segunda-feira, 21 de maio de 2012

Uma Reflexão sobre as Ordenanças da Igreja

Quando passamos a refletir honestamente sobre assuntos e temas da igreja, algumas surpresas encontramos pelo caminho.
Algumas vezes, percebemos que durante anos apenas copiamos ou imitamos outros, e nunca analisamos se aquele comportamento ou regra era sensata e bíblica.
A reflexão sadia leva-nos ao terreno da veracidade e da honestidade, desmascarando os interesses pessoais e organizacionais que muitas vezes escondem suas reais intenções. Algumas intenções são boas e compreensíveis, outras nem tanto.
Venha comigo nessa reflexão sobre as ordenanças. Não tenho a intenção de esgotar o assunto, mas sim de fazer você também refletir longe das luzes ofuscantes das imposições humanas que por vezes nos cegam para ver as coisas de Deus.

As ordenanças da Igreja: o Batismo e a Ceia do Senhor.

São chamadas “ordenanças” porque foram ordenadas por Cristo para serem observadas pela Igreja. Algumas vezes são chamadas “sacramentos”. Nenhum destes termos é achado no NT. São palavras adotadas por conveniências, para designar o batismo e a Ceia do Senhor.
O termo “sacramento”, porém indica haver algum benefício salvador participando dele, mas não há base para isso no NT.
É aconselhável então utilizar o termo “ordenança” já que indica autoridade e que sua observância é exigida como ato de obediência. Esta é a idéia e a palavra que a maioria dos evangélicos aceitam e usam, e a meu ver é a que mais se identifica com as Escrituras.

O Batismo
O termo “batismo” é uma transliteração do substantivo grego “baptisma”, o verbo é baptizo, que significa “imergir” ou “submergir”. Além da prática do batismo, esses termos são usados no NT para descrever cerimônias de purificação com água.
Também são usados metaforicamente de várias maneiras.
Os cristãos, nos seus primeiros dias, não eram os únicos a praticar o batismo. Na verdade, na época do NT vários grupos distintos usavam alguma forma de batismo em seus rituais religiosos para obter a remoção da culpa, a purificação moral e um novo começo ou nascimento.



Mas, qual o sentido ou significado do batismo para o Cristianismo?
Posso responder afirmando que: O batismo é o ato por meio do qual o crente publicamente simboliza a sua confissão de Cristo e se identifica com Sua Igreja. É uma ordenança confiada à guarda da Igreja e a ser administrada por sua autoridade, por isso deve ser ministrada por uma pessoa crente, também batizada e autorizada pela Igreja.
O batismo é, portanto, uma proclamação poderosa da verdade do que Cristo fez; é uma “palavra em forma de água”, confirmando a participação do crente na morte e ressurreição de Cristo. É mais um símbolo que um mero sinal, pois é um quadro vivo da verdade que transmite. Não há relação entre o sinal e o que ele representa. É apenas um sinal, por exemplo, como um sinal verde que nos manda seguir, em vez de parar. Já um sinal de cruzamento com uma ferrovia é mais que um sinal, pois contém um desenho do que pretende indicar, o cruzamento de uma estrada com um trilho ferroviário. O batismo é um símbolo, não um simples sinal, pois de fato retrata a morte e a ressurreição do crente com Cristo.

Formas ou Modos do Batismo
Não é possível resolver a questão do modo adequado tomando por base os dados lingüísticos.
Devemos notar, porém, que o significado predominante da palavra grega é “mergulhar” ou “imergir na água”.
Mesmo Martinho Lutero e João Calvino reconhecem que imersão é o significado básico do termo e que essa era a forma original do batismo praticado pela Igreja primitiva.
Há algumas considerações que sustentam a idéia de que a imersão era o procedimento bíblico, por exemplo: João batizava em Enom “porque havia ali muitas águas”. Também quando o eunuco etíope disse a Filipe: “Eis aqui água, que impede que seja batizado?”. Então os dois desceram até a água, Filipe o batizou e ambos saíram da água.
Há pouca dúvida de que o procedimento seguido nos tempos do NT era a imersão.
Mas isso significa que precisamos praticar a imersão hoje? Ou há outras possibilidades como a aspersão como alguns defendem?
As pessoas para quem o método não parece crucial sustentam que não há ligação essencial entre o significado do batismo e a maneira pelo qual é ministrado. Penso que devemos ser radicais quanto ao significado (e isso as Escrituras nos revelam muito claramente) e quanto a forma ou maneira devemos ser equilibrados e prudentes pois não há no texto bíblico dados suficientes para "batermos o martelo" em prol dessa ou daquela maneira. Penso que as formas apresentadas na Igreja, aspersão e imersão, encontram base bíblica para suas argumentações e uso. Por isso, não devem ser motivo de desavenças, divisões ou contendas. 

