sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Teologia Reformada X Vida Esfarrapada



Gosto de estar com meus amigos e irmãos, aprecio muito conversar sobre as coisas de Deus com pessoas amigas e conhecidas, e mesmo em algumas ocasiões com pessoas que não tenho maior intimidade. Sou adepto de uma boa conversa sobre teologia, Igreja, Bíblia, etc... e com isso vamos aprendendo, ensinando e partilhando muitas coisas. Mas, também vamos percebendo algumas contradições entre a teoria, a crença, a exposição e a prática, a aplicação do que as pessoas crêem ou professam.
Percebe-se que há um grande problema na maioria das pessoas que são severas e zelosas no extremo, os chamados radicais em termos de linhas teológicas ou mesmo costumes e metodologias advindos, segundo eles, dessas pressuposições.  Sempre digo a eles: "seja fundamentalista no que é fundamental, não no que é opcional, secundário ou em questões que a Bíblia não 'bateu o martelo' ". 
Entretanto, na maioria das vezes (não em todas) essas atitudes  de extrema severidade com as pessoas que não seguem o mesmo raciocínio ou linha desses radicais, não são aplicadas a elas mesmas em sua vida e postura pessoal.
Resume-se assim: Severidade e excesso de zelo na teologia, suavidade e concessões pecaminosas na vida pessoal.
Vejo e penso que a teologia reformada não atingiu a vida dessas pessoas integralmente, atingiu apenas a mente e quem sabe o coração mas, não as ações objetivamente.
Muitos discutem e asseveram com veemência crer em doutrinas reformadas (e ressalto que sou reformado) e as defendem com "unhas e dentes" mas quando se trata de ter uma vida piedosa, tal qual a maioria dos pré-reformadores ou dos próprios reformadores, já não se vê a mesma disposição e fidelidade às Escrituras tão defendida e meticulosamente conhecida e exposta por eles.
Há um abismo entre a teologia crida e a vida vivida.
Certamente isso de nada ajuda na confirmação das crenças e linhas teológicas professadas por essas pessoas, do contrário, vão na contramão, trazendo dúvidas e questionamentos aos que os ouvem e grande tristeza e decepção aos que os conhecem pessoalmente e os têm como amigos mais íntimos.
Essa realidade traz à tona uma questão intrigante e por isso, sempre me chamou a atenção desde os tempos em que ouvia atentamente meus professores em sala de aula nos primeiros cursos teológicos que fiz: 
O que é mais relevante para um cristão?
a) a piedade (vida piedosa, ou seja, de acordo com às Escrituras), b) a erudição (ser um bom teólogo) ou c) a oratória (ser um bom pregador).
Se analisarmos com honestidade segundo o viés espiritual correto, biblicamente falando, veremos que encontramos no universo cristão evangélico ou como rotulamos também, protestante, muitos que se enquadram nas alternativas b e c mas poucos na alternativa a.
Encontramos muitos teólogos, destes um bom número de bons teólogos, homens que se preocupam com a sã doutrina e com a defesa da fé cristã, além de propiciar muito material para os ministros e educadores cristãos na sua lida diária e ministerial. São uma benção de Deus para a vida da Igreja.
Também encontramos muitos pregadores da Palavra, alguns muito bons e fiéis a essa Palavra (infelizmente estão escasseando...). Os que reconhecem a importância e responsabilidade desse ministério trazem a vida da Igreja muitas contribuições de Deus para sua atuação e impacto nesse mundo. Quando expõem a Palavra previamente estudada, analisada, corretamente interpretada e fielmente aplicada, produzem nos seus ouvintes e irmãos a orientação precisa de Deus que necessitam para ter uma vida abundante, edificada, fortalecida, até a volta de Cristo.
Mas, quanto aos piedosos, raramente os encontramos. Onde estão eles então? Por que não os encontramos tão facilmente quanto os demais? 
Primeiro, porque não estão em evidência, não estão na "vitrine" eclesiástica.
Segundo, porque a sua importância é negligenciada em prol de uma falsa espiritualidade, unidade e comunhão que, acreditam muitos, venham de programações e mecanismos, e não de vidas piedosas, santas. Segundo esses, o movimento humano de crescimento de igrejas, tendência que iniciou-se devido a "falência" (será que tem a ver com conceito equivocado de "igreja-empresa"?), de diversas igrejas norte-americanas (um paradoxo não? quem faliu, "quebrou", quer ensinar outros a crescer e prosperar...) com suas fórmulas e receitas prontas, é muito mais fundamental do que o movimento de Santificação ordenado, realizado e movido pelo Espírito Santo na vida dos salvos em Cristo.
Pensam esses, que Deus usa muito mais (e quem sabe exclusivamente) coisas e pessoas "especiais" que impactam multidões com suas pregações ou "louvores" e menos, muito menos (ou quem sabe, nunca) crentes simples, fiéis e obedientes a Palavra que sem alarde, barulho ou "oba-oba" ensinam e fazem discípulos apenas (se é que posso usar esse termo aqui) com o doutrinamento bíblico puro das Escrituras e com a confirmação do exemplo de suas vidas.
O interessante e que deveria chamar a atenção de todos, é que em via de regra, os poucos que se preocupam em ter uma vida piedosa, "odeiam" a fama e "amam" a anonimidade. Não desejam ser homenageados ou evidenciados como sendo "super-crentes" (como bem explicitou Romeiro em seu best-seller com esse título), mas simplesmente como "crentes" que não fazem mais que sua obrigação, apenas servos.
No mínimo curisosa a diferença para os outros dois grupos, onde (com exceções) procuram ser conhecidos e reconhecidos por todos estampando seus títulos e realizações com empolgação não disfarçada.
O que pode-se concluir dessa pequena análise aqui realizada é que aqueles crentes que buscam uma vida piedosa não precisam estar "discutindo" ou "convencendo" os demais irmãos da linha teológica que acreditam e seguem ou da metodologia eclesiástica ou ministerial que adotam como melhor ou mais objetiva. Eles não tem essa necessidade. Sabe por que?
Por que não precisam (a redundância aqui é justificada). Eles são seguidos naturalmente e ouvidos constantemente devido o respeito e a admiração que adquiriram com suas vidas aos pés do Senhor.
E mais, a forma como vivem, o jeito como procedem em sua vida particular, pessoal (familiar, profissional, social, etc...) reflete o que as Escrituras ensinam e orientam e mesmo não sendo perfeitos (e ninguém o é) e sendo pecadores (como todos nós) tentam com imenso esforço levar uma vida santa diante de Deus e isso é o que os diferencia dos demais. Essa preocupação e busca constante os faz mais próximos de Deus, sem dúvida alguma, e mais ouvidos e observados por todos.
Portanto, se você deseja que seus demais irmãos ouçam-no quando, calorosamente, defende e argumenta em prol de suas crenças e linha teológica, antes disso, muito antes, tenha uma vida piedosa que falará muito mais alto que seus brados teológicos sem vida que somente produzem (em muitos casos) inimizades e impressões negativas a seu respeito.
Veja que é também significativo para entender essa questão, observar que quando a Bíblia nos orienta sobre crescimento, ela situa a Graça antes do Conhecimento (2 Pedro 3:18), algo a se pensar não é mesmo?
Busquemos todos muito mais uma vida piedosa, e muito menos discussões teológicas.
A teologia só faz sentido no contexto de uma vida piedosa, lembre-se sempre disso.
Deus os abençoe.
Pr. Magdiel G Anselmo.








sábado, 15 de dezembro de 2012

O correio chegou ! Carta pra você, pastor !

Uma carta a um pastor cansado, ferido e desanimado que pensa em deixar o pastorado para viver “quieto e tranqüilo”.




Caro pastor, sei que passas por dificuldades e tens sofrido. Sofro e choro contigo, meu amigo.
Tenho ciência da vida a que se submete um pastor e que não é incomum tratarmos em Cristo as feridas de irmãos, tendo, nós mesmos feridas profundas na alma. Também sei que no cumprimento de nosso ofício, somos ofendidos, humilhados, desprezados e mesmo atacados de forma vil, traiçoeira e ingrata.
Muitos não nos respeitam e nos incluem indevida e maldosamente com aqueles falsos pastores que não entendem o que significa pastorear. E, mesmo assim, devemos manter a postura firme e exemplar diante da congregação para que nossas fraquezas e dores não sirvam de pretexto para os fracos e novos e, sendo assim, não lutem e superem os obstáculos e problemas da vida e conseqüentemente alcancem crescimento e maturidade. Sei que marchamos muitas vezes, sangrando e gemendo, sei bem disso. Mas, é um sacrifício necessário para um bem maior, a glória de Deus.
Também estou familiarizado como o stress e as angústias a que estamos sujeitos diariamente. A lida pastoral exige preparo e persistência. E nos preparamos para isso, pelo menos deveríamos, mas nem tudo pode ser previsto e planejado de antemão. Muitas vezes somos pegos de surpresa por ações e situações que nos afligem e tentam nos abalar e entristecer.

