sábado, 30 de junho de 2012

A pregação da Palavra de Deus não precisa de ajuda!

De uns tempos pra cá, parece que o senso comum é que a pregação da Palavra de Deus não é suficientemente poderosa e adequada para salvar o pecador ou para edificar o salvo. Na verdade, ela é quase que negligenciada por completo em muitas igrejas e na vida de muito líderes cristãos.
A tendência e o enfoque são em outras metodologias e práticas. A justificativa sempre é porque a forma do sermão é antigo ou antiquado e as novas gerações não suportam ficar ouvindo por muito tempo uma pregação e portanto, precisamos ajudar o Espírito Santo criando outros métodos de comunicação da Palavra. O ensino bíblico sobre essa questão não é importante, mas sim as pesquisas sobre como esta geração reage aos métodos bíblicos "antigos". 
Desta forma, a "antiquada" pregação vai ficando esquecida e em alguns casos até atacada como sendo algo prejudicial para a obra de Deus.
A pergunta que me ocorre é a seguinte?
Ora, se a pregação tornou-se antiquada e sem utilidade para nossos dias, o que dizer da Bíblia então? Se seguirmos esse pressuposto, a Bíblia será também tão antiquada como sua pregação. Deveríamos então refazê-la para torná-la atual e útil?
Óbviamente que a resposta é NÃO.
A Bíblia é atual e tão útil como sempre foi. Não há a necessidade de mudar ou contextualiza-la. Ela já é em si mesmo contextualizada para a raça humana, em todas as épocas e locais. Basta a comunicarmos na força e no poder do Espírito.
Da mesma forma, a sua pregação como é revelada e demonstrada deve prosseguir como foi desde seus primórdios, ou seja, através da comunicação dessa Revelação como fizeram os profetas, o Senhor Jesus e os apóstolos.
Essa verdadeira pregação talvez não seja aquela que encherá os templos e o ego de líderes religiosos, mas certamente encherá os corações dos salvos em Cristo Jesus.
Não sou contra a princípio, de no culto cristão termos outras atividades além da pregação, mas sou contra sim, negarmos que a pregação da Palavra seja a principal atividade de um culto cristão.


A Igreja de Cristo precisa pregar a Palavra do Senhor.

Um outro importante fator também preciso lembrar aqui.

Não é toda pregação que se constitui em 
uma pregação da Palavra de Deus.

Precisamos banir de nossos púlpitos pregações que visam simplesmente satisfazer aos ouvintes, pregações que produzam sentimentos agradáveis, para fazer o ouvinte se sentir bem.
Precisamos nos voltar para o que a Bíblia diz e cessar de pregar o que achamos ou sentimos.
Em II Timóteo 2:3 fica bem claro o que muito acontece nos dias atuais. Querendo satisfazer a coceira nos ouvidos se utilizam de recursos impróprios como muitas anedotas, psicologia barata, palestras motivacionais, pensamento positivo e sermões que fortalecem o ego e são infiéis ao texto bíblico.
A correção, instrução e exortação acabam se tornando inaceitáveis.
O estudo e análise do texto são irrelevantes.
Se a aplicação está correta? Isso não importa, o que importa é se a audiência está "gostando".

O resultado são crentes imaturos e despreparados para a vida.
Se é que são realmente crentes.
      
Há uma grande coleção de livros atualmente que “ensinam” como transmitir a mensagem do Evangelho. Alguns destes "especialistas" dizem que pastores e líderes que desejam ser mais bem-sucedidos precisam concentrar suas energias fornecendo aos não-cristãos um ambiente inofensivo e agradável.
Conceder-lhes liberdade, tolerância e anonimato. Ser sempre positivo e benevolente. Se for necessário pregar um sermão, deve-se torná-lo breve e recreativo. Não pregar longa e nem enfaticamente.
E, acima de tudo, todos devem ser entretidos. As igrejas que seguirem estas regras, dizem eles, experimentarão um crescimento numérico e as que ignorarem estarão fadadas a estagnação.
Tenho que concordar que seguindo estas orientações a probabilidade de crescer numericamente é imensa e ouso dizer quase que há a certeza disto acontecer, porém crescer numericamente não significa crescer corretamente do ponto de vista bíblico.
Discordo frontalmente quando dizem que não seguindo estas orientações, as igrejas estão fadadas a estagnação.
Esquecem-se talvez, quem na verdade é o dono da Igreja e que Ele mesmo já nos deixou revelado em Sua Palavra a forma como devemos transmitir a mensagem do Evangelho.

Retirando as antigas colunas, com certeza, toda a casa ruirá.

Creio firmemente que seguindo a orientação bíblica cresceremos, quem sabe não da forma e no número que muitos líderes desejam mas, da forma e no número que Deus já determinou que crescêssemos.
O homem sempre esta desejando criar metodologias próprias e inovadoras, causando conseqüências desastrosas para a Igreja de Cristo e fazendo com que muitos escolhidos tenham vidas cristãs medíocres e abaixo do que poderiam estar.

