípios e valores de Deus bem como todas as orientações, doutrinas e exemplos bíblicos devem ser constantemente ensinados ao povo de Deus.
Por quê?
Porque é desta forma que não esqueceremos estes assuntos e acima de tudo, a cada vez que você lê, medita ou estuda um destes assuntos, o Espírito Santo lhe fala ao coração e nos revela algo novo que talvez tenha passado despercebido nas outras vezes que estudamos tal assunto.
Claro que a interpretação da Bíblia sempre vai ser a mesma, pois ela não é de particular interpretação (2 Pedro 2:20,21), porém, o Espírito Santo pode chamar-nos atenção para um ponto que não tínhamos notado e que justo ali  Deus quer ensinar-nos algo. Isso pode acontecer quando estamos meditando em um texto, ouvindo alguém ensinar em uma aula de EBD, ou em um estudo bíblico, em um grupo familiar, em um grupo de discipulado, enfim, nas diversas atividades em que o ensino está inserido sendo objeto de edificação da Igreja.

Por que ensino sistemático?

Bem, para responder a esta pergunta posso me valer dos mais variados exemplos e personagens bíblicos. Deus age nos relatos bíblicos sempre com organização e planejamento. Deus sempre teve tudo muito bem planejado e coordenado, não havia nada feito de improviso ou de forma desordenada.
Todas as pessoas usadas por Deus para missões específicas seguiam a orientação de Deus, ou seja, o plano que Deus já havia estabelecido.
Vemos isso com os profetas, com os patriarcas, com os apóstolos e com o próprio Senhor Jesus Cristo quando encarnado, dando-nos exemplo de como trabalhar para o reino de Deus com objetivo e dentro de um pré-planejamento.
Já que as Escrituras Sagradas nos mostram que a obra de Deus é feita de forma planejada e organizada, chegamos então à óbvia conclusão que o ensino cristão também deve seguir esta mesma premissa.
O ensino deve ser planejado e organizado, é recomendável seguir um sistema progressivo para que o alimento espiritual seja ingerido e deglutido pelo salvo em Cristo desde os seus primeiros passos na fé. Este sistema ou seqüência deve ter respaldo e orientação bíblica.
O que estou querendo dizer com isso?
Alguns líderes começam a ensinar novos crentes assuntos sem uma seqüência bíblica ou mesmo sem qualquer tipo de seqüência pré-determinada.
Por exemplo, ensinar sobre o dragão no livro de Apocalipse, sobre a doutrina dos anjos, sobre qual o tamanho da arca de Noé ou sobre os usos e costumes de uma denominação evangélica qualquer para alguém que está sendo evangelizado ou iniciando sua vida cristã é algo sem sentido e improdutivo.
Outros líderes não se importam nem se estão sendo claros ou se os ouvintes estão entendendo, talvez por medo ou despreparo. Também dar prioridade aos novos e esquecer-se dos mais antigos é um grave erro. Por isso a importância de uma seqüência progressiva e um sistema de ensino abrangente a todas as idades “espirituais” e naturais.
O Senhor Jesus enquanto aqui no mundo seguiu uma ordem de ensinos e se utilizou de vários métodos de ensino. Após escolher e chamar Seus discípulos ensinou-os como ser salvos, após entenderem isto os ensinou como agir sendo salvos e quando morreu na cruz e ressuscitou apareceu a estes ensinando qual o trabalho que tinham a realizar agora, já que eram salvos e sabiam como se portar.
Perceba a seqüência de ensinos e finalmente a ordem de servir ao Senhor com a gama de informações e orientações  que lhes foram  ensinadas.
O Senhor Jesus também nos ensinou a utilizar métodos de ensino, ou seja, formas de ensinar que levem as pessoas a entender mais claramente o conteúdo do ensinamento. O Mestre usou vários métodos como: perguntas e respostas, preleção, debates, grupos pequenos, parábolas...
Também, o Mestre, se utilizou de vários exemplos visuais para passar a mensagem da salvação como: pássaros, água, pão, crianças, plantas, enfim, usou verdades conhecidas a eles para ensinar sobre verdades desconhecidas aos mesmos.
Os apóstolos seguiam o mesmo sistema e métodos do Mestre, isso deveria nos despertar para esta verdade: “O ensino deve ser sistemático”.


Como então, após toda esta argumentação, devemos ensinar na Igreja?

Creio que se seguirmos a seqüência bíblica, nos ataremos ao correto e ficaremos livres de erros. Um currículo equilibrado e tendo como base o cristão de uma forma integral é levar a Bíblia a sério.
Doutrinas fundamentais do Cristianismo como: A Bíblia (Bibliologia), A criação, O pecado (Hamartologia), Deus (Deus Pai, Cristologia, Pneumatologia), Trindade, A Salvação (Soteriologia), A Igreja (Eclesiologia), As Últimas Coisas (Escatologia) tem que ser ensinados periodicamente e nesta seqüência ensinadas a todos os membros de nossas Igrejas.
Não importa quantas vezes alguém seja ensinado sobre estas doutrinas, pelo menos uma vez por ano todo líder ou pastor deve ensiná-las. Elas são a essência, as colunas basilares do Cristianismo Bíblico.
Outros assuntos importantes para a vida de todo crente também não podem ser esquecidas ou somente ensinadas uma única vez, entre elas ressalto a Mordomia Cristã, Dons Espirituais, Seitas e Heresias, Vida Cristã (oração, meditação, leitura e estudo da Bíblia, memorização) e o Caráter Cristão.
Perceba que se esta seqüência for utilizada e seguida todos os crentes não importando a idade na fé terão alimento adequado para a vida. Com os ensinamentos regulares e também constantes da EBD, as pregações dominicais, discipulados para novos-convertidos mais os grupos familiares se houver, têm-se então uma Igreja ensinadora e com certeza colhendo frutos para a glória de Deus com crentes maduros, ativos e responsáveis.
Além disso, os cursos de treinamento e aperfeiçoamento de líderes nas mais variadas áreas e departamentos da Igreja também são importantes e devem  ter seu lugar garantido no planejamento anual de toda congregação local . Os que militam na área de ensino também devem ter uma atenção especial por parte do pastor, pois são uma ajuda relevante a seu ministério, claro que se bem orientados, treinados e capacitados para este fim.
Por isso a existência dos cursos de aperfeiçoamento e treinamento. Todo líder ou ensinador deve vez por outra sentar para ouvir e aprender, não importando quanto tempo tem de crente, qual sua idade ou qual sua posição de liderança. Já dizia alguém que “ quem não serve para aprender, não serve para ensinar”. O bom líder e ensinador sempre está aprendendo e estudando, sempre está pronto a ouvir e é humilde em refletir sobre o que ouve.
Vale aqui o exemplo de Moisés em Êxodo 18: 13-27.
Neste relato bíblico vemos a humildade de Moisés, escolhido por Deus para libertar o povo da escravidão egípcia e guiar o povo pelo deserto em busca da terra prometida, profeta de Deus, representante de Deus diante do povo e representante do povo diante de Deus. Mesmo com todo este privilégio e autoridade dado por Deus, ouviu seu sogro Jetro lhe dizer que estava errado e diz a Palavra de Deus que “ fez tudo quanto lhe havia falado”. Moisés era alguém ensinável, sabia discernir o que era certo e o que não era, tinha sensibilidade para entender a vontade de Deus.  Isso nos ensina que mesmo o mais conhecedor e capacitado por Deus para ensinar deve ser humilde em ouvir e aprender com outros.
Quero lembrar que os ensinamentos devem ser transmitidos ou ministrados seguindo o exemplo e orientação do Mestre dos mestres, Jesus Cristo. Os métodos de ensino e os audiovisuais devem ser utilizados para que o conteúdo da mensagem a ministrar seja cada vez mais clara e fácil de entender pelo ministrado. Esta é a forma bíblica de ensinar e o Espírito Santo atua poderosamente quando a Bíblia é seguida.
Finalmente, quando tudo o que foi exposto acima for ministrado à congregação, se houver tempo e espaço para ensinar sobre assuntos secundários, aí sim se pode fazê-lo, pois a curiosidade humana é imensa e vez por outra podemos ensinar sobre estes assuntos sem, todavia dar a eles o valor e a prioridade que não tem.
Assuntos como “cura interior, quebra de maldições, mapeamento espiritual, prosperidade material como prioridade, determinar benção” e tantos outros absurdos e heresias serão naturalmente extirpados da Igreja, pois ao estudar a Bíblia com suas doutrinas e ensinos para o dia-a-dia e orientações contra os falsos ensinos, o crente estará conhecendo o que realmente é a Verdade e o que é simplesmente “invencionice” ou má intenção de algumas pessoas que se dizem evangélicas. A melhor forma de proteger o rebanho de Deus é ensinar-lhe a Bíblia de forma constante e sistemática com unção e sabedoria dos céus.
Quero finalizar este artigo afirmando que a Igreja tem todas as ferramentas e orientações necessárias para ser uma instituição ensinadora e formadora de homens e mulheres de Deus e para Deus. Os dons espirituais e ministérios dirigidos por eles, um ensino constante e sistemático tendo em vista a seqüência e modelos bíblicos mais uma responsável liderança supervisionando e coordenando todas estas atividades terão como conseqüência uma atuação poderosa e nítida do Espírito Santo em todo este processo. Isto será visível à medida que vidas forem sendo salvas e acrescentadas a este grupo para serem nutridas pelo ensino sério e puro da Palavra de Deus.
Que o Mestre de todos os mestres abençoe e proteja todos os que foram chamados e vocacionados por Ele para ensinar em Sua Igreja.

Que eles tenham a iluminação do Espírito Santo para tão grandiosa obra e nunca esqueçam que são meros instrumentos da atuação de Deus e louvem a Ele por este privilégio e por este ministério.
Que Deus seja exaltado e glorificado no e através do ensino de Sua Igreja! Amém.