Faz parte, diriam alguns.
Portanto, não fico surpreso, meu caro, que estejas perturbado com a oposição em conseqüência das ofensas, qualquer que seja sua causa, a ponto de dizer que preferes livrar-te dos labores do pastorado e viver quieto e tranqüilo, a continuar no ofício delegado a ti. Não me surpreendo com tua perturbação, mas me surpreendo que tenhas sido surpreendido por isso.
Lembre-se o que Senhor nos diz: “Bem aventurados os que perseveram até o fim”.
De onde viria essa bendita esperança, senão da força da paciência?
Pois como proclama o apóstolo: “Todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.”
E não são apenas perseguições calculadas,  ou seja, aquelas que nos preparamos para resistirmos e confrontarmos e que vem contra a religião cristã de uma forma geral. A perseguição direta muitas vezes é infligida por aqueles que protegemos, pelos feridos que acabam por nos ferir, pela desobediência persistente e pelas farpas de línguas maldosas. E uma vez que todos os membros da igreja são sempre vulneráveis a esses ataques e a essas ações e nenhuma porção dos fiéis está livre dessa tentação, de modo que a vida venha a ser tranqüilidade e quietude, sem perigo, quando isso ocorrer, quem guiará o navio por entre as ondas do mar se o timoneiro abandonar o posto? Quem guardará as ovelhas das armadilhas dos lobos, se o pastor não estiver vigilante? Quem resistirá aos ladrões e roubadores se o amor pela quietude afastar o guarda colocado para manter a visão no rigor da vigilância? Quem levará o unguento que sara às feridas daqueles que necessitam de cuidados? Quem se porá na brecha por aqueles que não sabem ainda usar as armas espirituais contra as investidas do acusador? Quem fará isso?
A pessoa chamada e vocacionada deve, portanto, permanecer no ofício que lhe foi delegado. A justiça deve ser mantida com firmeza, misericórdia e amor. O pecado deles deve ser odiado, mas não os indivíduos. O orgulhoso deve ser advertido, o fraco, sustentado, e aqueles pecados que exigem punição severa devem ser tratados não com espírito de vingança, mas com desejo de cura.
E, se uma tempestade mais feroz de tribulação nos atingir, não sejamos consumidos pelo terror como se tivessemos de vencer o desastre por nossas próprias forças, pois tanto nosso conselho como nossa força é Cristo, e por meio Dele podemos todas as coisas.
Ele nos alerta: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” E de novo diz: “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo.”
Não podemos deixar que nenhuma ofensa enfraqueça essas promessas, para não parecermos ingratos com nosso Deus por nos ter feito seus vasos escolhidos, uma vez que a sua assistência é poderosa, e suas promessas, verdadeiras.
 
Visto que o pastor (e toda esposa de pastor) enfrentam dificuldades interpessoais na obra de Deus, nosso coração deve buscar força externa. E essa força vem de Deus. Deus nos concede meios para nos relacionarmos com Ele. Quando o coração do pastor se derrete como cera, quando o desânimo lhe bater à porta, quando o sangue das feridas lhe atrapalham a visão, chegando até em pensar abandonar seu ofício e negligenciar seu chamado, Deus concede a força do Espírito para que ele seja consolado, curado e fortalecido.
 
Por isso, caro irmão e colega de ministério, não corra por suas próprias forças, pois logo será tentado a deixar seu ministério. Não pense também que abandonando o ministério encontrará quietude, tranqüilidade e paz. Certamente, será o contrário, pois seu coração continuará a ser movido ao pastorado.
 
 
Isso não vem de ti, vem de Deus, não há como fugir dessa realidade, fostes escolhido, chamado, vocacionado e capacitado por Deus para tal trabalho. Não há porão de navio nem ventre de grandes peixes que nos servirão de esconderijo se tentarmos fugir de nossa responsabilidade.
Meu conselho final pra ti é que mantenha seu relacionamento com o Sumo Pastor e terá recursos para amar o povo de Deus sacrificialmente e mesmo com e em aflições, terás o consolo, a direção e a força que precisas para prosseguir.
Ainda existem muitos como ti que não se dobraram a baal.
Saia da caverna, se alimente, sacie sua sede e volte ao campo de batalha.
Deus é contigo.
 
Pr. Magdiel G Anselmo.

sábado, 24 de novembro de 2012

O que é a Igreja? (What is the Church?)



Sem esse entendimento nenhuma Igreja Local têm ou faz sentido.
Entretanto, quando entendemos nosso missão e propósito como Igreja, podemos e fazemos a diferença nesse mundo.
E, quando trabalhamos juntos em prol do cumprimento dessa missão, tudo faz sentido.

Reflita nisso !




E tudo o que fizerdes, seja em palavras, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai.
Colossenses 3: 17.
 
Pr. Magdiel G Anselmo.
 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A Extinção das Igrejas Pentecostais

Me lembro que grande parte de minha vida (criança, adolescência e  parte de minha juventude) congreguei com meus pais em igrejas ditas pentecostais (digo "ditas" porque não sou simpatizante desses rótulos). Tenho boas lembranças desse tempo (mesmo hoje não concordando com muito daquilo que cria na época), pois havia uma uniformidade na doutrina dessas igrejas e isso unia os chamados "crentes pentecostais" e os distinguia respeitosamente dos então "crentes tradicionais".
Esses dois blocos eram distintos e diferiam no que tange principalmente a aspectos da doutrina do Espírito Santo (pneumatologia) como a contemporaneidade dos dos espirituais (com ênfase nos chamados dons carismáticos), no "batismo com ou no Espírito Santo" , mas também com relação aos costumes e formas de governo eclesiásticas adotadas.
Mesmo assim, as doutrinas básicas fundamentais eram idênticas.
Hoje já não podemos afirmar isso.
As igrejas chamadas pentecostais tem perdido sua identidade e doutrinas.
Venho constatando nos últimos anos o fim dessas igrejas chamadas de pentecostais. As poucas que ainda permanecem como dantes, ou seja, fiéis as credenciais pentecostais que as identificavam estão com sérias dificuldades para manter sua membresia e permanecer vivas no universo evangélico brasileiro.
Vários são os fatores causadores dessa extinção que será real se não forem tomadas medidas para interrompê-la. Vejam alguns destes:
 
a) A divisão das principais igrejas pentecostais e o uso do nome das antigas igrejas de forma indevida
 
Muitos grupos deixaram o seio de igrejas pentecostais como Assembléia de Deus, Brasil para Cristo, Avivamento Bíblico, e outras, fundando novas denominações, porém, usando parte do nome da antiga igreja mãe com o único propósito de atrair e enganar as pessoas que pensarão estar indo a antiga denominação pentecostal (essa estratégia desonesta também tem sido largamente usada por grupos que deixam igrejas tradicionais e fundam outras com o mesmo nome). Essas igrejas propagam doutrinas e costumes diferentes da antiga, confundindo muitos e produzindo muitas heresias e muito sofrimento no meio do povo sem conhecimento bíblico.
 
b) A ausência nas igrejas pentecostais, muitas vezes, do ensino sobre as doutrinas estranhas à Bíblia propagadas pelos neopentecostais.
 
A ausência desse ensino aos seus membros, alertando-os para o perigo (como a teologia da prosperidade, teologia liberal, etc...), justificando esse não ensino com o argumento mal interpretado de "não julgar" tem causado muitos problemas aos crentes pentecostais de uma forma geral. O ensino bíblico sempre será uma vacina eficaz contra as heresias. A negligência a essa verdade pode destruir uma igreja local, e por vezes, isso é o que tem ocorrido no que diz respeito às igrejas pentecostais.
 
c) A influência e atuação cada vez maiores da mídia (TV e rádio) das igrejas neopentecostais aliadas a ausência dos crentes ás reuniões de ensino (EBD) ou similares de suas igrejas tem produzido uma multidão de crentes sem vínculo físico com suas antigas comunidades (crentes sem igreja). Essa tendência cada vez mais forte incentivada pelos tais pregadores midiáticos, curandeiros e milagreiros de plantão unida a também idéia equivocada de "acabar" com a EBD e substituí-la por outras atividades tem destruído a vida de muitas igrejas locais, principalmente as pentecostais.
 
d) A influência dos ensinos de cantores gospel embutidos em seus CD's e DVD's também tem ajudado muito a crentes sem conhecimento bíblico sólido buscar conhecer igrejas neopentecostais e consequentemente acabam por ser enredados em suas doutrinas antropocêntricas e suas filosofias de auto-ajuda. Além de contaminar os cultos de suas igrejas com músicas sem nenhum apoio bíblico e muitas propagadoras de heresias como a confissão positiva, teologia da prosperidade, etc...
 
e) A facilidade encontrada em nossos dias para "mudar de igreja", devido a imensa quantidade existente de grupos que se dizem evangélicos, também tem sido este um fator importante a se considerar. Como todas tem semelhanças no nome ou ainda no povo que ali congrega, as pessoas imaginam que são semelhantes em suas doutrinas e costumes. Ledo engano, as igrejas neopentecostais, disfarçadas de comunidades felizes e cristãs, nada tem de semelhante aos ensinos, tradições e costumes de igrejas pentecostais e tradicionais históricas. São apenas caricaturas do que seria uma igreja, com ensinos e práticas desvinculadas da Palavra de Deus.
 
f) A politicagem (política ruim) também tem sido um fator importante para a inevitável extinção das igrejas pentecostais. A morte dos antigos líderes, fundadores e surgimento de novos líderes com mentalidade e visão totalmente equivocadas e nada cristãs, influenciadas por outros países (principalmente EUA) ou pelo egocentrismo e um crescente interesse pela fama e pelo poder denominacional tem contaminado as cúpulas de várias igrejas pentecostais, gerando destruição e ausência de temor a Deus. A politicagem tomou o lugar do pastorado.
O importante não são as pessoas mas as coisas, o nome e os títulos denominacionais são almejados ao preço do sofrimento de ovelhas sem pastor.
 
