quarta-feira, 23 de maio de 2012

Uma Reflexão sobre a Metodologia Bíblica para a Igreja

Prosseguindo com a série Reflexões.
Uma Reflexão sobre a Metodologia da Igreja Primitiva

À medida que vamos analisando a Igreja primitiva apostólica descobrimos a forma pelo qual o Espírito Santo quer atuar na Igreja e a forma que a Igreja deve atuar na força do Espírito Santo. Muito temos que aprender com as experiências e ensinos dos primeiros cristãos.
Homens e mulheres que foram perseguidos, açoitados e mortos muitos deles por seguirem o Cristianismo. Crentes que buscavam a glória de Deus e a obediência a Sua vontade. Vamos ver como lideravam os primeiros pastores e missionários da Igreja e as primeiras formas de atuação da Igreja como comunidade cristã.
Enfim, como já afirmei a Igreja primitiva apostólica tem muito a nos ensinar, tanto com seus erros como com suas virtudes.
Já vimos no capítulo anterior como e quando foi sua origem e agora veremos a seguir:
A Metodologia Apostólica:
As Escrituras mostram que os apóstolos seguiam os métodos ensinados por Cristo, não poderia ser diferente, mas quais eram esses métodos?


1. Milagres e Curas: Por muitas ocasiões, os apóstolos realizaram milagres e curas no nome de Jesus causando espanto e despertando a atenção de muitos para o próximo método. Ressaltando que esse era o objetivo: direcionar e apontar para a pregação e ensino da Palavra, não apenas curar por curar ou por outros objetivos ou interesses.

2. Pregação do Evangelho de Cristo: Aproveitavam todas as oportunidades para pregar o Evangelho, não tinham receio de quem fosse o ouvinte. Tinham uma missão e a cumpriam o melhor que podiam. E Deus os capacitava para tal. O número também não importava, podia ser uma pessoa assim como milhares. Tinham consciência do valor de uma pessoa para Cristo, pois foram alvos deste amor um dia e tinham ciência de que Cristo morreu pelo pecador que cresse na mensagem.

3. Batismo nas águas: Após a conversão imediatamente batizavam os novos na fé como obediência a ordem do Mestre Jesus Cristo.

4. Ensinavam sistematicamente a doutrina que aprenderam de Cristo: Em várias partes do NT vê-se o verbo “ensinar” usado para mostrar uma função e atuação apostólica. As cartas paulinas, joaninas e petrinas são um exemplo marcante deste método de atuação.
Foi desta forma que os apóstolos iniciaram seus ministérios e devido a isso as primeiras congregações foram organizadas. Muitas vidas foram salvas e ensinadas e o mundo daquela época foi sacudido pelo poder do Evangelho de Cristo. Muitos foram reconciliados com o Pai através de poucos e frágeis homens que capacitados e dirigidos pelo Espírito Santo deram continuidade ao plano divino.

O Modelo da Comunhão:
O modelo de comunhão da e na Igreja Primitiva era simples e prático, porém de grandes resultados na vida de cada participante.