Sola Scriptura !!!


Pr. Magdiel G Anselmo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

O erro do Pragmatismo aplicado a Igreja Cristã

A definição de pragmatismo segundo o dicionário teológico é a seguinte: “É uma filosofia que tem como base a utilidade imediata, ou seja, a verdade é medida pelos efeitos práticos que produz”. 
Colocando em uma forma mais simples de compreender, a filosofia do pragmatismo se resume em chegar-se ao objetivo não importando que formas e métodos tenham que ser usados, o que importa é o fim não os meios. O que importa é se "dá certo", "se funciona", sem a preocupação com critérios ou fundamentos.
Olhando para esta filosofia superficialmente pode-se até ser convencido.
Mas ao analisar com um pouco mais de profundidade vai se chegar a conclusão que esta filosofia não se sustenta pela revelação bíblica, experiência ou história cristã. O que é útil hoje pode não ser amanhã.
Nem sempre o que dá resultados mais rápidos é o mais correto, principalmente quando se trata de coisas espirituais.
Aplicando esta filosofia no trabalho cristão, muitas igrejas ou comunidades cristãs começaram a utilizar meios muitas vezes duvidosos para se alcançar os fins que estão determinados para a Igreja alcançar nas Escrituras.
Essa filosofia não é muito nova, já em 1955, A. W. Tozer denunciava esta atitude da Igreja evangélica afirmando que,

durante séculos a Igreja manteve-se firme contra toda forma de entretenimento humano, reconhecendo-o como um dispositivo para perder tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um plano para desviar a atenção da prestação de contas quanto a moral. Ultimamente entretanto, ela se cansou de ser abusada e simplesmente desistiu da luta. Parece ter firmado a posição de que, se não pode vencer o deus do entretenimento, o que melhor pode fazer é unir suas forças às dele e aproveitar o máximo de seus poderes. Por isso, contemplamos hoje o assombroso espetáculo de milhões de dólares sendo vertidos no negócio nada santo de prover entretenimento mundano aos chamados filhos dos céus. O entretenimento religioso está, em muitos lugares, rapidamente desalojando as sérias coisas de Deus. Muitas Igrejas, em nossos dias, se tornaram nada mais que pobres teatros onde “produtores” de quinta categoria mascateiam suas mercadorias de baixo valor com plena aprovação dos líderes evangélicos, que chegam a citar textos bíblicos para justificar tal delinquência. E é difícil acharmos alguém que ouse levantar sua voz contra isso”.

Veja então que  isso não é novidade para a Igreja evangélica, já fomos atacados por muitas outras filosofias como esta e conseguimos prevalecer até hoje graças a Deus.
O imediatismo, filho do pragmatismo, é um conceito mundano e na Bíblia não vemos em nenhuma parte a preocupação com o tempo, mas sim vê-se claramente a preocupação de se alcançar os objetivos de Deus com santidade e perseverança, mesmo que para isso se tenha passado muitos anos.
Hoje contrariamente a isso, vêmos pessoas neófitas sendo "consagradas" ou "ordenadas" a ministérios na Igreja sem sequer ter obtido experiência de vida cristã, e mais, algumas em pecado consciente. O processo de santificação naquela vida está em seu início e já se submete aquela pessoa a liderar outras, pelo simples fato de serem pessoas da confiança do líder que ali se encontra ou por que há um interesse pessoal, carnal e por vezes até demoníaco por trás dessa atitude.
Outro problema são as novas formas, meios e métodos que surgem a cada dia. Temos que ter discernimento e sabedoria para distinguir o que presta, o que é lícito, o que convém e o que edifica. Temos que advertir, alertar quanto ao erro. Não podemos nos eximir de tal responsabilidade.
A verdade é nossa arma contra o erro, o engano, a mentira e o engodo.
Se nos utilizarmos do exemplo de vida de Moisés, Josué, Abraão, Paulo e tantos outros  personagens  bíblicos veremos que o tempo nunca foi uma preocupação para Deus.
Se olharmos para os profetas: Isaías, Jeremias, Ezequiel, e todos os outros  profetas menores também veremos que a grande maioria deles profetizaram durante anos e anos sem nenhum resultado prático e visível.
O profeta Jeremias é o mais contundente quanto a isso, pois profetizou por mais de quarenta anos sem ninguém dar ouvidos a sua mensagem, pelo contrário seus conterrâneos ameaçaram matá-lo se não parasse de profetizar (Jeremias 11: 19-23), seus próprios amigos conspiraram contra ele (12:6), não foi permitido por Deus que se casasse e  sofreu  solidão agonizante ( 16:2), sua própria família e amigos conspiraram para matá-lo (18:20-23), foi ferido e colocado no tronco (20:1,2) e no final ainda foi considerado um traidor por sua própria nação (37:13,14).
Já no NT, o apóstolo Paulo não tinha um ministério pragmático como muitos defendem hoje, pelo contrário evitou métodos engenhosos e artifícios que conduzissem as pessoas a falsas conversões, através da persuasão carnal. Ele mesmo escreveu:

“Eu, irmãos quando fui ter convosco, anunciando-vos testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e , sim no poder de Deus” (1 Coríntios 2: 1-5). A Igreja em Tessalônica ele lembrou: “Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o Evangelho, assim falamos não para que agrademos a homens, e, sim, a Deus, que prova o nosso coração. A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. Também  jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros.” (1 Tess. 2: 3-6).


Estes textos são mais que esclarecedores sobre este assunto que abordamos, só não entende quem não quer ou não é salvo para poder entender as coisas espirituais.
Será que estes homens tiveram que mudar de método, já que não obtinham resultados imediatos? Será que os métodos usados por eles não eram os corretos ? Será que não tinham “visão” por isso não obtinham  resultados  práticos ?  Será que não tinham suficiente “comunhão e intimidade” com Deus e por isso fracassaram em suas missões?
Se analisarmos as Escrituras Sagradas veremos que estes homens eram pessoas que tinham uma comunhão e intimidade com Deus tão grande que isso os levava a ter uma convicção tremenda do que estavam fazendo e da vontade de Deus.
Eram homens que não buscavam agradar aos homens, mas sim agradar a Deus. Eram homens que ficavam entristecidos sim, por não ver acontecer os resultados que queriam porém, não ousavam mudar o meio pelo qual Deus os orientava a trabalhar. Eram homens que sabiam que mesmo que os resultados não acontecessem  imediatamente, Deus era fiel para fazer acontecer no tempo que Ele determinasse, no tempo certo.
Eram homens que sabiam que a santidade, a vida piedosa e a obediência a Deus eram ítens obrigatórios para seus ministérios e não tinham dificuldade em reconhecer quando erravam e a partir daí, arrependidos, suplicar o perdão de Deus.
Eram homens que criam na soberania e providência de Deus, por isso foram escolhidos e capacitados para estas missões específicas.
Charles Spurgeon a muito anos atrás já advertia a respeito daqueles que “gostariam de unir a Igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças”. Na época foi tido como um alarmista, mas o que diríamos disso hoje.

Será que a “profecia” de Spurgeon não se concretizou de fato ?
Nas Escrituras, nada indica que a Igreja deveria atrair as pessoas a virem a Cristo através de apresentar o Cristianismo como uma opção atrativa.
Quanto ao evangelho, nada é opcional: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12). O Evangelho não tem o objetivo de ser atraente. Ele tem como propósito revelar Cristo e orientar o povo de Deus.
Quero enfatizar que o Evangelho é perturbador, chocante, transformador, confrontador, produz convicção de pecado e é ofensivo ao orgulho humano. Não há como fazer maquiagem no Evangelho bíblico.
Oponho-me frontalmente ao pragmatismo pois dá espaço para os modismos que são formas totalmente indisciplinadas de se  portar e agir, afastando as pessoas das Igrejas verdadeiramente bíblicas e desviando as prioridades bíblicas para a Igreja.
A popularização do Cristianismo como alguns defendem  irresponsavelmente, é sem o menor medo de errar, uma aberração do verdadeiro Cristianismo, que não se distancia do povo, mas que não aceita o comportamento e a filosofia de vida mundana.
O Senhor Jesus Cristo comia em casa de pecadores e publicanos,  porém, não agia e se comportava como eles, Ele tinha seus próprios métodos de agir e não era influenciado pelos métodos dos gentios e pecadores, ao contrário os pecadores vinham até Ele porque tinha algo de diferente, agia diferente, falava diferente, era diferente na essência e na aparência.
Sem dúvida, o pragmatismo não faz parte do pensamento bíblico ortodoxo e conservador. As Escrituras são a nossa regra de fé e prática, não nossas próprias concepções acerca dos acontecimentos e das pessoas. Somos instrumentos usados por Deus, não somos os que tem poder para fazer alguma coisa.
Todo o  poder  pertence a Deus e não podemos de forma alguma pensar que as coisas acontecem porque temos um meio, uma estratégia, uma forma que fará isso acontecer. Quem faz acontecer é Deus, devemos estar disponíveis  para sermos usados conforme Sua soberana  vontade. Os meios já foram nos revelados pelas e nas Escrituras Sagradas.
Há um ditado popular muito usado por todos que diz que “o apressado come  cru”  e se aplicarmos isso também para métodos e meios da Igreja, têm-se também uma conclusão óbvia.
O pragmatismo não é uma filosofia recomendável, principalmente na Igreja de Cristo, pois a Bíblia não nos ensina a agir assim. Esta filosofia para ministérios da Igreja é absurda. Imagine usar esta filosofia no evangelismo ou no aprendizado de crentes. Infelizmente muitos a estão utilizando, fazendo com que muitas pessoas freqüentem as nossas igrejas, porém a maioria sem uma conversão genuína, isso porque os que os trouxeram queriam resultados imediatos e visíveis e não levaram em consideração que quem faz a obra de conversão em uma pessoa não são os métodos ou os meios, mas sim Deus.
Devemos fazer nossa parte pregando e evangelizando, porém os resultados dependem de Deus.
Não queiramos tomar o lugar de Deus.
Lembre-se que há muito tempo alguém quis fazer isso e à partir daí a sua história não foi das melhores, chega a ser trágica inclusive. Quem foi este alguém? Se chama Lúcifer.

