quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Cuidado com o Mundo Virtual

A Palavra de Deus nos orienta e direciona para possuirmos e cultivarmos relacionamentos sólidos e que enriquecerão nossa vida. Deus é um Deus de relacionamentos. Ele deseja e busca se relacionar com sua criação, principalmente com Seus filhos, com sua Igreja.
A Bíblia está repleta de exemplos e orientações para nos relacionarmos com Deus e com o próximo.
Há livros inteiros como Provérbios, Eclesiastes e cartas como a de Tiago, as de João e as de Paulo aos Coríntios que enfatizam como devemos nos relacionar com os diversos tipos de pessoas e situações do cotidiano de forma que agrademos a Deus.
 O próprio conceito de comunhão e de igreja tem muito a ver com isso. Essa sempre foi a vontade de Deus para a Humanidade. Desde o início a companhia uns dos outros e a necessidade de estar juntos têm sido uma constante na vida humana, fruto daquilo que Deus idealizou para a "coroa da sua criação".
O que quero dizer aqui?
Quero afirmar que Deus direta ou indiretamente nos orienta sobre relacionamentos (seja com Ele, com o irmão ou com o próximo), e quando O faz percebe-se claramente a importância da presença real das pessoas nesse processo.

O próprio Deus se relaciona conosco pelo Seu Espírito que habita em nós (Sua presença em nós). Deus é transcendente, porém não deixa de ser imanente.

E a inclinação de toda revelação da Escritura com relação a essa questão é em uma vida em comunidade, de congregação, bem próximos uns dos outros, forma pelo qual pode-se então existir a comunhão e interação das pessoas dando por fim início a edificação e crescimento individual como pessoa e cristão e coletivamente como comunidade e igreja.
Mas, como costumeiramente ocorre, o ser humano tem tentado de inúmeras formas desvirtuar o que deveria ser um benefício e contribuição à qualidade de vida humana.

E em uma fuga do ideal divino, o Homem tem criado formas e métodos para se relacionar com seu semelhante e até com seu irmão em Cristo, sem que precise estar próximo dele, tocá-lo, senti-lo ou estar presente junto do outro.
É aí que entra o universo virtual, a grande rede.
A grande rede (internet) trouxe grandes avanços na comunicação humana, na pesquisa, na propaganda, na divulgação, nos inúmeros tipos de entretenimento e isso facilitou a vida acadêmica, profissional e em inúmeras áreas.
Foi realmente uma revolução extraordinária.
Mas, também trouxe vários problemas, transtornos e até enfermidades da "vida pós-moderna" (viciados em internet).

Alguém diria que facilidades demais causam dificuldades a mais.