O que importa realmente é que o batismo no NT tem um simbolismo rico e um propósito vital. Era o primeiro ato público do crente e o identificava com a morte salvadora de Cristo, com os salvos e com a missão de salvação.
Esses são os objetivos e propósitos a serem cumpridos, propagados e defendidos por toda a irmandade cristã. Os outros detalhes, relevemos pois não são cruciais.
Agora, quando penso que existem “novos-convertidos” que não querem ser batizados, imagino que:  ou não foram esclarecidos e ensinados biblicamente sobre o assunto ou não são na realidade convertidos e sim apenas novos na Igreja. Um crente que não quer ser batizado é como um namorado que não quer casar. Ou este namorado está enganando a namorada ou não a ama como afirma.
Como vimos anteriormente no caso de Filipe e o eunuco não houve preparação para o batismo. O batismo é o primeiro passo, biblicamente falando, de todo aquele que entregou a vida para o Senhor e o reconheceu como único e suficiente Salvador.
Não é necessário preparação exaustiva para o batismo, apenas se ensina o significado bíblico e sua necessidade ao novo membro do corpo de Cristo.
Muitas vezes, vemos Igrejas com cursos imensos de preparação para batismo assim como uma investigação quase que policial da vida particular e pessoal do novo convertido para descobrir se há algo que o desabone para o batismo.
Ora, isso nada mais é do que um profundo desconhecimento de Bíblia e conseqüentemente ignorância quanto aos aspectos da doutrina da salvação. Quem foi salvo por Cristo não pode ser desabonado por homem algum, muito menos impedido de ser batizado. A regeneração e a Justificação são instantâneas, já a Santificação é um processo gradativo e distinto de pessoa para pessoa. O novo-convertido vai aprender com os ensinos ministrados pela Igreja assim como em sua vida devocional de leitura e estudo da Bíblia. Conforme for caminhando em sua vida cristã o Espírito Santo vai lhe iluminando para entender o certo e o errado, e na maioria das vezes só começamos a entender depois de muito tempo, às vezes demoramos uma vida toda para começarmos a compreender.
Se formos batizar somente depois de acontecer tudo isto, não haverá mais batismos em nossas Igrejas por muitos e muitos anos ou seremos injustos como muita gente salva.
Deixemos a tendência de normatizar tudo a nosso bel prazer de lado e cumpramos o que a Bíblia nos ordena, sem inventarmos.
Ouviu a pregação do Evangelho de Cristo, foi convencido pelo Espírito Santo, fez uma entrega de vida a Cristo e o reconheceu como único e suficiente Salvador? Ensina-se o que é batismo e batiza-se. Ponto final.
Não há ninguém que possa descobrir com certeza se alguém é salvo ou não. Façamos a nossa parte e deixemos quem é soberano e sabe todas as coisas julgar e realizar, Deus.

A Ceia do Senhor
Enquanto o batismo é o rito de iniciação, a Ceia do Senhor é o rito contínuo da Igreja visível. Ela pode ser definida, em caráter preliminar, como um rito que Cristo mesmo estabeleceu para que a Igreja a praticasse em comemoração à Sua morte.
Todos os que estudam mais profundamente esta ordenança encontram rapidamente um fato curioso. Genericamente todos os ramos do Cristianismo a praticam, mas por outro lado, há muitas interpretações.
Historicamente, criou e continua criando separação entre vários grupos cristãos. Portanto, é um fator que, ao mesmo tempo, une e divide a cristandade.
Muitas vezes, o aspecto do valor espiritual ou prático da Ceia do Senhor perdeu-se na disputa sobre aspectos teóricos.
Concordo que a questão teórica não deve ser descartada, pois elas afetam as considerações espirituais mas, se ficarmos atolados nas questões técnicas e não chegarmos a lidar com o significado prático, perderemos de vista todo o motivo pelo qual Cristo estabeleceu a Ceia. Não é suficiente compreender seu significado, precisamos também vivenciar esse significado.
E para compreender e vivenciar é necessário ter em mente o verdadeiro significado da Ceia do Senhor e não desvirtuar a idéia original de Cristo.
Há algumas concepções distintas para a Ceia, veja a seguir:

1. A Concepção Católica Romana
Esta concepção foi oficializada no Concílio de Trento (1543-63) e afirma que as substâncias do pão e do vinho quando consagradas pelo sacerdote transformam-se respectivamente na carne e sangue de Cristo. O pão e o vinho mantém a forma, a textura e o sabor, mas Cristo está por inteiro e plenamente presente em cada uma das partículas da hóstia. Todos os que participam da Ceia do Senhor, ou da santa eucaristia, como é denominada, ingerem literalmente o corpo físico e o sangue de Cristo. É a denominada doutrina da transubstanciação.