Os textos bíblicos de Atos 2: 42-47 e de  11: 19-25 são bem esclarecedores quanto ao que acontecia com e na Igreja Primitiva. Lendo-os percebe-se que os cristãos (como foram chamados em 11: 26 pela primeira vez), eram muito próximos uns dos outros, ou como diz em 2: 44 “tinham tudo em comum”e isso parece-nos que era algo natural entre eles.
A união da Igreja ocorria devido ao amor desinteressado em coisas materiais e visíveis, realmente era despojado de materialismo. Ao contrário, existia um amor ardente em cada coração pela pregação do Evangelho e pela edificação em amor da Igreja como um todo.
O relato bíblico mostra uma união crescente da Igreja. Havia a simplicidade e a necessidade de estarem sempre juntos, orando e louvando a Deus.
Seguiam literalmente o exemplo de Jesus Cristo e dos apóstolos, visando sempre alcançar vidas pela pregação e pelo amor às pessoas.
Não vemos, neste princípio, intrigas ou conflitos internos relevantes. Alguns dizem que isso ocorria porque a Igreja ainda estava no primeiro amor e empolgada com o encontro com Cristo. Mas, se continuarmos a ler o livro de Atos, veremos mais a frente que esta “empolgação” como alguns argumentam ser o motivo desta comunhão, não impediu que esta Igreja fosse séria e comprometida com a verdade. Um exemplo disto é o texto de Atos 5: 1-11.
Para aqueles que justificam o esfriamento ou diminuição do amor como sendo coisa natural a vida do crente, posso lembrá-los da advertência de Cristo a Igreja em Éfeso (Apocalipse 2: 2-7). Se a Bíblia não basta para removê-los de seu erro, não sei mais o que bastará.
Com certeza, o exemplo de comunhão da Igreja Primitiva deve ser uma busca incessante da Igreja atual. A simplicidade do Evangelho deve ser vivida em toda sua plenitude. A comunhão entre irmãos deve ser uma prioridade da comunidade evangélica. Mas que comunhão? Será esta comunhão simples palavras, sorrisos ou abraços em meio a cânticos que nos forçam a olhar e falar com nossos irmãos, a qual nem o nome sabemos muitas vezes? Será esta comunhão o simples fato de sermos membros de uma denominação e cultuarmos a Deus em um mesmo local? Será esta comunhão nos cumprimentarmos com “a paz do Senhor”, “graça e paz” ou outra forma usada para nos diferenciarmos do mundo?
Que comunhão era aquela da Igreja primitiva, que os levava a renunciar bens e propriedades em prol do irmão necessitado? Que os levava a ter a simpatia daqueles que não faziam parte da Igreja? Que os fazia alegres e simpáticos, mesmo em meio a terríveis perseguições? Que comunhão era aquela?
Evidente que não era o tipo de comunhão que estufamos o peito e dizemos que temos uns com os outros atualmente.
Ah, como somos hipócritas e cheios de interesses pessoais. Cantamos que somos um, mas não nos conhecemos além da liturgia de nossos cultos.  Estamos na maioria das vezes preocupados com as aparências e esquecemos de que a comunhão que a Igreja primitiva tinha não era aparente, mas interna, espiritual. Temos vergonha de abraçarmos nosso irmão porque não o conhecemos e não temos a mínima intimidade com ele(a)  para isso. Por isso esta atitude induzida por cânticos é pura hipocrisia e falsidade. Falta-nos o amor tão natural nos primeiros cristãos.
Nosso dia-a-dia, os problemas da vida, a ansiedade em ter e ser, o materialismo, as aparências e tudo o mais tirara da Igreja de Cristo o sinal, a marca dos verdadeiros cristãos: “o amor”. É assim que seríamos conhecidos, já dizia Cristo. A Igreja evangélica atual, com raras exceções, esqueceu o “primeiro amor” e por muitas vezes está mais preocupada em julgar e criar normas e procedimentos organizacionais que não são bíblicos, do que amar as pessoas.
Quando alguém surge, como um solitário soldado, e começa a priorizar o espiritual e dar atenção e importância a uma vocação e chamado ministerial, duvidamos de suas intenções e iniciamos uma campanha contra. Afirmamos: “Onde já se viu priorizar o espiritual e dar importância tão grande a vocação e chamado ministerial? Como não buscar as coisas materiais e a auto-suficiência?”. E começamos a questionar o caráter deste soldado solitário, pautados em nossos princípios e valores mundanos e seculares. Quando vemos alguém viver na dependência total de Deus, amando as pessoas e buscando levá-las a Cristo pela pregação do Evangelho e para isso se entregando integralmente para aprender, se preparar e trabalhar na obra de Deus, rotulamos esta pessoa de “à toa”, “aproveitador” e muitas vezes “vagabundo”.
O amor pelas almas e o ardor pelo chamado ministerial que são obras do próprio Espírito tem movido o coração destes soldados solitários e tem os levado a lutar pelo retorno ao modelo de comunhão da Igreja primitiva.
Abaixo o materialismo e viva o verdadeiro Cristianismo!