O crescimento espiritual é pessoal e depende do que a pessoa ouve, vê e aprende na, com e pela Palavra de Deus(Bíblia).

Sendo bem alimentada, ela estará motivada e direcionada para conhecer mais dos mistérios de Deus e de ter uma comunhão e intimidade com o Senhor sempre crescente e constante. Sendo mal alimentada, ela se tornará anêmica, infantil e estacionada no conhecimento básico e inicial de Cristo sem crescer e amadurecer.

Não haverá condições de serviço cristão nem de usar seus dons espirituais e talentos em prol da edificação da igreja, muito menos das responsabilidades de ser cristão, já que nem conhecimento destas coisas ela tem. A igreja nestes casos é uma grande creche com um grande estoque de leite e fraldas, e somente disto.
Com relação às inovações que estão sendo tentadas, algumas são extraordinárias, e até mesmo, radicais.
Algumas igrejas, por exemplo, realizam seus maiores cultos na sexta-feira ou nos sábados à noite, em vez de no domingo. Tais cultos são repletos de música e entretenimento, oferecendo às pessoas, verdadeiros substitutos ao teatro e às atividades sociais. Os membros da igreja agora podem “cumprir sua obrigação de ir à igreja”, ficando livres para usarem o fim-de-semana como quiserem.
Um destes freqüentadores de cultos aos sábados explicou por que esses cultos alternativos são tão importantes: “Se você vai à EBD às 9:00 horas acaba saindo da igreja perto das 12:00 horas, isso praticamente liquida o dia”.A julgar pela freqüência aos cultos, muitos dos membros de igreja sentem que passar o Dia do Senhor na igreja equivale a desperdiçar o domingo por completo. Os cultos não dominicais em algumas igrejas, estão sendo mais freqüentados do que aqueles que haviam aos domingos.

E isso não é tudo.

Muitos destes cultos alternativos não oferecem qualquer tipo de pregação.
Em lugar disso, dependem da música, dramatização, multimídia e outros meios de comunicação para transmitir a mensagem. Todas as músicas e apresentações são cuidadosamente escolhidas e preparadas para que os incrédulos sintam-se bem. Nada, praticamente é dispensado como impróprio para o culto a Deus: rock nostálgico, heavy metal, rap, dança, comédia, palhaços, magia teatral, lutas tipo vale-tudo, festas juninas disfarçadas com outros nomes, tudo se tornou parte do repertório evangélico.
Ah, sim ! Estava me esquecendo a pregação clara e poderosa da Palavra de Deus, esta sim, se tornou inadequada e antiquada, como mencionei anteriormente.
Para que eu possa não ser mal interpretado, não quero afirmar que não há lugar no culto para apresentações e outras atividades (claro que deve se ter critérios claramente estabelecidos e bíblicos para isso), porém, nunca podemos esquecer de que o culto é realizado para Deus e não para as pessoas.
Agradar a Ele deve ser nosso objetivo além de adorá-lo com o que fizermos. Não podemos relegar ao esquecimento ou ao desprezo a pregação da Palavra de Deus como é ensinada na Bíblia através da vida e dos ensinos do próprio Cristo.

Dentre todas as atividades que possam acontecer em um culto evangélico, a mais importante é certamente o momento da proclamação da Palavra, pois é através dela que a fé é comunicada e despertada no ouvinte.


Todos os exemplos bíblicos de conversões foram ou através de um pregação a grupos de ouvintes ou através de evangelismo pessoal. Desafio alguém a mostrar biblicamente exemplos ou algum tipo de ensino sobre conversões através de músicas, representações teatrais, danças, coreografias, palestras psicológicas motivacionais ou coisas semelhantes a estas. 
Podem ser até bonitas, bem elaboradas, emocionar a muitos, mas não vamos confundir as coisas. Enganam-se tragicamente quem pensa que o convencimento vem primeiramente quando se alcança as emoções.

A conversão (salvação) é um ato pessoal que é consumado através do ouvir a pregação do Evangelho, do convencimento do Espírito Santo através desta pregação e da atitude decorrente do homem se prostrando quebrantado aos pés de Cristo alegremente em uma entrega total  ( Romanos 10:17; João 14: 26; 16:8).

Esta é a regeneração, adoção e a justificação que são instantâneas e eternas.

