segunda-feira, 26 de março de 2012

A Noiva e a prostituta

Muitos desejam que a Noiva  fique envergonhada, triste e constrangida.
Mas, ela nada fez para assim estar. Então por que se envergonhar?
Essa Noiva é a Igreja de Cristo formada pelos salvos em Cristo, que tem o próprio Cristo como cabeça e o Espírito como Mestre.
Mas, o que aconteceu para que se chegasse nessa triste realidade onde muitos tentam mostrá-la como alguém triste? Como foi que uma Noiva antes respeitada e procurada por aqueles que buscavam paz e santidade, agora, se tornou motivo de piadas de mal gosto, escárnio e zombaria?


Veja as duas razões básicas que menciono:
1) Porque estão confundindo-a com uma prostituta (falsa noiva).

A prostituta em uma tentativa desesperada, busca se parecer com a Noiva. Tenta usar os mesmos trajes, as mesmas formas de se expressar. Tenta demonstrar espiritualidade e comunhão com Deus. Diz que ama a Cristo e que O segue.
Mas, é um ledo engano. Por baixo de suas vestes bonitas e brilhantes se esconde a sujeira e a imundícia de quem somente deseja satisfazer seus desejos mais pecaminosos.
Quando abre sua boca diz palavras suaves e meigas, porém seu coração está cheio de engano e mentira. Demonstra falsa humildade e amor com a mesma facilidade com que assalta os bens alheios, a pretexto de um sacrifício de fé, que de fé mesmo nada tem.
Ela tenta se mostrar companheira apenas para surrupiar as últimas esperanças de quem já está ferido e prester a sucumbir.
Mas, mesmo assim, muitos não percebem seus ardis e imaginam que ela seja a embaixadora de Deus aqui nessa terra. Não conseguem enxergar suas artimanhas e suas reais intenções: destruição, morte e roubo.
Estão confundindo-a com alguém que não possui valores morais, escrúpulos, ética ou caráter. Estão confundindo-a com uma noiva que não conhece seu noivo, e que apenas finge que o ama.
Isso a entristece e a faz chorar.

2) Porque os que deveriam conhecê-la e discernir o falso do verdadeiro, a atacam.

Os que deveriam conhecê-la, na realidade não a conhecem de verdade, e isso ocorre porque a imensa maioria somente tem conhecimento ou experiência com as prostitutas que se fazem passar pela verdadeira Noiva.
E então a Noiva, pura e imaculada, se entristece com a ausência de sabedoria dos que deveriam conhecê-la e se juntam com a mesma implacabilidade daqueles que nunca a conheceram e talvez nunca a conheçam.

À partir dessas razões expostas, a sensação é de que tudo está perdido.
Não há mais jeito para os cristãos e a mensagem está contaminada e não pode mais ser propagada ou vivida. A Noiva não conseguirá mais seguir seu caminho de pureza e santidade e seu encontro com o Noivo tornou-se uma utopia.
E aliada a essa sensação, o esporte favorito tornou-se "massacrar cristãos", sem diferenciar ou se preocupar com os que servem a Deus e os que se infiltram no arraial para perturbar e transtornar o Evangelho.
Diante desse contexto atual, eu lhe pergunto: Se você não fosse cristão, teria algum respeito pela igreja evangélica? Muitos inclusive nem mais desejam ser chamados de evangélicos. Tentam criar nova nomenclatura e filosofias, mas essa não é uma opção sábia. A fuga nunca valoriza a convicção e os valores defendidos. A coragem de prosseguir na fé evangélica mesmo com todos dizendo o contrário, faz valer a recompensa final.
Concordo que os escândalos tem sido devastadores. Mesmo igrejas (denominações) íntegras estão sendo agora vistas com desconfiança. Atacar o irmão e esmagar a irmã é moda agora..
A questão é que todo mundo se tornou um alvo legítimo.
Talvez a dimensão mais triste seja a de todas as vidas inocentes que cercavam os que caíram e fracassaram tão escandalosamente.
Estou pensando aqui em congregações inteiras que precisam continuar, após descobrirem que seu líder vivia enganosamente em imoralidade e desonestidade. E aqui entendo muitos irmãos que decidem não mais congregar regularmente. Tenho que me dobrar a esse argumento de defesa. Mas, esse não é o remédio correto para esse mal.
Pense também nos membros do corpo docente e nos alunos deixados para trás por um presidente, diretor ou líder de algum campus que trouxe descrédito ao nome de Cristo.
E o que dizer do conjuge e filhos que tem de apanhar os cacos por causa do descuido egoísta de seu marido e pai que roubou e usou inapropriadamente os recursos da igreja a seu bel prazer? E não se esqueçam dos companheiros de equipe, dos obreiros, cujo futuro agora é incerto, porque seu líder vivia uma mentira.
O fato é que devemos estar vivendo os últimos dias. E claro que estamos! Mas isso não significa que não faremos nada além de cruzar os braços e aguentar de cara feia os golpes, ou simplesmente desistir de congregar. De jeito nenhum!
Por que digo isso? Porque é fácil focalizarmos apenas e somente o óbvio, ou seja, a maldade patente, e esquecer dos poucos fatos que contrabalançarão a sensação de estarmos sucumbindo.
Pelo menos três deles me vêm a mente:

a) As Escrituras predizem e nos advertem sobre esses tempos.
Duvido que alguém nos dias de Spurgeon ou da geração de Moody tivesse descrito o problema da invasão do adúltério e do divórcio na igreja ou a promiscuidade sexual entre os cristãos como sendo "epidêmicos". Mas isso descreve os nossos dias, sem dúvida alguma.
Houve pessoas no ministério pastoral que caíram em seus dias, mas os números não foram nada comparados aos que temos hoje. Ademais, os escândalos não eram tão prevalecentes na igreja como são hoje.
Claramente, como predizem as Escrituras, o erro está em elevação, e irá crescendo a um grau maior quanto mais perto chegarmos da volta de Cristo. Precisamos atentar para esse fato predito na Bíblia.

b) A Porcentagem real daqueles que caem no ministério pastoral é bem pequena.
Você pode até pensar que estou louco em afirmar isso. Mas, será bom nos lembrarmos que para cada pessoa cujo fracasso moral aparece nos noticiários e manchetes, há milhares de outros que permanecem mensageiros fiéis de Cristo, diligentes e puros.
A vasta maioria daqueles que prometeram anos atrás servir ao Senhor e seguir a verdade ainda o está fazendo hoje.
Uma perspectiva realista manterá equilibrados em nosso modo de pensar e otimistas em nossa visão. Quando começarmos a acreditar que estamos totalmente sozinhos na batalha, o adversário se aproveita de nós.
Costumo chamar essa visão de "sindrome de Elias". Lembra-se quando o profeta caiu em depressão, fugiu e orou para que Deus lhe tirasse a vida. Sem hesitação, Deus interrompeu essa festa de autocomiseração e informou que ainda havia outros sete mil, como Elias, que não se haviam dobrado diante de baal. Isso fez algo pelo profeta solitário, exausto, ao perceber que a porcentagem dos infiéis no ministério era de fato de pouca monta.
Ajudar-nos-á manter isso em mente quando alguns dos nossos heróis no ministério fracassarem e caírem.
Alguns podem ser culpados de pecados crassos, mas a maioria não chegou nem perto de dobrar os joelhos diante de baal.
Lembre-se disso enquanto continua em frente.

c) A imperfeição humana inclui ministros
Quando Deus chama indivíduos para a sua vinha, chama pessoas pecaminosas.
Nem mesmo um deles pode reivindicar a perfeição.
Cada um é inadequado em si mesmo, fraco e instável por natureza.
Você questiona isso?
Uma breve recapitulação de personagens bíblicos ajudará:
Pedro, o porta-voz dos doze, abertamente e sem hesitação negou seu Senhor apenas horas após prometer que permanceria fiel mesmo que todos os outros se fossem.
João Marcos desertou Paulo e Barnabé em sua primeira viagem missionária, numa hora crucial em que eles precisavam de toda ajuda que pudessem conseguir.
Demas, "amando o presente século", abandonou Paulo e fugiu para Tessalônica.
Diótrefes, um dos primeiros líderes da igreja, tornou-se chefe da igreja auto-nomeado.

A lista seria incompleta se limitássemos apenas a personagens do NT:

Jonas, profeta amuado, após finalmente ter pregado em Nínive, demonstrou preconceito, ira e egoísmo.
Geazi, servo de Elizeu, era materialista e cobiçoso.
O rei Davi, adulterou, assassinou e agiu com hipocrisia no caso de Bate-seba.
Isaías, confessou ser um hoimem de ímpuros lábios.
Arão, promoveu a construção do bezerro de ouro para adoração idólatra.

