quarta-feira, 16 de maio de 2012

Uma Reflexão sobre Sistemas de Governos Eclesiásticos


Alguns ao lerem o título dessa postagem, logo pensarão: Quem governa a Igreja é Deus!
Eu não contesto ou duvido disso.
Certamente Deus é o Senhor da Igreja, e governa não somente sobre ela mas, sobre todas as coisas. Creio firmemente na soberania e no senhorio de Cristo e sei que o Espírito Santo (Mestre da Igreja) está presente direcionando e guiando os crentes no trabalho do Senhor e na vida pessoal.
Isso é incontestável !
O governo a que me refiro é a forma, tipo ou o sistema que nós, crentes, usamos para administrar e coordenar a igreja.
E mais, será que a Bíblia ensina-nos qual seria essa forma ou sistema a utilizar? E, de todos que conhecemos e que são usados por nós, qual o mais bíblico deles?
São perguntas que os crentes mais maduros e conscientes de suas responsabilidades diante de Deus fazem a todo instante.
Para isso, buscarei me aprofundar nessa questão, para a partir daí, responder a esses questionamentos.

Ao longo de toda a História da Igreja, houve vários sistemas básicos de governo eclesiástico. Destes sistemas vários outros se originaram, porém os mais antigos continuam sendo os mais utilizados para organização da Igreja.
Vou analisar esses mais conhecidos e estruturados. Depois da análise, tentarei determinar se algum deles é preferível para hoje. 
Os sistemas que analisarei são:

• Episcopal
• Presbiteriano
• Congregacional

Segue abaixo uma explanação rápida sobre cada um:

1. Sistema de Governo Episcopal
Na forma episcopal de governo, a autoridade reside no bispo. Há vários graus de episcopado, ou seja, há variações quanto ao número de níveis de bispos.
A forma mais simples de governo episcopal é encontrada na Igreja Metodista, que só possui um nível de bispos. Um pouco mais desenvolvida é a estrutura governamental da Igreja Anglicana ou Episcopal, enquanto a Igreja Católica Romana possui o sistema mais completo de hierarquia, com a autoridade investida especialmente no sumo pontífice, o bispo de Roma, o papa.
É natural no sistema episcopal a idéia de diferentes níveis de ministério ou diferentes graus de ordenação. O primeiro nível é o do ministro ou do sacerdote comum. Em algumas Igrejas, há passos ou divisões dentro desse primeiro nível, por exemplo, diácono e presbítero. Os clérigos nesse nível são autorizados a desempenhar todas as tarefas básicas associadas ao ministério, ou seja, pregam e ministram as ordenanças.
Além desse nível, há um segundo nível de ordenação que constitui uma pessoa bispo. O papel dos bispos é exercer o poder de Deus de que foram investidos. Em particular, como representantes de Deus e pastores, governam um grupo de Igrejas e cuidam dele, em vez de simplesmente cuidar de uma congregação local. Entre seus poderes está a de ordenar ministros ou sacerdotes. Há Igrejas que não usam a nomenclatura “bispos” mas outras. Porém realizam a mesma função e com os mesmos poderes, por exemplo são usados os seguintes termos em algumas Igrejas: superintendente regional, diretores gerais, presidente ou termos semelhantes.
Entre as Igrejas evangélicas mais atuais, os pentecostais e neo-pentecostais são os grupos que mais se identificam com o sistema de governo episcopal.
Em suma, nesse sistema a palavra de ordem é:
No fim das contas, tudo é decidido pelo bispo ou pastor da igreja!

