sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A Igreja não precisa de estrutura organizacional. Será ??

Em uma tentativa de implantação de uma nova eclesiologia, algumas pessoas defendem que a igreja não precisa de estrutura organizacional para fazer seu trabalho e cumprir sua missão determinada por Cristo. Afirmam que a estrutura atrapalha e mais, o que conhecemos como organização foi meramente uma "invenção" humana ou ainda uma estratégia demoníaca para contaminar a igreja e afastá-la de seu real propósito e objetivo.
Essa eclesiologia parte dessa pressuposição para então iniciar toda uma argumentação que tem como intenção maior (assim afirmam), um retorno ao que é correto e uma defesa do "verdadeiro Cristianismo".
Não ouso aqui julgar as intenções dessas pessoas e muito menos tentar ocultar os erros e desvios da igreja atual. Sei bem que muito precisa ser restaurado e reformado, porém não vejo o problema no conceito de igreja organizada ou de organização e estrutura eclesiástica. O problema não está no conceito ou no formato de organização ou instituição, mas nas pessoas que compõem essa organização.
Tenho como finalidade nessa postagem realizar uma análise desses conceitos e pressuposições à luz das Escrituras, que deve e é nossa regra de fé e PRÁTICA.
Vejamos então alguns argumentos que não concordam com essa minha afirmação e que trilham o caminho da desestruturação ou desconstrução do que hoje existe e que chamamos de igreja organizada:

1. A hierarquia impõe leis e regras e você termina perdendo a beleza do relacionamento que Deus deseja para nós.
A idéia é que a igreja pode existir, e parece que ela precisa existir, sem estruturas de autoridade ou sem que os papéis de seus membros tenham alguma distinção.
Existem apenas dois problemas com esse modelo de igreja: Ele não é nem bíblico nem realista.
A anarquia não funciona.
Dizer que Cristo fundou uma igreja destituída de qualquer organização, governo ou poder é uma declaração que surge de princípios característicos do misticismo filosófico, mas não leva em conta os ensinamentos da Escritura nem as realidades da vida.
É claro que ninguém quer uma igreja conduzida por ditadores ou egomaníacos,  e que teimam em liderar como "chefes" e não como pastores,  que não "passam o cajado"  de forma alguma a não ser obrigatoriamente quando morrem. É óbvio que ninguém deseja uma igreja conduzida por homens de ontem com idéias de antes de ontem, desvinculados da realidade e descontextualidados da vida de nossos dias.
E também ninguém deseja uma igreja na qual os relacionamentos são sufocados por políticas e procedimentos em detrimento da correta postura cristã.
Mas, como já afirmei o problema não está na estrutura, mas sim nas pessoas.
Por que afirmo isso? Porque a Bíblia simplesmente não nos revela uma igreja sem estruturas de liderança.
Ao contrário, vemos os apóstolos exercendo grande autoridade sobre as igrejas (2 Cor. 13:1-4). Os pastores recebem a ordem de exortar e repreender "com toda a autoridade" (Tito 2:15; 2 Tm. 4:2). Vemos a atuação de presbíteros (At. 14:23, 15:2, 20:17; 1 Tm 3: 1-7, 5:17; Tt. 1:5; Tg. 5:14; 1 Pe. 1:1; 5:1), juntamente com o ofício de diáconos, que deveriam cuidar das necessidades físicas da congregação (1 Tm. 3: 8-13; Fp. 1:1; At. 6: 1-7). Certamente os presbíteros ou pastores não devem ser dominadores sobre aqueles que estão debaixo de sua autoridade, mas ainda assim devem exercer supervisão (1 Pe. 5: 2,3), e os membros da congregação recebem uma instrução importante: "Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas" (Hebreus 13: 17).
Além disso, dizer que não existem relacionamentos saudáveis entre as pessoas e com Deus porque ali existe hierarquia ou uma estrutura de liderança organizada é no mínimo falta de conhecimento bíblico e diria até ausência de vivência cristã em congregacão ou comunidade.