2. A Concepção Luterana
Esta concepção afirma que o pão e o vinho não transformam-se na carne e sangue de Cristo mas, a carne e o sangue de Cristo estão presente neles simultaneamente sem contudo transformá-los. É a doutrina da consubstanciação.

3. A Concepção Reformada ou Calvinista
Esta concepção afirma que Cristo esta presente na Ceia do Senhor, porém não fisicamente. A sua presença é espiritual. Os que estão comungando na Ceia são espiritualmente nutridos quando o Espírito Santo lhes dá uma relação mais estreita com a pessoa de Cristo. É a doutrina da presença mística de Cristo.

4. A Concepção Zwingliana
Esta última concepção afirma que a Ceia do Senhor é apenas uma comemoração.  É apenas um memorial, ou seja, serve apenas para o crente relembrar a morte de Cristo e sua eficácia em seu favor. É a doutrina chamada de símbolo de Cristo.

A Opinião do autor
Para expor minha opinião sobre o assunto preciso primeiro fazer algumas considerações sobre as concepções existentes e abordadas anteriormente.
A concepção católica romana bem como a luterana encontram muitas dificuldades para se sustentar quando há uma confrontação com a Bíblia. Os que defendem estas concepções alegam que quando Cristo dizia “isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue” estava falando literalmente. Mas, sabemos que Cristo usava muitas metáforas para explicar aos discípulos verdades desconhecidas a eles. Podemos ver isso quando afirmava: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida...” , Eu sou a videira, vós os ramos...”, “Eu sou o bom pastor...”, “Eu sou o pão da vida...” e assim por diante.
Na última Ceia Ele usou uma metáfora semelhante: “Isto (este pão) é o meu corpo”, “Isto (este vinho) é o meu sangue”, que pode ser interpretado como: “Isto representa ou significa o meu corpo” e “Isto representa ou significa o meu sangue”. Esta explicação nos poupa de muitas dificuldades que encontraremos se acreditarmos que Cristo esta presente fisicamente nos elementos da Ceia e ainda não penso que a presença de Cristo literalmente nos elementos da Ceia esteja coerente e fiel aos textos bíblicos mencionados e aos demais acerca de tal ordenança.
Mas o que dizer da idéia reformada de que Cristo está presente espiritualmente?
Ela se firma ao lembrarmos que Cristo disse aos discípulos que estaria com eles em todos os lugares e em todos os tempos. E também prometeu estar conosco quando nos reuníssemos como crentes. Tem fundamento bíblico.
Aprendemos, portanto, que a Ceia também é um ato de adoração.
Mas, sabemos que a Bíblia não se interpreta por um ou dois versículos isolados do restante, e sabedores disso devemos levar em consideração que no texto de 1 Cor. 11:26  a idéia é de uma comemoração pois diz :“até que Ele venha”. De forma lógica, se Ele virá é porque não esta aqui. Mas, a lógica filosófica pode ser aplicada a Bíblia?
Diante disso tudo devemos manter uma posição de equilíbrio e entender a Ceia do Senhor como um rito da Igreja que tem como objetivo nos lembrar do sacrifício de Cristo na cruz por cada um de nós, crentes, e que Ele voltará para nos levar consigo um dia. Esses são os objetivos e propósitos básicos e essenciais da Ceia.
O pão e o vinho são símbolos do corpo e sangue de Cristo que por sua vez simbolizam o sacrifício expiatório pelos nossos pecados. E relembrando disto, O adoremos e O louvemos por tão grande amor e infinita misericórdia.  Quem está conosco e habitando-nos é o Santo Espírito, o Consolador que foi enviado para estar conosco quando Jesus Cristo ascendeu aos céus e se posicionou a direita de Deus Pai.
A Ceia do Senhor é um momento de relacionamento e comunhão com Cristo. Devemos chegar a cada Ceia que participarmos confiando que ali vamos nos encontrar com Ele através do Espírito Santo.
Devemos pensar não como uma presença de Cristo espiritualmente(não que eu exclua totalmente a possibilidade de tal concepção ou pensamento), mas como uma promessa de relacionamento mais íntimo com Ele. Sabemos que estando o Espírito conosco, Deus está conosco.
Vemos então na Ceia do Senhor a inter-relação dramatizada entre as relações humanas e o relacionamento com Deus, ou seja, a essência da experiência está na comunhão e na adoração, na refeição comunitária e, ao mesmo tempo, na recordação da morte do Senhor Jesus Cristo em nosso favor, bem como da promessa de Sua volta.
É um sermão pregado pela Igreja em silêncio.

