sexta-feira, 8 de julho de 2011

O Caminho de Deus para nós.

Muitas vezes em nossa vida não entendemos o porquê dos acontecimentos e das diversas situações que nos afligem. Ficamos perplexos com os imprevistos e questionamos como podem nos acontecer fatos e conhecermos pessoas que nos machucam ou que dificultam (no nosso entendimento) o que planejamos pra nossa vida, ministério e até para nossa família.

Já que somos salvos e cremos em Deus porque somos surpreendidos com sofrimentos e aflições de todos os tipos?
Na ânsia de encontrarmos respostas a estas questões facilmente lançamos sobre o diabo toda culpa pelos nossos problemas e nos isentamos de ter de alguma forma causado tais dificuldades a nós mesmos. Não é incomum presenciarmos muitos irmãos repreendendo demônios ou espíritos maus atribuindo a eles o que lhes aflige e dificulta na sua vida. 
Ressalvo que não duvido que em muitas ocasiões os poderes das trevas são os causadores de muito sofrimento e problemas, porém, nem tudo que passamos tem sua origem neles ou é imposto por eles. Em diversas circunstâncias, eles apenas se aproveitam dos nossos erros para poder se infiltrar em nossa vida e em consequência trazer destruição e dor. Afinal de contas, os objetivos do diabo e seus asseclas desde que foram expulsos dos céus sempre foram e sempre serão roubar, matar e destruir, até que o próprio Deus determine o final de sua ações nefastas. Mas, nem tudo é causado pelo diabo. Eu diria que muito do que ocorre conosco, o diabo não teve a menor intenção de causar.
Temos que parar de dar todo esse "ibope" pra ele. Ele não está no controle das situações e das pessoas.
Deus é um soberano que governa, um rei que reina sobre tudo e todos.
Deus tem Seus caminhos para nós. Ele determina nossos passos.
Muito do que ocorre conosco pode ser consequência de nossos próprios erros e decisões impensadas, ou ainda de pecados, mas tal qual com o diabo, também há situações que não fomos nós os causadores.
Então quem causa estas situações?
Ao refletir sobre essa verdade e meditando na Palavra de Deus encontrei, dentre outros, um texto que me iluminou ainda mais o entendimento sobre essas questões e partilho convosco a seguir.
Lendo Êxodo 13: 17-22; 14:1-15, vêmos a passagem onde o povo de Deus liberto do cativeiro egípcio inicia sua peregrinação pelo deserto na liderança de Moisés. Algumas lições podem e devem ser extraídas para entendermos melhor a soberania e a vontade de Deus:

1. Deus orienta e guia o povo para que siga pelo caminho mais distante e obviamente mais difícil (vs. 17).
Por que? Por que Deus não os conduziu pelo caminho que era mais curto e mais rápido?
Alguns respondem afirmando que o caminho mais curto era aquele que levava à terra dos filisteus, e eles seriam dizimados por esse povo guerreiro. Mas, Deus não poderia livrá-los das mãos dos inimigos como tantas vezes fez?
A resposta é sim. Deus poderia guiá-los pelo caminho mais curto e livrá-los das mãos dos filisteus, porém essa não era Sua vontade. Ele tinha planos para aquele povo e para aquela ocasião específica.
Aprendemos com isso que muitas vezes não entendemos o porquê das orientações de Deus pra nossa vida e teimamos em traçar nossos próprios planos e caminhos. Decidimos à revelia o caminho que nos parece mais fácil, mais agradável, mais rápido... Mas, lá no íntimo sabemos que este não era o caminho de Deus pra nós (Prov. 16:1-9).
Fazemos isso porque entendemos que a forma de Deus é absurda e incomum demais. Perguntamos: - Por que fazer assim ou isso se todos fazem de maneira diferente e conseguem alcançar seus objetivos?
E esses pensamentos nos levam a formular argumentos que "justificam" nossa desobediência ao que Deus já nos orientou a fazer. Com isso, pensamos ser absurdo perdoar alguém que profundamente nos feriu ou prejudicou. Nos negamos a abençoar nossos inimigos e escolhemos a quem amar e a quem não amar (somente para dar alguns exemplos). Agimos como a maioria. Usamos o senso-comum e o aplicamos ao espiritual. E assim vivemos negligenciando a voz do Senhor.
O que temos que entender é: Deus tem planos para nossa vida. Ele já planejou tudo a nosso respeito. Ele sabe o que é melhor pra nós.
Por isso, obedeça a Sua voz. Para ser bem claro:
FAÇA DO JEITO DE DEUS !