2. Todos devem cuidar uns dos outros. Todos pastoreiam todos.
Alguns que defendem esse argumento não percebem que essa idéia reforça o ataque cada vez maior contra o pastorado conforme ensinado na Bíblia.
Como grupo, os pastores certamente não estão acima das críticas, mas o ofício em si não deve sofrer reprovação. Afinal de contas, "Cristo designou uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres" (Ef. 4:11). Uns, alguns, não todos.
Não podemos desprezar o ofício pastoral simplesmente porque preferimos uma "estrutura plana" ou apenas porque alguns pastores são despreparados, desatualizados, mal-intencionados ou simplesmente idiotas. Deus confiou o ministério pastoral aos anciãos ou presbíteros da igreja (At. 20:28; 1 Pe. 5: 1,2).
Os bons pastores, aqules que foram chamados, vocacionados e que foram preparados devem exercer seu ofício com o uso benevolente da autoridade.
Autoridade sem compaixão leva ao autoritarismo implacável. Compaixão sem autoridade leva ao caos social.
Portanto, biblicamente falando, a pessoa do pastor na igreja é fundamental para o cumprimento do propósito que a ela foi designada, assim como, os demais dons e ministérios também o são.
Como diz o ditado popular: "cada macaco no seu galho".

3. Toda forma de estrutura de liderança deve ser evitada.
É curiosa essa forma de pensar, porque nos sugere questionar por que será que alguém tem essa aversão a ser liderado? Mas, enfim...
Além de serem bíblicas, as estruturas de liderança são simplesmente inevitáveis.
Se quiser ser honesto, perceberá que nenhum grupo pode persistir por um período de tempo significativo sem desenvolver alguns padrões de liderança, alguma diferenciação nos papéis dos membros, algumas formas de gerenciar o conflito, algumas maneiras de articular os valores e normas comuns e algumas sanções para garantir níveis aceitáveis de conformidade a essas normas. 
Alguém precisa decidir as disputas ou conflitos. Alguém ou algum grupo precisa dar a palavra final. 
Se alguém não consegue entender o que afirmo, exemplifico da seguinte maneira me utilizando da instituição família:
a) Mamãe e papai estabelecem regras
b) Papai tem a função de liderar
c) Num bom lar, haverá estruturas e rotinas
d) As tarefas são divididas
e) O horário de ir pra cama é determinado
f) As contas serão pagas em determinado dia
g) As refeições serão servidas por volta de certo horário
e outras...

Toda casa tem suas regras, escritas ou não, assim como diversos padrões para tomada de decisão que ajudam a trazer alguma medida de ordem em meio ao caos.
O mesmo vale para a família da fé.
Tenho que confessar que nunca gostei de regras, mas aprendi que elas são necessárias.
Prefiro liderar ouvindo as pessoas e buscando um consenso, mas há situações e momentos que tenho que assumir a liderança nos processos de tomadas de decisão. Não é muitas vezes agradável, mas faz parte da liderança.

