terça-feira, 29 de maio de 2012

O erro do Pragmatismo aplicado a Igreja Cristã

A definição de pragmatismo segundo o dicionário teológico é a seguinte: “É uma filosofia que tem como base a utilidade imediata, ou seja, a verdade é medida pelos efeitos práticos que produz”. 
Colocando em uma forma mais simples de compreender, a filosofia do pragmatismo se resume em chegar-se ao objetivo não importando que formas e métodos tenham que ser usados, o que importa é o fim não os meios. O que importa é se "dá certo", "se funciona", sem a preocupação com critérios ou fundamentos.
Olhando para esta filosofia superficialmente pode-se até ser convencido.
Mas ao analisar com um pouco mais de profundidade vai se chegar a conclusão que esta filosofia não se sustenta pela revelação bíblica, experiência ou história cristã. O que é útil hoje pode não ser amanhã.
Nem sempre o que dá resultados mais rápidos é o mais correto, principalmente quando se trata de coisas espirituais.
Aplicando esta filosofia no trabalho cristão, muitas igrejas ou comunidades cristãs começaram a utilizar meios muitas vezes duvidosos para se alcançar os fins que estão determinados para a Igreja alcançar nas Escrituras.
Essa filosofia não é muito nova, já em 1955, A. W. Tozer denunciava esta atitude da Igreja evangélica afirmando que,

durante séculos a Igreja manteve-se firme contra toda forma de entretenimento humano, reconhecendo-o como um dispositivo para perder tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um plano para desviar a atenção da prestação de contas quanto a moral. Ultimamente entretanto, ela se cansou de ser abusada e simplesmente desistiu da luta. Parece ter firmado a posição de que, se não pode vencer o deus do entretenimento, o que melhor pode fazer é unir suas forças às dele e aproveitar o máximo de seus poderes. Por isso, contemplamos hoje o assombroso espetáculo de milhões de dólares sendo vertidos no negócio nada santo de prover entretenimento mundano aos chamados filhos dos céus. O entretenimento religioso está, em muitos lugares, rapidamente desalojando as sérias coisas de Deus. Muitas Igrejas, em nossos dias, se tornaram nada mais que pobres teatros onde “produtores” de quinta categoria mascateiam suas mercadorias de baixo valor com plena aprovação dos líderes evangélicos, que chegam a citar textos bíblicos para justificar tal delinquência. E é difícil acharmos alguém que ouse levantar sua voz contra isso”.

Veja então que  isso não é novidade para a Igreja evangélica, já fomos atacados por muitas outras filosofias como esta e conseguimos prevalecer até hoje graças a Deus.
O imediatismo, filho do pragmatismo, é um conceito mundano e na Bíblia não vemos em nenhuma parte a preocupação com o tempo, mas sim vê-se claramente a preocupação de se alcançar os objetivos de Deus com santidade e perseverança, mesmo que para isso se tenha passado muitos anos.
Hoje contrariamente a isso, vêmos pessoas neófitas sendo "consagradas" ou "ordenadas" a ministérios na Igreja sem sequer ter obtido experiência de vida cristã, e mais, algumas em pecado consciente. O processo de santificação naquela vida está em seu início e já se submete aquela pessoa a liderar outras, pelo simples fato de serem pessoas da confiança do líder que ali se encontra ou por que há um interesse pessoal, carnal e por vezes até demoníaco por trás dessa atitude.
Outro problema são as novas formas, meios e métodos que surgem a cada dia. Temos que ter discernimento e sabedoria para distinguir o que presta, o que é lícito, o que convém e o que edifica. Temos que advertir, alertar quanto ao erro. Não podemos nos eximir de tal responsabilidade.
A verdade é nossa arma contra o erro, o engano, a mentira e o engodo.
Se nos utilizarmos do exemplo de vida de Moisés, Josué, Abraão, Paulo e tantos outros  personagens  bíblicos veremos que o tempo nunca foi uma preocupação para Deus.
Se olharmos para os profetas: Isaías, Jeremias, Ezequiel, e todos os outros  profetas menores também veremos que a grande maioria deles profetizaram durante anos e anos sem nenhum resultado prático e visível.
O profeta Jeremias é o mais contundente quanto a isso, pois profetizou por mais de quarenta anos sem ninguém dar ouvidos a sua mensagem, pelo contrário seus conterrâneos ameaçaram matá-lo se não parasse de profetizar (Jeremias 11: 19-23), seus próprios amigos conspiraram contra ele (12:6), não foi permitido por Deus que se casasse e  sofreu  solidão agonizante ( 16:2), sua própria família e amigos conspiraram para matá-lo (18:20-23), foi ferido e colocado no tronco (20:1,2) e no final ainda foi considerado um traidor por sua própria nação (37:13,14).
Já no NT, o apóstolo Paulo não tinha um ministério pragmático como muitos defendem hoje, pelo contrário evitou métodos engenhosos e artifícios que conduzissem as pessoas a falsas conversões, através da persuasão carnal. Ele mesmo escreveu:

“Eu, irmãos quando fui ter convosco, anunciando-vos testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e , sim no poder de Deus” (1 Coríntios 2: 1-5). A Igreja em Tessalônica ele lembrou: “Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o Evangelho, assim falamos não para que agrademos a homens, e, sim, a Deus, que prova o nosso coração. A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. Também  jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros.” (1 Tess. 2: 3-6).