2. Deus envia o povo para o deserto (vs. 18).
Deserto não é um local agradável de estar. De dia, quente demais. De noite, frio demais. Certamente é uma região difícil de viver.
Você poderia dizer: - Mas pastor, ali tudo era deserto. Aquela região era cercada por eles. É algo óbvio Deus guiá-los pelo deserto.
Eu responderia afirmando: Concordo, deserto era um local característico daquela região. Mas também lhe perguntaria: Mas, Deus não poderia transportá-los milagrosamente por ele até a Terra Prometida, sem terem que passar por circunstâncias tão difíceis? Deus não tem poder pra isso?
Penso que a melhor forma de entendermos é analisando a passagem. Quando asssim fazemos descobrimos que aquele povo precisava ir e passar pelo deserto para que tivesse maior contato e experiência com o poder, providência e a soberania de Deus.  Ou seja, para conhecerem mais a Deus era necessário passarem pelo que passaram.
Aplicando esse mesmo princípio em nossos dias, percebemos que Deus ainda envia homens e mulheres ao deserto para que aprendam e conheçam mais profundamente a Ele e Sua vontade.
Para Deus, deserto é lugar de aprendizado, não de queixas, questionamentos ou murmurações.
Um problema financeiro, profissional, familiar, conjugal, a privação de algo ou de alguém, podem ser situações-deserto permitidas e em certas ocaisões impostas pelo próprio Deus.
Ao invés de questionarmos o porquê,  a pergunta correta deveria ser:
- O que Deus deseja que eu aprenda com essa situação que estou vivendo?
Deus pode estar exercitando a paciência que afirmas possuir, ou a mansidão, ou ainda o perdão... Reflita nisso.
O interessante é que aquele povo não entendeu isso e com exceção de Josué e Calebe, morreram todos no deserto. Não mais saíram dele. Viveram e morreram nele. Triste fim.
O tempo a estar no deserto, vai depender do seu nível de aprendizado com relação ao que Deus lhe ensina.

Por isso, se vives em um verdadeiro deserto hoje, lhe advirto:
APRENDA NO DESERTO, OU MORRERÁS NELE.

3. Deus estava presente, mesmo no deserto (vs. 21 e 22).
O Senhor estava com eles. Mesmo lá no deserto, Deus estava junto deles para guiá-los e protegê-los. Deus os enviou para o deserto, mas não os abandonou nem os desamparou (Is. 42:16).
Aprendemos que não importa a situação ou o problema que Deus permitiu que viesse a nossa vida. Deus é Emanuel (Deus Conosco). Ele está contigo para lhe ajudar a entender os Seus caminhos e passar pelas dificuldades da vida.  Deus usando o salmista bem esclarece isso:
"Ainda que eu ande pelo vale da sombra e da morte, não temerei mal nenhum, porque Tu estás comigo, a Tua vara e o Teu cajado me consolam..." (Salmo 23:4)

É por isso que afirmo com convicção:
DEUS ESTÁ CONOSCO, MESMO NOS DESERTOS DE NOSSA VIDA.

Por isso, preste atenção ao que Deus lhe fala e mostra. Ele é um Deus presente.

3. Deus levou-os para uma situação que exigia Fé (14: 1,2)
O próprio Deus os colocou em uma situação que exigia uma posição e decisão rápida diante do problema. A situação exigia um posicionamento.
Observe a problemática: O mar a frente e impossível de atravessar a nado e não possuíam embarcações para tal procedimento. Atrás, o deserto de onde vieram, mas agora com o poderoso exército egípcio vindo em sua direção para matá-los. Não tinham como reagir ao ataque, não eram soldados, não tinham armas para uma defesa convincente. Haviam mulheres, crianças, idosos, etc... Milhões de pessoas que estavam geograficamente presas como se fossem guiados para um local sem escapatória.
Não havia saída, não tinham como escapar. Era o fim. Seria um massacre.
E o que é mais surpreendente: Deus os fez ir e estar naquele lugar específico. Ali muitos murmuraram e se arrependeram de seguir as orientações de Deus ditas por Moisés. Não conseguiram enxergar pelos olhos da fé.
Ainda hoje, Deus permite que passemos por situações semelhantes, ou seja, que exigem um posicionamento de fé de nossa parte. Um posicionamento cristão.
Assim como os companheiros de Daniel (Dan. 3: 16,18) devemos acreditar em Deus e nos submeter a Sua vontade. Deus requer de cada um de nós uma postura de Fé e confiança plena Nele.