Conclusão:
A igreja como povo escolhido de Deus, é tanto um organismo como uma organização. A igreja é algo vivo que respira, cresce e está em amadurecimento. Também compreende certa ordem (1 Cor. 14:40), normas institucionais (5: 1-13), padrões doutrinários (15: 1,2) e rituais definidos (11: 23-26). Os dois aspectos da igreja (organismo e organização), não devem ser jogados um contra o outro, pois ambos "se baseiam na operação do comando glorificado da igreja através do Espírito Santo". Ofício, ministérios e dons, governança e pessoas, organização e organismo, todas essas coisas estão relacionadas. Todas são bênçãos da obra de Cristo.
Deus poderia dirigir Sua igreja de maneira diferente, mas optou por usar esses recursos. Vemos em toda a Bíblia a "preferência divina pela atuação humana".
A multidão contrária à igreja entende isso quando se trata do mundo, ou seja, ninquém contesta que a liderança é essencial em outras áreas como a profissional, familiar, comunitária, etc..., mas tem pouca paciência com essa questão quando se trata da igreja.
Contrastam o Espírito e as estruturas, o cuidado de Cristo e o cuidado pastoral e a autoridade divina com a autoridade humana.
Concordo com Bonhoeffer quando diz: "A Igreja ou congregação como Corpo de Cristo, incluímos sua articulação e ordem. Ambas são essenciais ao corpo e são uma designação divina. Um corpo desarticulado está fadado a perecer. A ordem na Igreja é divina tanto em origem como em caráter, embora, tenha o propósito de servir, não de dominar".
Cuidemos em não desarticular, cresçamos e ajudemos no fortalecimento dessa estrutura.
Examinemos nossas reais intenções e origens de nossos argumentos. Levemos nossos argumentos, idéias e conceitos ao crivo das Escrituras.
Reformemos o que precisa ser reformado, mas não destruamos o que possui o aval bíblico.
Como bem afirmava um dos lemas da Reforma:

Sola Scriptura

A Escritura é inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado. Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.

 
Pr. Magdiel G. Anselmo.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

PORQUE EU CREIO NA BÍBLIA - complemento final.




Prosseguindo com o tema proposto no post anterior, vejamos algumas evidências, agora internas, da autoridade e veracidade da Bíblia como a Palavra de Deus.

EVIDÊNCIAS INTERNAS DA VERACIDADE DA BÍBLIA


1. Auto-afirmação de Autoridades

No AT a expressão comum é: “... assim diz o Senhor”, e outras semelhantes que aparecem mais de 2.000 vezes. Moisés e os profetas falaram com convicção que suas palavras vinham do Senhor. Pedro no NT coloca bem (2 Pedro 1:21) este aspecto: “Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.”
O Senhor Jesus impressionava seus ouvintes porque Ele falava com autoridade incomum (Marcos 1: 22). Paulo reconhecia seus escritos como ordenados pelo Senhor (1 Cor. 14: 37).
Os livros ou epístolas quando escritos eram imediatamente reconhecidos pelos seus escritores como sendo especiais e divinos em sua origem e processo. Mesmo quando do reconhecimento formal da Igreja (Cânon), a maior deste Cânon Bíblico já era naturalmente aceito antes mesmo da oficialização da sua canonicidade.

2. Unidade de Conteúdo

A Bíblia é única em sua harmonia quando consideramos sua origem. Como sabemos, ela foi escrita num espaço de aproximadamente 1600 anos, de Gênesis a Apocalipse. Ela tem cerca de 40 ou mais autores das mais diferentes condições. Veja alguns exemplos:

Moisés – criado na corte como um príncipe.
Pedro – um pescador
Amós – um boiadeiro (peão)
Josué – um general (militar)
Daniel – primeiro-ministro (um político)
Lucas – um médico
Salomão – um rei (governante)
Mateus – um coletor de impostos (funcionário público)
Paulo – um rabino (religioso)

Além disso, foi escrita nos mais diferentes lugares, como: no deserto, num fosso, no palácio, na prisão, em viagem, numa ilha de exílio e na guerra. Às vezes escrita com alegria, outras com tristeza. Foi escrita em três continentes: Ásia, Europa e África. Escrita em um dialeto, o aramaico, e em duas línguas, o hebraico e o grego. Trata de assuntos dos mais diversos e difíceis.
Mas em tudo isso, e com tudo isso, a Bíblia tem uma harmonia no seu conteúdo que é inigualável. O paraíso que é perdido em Gênesis é recuperado no Apocalipse, e entre os dois livros, é revelado o método para que houvesse esta recuperação e restauração. É a história desenrolando-se e Deus redimindo o Homem. Se dez pessoas, da mesma origem e condições, tivessem a tarefa de escrever sobre um mesmo assunto, certamente elas não escreveriam com tamanha harmonia e precisão que a Bíblia possui em condições tão diversas e adversas.