Considerações Finais
 
Esses são apenas alguns fatores que considero relevantes para a realidade que se apresenta.
Sei que muitos desses fatores tem assolado a igreja evangélica brasileira como um todo, mas ainda vejo alguma resistência em outros grupos, o que não consigo observar nas igrejas de minha adolescência e juventude, nas chamadas igrejas pentecostais.
Caro leitor, você pode até não concordar com a  extinção das igrejas pentecostais (entendo que a boa esperança é uma virtude a se buscar sempre), sei que existem ainda remanescentes, porém há de concordar que esses fatores são reais e que tem causado ruína e destruição nos arraiais evangélicos, com ênfase nos pentecostais.
Mesmo não sendo pentecostal, e repito que não me simpatizo com esses rótulos, confesso que o que tem ocorrido é uma triste realidade.

 
Pr. Magdiel G Anselmo. 
 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A VIDA DURA DE UM TEÓLOGO

Talvez o título deste texto deixe a impressão em alguém de uma certa arrogância, mas é bem o contrário. Um teólogo não é nada mais que um cristão que deseja aprender com mais profundidade a Palavra de Deus para poder abençoar a outros, ensinando o que aprendeu de forma correta e fiel as Escrituras Sagradas.
Além disso, um teólogo cristão biblicamente falando é uma pessoa que almeja não somente conhecer superficialmente a Palavra de Deus mas se alimentar de todas as suas nuances em detalhes desvendando pelo Espírito aquilo que antes não podia entender por falta de conhecimento.
Um teólogo de Deus não se caracteriza por interesses pessoais, politicagens e ambições desmedidas, marcas claras do teólogo oportunista, desonesto e que corrompe a seu favor a interpretação e aplicação correta e adequada da Palavra de Deus.
Um bom teólogo não se engrandece de saber mais que outros, não se ensoberbece por conhecer as linguas originais, hermenêutica, homilética, teologia sistemática, exegese, e outras disciplinas da grade dos bons cursos teológicos. O bom teólogo sabe que quanto mais ele sabe e aprendeu, mais se tornou servo de Deus e da Igreja. Ele sabe que o conhecimento adquirido não é somente pra ele, mas para tantos ele conseguir transmiti-lo com responsabilidade e humildade. Ele sabe que sua prestação de contas será grande diante do Senhor.
Esta vocação/paixão e abnegação deveriam levar esta pessoa a ser compreendida com alegria e satisfação pelos outros irmãos que não tiveram ou puderam ter esta oportunidade, pois através dela Deus pode abençoar a tantos outros e as pessoas deveriam motiva-la cada vez mais a ser este canal de bençãos para a Igreja.
Mas na maioria das vezes o teólogo mal pode revelar que assim o é. Ele sabe que muitas vezes será entendido como arrogante, orgulhoso e até mesmo alguém com complexo de superioridade. A palavra teologia soa para muitos como algo danoso e até diabólico e muitos cristãos, inclusive "obreiros" evitam a palavra para não trazer problemas.
Quando alguém se levanta para ensinar a Palavra de Deus com autoridade vinda do conhecimento que obteve em anos de dedicação em sala de aula, em noites em claro estudando a Bíblia, horas de estudo acompanhadas de oração, acaba se tornando incompreendido e um inimigo a ser combatido.
Muitos líderes medíocres ainda se sentem inseguros e incapazes diante do conhecimento bíblico de muitos teólogos e fazem de tudo para que saiam de "suas igrejas" e não "atrapalhem" seus ministérios.
Por isso muitos teólogos se decepcionam com a Igreja e se escondem aceitando a condição de incompreendidos. Lançam em terra todo esforço e bom propósito de anos de trabalho duro. Lamentavelmente enterram seus talentos. 
Felizmente, ainda existem grupos que entendem a relevância de alguém que se dedicou ao ensino das Escrituras e que renunciou a anos de comodidade para se tornar teólogo. Ainda bem que ainda existem "bereanos" em nossos dias.
Ainda existem irmãos e irmãs que procuram homens e mulheres que os ajudem a entender as Escrituras de forma honesta e que os levem a boa interpretação destas. Ainda existem pessoas que desejam ser abençoadas.
São esses que fazem a vida dura de um teólogo valer a pena...
Graças a Deus, ainda existem homens e mulheres que não desanimam e pagam o preço para abençoar outros.
Ainda existem os bons teólogos...

Toda glória, honra, louvor e poder sejam dados a Deus.

Pr. Magdiel G Anselmo. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Objetivos primários do pastorado

 
De todos os títulos e metáforas empregadas para descrever a liderança espiritual, o mais adequado é o de pastor. Como os pastores de ovelhas, os pastores de igrejas devem guardar seus rebanhos para que não se percam, conduzi-los até os verdes pastos da Palavra de Deus e defendê-los contra os lobos selvagens (Atos 20:29) que prentendem assaltá-los.
A metáfora do pastor é a escolhida por Pedro em 1 Pedro 5: 1-3. Através dela, ele discute o objetivo primário do pastorado e oferece um conselho sábio quanto às atitudes que o pastor deve ter em seu ministério. Vejamos algumas delas:
 
a) O pastor deve alimentar o rebanho de Deus
 
O pastor que não alimentar o rebanho de Deus não o terá por muito tempo. As ovelhas ou vão fugir para outros campos ou morrerão de fome.
Aliás, a habilidade que distingue o presbítero do diácono é que o primeiro deve ser apto para ensinar (1 Tim. 3:2; Tito 1:9).
O Senhor Jesus salientou a importância de alimentar o rebanho quando falou com Pedro no encontro descrito em João 21. Por duas vezes, em sua ordem a Pedro, Jesus usou o termo bosko, que significa "eu alimento" (vs. 15,17).
 
O alvo do pastor não é agradar as ovelhas, mas alimentá-las. Não é fazer cócegas em seus ouvidos, mas alimentar sua alma.
 
O pastor não está ali para oferecer gotinhas de leite, mas verdades bíblicas como sólidas refeições.
Os que não alimentam o rebanho não são aptos para ser pastores (cf. Jeremias 23: 1-4; Ezeq. 34: 2-10)
 
b) O pastor deve supervisionar e liderar por meio do exemplo
 
Pedro desafia os companheiros presbíteros a apascentar o rebanho de Deus que estava entre eles "tendo cuidado dele" (1 Pedro 5:2). Deus lhes confiou a autoridade e a responsabilidade de liderar o rebanho.
 
Os pastores responderão pela qualidade da liderança que exercem, e o rebanho, responderá pela qualidade da submissão que prestam (Hebreus 13:17).
 
No entanto, ser pastor não significa observar o quadro geral à distância. É necessário estar bem junto do rebanho, liderando pelo exemplo. O pastor eficaz não conduz o rebanho por trás, mas o lidera pela frente. As ovelhas o vêem diante delas e imitam suas ações.
O recurso mais importante da liderança espiritual é o poder de uma vida exemplar.
 
c) A precaução contra as armadilhas no pastorado 
 
Mais uma orientação entendo ser relevante nesse ponto e em sua exortação aos colegas presbíteros, Pedro os alerta contra duas armadilhas:
 
1. Fazer o trabalho de má vontade.
O bom pastor faz seu trabalho "não por força, mas voluntariamente" (1 Pedro 5:2). As ovelhas podem ser animais desagradáveis, sujos, tolos, irritantes. Um antigo criador de ovelhas, observa que "nenhuma classe de criação exige maiores cuidados e orientação mais minuciosa que as ovelhas".
O pastor preguiçoso é um pastor ineficiente.
A tentação contra a qual Pedro adverte é a de deixar-se levar, isto é, simplesmente fazer a obra do ministério apenas quando pressionado. O pastoreio do rebanho de Deus deve ser feito de modo espontâneo, voluntário, com avidez e consciência de seu valor.
 