2. Sistema Presbiteriano ou Presbiterial de governo
Este sistema de governo da Igreja também coloca a autoridade em determinado ofício, mas o ofício individual e o detentor do ofício destacam-se menos que uma série de grupos representativos que exercem tal autoridade. O oficial principal na estrutura presbiteriana é o presbitério, posição que remonta à sinagoga judaica.
Os presbíteros são encontrados na Igreja do Novo Testamento. Em Atos 11: 30 lemos a presença dos presbíteros na congregação de Jerusalém. Os irmãos de Antioquia providenciaram auxílio material aos crentes de Jerusalém, enviando suas ofertas aos presbíteros pelas mãos de Barnabé e Paulo. As epístolas pastorais também mencionam os presbíteros.
Parece que na época do NT as pessoas escolhiam seus presbíteros, e eram pessoas a quem consideravam particularmente qualificados para dirigir a Igreja.
Ao escolherem os presbíteros, a Igreja somente externava o que o Senhor já havia escolhido.
No sistema presbiteriano, entende-se que a autoridade de Cristo é dispensada a indivíduos crentes, que a delegam aos presbíteros por eles escolhidos que passam a representá-los dali em diante.
Uma vez eleitos ou designados, os presbíteros atuam em favor ou no lugar dos indivíduos crentes.
É, portanto, entre os presbíteros que a autoridade divina atua dentro da Igreja.
Esta autoridade é exercida numa série de concílios. No âmbito da Igreja local, o conselho ou o consistório é o grupo responsável pelas decisões. Todas as Igrejas de uma área determinada são governadas por um presbitério.
O grupo seguinte é o sínodo, formado por igual número de presbíteros leigos e clérigos escolhidos pelos presbitérios  No nível mais alto, a Igreja Presbiteriana também possui uma assembléia geral, chamada de Supremo Concílio, composta de mais uma vez de representantes leigos e clérigos dentre os presbíteros. As prerrogativas de cada um desses concílios são descritas na constituição da denominação.
O sistema presbiteriano é diferente do episcopal no fato de existir só um nível de clero. Só existe o presbítero docente (o pastor) ou o presbítero regente. Não existem níveis mais altos como o de bispo. É claro que certas pessoas são eleitas para cargos administrativos dentro dos concílios. Elas são selecionadas para presidir ou supervisionar funções específicas. Não são bispos, não havendo ordenações especiais  para tais funções.
Não existe autoridade especial inerente ao ofício. Outra medida de nivelamento no sistema presbiteriano é uma coordenação deliberada entre clérigos e leigos. Ambos os grupos são incluídos em todos os concílios. Ninguém possui poderes ou direitos especiais que o outro não possua.
Em suma, nesse sistema a palavra de ordem é:
Tudo é decidido pelo grupo de presbíteros (conselho, presbitério, sínodo ou Supremo Concílio)!

3. Sistema Congregacional de governo
A terceira forma de governo da Igreja é a Congregacional e destaca o papel do cristão como indivíduo e tem a Igreja local como centro de autoridade. Dois conceitos são básicos ao sistema Congregacional: autonomia e democracia.
Por autonomia entendemos que a congregação é independente e governa a si mesma. Não há poderes externos que possam ditar diretrizes para a Igreja local. Por democracia entendemos que cada membro da congregação local tem voz em seus assuntos. São os indivíduos da congregação que possuem e exercem autoridade.
A autoridade não é prerrogativa de um único indivíduo ou de um grupo seleto. Entre as principais denominações que praticam a forma de governo congregacional estão os grupos batistas, congregacionais e boa parte dos luteranos.
Seguindo um princípio de autonomia, cada Igreja local chama seu próprio pastor e determina seu próprio orçamento. Ela adquire e gere  propriedades independentemente de quaisquer autoridades externas.
O princípio da democracia baseia-se no sacerdócio de todos os crentes que, segundo entendem, ficaria prejudicado, caso bispos ou presbíteros recebessem a prerrogativa de tomar as decisões. A obra de Cristo torna tais dirigentes desnecessários, pois agora cada crente tem acesso ao Santo dos Santos e pode ter acesso direto a Deus. Além disso, como Paulo nos relembra cada membro ou parte do corpo pode fazer uma contribuição valiosa para o bem-estar do todo.
Há, certamente, alguns elementos de democracia representativa dentro da forma congregacional de governo da Igreja. Certas pessoas são eleitas por livre escolha dos membros do corpo para servir de maneiras especiais. Todas as decisões mais importantes, porém, tais como a contratação de um pastor e a compra ou venda de propriedades, são tomadas pela Igreja como um todo.
Em suma, nesse sistema a palavra de ordem é:
Tudo é decidido na assembléia dos membros!