Ressalto este ponto, citando o cientista britânico, Alan Hayward, que escreveu:

“Uma orquestra para ser completa e ter harmonia não pode dispensar a presença e atuação do maestro. Se a orquestra está tocando bem, nós podemos deduzir a existência de um maestro. Nós podemos ser muito cegos e não ver a mão que guiou os quarenta escritores bíblicos, mas a harmonia deles é evidência que Ele existe.”

3. Poder Transformador

A Bíblia se destaca acima de todos os livros pelo seu poder de transformação da pessoa humana. Aquele que aprende sua mensagem e a obedece é nova criatura. Sua mensagem central é a redenção do Homem através de Jesus. Essa mensagem tem transformado milhões de vidas. De todas as partes do mundo, de todos os caminhos da vida.
A Bíblia, com sua mensagem redentiva tem transformado milhões de vidas. Ao trazer a pessoa de volta a Deus, o ódio tem dado lugar ao amor, a desonestidade à honestidade, a amargura à alegria, a perturbação à paz e a guerra à reconciliação. Milhares e milhares têm experimentado esse poder; viciados em drogas têm sido curados pela Palavra de Deus; delinqüentes têm sido transformados; o ódio tem cedido lugar ao amor; tudo isso pela leitura da Bíblia (1 Pedro 1: 22).

Veja algumas frases de algumas de pessoas que foram transformadas após iniciar a leitura ou ouvir a pregação da mensagem da Bíblia:

“Desde que comecei a orar, eu vejo minhas opiniões de personalidade mudar”.
C.S. Lewis, ex-professor de literatura da Univ. de Cabridge que era cético e desconsiderava a religião.

“Eu tinha uma vida preocupada apenas com problemas sociais e econômicos... Eu era frustrado e preocupado... Deus era apenas um produto da imaginação... Durante a eleição eu ouvi a pregação da Bíblia e me converti...”.
Charlie Abero, Índia.

“... quando eu tinha dezesseis anos eu era um ateu, e aos dezoito eu era o organizador dos jovens comunistas em nossa fábrica..., mas após ouvir uma exposição da mensagem bíblica hoje eu sou seguidor de Jesus... Lenin ensinou-me que você muda o Homem mudando a sociedade. Jesus ensinou-me que você muda a sociedade mudando o Homem”.
Jan Chelsicky, da antiga Tchecoslováquia.

e tantos outros...


CONCLUSÃO

A Verdade.

A verdade de Deus para a vida do ser humano é conhecida e estabelecida pela referência imutável e adequada, A Bíblia. Nela está a verdade de Cristo. O ser humano nunca terá a certeza de crer e viver a verdade de Deus se ele se basear no seu sentimento, numa tradição, opinião de homens. E mais, a verdade, como a verdade da Bíblia, é sempre exclusiva. Isto é, não é possível haver duas verdades. Por isso o Senhor Jesus Cristo, e, portanto a Bíblia, é a única verdade, ou não é a verdade. Qualquer outra fonte que se consultar na busca da verdade de Deus precisa ser testada pela Bíblia, e nunca a Bíblia ser testada por outra fonte, e nem ser a outra fonte igualada à Bíblia.
Por isso o grande lema da Reforma era:

“Somente as Escrituras” (João 14:6; 17:17).


Pr. Magdiel G Anselmo.

Bibliografia sugerida:
 Pode Explixcar Sua Fé? Paul Little, MUndo Cristão, 1985.
God's Truth. Alan Harward, Thomas Nelson Publishers, 1983.
From God to Us. N. Geisler e W. E. Nix, Moody Press, 1974.
Apostila Bibliologia - Anselmo, Magdiel G., Curso Bacharel Teologia Etenac, SP, 2006.