Por isso devemos declarar:
- QUANDO EU FOR POSTO A PROVA, DEVO TER UMA POSTURA DE FÉ EM DEUS.

Moisés entendeu e aprendeu isso (vs. 13,14) e Deus honrou a sua fé e livrou o povo daquela situação que tudo levava a crer que seriam dizimados (26-31).


Conclusão

Como vimos, muitas vezes é o próprio Deus que possibilita passarmos por situações difíceis em nossa vida.
Como já afirmei, nem sempre é o diabo, nem sempre somos nós. Por vezes é o próprio Deus. 
Tenhamos discernimento para entender isso e vivermos com sabedoria, aprendendo e crescendo em graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Pr. Magdiel G Anselmo.





quarta-feira, 6 de julho de 2011

A Vara e o Cajado do Pastor Contemporâneo

Para as ovelhas, a vara e o cajado são símbolos de ajuda. Por quê?
Para o salmista (Salmo 23), a vara e o cajado eram símbolos de consolo. Por quê?
De que forma esses instrumentos se relacionam com o papel do pastor contemporâneo?
Pesquisando sobre esses instrumentos utilizados pelos antigos pastores de ovelhas e alguns ainda hoje em certos países, observei o que a seguir escrevo e faço a partir disso uma simples aplicação com relação ao pastorado. Vamos lá então. 
A vara era um pedaço de pau grosso e curto, frequentemente com uma saliência na ponta. Era usada para vários fins. Antigos pastores de ovelhas raramente eram vistos com uma vara na mão ou presa à cintura.
Às vezes, era arremessado com extrema precisão para afugentar um predador. Outras vezes, era lançada na direção de um cordeiro teimoso, na tentativa de impedi-lo de se afastar do rebanho ou para não se aproximar de uma planta venenosa.
Nessas aplicações, a vara era uma extensão da autoridade do pastor.
Era como um prolongamento do seu braço estendido. A autoridade do pastor e sua habilidade em guiar o rebanho com a vara eram fonte de conforto. O pastor contemporâneo, tal qual o pastor de ovelhas que menciono, deve usar a vara com grande cuidado, mas nunca vacilar em defender a congregação ou hesitar em alertar os membros da aproximação do perigo.
Em nossos dias, o pastor contemporâneo deve usá-la para não permitir que as ovelhas de Cristo sejam influenciadas e contaminadas com as novas filosofias, ideologias e "teologias" que os levarão a pecar contra Deus como é o caso da defesa e apoio cada vez maior de parte da sociedade ao homossexualismo, aborto, liberação das drogas, etc., além do liberalismo teológico, triunfalismo, neopentecostalismo, e coisas semelhantes a essas. Sempre alertando e ensinando biblicamente sobre essas questões sem hesitar ou se amedrontar com pressões ou leis descabidas e desprovidas de princípios e valores cristãos.
A vara também era usada pelo pastor quando ele se punha à noite no portão do redil para contar cada ovelha e fazer-lhe rápido exame em busca de quaisquer ferimentos sofridos durante o dia. Esse era um costume antigo chamado "passar debaixo da vara"  mencionado em Ezequiel 20:37 e ainda usado hoje em muitos locais e culturas.
Os rebanhos na Palestina tinham entre vinte a quinhentos animais. Alguns pastores na verdade reconheciam suficientemente as ovelhas a ponto de dar nome a elas. Não era incomum que, ao ser parada no portão, o pastor corresse a mão pelo corpo da ovelha, procurando sentir espinhos ou parasitas escondidos. Parece que essa era a ocasião natural para ungir a ovelha e tratar convenientemente das feridas.
Seguindo esse exemplo, o pastor contemporâneo deve fortificar a congregação de hoje com sua dedicação em conhecer as necessidades daqueles que estão sob seus cuidados. Sua atenção pessoal anima seus irmãos. Diferentes métodos são usados para proporcionar atenção pessoal, dependendo do tamanho da igreja. Embora reconheça que as visitas sejam opção impraticável muitas vezes por várias razões mas principalmente quando se pastoreia mais de uma centena de pessoas, um telefonema do pastor ainda é possível. Às vezes, uma nota pessoal, um email, podem ser lembranças inesperadas de que você está ciente de uma tribulação ou problema pela qual um membro esteja passando.