2. Fazer o trabalho por torpe ganância.
"De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem a veste", afirmou Paulo aos presbíteros efésios (Atos 20:33).
"Ninguém pode servir a dois senhores...", declarou Jesus, "porque ou há de odiar e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não pode servir a Deus e a Mamom" (Mateus 6:24).
Isso é verdadeiro com relação aos pastores, dos quais Deus exige que não sejam cobiçosos de torpe ganância (1 Tim. 3:3). São os falsos profetas que se empenham na busca frenética do lucro monetário (veja Is. 56:11; Jer. 6:13; Miq. 3:11; 2 Pedro 2:3).
 
Aqui vale uma ressalva: Não é errado o pastor ser pago, alías, as Escrituras ordenam isso: Os presbiteros que governam bem seja estimados por dignos de duplicada honra (honorários)", escreveu Paulo a Timóteo, "principalmente os que trabalham na Palavra e na doutrina" (1 Tim. 5:17). O errado é permitir que o lucro financeiro seja a motivação para o ministério (e lamentavelmente isso não é incomum em nossos dias). Isso produz apenas líderes falsos e ineficientes, como também degrada o ministério aos olhos do mundo.
 
Considerações Finais
 
Penso que esses objetivos e orientações primárias devem pautar a vida e a postura daqueles que foram chamados por Deus a exercer o ministério pastoral.
A reflexão séria e a atitude consequente dela são necessárias e urgentes atualmente para fazer frente aos falsos líderes, as heresias e a filosofia pós-moderna.
Que Deus nos ilumine para entender isso e agir em conformidade com a Palavra.
 
Pr. Magdiel G Anselmo.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

REFORMA PROTESTANTE – ONTEM E HOJE

Todo grupo humano possui em sua história eventos de grande significado que estão intimamente associados com a sua identidade e autocompreensão.
No caso dos protestantes, um evento dessa natureza é o episódio que desencadeou a Reforma Religiosa do Século XVI.
O monge agostiniano e professor de teologia Martinho Lutero afixou à porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha, as suas célebres Noventa e Cinco Teses, convidando a comunidade acadêmica local para um debate público sobre a venda das indulgências e outras questões controvertidas. Desde então, o dia 31 de outubro de 1517 tem permanecido na consciência evangélica como um símbolo fundamental do seu movimento.
Todavia, por decisivo e marcante que tenha sido, esse acontecimento pertence ao passado e não pode mais ser repetido. Há muitos evangélicos que sonham com uma volta aos tempos da Reforma, assim como tantos gostariam de restaurar os dias heróicos da Igreja Primitiva. A isto chamamos de “repristinação”, ou seja, a tentativa de restaurar alguma coisa a um estado ou condição original, prístino.
Porém, o fato é que os acontecimentos, circunstâncias e personagens passam inexoravelmente; somente as idéias e os ideais permanecem, e são eles, acima de tudo, que devem ocupar a nossa atenção.
Ao comemorarmos mais um aniversário da Reforma Protestante, de que maneira podemos celebrar a obra dos desbravadores evangélicos do século XVI? De que modo podemos honrar o Deus dos reformadores, nós que vivemos no início do século XXI?
Uma das respostas é: conhecendo e encarnando as convicções que nortearam as suas vidas e os seus labores. Destacamos três delas, que reputamos essenciais para a igreja contemporânea.
1. É notável o lugar que os reformadores deram ao Deus trino em seu pensamento e ação.
Apesar dos fatores políticos, sociais e econômicos envolvidos na Reforma, o seu ímpeto mais central veio da profunda experiência religiosa de líderes como Lutero e Calvino. A sua visão da graça e da glória de Deus, mediada pelas Escrituras, levou-os a colocá-lo no centro de suas vidas e a rejeitar tudo aquilo que pudesse obscurecer a sua majestade como Senhor do universo, da vida e da redenção.
2. Há que considerar o seu entendimento da Igreja como comunidade de adoração, comunhão e serviço.
A Igreja não era para eles uma estrutura ou instituição, mas o conjunto dos fiéis que se reúnem para exaltar a Deus, estudar a sua Palavra e celebrar a sua salvação, e depois se dispersam para testemunhar e servir.
3. Os reformadores nos inspiram em seu entendimento da sociedade.
Rompendo com a dicotomia entre sagrado e secular, os líderes da Reforma e seus seguidores insistiram no fato de que toda a vida pertence a Deus e deve refletir o seu senhorio. Com seu trabalho e exemplo, o cristão deve esforçar-se para que os valores do Reino permeiem todas as áreas da coletividade.
Que sejam essas as nossas preocupações ao lembrarmos novamente os eventos e personagens dos quais somos herdeiros.
Pr. Magdiel G Anselmo
Adaptado do artigo de Alderi Souza de Matos.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Fundamentos enganosos da "verdade".

"Foi-me dada uma cana semelhante a uma vara, e foi-me dito: Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele adoram."
Apocalipse 11.1
 
O único padrão para medirmos a veracidade das coisas divinas continua sendo o mesmo que o Senhor Deus entregou ao homem: a sua infalível Palavra, ou seja, as Sagradas Escrituras. No mundo de hoje, com múltiplas seitas e múltiplas propostas de verdade religiosas, mais do que nunca precisamos nos apoiar nos fundamentos de nossa fé. Caso contrário, seremos arrastados por sutilezas de argumentos que, embora aparentemente racionais, não condizem com as verdades bíblicas. “E digo isto para que ninguém vos engane com palavras persuasivas” (Cl 2.4).
Nem todos param e ponderam o que escutam e por isso se deixam convencer por afirmações ou razões falsas. Além de racional, o homem é um ser emocional e social, portanto influenciável por esses fatores. As pessoas buscam apoio para suas convicções em fontes turvas e se apóiam em alicerces frágeis, envenenando seu espírito e enveredando por caminhos que não pertencem ao Deus vivo.
Dentre os elementos que as pessoas procuram (consciente ou inconscientemente) basear suas crenças, podemos citar:
 
Quantidade
No monte Carmelo eram oitocentos e cinqüenta profetas de Baal e do poste-ídolo contra um único profeta do Senhor, Elias (1Rs 18.19).
Não precisamos dizer quem detinha a verdade. Não importa o número de pessoas que crêem em certa afirmação, esse fato, no entanto, não torna tal afirmação verdadeira. A quantidade de muçulmanos (cerca de um bilhão) que crêem no Alcorão não torna o livro islâmico na verdadeira Palavra de Deus. Julgar uma crença pelo número de adeptos é medi-la com um padrão extremamente falível. Se Colombo assim pensasse, jamais descobriria a América. Nesses casos, os números mentem.
Isso não quer dizer que algo torna-se verdadeiro somente porque são poucos os seus defensores. As pequenas seitas geralmente citam a porta estreita (Mt 7.14) para justificar a perdição de bilhões de pessoas por não aceitarem seus ensinos absurdos, alegando que poucos entram por ela. Não esqueçamos que “pouco” é relativo. Sessenta milhões de crentes na China é relativamente pouco para uma população de um bilhão e duzentos. Todavia, se esse número fosse no continente Europeu seria bastante expressivo.
Portanto, a nossa fé não se apóia na adesão de poucos ou de muitos.
O prumo das Escrituras ignora resultados numéricos, embora o mundo moderno ame as estatísticas. Seguir multidões não é sinônimo nem antônimo de seguir a Cristo. Independente de qualquer coisa, a Palavra de Deus continua sendo a Palavra de Deus, “quer ouçam quer deixem de ouvir” (Ez 2.7).
 
Antiguidade
A antiguidade de uma crença jamais será garantia de sua veracidade.
O politeísmo é quase tão velho quanto a humanidade, mas isso não o torna aceitável. Astrólogos e reencarnacionistas gostam de apoiar-se sobre esse fundamento, vangloriando-se de vestígios mesopotâmicos e egípcios de suas práticas. Mas a verdade não vive de múmias. Os antigos podem estar tão errados quantos os modernos. O movimento Nova Era, em sua adoração ao primitivo e ao antigo, não tem restaurado a verdade, mas, sim, ressuscitado o paganismo.
Não devemos menosprezar as tradições como desprovidas de valor, como também não devemos superestimá-las. O catolicismo, ao colocar a tradição em pé de igualdade com a Bíblia, sancionou erros históricos quando deveria extirpá-los com a régua de Deus. O que a Reforma Protestante fez foi apenas começar a aplicar o padrão divino (leia-se Escrituras Sagradas) depois de séculos de desvio doutrinário.
“E assim invalidaste o mandamento de Deus pela vossa tradição” (Mt 15.6).
Esse tem sido o problema com muitas doutrinas: querem ser mantidas pelo aval dos anos, quando a história ensina que o tempo desgasta e torce ao invés de edificar.
“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Cl 2.8)
 
Sucesso
Sucesso transformou-se na palavra do momento, capaz de justificar qualquer comportamento e validar qualquer conceito. As pessoas estão dispostas a aceitar qualquer ensino - mesmo o evangelho, se este as levar ao sucesso imediato.
Se uma pessoa teve sucesso na vida, então tudo o que ela diz deve ser verdade; mas se alguém não é bem-sucedido, segundo os padrões seculares atuais, então o que ele ensina deve ser descartado em favor de outro ensino melhor.
Uma mensagem de “deixa tudo e segue-me” ou “negue-se a si mesmo” soa muito fracassada. Os mártires já não são bem-vistos, e ninguém mais ouve os seus ensinos. Mas qualquer líder religioso hoje que demonstre e prometa prosperidade, felicidade e sucesso é considerado verdadeiro.
Sabemos que a verdade pode tornar alguém bem-sucedido.
Mas isto não significa que alguém bem-sucedido pode tornar qualquer coisa verdadeira. Pessoas de sucesso podem estar avançando por caminhos que não pertencem a Deus.
Nem toda a fama de Paulo Coelho pode dar validade ao conteúdo de seus livros. Eles não passam de ficção repleta de idéias pagãs que “matam” ao invés de dar vida.
“Pois tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte. Somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo! Nós fracos, mas vós sois fortes! Vós sois ilustres, nós desprezíveis. Até esta presente hora sofremos fome, sede, e nudez; recebemos bofetadas, e não temos pousada certa. Afadigamo-nos, trabalhando com nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando somos perseguidos, sofremos; quando somos difamados, consolamos. Até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos” (1Co 4.9-13).
Sinceramente, essa descrição do ministério apostólico está bem longe do conceito moderno de sucesso. Todavia, foi escrita por um dos homens que lançaram os alicerces da Igreja e do evangelho.
 