Outra questão que assola a Igreja evangélica atual é a tendência do homem querer usurpar o trono de Deus, fazendo que a comunhão seja substituída pela opressão e pressão psicológica.
Muitos líderes querem ser mais implacáveis do que o próprio Deus. Ferem, mutilam e matam muitos em nome do Evangelho de Cristo. Esquecem-se que Deus os salvou somente pela Sua infinita misericórdia e graça e que devem ser misericordiosos com todos, pois todos somos pecadores e carecemos da graça de Deus.
O amor tem que ser a marca do cristão. A repreensão deve ser em amor, a disciplina deve ser em amor, a correção deve ser em amor. Essa é a diferença do cristão para o não-cristão.
O pecado deve ser tratado com firmeza, porém o pecador com amor. O remédio não pode matar o doente, e sim curá-lo. Cristo veio para os doentes. Somos escolhidos, porém não deixamos de ser miseráveis pecadores.
A comunhão na Igreja de Cristo deve seguir o modelo dos primeiros cristãos. Conhecer-nos é uma oportunidade para exercermos amor, as dificuldades e problemas de meu irmão também são meus, as alegrias e vitórias de meu irmão também são minhas. Só assim haverá intimidade e reciprocidade. Um entendendo o outro, orando uns pelos outros com sinceridade e amor. Repreendendo quando necessário, mas acima de tudo estando junto para fortalecer e encorajar.
Esta comunhão só será possível e não simplesmente uma utopia, se o corpo estiver ligado a cabeça, que é Cristo e unido pelo vínculo do Espírito. A comunhão com o Deus da Igreja é imprescindível para que a verdadeira comunhão entre irmãos aconteça e prevaleça.
Voltemos ao modelo primitivo apostólico, voltemos a Deus.

O Modelo de Crescimento:

A Palavra de Deus em Atos 9: 31 diz: “A Igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia, e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e no conforto do Espírito Santo, crescia em número.”
Havia paz, edificação e ensino (crescimento qualitativo), temor e evangelização (crescimento quantitativo).
Como conseqüência vinha à Igreja o conforto do Espírito Santo.
Certamente, esta seqüência não esta por acaso nas Escrituras.
São orientações para como a Igreja deve se portar e agir para crescer em todos os aspectos. Vamos então analisar cada um destes aspectos mencionados no versículo acima:

1. A Igreja tinha paz
Havia paz na época para que a Igreja prosseguisse na sua missão de pregar o Evangelho sem ter grandes obstáculos. Não haviam maiores perseguições ou guerras, pois o grande perseguidor da Igreja, Saulo, havia sido confrontado com aquele que perseguia, resultando na sua conversão. Isto trouxe grande alívio para a Igreja primitiva que desfrutou de um período de paz que certamente fora preparado por Deus para a expansão do Evangelho.
Com a saída do cenário de perseguição de Saulo, agora Paulo (que só reapareceria no capítulo 11 de Atos), houve paz.
Trazendo para hoje, chegamos a conclusão que a Igreja evangélica atual no Brasil possui a paz, que temporariamente a Igreja primitiva tinha na época, para realizar a sua missão hoje. Vivemos em um país onde existe a liberdade religiosa, ou seja, podemos cultuar a Deus, nos reunirmos em um local determinado, propagarmos nossas convicções bíblicas a outros, enfim, temos sim paz para sermos cristãos. Temos claro, sofrido preconceitos e perseguições camufladas da mídia e da Igreja católica, mas tudo isso não chega nem perto do tipo de perseguição que a Igreja primitiva sofria e que temporariamente não acontecia na época do versículo citado como base para este tópico.
Se tivermos paz para agirmos o que então nos falta para obtermos os mesmos resultados da Igreja primitiva?
Não sendo arrogante a ponto de afirmar ter a resposta para esclarecer os motivos do porque da Igreja atual não obter os mesmos resultados, contudo não posso me omitir em expor a opinião da Bíblia sobre este aspecto, e faço isso sem medo porque me baseio em ensinos e relatos bíblicos, sendo assim o mais ortodoxo possível.
Os insistentes ensinos do Senhor Jesus Cristo sobre amor e perdão entre irmãos da mesma fé e até para com incrédulos, mostra-nos a necessidade da unidade da Igreja.
Somente como um corpo, a Igreja pode obter os maiores resultados, num menor tempo e sem maiores gastos. Na época do versículo bíblico, mesmo com alguma dúvida quanto a veracidade da conversão de Saulo, agora Paulo, por parte de alguns cristãos, havia de uma forma geral paz na Igreja para resolver assuntos importantes e continuar em enviar obreiros ou missionários a outras partes do mundo da época para propagar e expandir a Igreja salvando vidas por intermédio da pregação clara e objetiva do Evangelho de Cristo.
Lamentavelmente, não aprendemos nada ou muito pouco com os primeiros cristãos.
Hoje, nos preocupamos mais com normas e doutrinas denominacionais do que com a missão da Igreja. Não aproveitamos a paz que Deus nos concede no país que vivemos e gastamos nosso tempo e dinheiro com rixas, conflitos e discussões que não salvam ninguém.
Muitos se orgulham de pertencerem a uma determinada denominação e outros desprezam outras denominações. Alguns se orgulham de serem humildes, outros se orgulham de serem orgulhosos. Adotam regras para aceitação e iniciação de novos membros como se isto fosse importante e vital. Alguns colecionam diplomas, outros se sentem felizes por não tê-los e criticam os que têm. Formulam estatutos, constituições, normas, normas, normas, normas...
Perdem tempo precioso se reunindo para decidirem sobre assuntos periféricos, secundários ou muitas vezes se reúnem para não decidirem nada, apenas para desfilar com seus títulos, cargos e funções denominacionais. Muitos usam o púlpito, salas de EBD ou salas de seminários para criticar e ser maledicente com outras denominações evangélicas que comprovadamente são genuínas e apenas discordam de pontos que não são fundamentais para o Cristianismo.
Quanta perda de tempo e dinheiro! Quanta falta de sabedoria! Quanta falta de conhecimento e discernimento bíblicos!