Me posicionando do outro lado da questão, pessoalmente já tive experiências antes de iniciar meu pastorado, de ter pastores que sequer sabiam de meus problemas e em anos nunca tiveram o trabalho de fazer uma ligação telefônica para saber se eu e minha família estávamos vivos. Parece uma bobagem mas são fatos que uma ovelha não esquece. E certamente, não desejamos esse tipo de lembranças das ovelhas de Cristo que pastoreamos.
Já vimos sobre a vara do pastor. Já o cajado tinha uma função e aparência muito diferentes.
Era muito mais comprida e tinha a extremidade superior arqueada. O pastor usava o cajado de diversas maneiras para dar segurança às ovelhas: sacudia o mato alto à frente do rebanho a fim de assustar alguma serpente; cutucava uma ovelha para fazê-la voltar ao caminho e livrá-la do perigo; puxava a ovelha tímida para mais perto de si. Alguns pastores podiam ser vistos, conforme os historiadores nos afirmam, andando por quilômetros somente encostando a ponta do cajado no lado de um cordeiro, dando segurança pelo contato.
Quando li sobre isso lembrei de quando ensinava minha filha a andar de bicicleta. Em dado momento, depois de segurá-la por várias vezes enquanto pedalava, somente pus minha mão em seu ombro e ela iniciou sua primeira jornada "ciclistica" simplesmente por sentir que estava ali ao seu lado se ela porventura vacilasse. É o mesmo sentimento da ovelha com relação ao toque do cajado do pastor.
Durante a época em que as ovelhas davam cria, o cajado era usado para erguer os cordeirinhos sobre as próprias pernas e colocá-las ao lado da mãe. Isso evitava que o cheiro das mãos do pastor no recém-nascido, causasse um possível rejeição pela mãe.
Os integrantes e membros de nossas igrejas precisam da segurança que o "cajado do pastor de ovelhas" traz.
Alguns precisam ser cutucados com suavidade, outros necessitam de constante afirmação e reafirmação. O tímido precisa ser atraído em direção ao pastor e ser lembrado do seu valor, e recém-nascido na fé dever ser erguido e ajudado a ficar em pé sozinho.
O cajado era cuidadosamente trabalhado pelo pastor. Cada um trazia algum traço da personalidade do pastor, o que tornava cada cajado um instrumento único.
Isso nos ensina que os pastores podem diferir entre si no modo como exercem suas funções pastorais nas suas congregações e igrejas que servem. O que dá certo para um pode não ser aceitável para outro. Mas, deve ser comum a todos os pastores o entendimento de que pastorear envolve muito mais do que apenas pregar no domingo. As necessidades das pessoas (ovelhas) sob seus cuidados variam amplamente. À medida que ele demonstra sua preocupação e competência, o rebanho se sente fortalecido.
Os antigos pastores de ovelhas admitiam que não podiam confiar apenas em sua força e capacidade, mas que precisavam de uma vara e de um cajado para cuidar das ovelhas. 
O pastor contemporâneo bem cedo também descobre que toda sua capacidade, instrução e dons naturais nunca serão adequados para realizar a obra a que foi chamado a fazer. A Palavra e os dons do Espírito muitas vezes são uma vara e um cajado nas mãos do pastor ungido. Seu constante contato com a Palavra e sua vida de oração fortalecem-no para o trabalho de apascentar o rebanho.
Ele entende o poder da Palavra e do Espírito.
As lições e o exemplo ensinados pelos antigos pastores de ovelhas devem sempre nos fazer refletir sobre a forma, a essência e os objetivos de nosso trabalho como pastor das ovelhas de Cristo.
O contexto atual de uma sociedade que não respeita e ignora sua história, seus líderes e guias espirituais bem como a igreja local não devem desanimar os verdadeiros e bons pastores do Senhor. Sempre haverão ovelhas para pastorear, sempre existirão os remanescentes, sempre haverá o retorno daqueles que saíram e com as vidas destruídas e constrangidos precisarão de um 'homem de Deus" que os ensine novamente os rudimentos da fé para que não errem novamente.
Estes "homens e mulheres de Deus" são incansáveis, sabem da importância de seu trabalho e são lapidados através do sofrimento que muitos lhes impõem sob a permissão de Deus. São os Jeremias, os Jó's, os profetas  de nosso tempo. Fazem coro com o apóstolo Paulo que ao escrever aos filipenses, mesmo com tudo que em Filipos passou, declara:

- Alegrai-vos no Senhor, outra vez vos digo: Alegrai-vos.