Moralidade
A verdade de Deus deve produzir justiça e gerar santidade.Ela não é apenas algo para armazenarmos mentalmente. Temos de “andar na verdade” (3Jo 3,4), e não simplesmente conhecê-la. Nosso procedimento comprova a nossa fé.
Por outro lado, é perigoso colocar o comportamento como fundamento da verdade.
As boas obras impressionam de tal forma que muitos pressupõem que se alguém prega e faz bem ao próximo então seu ensino deve definitivamente ser verdadeiro. Na verdade, as boas obras devem ser estimuladas e praticadas, mas elas não confirmam qualquer doutrina. O espiritismo, por um lado, exalta a caridade e, por isso, conquista o respeito da opinião pública.
Por outro lado, no entanto, fomenta a consulta e incorporação dos chamados “espíritos de luz”, levando muitos ao pecado e à influência satânica. Suas boas obras, porém, não podem justificar seus erros.
O apóstolo Paulo muitas vezes defrontou-se com homens que por um lado apresentavam aparência de justiça mas, por outro, sustentavam ensinos contrários ao evangelho. Certas ocasiões, os discípulos de Paulo ficavam perplexos, mas tinham de concordar com ele quando a situação exigia que alguns homens que aparentemente viviam uma vida justa precisavam ser condenados.
Em uma dessas ocasiões a resposta do apóstolo aos seus discípulos foi: “E não é de admirar, pois o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transformem em ministros da justiça. O fim deles será conforme as suas obras” (2Co 11.14,15).
Todos os que servem a Deus devem ser justos, mas nem todos aqueles que possuem aparência de justiça servem a Deus.
O amor não é equivalente à verdade, embora os dois tenham de andar juntos.
 
Beleza
Hoje, o mundo procura um Deus estético, e não um Deus ético.
Todos querem uma religião de aparência, que pareça bonita, sem se importar se ela é verdadeira ou não. Trocam facilmente o conteúdo pela forma. Os muçulmanos gostam de dizer que uma das provas da inspiração do Alcorão é a sua beleza. Que eles nos perdoem, mas se esse fosse o caso, a Bíblia ganharia de longe.
O poeta libanês Kalil Gibran orou a Deus e disse: “Dizer a tua verdade, envolta em tua beleza”. Não podemos negar a beleza de seus versos, mas também não podemos considerá-los infalíveis. Só as Escrituras são infalíveis, mesmo quando não são belas.
Nem tudo o que é belo é necessariamente bom e verdadeiro. Nem tudo o que é verdadeiro tem de ser necessariamente belo, mas com certeza é bom.
Não podemos esquecer que aquele que é a Verdade, quando esteve entre nós, “não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos... Como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum” (Is 53.2,3). Se buscarmos somente a beleza por certo a encontraremos em muitos lugares. Mas se buscamos a verdade só a encontraremos na Palavra de Deus.
Um belo hino, uma pregação eloqüente e um texto bem-escrito podem facilmente conter inverdades que serão aceitas por causa de sua beleza. Pior que um veneno, é um veneno gostoso, perfumado e bem-embalado. Isso é típico de Satanás. Diz a Bíblia sobre ele: “...corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor” (Ez 28.17).
Não podemos nos esquecer: o pai da mentira é um belo ser.
 
Agradabilidade
Ninguém se tornará popular pregando a doutrina do inferno. Ela não agrada aos ouvidos.
Os que rejeitam a idéia de um inferno de fogo, onde os ímpios passarão a eternidade, não a rejeitam por não ser bíblica, mas por sua dureza. Da mesma sorte, os que a pregam não o fazem com um senso de prazer, mas de fidelidade às Escrituras. A verdade nem sempre é totalmente doce. “Fui, pois, ao anjo, e lhe pedi que me desse o livrinho. Disse-me ele: Toma-o, e come-o. Ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel” (Ap 10.9).
As pessoas têm a tendência de “adocicar” a mensagem que pregam para não repelir os ouvintes, e fazem isso extraindo de seu conteúdo elementos que possam causar algum desconforto.
É uma atitude perigosa, e pode comprometer tanto o que ensina quanto o que ouve. “Duro é este discurso. Quem poderá ouvi-lo?” (Jo 6.60). O rico foi embora porque Jesus não quis suprimir as exigências da salvação (Mc 10.21,22). Não que a verdade seja um monte de espinhos ou que tem por obrigação incomodar as pessoas. Mas apegar-se a um ensino somente porque ele traz conforto e nenhuma repreensão é correr grave risco.
Deus é bom e justo. Abraçar sua bondade e rejeitar sua justiça tem sido a atitude de muitos. Um Deus que julga, condena e castiga o pecado tem-se tornado cada vez mais impopular.
A LBV chega ao ponto de interceder por Lúcifer para que ele seja salvo e o universalismo prega a salvação de todos os homens. São colocações agradáveis em termos de religião, mas não são verdadeiras, portanto não salvam.
 
Erudição
As palavras erudição e verdade não são sinônimas. Porque alguém sabe muito, não significa que saiba a verdade.
É muito fácil se impressionar com a cultura de uma pessoa e achar que pelo seu grande conhecimento ela deve estar certa em suas afirmações.
Em se tratando das coisas de Deus, a cultura pode ser irrelevante.
É claro que muitos dos escritores inspirados da Bíblia apresentavam cultura e erudição, mas não foram essas coisas que confirmaram a Palavra de Deus como padrão. Ao lermos as epístolas de Paulo, não é a erudição do autor humano que importa, mas a inspiração do Autor divino. “Os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria, mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” (1C o 1.22). Sócrates, Platão e Aristóteles tiveram sua importância histórica, mas não foi por eles que a verdade de Deus se estabeleceu. Nesse aspecto, o iletrado Pedro foi instrumento de Deus para proclamar a verdade inspirada.
Homens como Marx, Engels e Nietzsche foram filósofos de conhecimento e profundidade extraordinários. Mas seus ensinos se mostraram falsos e destrutivos ao longo da história. Até o pensamento científico, visto como árbitro de todas as afirmações, já defendeu enormes absurdos. Não rejeitamos a ciência, mas também não podemos tomá-la por infalível. Só Deus é infalível. Somente a sua Palavra determina o que é certo e o que é errado, o que é falso e o que é veraz: “Disto também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina...” (1Co 2.13).
 
Convicção
É mais comum do que se pensa errar com convicção.
“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte” (Pv 14.12 ).
Alguém pode pregar e ensinar o erro com mais entusiasmo do que aqueles que ensinam a verdade.
Uma crença não é verdadeira somente porque seus seguidores se dispõem a morrer por ela.
O martírio pode honrar a verdade, mas jamais pode tornar verdadeiro aquilo que é falso. Sem dúvida, Hitler estava totalmente convencido das idéias loucas do nazismo e as proclamou com tamanha convicção que conseguiu influenciar uma nação inteira. Esse fato, porém, não tornou (e não torna) a doutrina nazista veraz.
Principalmente quando no meio de uma massa, o ser humano tende a ser sugestionado pelos sentimentos e começa então a reagir como o grupo. Qualquer pessoa que proclame algo com insistência pode influenciar outras a aceitarem coisas que não são verdadeiras. Em Atos 17.10,11, aconteceu algo interessante. Os irmãos da cidade de Beréia, para onde Paulo e Silas foram enviados, receberam de bom grado a pregação desses dois homens de Deus, mas não deixaram de examinar nas Escrituras para ver se o que falavam era de fato verdadeiro: “Ora, estes foram mais nobres do que os de Tessalônica, pois de bom grado receberam a palavra, examinando a cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim”.
 
