quarta-feira, 13 de junho de 2012

Não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim.

Essa declaração e versículo são lindos (Gálatas 2: 20), mas tem gente que ainda não entendeu a profundidade dessa revelação bíblica. Um fator interessante a se levar em alta consideração está imediatamente antes do texto mencionado, quando Paulo afirma que "Está crucificado com Cristo" (vs.19).
Quando digo que tem gente que ainda não entendeu as implicações dessa declaração o faço porque observo que já há algum tempo, uma forma de atuação muito usada por grandes movimentos “evangélicos” da atualidade é a ideologia de que para seguir a Cristo não é necessário mudanças radicais de nenhuma espécie, pois isso se caracterizaria como uma forma de opressão ou até de desrespeito a privacidade e liberdade das pessoas.
Então, basta apenas se pronunciar “cristão evangélico”, freqüentar uma reunião semanal em uma comunidade “evangélica”, participar de uma ou mais "campanhas" (e tem várias, é só escolher o cardápio), deixar alguns costumes antigos que o tornavam “muito ímpio”, obedecer às revelações e profecias dos "profetas de plantão" existentes (não importa se contrariam a Bíblia.), ter em casa vários CD's de cantores e ouví-los em volume máximo diariamente  (os vizinhos tem que ouvir) e comprar uma bela Bíblia, de preferência aquela que foi anunciada na mídia “gospel”.  
Resumindo, basta ser superficialmente religioso.
Desta forma, segue-se uma prática religiosa que produzirá a princípio, algum conforto a pessoa, preenchendo o vazio que havia em seu íntimo, pelo menos é o que a pessoa pensa.
Nas Igrejas e movimentos “evangélicos” que adotam esta forma de atuação, os cultos são geralmente muito animados, com muita música e apresentações diversas, proporcionando ao freqüentador um agradável final-de-semana.
A pregação é recheada de chavões e frases de impacto sobre assuntos e temas que afligem a grande maioria das pessoas. São verdadeiras palestras de auto-ajuda, de positivismo e de "afago do ego". Promessas e mais promessas são comunicadas, mas sem a necessidade de nenhum compromisso ou mudança séria, a não ser, é claro, a obrigação de frequencia e contribuição financeira.
Muitos destes freqüentadores se tornam fiéis dizimistas e ofertantes, pois sabem que são eles que mantêm esta seqüência de agradáveis dias e de entretenimento semanal. Contribuem então, não pela ou para obra de Deus, mas com um interesse pessoal em que o "show não acabe".
A liderança destas Igrejas afirma que agem assim pois não querem pressionar as pessoas a mudarem "na marra", não desejam aborrecê-las. Preferem deixá-las por elas mesmas tomarem suas decisões. Ressaltam que o crente é livre e não pode ser escravo de organizações ou doutrinas, desta forma adotam a política “venha como estás, e se preferir permaneça assim”. 

Sendo assim, ensinam seus membros que não precisam mudar de atitudes quanto à sua vida profissional: podem continuar com caixa dois, com as notas frias, com a desonestidade, a corrupção. Não precisam mudar na sua vida pessoal: podem não perdoar as pessoas, podem não amar os inimigos, podem pagar o mal  com o mal. Não precisam mudar certos costumes e práticas antigas como freqüentar lugares não recomendados para crentes verdadeiros, ouvir músicas de pessoas reconhecidamente hereges e diabólicas, ter amizades profundas ou sociedades com pessoas que não tem a mesma fé e princípios e valores para a vida. Não precisam parar de mentir, de se vestir como se veste o artista da moda ou de falar gírias que tem como significado palavras torpes e de baixo calão, enfim, se não quiser mudar nada, tudo bem, o que importa é o interior.

O que estas Igrejas não percebem é que o exterior mostra o que se tem no interior.
As pessoas, mesmo as mais talentosas em representar, não conseguem  enganar  por muito tempo. Uma pessoa pode se vestir, falar, cantar, fazer tudo como um crente fiel  por algum tempo, mas se não for  verdadeiramente convertido, chegará o momento em que não suportando mais, revelará a todos sua real situação e seu íntimo.

Por isso digo: "Não é difícl ser crente, o difícil é desejar ser crente não o sendo."




Porém, quem é de Deus e foi salvo por Ele, não muda somente por dentro, pensar assim é um assombroso equívoco, quem é salvo é transformado por completo, tudo muda. Muda o semblante, muda o jeito de falar, muda o jeito de se vestir, muda o jeito de se portar, muda a forma de pensar, de agir, de conversar, muda tudo.

Não há como alguém ser salvo e ser somente transformado interiormente e não exteriormente, o corpo é a forma de expressão do espírito do homem, e o homem salvo por Cristo expressa em seu corpo toda a glória de Deus, mesmo sendo ele um pecador sujeito a falhas.