Deus nos ajude,

Pr. Magdiel G Anselmo.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Uma Reflexão sobre a Metodologia Bíblica para a Igreja

Prosseguindo com a série Reflexões.
Uma Reflexão sobre a Metodologia da Igreja Primitiva

À medida que vamos analisando a Igreja primitiva apostólica descobrimos a forma pelo qual o Espírito Santo quer atuar na Igreja e a forma que a Igreja deve atuar na força do Espírito Santo. Muito temos que aprender com as experiências e ensinos dos primeiros cristãos.
Homens e mulheres que foram perseguidos, açoitados e mortos muitos deles por seguirem o Cristianismo. Crentes que buscavam a glória de Deus e a obediência a Sua vontade. Vamos ver como lideravam os primeiros pastores e missionários da Igreja e as primeiras formas de atuação da Igreja como comunidade cristã.
Enfim, como já afirmei a Igreja primitiva apostólica tem muito a nos ensinar, tanto com seus erros como com suas virtudes.
Já vimos no capítulo anterior como e quando foi sua origem e agora veremos a seguir:
A Metodologia Apostólica:
As Escrituras mostram que os apóstolos seguiam os métodos ensinados por Cristo, não poderia ser diferente, mas quais eram esses métodos?


1. Milagres e Curas: Por muitas ocasiões, os apóstolos realizaram milagres e curas no nome de Jesus causando espanto e despertando a atenção de muitos para o próximo método. Ressaltando que esse era o objetivo: direcionar e apontar para a pregação e ensino da Palavra, não apenas curar por curar ou por outros objetivos ou interesses.

2. Pregação do Evangelho de Cristo: Aproveitavam todas as oportunidades para pregar o Evangelho, não tinham receio de quem fosse o ouvinte. Tinham uma missão e a cumpriam o melhor que podiam. E Deus os capacitava para tal. O número também não importava, podia ser uma pessoa assim como milhares. Tinham consciência do valor de uma pessoa para Cristo, pois foram alvos deste amor um dia e tinham ciência de que Cristo morreu pelo pecador que cresse na mensagem.

3. Batismo nas águas: Após a conversão imediatamente batizavam os novos na fé como obediência a ordem do Mestre Jesus Cristo.

4. Ensinavam sistematicamente a doutrina que aprenderam de Cristo: Em várias partes do NT vê-se o verbo “ensinar” usado para mostrar uma função e atuação apostólica. As cartas paulinas, joaninas e petrinas são um exemplo marcante deste método de atuação.
Foi desta forma que os apóstolos iniciaram seus ministérios e devido a isso as primeiras congregações foram organizadas. Muitas vidas foram salvas e ensinadas e o mundo daquela época foi sacudido pelo poder do Evangelho de Cristo. Muitos foram reconciliados com o Pai através de poucos e frágeis homens que capacitados e dirigidos pelo Espírito Santo deram continuidade ao plano divino.

O Modelo da Comunhão:
O modelo de comunhão da e na Igreja Primitiva era simples e prático, porém de grandes resultados na vida de cada participante.

Os textos bíblicos de Atos 2: 42-47 e de  11: 19-25 são bem esclarecedores quanto ao que acontecia com e na Igreja Primitiva. Lendo-os percebe-se que os cristãos (como foram chamados em 11: 26 pela primeira vez), eram muito próximos uns dos outros, ou como diz em 2: 44 “tinham tudo em comum”e isso parece-nos que era algo natural entre eles.
A união da Igreja ocorria devido ao amor desinteressado em coisas materiais e visíveis, realmente era despojado de materialismo. Ao contrário, existia um amor ardente em cada coração pela pregação do Evangelho e pela edificação em amor da Igreja como um todo.
O relato bíblico mostra uma união crescente da Igreja. Havia a simplicidade e a necessidade de estarem sempre juntos, orando e louvando a Deus.
Seguiam literalmente o exemplo de Jesus Cristo e dos apóstolos, visando sempre alcançar vidas pela pregação e pelo amor às pessoas.
Não vemos, neste princípio, intrigas ou conflitos internos relevantes. Alguns dizem que isso ocorria porque a Igreja ainda estava no primeiro amor e empolgada com o encontro com Cristo. Mas, se continuarmos a ler o livro de Atos, veremos mais a frente que esta “empolgação” como alguns argumentam ser o motivo desta comunhão, não impediu que esta Igreja fosse séria e comprometida com a verdade. Um exemplo disto é o texto de Atos 5: 1-11.
Para aqueles que justificam o esfriamento ou diminuição do amor como sendo coisa natural a vida do crente, posso lembrá-los da advertência de Cristo a Igreja em Éfeso (Apocalipse 2: 2-7). Se a Bíblia não basta para removê-los de seu erro, não sei mais o que bastará.
Com certeza, o exemplo de comunhão da Igreja Primitiva deve ser uma busca incessante da Igreja atual. A simplicidade do Evangelho deve ser vivida em toda sua plenitude. A comunhão entre irmãos deve ser uma prioridade da comunidade evangélica. Mas que comunhão? Será esta comunhão simples palavras, sorrisos ou abraços em meio a cânticos que nos forçam a olhar e falar com nossos irmãos, a qual nem o nome sabemos muitas vezes? Será esta comunhão o simples fato de sermos membros de uma denominação e cultuarmos a Deus em um mesmo local? Será esta comunhão nos cumprimentarmos com “a paz do Senhor”, “graça e paz” ou outra forma usada para nos diferenciarmos do mundo?
Que comunhão era aquela da Igreja primitiva, que os levava a renunciar bens e propriedades em prol do irmão necessitado? Que os levava a ter a simpatia daqueles que não faziam parte da Igreja? Que os fazia alegres e simpáticos, mesmo em meio a terríveis perseguições? Que comunhão era aquela?
Evidente que não era o tipo de comunhão que estufamos o peito e dizemos que temos uns com os outros atualmente.
Ah, como somos hipócritas e cheios de interesses pessoais. Cantamos que somos um, mas não nos conhecemos além da liturgia de nossos cultos.  Estamos na maioria das vezes preocupados com as aparências e esquecemos de que a comunhão que a Igreja primitiva tinha não era aparente, mas interna, espiritual. Temos vergonha de abraçarmos nosso irmão porque não o conhecemos e não temos a mínima intimidade com ele(a)  para isso. Por isso esta atitude induzida por cânticos é pura hipocrisia e falsidade. Falta-nos o amor tão natural nos primeiros cristãos.
Nosso dia-a-dia, os problemas da vida, a ansiedade em ter e ser, o materialismo, as aparências e tudo o mais tirara da Igreja de Cristo o sinal, a marca dos verdadeiros cristãos: “o amor”. É assim que seríamos conhecidos, já dizia Cristo. A Igreja evangélica atual, com raras exceções, esqueceu o “primeiro amor” e por muitas vezes está mais preocupada em julgar e criar normas e procedimentos organizacionais que não são bíblicos, do que amar as pessoas.
Quando alguém surge, como um solitário soldado, e começa a priorizar o espiritual e dar atenção e importância a uma vocação e chamado ministerial, duvidamos de suas intenções e iniciamos uma campanha contra. Afirmamos: “Onde já se viu priorizar o espiritual e dar importância tão grande a vocação e chamado ministerial? Como não buscar as coisas materiais e a auto-suficiência?”. E começamos a questionar o caráter deste soldado solitário, pautados em nossos princípios e valores mundanos e seculares. Quando vemos alguém viver na dependência total de Deus, amando as pessoas e buscando levá-las a Cristo pela pregação do Evangelho e para isso se entregando integralmente para aprender, se preparar e trabalhar na obra de Deus, rotulamos esta pessoa de “à toa”, “aproveitador” e muitas vezes “vagabundo”.
O amor pelas almas e o ardor pelo chamado ministerial que são obras do próprio Espírito tem movido o coração destes soldados solitários e tem os levado a lutar pelo retorno ao modelo de comunhão da Igreja primitiva.
Abaixo o materialismo e viva o verdadeiro Cristianismo!

Outra questão que assola a Igreja evangélica atual é a tendência do homem querer usurpar o trono de Deus, fazendo que a comunhão seja substituída pela opressão e pressão psicológica.
Muitos líderes querem ser mais implacáveis do que o próprio Deus. Ferem, mutilam e matam muitos em nome do Evangelho de Cristo. Esquecem-se que Deus os salvou somente pela Sua infinita misericórdia e graça e que devem ser misericordiosos com todos, pois todos somos pecadores e carecemos da graça de Deus.
O amor tem que ser a marca do cristão. A repreensão deve ser em amor, a disciplina deve ser em amor, a correção deve ser em amor. Essa é a diferença do cristão para o não-cristão.
O pecado deve ser tratado com firmeza, porém o pecador com amor. O remédio não pode matar o doente, e sim curá-lo. Cristo veio para os doentes. Somos escolhidos, porém não deixamos de ser miseráveis pecadores.
A comunhão na Igreja de Cristo deve seguir o modelo dos primeiros cristãos. Conhecer-nos é uma oportunidade para exercermos amor, as dificuldades e problemas de meu irmão também são meus, as alegrias e vitórias de meu irmão também são minhas. Só assim haverá intimidade e reciprocidade. Um entendendo o outro, orando uns pelos outros com sinceridade e amor. Repreendendo quando necessário, mas acima de tudo estando junto para fortalecer e encorajar.
Esta comunhão só será possível e não simplesmente uma utopia, se o corpo estiver ligado a cabeça, que é Cristo e unido pelo vínculo do Espírito. A comunhão com o Deus da Igreja é imprescindível para que a verdadeira comunhão entre irmãos aconteça e prevaleça.
Voltemos ao modelo primitivo apostólico, voltemos a Deus.