sábado, 15 de outubro de 2011

PORQUE EU CREIO NA BÍBLIA - parte 1


Ainda hoje encontramos quem questione a autoridade das Escrituras, e por vezes, os encontramos em nosso meio. Por isso, resolvi inserir algumas postagens que podem facilitar no entendimento desta importante questão e ajudar no esclarecimento de alguns pontos pertinentes.
Inicio afirmando com convicção minha crença na Bíblia como a Revelação de Deus ao Homem. Ela é a Verdade e não somente palavras bem postas e com certa sabedoria humana.
Mas, para eu crer que a Bíblia é a Verdade, que é a Palavra de Deus, ela precisa ser uma mensagem verdadeira. Isto envolve ser ela um documento de confiança, sem falhas nas suas afirmativas, inclusive nas proféticas, e coerente nas suas afirmações. Isto procurarei expor.
Mas, antes e, sobretudo, vamos ver que a Bíblia é a verdade de Deus e por ser a única na forma que responde ao espírito humano, somente ela responde às questões do espírito do ser humano com uma coerência e equilíbrio que passa o escrutínio das questões espirituais.
Porém sem os equilíbrios abaixo, e todos ao mesmo tempo, qualquer explicação espiritual fica aquém de ser satisfatória. A Bíblia é única no apresentar a realidade da existência com o equilíbrio preciso que satisfaça o espírito humano.
Dito isto, vejamos algumas razões que nos levam a crer na Bíblia:

I. RAZÕES FILOSÓFICAS

A Questão da Criação

a) O Paradoxo Nada e Criação

A Bíblia tem uma resposta única sobre porque e como do nada algo veio a existir. Ela apresenta a criação como algo limitado pelo tempo e espaço, o que é cientificamente coerente. Uma vez que a criação é limitada, ela não pode criar a si mesma. O nada nada cria. A criação precisa necessariamente vir de algo além tempo e espaço, uma vez que estes dois sendo parte do universo criado, eles também consequentemente foram criados. E a força criadora se é criadora, precisa ser inteligente, portanto um ser. Concluindo, um ser inteligente, não limitado ao tempo (início e fim) e espaço (infinito), só pode nos levar ao conceito de Deus, o criador.

b) O Paradoxo Máquina e Inteligência

Como algo mecânico, como, por exemplo, um liquidificador, pode criar algo mais, e ainda mais, criar algo inteligente. A grande questão é como o universo, que é mecânico, poderia ter criado o ser humano, inteligente (que raciocina sobre sua pessoa, universo, e age criativamente) e espiritual (com conceitos de eternidade, certo e errado, estético, etc...). A Bíblia, tomando o conceito de Deus, um ser inteligente e espiritual, pode explicar a criação de um universo mecânico (planetas, a química, a física, a biologia), e como pode ser criado um ser humano. Isto é, Deus o criou excepcionalmente à Sua imagem e semelhança, portanto, um ser também espiritual. Não igual a Deus, mas semelhante a Ele.

c) Paradoxo Mal e Bem no Ser Humano

Um dos aspectos mais intrigantes sobre o ser humano é que ao mesmo tempo em que ele é uma criatura maravilhosa, ele também é marcado pelo mal. O Deus da Bíblia é o Deus que cria o Homem à sua imagem e semelhança. Assim, o Homem é um ser criativo em essência, mas também significativo moralmente falando. O Homem podia escolher estar com Deus ou contra Deus. Como o Homem escolheu estar contra Deus, ele carrega a incrível marca da imagem e semelhança de Deus, ao mesmo tempo em que revela a presença do mal em si, isto é, a ausência da obediência a Deus.

II. RAZÕES TEOLÓGICAS

1. A questão da Imanência e Transcendência de Deus

O conceito de Deus na Bíblia é único no que se refere ao descrever com equilíbrio os atributos de Deus. Deus é transcendente. Ele é criador, e não faz parte da criação. Ele é distinto e separado. Ele transcende nossa realidade. O Deus da Bíblia não está sujeito as limitações da criação como Panteísmo (tudo é Deus) ensina, principalmente nas religiões e filosofias orientais.
Mas Deus, sendo transcendente, separado da criação, não está longe e inacessível como o Deísmo ensina (Deus criou, mas é indiferente a criação, que funciona automaticamente com as suas leis). O Deus da Bíblia é Imanente. Ele está presente no meio da criação. Ele se importa com sua criação, bem como controla, cuida e provê tudo que entende ser necessário para Sua criação.