O Espírito Santo habitando em seu interior começa a dirigir todos os sentidos do crente, levando-o a compreender que as formas e práticas antigas não condizem com sua nova vida em Cristo. Mesmo entendendo que inicialmente há um grande conflito pois este crente está aprendendo a agradar a Deus, isso não é justificativa para viver na prática antiga do pecado sem nenhum tipo de desconforto ou angústia por estar entristecendo o Espírito Santo.
É absurdo imaginar um crente verdadeiramente salvo, viver de uma forma totalmente inadequada aos princípios e valores de Deus tranquilamente e mais, ainda defendendo que esta é uma forma correta de se propagar as Boas Novas de Salvação. Isso é inaceitável para qualquer crente que seriamente lê sua Bíblia e tem uma vida de intimidade com o Senhor.
O que estas Igrejas e movimentos “evangélicos” causam é um sentimento de total banalização do Cristianismo, fazendo-o mais uma mera filosofia de vida sem qualquer tipo de envolvimento mais sério e concreto. O pior é que a grande maioria das pessoas que freqüentam regularmente estes locais pensam estar no caminho certo e não tem a noção do grave erro que cometem.
A responsabilidade por estas vidas estarem assim é em grande parte de seus líderes, muitos destes  conhecem o Evangelho e foram salvos por Cristo, mas pela ganância e busca pelo poder não o transmitem como a eles foi transmitido. Serão duramente cobrados desta forma desonesta de agir pelo Senhor da Igreja. Mas, também os que são enganados tem a sua dose de culpa. São responsáveis pelos seus atos diante de Deus.
Com o ensino da falta de envolvimento e compromisso, os que são verdadeiramente salvos vagueiam no deserto cheio de problemas e aflições terríveis, levam uma vida da forma mais difícil para qualquer crente, pois não são ensinados a agir e tomar posições biblicamente falando, os princípios não são comunicados, não são alimentados.
Vivem muitas vezes de sonhos, visões e das tais "revelações" tão propagadas em ambientes onde não se tem um alimento sólido (Palavra de Deus) pregado e ensinado constante e sistematicamente.
Por isso, são crentes anêmicos, famintos e seguem assim até o dia em que entendam a Palavra de Deus e esse entendimento os faça mudar de endereço eclesiástico. Aprenderão então, serão alimentados e ensinados como viver uma vida abundante, sem necessariamente serem ricos materialmente, porém, aprenderão a ter uma vida de riquezas espirituais de todas as formas.
As demais pessoas freqüentadoras não salvas continuarão ali sendo manipuladas e fazendo parte desse grande engodo e ilusão.

Este tipo de organização somente causa vergonha e transtornos ao povo e obra evangélica em geral, pois a todo o momento vê-se escândalos de pessoas que se pronunciavam evangélicas nestes locais e logo a seguir seus testemunhos as denunciaram como farsantes. Não é incomum ocorrerem adultérios, fornicação e roubos por parte dos líderes nesses lugares. E esse procedimento cria discípulos que propagam os mesmos pecados. Já diz a Bíblia que um abismo chama outro abismo.

Também não é incomum muitas pessoas terem profundas feridas na alma causadas pela decepção quando entenderam o Evangelho e saíram dessas pretensas organizações ditas evangélicas. A multidão de crentes sem igreja confirma isso.
Certamente estas igrejas e líderes não obedecem ao plano de Deus para Sua Igreja e para a humanidade e  estão sujeitos a correção e disciplina do Senhor que será implacável.
O Deus misericordioso e gracioso que nos salva e nos promete uma vida eterna com Ele, é ao mesmo tempo juiz.
Os atos que cometemos aqui, prestaremos contas. Deus é justo.
Obedecer de princípio é a melhor forma, que tal a escolhermos?

"Se Cristo vive em mim, já não sou o mesmo de antes.
Sou transformado.
Sou parecido com Cristo."

Deus nos abençoe.
Pr. Magdiel G Anselmo.

2 comentários:

  1. Concordo com suas palavras. Uma coisa é ver Cristo crucificado, outra é ver você e eu crucificados juntamente com ele. O homem não quer morrer; não quer deixar a sua vida ser transformada, apenas disciplinar um pouco o velho adão de sempre. Esse é realmente um grande problema atual. Nós morremos no batismo, as coisas passadas já se foram, e o velho homem precisa estar sepultado; a cada manhã, devemos lembrar que somos novas criaturas, deixar o "velho eu" na cama, e levantar em Cristo, deixando o espírito santo trabalhar em nós. Deus te abençoe irmão e continue nessa força.

    ResponderExcluir
  2. Verdade irmão Anderson R. Miranda. Obrigado pelo seu comentário e Deus o abençoe.

    ResponderExcluir

Faça seus comentários. Sua opinião é importante. Participe.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...