O Modelo de Crescimento:

A Palavra de Deus em Atos 9: 31 diz: “A Igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia, e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e no conforto do Espírito Santo, crescia em número.”
Havia paz, edificação e ensino (crescimento qualitativo), temor e evangelização (crescimento quantitativo).
Como conseqüência vinha à Igreja o conforto do Espírito Santo.
Certamente, esta seqüência não esta por acaso nas Escrituras.
São orientações para como a Igreja deve se portar e agir para crescer em todos os aspectos. Vamos então analisar cada um destes aspectos mencionados no versículo acima:

1. A Igreja tinha paz
Havia paz na época para que a Igreja prosseguisse na sua missão de pregar o Evangelho sem ter grandes obstáculos. Não haviam maiores perseguições ou guerras, pois o grande perseguidor da Igreja, Saulo, havia sido confrontado com aquele que perseguia, resultando na sua conversão. Isto trouxe grande alívio para a Igreja primitiva que desfrutou de um período de paz que certamente fora preparado por Deus para a expansão do Evangelho.
Com a saída do cenário de perseguição de Saulo, agora Paulo (que só reapareceria no capítulo 11 de Atos), houve paz.
Trazendo para hoje, chegamos a conclusão que a Igreja evangélica atual no Brasil possui a paz, que temporariamente a Igreja primitiva tinha na época, para realizar a sua missão hoje. Vivemos em um país onde existe a liberdade religiosa, ou seja, podemos cultuar a Deus, nos reunirmos em um local determinado, propagarmos nossas convicções bíblicas a outros, enfim, temos sim paz para sermos cristãos. Temos claro, sofrido preconceitos e perseguições camufladas da mídia e da Igreja católica, mas tudo isso não chega nem perto do tipo de perseguição que a Igreja primitiva sofria e que temporariamente não acontecia na época do versículo citado como base para este tópico.
Se tivermos paz para agirmos o que então nos falta para obtermos os mesmos resultados da Igreja primitiva?
Não sendo arrogante a ponto de afirmar ter a resposta para esclarecer os motivos do porque da Igreja atual não obter os mesmos resultados, contudo não posso me omitir em expor a opinião da Bíblia sobre este aspecto, e faço isso sem medo porque me baseio em ensinos e relatos bíblicos, sendo assim o mais ortodoxo possível.
Os insistentes ensinos do Senhor Jesus Cristo sobre amor e perdão entre irmãos da mesma fé e até para com incrédulos, mostra-nos a necessidade da unidade da Igreja.
Somente como um corpo, a Igreja pode obter os maiores resultados, num menor tempo e sem maiores gastos. Na época do versículo bíblico, mesmo com alguma dúvida quanto a veracidade da conversão de Saulo, agora Paulo, por parte de alguns cristãos, havia de uma forma geral paz na Igreja para resolver assuntos importantes e continuar em enviar obreiros ou missionários a outras partes do mundo da época para propagar e expandir a Igreja salvando vidas por intermédio da pregação clara e objetiva do Evangelho de Cristo.
Lamentavelmente, não aprendemos nada ou muito pouco com os primeiros cristãos.
Hoje, nos preocupamos mais com normas e doutrinas denominacionais do que com a missão da Igreja. Não aproveitamos a paz que Deus nos concede no país que vivemos e gastamos nosso tempo e dinheiro com rixas, conflitos e discussões que não salvam ninguém.
Muitos se orgulham de pertencerem a uma determinada denominação e outros desprezam outras denominações. Alguns se orgulham de serem humildes, outros se orgulham de serem orgulhosos. Adotam regras para aceitação e iniciação de novos membros como se isto fosse importante e vital. Alguns colecionam diplomas, outros se sentem felizes por não tê-los e criticam os que têm. Formulam estatutos, constituições, normas, normas, normas, normas...
Perdem tempo precioso se reunindo para decidirem sobre assuntos periféricos, secundários ou muitas vezes se reúnem para não decidirem nada, apenas para desfilar com seus títulos, cargos e funções denominacionais. Muitos usam o púlpito, salas de EBD ou salas de seminários para criticar e ser maledicente com outras denominações evangélicas que comprovadamente são genuínas e apenas discordam de pontos que não são fundamentais para o Cristianismo.
Quanta perda de tempo e dinheiro! Quanta falta de sabedoria! Quanta falta de conhecimento e discernimento bíblicos!

Vale esclarecer que não estou aqui a defender o ecumenismo de forma alguma.

Não é isso que estou a afirmar. Não concordo com esta onda que surgiu de uns anos para cá levando várias religiões a terem um relacionamento próximo causando um sentimento de que não importa a religião, basta crer em Deus.
Isto é absurdo porque o único Deus verdadeiro é o Deus da Bíblia não o do alcorão, do budismo, do catolicismo, do espiritismo ou outra religião que não seja o cristianismo evangélico ortodoxo.
Em 2 Coríntios 6: 14-18 está escrito: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos: porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade ? Ou que comunhão, da luz com as trevas ? Que harmonia entre Cristo e o maligno ? Ou que união, do crente com o incrédulo ? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos ? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles: serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso”.
Defendo sim a unidade do povo de Deus.
Mesmo existindo várias denominações evangélicas não podemos ser divididos por elas. Visivelmente podemos fazer parte de Igrejas evangélicas diversas, porém espiritualmente somos membros da mesma Igreja, somos irmãos em Cristo e filhos de Deus.
O orgulho denominacional é uma desgraça para a Igreja evangélica atual. Toda forma de orgulho e soberba é inconseqüente e pior, é pecado.
Perdemos tempo com brigas e ataques entre nós mesmos, com discussões teológicas sem fim e não seguimos a orientação e ordem de Cristo para a Igreja. O apóstolo Paulo ensina sobre este assunto em 2 Timóteo 2: 16, 23-26 e também em 1 Timóteo 6: 3-5.
 Não crescemos conforme o modelo bíblico da Igreja primitiva apostólica, mas sim conforme o resultado de nossas idéias e concepções extra-bíblicas.
Faço um apelo a Igreja evangélica atual: paremos de nos atacar e ataquemos o inimigo de nossas almas, o diabo. Enquanto estamos brigando, vidas estão sendo enganadas e poucos estão sendo usados por Deus para levar a estes o verdadeiro Evangelho. A seara é grande e poucos os ceifeiros. Esta verdade bíblica devia nos fazer mais comprometidos com a missão que temos a cada dia. Devia nos despertar para nossa responsabilidade e privilégio. Claro que todos os salvos serão salvos, Cristo disse que se não falássemos, as pedras falariam. O que acontece é que perdemos o privilégio de sermos usados em tão grande obra. Devemos ser encontrados fiéis na volta de Cristo.
Vamos aproveitar cada momento de paz e liberdade que temos para pregar o Evangelho e então sermos vasos de honra utilizados para a salvação dos perdidos.
Por amor a Jesus, obedeçamos a grande comissão!

2. Havia edificação e Temor a Deus
Estes dois aspectos da Igreja primitiva apostólica citados no versículo tiveram como conseqüência o crescimento da Igreja e  também deve servir de base de orientação sobre como agir para termos os mesmos resultados hoje. 
Falando um pouco sobre esta edificação, nota-se claramente que cada crente tinha uma preocupação com o outro, buscando abençoar e ajudar o(a) irmão(a) em todas as áreas da vida.
A própria palavra ou verbo “edificar” já diz tudo sobre o que acontecia.
Edificando ou construindo, os primeiros cristãos iam crescendo em maturidade e intimidade com Deus e o princípio de comunidade e solidariedade cada vez mais predominava entre eles.
A edificação visa sempre construir, aprimorar, restaurar e fortalecer a Igreja.
Nesta linha de trabalho do Espírito Santo através de e em cada cristão, a Igreja vai crescendo a cada dia em graça e conhecimento de Cristo. Desta forma, entendemos que este processo passa por várias fases desde a conversão até a maior maturidade possível. Entre estes dois pontos, o cristão é ensinado, alimentado pela Palavra de Deus, descobrindo e sendo-lhe revelada a vontade de Deus para sua vida em particular e para a Igreja em geral. Entendemos então pelo relato destas características da Igreja primitiva que, o cristão deve ter como objetivo crescer espiritualmente e levar seus irmãos também a esse crescimento.
O plano de Deus é que todo cristão cresça e ensine a outros também a crescer. Maduros e preparados então poderão fazer a obra da evangelização e pregar o Evangelho de tal forma que não tenham dúvidas ou impedimentos sobre o que estão falando. O apóstolo Paulo diz que assim responderemos a qualquer pessoa a razão de nossa fé
A base para esta edificação era o próprio Cristo. Fundamentados em Cristo, construíam uma Igreja que cresceu rapidamente no poder do Espírito.
Isso nos leva a refletir sobre o que hoje se entende sobre edificação.
Será que estamos nos edificando em Cristo, em amor, será ?
O retorno ao exemplo da Igreja primitiva deve ser nosso objetivo, pois mesmo com erros, eles buscavam a edificação verdadeira que não se consegue através de organizações, mas sim, quando se está ligado a Cristo na comunhão do Espírito.
É assim que o organismo “Igreja” se edifica mutuamente. As prioridades expostas e ensinadas nas Escrituras nos dão o caminho a seguir para obter esta edificação, são elas: conversão genuína, vida de oração, vida de leitura e estudo da Bíblia individualmente e também sistematicamente na Igreja buscando conhecer mais a Deus e ter um relacionamento de intimidade com Ele, descobrimento dos dons espirituais e de seu uso apropriado no corpo de Cristo buscando sempre se aperfeiçoar, visando a Glória de Deus e por fim tudo isso feito com amor e por amor a Deus, aos irmãos que fazem parte da Igreja e aos perdidos que caminham para o inferno, buscando alcançá-los para Cristo.
Um texto que particularmente me chama muito a atenção sobre este assunto é o de Efésios 4: 7-16.
Vemos neste texto qual é a obra que o Espírito Santo quer realizar na Igreja e através da Igreja. O ministério e a edificação dos santos são maravilhosos quando se segue a orientação bíblica.
Temos tudo para fazer certo!