Mas, me atendo a questão dos relacionamentos, a internet tem proporcionado redes de relacionamentos "virtuais" que parecem suprir a necessidade de se relacionar, porém, a forma errada de entender e conceber isso traz muitos mais problemas e distorções do que acertos e contribuições positivas a vida humana.
O uso da internet (redes sociais, blogs, etc...) como substituição de contatos diretos, presenciais e de amizades verdadeiras têm sido frequentes. Ao invés do mundo virtual ser um complemento ou apenas um canal de comunicação entre pessoas, ele têm se tornado para muitos a única forma de relacionamento e mais, está fazendo com que pessoas se afastem do convívio e da interação "real" com as demais.
Temos então atualmente uma imensa multidão de pessoas que não possuem amigos reais mas somente virtuais, e isso tem causado problemas e tragédias de toda sorte, não somente na vida social, profissional e familiar, mas também na vida espiritual e cristã de muitos crentes.
Pensam muitos desses afastados da realidade e discípulos da virtualidade que não há a necessidade de frequentar ou de conviver com as pessoas "reais", mas que o simples fato de 'bater um papo" virtual, discutir polêmicas via net ou de ler e ver algumas fotos e comentários/postagens de outras pessoas, são suficientes para serem pessoas felizes.
Não sou contra isso tudo. Eu mesmo frequento e navego na internet com certa frequência, mas não faço disso minha vida e nem me torno escravo dessas coisas.
Sei também que vez por outra pode-se fazer uma amizade real que teve início em um contato virtual (eu mesmo tenho vontade de conhecer pessoalmente alguns amigos virtuais), mas a verdade é que muitos (diria a grande maioria), não desejam nenhum contato real, desejam apenas a continuidade desse processo superficial. A razão talvez seja porque o que é mostrado no virtual não seja o real, a verdade ou porque simplesmente se contentam com a superficialidade.
O tênue limite entre a realidade e o sonho e a ilusão não é levado em consideração e a pessoa acaba acreditando na sua própria mentira "virtual" e ali se esconde de todo e qualquer contato com a sua realidade que muitas vezes a frustra.
E assim muitos estão se tornando adeptos de uma vida sem cor e sem contato. Acabam se tornando aos poucos pessoas reclusas, solitárias e muitas vezes afetadas por doenças psicossomáticas que comprovadamente levam a doenças físicas.
O que precisam entender é que a frieza do teclado e do mouse não substitue o abraço e o afago. Que a luz do monitor não substitue a luz do sol e de um sorriso. Que a web cam não substitui a visão de uma nova amizade iniciada de um contato pessoal. Que o som multimídia não substitui uma boa conversa "ao vivo e a cores" com um bom amigo.
E principalmente, que o contato virtual com irmãos não substitui o ato de estar juntos em congregação. Juntos em adoração. Juntos no serviço cristão e acima de tudo, juntos como família... bem juntinhos em comunhão.
A internet não pode e não deve ser substituta dos contatos diretos, pessoais e reais. Não deve e não pode substituir relacionamentos de amizade e irmandade.
A internet deve ser um instrumento de comunicação, pesquisa e propagação de coisas boas, edificantes e que trazem contribuições para a melhoria da vida humana e não como alternativa a essa vida.
Como filhos de Deus devemos controlar e administrar o bom uso da grande rede e não nos tornarmos escravos desse monumental instrumento, pois poderemos colher consequências desastrosas dessa aventura.

Vai aqui alguns conselhos:

1. Invista o dobro ou até mais de seu tempo gasto na internet em oração e estudo da Bíblia.
2. Invista em relacionamentos interpessoais "de verdade" e não somente nas amizades virtuais.
3. Invista no reino de Deus "de verdade" e não somente de forma "virtual". Vá a uma igreja e ali sirva a Deus com seus dons e talentos de forma objetiva e prática.
4. Converse com as pessoas pessoalmente e não somente pela internet. Discuta, dê opiniões, faça comentários pessoalmente e não somente em blogs ou redes sociais.
5. Faça amigos. Forme rede de amigos "reais" na sua vizinhança, família, na escola, na faculdade, no seu trabalho, na sua igreja... e não se restrinja apenas as centenas ou milhares de amigos virtuais que pensa que possui.
6. Não esqueça nunca. Deus está sempre on line. Fale com Ele, Ouça-o. Invista nesse relacionamento com todas as suas forças, entendimento e coração.
7. Não se enclausure. Se exponha. Saia para o sol do dia. Vá passear com sua família. Vá para a Igreja adorar ao seu Deus. Priorize o real e o que mais lhe importa.
8. Use a Internet e não seja usado por ela. Cuidado com o pecado. Ele não é virtual, nem mesmo quando se encontra na internet.
9. Não substitua um bom abraço por algo virtual.
10. E acima de tudo, tenha sabedoria. Não minta. Não engane. Não finja. Não crie uma personagem virtual como se fosse você de verdade. A mentira mesmo na internet continua sendo PECADO.

Assim sendo, poderemos abençoar via net, mas certamente seremos bençãos muito maiores para as pessoas que mantemos contato físico e caloroso.

Deus os abençoe.

Pr. Magdiel G Anselmo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

SENDO UM INSTRUMENTO DE DEUS


TEXTO BÁSICO: ÊXODO 18: 13 - 27

Perguntas Introdutórias:
Você quer ser um instrumento usado por Deus ?
Você sabe o que isso significa?




Introdução:
A palavra “Exodos” significa saída e o contexto histórico da passagem lida era: “estavam peregrinando pelo deserto após a saída do cativeiro Egípcio, especificamente em um período de teste, provação (aprendizado) impostos por Deus- 15:22 a 18:27, Deus havia enviado codornizes, maná dos céus, tirado água da rocha, etc...”