Vale esclarecer que não estou aqui a defender o ecumenismo de forma alguma.

Não é isso que estou a afirmar. Não concordo com esta onda que surgiu de uns anos para cá levando várias religiões a terem um relacionamento próximo causando um sentimento de que não importa a religião, basta crer em Deus.
Isto é absurdo porque o único Deus verdadeiro é o Deus da Bíblia não o do alcorão, do budismo, do catolicismo, do espiritismo ou outra religião que não seja o cristianismo evangélico ortodoxo.
Em 2 Coríntios 6: 14-18 está escrito: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos: porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade ? Ou que comunhão, da luz com as trevas ? Que harmonia entre Cristo e o maligno ? Ou que união, do crente com o incrédulo ? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos ? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles: serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso”.
Defendo sim a unidade do povo de Deus.
Mesmo existindo várias denominações evangélicas não podemos ser divididos por elas. Visivelmente podemos fazer parte de Igrejas evangélicas diversas, porém espiritualmente somos membros da mesma Igreja, somos irmãos em Cristo e filhos de Deus.
O orgulho denominacional é uma desgraça para a Igreja evangélica atual. Toda forma de orgulho e soberba é inconseqüente e pior, é pecado.
Perdemos tempo com brigas e ataques entre nós mesmos, com discussões teológicas sem fim e não seguimos a orientação e ordem de Cristo para a Igreja. O apóstolo Paulo ensina sobre este assunto em 2 Timóteo 2: 16, 23-26 e também em 1 Timóteo 6: 3-5.
 Não crescemos conforme o modelo bíblico da Igreja primitiva apostólica, mas sim conforme o resultado de nossas idéias e concepções extra-bíblicas.
Faço um apelo a Igreja evangélica atual: paremos de nos atacar e ataquemos o inimigo de nossas almas, o diabo. Enquanto estamos brigando, vidas estão sendo enganadas e poucos estão sendo usados por Deus para levar a estes o verdadeiro Evangelho. A seara é grande e poucos os ceifeiros. Esta verdade bíblica devia nos fazer mais comprometidos com a missão que temos a cada dia. Devia nos despertar para nossa responsabilidade e privilégio. Claro que todos os salvos serão salvos, Cristo disse que se não falássemos, as pedras falariam. O que acontece é que perdemos o privilégio de sermos usados em tão grande obra. Devemos ser encontrados fiéis na volta de Cristo.
Vamos aproveitar cada momento de paz e liberdade que temos para pregar o Evangelho e então sermos vasos de honra utilizados para a salvação dos perdidos.
Por amor a Jesus, obedeçamos a grande comissão!