Conclusão
Não rejeito a popularidade, a tradição, o sucesso, a moralidade, a beleza, os benefícios, a erudição e a convicção resultantes da verdade. Mas não podemos considerar essas coisas um padrão para a nossa fé. Cremos na Palavra de Deus como única norma. A importância em excesso conferida a outras coisas tem afastado muitos do Caminho. E o pior: tem lhes causado um sentimento de segurança e satisfação que os impede de ver a verdade.
Temos de conhecer os verdadeiros fundamentos da nossa fé e esperança, e sobre esses fundamentos construir os alicerces de nossa existência.
“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva”
(Is 8.20).

Pr. Magdiel G Anselmo adaptado de texto de Helio de Souza

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A DOUTRINA DA CRIAÇÃO – O CRIACIONISMO


Uma das grandes discussões que existem é sobre a criação do universo. Existem várias linhas de pensamentos sobre este assunto. A criação segundo a Bíblia, a teoria da evolução e a teoria da auto-criação são as principais.
Vamos conhecê-las nesta lição e descobrir qual a verdadeira.
 
a) A Teoria da Evolução: Esta teoria criada por Charles Darwin afirma que tudo que existe foi consequência de um processo de evolução. Isso significa que tudo que existe hoje, teve seu início a partir de algo preexistente e inanimado. Ou seja, a vida veio de algo sem vida, e as espécies foram sendo formadas ao longo do tempo, através de mutações e transformações causadas pela seleção natural (luta pela sobrevivência). Esta teoria teve origem no século XIX (1859) com a publicação do livro de Charles Darwin intitulado “A Origem das Espécies”.
Esta teoria tem inúmeras dificuldades de credibilidade pois mesmo no meio científico já foi desacreditada e afastada por completo. Inclusive seu criador, Darwin, depois de algum tempo também não acreditava nela.
 
Veja alguns dos problemas enfrentados por esta teoria:

a.1- Um dos principais obstáculos que levaram esta teoria a ser desacreditada era o tempo pois a Terra não é suficientemente antiga para comportar o processo evolutivo para que tudo tenha atingido o estágio atual.

a.2- Outro problema sério que abalou esta teoria é a da lei da termodinâmica que afirma que a energia e a massa podem mudar de forma, mas a quantidade não muda, isso significa dizer que então não podemos crer que tudo que existe foi resultado de uma evolução já que isso é impossível por esta lei.

a.3- A lei da biogênese também é uma dificuldade para a teoria da evolução pois afirma comprovadamente que todo organismo vivo provém somente de outro organismo vivo.

Com isso verificamos que a própria ciência derrubou esta teoria, pois nem Darwin ou qualquer um dos defensores do evolucionismo conseguiu provar que a vida surgiu do inanimado e que a matéria sofreu mutações para algo melhor e organizado. Não foi necessária a confrontação bíblica pela própria fragilidade da teoria.
 
b) A Teoria da Autocriação: Esta teoria afirma que a três milhões de anos atrás houve uma imensa explosão e os gases que foram criados por ela formaram os planetas, as estrelas, enfim o universo que conhecemos hoje.
Esta teoria também é chamada de teoria do “big bang”.  Antes desta explosão só existia uma grande bola incandescente que como vimos explodiu ou foi também alvo da grande explosão, que afirmam aconteceu como ocorre com a autocombustão. Esta teoria tem alguns defensores no mundo científico, porém também fica apenas no campo da teoria, pois não há como prová-la mesmo com muitas tentativas de cientistas do mundo todo.
 
c) A Criação do Universo segundo a Bíblia
A Bíblia não discute o tema “evolução”, pois inicia afirmando que “No princípio criou Deus os céus e a terra”.  O que evoluiria seria a ciência, as pesquisas, o saber (Daniel 12:4). Ela não entra em detalhes sobre os assuntos postos acima. Apenas afirma. Não se preocupa em explicar, por exemplo, se os seis (6) dias da criação foram de vinte e quatro (24) horas como os de hoje.
Analisando alguns dados científicos relacionados com a vida vegetal e animal sobre a terra, os registros dos fósseis e outros dados, pudemos verificar que a criação, exatamente como relatada no livro de Gênesis, é a mais viável, não necessitando de nenhuma suposição, como fazem  os evolucionistas.
 
A seguir veja alguns argumentos que reforçam a criação como é descrita na Bíblia e desacreditam por completo as outras teorias:

1) A formação das espécies: A evolução prega que as espécies foram aparecendo de acordo com mutações nos seres iniciais, de acordo com a necessidade ambiental de sobrevivência. Hoje em dia, sabemos que existem variações dentro da mesma espécie. Por exemplo: vários cruzamentos genéticos em cães têm propiciado o aparecimento de novas raças. Mas continuam sendo cães. Não se conhece nenhum animal que devido a mutações mudou de espécie, simplesmente porque isso é impossível e a maioria das mutações leva seres vivos à morte. (Gênesis 1: 12 20-22).

2) As leis da Natureza: Todas as leis da física e da biologia têm total compatibilidade com o relato bíblico da criação, se houver o pressuposto de que num determinado momento todo o universo estava criado e maduro, e começou a validade das leis da natureza. (Salmo 19: 1-4).

3) O Universo apareceu todo na semana da criação: Não existe nenhuma evidência de que esteja havendo evolução em todo tempo registrado Os fósseis encontrados anteriormente, e ainda em nossos dias, indicam que os seres de outrora eram exatamente como os de hoje, ou seja, não existe nada sobre as espécies transitórias defendidas pela teoria da evolução.

4) A Origem da Vida: Conforme a teoria da evolução, o primeiro ser vivente surgiu da combinação de vários acontecimentos físicos e químicos. pelo conhecimento atual a respeito deste assunto, sabe-se que o mecanismo necessário para proporcionar a vida desencadearia um processo de desintegração da célula criada logo a seguir. Isto está de acordo com a lei da Termodinâmica que explica sobre a tendência de desorganização dos sistemas organizados. Os evolucionistas pensam mais ou menos assim: Coloque todas peças de um relógio dentro de uma caixa e sacuda até que o mesmo seja completamente montado. É um absurdo crer nisso, a vida conforme Gênesis 2:7 é muito mais viável.

5)A Interpretação Bíblica segundo  os evolucionistas: As teorias que tentam harmonizar a Bíblia com a evolução fazem uma interpretação figurada de Gênesis 1 e 2. Ora, muitos outros livros da própria Bíblia usam Gênesis literalmente inclusive o próprio Senhor Jesus Cristo (Mateus 24: 38,39). Logo, se estas teorias e interpretações da Bíblia forem corretas, a Bíblia fica toda comprometida e o próprio Senhor Jesus passa a ser alguém  suscetível a erros e enganos. Estamos vemos que quanto mais passa o tempo é o contrário que acontece. Cada dia mais descobertas científicas e arqueológicas, bem como em todas áreas do conhecimento humano confirmam o que a Bíblia relata.

Considerações Finais:
Os que estudarem a Bíblia como um todo verão que ela é criacionista. Isso significa que todo o universo foi criado do nada por Deus mediante a Sua Palavra. Os capítulos 1 e 2 de Gênesis são literais e verídicos. Se Deus usasse outra forma para a criação, com certeza estaria então relatado nestes capítulos ou em outra parte das Escrituras. A criação segundo a Bíblia não é uma teoria pois tudo que é relatado não é desmentido pela ciência, ao contrário tudo é muito provável segundo os cientistas, pois ao cair por terra o evolucionismo e outras teorias, os cientistas dobram-se a perspectiva sobrenatural.

A seguir veja a doutrina da criação como ela é:

a) Tudo que existe tem valor. Foi um plano sábio que deu existência a tudo o que há na criação. Cada parte tem seu lugar, exatamente o lugar que Deus queria que tivesse. Deus ama toda Sua criação, não apenas certas partes dela. Portanto, nós também devemos ter consideração por toda ela, para preservar, guardar e desenvolver o que Deus fez;

b) A atividade criadora de Deus inclui não só a atividade criadora inicial, mas também suas obras indiretas posteriores. A criação não impede o desenvolvimento do mundo, ela o inclui. Assim, o plano de Deus encerra e utiliza o melhor da capacidade e do conhecimento humano no aperfeiçoamento genérico da criação. Tais empreendimentos são nossa parceria com Deus na obra contínua de criação. Ainda assim, é claro, precisamos estar cientes de que os materiais e as verdades que empregamos nesses empreendimentos vêm de Deus;

c) Há justificativa para investigar cientificamente a criação. A ciência assume que existe algum tipo de ordem ou padrão discernível na criação. Se o universo fosse um acaso e, por conseguinte, todos os fatos reunidos por cientistas formassem uma mera coleção de casualidades, não seria possível nenhuma compreensão real da natureza. Mas ao afirmar que tudo foi feito de acordo com um padrão lógico, a doutrina da criação fortalece as pressuposições da ciência;

d) Nada, exceto Deus, é auto-suficiente ou eterno. Tudo o mais, todo objeto e todo ser, deriva sua existência dEle. Tudo existe para fazer Sua vontade. Embora devamos grande respeito à criação, uma vez que foi feita por Ele, sempre devemos manter uma distinção clara entre ela e Deus.

e) A doutrina da criação afirma que tudo que não é Deus, originou-se dEle.

f) O ato original da criação é singular. Somente Deus poderia executá-lo.

g) Tudo veio de Deus e é bom. O mal não é intrínseco a nada que foi criado.

h) A doutrina da criação afirma que nenhuma criatura ou combinações de criaturas pode jamais se igualar a Deus, derrubando assim toda forma de idolatria.
 