O outro aspecto neste tópico citado no versículo é o temor a Deus.
Alguns entendem e até ensinam que o temor a Deus revelado nas Escrituras significa “ter medo de Deus” e esse medo então leva as pessoas a serví-lo.
O que os leva a pensar assim é a origem etimológica da palavra na língua grega. Mas qualquer estudioso da Bíblia sabe que somente a ferramenta etimológica para interpretação de um texto bíblico não é aconselhável, pois a probabilidade de erro é imensa devido ao campo semântico muito abrangente em seus vários sentidos.
Devem-se utilizar os princípios de hermenêutica e exegese para então ter a certeza do sentido do termo na passagem bíblica. Com absoluta certeza, o sentido de “temor a Deus” nas Escrituras não é de servir a Deus apavorado com o que Ele poderá fazer conosco ou com outros, pois a Bíblia não ensina isso, veja o que João diz em I João 4: 16-18. O apóstolo é enfático em dizer que “aquele que teme não é aperfeiçoado no amor”. Servimos a Deus porque o amamos e não porque estamos apavorados com Ele.
O sentido correto para “temor a Deus” é de uma profunda reverência por Deus, um profundo respeito que leva-nos em tudo que fazemos, pensamos e falamos buscar agradá-lo fazendo Sua vontade.
 O temor a Deus então levava os primeiros cristãos a terem uma vida que honrasse o nome de Cristo em todos os aspectos. Erravam sim, pecavam sim, mas buscavam a perfeição.
Com o passar dos séculos, nós os cristãos deixamos de nos preocupar em agradar a Deus com nossas atitudes e intenções, não pensamos muitas vezes qual seria a opinião de Deus sobre determinado assunto ou decisão que temos que tomar e recorremos a Deus apenas quando as coisas não dão certo.
O temor a Deus muitas vezes não pauta nossas vidas e procuramos não tocar em áreas de nossa vida que sabemos que estão fora da vontade de Deus, fingindo que está tudo bem.
Temos que deixar de ter certas atitudes por “temor a Deus” e temos que ter certas atitudes por “temor a Deus”. Homens e mulheres tementes a Deus, esta deve ser a realidade da Igreja evangélica atual. Pessoas que tenham coragem para renunciar a valores e atitudes mundanas e se portarem como cristãos verdadeiros, nascidos do Espírito e que vivem no espírito.
Devemos respeito e reverência total ao nosso Deus, só Ele é digno de toda honra, glória e louvor!

3. Havia o conforto do Espírito Santo
Depois dos aspectos já vistos que antecediam o crescimento só poderia haver este conforto, porque Deus ama seu povo e uma das funções do Espírito Santo na vida do crente é confortá-lo.
Sabemos e não somos ingênuos por pensar que não havia problemas na Igreja primitiva.
Todos têm problemas, Cristo disse que teríamos aflições, porém quando estamos no centro da vontade de Deus, existe o conforto, o alívio, o consolo do Espírito que nos dá novo ânimo, renova nossas forças para continuarmos nossa caminhada. Isso acontecia com os primeiros cristãos e isso proporcionava à Igreja novo alento para realizar, como comissionados de Deus, sua missão.
Aprendemos com este relato que quando estamos servindo a Deus da forma e na hora correta, Ele nos ajuda, capacita e conforta para executarmos nosso serviço cristão. Temos que buscar em Deus a orientação para então realizarmos a obra que é dEle. Sem esta orientação faltará a parte atuante de Deus e ficaremos insatisfeitos, estressados e sobrecarregados de atividades que não era para realizarmos ou não era o momento correto para realizá-las.
A falta de conforto de Deus em ocasiões em nossa vida pode ser de certa forma um sinal de que não estamos agradando-O com o que estamos fazendo, temos que ter a sensibilidade e discernimento espiritual para ouvir a voz do Espírito em nosso coração e então obedecê-la sem pestanejar.
Aí haverá conforto.

4. E finalmente vem a conseqüência de tudo isso, a Igreja crescia.
Deus preparou o ambiente, a Igreja aproveitou o ambiente edificando-se e temendo a Deus. Deus confortou Sua Igreja, pois faziam Sua vontade. Vidas então iam sendo salvas pela atuação do Espírito Santo em cada cristão e através de cada cristão na obra evangelizadora.
A Igreja crescia! Aleluia!
Este é o processo para uma Igreja crescer dentro da vontade do Senhor da Igreja, esta tudo escrito e só lermos e buscarmos fazer como e quando Ele quer. Deus é “Emanuel”, ou seja, “Deus Conosco”. Quando fazemos como Nos ensinou nada pode parar a Igreja do Senhor.
Para que temos que inventar novos meios para crescermos, porque não ouvimos a voz de Deus e seguimos sua orientação?
Todos estes aspectos que levaram a Igreja primitiva e apostólica crescer numericamente e qualitativamente são atuais e aplicáveis ao nosso contexto. Temos um ambiente propício a pregação das boas-novas, temos na Bíblia toda orientação para edificação e postura para sermos crentes tementes a Deus com vidas piedosas e temos a promessa de Deus que afirma que nos ajudará, capacitará, fortalecerá e nos confortará durante todo este processo.
O que estamos esperando para marcharmos? O que nos falta para impactarmos o mundo de hoje com a mensagem do Evangelho?
Finalizo afirmando que somente quando retornarmos ao modelo bíblico de Igreja, nossos resultados serão satisfatórios aos olhos de Deus. Enquanto continuarmos a planejar fora do plano de Deus, a inovar o que não é para inovar, priorizar o que não é para priorizar, buscarmos agradar as pessoas que freqüentam nossos templos ao contrário de agradar ao Deus da Igreja, lamentavelmente teremos crentes imaturos e Igrejas cheias de pessoas muitas vezes “vazias” de Deus.
Àquelas Igrejas que continuam buscando seguir a vontade de Deus revelada nas Escrituras peço a Deus que continue a confortá-los e usá-los de exemplo as outras para que assim possam retornar às Escrituras e todos juntos agradar ao Criador e Sustentador de todo o universo.

Ao Senhor da Igreja, suplico que perdoe nossos pecados e nos ilumine para podermos entender Sua vontade revelada e obrigado por ter tanta paciência conosco. Somente o Senhor é capaz de tamanha misericórdia e bondade. Conduza-nos pelo teu infinito amor e justiça, ao Teu plano já estabelecido e usa-nos conforme Teus propósitos.
Amém.

Pr. Magdiel G Anselmo

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Uma Reflexão sobre as Ordenanças da Igreja

Quando passamos a refletir honestamente sobre assuntos e temas da igreja, algumas surpresas encontramos pelo caminho.
Algumas vezes, percebemos que durante anos apenas copiamos ou imitamos outros, e nunca analisamos se aquele comportamento ou regra era sensata e bíblica.
A reflexão sadia leva-nos ao terreno da veracidade e da honestidade, desmascarando os interesses pessoais e organizacionais que muitas vezes escondem suas reais intenções. Algumas intenções são boas e compreensíveis, outras nem tanto.
Venha comigo nessa reflexão sobre as ordenanças. Não tenho a intenção de esgotar o assunto, mas sim de fazer você também refletir longe das luzes ofuscantes das imposições humanas que por vezes nos cegam para ver as coisas de Deus.

As ordenanças da Igreja: o Batismo e a Ceia do Senhor.

São chamadas “ordenanças” porque foram ordenadas por Cristo para serem observadas pela Igreja. Algumas vezes são chamadas “sacramentos”. Nenhum destes termos é achado no NT. São palavras adotadas por conveniências, para designar o batismo e a Ceia do Senhor.
O termo “sacramento”, porém indica haver algum benefício salvador participando dele, mas não há base para isso no NT.
É aconselhável então utilizar o termo “ordenança” já que indica autoridade e que sua observância é exigida como ato de obediência. Esta é a idéia e a palavra que a maioria dos evangélicos aceitam e usam, e a meu ver é a que mais se identifica com as Escrituras.

O Batismo
O termo “batismo” é uma transliteração do substantivo grego “baptisma”, o verbo é baptizo, que significa “imergir” ou “submergir”. Além da prática do batismo, esses termos são usados no NT para descrever cerimônias de purificação com água.
Também são usados metaforicamente de várias maneiras.
Os cristãos, nos seus primeiros dias, não eram os únicos a praticar o batismo. Na verdade, na época do NT vários grupos distintos usavam alguma forma de batismo em seus rituais religiosos para obter a remoção da culpa, a purificação moral e um novo começo ou nascimento.



Mas, qual o sentido ou significado do batismo para o Cristianismo?
Posso responder afirmando que: O batismo é o ato por meio do qual o crente publicamente simboliza a sua confissão de Cristo e se identifica com Sua Igreja. É uma ordenança confiada à guarda da Igreja e a ser administrada por sua autoridade, por isso deve ser ministrada por uma pessoa crente, também batizada e autorizada pela Igreja.
O batismo é, portanto, uma proclamação poderosa da verdade do que Cristo fez; é uma “palavra em forma de água”, confirmando a participação do crente na morte e ressurreição de Cristo. É mais um símbolo que um mero sinal, pois é um quadro vivo da verdade que transmite. Não há relação entre o sinal e o que ele representa. É apenas um sinal, por exemplo, como um sinal verde que nos manda seguir, em vez de parar. Já um sinal de cruzamento com uma ferrovia é mais que um sinal, pois contém um desenho do que pretende indicar, o cruzamento de uma estrada com um trilho ferroviário. O batismo é um símbolo, não um simples sinal, pois de fato retrata a morte e a ressurreição do crente com Cristo.