Esses pastores conhecem a quem servem e tem ciência de que prestarão contas ao Senhor de tudo e de todos.
O Bom Pastor nos observa e nos julgará naquele dia.


Acima de tudo, amamos a Deus,
amamos a Palavra,
amamos a Igreja.

Pr. Magdiel G Anselmo.

As Heresias em nome do Amor

Há algum  tempo venho afirmando que não concordo com uma apologética desvinculada do amor cristão e de uma prudência requerida para se analisar fatos e pessoas.
Mas, com igual convicção, discordo da aceitação de atos e ensinos sem a correta interpretação e aplicação do julgamento da Palavra.
Penso que a defesa da fé e o amor cristão são complementares e não excludentes. O erro muitas vezes decorre de um equivocado entendimento do que na realidade significa amor do ponto de vista bíblico.
Nessa direção, o texto a seguir muito nos auxilia no correto entendimento da questão.
Boa leitura.

Deus é amor.
Isso é um fato básico e inquestionável da fé cristã.
Não é preciso ser um grande teólogo para apreender essa verdade; de fato, nem mesmo é preciso ser cristão para ter conhecimento disso.
Mas existe algo sobre essa afirmação que merece uma reflexão: o que isso significa? Quais as implicações do fato de Deus ser amor? De que modo isso afeta a teologia em que acreditamos – e, por conseguinte, nossa vida prática? Pode parecer algo tão óbvio que nem mereça discussão, mas fato é que a má interpretação do conceito da essência amorosa de Deus é justamente a gênese de muitos e grandes problemas e até de heresias que têm surgido no seio da Igreja nesse início de século XXI.
Vamos pensar um pouco sobre isso então.
A essência de Deus é o amor. Agora: nós, humanos, só conseguiremos compreender plenamente o que isso significa se formos capazes de encaixar esse conceito divino essencial no que cada um de nós percebe como sendo amor. Uma analogia, para ficar mais claro: imagine que numa ilha distante só existam pássaros brancos. Automaticamente, todos seus habitantes associam o conceito de “pássaro” à cor branca. Um dia você atraca nessa ilha, encontra um nativo e tenta explicar para ele o que é, digamos, um urubu. Se disser a ele apenas que “o urubu é um pássaro”, automaticamente ele vai visualizar o urubu como uma ave branca. Afinal, é o único conceito de “pássaro” que ele conhece. Do mesmo modo, se na concepção de uma pessoa o conceito de “amor” é X, se você lhe disser que “Deus é amor”, automaticamente esse indivíduo compreende como “Deus é X”. Mesmo que a essência de Deus seja, por exemplo, Y. É uma mera questão de formar um signo por significados e significantes adequados e compreendidos por todos.
Diante disso, a pergunta que devemos nos fazer é:

O que a civilização brasileira do século XXI entende como sendo “amor”?
Pois é ao detectarmos qual é o sentido que esse conceito tem no inconsciente coletivo do brasileiro de nossos dias que conseguiremos visualizar como essa mesma civilização compreende o fato de Deus ser amor. E é exatamente aqui que começa o problema, uma vez que o conceito primário de “amor” para você e para mim é totalmente alheio à Bíblia. Trata-se do amor dos contos de fadas.
Geração após geração, século após século, década após década, nós ensinamos para nossas crianças que “amor” é aquilo que ocorre entre um príncipe e uma princesa nas fábulas e histórias de ninar. Ou seja, um grande e utópico sentimento destituído de implicações práticas, exigências ou contrapartidas. As inocentes histórias que crescemos ouvindo de nossos pais, professores, desenhos animados e outras fontes de formação de conceitos condicionam pavlovianamente gerações inteiras a abraçar uma ideia de amor que, antes de qualquer coisa, é um sentimento meloso, paternalista e ultraprotetor.
Repare: a princesa vê o príncipe e, apenas por olhar para aquela figura divina passa a amá-lo eternamente (e vice-versa). Não o conhece. Mal ou nunca conversou com ele. Às vezes a donzela está até mesmo dormindo e só toma conhecimento do “amado” após o beijo que arranca suspiros de todos. Isso na vida real seria tão esdrúxulo que se a sua filha decidisse se casar com um homem que mal conhecesse, no mínimo você teria uma séria conversa com ela.
Mas nos contos de fadas… ah, o amor é lindo! E toda um geração cresce acreditando que amor é aquilo. Assim, somos condicionados desde os primeiros anos de nossas vidas a associar amor a uma sensação da qual nasce um relacionamento que não exige nada, que não tem contrapartidas – pois, afinal, o príncipe ama a princesa in-con-di-cio-nal-men-te, sem precisar renunciar a nada, sem uma gota se sacrifício. E mais: é o amor do príncipe que faz com que ele pegue a princesa nos braços e a carregue sem permitir que ela sue ou se canse. Que põe a capa sobre a poça de lama para que ela não suje o sapatinho de cristal. Que faz de tudo para que ela não tenha um incômodo sequer. É um amor de gente bastante mimada, convenhamos.
E, claro, esse amor dos contos da carochinha é complacente. A princesa nunca exige nada do príncipe. O príncipe não fica chateado com nada que a princesa faça. Eles apenas cantam e dançam, cavalgando sorridentes corcéis de crinas bem escovadas por prados verdejantes, cercados de cervos saltitantes e meigos coelhinhos de olhos grandes. É um amor de pura doação, poético, que não senta para cobrar atitudes. Que não demanda nenhuma renúncia. Basta entrar no castelo e a única exigência que se faz é que se seja feliz para sempre.
Esse conceito de amor de contos de fadas está tão introjetado no inconsciente coletivo que basta examinar as comédias românticas de Hollywood ou os grandes romances do cinema (que não passam de contos de fadas para crianças crescidas) e ver que o conceito se repete.
Mais ainda: o modelo de sucesso das telenovelas da Globo justamente faz tanto sucesso porque segue a ideia introjetada no mais profundo de nossa mente desde nossa infância do amor-sentimento-nada-exigente: desde que haja aquele “sentir” arrebatador vale trocar o marido pelo amante, transar antes do casamento ou o que for e todos aplaudem. Sem exigir nada em troca, sem renunciar, sem se sacrificar pelo outro: basta suspirar, dar um grande beijo na boca e… ai ai…
Dor torna-se, então, por essa perspectiva, um conceito alienígena ao amor dos contos de fadas. Sofrimento quem impõe é a bruxa má, o príncipe jamais permitiria que sua princesa furasse um dedinho numa agulha de roca. Tristeza? INCONCEBÍVEL!
Repare: o amor do conto de fadas é aquele em que (e isto é um ponto fundamental!) o ser amado vive feliz para sempre.
Pois é esse conceito de “amor” que ensinam a todos nós desde a nossa primeira infância, pela leitura de continhos de fadas, depois pelos desenhos animados, por fim pelos filminhos sentimentalóides. Somos condicionados, adestrados, ensinados, acostumados a que isso sim é amor.

O amor de contos de fadas aplicado a Deus.