Do contrário, teríamos somente conversões emocionais e superficiais pois as emoções descontroladas impedem o homem de raciocinar sobre o que está fazendo e ouvindo, isso a Bíblia nos ensina em Jeremias 17: 9,10.
Talvez por isso, tenhamos tantos “crentes” que no primeiro problema abandonam a fé, talvez nunca tivessem realmente sido convertidos, apenas se emocionaram com algo ou acharam agradável uma igreja ou uma programação e talvez também por isso tenhamos tantas igrejas lotadas de pessoas vazias de Deus.
Talvez por isso exista tanta gente ferida, machucada e tantas outras decepcionadas com as igrejas. Quando sua confiança não está em Deus, a probabilidade disso ocorrer é imensa. Quando estamos focados nas demais coisas e não no reino de Deus o caos logo se instalará em nossa vida.


Certamente muitas das causas de existirem tantos crentes que sofrem além do necessário seja a existência dessas igrejas e desses líderes que nada fazem para consertar seus erros e teimam em usar métodos e estratégias sem o aval bíblico. Multidões de gente sofrida, desanimada e desiludida. Gente boa que vaga sem rumo pela vida.
Quero me entrincheirar nas Escrituras para explicar minha opinião sobre este assunto.
As Escrituras dizem que os primeiros cristãos viraram o mundo de cabeça para baixo (Atos 17:6). Em nossa geração, o mundo está virando a Igreja de cabeça para baixo.



Biblicamente argumentando, Deus é soberano, não o incrédulo que não freqüenta a Igreja.
A Bíblia, e não o plano de marketing deve ser o único guia e autoridade final para todo o ministério eclesiástico.
Em vez de acalentar o egoísmo das pessoas, o ministério da Igreja deveria atender às verdadeiras necessidades delas.
O Senhor da igreja é Cristo e não um “zé da poltrona” com um controle remoto nas mãos ou sentado confortavelmente em um banco ou cadeira na igreja.


Não consigo ouvir a expressão “temos que ter uma igreja agradável para todos” sem que isso me traga a mente a passagem de Atos 5 e a história de Ananias e Safira.

O que se passou naquela ocasião desafia abertamente quase toda a teoria contemporânea dos especialistas de  crescimento de igreja. A Igreja de Jerusalém não devia ser nem um pouco “agradável” nessa época do ocorrido.
Aliás, era exatamente o oposto: “grande temor a toda a igreja e a todos os que ouviram a notícia destes acontecimentos” (Atos 5:11).
O culto daquele dia foi tão perturbador, que nenhum dos que não freqüentavam a igreja ousou juntar-se a eles. O só pensar em freqüentar aquela igreja aterrorizava o coração daquelas pessoas, apesar de os ter em alto conceito (Atos 5:13).
Lembre-se que esta igreja é a mesma de Atos 4, uma igreja nova e cheia de vitalidade.
O povo estudava intensamente a doutrina dos apóstolos, existia comunhão, oração, muita fé , amor e a igreja crescia.
Porém, o inimigo tentou e seduziu Ananias e Safira a ponto de mentirem ao Espírito Santo. O pecado entrou naquela igreja, e as Escrituras jamais deixam a verdade de lado, ainda quando esta é dolorosa e desagradável. A igreja não é perfeita, nunca o foi. Começando com este incidente discorre-se por todo o Novo Testamento as orientações de Paulo que travava uma guerra implacável contra o pecado na igreja, chegando algumas vezes a ser duro e incisivo em suas epístolas aos Coríntios e aos Gálatas.



Deus sempre foi implacável com o pecado e a pregação evangélica e apostólica deve ter também este  padrão nos dias atuais.
A pregação deve ser ousada e poderosa.

Não se envergonhar do Evangelho, embora haja perseguição. Devemos chamar o pecado de pecado, e não aceitarmos sua permanência dentro da igreja. Os crentes devem ser levados a entender que o Evangelho é algo sério para os que o receberam e vital para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ouví-lo.
O ministério da pregação dos apóstolos  incluía doutrina assim como evangelismo. Atos 2:42 declara que os crentes “se dedicavam ao ensino dos apóstolos”. Esse rebanho era bem nutrido, mas ao mesmo tempo dinâmico.
Finalizando eesse artigo, afirmo sem medo de errar que a Igreja de Jerusalém deve ter sido um excelente lugar de comunhão. Eles não seguiram qualquer das técnicas de marketing da atualidade, não buscaram inovações, mas sim, uma comunhão calorosa e verdadeira.
Continuaram seguindo a forma do ministério de Cristo quando aqui na terra. De forma amorosa, supriam as verdadeiras necessidades uns dos outros. Eles contavam com o ensino rico e amplo.
Havia a pregação apostólica, o partir do pão e as orações diárias. E interessante, que nada disso foi feito ou planejado com o intuito de atrair os incrédulos.
Mas, mais interessante ainda, é que novas pessoas continuavam a se converter, e o Senhor continuava acrescentando à igreja, dia após dia, os que iam sendo salvos (Atos 2:47).



Aprendamos com as Escrituras!

Pr. Magdiel G. Anselmo.


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