Qual era a função de Moisés?

- Versículo 15 - Representante de Deus perante o povo (Moisés levava os pedidos do povo a Deus - intercedia pelo povo diante de Deus)

- Versículo 19 - Representava Deus diante do povo. Trazia da parte de Deus as orientações para o povo de Deus. Arão, seu irmão, era o sacerdote. Oferecia sacrifícios a Deus para perdão dos pecados do povo e Deus aceitava desta forma e perdoava.

Conclusão: Moisés era Profeta de Deus e intercessor do povo. Líder escolhido por Deus. Arão, seu irmão, era o sacerdote.

Moisés foi um homem grandemente usado por Deus, foi um instrumento de Deus para o cumprimento dos Seus propósitos.

O que mudou para os nossos dias ???

Hoje pelo sacrifício de Jesus no Calvário podemos chegar a Deus sem outros mediadores ( Hebreus 1: 1,2). Jesus é o sumo-sacerdote. Hoje não existem profetas como no VT. A profecia de nossos dias é a pregação da Palavra de Deus.

O que não mudou.

Da mesma forma que Moisés liderava e orientava o povo da parte de Deus, hoje ainda homens e mulheres de Deus têm esta função de liderar, ensinar e pregar a Palavra de Deus;

Da mesma forma que Moisés intercedia a Deus pelo povo, ainda hoje Deus requer de nós uma vida de oração constante;

Da mesma forma que Deus usou Moisés como instrumento de benção, ainda hoje Deus quer usar homens e mulheres.

Como ser usado por Deus então? como sermos instrumentos de bênçãos nas mãos de Deus ?

Vejamos, de acordo com o texto bíblico, quais são as CARACTERÍSTICAS QUE SÃO REQUERIDAS DE ALGUÉM QUE QUER SER INSTRUMENTO USADO POR DEUS:

Versículo 17 - Havia o costume do povo ir a Moisés para buscar conselhos e consultá-lo a respeito de tudo. Ficavam então em pé no deserto durante todo o dia esperando o momento de falar com Moisés (vers. 14). Era muito desgastante para ambas as partes, tanto para o povo como para Moisés.O texto mostra claramente que Moisés ouviu os conselhos de Jetro, seu sogro e fez tudo quanto ele havia dito. (texto que concorda: Tiago 1: 19). Mesmo sendo o líder escolhido por Deus, Moisés ouviu e atendeu. Isso demonstra a HUMILDADE de Moisés.

Quem quer usado por Deus precisa ser Humilde, saber ouvir, refletir e discernir sobre o que ouviu. Precisa ser alguém que não importa a posição que ocupe, ouça as pessoas, pois Deus fala através de pessoas. Moisés era HUMILDE. Quer ser usado ? seja Humilde.

Versículo 21 - HOMENS CAPAZES - Pessoas experimentadas, maduras, prontas para trabalhar (aplicação: oração e Bíblia). O sentido do texto é capacidade devido a comunhão e intimidade com Deus, pessoas que conhecem a Deus e tem um relacionamento profundo e íntimo com Ele adquirido através de uma vida de oração e estudo da Bíblia. Pessoas capazes de aceitar desafios por causa de seu relacionamento com Deus.
Quer ser usado por Deus? Busque ter intimidade com Deus através da oração e Bíblia e acostume-se a trabalhar para o reino de Deus.

Versículo 21 - HOMENS TEMENTES A DEUS - Pessoas que tem “temor” a Deus. O sentido da palavra “temor” no texto bíblico não é o significado literal da palavra no original hebraico que é “ter medo de”. Sabemos que não servimos a Deus apavorados com Ele. Existem vários sentidos que a palavra pode apresentar graças ao contexto em que ela é aplicada pelo escritor humano no texto inspirado, isso se chama “campo semântico”, por isso o contexto deve ser respeitado para uma interpretação correta e única das Escrituras Sagradas. O sentido de “temor” em toda a Escritura é de “um profundo respeito e reverência a Deus em tudo que faz sejam por palavras sejam por atos”, isso tudo devido a gratidão e o amor que temos por Deus, não por medo. É uma vida de compromisso com Deus, uma vida piedosa.