E tantos outros exemplos bíblicos que poderia mencionar para corroborar esse ponto.
A suma é: ninguém é imune a imperfeição, nem mesmo um dos que foram citados, nem você, nem eu. Se pode acontecer a eles, pode acontecer conosco.

Portanto, está na hora de nos conscientizarmos de quem somos: Irmãos em Cristo. Nós, somos a Igreja, a Noiva.
Não se envergonhe do que você é. Não se constranja diante das notícias propagadas a respeito dos que caem ou fracassam.
Há muitos como você e eu que continuam firmes.
Cristo, o Noivo, deseja apresentar a Noiva gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível (Ef. 5:27).
Esse padrão nunca será abaixado para a Igreja.

A restauração do respeito pela Igreja repousa sobre nós. Não se junte aos que vivem a desrespeitá-la.

Continuemos a trabalhar em prol do Reino de Deus.
Não confunda a Noiva com as prostitutas que se apresentam em vestidos nupciais.
Não se deixe enganar.
A Noiva verdadeira continua reluzente e fiel a espera de seu Noivo.

Separe o precioso do vil.
Tenha discernimento e prudência com o que propaga ou transmite.
A batalha continua...
A Noiva diz: Maranata, Ora vem Senhor Jesus !

Deus nos abençoe,

Pr. Magdiel G Anselmo.


3 comentários:

  1. Amém!Que Deus venha logo para a Sua Noiva e que quando Ele voltar nos encontre vigilantes e com as mãos no arado.Lembremo-nos que Ele não nos prometeu uma trajetória sempre tranquila.Atravessamos esse deserto(mundo),onde há pragas,escassez de víveres,tribulações,mas a Rocha tem jorrado e tem nos sustentado com a Sua destra Fiel.

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  2. Complementarmente ao texto, creio que há a necessidade premente da noiva - como um todo - se posicionar, deixando claro que ela não é a prostituta e que a verdadeira noiva nada tem em semelhança com essa que se veste de púrpura e escarlate. Há muitas iniciativas em curso, mas creio que ainda é preciso mais: é preciso um posicionamento mais intenso, mas forte, que mostre a real natureza da noiva. E isso só se dará a partir do momento que a noiva for plenamente restaurada, no conceito de restauração ao propósito inicial para o qual ele foi gerada pelo Espírito em Pentecostes. A noiva foi criada para ser gloriosa, e isso foi manifesto em Pentecostes. E isso só se dará com a restauração da plena audição da noiva à voz do Espírito Santo - o amigo do noivo - da restauração dos "ouvidos para ouvir", e isso de forma ampla e irrestrita.

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  3. Sem dúvida pastor Ricardo, entendi seu posicionamento. Mas ainda penso que a Noiva está respondendo às diversas situações de ataque, interno ou externo. As prostitutas é que atrapalham a visão daqueles que ainda não conhecem plenamente a Noiva e talvez nunca a conheçam. E também penso que muitas vezes os ataques são daqueles que deveriam protegê-la, mas se juntam aos desatentos e sem discernimento e a confundem com alguém que ela não é. A Noiva sempre será gloriosa, mas ainda nesse contexto que vivemos ela não foi glorificada, portanto não é perfeita, comete ainda erros e desvios. Isso não a torna uma prostituta, apenas acentua que ainda é formada por pecadores que pecam, que se arrependem, que são perdoados e que aguardam a volta do Noivo (entendo aqui a restauração biblicamente falando). A apologética deve vir nesse sentido de mostrar o erro, mas nunca de confundir os que erram (como todos nós) com os que seguem a prostituta. As duas coisas são muito diferentes, aqueles erram por que isso é inerente a eles (e aqui incluo grupos e denominações ditas evangélicas como os neopentecostais e coisas semelhantes, mesmo entendendo que ainda lá existem pessoas salvas e que por isso não ficarão muito tempo sendo enganadas), os salvos erram como acidente na sua caminhada e quando o fazem o Espírito os faz lembrar do que aprenderam com O Senhor e, sem dúvida, retornam ao bom caminho. Não podemos ficar calados quando vêmos a Noiva sendo confundida com a Prostituta. E, sinceramente, não vejo nela a culpa por essa confusão, ela luta e muito para se manter fiel. Vejo sim uma estratégia demoníaca para que ela seja desrespeitada. Esse é o tema central de minha postagem. Um abraço querido.

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