segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Lições que todos "irmãos" deveriam aprender e praticar

Muitas lições aprendemos em nossa vida.
Em todas as áreas de atuação todos os dias aprendemos com as pessoas que convivemos e com as diversas situações que vivenciamos.
E, dentre todas as liçoes que tive que me esmerar em aprender, a mais difícil foi conseguir entender e lidar com pessoas.
Eu sempre estive envolvido com o contexto eclesiástico e com as coisas referentes a igreja e vida cristã de uma forma geral. Quando iniciei no pastorado era muito afoito, me precipitava em fazer e falar, era impulsionado pela vontade de abençoar, de apascentar e por vezes passava do limite. 
Imaginava que todos entenderiam da mesma forma e ao mesmo tempo. Ficava decepcionado com os fracassos e com as metas não alcançadas. Era implacável muitas vezes, impaciente em tantas outras, e a duras penas e "perdas" fui aprendendo com Deus que as coisas não eram e não funcionavam bem assim. As pessoas não são iguais. Gente é diferente de apostilas, livros, monografias, dissertações e teses (mesmo que isso tudo tenha sua importância e necessidade). Igreja é diferente das salas de aula (e tento alertar sobre isso hoje aos meus alunos), e os irmãos ali eram diferentes dos amigos e colegas seminaristas e professores. A vocação, as ambições são diferentes e as perspectivas, e planos de vida também.
Tive que aprender além da teoria ensinada nos seminários e faculdades, tive que ir buscar usar aquele conhecimento para a glória de Deus, observando que o agir de Deus nas pessoas difere de uma para com as outras e que cada uma delas responde do seu jeito e segundo suas virtudes e limitações.

O que aprendi, então?
1. Aprendi que a gestão cristã de pessoas é a parte mais importante e mais difícil do pastorado e da liderança. Diria que essa gestão é em essência o verdadeiro pastorado cristão. 

Os planejamentos e projetos podem ser complexos, mas nada chega perto da complexidade e singularidade de lidar com gente.
Na academia aprendemos através da Psicologia que existem técnicas para aprender a compreender comportamentos e temperamentos. Além disso nos é ensinado Sociologia, Antropologia, Filosofia e tantas outras "ciências" com a intenção de facilitar nossa compreensão para trabalharmos com pessoas reais, de carne e osso.
Mas, isso tudo não é suficiente para ser um pastor ou líder cristão...
As demais disciplinas com conteúdo especificamente bíblico e teológico vem então para tentar completar esse conhecimento sobre pessoas, Deus, mundo e tudo o mais...
Mas, ainda não é o suficiente para sabermos tudo que precisamos para ter ministérios abençoados e abençoadores.
É no dia-a-dia, na prática que realmente começamos a entender como as pessoas são distintas umas das outras, mesmo que aparentemente sejam tão iguais e que nossa teoria deve levar em consideração a história de vida de cada um.
O conhecimento acadêmico e bíblico adquirido têm efeito abençoador quando mesclado ao conhecimento prático do dia a dia, da convivência e da comunhão entre irmãos.
Aplicando sabiamente o que aprendemos da parte de Deus, seja na teoria acadêmica, no estudo bíblico particular ou no convívio na congregação, podemos nos tornar líderes segundo o coração de Deus. 
Por quê?
Porque nos fará ver as pessoas como Deus as vê.
Porque nos fará tratar as pessoas como Deus deseja que as tratemos.
Porque nos fará falar com as pessoas como Deus falaria.
E por fim, porque nos fará sentir pelas pessoas o que Deus sente, ou seja, amor e misericórdia.

2. Aprendi que a forma como advertimos (seja em atitudes ou palavras) a alguém do erro pode nos desqualificar como mensageiros da verdade.

No contexto bíblico de uma comparação entre o justo e o perverso vemos a seguinte revelação de Deus que deve orientar nossa postura:
 "A boca do justo é manancial de vida, mas na boca dos perversos mora a violência. O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões. Nos lábios do prudente se acha sabedoria, mas a vara é para as costas do falto de senso. No muito falar não falta transgressão mas o que modera os lábios é prudente. Prata escolhida é a língua do justo mas o coração dos perversos vale mui pouco. Os lábios do justo apascentam a muitos, mas por falta de senso, morrem os tolos. "  Prov. 10: 11--13, 19-21.
Ainda nesse contexto:
"O irmão ofendido resiste mais que uma fortaleza; suas contendas são ferrolhos de um castelo". Prov. 18:19.
"A morte e a vida estão no poder da língua, o que bem a utiliza come do seu fruto". Prov. 18:21.
  "Como o abrir da represa, assim é o começo das contendas, desiste, pois, antes que haja rixas". Prov. 19:14.
Ainda quando vemos o Senhor Jesus Cristo repreendendo pessoas no NT, devemos atentar para os seguintes fatos:
3. Aprendi que quando Jesus repreendeu ou advertiu pessoas, Ele o fez diretamente.

Falou pessoalmente com elas. Em todos os casos em que uma pessoa específica tinha que ser repreendida veementemente, Ele assim o fez diretamente (Os fariseus, os vendedores no templo, a Pedro, a própria mãe, aos discípulos, etc...).