Quer ser usado por Deus? Seja temente a Deus em tudo. “Eu não faço isso por temor a Deus ou ainda, eu faço isso por temor a Deus”, essa deve ser nossa atitude diante de todas as situações e circunstâncias de nossa vida. (Exemplo de Abraão em Gen. 22:12).

Versículo 21 - HOMENS DE VERDADE - Pessoas que amem a verdade, que são fiéis e francas. Homens e mulheres de Deus que não se omitem em dizer a verdade em amor, que mesmo com dano próprio buscam a verdade em tudo (Salmo 15:4). Pessoas falsas e covardes não são agradáveis a ninguém, muito menos a Deus. Pessoas verdadeiras e fiéis são confiáveis e agradam a Deus.

Quer ser usado por Deus? Seja amante da verdade. Fale a verdade em toda a situação, com amor buscando ajudar e abençoar as pessoas, mas nunca se omita e nem se esconda da verdade.
(Exemplo de Daniel 3: 17,18).

Versículo 21 - HOMENS QUE ABORREÇAM A AVAREZA - Avareza é o apego excessivo as coisas materiais (dinheiro, bens, posses...) e negligenciando as coisas espirituais. Os avarentos não contribuem, não investem no reino de Deus, são egoístas e materialistas. Eles estão sempre em primeiro lugar, depois Deus e os outros.

Você quer ser usado por Deus?
Então, se necessário for, abra mão de seus direitos e do que tem para que outros sejam abençoados. Contribue além do ordinário, invista no que é eterno. O melhor investimento do crente não é a poupança, o dólar, o fundo de renda fixa, o automóvel, o telefone, a casa própria, etc. O melhor investimento para o crente é aquele que é feito para o reino de Deus (dízimo, ofertas, doações, etc).

Há uma frase muita sábia que diz: “Ganhe o máximo de dinheiro que você puder, economize o máximo que você puder e invista o máximo que você puder na obra de Deus”.
(Exemplo da Igreja Primitiva em Atos 2:45).
Leia Mateus 6:33.

Conclusão e aplicação específica:

Ainda hoje Deus quer usar pessoas (homens e mulheres) para trabalhar na causa divina. Ainda hoje Deus diz para procurar dentre o povo pessoas com estas características. A Palavra de Deus não é só para aquele momento no deserto, Ela é atual e viva hoje e as características são atemporais, portanto aplicáveis em nossa época.

Se você ainda quer ser usado por Deus como instrumento de benção para o povo de Deus e para sua própria vida, busque cultivar estas características  e espere que oportunidades surgirão na obra de Deus.

Deus usou aquelas pessoas para ajudar Moisés a liderar. Deus pode usar você também com esse propósito. Pense nisso.

Mas lembre-se: Deus quer começar primeiro em você, para que você ensine a outros.

Faça agora um compromisso com Deus de mudar aonde é necessário para que alcance as características requeridas, Deus com certeza ouvirá tua oração e lhe dará condições disso ser realizado.

Deus lhes abençoe.


Sermão (síntese) proferido pelo Pr. Magdiel G. Anselmo em 06.11.2011 no templo da Igreja Presbiteriana Nova Aliança em Cristo.


 

sábado, 5 de novembro de 2011

Adoração Congregacional e Culto Tradicional x Espontaneidade e Informalidade. Inimigas ou Amigas?

O questionamento da existência da instituição igreja (igreja local) com suas diversas formas e abrangência tem sido regularmente enfatizada por muitos que abandonaram suas congregações. Tudo que diz respeito a isso é prontalmente considerado ineficaz, antiquado, inútil, humano e não poucas vezes diabólico.
Os movimentos que se formam a partir desses questionamentos são inúmeros e são geralmente denominados "os sem igreja", "igreja nos lares", etc...
Entendo ser muito triste isso tudo, pois nadar contra a maré traz muito sofrimento e perda de tempo, e é assim que entendo todos esses movimentos que "atacam" a igreja e confundem a muitos.
Sei, repito, sei bem dos problemas e equívocos da igreja organizada, mas também sei bem das suas virtudes e missão. Não podemos entender a igreja a partir dos seus erros, isso seria pouco inteligente. Temos que entender a igreja a partir de sua origem e de sua história. A origem nos leva as Escrituras (Atos) e sua história nos remonta ao trabalho do Espírito Santo em todas as eras passadas. Desprezar isso é desprezar a sua própria história como cristão.
Tenho tratado nas últimas postagens de confrontar as idéias, conceitos e pressuposições dessa nova eclesiologia com nosso manual de regra e prática, a Bíblia Sagrada. 
Seguindo então esse procedimento, abordo aqui duas questões muito atacadas pelos "sem igreja"(ressalto que não fui que criei essa terminologia), que são: a adoração regular que ocorre semanalmente nas igrejas evangélicas/protestantes e o culto tradicional nas mesmas igrejas, pois também são questionados assim como a adoração nas diversas formas congregacionais que conhecemos.