 
 
 
 
Louvado seja Deus, o Criador de tudo e todos !






Pr. Magdiel G Anselmo.

A Teologia Liberal e suas implicações para a fé bíblica

Você já deve ter ouvido falar da tal Teologia Liberal. Alguns somente por ouvir ou ler o termo "liberal" já se animam a defendê-la sem, contudo, conhecê-la.
São dias difíceis... Dias de todo tipo de engano mascarados de "coisa boa" ou de intelectualidade e academicidade.
Pois é, do jeito que as coisas andam em nossos dias, muitos precisam urgentemente se libertar dessas concepções equivocadas e a teologia liberal tem sido uma grande incentivadora dessas concepções e ensinos absurdos.
É espantoso o crescente número de livros (inclusive publicados por editoras evangélicas) que esboçam os ensinamentos deste tipo de teologia ou tecem comentários favoráveis. Embora esta teologia tenha nascido com os protestantes, hoje, porém, seus maiores expoentes são os católicos romanos.
Em qualquer livraria católica encontramos grande quantidade de obras defendendo e/ou propagando a teologia liberal. E não é só isso. A forma com que alguns seminários e igrejas vêm se comprometendo com os ensinos desta teologia também é de impressionar.
A libertação da teologia liberal não só é necessária como também é vital para a Igreja brasileira, ameaçada pelo secularismo e pelo liberalismo teológico corrosivo.
Apesar das motivações iniciais dos modernistas, suas idéias, no entanto, representaram grave ameaça à ortodoxia, fato já comprovado pela história. O movimento gerou ensinamentos que dividiram quase todas as denominações históricas na primeira metade deste século. Ao menosprezar a importância da doutrina, o modernismo abriu a porta para o liberalismo teológico, o relativismo moral e a incredulidade descarada.
Atualmente, a maioria dos evangélicos tende a compreender a palavra “modernismo” como uma negação completa da fé. Por isso, com facilidade esquecemos que o objetivo dos primeiros modernistas era apenas tornar a igreja mais “moderna”, mais unificada, mais relevante e mais aceitável em uma era caracterizada pela modernidade.
Mas o que caracterizaria um teólogo liberal? O verbete sobre o “protestantismo liberal” do Novo Dicionário de Teologia, editado por Alan Richardson e John Bowden, nos traz uma boa noção do termo.
Vejamos três destaques de elementos do liberalismo teológico:
 
1 – É receptivo à ciência, às artes e estudos humanos contemporâneos. Procura a verdade onde quer que se encontre. Para o liberalismo não existe a descontinuidade entre a verdade humana e a verdade do cristianismo, a disjunção entre a razão e a revelação. A verdade deve ser encontrada na experiência guiada mais pela razão do que pela tradição e autoridade e mostra mais abertura ao ecumenismo;
 
2 – Tem-se mostrado simpatia para com o uso dos cânones da historiografia para interpretar os textos sagrados. A Bíblia é considerada documento humano, cuja validade principal está em registrar a experiência de pessoas abertas para a presença de Deus. Sua tarefa contínua é interpretar a Bíblia, à luz de uma cosmovisão contemporânea e da melhor pesquisa histórica, e, ao mesmo tempo, interpretar a sociedade, à luz da narrativa evangélica;
 
3 – Os liberais ressaltam as implicações éticas do cristianismo. O cristianismo não é um dogma a ser crido, mas um modo de viver e conviver, um caminho de vida. Mostraram-se inclinados a ter uma visão otimista da mudança e acreditar que o mal é mais uma ignorância. Por ter vários atributos até divergentes, o liberal causa alergia para uns e para outros é motivo de certa satisfação, por ser considerado portador de uma mente aberta para o diálogo com posições contrárias.
 
As grandes batalhas causadas pelo liberalismo foram travadas dentro das grandes denominações históricas. Muitos pastores que haviam saído dos EUA no intuito de se pós-graduarem nas grandes universidades teológicas da Europa, especificamente na Alemanha, em que a teologia liberal abraçava as teorias destrutivas da Alta Crítica produzida pelo racionalismo humanista, acabaram retornando para os EUA completamente descrentes nos fundamentos do cristianismo histórico.
Os liberais, devido à tolerância inicial dos fiéis para com a sã doutrina, tiveram tempo de fermentar as grandes denominações e conseguiram tomar para si os grandes seminários, rádios e igrejas, de modo que não sobrou outra alternativa para grande parte dos fundamentalistas senão sair dessas denominações e se organizar em novas denominações.
Daí surgiram os Batistas Regulares (que formaram a Associação Geral das Igrejas Batistas Regulares, em 1932), os Batistas Independentes, as Igrejas Bíblicas, as Igrejas Cristãs Evangélicas, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (em 1936, que mudou seu nome para Igreja Presbiteriana Ortodoxa), a Igreja Presbiteriana Bíblica (em 1938), a Associação Batista Conservadora dos Estados Unidos (em 1947), as Igrejas Fundamentalistas Independentes dos Estados Unidos (em 1930) e muitas outras denominações que existem ainda hoje.
 
Podemos dizer que algumas das características do Cristianismo ortodoxo se baseiam nos seguintes pontos:
 
Manter fidelidade incondicional à Bíblia, que é inerrante, infalível e verbalmente inspirada;


Acreditar que o que a Bíblia diz é verdade (verdade absoluta, ou seja, verdade sempre, em todo lugar e momento);

Julgar todas as coisas pela Bíblia e ser julgado unicamente por ela;

Afirmar as verdades fundamentais da fé cristã histórica: a doutrina da Trindade, a encarnação, o nascimento virginal, o sacrifício expiatório, a ressurreição física, a ascensão ao céu, a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, o novo nascimento mediante a regeneração do Espírito Santo, a ressurreição dos santos para a vida eterna, a ressurreição dos ímpios para o juízo final e a morte eterna e a comunhão dos santos, que são o Corpo de Cristo.

Ser fiel à fé e procurar anunciá-la a toda criatura;

Denunciar e se separar de toda negativa eclesiástica dessa fé, de todo compromisso com o erro e de todo tipo de apostasia;

Batalhar firmemente pela fé que foi concedida aos santos.


Contudo, o liberalismo, em sua apostasia, nega a validade de quase todos os fundamentos da fé, como, por exemplo, a inerrância das Escrituras, a divindade de Cristo, a necessidade da morte expiatória de Cristo, seu nascimento virginal e sua ressurreição.
Chegam até mesmo a negar que existiu realmente o Jesus narrado nas Escrituras. A doutrina escatológica liberal se baseia no universalismo (todas as pessoas serão salvas um dia e Deus vai dar um jeito até na situação do diabo) e, conseqüentemente, para eles, não existe inferno e muito menos o conceito de pecado. O liberalismo é um sistema racionalista que só aceita o que pode ser “provado” cientificamente pelos próprios conhecimentos falíveis, fragmentados e limitados do homem.
Os primeiros estudiosos que aplicaram o método histórico-crítico sem critérios ao estudo das Escrituras negavam que a Bíblia fosse, de fato, a Palavra de Deus inspirada.
Segundo eles, a Bíblia continha apenas a Palavra de Deus.
O liberalismo teológico tem procurado embutir no Cristianismo uma roupagem moderna: pegam as últimas idéias seculares e, sorrateiramente, espalham no mundo cristão. J.G. Machem, em seu livro Cristianismo e liberalismo, trata deste assunto com maestria. Na contracapa, podemos ver uma pequena comparação entre o Cristianismo e o liberalismo: “O liberalismo representa a fé na humanidade, ao passo que o cristianismo representa a fé em Deus. O primeiro não é sobrenatural, o último é absolutamente sobrenatural. Um é a religião da moralidade pessoal e social, o outro, contudo, é a religião do socorro divino. Enquanto um tropeça sobre a ‘rocha de escândalo’, o outro defende a singularidade de Jesus Cristo. Um é inimigo da doutrina, ao passo que o outro se gloria nas verdades imutáveis que repousam no próprio caráter e autoridade de Deus”.
Muitos, por buscarem aceitação teológica acadêmica, têm-se comprometido fatalmente, pois, na prática, os liberais tentam remover do Cristianismo todas as coisas que não podem ser autenticadas pela ciência. Sempre que a ciência contradiz a Bíblia, a ciência é preferida e a Bíblia, desacreditada.
Hoje, a animosidade que demonstram para com a Bíblia tem caracterizado aqueles que crêem que ela é literalmente a Palavra de Deus e inerrante (sem erros em seus originais) como “fundamentalistas”.
Ora, podemos por acaso negociar o inegociável?
Os liberais acusam os evangélicos de transformar a Bíblia em um “papa de papel”, ou seja, em um ídolo.
Com isso, culpam os evangélicos de bibliolatria.
Estamos cientes de que tem havido alguns exageros por parte de alguns fundamentalistas evangélicos, mas a verdade é que os “eruditos” liberais têm-se mostrado tão exagerados quanto muitos do que eles denominam de fundamentalistas.
Teoricamente falando, a maioria dos liberais acredita em Deus, supondo que Ele pode intervir na história da humanidade, porém, na prática, e com freqüência, mostram-se muito mais deístas.
Normalmente, os liberais também favorecem o “relativismo”, ou seja, difundem que no campo da verdade não há absolutos. Segundo este raciocínio, se não há verdades absolutas, então, as verdades da Bíblia (que são absolutas) são relativas, logo, não podem ser a Palavra de Deus. Tendo rejeitado a Bíblia como a infalível Palavra de Deus e aceitado a idéia de que tudo está fluindo, o teólogo liberal afirma que não é segura qualquer idéia permanente a respeito de Deus e da verdade teológica.
Levando o pensamento existencialista às últimas conseqüências, conclui-se que: se quisermos que a Bíblia tenha algum valor para a modernidade e fale ao homem moderno, temos de criar uma teologia para cada cultura, para cada contexto, onde nenhum ensino é absoluto, mas relativo, variando conforme o contexto sociocultural. Obviamente, tal pensamento possui fundamento em alguns pontos, mas daí ao radicalismo de pregar que nada é absoluto, isso já extrapola e fere diversos princípios bíblicos.
 