2. Havia edificação e Temor a Deus
Estes dois aspectos da Igreja primitiva apostólica citados no versículo tiveram como conseqüência o crescimento da Igreja e  também deve servir de base de orientação sobre como agir para termos os mesmos resultados hoje. 
Falando um pouco sobre esta edificação, nota-se claramente que cada crente tinha uma preocupação com o outro, buscando abençoar e ajudar o(a) irmão(a) em todas as áreas da vida.
A própria palavra ou verbo “edificar” já diz tudo sobre o que acontecia.
Edificando ou construindo, os primeiros cristãos iam crescendo em maturidade e intimidade com Deus e o princípio de comunidade e solidariedade cada vez mais predominava entre eles.
A edificação visa sempre construir, aprimorar, restaurar e fortalecer a Igreja.
Nesta linha de trabalho do Espírito Santo através de e em cada cristão, a Igreja vai crescendo a cada dia em graça e conhecimento de Cristo. Desta forma, entendemos que este processo passa por várias fases desde a conversão até a maior maturidade possível. Entre estes dois pontos, o cristão é ensinado, alimentado pela Palavra de Deus, descobrindo e sendo-lhe revelada a vontade de Deus para sua vida em particular e para a Igreja em geral. Entendemos então pelo relato destas características da Igreja primitiva que, o cristão deve ter como objetivo crescer espiritualmente e levar seus irmãos também a esse crescimento.
O plano de Deus é que todo cristão cresça e ensine a outros também a crescer. Maduros e preparados então poderão fazer a obra da evangelização e pregar o Evangelho de tal forma que não tenham dúvidas ou impedimentos sobre o que estão falando. O apóstolo Paulo diz que assim responderemos a qualquer pessoa a razão de nossa fé
A base para esta edificação era o próprio Cristo. Fundamentados em Cristo, construíam uma Igreja que cresceu rapidamente no poder do Espírito.
Isso nos leva a refletir sobre o que hoje se entende sobre edificação.
Será que estamos nos edificando em Cristo, em amor, será ?
O retorno ao exemplo da Igreja primitiva deve ser nosso objetivo, pois mesmo com erros, eles buscavam a edificação verdadeira que não se consegue através de organizações, mas sim, quando se está ligado a Cristo na comunhão do Espírito.
É assim que o organismo “Igreja” se edifica mutuamente. As prioridades expostas e ensinadas nas Escrituras nos dão o caminho a seguir para obter esta edificação, são elas: conversão genuína, vida de oração, vida de leitura e estudo da Bíblia individualmente e também sistematicamente na Igreja buscando conhecer mais a Deus e ter um relacionamento de intimidade com Ele, descobrimento dos dons espirituais e de seu uso apropriado no corpo de Cristo buscando sempre se aperfeiçoar, visando a Glória de Deus e por fim tudo isso feito com amor e por amor a Deus, aos irmãos que fazem parte da Igreja e aos perdidos que caminham para o inferno, buscando alcançá-los para Cristo.
Um texto que particularmente me chama muito a atenção sobre este assunto é o de Efésios 4: 7-16.
Vemos neste texto qual é a obra que o Espírito Santo quer realizar na Igreja e através da Igreja. O ministério e a edificação dos santos são maravilhosos quando se segue a orientação bíblica.
Temos tudo para fazer certo!

O outro aspecto neste tópico citado no versículo é o temor a Deus.
Alguns entendem e até ensinam que o temor a Deus revelado nas Escrituras significa “ter medo de Deus” e esse medo então leva as pessoas a serví-lo.
O que os leva a pensar assim é a origem etimológica da palavra na língua grega. Mas qualquer estudioso da Bíblia sabe que somente a ferramenta etimológica para interpretação de um texto bíblico não é aconselhável, pois a probabilidade de erro é imensa devido ao campo semântico muito abrangente em seus vários sentidos.
Devem-se utilizar os princípios de hermenêutica e exegese para então ter a certeza do sentido do termo na passagem bíblica. Com absoluta certeza, o sentido de “temor a Deus” nas Escrituras não é de servir a Deus apavorado com o que Ele poderá fazer conosco ou com outros, pois a Bíblia não ensina isso, veja o que João diz em I João 4: 16-18. O apóstolo é enfático em dizer que “aquele que teme não é aperfeiçoado no amor”. Servimos a Deus porque o amamos e não porque estamos apavorados com Ele.
O sentido correto para “temor a Deus” é de uma profunda reverência por Deus, um profundo respeito que leva-nos em tudo que fazemos, pensamos e falamos buscar agradá-lo fazendo Sua vontade.
 O temor a Deus então levava os primeiros cristãos a terem uma vida que honrasse o nome de Cristo em todos os aspectos. Erravam sim, pecavam sim, mas buscavam a perfeição.
Com o passar dos séculos, nós os cristãos deixamos de nos preocupar em agradar a Deus com nossas atitudes e intenções, não pensamos muitas vezes qual seria a opinião de Deus sobre determinado assunto ou decisão que temos que tomar e recorremos a Deus apenas quando as coisas não dão certo.
O temor a Deus muitas vezes não pauta nossas vidas e procuramos não tocar em áreas de nossa vida que sabemos que estão fora da vontade de Deus, fingindo que está tudo bem.
Temos que deixar de ter certas atitudes por “temor a Deus” e temos que ter certas atitudes por “temor a Deus”. Homens e mulheres tementes a Deus, esta deve ser a realidade da Igreja evangélica atual. Pessoas que tenham coragem para renunciar a valores e atitudes mundanas e se portarem como cristãos verdadeiros, nascidos do Espírito e que vivem no espírito.
Devemos respeito e reverência total ao nosso Deus, só Ele é digno de toda honra, glória e louvor!

