sábado, 7 de julho de 2012

A Bíblia permite mas minha igreja proíbe.

Não sou daqueles que são contra todo tipo de normas, regras, critérios ou procedimentos estabelecidos, mas também não defendo o excesso e a criação de normas sem sentido.
Todos os dias ficamos sabendo de uma nova norma ou regra criada para organizar um grupo ou para estabelecer limites em uma organização ou denominação evangélica.
Penso que “tudo realmente tem limites”, inclusive as regras e normas criadas.
São tantos estatutos, constituições, leis, que acabam por desvirtuar o real sentido e missão da Igreja.
São tantas reuniões, assembléias, comissões para tratar disso que o tempo precioso que deveria ser gasto, ou melhor, investido em assuntos e questões muito mais relevantes, como por ex: alguém que está se distanciando... ou o evangelismo... ou ainda a preparação de candidatos ao pastorado.
Enfim, mas perde-se tempo com questões meramente humanas e sem nenhum resquício de biblicidade.
Para resguardar as instituições negligencia-se o que as compõem, pessoas.
Penso que as grandes e importantes perguntas a fazer quando se está prestes a formular uma regra para uma organização é a seguinte: Ela é mesmo necessária e edifica a igreja?
Se conseguir responder sem titubear e sem qualquer dúvida ou incerteza, certamente essa regra é necessária e diria até indispensável, mas não é assim que vemos com a grande maioria das regras impostas pelas denominações evangélicas.

Vejam algumas dessas regras e lembre-se da pergunta que fiz anteriormente:

1) Para ser membro de nossa organização precisa ser casado legalmente (mas e se o cônjuge não convertido não desejar? É justo o cônjuge convertido ser impedido de participar da vida daquela organização de forma ativa por essa causa?)



2) Para ser batizado nas águas precisa ser casado legalmente. (mas e se o cônjuge não convertido não desejar? É justo o cônjuge convertido ser impedido de ser batizado por causa disso? Qual a base bíblica para esse impedimento?)

3) Para ser um ministro (pastor, presbitero, etc) de nossa organização precisa ser “batizado com o Espírito Santo” e claro, falar em línguas estranhas. (Baseado em que texto bíblico se fundamenta essa norma? Onde está a vinculação do ministério pastoral a essa experiência com o Espírito Santo e conseqüentemente com o dom de línguas na Bíblia?)

4) Em nossa organização somente participam da Ceia do Senhor os que são daqui. (mas e se nesse culto estiver presente irmãos de outras denominações? Eles não podem participar? Onde biblicamente se baseia essa norma?

5) Somente reconhecemos o batismo nas águas se foi realizado em nossa denominação. Se foi realizado em outra, mesmo que reconhecidamente evangélica, terão os candidatos a membros que serem rebatizados aqui. (qual a base bíblica para tal regra? Quem lhes ensinou que somente a sua denominação é responsável por realizar essa ordenança ou sacramento (depende da denominação)?)

6) Obreiro aqui tem que usar terno e gravata. (Por quê? Que texto bíblico respalda esse procedimento? E quando estamos no verão? Por que sujeitar as pessoas a esse constrangimento e diria até, ridículo?)


7) Mulher aqui não usa calça comprida, não corta o cabelo, não faz a unha, não se depila, não passa maquiagem...(Quem é você pra dizer o que outras pessoas devem vestir? Existe o dom de estilista na Bíblia? Quando você viu Jesus fazer algo semelhante? Onde na Bíblia se apóia para tal norma?)

8) Em nossa organização ensinamos que o crente de verdade não vai ao cinema, nem ao teatro, não escuta música que não seja evangélica...(Por que não? Será que não existem peças de teatro, filmes de cinema ou músicas não evangélicas boas e apropriadas para assistir ou ouvir? Será que pensou bem no que está impondo aos membros de sua organização?)

9) Em nossa organização é proibido bater palmas nos cultos, certamente é uma forma de idolatria ou no mínimo, de secularismo. (Ora, o que dizer então dos textos bíblicos que incentivam os aplausos como forma de adoração a Deus? Será que bater palmas durante um cântico é pecado? Que base bíblica apóia essa proibição?)

10) Em nossa organização os homens e mulheres tem que sentar separados. (Qual o pecado de sentarem juntos? Que tipo de gente é essa que não pode sentar próximos que acabam pecando?)

11) Todos os ministros em minha organização tem lugar especial ou sentam em cadeiras especiais próximas do púlpito. É incompatível o pastor sentar junto com os demais irmãos. (Meu Deus! Que tipo de crente é esse? O pastor também não é crente como os demais? Qual o problema de sentar junto com os demais? Seria uma desonra isso ocorrer? Por quê?)


E tantas outras normas...