1. A Questão da Adoração Regular nas Igrejas

Há a pressuposição da nova eclesiologia de que a igreja não precisa de cultos de adoração regulares.

Afirmam os defensores da implantação dessa nova eclesiologia que precisamos da adoração, mas que podemos realizá-la em qualquer lugar, seja num bar, num parque ou num trem tão bem quanto a realizamos num prédio de uma igreja aos domingos.
Não é uma surpresa ouvir de alguém que está saindo da igreja que existem "maneiras inúmeras" de imaginar o praticar a igreja. Você só precisa de dois ou mais cristãos no mesmo lugar e ao mesmo tempo, sendo espirituais juntos.
O culto de adoração semanal é ridicularizado, sendo chamado de uma apresentação enfadonha cheia de espectadores passivos, um discurso desinteressante e um conjunto de rotinas sem sentido.
Segundo eles, a adoração como estilo de vida é boa e bíblica (Rom. 12:1,2), assim como o é ser igreja. Mas o que dizer sobre nossas ações?
Será que parte do ser igreja não implica adorarmos juntos como igreja? É verdade que uma igreja é mais que a soma de seus cultos de adoração, mas uma igreja que não se reúne regularmente para a adoração coletiva pode ser considerada uma igreja? Os cultos de adoração devem ser entendidos como algo periférico à vida da igreja?
Penso que precisamos resgatar uma visão mais ampla daquilo que estamos fazendo aos domingos. Não nos reunimos para cantar algumas músicas juntos ou ouvir um discurso mal elaborado. Nossa reunião para a adoração é um exercício de renovação da aliança, uma celebração semanal da ressurreição e um antegozo do banquete celestial por vir. Os maus exemplos não deveriam macular o que é correto nem minimizar sua importância.

O Novo Testamento é enfático em sugerir que os dois andam juntos: aqueles que são igreja reservam tempo para adorar como igreja.

A partir de Atos  2:42, sabemos que os primeiros cristãos se reuniam regularmente para ensino, comunhão, (possivelmente outra palavra para o recolhimento de ofertas), a Ceia do Senhor e oração. Sabemos a a partir de 1 Coríntios 12-14 que a adoração pública era uma parte importante da vida da igreja. Entendemos por 1 Timóteo 4:13 que haviam momentos regulares para a leitura da Escritura. Em 1 Coríntios 11:18 temos instruções para os momentos em que os cristãos "se reúnem como igreja".
O que indica que havia uma reunião singular "como igreja" que não era a mesma coisa que um encontro de alguns cristãos para passar tempo e conversar sobre Jesus.
Como diz Gordon Fee: "o povo de Deus pode ser chamado de 'igreja/assembléia' antes de mais nada porque se reunia regularmente como 'igreja/assembléia'.
Posteriormente em 1 Coríntios 16, lemos instruções quanto a fazer coletas "no primeiro dia da semana", sugerindo que a igreja em Corinto se reunia para cultos de adoração todos os domingos. Em Hebreus 10:25 recebemos a ORDEM de não desprezar reunião como igreja (literalmente "não deixando a nossa congregação" como na RC). A palavra traduzida por "reunir" (epissynagogen) não se refere a amigos cristãos lendo a Bíblia juntos, mas a reunião formal do povo de Deus para adoração.

Portanto, NÃO, você não pode deixar de ir a igreja e continuar sendo igreja, se analisarmos a função e não apenas a definição de igreja na Escritura.