3. Havia o conforto do Espírito Santo
Depois dos aspectos já vistos que antecediam o crescimento só poderia haver este conforto, porque Deus ama seu povo e uma das funções do Espírito Santo na vida do crente é confortá-lo.
Sabemos e não somos ingênuos por pensar que não havia problemas na Igreja primitiva.
Todos têm problemas, Cristo disse que teríamos aflições, porém quando estamos no centro da vontade de Deus, existe o conforto, o alívio, o consolo do Espírito que nos dá novo ânimo, renova nossas forças para continuarmos nossa caminhada. Isso acontecia com os primeiros cristãos e isso proporcionava à Igreja novo alento para realizar, como comissionados de Deus, sua missão.
Aprendemos com este relato que quando estamos servindo a Deus da forma e na hora correta, Ele nos ajuda, capacita e conforta para executarmos nosso serviço cristão. Temos que buscar em Deus a orientação para então realizarmos a obra que é dEle. Sem esta orientação faltará a parte atuante de Deus e ficaremos insatisfeitos, estressados e sobrecarregados de atividades que não era para realizarmos ou não era o momento correto para realizá-las.
A falta de conforto de Deus em ocasiões em nossa vida pode ser de certa forma um sinal de que não estamos agradando-O com o que estamos fazendo, temos que ter a sensibilidade e discernimento espiritual para ouvir a voz do Espírito em nosso coração e então obedecê-la sem pestanejar.
Aí haverá conforto.

4. E finalmente vem a conseqüência de tudo isso, a Igreja crescia.
Deus preparou o ambiente, a Igreja aproveitou o ambiente edificando-se e temendo a Deus. Deus confortou Sua Igreja, pois faziam Sua vontade. Vidas então iam sendo salvas pela atuação do Espírito Santo em cada cristão e através de cada cristão na obra evangelizadora.
A Igreja crescia! Aleluia!
Este é o processo para uma Igreja crescer dentro da vontade do Senhor da Igreja, esta tudo escrito e só lermos e buscarmos fazer como e quando Ele quer. Deus é “Emanuel”, ou seja, “Deus Conosco”. Quando fazemos como Nos ensinou nada pode parar a Igreja do Senhor.
Para que temos que inventar novos meios para crescermos, porque não ouvimos a voz de Deus e seguimos sua orientação?
Todos estes aspectos que levaram a Igreja primitiva e apostólica crescer numericamente e qualitativamente são atuais e aplicáveis ao nosso contexto. Temos um ambiente propício a pregação das boas-novas, temos na Bíblia toda orientação para edificação e postura para sermos crentes tementes a Deus com vidas piedosas e temos a promessa de Deus que afirma que nos ajudará, capacitará, fortalecerá e nos confortará durante todo este processo.
O que estamos esperando para marcharmos? O que nos falta para impactarmos o mundo de hoje com a mensagem do Evangelho?
Finalizo afirmando que somente quando retornarmos ao modelo bíblico de Igreja, nossos resultados serão satisfatórios aos olhos de Deus. Enquanto continuarmos a planejar fora do plano de Deus, a inovar o que não é para inovar, priorizar o que não é para priorizar, buscarmos agradar as pessoas que freqüentam nossos templos ao contrário de agradar ao Deus da Igreja, lamentavelmente teremos crentes imaturos e Igrejas cheias de pessoas muitas vezes “vazias” de Deus.
Àquelas Igrejas que continuam buscando seguir a vontade de Deus revelada nas Escrituras peço a Deus que continue a confortá-los e usá-los de exemplo as outras para que assim possam retornar às Escrituras e todos juntos agradar ao Criador e Sustentador de todo o universo.

Ao Senhor da Igreja, suplico que perdoe nossos pecados e nos ilumine para podermos entender Sua vontade revelada e obrigado por ter tanta paciência conosco. Somente o Senhor é capaz de tamanha misericórdia e bondade. Conduza-nos pelo teu infinito amor e justiça, ao Teu plano já estabelecido e usa-nos conforme Teus propósitos.
Amém.

Pr. Magdiel G Anselmo

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