Formas ou Modos do Batismo
Não é possível resolver a questão do modo adequado tomando por base os dados lingüísticos.
Devemos notar, porém, que o significado predominante da palavra grega é “mergulhar” ou “imergir na água”.
Mesmo Martinho Lutero e João Calvino reconhecem que imersão é o significado básico do termo e que essa era a forma original do batismo praticado pela Igreja primitiva.
Há algumas considerações que sustentam a idéia de que a imersão era o procedimento bíblico, por exemplo: João batizava em Enom “porque havia ali muitas águas”. Também quando o eunuco etíope disse a Filipe: “Eis aqui água, que impede que seja batizado?”. Então os dois desceram até a água, Filipe o batizou e ambos saíram da água.
Há pouca dúvida de que o procedimento seguido nos tempos do NT era a imersão.
Mas isso significa que precisamos praticar a imersão hoje? Ou há outras possibilidades como a aspersão como alguns defendem?
As pessoas para quem o método não parece crucial sustentam que não há ligação essencial entre o significado do batismo e a maneira pelo qual é ministrado. Penso que devemos ser radicais quanto ao significado (e isso as Escrituras nos revelam muito claramente) e quanto a forma ou maneira devemos ser equilibrados e prudentes pois não há no texto bíblico dados suficientes para "batermos o martelo" em prol dessa ou daquela maneira. Penso que as formas apresentadas na Igreja, aspersão e imersão, encontram base bíblica para suas argumentações e uso. Por isso, não devem ser motivo de desavenças, divisões ou contendas. 

O que importa realmente é que o batismo no NT tem um simbolismo rico e um propósito vital. Era o primeiro ato público do crente e o identificava com a morte salvadora de Cristo, com os salvos e com a missão de salvação.
Esses são os objetivos e propósitos a serem cumpridos, propagados e defendidos por toda a irmandade cristã. Os outros detalhes, relevemos pois não são cruciais.
Agora, quando penso que existem “novos-convertidos” que não querem ser batizados, imagino que:  ou não foram esclarecidos e ensinados biblicamente sobre o assunto ou não são na realidade convertidos e sim apenas novos na Igreja. Um crente que não quer ser batizado é como um namorado que não quer casar. Ou este namorado está enganando a namorada ou não a ama como afirma.
Como vimos anteriormente no caso de Filipe e o eunuco não houve preparação para o batismo. O batismo é o primeiro passo, biblicamente falando, de todo aquele que entregou a vida para o Senhor e o reconheceu como único e suficiente Salvador.
Não é necessário preparação exaustiva para o batismo, apenas se ensina o significado bíblico e sua necessidade ao novo membro do corpo de Cristo.
Muitas vezes, vemos Igrejas com cursos imensos de preparação para batismo assim como uma investigação quase que policial da vida particular e pessoal do novo convertido para descobrir se há algo que o desabone para o batismo.
Ora, isso nada mais é do que um profundo desconhecimento de Bíblia e conseqüentemente ignorância quanto aos aspectos da doutrina da salvação. Quem foi salvo por Cristo não pode ser desabonado por homem algum, muito menos impedido de ser batizado. A regeneração e a Justificação são instantâneas, já a Santificação é um processo gradativo e distinto de pessoa para pessoa. O novo-convertido vai aprender com os ensinos ministrados pela Igreja assim como em sua vida devocional de leitura e estudo da Bíblia. Conforme for caminhando em sua vida cristã o Espírito Santo vai lhe iluminando para entender o certo e o errado, e na maioria das vezes só começamos a entender depois de muito tempo, às vezes demoramos uma vida toda para começarmos a compreender.
Se formos batizar somente depois de acontecer tudo isto, não haverá mais batismos em nossas Igrejas por muitos e muitos anos ou seremos injustos como muita gente salva.
Deixemos a tendência de normatizar tudo a nosso bel prazer de lado e cumpramos o que a Bíblia nos ordena, sem inventarmos.
Ouviu a pregação do Evangelho de Cristo, foi convencido pelo Espírito Santo, fez uma entrega de vida a Cristo e o reconheceu como único e suficiente Salvador? Ensina-se o que é batismo e batiza-se. Ponto final.
Não há ninguém que possa descobrir com certeza se alguém é salvo ou não. Façamos a nossa parte e deixemos quem é soberano e sabe todas as coisas julgar e realizar, Deus.

A Ceia do Senhor
Enquanto o batismo é o rito de iniciação, a Ceia do Senhor é o rito contínuo da Igreja visível. Ela pode ser definida, em caráter preliminar, como um rito que Cristo mesmo estabeleceu para que a Igreja a praticasse em comemoração à Sua morte.
Todos os que estudam mais profundamente esta ordenança encontram rapidamente um fato curioso. Genericamente todos os ramos do Cristianismo a praticam, mas por outro lado, há muitas interpretações.
Historicamente, criou e continua criando separação entre vários grupos cristãos. Portanto, é um fator que, ao mesmo tempo, une e divide a cristandade.
Muitas vezes, o aspecto do valor espiritual ou prático da Ceia do Senhor perdeu-se na disputa sobre aspectos teóricos.
Concordo que a questão teórica não deve ser descartada, pois elas afetam as considerações espirituais mas, se ficarmos atolados nas questões técnicas e não chegarmos a lidar com o significado prático, perderemos de vista todo o motivo pelo qual Cristo estabeleceu a Ceia. Não é suficiente compreender seu significado, precisamos também vivenciar esse significado.
E para compreender e vivenciar é necessário ter em mente o verdadeiro significado da Ceia do Senhor e não desvirtuar a idéia original de Cristo.
Há algumas concepções distintas para a Ceia, veja a seguir:

1. A Concepção Católica Romana
Esta concepção foi oficializada no Concílio de Trento (1543-63) e afirma que as substâncias do pão e do vinho quando consagradas pelo sacerdote transformam-se respectivamente na carne e sangue de Cristo. O pão e o vinho mantém a forma, a textura e o sabor, mas Cristo está por inteiro e plenamente presente em cada uma das partículas da hóstia. Todos os que participam da Ceia do Senhor, ou da santa eucaristia, como é denominada, ingerem literalmente o corpo físico e o sangue de Cristo. É a denominada doutrina da transubstanciação.

2. A Concepção Luterana
Esta concepção afirma que o pão e o vinho não transformam-se na carne e sangue de Cristo mas, a carne e o sangue de Cristo estão presente neles simultaneamente sem contudo transformá-los. É a doutrina da consubstanciação.

3. A Concepção Reformada ou Calvinista
Esta concepção afirma que Cristo esta presente na Ceia do Senhor, porém não fisicamente. A sua presença é espiritual. Os que estão comungando na Ceia são espiritualmente nutridos quando o Espírito Santo lhes dá uma relação mais estreita com a pessoa de Cristo. É a doutrina da presença mística de Cristo.

4. A Concepção Zwingliana
Esta última concepção afirma que a Ceia do Senhor é apenas uma comemoração.  É apenas um memorial, ou seja, serve apenas para o crente relembrar a morte de Cristo e sua eficácia em seu favor. É a doutrina chamada de símbolo de Cristo.

A Opinião do autor
Para expor minha opinião sobre o assunto preciso primeiro fazer algumas considerações sobre as concepções existentes e abordadas anteriormente.
A concepção católica romana bem como a luterana encontram muitas dificuldades para se sustentar quando há uma confrontação com a Bíblia. Os que defendem estas concepções alegam que quando Cristo dizia “isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue” estava falando literalmente. Mas, sabemos que Cristo usava muitas metáforas para explicar aos discípulos verdades desconhecidas a eles. Podemos ver isso quando afirmava: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida...” , Eu sou a videira, vós os ramos...”, “Eu sou o bom pastor...”, “Eu sou o pão da vida...” e assim por diante.
Na última Ceia Ele usou uma metáfora semelhante: “Isto (este pão) é o meu corpo”, “Isto (este vinho) é o meu sangue”, que pode ser interpretado como: “Isto representa ou significa o meu corpo” e “Isto representa ou significa o meu sangue”. Esta explicação nos poupa de muitas dificuldades que encontraremos se acreditarmos que Cristo esta presente fisicamente nos elementos da Ceia e ainda não penso que a presença de Cristo literalmente nos elementos da Ceia esteja coerente e fiel aos textos bíblicos mencionados e aos demais acerca de tal ordenança.
Mas o que dizer da idéia reformada de que Cristo está presente espiritualmente?
Ela se firma ao lembrarmos que Cristo disse aos discípulos que estaria com eles em todos os lugares e em todos os tempos. E também prometeu estar conosco quando nos reuníssemos como crentes. Tem fundamento bíblico.
Aprendemos, portanto, que a Ceia também é um ato de adoração.
Mas, sabemos que a Bíblia não se interpreta por um ou dois versículos isolados do restante, e sabedores disso devemos levar em consideração que no texto de 1 Cor. 11:26  a idéia é de uma comemoração pois diz :“até que Ele venha”. De forma lógica, se Ele virá é porque não esta aqui. Mas, a lógica filosófica pode ser aplicada a Bíblia?
Diante disso tudo devemos manter uma posição de equilíbrio e entender a Ceia do Senhor como um rito da Igreja que tem como objetivo nos lembrar do sacrifício de Cristo na cruz por cada um de nós, crentes, e que Ele voltará para nos levar consigo um dia. Esses são os objetivos e propósitos básicos e essenciais da Ceia.
O pão e o vinho são símbolos do corpo e sangue de Cristo que por sua vez simbolizam o sacrifício expiatório pelos nossos pecados. E relembrando disto, O adoremos e O louvemos por tão grande amor e infinita misericórdia.  Quem está conosco e habitando-nos é o Santo Espírito, o Consolador que foi enviado para estar conosco quando Jesus Cristo ascendeu aos céus e se posicionou a direita de Deus Pai.
A Ceia do Senhor é um momento de relacionamento e comunhão com Cristo. Devemos chegar a cada Ceia que participarmos confiando que ali vamos nos encontrar com Ele através do Espírito Santo.
Devemos pensar não como uma presença de Cristo espiritualmente(não que eu exclua totalmente a possibilidade de tal concepção ou pensamento), mas como uma promessa de relacionamento mais íntimo com Ele. Sabemos que estando o Espírito conosco, Deus está conosco.
Vemos então na Ceia do Senhor a inter-relação dramatizada entre as relações humanas e o relacionamento com Deus, ou seja, a essência da experiência está na comunhão e na adoração, na refeição comunitária e, ao mesmo tempo, na recordação da morte do Senhor Jesus Cristo em nosso favor, bem como da promessa de Sua volta.
É um sermão pregado pela Igreja em silêncio.