2. A Questão da Justiça e Misericórdia de Deus

O conceito de Deus na Bíblia é único também pelo equilíbrio entre justiça e misericórdia (Graça). O Deus da Bíblia é Deus porque é perfeito moralmente (Santo). E por isso Ele é justo e não se coaduna com nada que seja incorreto. Ele jamais vai ficar indiferente ao erro humano, e assim conceder um perdão imoral, como alguns gostariam.
Mas se Ele é Deus Ele precisa ser também amor, ou seja, um Deus misericordioso. Por isso o Deus da Bíblia se interessa pelo ser humano que é falho diante da justiça e santidade Dele. E ao se interessar pelo ser humano, Ele provê possibilidade de perdão por meio da Cruz, aonde a justiça divina é cumprida, não maculando o caráter de Deus.
E ao mesmo tempo revela a misericórdia/graça de Deus, pagando Ele a dívida da culpa do ser humano diante da justiça Dele. Portanto, Ele é um Deus que sabe, ao contrário do que os ensinos não bíblicos ensinam, que nenhum ser humano jamais poderá ser perfeito por si mesmo diante de Deus. E assim Ele vem ao encontro do Homem com a Graça da Cruz.


EVIDÊNCIAS EXTERNAS DA VERACIDADE DA BÍBLIA

1. Historicidade

No fim do século XIX e começo do XX, o ser humano atingia um patamar de um novo dia no mundo do conhecimento, e isto como culminação de um processo de revolução científica.
Mas o ser humano, no seu orgulho característico, dançou mais rápido do que a música, e num sentido de superconfiança partiu para certas conclusões. Isto foi sentido em muitas áreas, inclusive no estudo crítico da Bíblia nas universidades e museus. A veracidade da história bíblica foi duvidada, e isto infiltrou inclusive o meio religioso. Acharam que as histórias na Bíblia foram frutos de pessoas simples no deserto, quando à noite, ao redor do fogo, inventaram suas lendas.
Duvidaram da história de Abraão, duvidaram da existência passada de povos narrada na Bíblia, duvidaram que Moisés vivera numa época em que a escrita era possível, etc... Surgiu a alta critica no fim do século dezoito na Alemanha, espalhando-se e atingindo seu auge no século dezenove, colocando em dúvida quase tudo na Bíblia.
Infelizmente, para estes críticos e historiadores antibíblicos, foram e são encontrados e descobertos vários achados arqueológicos que comprovam a veracidade e precisão das histórias, localidades, acontecimentos e personagens bíblicos. As teses da crítica liberal foram sendo derrubadas, e mais vez o ser humano amargou sua prepotência.
O Dr. W. F. Albright, ex-professor da Universidade Hopkins e considerado o arqueólogo americado de maior destaque do século XX, escreveu: "Não pode haver dúvidas que a arqueologia tem confirmado a historicidade substancial da tradição do Velho testamento". E diz mais: "O ceticismo excessivo mostrado para com a Bíblia pelas escolas históricas dos séculos XVIII e XIX, das quais algumas posições aparecem até hoje, tem sido progressivamente desacreditadas. Descoberta após descoberta tem estabelecido a precisão dos detalhes e tem trazido um grande reconhecimento do valor da Bíblia como fonte histórica". (Evidence/McDowell, p. 68).