São realmente necessárias?
Trazem edificação?
Será que não causam ainda mais feridas e distanciam ainda mais pessoas que desejavam se chegar e que viram frustradas suas tentativas, pois não foram “aprovadas” nessas regras humanas e organizacionais?
Será que outras normas e regras verdadeiramente bíblicas estão tendo o mesmo peso e valor que essas, tais como:

a) Perdoar
b) Evangelizar
c) Pregar o Evangelho
d) Ensinar a Palavra de Deus
e) Buscar a reconciliação
f) Amar
g) Suportar
h) Ser pacificador
i) Ser imitador de Cristo.

Taí um chamado a reflexão mais profunda.

Quem sabe um clamor por vidas que foram “expulsas” de nossas comunidades “santas” e que vagueiam sem encontrar um lugar para estar com seus irmãos.



Vidas carregadas de feridas causadas por decepções e traições daqueles que deveriam acolhê-los com amor e compreensão e não com exigências humanas impostas apenas a pretexto de um falso zelo e não por imposição da Palavra de Deus.
Irmãos que nostalgicamente lembram dos bons momentos que passaram em nossas comunidades, entretanto, rapidamente os esquecem porque essas sensações são sobrepujadas pelas lembranças amargas de normas descabidas que produziram uma aversão a todo tipo de organização religiosa.
Frutos de uma implacabilidade sem igual, do desamor e da exclusão dos seus irmãos em situações que não estavam em desacordo com a Palavra, mas sim com as normas de uma “santa” organização evangélica ou protestante.
Alguns desses irmãos sequer tinham maturidade para entender o que lhes acontecia. Não entendiam bem como tudo funcionava. Mas ninguém se importou com isso. Simplesmente foram descartados como se descarta um copo plástico e esquecidos por aqueles que diziam que os amavam e que se importavam com eles.
Juntaram-se a uma multidão de crentes na mesma situação que são repetidas vezes mencionadas nas estatísticas de pesquisas. E assim cresce o número de pessoas que se dizem cristãs, mas que não freqüentam nenhuma organização ou denominação.
Tenho encontrado alguns pela internet. Percebe-se a avidez que têm pela Palavra. O amor que está explodindo dentro deles, mas que não conseguem expressá-lo sozinhos. Buscam a grande rede para compartilhar com outros, para partilhar de experiências, comentários, postagens, etc... Buscando assim, mesmo superficialmente, amenizar o desejo de irmandade e fraternidade que lhes negaram.

Tai um alerta as novas gerações de líderes cristãos. Não sigam os maus exemplos.




Organizemos as coisas, mas não esqueçamos que tratamos com vidas, muitas delas resgatadas pelo Senhor ao preço de Seu sangue.
Zelo é bom. Normas são úteis. Desde que estejam alinhadas e em coerência com a Palavra do Senhor. Quando não estão, certamente não são necessárias, não edificam e por isso não convém.

Pensemos mais profundamente. Tenhamos discernimento e busquemos sabedoria em Deus para lidar com as pessoas que nos procuram e que congregam conosco.

Rompamos com alguns paradigmas que foram criados por nós mesmos e não pelo nosso Deus.
Tratemos as pessoas com misericórdia assim como somos tratados pelo Senhor.
O que é bíblico, preservemos, lutemos pelo seu fiel cumprimento.
O que não é lancemos fora, pois não podemos mais ser a causa de tantas amarguras. Não fomos chamados para produzir esse tipo de fruto. Fomos chamados para o ministério da reconciliação. Para as Boas Novas de salvação.
Querido irmão, não feche os olhos para os que sofrem, para os que buscam seu amor.
Abra os olhos. Olhe ao redor. Tem gente sofrendo. Ouça o gemido. Ouça ...
Encerro essa reflexão apelando para os seus mais profundos princípios e valores cristãos. Princípios, penso eu, que o levarão para uma outra perspectiva de ação, visão e pensamento.
O levarão para mais próximo de Cristo.







Que nossa súplica seja essa:
Ajude-nos Senhor a ver com os Teus olhos.
Amém.


Pr. Magdiel G Anselmo

3 comentários:

  1. Temas tão debatidos, mas nunca tinha lido as discussões na form como vc as expos aqui.
    É triste que os que deveriam unir, terminam por afastar.

    Beijos e bom fim de semana...

    *.*

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    Respostas
    1. É verdade irmã Cristina Lira. É realmente triste...
      Obrigado pelo seu comentário e pela visita.
      Deus a abençoe.

      Excluir
  2. Muito bom seu texto,nos esclarece e desmitifica alguns dogmas criados pelo homem e muito,muito=longe do que diz as Escrituras.

    "Fiquemos,pois, atentos a todo aquele que diz falar ou ensinar sobre Jesus Cristo e sobre as escrituras!...

    Analisemos suas atitudes e palavras,comparando-as sempre com que lemos na Biblia!..."
    Suely
    http://sbertoncini.zip.net

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