Um Sistema de governo Eclesiástico para Hoje
Tentativas de desenvolver para a Igreja uma estrutura de governo que esteja de acordo com a autoridade da Bíblia encontram dificuldades em dois pontos.
O primeiro é a falta de material didático. Não há exposição detalhada sobre como deve ser o governo da Igreja. Quando passamos a examinar as passagens descritivas, encontramos um segundo problema. Há tantas variações nas descrições das Igrejas do NT, que não conseguimos descobrir um padrão ou norma.
Um princípio evidente no NT, especialmente em 1 Coríntios, é o valor da ordem.
É desejável que certas pessoas sejam responsáveis por ministérios específicos.
Outro princípio é o sacerdócio de todos os crentes. Cada pessoa é capaz de relacionar-se diretamente com Deus.
Finalmente, a idéia de que cada pessoa é importante para todo o corpo está implícita em todo o NT e explícita em passagens como a de Romanos 12 e 1 Coríntios 12.
Levando em consideração isso, a forma congregacional de governo da Igreja parece ser a que cumpre melhor os princípios expostos. Ela leva em consideração o princípio do sacerdócio e da competência espiritual de todos os crentes. Também leva em consideração a promessa de que o Espírito Santo habita em todos os crentes e os dirige.
Porém, mesmo nesse sistema de governo problemas podem ocorrer. A Igreja local pode se tornar fechada para os de fora, com regras e tradições e não crescer numericamente. Se a Igreja neste sistema não atentar para este perigo pode se tornar um “clube social” com atividades e mais atividades para deixar todos os seus membros satisfeitos e ativos, porém de uma forma egoísta, orgulhosa e ultra-religiosa, fazendo-os esquecer a verdadeira missão da Igreja.
Entretanto, este sistema, em minha opinião, evita muitas vezes a “ditadura e a tirania individual” que por vezes acontecem no sistema episcopal com líderes que manipulam e não consideram os demais membros da congregação ou de congregações.
Além disso, valoriza o membro da congregação e incentiva o sentimento de realização e de utilidade de toda congregação, pois todos podem contribuir, mesmo que apenas com uma sugestão ou proposta. Mas, em contraponto, também pode incentivar e motivar a “tirania de um grupo ou família antiga da igreja”, que manipula os demais membros, pois se sentem “donos” daquela congregação. Outra parte negativa a meu ver é que uma Igreja Local ainda imatura pode transformar a missão da Igreja em mero ativismo e chegar às raias do desrespeito e insubmissão a quem ali pastoreia.
Dessa forma, a proteção para a Igreja seria o sistema episcopal onde um líder maduro e temente a Deus lideraria sob a orientação do Espírito Santo. Mas, sendo homem e pecador, mesmo o melhor líder pode descuidar e pastorear de forma equivocada e até desonesta. Alguém disse que o poder centralizado em uma só pessoa pode corrompê-la. Isso realmente é um fato em muitas denominações evangélicas.
O sistema presbiteriano ou presbiterial onde um corpo de líderes (presbíteros) lidera e representa a congregação pode então ser a solução para nosso dilema. Realmente esse sistema pode funcionar muito bem quando esse grupo tem muito claro suas obrigações e missão no Corpo de Cristo. Porém tais quais os demais sistemas, problemas de desonestidade, imaturidade, vaidades, politicagens e coisas semelhantes ocorrem com certa freqüência, trazendo desconforto e confusão a congregação.
Portanto, mesmo entendendo que o sistema congregacional pode ser a princípio, o mais desejável e preferível, não sou ingênuo o bastante para tê-lo como norma para a Igreja. Da mesma forma, os outros dois sistemas podem funcionar bem, mas também não são perfeitos e irrepreensíveis. Sei que qualquer destes três sistemas vistos podem ser manipulados por pessoas de má fé, inconseqüentes e até ignorantes quanto às necessidades e prioridades da Igreja.
Penso então que o melhor sistema de governo para a Igreja atual é aquele onde Cristo é o centro de tudo, e todas as decisões tem como objetivo a Glória de Deus, a edificação do corpo de Cristo e a evangelização dos perdidos. Talvez seja uma utopia da minha parte, mas é o que a Bíblia nos ensina.
Você concorda então que é uma santa utopia, não é mesmo?
E com relação a responder as questões postas no início dessa postagem, sinto decepciona-lo, mas não tenho a resposta para o melhor sistema. Penso que ninguém tem essa resposta. E por que?
Porque o grande problema não é o sistema eclesiástico. Todos os três aqui mencionados e analisados encontram em certo momento fundamento nas Escrituras.
Qualquer um dos três sistemas são muito bons e se bem utilizados e implantados trarão grandes benefícios para a comunidade cristã.
O problema é quem faz ou tenta fazer funcionar esses sistemas. O problema é que mesmo sendo crentes, salvos e remidos, ainda somos pecadores imperfeitos e falhos.
Nenhum sistema será perfeito aqui nessa terra até que o próprio Jesus Cristo implante o seu sistema de governo. Esse sim será perfeito, pois o próprio Cristo reinará e todo o joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é o Senhor.
Até esse dia, continuaremos tentando governar a Igreja usando nossos sistemas e formas.
Mas, sempre teremos sérios problemas e dificuldades. Somente não nos destruímos porque o Espírito Santo não permite e sempre nos traz de volta a reflexão e ao discernimento que revelam o certo e o errado deixados na Palavra.
O certo e que nos traz esperança é que um dia não precisaremos nos preocupar com sistemas de governo para a Igreja.

Até quando Senhor? Até quando?
Maranata, Ora vem Senhor Jesus !

Deus nos abençoe.

Pr. Magdiel G Anselmo.

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