Estes textos são mais que esclarecedores sobre este assunto que abordamos, só não entende quem não quer ou não é salvo para poder entender as coisas espirituais.
Será que estes homens tiveram que mudar de método, já que não obtinham resultados imediatos? Será que os métodos usados por eles não eram os corretos ? Será que não tinham “visão” por isso não obtinham  resultados  práticos ?  Será que não tinham suficiente “comunhão e intimidade” com Deus e por isso fracassaram em suas missões?
Se analisarmos as Escrituras Sagradas veremos que estes homens eram pessoas que tinham uma comunhão e intimidade com Deus tão grande que isso os levava a ter uma convicção tremenda do que estavam fazendo e da vontade de Deus.
Eram homens que não buscavam agradar aos homens, mas sim agradar a Deus. Eram homens que ficavam entristecidos sim, por não ver acontecer os resultados que queriam porém, não ousavam mudar o meio pelo qual Deus os orientava a trabalhar. Eram homens que sabiam que mesmo que os resultados não acontecessem  imediatamente, Deus era fiel para fazer acontecer no tempo que Ele determinasse, no tempo certo.
Eram homens que sabiam que a santidade, a vida piedosa e a obediência a Deus eram ítens obrigatórios para seus ministérios e não tinham dificuldade em reconhecer quando erravam e a partir daí, arrependidos, suplicar o perdão de Deus.
Eram homens que criam na soberania e providência de Deus, por isso foram escolhidos e capacitados para estas missões específicas.
Charles Spurgeon a muito anos atrás já advertia a respeito daqueles que “gostariam de unir a Igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças”. Na época foi tido como um alarmista, mas o que diríamos disso hoje.

Será que a “profecia” de Spurgeon não se concretizou de fato ?
Nas Escrituras, nada indica que a Igreja deveria atrair as pessoas a virem a Cristo através de apresentar o Cristianismo como uma opção atrativa.
Quanto ao evangelho, nada é opcional: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12). O Evangelho não tem o objetivo de ser atraente. Ele tem como propósito revelar Cristo e orientar o povo de Deus.
Quero enfatizar que o Evangelho é perturbador, chocante, transformador, confrontador, produz convicção de pecado e é ofensivo ao orgulho humano. Não há como fazer maquiagem no Evangelho bíblico.
Oponho-me frontalmente ao pragmatismo pois dá espaço para os modismos que são formas totalmente indisciplinadas de se  portar e agir, afastando as pessoas das Igrejas verdadeiramente bíblicas e desviando as prioridades bíblicas para a Igreja.
A popularização do Cristianismo como alguns defendem  irresponsavelmente, é sem o menor medo de errar, uma aberração do verdadeiro Cristianismo, que não se distancia do povo, mas que não aceita o comportamento e a filosofia de vida mundana.
O Senhor Jesus Cristo comia em casa de pecadores e publicanos,  porém, não agia e se comportava como eles, Ele tinha seus próprios métodos de agir e não era influenciado pelos métodos dos gentios e pecadores, ao contrário os pecadores vinham até Ele porque tinha algo de diferente, agia diferente, falava diferente, era diferente na essência e na aparência.
Sem dúvida, o pragmatismo não faz parte do pensamento bíblico ortodoxo e conservador. As Escrituras são a nossa regra de fé e prática, não nossas próprias concepções acerca dos acontecimentos e das pessoas. Somos instrumentos usados por Deus, não somos os que tem poder para fazer alguma coisa.
Todo o  poder  pertence a Deus e não podemos de forma alguma pensar que as coisas acontecem porque temos um meio, uma estratégia, uma forma que fará isso acontecer. Quem faz acontecer é Deus, devemos estar disponíveis  para sermos usados conforme Sua soberana  vontade. Os meios já foram nos revelados pelas e nas Escrituras Sagradas.
Há um ditado popular muito usado por todos que diz que “o apressado come  cru”  e se aplicarmos isso também para métodos e meios da Igreja, têm-se também uma conclusão óbvia.
O pragmatismo não é uma filosofia recomendável, principalmente na Igreja de Cristo, pois a Bíblia não nos ensina a agir assim. Esta filosofia para ministérios da Igreja é absurda. Imagine usar esta filosofia no evangelismo ou no aprendizado de crentes. Infelizmente muitos a estão utilizando, fazendo com que muitas pessoas freqüentem as nossas igrejas, porém a maioria sem uma conversão genuína, isso porque os que os trouxeram queriam resultados imediatos e visíveis e não levaram em consideração que quem faz a obra de conversão em uma pessoa não são os métodos ou os meios, mas sim Deus.
Devemos fazer nossa parte pregando e evangelizando, porém os resultados dependem de Deus.
Não queiramos tomar o lugar de Deus.
Lembre-se que há muito tempo alguém quis fazer isso e à partir daí a sua história não foi das melhores, chega a ser trágica inclusive. Quem foi este alguém? Se chama Lúcifer.

Deus nos ajude,

Pr. Magdiel G Anselmo.

2 comentários:

  1. pastor essa postagem é muito instrutiva, pois nos alegramos na presença do SENHOR, lemos a palavra, cremos. o ESPÍRITO SANTO nos convence
    e nos da certeza daquilo que esperamos,embora não podemos antecipar a vontade do SENHOR com emoções e convicção que realizará o nosso plano mesmo orando e jejuando fazendo votos precipitados tenho testemunhado que a vontade de DEUS está acima de tudo .

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  2. jesusmudou, Fico feliz em poder lhe abençoar com esse texto. Grato pelos comentários. Graça e Paz.

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