4. Aprendi que a Bíblia ensina como advertir um irmão do erro

O ensino neotestamentário sobre como advertir um irmão do erro confirma essa atitude de Cristo e ensiná-nos como deve ser todo esse processo.
Primeiro devemos ir ao irmão, em particular e advertí-lo do erro. Em última instância devemos tornar o caso público, e somente quando não houver reconhecimento do erro e frutos de arrependimento e esse processo muitas vezes é lento e trabalhoso.
Por isso, o apóstolo Paulo afirma ao escrever aos coríntios que "o amor é "paciente", é benigno, não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, "não se exaspera", não se ressente do mal, "não se alegra com a injustiça", mas alegra-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta e jamais acaba..." (1 Cor. 13: 4-8a).
E aqui se aplicam os textos que se referem também a essa atitude pessoal e particular: "Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os lábios de quem odeia são enganosos". Prov. 26: 6.
5. Aprendi que Jesus sendo Deus tinha e tem o poder para saber e conhecer aquela pessoa que repreendeu completa e integralmente, assim como toda e qualquer pessoa.

Ele (Senhor Jesus) sabe quais são as reais intenções, motivações e caráter da pessoa e assim sendo possui informações completas para então agir como agiu repreendendo duramente muitas delas. Nós não temos esse poder. Não somos deuses. Ao repreender o erro, devemos tomar o cuidado de não confundirmos o erro com a pessoa que errou, ofendendo-a. Podemos, (já que não possuímos o poder de conhecê-la integralmente) com nossas atitudes precipitadas ferirmos ou ofendermos profundamente um irmão em Cristo.
6. Aprendi que lutamos contra o erro, não contra a(s) pessoa(s).

Não sou contra a repreensão bíblica, mas ela deve seguir os critérios estabelecidos e revelados na Palavra. A exposição pública de uma pessoa sem antes ouví-la, ou sem que antes houvesse ocorrido uma confrontação bíblica dessa pessoa em particular produz revolta e constrangimentos desnecessários e que servem de obstáculos poderosos para a restauração dessas vidas em Cristo, pois mais parece uma acusação, uma condenação do que uma advertência. Não direciona para restauração ou reconciliação, mas sim para contendas e ira, e nisso não há a produção de justiça de Deus. (Tiago 1: 19,20).
Podemos destruir irmãos que por um momento cometeram um erro, podemos destruir ministérios de irmãos que foram dados por Deus. Podemos confundir rebanhos inteiros com uma atitude irresponsável e sem respaldo bíblico. Tenhamos critérios e temor a Deus. Atrás de um erro existe uma pessoa e essa pessoa pode ser um irmão.
7. Aprendi que a apologética (defesa da fé cristã) é útil e necessária, porém deve ser exercida e fundamentada criteriosamente nas orientações de Deus para tal.
Mesmo o melhor remédio quando utilizado na dose e no tempo errados pode causar enfermidades ainda mais graves e em alguns casos até a morte do paciente.
E como eu desejaria que muitos aprendessem essas lições. Pois, a maioria, que se autodenomina cristão, não age segundo esse ensinamento.
Peço que humildemente, pelo menos, reflitam sobre isso. Menos paixão e mais reflexão bíblica é o que necessitamos diante do momento que vive a "nossa" Igreja onde muitos estão confusos diante de atitudes de desamor e incompreensão de muitos de seus "irmãos".

Deus nos abençoe.
Em Cristo,
Pr. Magdiel G Anselmo.

4 comentários:

  1. Olá pr. Magdiel

    Linda mensagem, fui ricamente abençoada. Precisamos tratar as pessoas conforme o coração de Deus. Tenha um dia de vitórias.

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  2. Excelente mensagem, pastor! A formação, aliada a experiência do dia-a-dia, é que nos capacita continuamente para o exercício da vocação ministerial. O aprendizado é um processo sem fim, que começa nessa vida e durará para sempre; assim, toda a altivez e arrogância daqueles que infelizmente se acham "conhecedores de todos os mistérios e saberes do Universo" deveriam ter um pouco mais de humildade, inclusive para sentarem ao lado de quem já está "nesta estrada" a mais tempo e aprender mais um pouco. Ninguém sabe tudo sobre tudo, sempre podemos aprender, quer com os nossos erros e acertos, quer com Deus (sempre!), quer com nossos irmãos, quer com pastores mais maduros e experientes.
    Graça e Paz!

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  3. fazer a vontade de Deus(mt 12:50)esperar em Deus(sl 27:14)agradecer à Deus pelas provas(tg 1:2,12)e a vontade de Deus será feita na vida do crente(mt 6:10)no tempo de Deus(ec 3:1);ler a biblia(jo 5:39)pedir sabedoria à Deus(tg 1:5)isso é o que Deus quer do crente,obedecer à Deus,esperar em Deus e agradecer à Deus pelas provas;obedeça à Deus,espere em Deus e agradeça à Deus pelas provas,venho parabenizar o pastor que faz esse site por ensinar o evangelho de santidade e viver o evangelho de santidade;que o nosso amado irmão continue assim

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  4. Glória Deus pela sua vida irmão!!
    Visite meu vídeo evangelístico no Youtube:
    UMA VERDADE BÍBLICA QUE TODOS DEVEM SABER:
    Link: www.youtube.com/watch?v=WLahUNZ443o

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