Raízes
O liberalismo teológico começou a florescer de forma sistematizada devido à influência do racionalismo de Descartes e Spinoza, nos séculos 17 e 18, que redundou no iluminismo.
O liberalismo opunha-se ao racionalismo extremado do iluminismo.
Na verdade, quando a igreja começa a flertar com o liberalismo e se render aos seus interesses, ela perde sua autoridade e deixa de ser embaixadora de Deus. A história tem provado que onde o liberalismo teológico chega a Igreja morre. Este é um aviso solene que deve estar sempre trombeteando em nossos ouvidos.
 
A baixa crítica
Conforme Gleason L. Archer Jr, “a ‘baixa crítica’ ou crítica textual se preocupa com a tarefa de restaurar o texto original na base das cópias imperfeitas que chegaram até nós. Procura selecionar as evidências oferecidas pelas variações, ou leituras diferentes, quando há falta de acordo entre os manuscritos sobreviventes, e pela aplicação de um método científico chegar àquilo que era mais provavelmente a expressão exata empregada pelo autor original”.
 
A alta crítica
J. G. Eichhorn, um racionalista germânico dos fins do século 18, foi o primeiro a aplicar o termo “alta crítica” ao estudo da Bíblia. E, por esse motivo, ele tem sido chamado de “o pai da crítica do Antigo Testamento”.
Segundo R. N. Champlin, “a ‘alta crítica’ aponta para o exame crítico da Bíblia, envolvendo qualquer coisa que vá além do próprio texto bíblico, isto é, questões que digam respeito à autoria, à data, à forma de composição, à integridade, à proveniência, às idéias envolvidas, às doutrinas ensinadas, etc. A alta crítica pode ser positiva ou negativa em sua abordagem, ou pode misturar ambos os pontos de vista”.
Mas o que temos visto na prática é que esta forma de crítica tem negado as doutrinas centrais da fé cristã, em nome da ciência, da modernidade e da razão. O que fica evidente é que alguns críticos partem com o intuito de desacreditar a Bíblia, devido a alguns pressupostos naturalistas, chegando ao cúmulo de dizer que a Igreja inventou Jesus.
Conforme Norman Geisler “a alta crítica pode ser dividida em negativa (destrutiva) e positiva (construtiva). A crítica negativa, como o próprio nome sugere, nega a autenticidade de grande parte dos registros bíblicos. Essa abordagem, em geral, emprega uma pressuposição anti-sobrenatural”.
 
Métodos aplicados a qualquer tipo de literatura passaram a ser aplicados também à Bíblia, com grandes doses de ceticismo (no que diz respeito à validade histórica e à integridade de seus livros), com invenções de entusiastas que tinham pouca base nos fatos históricos.
Assim, onde vemos nas narrativas da Bíblia fatos sobrenaturais esta teologia lhes confere interpretações naturais, retirando da Palavra de Deus todas as intervenções miraculosas. Claramente é impróprio, ou mesmo blasfematório, nos colocarmos como juízes sobre a Bíblia.
Penosamente, a “alta crítica” tem empregado uma metodologia faltosa, caindo em alguns pressupostos questionáveis. E, devido aos seus resultados, ultimamente vem sendo descrita como “alta crítica destrutiva”.
 
C. S. Lewis, sem dúvida o apologista cristão mais influente do século 20, em seu artigo “A teologia moderna e a crítica da Bíblia”, tece os seguintes comentários:
“Em primeiro lugar, o que quer que esses homens possam ser como críticos da Bíblia, desconfio deles como críticos [...] Se tal homem chega e diz que alguma coisa, em um dos evangelhos, é lendária ou romântica, então quero saber quantas lendas e romances ele já leu, o quanto está desenvolvido o seu gosto literário para poder detectar lendas e romances, e não quantos anos ele já passou estudando aquele evangelho [...] os críticos falam apenas como homens; homens obviamente influenciados pelo espírito da época em que cresceram, espírito esse talvez insuficientemente crítico quanto às suas próprias conclusões [...] Os firmes resultados da erudição moderna, na sua tentativa de descobrir por quais motivos algum livro antigo foi escrito, segundo podemos facilmente concluir, só são ‘firmes’ porque as pessoas que sabiam dos fatos já faleceram, e não podem desdizer o que os críticos asseguram com tanta autoconfiança”.
 
Prove e veja
Na Universidade de Chicago, Divinity School, em cada ano eles têm o que chamam de “Dia Batista”, quando cada aluno deve trazer um prato de comida e ocorre um piquenique no gramado. Nesse dia, a escola sempre convida uma das grandes mentes da literatura no meio educacional teológico para palestrar sobre algum assunto relacionado ao ambiente acadêmico.
Certo ano, o convidado foi Paul Tillich, que discursou, durante duas horas e meia, no intuito de provar que a ressurreição de Jesus era falsa. Questionou estudiosos e livros e concluiu que, a partir do momento que não existiam provas históricas da ressurreição, a tradição religiosa da igreja caía por terra, porque estava baseada num relacionamento com um Jesus que, de fato, segundo ele, nunca havia ressurgido literalmente dos mortos.
Ao concluir sua teoria, Tillich perguntou à platéia se havia alguma pergunta, algum questionamento. Depois de uns trinta segundos, um senhor negro, de cabelos brancos, se levantou no fundo do auditório: “Dr Tillich, eu tenho uma pergunta, ele disse, enquanto todos os olhos se voltavam para ele. Colocou a mão na sua sacola, pegou uma maçã e começou a comer... Dr Tillich... crunch, munch... minha pergunta é muito simples... crunch, munch... Eu nunca li tantos livros como o senhor leu... crunch, munch... e também não posso recitar as Escrituras no original grego... crunch, munch... Não sei nada sobre Niebuhr e Heidegger... crunch, munch... [e ele acabou de comer a maçã] Mas tudo o que eu gostaria de saber é: Essa maçã que eu acabei de comer... estava doce ou azeda?
“Tillich parou por um momento e respondeu com todo o estilo de um estudioso: ‘Eu não tenho possibilidades de responder essa questão, pois não provei a sua maçã’.
“O senhor de cabelos brancos jogou o que restou da maçã dentro do saco de papel, olhou para o Dr. Tillich e disse calmamente: ‘O senhor também nunca provou do meu Jesus, e como ousa afirmar o que está dizendo?”. Nesse momento, mais de mil estudantes que estavam participando do evento não puderam se conter. O auditório se ergueu em aplausos. Dr. Tillich agradeceu a platéia e, rapidamente, deixou o palco”.
É essa a diferença!
É fundamental considerar que tudo o que engloba a fé genuinamente cristã está amparado em um relacionamento experimental (prático) com Deus. Sem esse pré-requisito, ninguém pode seriamente afirmar ser um cristão. Seria muito bom se os críticos se atrevessem a experimentar este relacionamento antes de tecerem suas conjeturas.
Se assim fosse, certamente se lhes abriria um novo horizonte para suas proposições e, quem sabe, entenderiam que o sobrenatural não é uma brecha da lei natural, mas, sim, uma revelação da lei espiritual.
 
Pr. Magdiel G Anselmo.
 
Bibliografia
 
ARCHER, Gleason L. Merece confiança o Antigo Testamento? Edições Vida Nova, p.54.
CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol 1. Candeia, p. 122.
GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. Editora Vida, p.113.
MCDOWELL, Josh. Evidência que exige um veredicto. Vol 2. Editora Candeia, p.522.

Artigo de Danilo Raphael - ICP
 
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