Quem pode participar da Ceia do Senhor?
Em nenhuma parte das Escrituras encontramos uma declaração de vários pré-requisitos para que se receba a Ceia do Senhor.
Podemos, todavia por inferência, afirmar que se a Ceia do Senhor significa um relacionamento espiritual entre o crente como indivíduo e o Senhor, o único pré-requisito é um relacionamento pessoal com Deus. Em outras palavras, os que participam devem ser crentes nascidos de novo.
É recomendável que um crente que esteja praticando um pecado não participe da Ceia, porém a proibição por parte da Igreja encontra sérias dificuldades nas orientações neo-testamentárias, mesmo tendo como forte justificativa o conselho de Paulo para afastar pessoas com graves pecados (1 Cor. 5: 1-5).
Creio que a melhor saída para este impasse é o ensinamento bíblico dado aos irmãos coríntios: “examine-se, pois o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” ( 1 Cor. 11: 28).
A maioria das Igrejas evangélicas usa outro pré-requisito para alguém participar da Ceia do Senhor que é o batismo.
Todavia, não encontramos na Bíblia nenhuma orientação quanto a isso. Entendo que esta é uma tentativa (inútil em minha opinião) de selecionar aqueles que verdadeiramente foram salvos por Cristo.
Mas, como já disse anteriormente, não sabemos e nunca saberemos quem é salvo mesmo e quem não o é. Se a Bíblia não nos orienta a tomar tal medida na Igreja, com certeza, Deus não esqueceu este detalhe.
Se ensinamos o plano da salvação, as boas novas de salvação corretamente às pessoas, não podemos e não devemos proibir alguém que afirma ter sido salvo de participar da mesa de seu Salvador, seja ele quem for. Não temos o direito e muito menos autoridade para isso. Essa questão pertence a pessoa e Deus e mais ninguém. Não é atribuição do pastor, da igreja ou de quem quer que seja. É, repito, da pessoa e Deus.
A Ceia é do Senhor, não da Igreja do Senhor. A Ceia é para os salvos, não dos salvos.
Devido à mania ou o zelo excessivo da Igreja em impor normas e proibir algo que Deus não impôs e nem proibiu, encontramos várias posições diferentes na Igreja evangélica quanto a ministração da Ceia do Senhor, veja a seguir:

1. A Ceia do Senhor Ecumênica:
É um tipo de Ceia aberta a todas as religiões existentes. Utilizada por algumas Igrejas evangélicas neo-pentecostais.

2. A Ceia do Senhor Livre:
É um tipo de Ceia aberta a todas as denominações evangélicas. Utilizada pela maioria das Igrejas evangélicas pentecostais e tradicionais. Há a exigência do batismo.

3. A Ceia do Senhor Restrita:
É um tipo de Ceia restrita aos membros da mesma denominação. Utilizada por algumas Igrejas evangélicas pentecostais e tradicionais. Há a exigência do batismo.

4. Ceia do Senhor Ultra-Restrita:
É um tipo de Ceia restrito aos membros somente daquela congregação. Utilizada na maioria por grupos evangélicos minoritários e seitas “pseudo-evangélicas”.

5. Ceia do Senhor Soteriológica:
É um tipo de Ceia aberta a todos os salvos, a critério dos participantes. Não há a exigência do batismo nas águas.

Quem pode ou deve ministrar a Ceia do Senhor?
Extraindo da Bíblia a resposta, podemos chegar à conclusão que a ministração da Ceia do Senhor foi uma tarefa delegada à Igreja e, portanto ela deve fazê-lo através de seus líderes e oficiais ou a quem eles ou a Igreja designar.
Mas, também não há nenhuma orientação contra um crente salvo por Cristo ministrando a Ceia do Senhor.
A Igreja sendo um organismo e uma organização tem a sua forma usual de realizar a ministração, mas todas as vezes que se faz menção de Ceia do Senhor na Bíblia, ela está sendo ministrada por um apóstolo ou presbítero (pastor, bispo) e pelo próprio Senhor Jesus Cristo, daí a Ceia hoje ser ministrada somente pelos líderes e oficiais da Igreja.
Mas, repito, não existe nenhuma orientação biblicamente falando sobre quem deve ministrar a Ceia. Aqui, o bom senso deve guiar as decisões e penso que crentes mais experientes e maduros devem receber essa missão. Geralmente, são características dos líderes ( se bem que não de todos).

Concluindo...
Com isso, podemos entender que as ordenanças da Igreja são fundamentais para sua vida. Elas tem seus objetivos e propósitos.
Entretanto, a orientação bíblica muitas vezes é deixada de lado, em prol de um conjunto de regras que tem como pretexto a organização de um grupo ou instituição.
Mas mesmo nesses casos, a verdade bíblica sobre elas deve ser ensinada, as regras organizacionais impostas devem ter seus motivos bem esclarecidos e nunca os objetivos básicos e essenciais das ordenanças devem ser mudados mesmo que haja ali boas intenções.
Lembremos sempre que boas intenções não são sinais de correção.

Deus nos abençoe,
Pr. Magdiel G Anselmo.
 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Uma Reflexão sobre Sistemas de Governos Eclesiásticos


Alguns ao lerem o título dessa postagem, logo pensarão: Quem governa a Igreja é Deus!
Eu não contesto ou duvido disso.
Certamente Deus é o Senhor da Igreja, e governa não somente sobre ela mas, sobre todas as coisas. Creio firmemente na soberania e no senhorio de Cristo e sei que o Espírito Santo (Mestre da Igreja) está presente direcionando e guiando os crentes no trabalho do Senhor e na vida pessoal.
Isso é incontestável !
O governo a que me refiro é a forma, tipo ou o sistema que nós, crentes, usamos para administrar e coordenar a igreja.
E mais, será que a Bíblia ensina-nos qual seria essa forma ou sistema a utilizar? E, de todos que conhecemos e que são usados por nós, qual o mais bíblico deles?
São perguntas que os crentes mais maduros e conscientes de suas responsabilidades diante de Deus fazem a todo instante.
Para isso, buscarei me aprofundar nessa questão, para a partir daí, responder a esses questionamentos.

Ao longo de toda a História da Igreja, houve vários sistemas básicos de governo eclesiástico. Destes sistemas vários outros se originaram, porém os mais antigos continuam sendo os mais utilizados para organização da Igreja.
Vou analisar esses mais conhecidos e estruturados. Depois da análise, tentarei determinar se algum deles é preferível para hoje. 
Os sistemas que analisarei são:

• Episcopal
• Presbiteriano
• Congregacional

Segue abaixo uma explanação rápida sobre cada um:

1. Sistema de Governo Episcopal
Na forma episcopal de governo, a autoridade reside no bispo. Há vários graus de episcopado, ou seja, há variações quanto ao número de níveis de bispos.
A forma mais simples de governo episcopal é encontrada na Igreja Metodista, que só possui um nível de bispos. Um pouco mais desenvolvida é a estrutura governamental da Igreja Anglicana ou Episcopal, enquanto a Igreja Católica Romana possui o sistema mais completo de hierarquia, com a autoridade investida especialmente no sumo pontífice, o bispo de Roma, o papa.
É natural no sistema episcopal a idéia de diferentes níveis de ministério ou diferentes graus de ordenação. O primeiro nível é o do ministro ou do sacerdote comum. Em algumas Igrejas, há passos ou divisões dentro desse primeiro nível, por exemplo, diácono e presbítero. Os clérigos nesse nível são autorizados a desempenhar todas as tarefas básicas associadas ao ministério, ou seja, pregam e ministram as ordenanças.
Além desse nível, há um segundo nível de ordenação que constitui uma pessoa bispo. O papel dos bispos é exercer o poder de Deus de que foram investidos. Em particular, como representantes de Deus e pastores, governam um grupo de Igrejas e cuidam dele, em vez de simplesmente cuidar de uma congregação local. Entre seus poderes está a de ordenar ministros ou sacerdotes. Há Igrejas que não usam a nomenclatura “bispos” mas outras. Porém realizam a mesma função e com os mesmos poderes, por exemplo são usados os seguintes termos em algumas Igrejas: superintendente regional, diretores gerais, presidente ou termos semelhantes.
Entre as Igrejas evangélicas mais atuais, os pentecostais e neo-pentecostais são os grupos que mais se identificam com o sistema de governo episcopal.
Em suma, nesse sistema a palavra de ordem é:
No fim das contas, tudo é decidido pelo bispo ou pastor da igreja!