Embora seja verdade que Cristo estabelece sua presença e vida em todo crente, somente a igreja é "plenitude daquele que enche todas as coisas" (Ef. 1:23).

O Cristianismo sem igreja faz tanto sentido quanto uma igreja sem Cristo, e tem as mesmas garantias bíblicas para isso.

Basta observarmos o evangelismo em Atos, Deus não adicionava as pessoas à igreja sem salvá-los, e Ele não os salvava sem adicioná-los a igreja. Salvação e Filiação à igreja andavam juntas e ainda caminham juntas.
Não existe cristianismo isolado, afastado do convívio com os demais irmãos da mesma fé. Ser igreja denota agir como igreja.
E retornando a adoração congregacional na igreja e como igreja, qual é a razão dos que estão fora da igreja descrever os cultos na igreja usando a linguagem mais desagradável possível? Já ouvi e li algumas dessas declarações, como: um concerto de louvor, uma aula, local de despejo de culpa, uma rotina robótica conduzida sem emoção, show religioso, e coisas semelhantes a essas...
Mesmo entendendo que há problemas (somos pecadores falhos e imperfeitos), por que não podemos declarar: "pecadores justificados que vêm para receber mais graça" ou "o povo de Deus reunido com todas as suas imperfeições para adorar o Cristo ressurreto" ou ainda, "a companhia dos redimidos unindo as vozes em cânticos e exultando diante da palavra pregada"? Por que não? Será que isso não existe ou não pode ocorrer em lugar nenhum onde a igreja se reúna?
Por que apenas a reunião de meia dúzia de cristãos em um sítio, parque, trem, rua, lar, etc, pode ser denominada de uma reunião de adoração e não a de centenas de cristãos reunidos em um templo de uma igreja? Qual é a perfeição absoluta encontrada nas reuniões de grupos pequenos que as faz tão distintas e tão melhores da reunião regular de adoração da igreja organizada? Qual a diferença desses pecadores para os outros?
Por que encontros informais e sem organização "aparente" são momentos de maior adoração a Deus do que quando a igreja se reune e louva a Deus de forma congregacional e organizada em locais separados para isso?
Uma reflexão séria deveria ser observada para as respostas a essas questões.

