sábado, 15 de dezembro de 2012

O correio chegou ! Carta pra você, pastor !

Uma carta a um pastor cansado, ferido e desanimado que pensa em deixar o pastorado para viver “quieto e tranqüilo”.




Caro pastor, sei que passas por dificuldades e tens sofrido. Sofro e choro contigo, meu amigo.
Tenho ciência da vida a que se submete um pastor e que não é incomum tratarmos em Cristo as feridas de irmãos, tendo, nós mesmos feridas profundas na alma. Também sei que no cumprimento de nosso ofício, somos ofendidos, humilhados, desprezados e mesmo atacados de forma vil, traiçoeira e ingrata.
Muitos não nos respeitam e nos incluem indevida e maldosamente com aqueles falsos pastores que não entendem o que significa pastorear. E, mesmo assim, devemos manter a postura firme e exemplar diante da congregação para que nossas fraquezas e dores não sirvam de pretexto para os fracos e novos e, sendo assim, não lutem e superem os obstáculos e problemas da vida e conseqüentemente alcancem crescimento e maturidade. Sei que marchamos muitas vezes, sangrando e gemendo, sei bem disso. Mas, é um sacrifício necessário para um bem maior, a glória de Deus.
Também estou familiarizado como o stress e as angústias a que estamos sujeitos diariamente. A lida pastoral exige preparo e persistência. E nos preparamos para isso, pelo menos deveríamos, mas nem tudo pode ser previsto e planejado de antemão. Muitas vezes somos pegos de surpresa por ações e situações que nos afligem e tentam nos abalar e entristecer.

Faz parte, diriam alguns.
Portanto, não fico surpreso, meu caro, que estejas perturbado com a oposição em conseqüência das ofensas, qualquer que seja sua causa, a ponto de dizer que preferes livrar-te dos labores do pastorado e viver quieto e tranqüilo, a continuar no ofício delegado a ti. Não me surpreendo com tua perturbação, mas me surpreendo que tenhas sido surpreendido por isso.
Lembre-se o que Senhor nos diz: “Bem aventurados os que perseveram até o fim”.
De onde viria essa bendita esperança, senão da força da paciência?
Pois como proclama o apóstolo: “Todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.”
E não são apenas perseguições calculadas,  ou seja, aquelas que nos preparamos para resistirmos e confrontarmos e que vem contra a religião cristã de uma forma geral. A perseguição direta muitas vezes é infligida por aqueles que protegemos, pelos feridos que acabam por nos ferir, pela desobediência persistente e pelas farpas de línguas maldosas. E uma vez que todos os membros da igreja são sempre vulneráveis a esses ataques e a essas ações e nenhuma porção dos fiéis está livre dessa tentação, de modo que a vida venha a ser tranqüilidade e quietude, sem perigo, quando isso ocorrer, quem guiará o navio por entre as ondas do mar se o timoneiro abandonar o posto? Quem guardará as ovelhas das armadilhas dos lobos, se o pastor não estiver vigilante? Quem resistirá aos ladrões e roubadores se o amor pela quietude afastar o guarda colocado para manter a visão no rigor da vigilância? Quem levará o unguento que sara às feridas daqueles que necessitam de cuidados? Quem se porá na brecha por aqueles que não sabem ainda usar as armas espirituais contra as investidas do acusador? Quem fará isso?
A pessoa chamada e vocacionada deve, portanto, permanecer no ofício que lhe foi delegado. A justiça deve ser mantida com firmeza, misericórdia e amor. O pecado deles deve ser odiado, mas não os indivíduos. O orgulhoso deve ser advertido, o fraco, sustentado, e aqueles pecados que exigem punição severa devem ser tratados não com espírito de vingança, mas com desejo de cura.
E, se uma tempestade mais feroz de tribulação nos atingir, não sejamos consumidos pelo terror como se tivessemos de vencer o desastre por nossas próprias forças, pois tanto nosso conselho como nossa força é Cristo, e por meio Dele podemos todas as coisas.
Ele nos alerta: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” E de novo diz: “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo.”
Não podemos deixar que nenhuma ofensa enfraqueça essas promessas, para não parecermos ingratos com nosso Deus por nos ter feito seus vasos escolhidos, uma vez que a sua assistência é poderosa, e suas promessas, verdadeiras.
 
Visto que o pastor (e toda esposa de pastor) enfrentam dificuldades interpessoais na obra de Deus, nosso coração deve buscar força externa. E essa força vem de Deus. Deus nos concede meios para nos relacionarmos com Ele. Quando o coração do pastor se derrete como cera, quando o desânimo lhe bater à porta, quando o sangue das feridas lhe atrapalham a visão, chegando até em pensar abandonar seu ofício e negligenciar seu chamado, Deus concede a força do Espírito para que ele seja consolado, curado e fortalecido.
 
Por isso, caro irmão e colega de ministério, não corra por suas próprias forças, pois logo será tentado a deixar seu ministério. Não pense também que abandonando o ministério encontrará quietude, tranqüilidade e paz. Certamente, será o contrário, pois seu coração continuará a ser movido ao pastorado.
 
 
Isso não vem de ti, vem de Deus, não há como fugir dessa realidade, fostes escolhido, chamado, vocacionado e capacitado por Deus para tal trabalho. Não há porão de navio nem ventre de grandes peixes que nos servirão de esconderijo se tentarmos fugir de nossa responsabilidade.
Meu conselho final pra ti é que mantenha seu relacionamento com o Sumo Pastor e terá recursos para amar o povo de Deus sacrificialmente e mesmo com e em aflições, terás o consolo, a direção e a força que precisas para prosseguir.
Ainda existem muitos como ti que não se dobraram a baal.
Saia da caverna, se alimente, sacie sua sede e volte ao campo de batalha.
Deus é contigo.
 
Pr. Magdiel G Anselmo.

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