2. Profecia

Deus disse ao povo de Israel que se um profeta profetizasse e sua profecia não se cumprisse, esse seria um falso profeta (Deut. 18:22). Se Deus assim falou, isto também se aplica a Bíblia. Para a infelicidade dos adivinhadores, essa medida não se aplica a eles. Buda, Confúcio ou Lao-Tse, não fez nenhuma predição, e o Alcorão só fez uma do retorno de Maomé a Meca, mas com ela já para se cumprir.
A Bíblia, por sua vez, contem somente no AT 2.000 predições, e não são dizeres vagos como dos astrólogos e adivinhadores. Destas predições, centenas já se cumpriram como haviam sido profetizadas e as outras estão para se cumprir, também como foram anunciadas.
Certamente as profecias mais impressionantes são aquelas sobre Cristo. Séculos antes Miquéias (5:2) predisse a cidade do nascimento de Cristo. Isaías (7:14) falou da natureza do nascimento e também da morte vicária (53).
Muitas outras profecias são verificadas na história bíblica demonstrando a seriedade do aspecto profético na Bíblia. Veja somente algumas delas:

a) O profeta Isaías (44:28; 45:1) escreveu em aproximadamente 700 a.C., profetizando que o rei Ciro iria permitir a construção de Jerusalém e do Templo. Quando ele escreveu, a cidade estava em pé. Somente 100 anos depois a cidade foi destruída pela Babilônia. Em 539 a.C., os babilônicos foram derrotados pelo rei persa, Ciro, e ele permitiu a reconstrução.

b) Ezequiel profetizou (28:21-23) que os habitantes de Sidom iam ver sangue nas ruas da chacina deles, mas a cidade permaneceria, e assim aconteceu com Sidom. Em 351 a. C., isto é, 200 anos após Ezequiel (570 aC), 40.000 de seus habitantes foram mortos quando se rebelaram contra o rei persa. Mas a cidade permanece até hoje.

c) Jeremias falou que a majestosa cidade da Babilônia seria derribada, inclusive seus muros (51: 26,43). Havia ali torres de 92 metros de altura, jardins suspensos, muralhas de 61 metros de altura e 57 de espessura. Jeremias também profetizou que nunca mais seria habitada ( e era um dos lugares mais férteis). Babilônia teve uma morte em etapas. Primeiro em 539 aC, 90 anos depois de Jeremias, os persas a tomaram e a danificaram. Anos mais tarde Alexandre a conquistou quando expandia seu império grego, causando mais destruição. É interessante notar que quando Alexandre, o grande, chegou a Babilônia, ele pensou em reconstruí-la e fazer dela o centro de seu império. Chegou mesmo a pagar seus soldados para assim fazerem. Mas logo, ali mesmo, Alexandre morreu e a cidade não foi reedificada. Em 363 aC (800 anos depois de Jeremias) o imperador Juliano de Roma, guerreando naquela vizinhança, arrasou o que restava. Até hoje nada foi reconstruído e permance deserta. 

d) O povo de Israel foi sempre visado, desde a sua fundação, por serem fiéis a Deus, mas eles desobedeceram e Deus disse que iriam ser espalhados pela terra e seriam perseguidos, suas terras ficariam desoladas, mas depois Deus os traria de volta e os campos floresceriam novamente (Lev. 26:31-33; Ez. 36:33-35). Séculos depois dessas profecias, no ano 70 dC, o general romano Tito destruiu Jerusalém e o povo judeu se espalhou pelo mundo e foi perseguido. Cerca de 1900 anos depois, em 1948, foi reorganizado o estado de Israel e eles voltaram de todas as partes. Num plano arrojado e milagroso, os desertos tem produzido novamente. Outros povos existiram e eram vizinhos de Israel, como Moabe, Edom, Filistia, mas não existem mais nenhum vestígio de nehum deles. No entanto, os judeus permanecem.

E tantas outras profecias...

O resultado é que a Bíblia conta com um argumento muito forte a favor de sua autoridade: suas profecias, que sempre se cumprem.