2. A Ordem de Culto Tradicional

A ordem nos cultos parece-me que para alguns é sinônimo de blasfêmia.  O simples mencionar já irrita muitos dos "sem igreja" e justificam que essa tal ordem é que os afastou de congregar e que isso afasta ainda muitos como eles. Mas o que a Bíblia nos ensina sobre isso? Será que há alguma orientação de Deus para nossos cultos de adoração?
Há sim.
Além de 1 Coríntios 14, encontramos a partir de Atos, por exemplo, a evidência que os primeiros cristãos se dedicava apóstolos nessas reuniões (2:42) e seus cultos envolviam longas pregações (20:9). Os cultos em Corinto não devem ser considerados o esboço normativo para a adoração cristã. De fato, a razão de encontrarmos tantos detalhes sobre as reuniões é que seu culto era livre demais.
Portanto, o capítulo 14 de 1 Coríntios é a tentativa de Paulo de criar alguma ORDEM na igreja, não uma exortação a que houvesse mais espontaneidade (14:40).
Paulo está preocupado com as mulheres nas reuniões (14:34), com a interpretação de línguas (14:5) e com o estabelecimento de um limite para que apenas duas ou três pessoas falassem em (14:27,29).
Não sou contra que as igrejas promovam espaços informais para testemunho, ou no culto dominical, ou em grupos, ou na classe de EBD ou em todas essas atividades.
Mas, pera lá!
Sugerir que o Novo Testamento ordena que os cultos sejam espontâneos, informais e cheios de testemunhos vai contra o intuito de 1 Coríntios 14 e o escopo mais do Novo Testamento.
Não há problema em desviar-se do roteiro de domingo, e às vezes é exatamente isso que se deve fazer, mas não devemos esquecer que não nada de errado em pedir ao Espírito que nos ajude a montar o roteiro antecipadamente. Diria que é uma atitude sábia.
Muitos dos defensores da igreja nos lares presumem de maneira simplista que a informalidade é boa e a formalidade é ruim.
Penso que existam (e existem mesmo) cultos litúrgicos pomposos, cheios de formalidade mecânica e tradicionalismo morto. Sei disso. Mas será que não há nada de bom num culto bem estruturado, litúrgico e mais ritualizado?
É verdade que Romanos 12 nos ensina que a vida toda é adoração. Mas a pressuposição latente por trás de textos como 1 Coríntios 14 é que também existe algo SINGULAR na reunião dos santos para a adoração coletiva.
Existem diferentes regras implícitas que se aplicam a esses momentos, a saber as regras da EDIFICAÇÃO.
Repito que sou grato por momentos mais informais e as igrejas abrem espaços para isso de alguma forma.
Mas, defender que todos os cultos e reuniões devem ser assim é bem diferente. Aqui vale algumas perguntas aos que defendem a desconstrução da liturgia:
a) Será que as pessoas que frequentam os tão defendidos "cultos abertos" não se cansarão dos cânticos superficiais que não sobreviverão dez minutos, quanto mais séculos?
b) Será que algumas pessoas que frequentam esses cultos não vão querer ouvir mais o irmão João, que é claramente um estudioso da Bíblia, e menos do irmão José, que, Deus o abençoe, tira suas idéias dos passeios que faz e dos filmes que assiste? 
c) Será que as pessoas não se cansarão de ouvir o enésimo pedido de oração pela doença da tia Cida?
d) Será que as pessoas não se cansarão de ouvir banalidades e frivolidades ao invés de uma pregação da Palavra de Deus preparada e comunicada sob a direção do Espírito Santo?
e) Será que as pessoas não procurarão alimento mais sólido, ao invés de continuamente se alimentarem do "leitinho" ou dos rudimentos do Evangelho?
Vou dizer mais uma vez, não há nada de errado nesse tipo de reunião informal, mas no contexto correto.
Duvido que num longo período de tempo, essas reuniões se mostrem, para a maioria das pessoas tão cintilantes e novas como nas primeiras vezes.
Por fim, olhemos para o Novo Testamento e o que nos mostra sobre ordem e organização na igreja:
  • Uma refeição santa celebrada frequentemente (a Ceia do Senhor)
  • Um rito de iniciação que representa aqueles que pertencem a comunidade cristã (o Batismo)
  • Um dia separado (o dia do Senhor) mencionado por João em Ap. 1:10.
  • O entoar de salmos, hinos e cânticos espirituais (Ef. 5: 18-20)
  • A provável recitação de outros hinos ou poemas confessionais (Fp. 2: 6-11; Col. 1:15-20; 1 Tm. 3:16)
  • O ensino e a leitura do Antigo Testamento (1 Tm. 4:13)
  • Epístolas que deveriam ser lidas nas igrejas (1 Tess. 5:27)
Adicione a isso:
  • Inúmeras doxologias (Gl 1:5)
  • Bênçãos (Gl. 6:18)
  • "Améns litúrgicos" (1 Cor. 14:16)
  • O beijo santo (ósculo) (Rm. 16:16)
Além disso, documentos da igreja primitiva como o Didaquê, Primeira Apologia de Justino Mártir e outros mostram a existência de sequências de adoração específicas na igreja primitiva, incluindo leituras responsivas, instruções sobre a Ceia, várias regras para mestres e pregadores, etc.

Perceba como existe um planejamento, uma ordem, uma orientação clara nesses dois aspectos.

Considero portanto, que nossa adoração não precisa ser idêntica à da igreja primitiva, especialmente quando saímos do NT e verificamos o testemunhos dos pais da igreja, mas defender que um culto de adoração completamente espontâneo, não estruturado, antilitúrgico e "novo a cada semana" era o que acontecia nos primeiros séculos da igreja é no mínimo uma argumentação contrária aos fatos bíblicos e a própria história da igreja.

O conselho é: Analisemos a luz da Palavra antes de propagarmos algo, mesmo que seja agradável e tão bom aos NOSSOS olhos.
Como a Escritura nos revela:
"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?" (Jeremias 17: 9)

Não se deixe enganar ! Retorne a igreja !

LEIA E ESTUDE A BÍBLIA !

Pr. Magdiel G Anselmo.

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