Quem pode participar da Ceia do Senhor?
Em nenhuma parte das Escrituras encontramos uma declaração de vários pré-requisitos para que se receba a Ceia do Senhor.
Podemos, todavia por inferência, afirmar que se a Ceia do Senhor significa um relacionamento espiritual entre o crente como indivíduo e o Senhor, o único pré-requisito é um relacionamento pessoal com Deus. Em outras palavras, os que participam devem ser crentes nascidos de novo.
É recomendável que um crente que esteja praticando um pecado não participe da Ceia, porém a proibição por parte da Igreja encontra sérias dificuldades nas orientações neo-testamentárias, mesmo tendo como forte justificativa o conselho de Paulo para afastar pessoas com graves pecados (1 Cor. 5: 1-5).
Creio que a melhor saída para este impasse é o ensinamento bíblico dado aos irmãos coríntios: “examine-se, pois o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” ( 1 Cor. 11: 28).
A maioria das Igrejas evangélicas usa outro pré-requisito para alguém participar da Ceia do Senhor que é o batismo.
Todavia, não encontramos na Bíblia nenhuma orientação quanto a isso. Entendo que esta é uma tentativa (inútil em minha opinião) de selecionar aqueles que verdadeiramente foram salvos por Cristo.
Mas, como já disse anteriormente, não sabemos e nunca saberemos quem é salvo mesmo e quem não o é. Se a Bíblia não nos orienta a tomar tal medida na Igreja, com certeza, Deus não esqueceu este detalhe.
Se ensinamos o plano da salvação, as boas novas de salvação corretamente às pessoas, não podemos e não devemos proibir alguém que afirma ter sido salvo de participar da mesa de seu Salvador, seja ele quem for. Não temos o direito e muito menos autoridade para isso. Essa questão pertence a pessoa e Deus e mais ninguém. Não é atribuição do pastor, da igreja ou de quem quer que seja. É, repito, da pessoa e Deus.
A Ceia é do Senhor, não da Igreja do Senhor. A Ceia é para os salvos, não dos salvos.
Devido à mania ou o zelo excessivo da Igreja em impor normas e proibir algo que Deus não impôs e nem proibiu, encontramos várias posições diferentes na Igreja evangélica quanto a ministração da Ceia do Senhor, veja a seguir:

1. A Ceia do Senhor Ecumênica:
É um tipo de Ceia aberta a todas as religiões existentes. Utilizada por algumas Igrejas evangélicas neo-pentecostais.

2. A Ceia do Senhor Livre:
É um tipo de Ceia aberta a todas as denominações evangélicas. Utilizada pela maioria das Igrejas evangélicas pentecostais e tradicionais. Há a exigência do batismo.

3. A Ceia do Senhor Restrita:
É um tipo de Ceia restrita aos membros da mesma denominação. Utilizada por algumas Igrejas evangélicas pentecostais e tradicionais. Há a exigência do batismo.

4. Ceia do Senhor Ultra-Restrita:
É um tipo de Ceia restrito aos membros somente daquela congregação. Utilizada na maioria por grupos evangélicos minoritários e seitas “pseudo-evangélicas”.

5. Ceia do Senhor Soteriológica:
É um tipo de Ceia aberta a todos os salvos, a critério dos participantes. Não há a exigência do batismo nas águas.

Quem pode ou deve ministrar a Ceia do Senhor?
Extraindo da Bíblia a resposta, podemos chegar à conclusão que a ministração da Ceia do Senhor foi uma tarefa delegada à Igreja e, portanto ela deve fazê-lo através de seus líderes e oficiais ou a quem eles ou a Igreja designar.
Mas, também não há nenhuma orientação contra um crente salvo por Cristo ministrando a Ceia do Senhor.
A Igreja sendo um organismo e uma organização tem a sua forma usual de realizar a ministração, mas todas as vezes que se faz menção de Ceia do Senhor na Bíblia, ela está sendo ministrada por um apóstolo ou presbítero (pastor, bispo) e pelo próprio Senhor Jesus Cristo, daí a Ceia hoje ser ministrada somente pelos líderes e oficiais da Igreja.
Mas, repito, não existe nenhuma orientação biblicamente falando sobre quem deve ministrar a Ceia. Aqui, o bom senso deve guiar as decisões e penso que crentes mais experientes e maduros devem receber essa missão. Geralmente, são características dos líderes ( se bem que não de todos).

Concluindo...
Com isso, podemos entender que as ordenanças da Igreja são fundamentais para sua vida. Elas tem seus objetivos e propósitos.
Entretanto, a orientação bíblica muitas vezes é deixada de lado, em prol de um conjunto de regras que tem como pretexto a organização de um grupo ou instituição.
Mas mesmo nesses casos, a verdade bíblica sobre elas deve ser ensinada, as regras organizacionais impostas devem ter seus motivos bem esclarecidos e nunca os objetivos básicos e essenciais das ordenanças devem ser mudados mesmo que haja ali boas intenções.
Lembremos sempre que boas intenções não são sinais de correção.

Deus nos abençoe,
Pr. Magdiel G Anselmo.
 

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