2. Sistema Presbiteriano ou Presbiterial de governo
Este sistema de governo da Igreja também coloca a autoridade em determinado ofício, mas o ofício individual e o detentor do ofício destacam-se menos que uma série de grupos representativos que exercem tal autoridade. O oficial principal na estrutura presbiteriana é o presbitério, posição que remonta à sinagoga judaica.
Os presbíteros são encontrados na Igreja do Novo Testamento. Em Atos 11: 30 lemos a presença dos presbíteros na congregação de Jerusalém. Os irmãos de Antioquia providenciaram auxílio material aos crentes de Jerusalém, enviando suas ofertas aos presbíteros pelas mãos de Barnabé e Paulo. As epístolas pastorais também mencionam os presbíteros.
Parece que na época do NT as pessoas escolhiam seus presbíteros, e eram pessoas a quem consideravam particularmente qualificados para dirigir a Igreja.
Ao escolherem os presbíteros, a Igreja somente externava o que o Senhor já havia escolhido.
No sistema presbiteriano, entende-se que a autoridade de Cristo é dispensada a indivíduos crentes, que a delegam aos presbíteros por eles escolhidos que passam a representá-los dali em diante.
Uma vez eleitos ou designados, os presbíteros atuam em favor ou no lugar dos indivíduos crentes.
É, portanto, entre os presbíteros que a autoridade divina atua dentro da Igreja.
Esta autoridade é exercida numa série de concílios. No âmbito da Igreja local, o conselho ou o consistório é o grupo responsável pelas decisões. Todas as Igrejas de uma área determinada são governadas por um presbitério.
O grupo seguinte é o sínodo, formado por igual número de presbíteros leigos e clérigos escolhidos pelos presbitérios  No nível mais alto, a Igreja Presbiteriana também possui uma assembléia geral, chamada de Supremo Concílio, composta de mais uma vez de representantes leigos e clérigos dentre os presbíteros. As prerrogativas de cada um desses concílios são descritas na constituição da denominação.
O sistema presbiteriano é diferente do episcopal no fato de existir só um nível de clero. Só existe o presbítero docente (o pastor) ou o presbítero regente. Não existem níveis mais altos como o de bispo. É claro que certas pessoas são eleitas para cargos administrativos dentro dos concílios. Elas são selecionadas para presidir ou supervisionar funções específicas. Não são bispos, não havendo ordenações especiais  para tais funções.
Não existe autoridade especial inerente ao ofício. Outra medida de nivelamento no sistema presbiteriano é uma coordenação deliberada entre clérigos e leigos. Ambos os grupos são incluídos em todos os concílios. Ninguém possui poderes ou direitos especiais que o outro não possua.
Em suma, nesse sistema a palavra de ordem é:
Tudo é decidido pelo grupo de presbíteros (conselho, presbitério, sínodo ou Supremo Concílio)!

3. Sistema Congregacional de governo
A terceira forma de governo da Igreja é a Congregacional e destaca o papel do cristão como indivíduo e tem a Igreja local como centro de autoridade. Dois conceitos são básicos ao sistema Congregacional: autonomia e democracia.
Por autonomia entendemos que a congregação é independente e governa a si mesma. Não há poderes externos que possam ditar diretrizes para a Igreja local. Por democracia entendemos que cada membro da congregação local tem voz em seus assuntos. São os indivíduos da congregação que possuem e exercem autoridade.
A autoridade não é prerrogativa de um único indivíduo ou de um grupo seleto. Entre as principais denominações que praticam a forma de governo congregacional estão os grupos batistas, congregacionais e boa parte dos luteranos.
Seguindo um princípio de autonomia, cada Igreja local chama seu próprio pastor e determina seu próprio orçamento. Ela adquire e gere  propriedades independentemente de quaisquer autoridades externas.
O princípio da democracia baseia-se no sacerdócio de todos os crentes que, segundo entendem, ficaria prejudicado, caso bispos ou presbíteros recebessem a prerrogativa de tomar as decisões. A obra de Cristo torna tais dirigentes desnecessários, pois agora cada crente tem acesso ao Santo dos Santos e pode ter acesso direto a Deus. Além disso, como Paulo nos relembra cada membro ou parte do corpo pode fazer uma contribuição valiosa para o bem-estar do todo.
Há, certamente, alguns elementos de democracia representativa dentro da forma congregacional de governo da Igreja. Certas pessoas são eleitas por livre escolha dos membros do corpo para servir de maneiras especiais. Todas as decisões mais importantes, porém, tais como a contratação de um pastor e a compra ou venda de propriedades, são tomadas pela Igreja como um todo.
Em suma, nesse sistema a palavra de ordem é:
Tudo é decidido na assembléia dos membros!

Um Sistema de governo Eclesiástico para Hoje
Tentativas de desenvolver para a Igreja uma estrutura de governo que esteja de acordo com a autoridade da Bíblia encontram dificuldades em dois pontos.
O primeiro é a falta de material didático. Não há exposição detalhada sobre como deve ser o governo da Igreja. Quando passamos a examinar as passagens descritivas, encontramos um segundo problema. Há tantas variações nas descrições das Igrejas do NT, que não conseguimos descobrir um padrão ou norma.
Um princípio evidente no NT, especialmente em 1 Coríntios, é o valor da ordem.
É desejável que certas pessoas sejam responsáveis por ministérios específicos.
Outro princípio é o sacerdócio de todos os crentes. Cada pessoa é capaz de relacionar-se diretamente com Deus.
Finalmente, a idéia de que cada pessoa é importante para todo o corpo está implícita em todo o NT e explícita em passagens como a de Romanos 12 e 1 Coríntios 12.
Levando em consideração isso, a forma congregacional de governo da Igreja parece ser a que cumpre melhor os princípios expostos. Ela leva em consideração o princípio do sacerdócio e da competência espiritual de todos os crentes. Também leva em consideração a promessa de que o Espírito Santo habita em todos os crentes e os dirige.
Porém, mesmo nesse sistema de governo problemas podem ocorrer. A Igreja local pode se tornar fechada para os de fora, com regras e tradições e não crescer numericamente. Se a Igreja neste sistema não atentar para este perigo pode se tornar um “clube social” com atividades e mais atividades para deixar todos os seus membros satisfeitos e ativos, porém de uma forma egoísta, orgulhosa e ultra-religiosa, fazendo-os esquecer a verdadeira missão da Igreja.
Entretanto, este sistema, em minha opinião, evita muitas vezes a “ditadura e a tirania individual” que por vezes acontecem no sistema episcopal com líderes que manipulam e não consideram os demais membros da congregação ou de congregações.
Além disso, valoriza o membro da congregação e incentiva o sentimento de realização e de utilidade de toda congregação, pois todos podem contribuir, mesmo que apenas com uma sugestão ou proposta. Mas, em contraponto, também pode incentivar e motivar a “tirania de um grupo ou família antiga da igreja”, que manipula os demais membros, pois se sentem “donos” daquela congregação. Outra parte negativa a meu ver é que uma Igreja Local ainda imatura pode transformar a missão da Igreja em mero ativismo e chegar às raias do desrespeito e insubmissão a quem ali pastoreia.
Dessa forma, a proteção para a Igreja seria o sistema episcopal onde um líder maduro e temente a Deus lideraria sob a orientação do Espírito Santo. Mas, sendo homem e pecador, mesmo o melhor líder pode descuidar e pastorear de forma equivocada e até desonesta. Alguém disse que o poder centralizado em uma só pessoa pode corrompê-la. Isso realmente é um fato em muitas denominações evangélicas.
O sistema presbiteriano ou presbiterial onde um corpo de líderes (presbíteros) lidera e representa a congregação pode então ser a solução para nosso dilema. Realmente esse sistema pode funcionar muito bem quando esse grupo tem muito claro suas obrigações e missão no Corpo de Cristo. Porém tais quais os demais sistemas, problemas de desonestidade, imaturidade, vaidades, politicagens e coisas semelhantes ocorrem com certa freqüência, trazendo desconforto e confusão a congregação.
Portanto, mesmo entendendo que o sistema congregacional pode ser a princípio, o mais desejável e preferível, não sou ingênuo o bastante para tê-lo como norma para a Igreja. Da mesma forma, os outros dois sistemas podem funcionar bem, mas também não são perfeitos e irrepreensíveis. Sei que qualquer destes três sistemas vistos podem ser manipulados por pessoas de má fé, inconseqüentes e até ignorantes quanto às necessidades e prioridades da Igreja.
Penso então que o melhor sistema de governo para a Igreja atual é aquele onde Cristo é o centro de tudo, e todas as decisões tem como objetivo a Glória de Deus, a edificação do corpo de Cristo e a evangelização dos perdidos. Talvez seja uma utopia da minha parte, mas é o que a Bíblia nos ensina.
Você concorda então que é uma santa utopia, não é mesmo?
E com relação a responder as questões postas no início dessa postagem, sinto decepciona-lo, mas não tenho a resposta para o melhor sistema. Penso que ninguém tem essa resposta. E por que?
Porque o grande problema não é o sistema eclesiástico. Todos os três aqui mencionados e analisados encontram em certo momento fundamento nas Escrituras.
Qualquer um dos três sistemas são muito bons e se bem utilizados e implantados trarão grandes benefícios para a comunidade cristã.
O problema é quem faz ou tenta fazer funcionar esses sistemas. O problema é que mesmo sendo crentes, salvos e remidos, ainda somos pecadores imperfeitos e falhos.
Nenhum sistema será perfeito aqui nessa terra até que o próprio Jesus Cristo implante o seu sistema de governo. Esse sim será perfeito, pois o próprio Cristo reinará e todo o joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é o Senhor.
Até esse dia, continuaremos tentando governar a Igreja usando nossos sistemas e formas.
Mas, sempre teremos sérios problemas e dificuldades. Somente não nos destruímos porque o Espírito Santo não permite e sempre nos traz de volta a reflexão e ao discernimento que revelam o certo e o errado deixados na Palavra.
O certo e que nos traz esperança é que um dia não precisaremos nos preocupar com sistemas de governo para a Igreja.

Até quando Senhor? Até quando?
Maranata, Ora vem Senhor Jesus !

Deus nos abençoe.

Pr. Magdiel G Anselmo.
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