3. Confiabilidade

Não há razões conhecidas para se duvidar da integridade dos escritores bíblicos. Aliás, muitos foram à morte com suas afirmações. A honestidade e a integridade dos escritores da Bíblia constitui comprovante da autoridade bíblica que reveste seus escritos. Mesmo assim sempre existe a questão se os documentos bíblicos são fidedignos. Algumas provas são suficientes para tal.

a) O NT é tremendamente substanciado pelos 5.500 manuscritos, e a conclusão é que os livros e cartas do NT tiveram sua origem no século I, inclusive 15/20 anos após a morte de Cristo. Isto é, eles foram escritos e analisados por testemunhas oculares da vida, morte e ressurreição de Cristo. Documentos como Chester Beatty papiro de 200 dC, e o papiro que está na biblioteca John Rylands de 130 dC, são provas dessa fidelidade.

b) Há também grande variedade de manuscritos, inclusive traduzidos para outras línguas além do grego, bem como testemunho e citações do NT dos pais da Igreja do primeiro século, que revelam uma total confiabilidade nesses livros e cartas. O Codex Vaticano que está em Roma e o Codex Sinaiticus na Inglaterra são exemplos disso.

c) Com relação ao AT, em 1947, um jovem beduíno estava procurando uma ovelha perdida nos arredores do Mar Morto e ao jogar uma pedra numa das cavernas ouviu um barulho diferente. Foi verificar e encontrou jarros de barro com rolos antigos dentro. Grandes partes desses rolos eram cópias do AT. Haviam sido escondidos ali provavelmente pela comunidade de Qnram, um grupo monástico judaico. Estes manuscritos foram datados de 100 a.C. A surpresa maior foi que ao se verificar esses manuscritos as diferenças entre eles e nosso AT atual é mínima, apenas variando alguns termos sem relevância para a mensagem e conteúdo.

Em suma, quando homens sadios mentalmente, dotados de reconhecida integridade moral, reivindicam inspiração divina e oferecem como evidência o fato de haverem mantido comunicações com o Cristo ressurreto, todas as pessoas de boa fé, que buscam a verdade, precisam reconhecer a realidade desses fatos.

4. Influência

Nenhum livro tem influenciado tanto o mundo como a Bíblia. Nenhum outro livro tem sido publicado, mais lido e traduzido no maior número de línguas. Mais de 1.280 línguas atualmente. Nos últimos trinta anos, sem falar das outras organizações, a SBB tem publicado uma Bíblia a cada três segundos dia e noite, para atender a demanda de Bíblias. A Bíblia tem sua influência nas mais variadas áreas do conhecimento humano. Na literatura e ensino a influência é única. Se todas as cópias da Bíblia fossem destruídas, ela poderia ser reconstruída facilmente pelas citações dela feita em outros livros.

5. Indestrutibilidade

Nenhum livro tem sido tão perseguido e atacado. Já vimos como os estudiosos críticos do século XX a atacaram, mas ela sobreviveu. Tem sido combatida por aqueles que deviam ama-la, mas tem sobrevivido a tudo e a todos.
Mesmo tendo sido escrita muito antes da invenção do papel e da imprensa, tendo sido copiada várias vezes e traduzida para várias línguas, não diminuíram sua exatidão e existência. Ela sobrevive.
Muitos têm tentado queima-la, bani-la ou torna-la ilegal, desde os romanos até os comunistas. Mas ela tem sobrevivido.
Voltaire, uma das grandes mentes por de trás da revolução francesa, disse que em um período de cem anos o Cristianismo seria varrido da história e esquecido. Ele morreu em 1778. Cinqüenta anos depois de sua morte, a Sociedade Bíblica de Genebra comprou a casa e a imprensa dele para publicar Bíblias. A Palavra de Deus tem sobrevivido.

Certamente, há algo de completamente incomum e sobrenatural na história deste livro.

A Bíblia É a Palavra de Deus !


Pr. Magdiel G. Anselmo.


Bibliografia sugerida:

Evidence That Demands a Verdict... Josh McDowell, 1972.
Porque Creio. J. Kennedy. Juerp, 1987.
The News Testament Documents - Are They Reliable? F.F. Bruce, 1985.
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