E de que modo esse conceito de amor de contos de fadas se aplica a Deus? Simples: quando então falamos que “Deus é amor”, automaticamente associamos o amor divino a esse tipo de amor fictício.
Logo, enxergamos o amor de Deus como algo sentimental. Meloso. Poético. Que jamais poderia exigir do ser amado renúncias. Que torna inconcebível a ideia de sacrifício. Que exclui veementemente o amador permitir o sofrimento do amado. O Deus que é amor se torna, assim, um ser que não pode de jeito nenhum exigir algo de quem Ele ama, porque, na nossa cabeça, isso o tornaria alguém destituído de amor.
Na nossa concepção de amor, formatada por anos de condicionamento à base de contos de fadas, telenovelas e filminhos água com açúcar, um Deus de amor jamais poderia exigir contrapartidas, jamais poderia estabelecer bases, sua aliança com o ser amado seria complacente, de autoanulação, uma eterna devoção dEle a nós. Uma eterna lua-de-mel.
E mais: por essa perspectiva, o amor de Deus tornaria inconcebível que o ser amado por Ele sofresse, sentisse dor, passasse maus bocados. O ser amado por Deus, na nossa mente pré-programada por contos de fadas, tem obrigatoriamente que fazer com que sejamos…felizes para sempre. O príncipe celestial jamais permitiria que a sua princesa-noiva-do-Cordeiro sofresse, pois senão ele não seria o príncipe, seria a bruxa. Então, a ideia de alguém que ama e permite o sofrimento do amado é um contrassenso, não conseguimos admitir, não aceitamos.
E começamos a encaixar a nossa revolta em conceitos bíblicos: um Deus que ama mas permite o sofrimento não tem… graça.
É aí que começam a surgir os problemas – um nome elegante para heresias. Para o indivíduo condicionado ao conceito do amor de conto de fadas, um Deus que ama não permitiria que milhares morressem num tsunami, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa.
Um Deus que ama não permitiria que centenas morressem num deslizamento de terra na região serrana do Rio, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa.
Um Deus que ama não permitiria que milhões fossem para o inferno, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa.
Um Deus que ama não imporia um código de ética, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa – e uma bruxa legalista.
Um Deus que ama não exigiria o cumprimento aos seus mandamentos dolorosos, pois aí ele não seria o príncipe da graça, seria a bruxa do legalismo.
Um Deus que ama não teria verdades absolutas, pois aí ele não seria o príncipe, seria uma bruxa que transforma conceitos como “dogma” e “doutrina” em palavrões abomináveis. E esse conceito humano, infantil e fictício de amor começa a tomar ares de teologias.
E nós adoramos isso!
Adoramos que Deus não mande muitos para o inferno, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Adoramos que Deus não esteja no controle das tragédias, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Adoramos que Deus não exija de nós que nos sacrifiquemos para cumprir seus mandamentos, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Adoramos que Deus nos proponha uma graça frouxa e destituída de renúncias daquilo que nos é conveniente e agradável por obediência e submissão a Ele, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Confeccionamos teologias que fazem do Deus da Bíblia um deus de contos de fadas.
Ou seja: um Deus que viva o amor como Cinderela, Branca de Neve ou Rapunzel viveram. Mas não é isso que a Bíblia diz.

O conceito bíblico do amor

A Bíblia Sagrada nos revela muitos aspectos da pessoa de Deus que os contos de fadas jamais associam aos seus personagens apaixonados. O mesmo Jesus que é a suprema prova do amor dvino (Jo 3.16; Fp 2.7-9) é o Deus encarnado que afirma: “Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento.
Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’ será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno” (Mt 5.22). Ou ainda, que devemos ter medo “daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno” (Mt 10.28), ou seja, Deus.
Não dá para imaginar isso sendo falado sobre o príncipe da Branca de Neve, não é? Logo, por associação, na cabeça da civilização adestrada pela ficção pueril não dá para imaginar isso sendo falado sobre o Deus da Bíblia.
Assim, as pessoas, confusas com esse suposto paradoxo, começam a buscar explicações. De repente, o Deus que permitiu que Jó passasse por mais de 40 capítulos de sofrimento, dor, decepção, lágrimas e angústia é apenas fruto de uma fábula. Jó agora deixou de existir. virou uma metáfora.
Aquele fato nunca aconteceu. Pois o Deus que ama como nos contos de fadas jamais deixaria que seu querido passasse por aquele sofrimento. Agora o Deus da Bíblia não controla mais forças da natureza e outras calamidades, pois um Deus que ama como nos contos de fadas e nos filmes de Julia Roberts e Sandra Bullock jamais estaria de acordo com genocídios, tsunamis, terremotos, Hitlers, Pol Pots e similares. Não, isso não condiz com o caráter de um Deus que quer que sejamos felizes para sempre.
Então, dizemos que o Deus que controla as forças da natureza é uma referência às deidades greco-romanas-pagãs que as controlavam. Esquecemos que Jesus acalmou o vento e a fúria dos mares com uma ordem, esquecemos que o Senhor conteve as águas do Mar Vermelho e do rio Jordão, consideramos inconcebível que esse Deus tenha provocado o dilúvio de Noé, que dizimou milhares.
Ah, claro – dizem os teólogos adeptos do deus de contos de fadas – essas histórias são metáforas, são fábulas. Embarcamos no liberalismo teológico, numa teologia de relacionamento ou de universalismo que põem para fora do ser de Deus a pontapés os seus propósitos insondáveis, os seus planos elevados, a sua realidade infinitamente superior. Forjamos um deus que não compactuaria com dores e sofrimentos, quando Isaías 53 nos afirma que Jesus foi “ferido”, “moído”, “oprimido” e “afligido” – e isso desde antes da fundação do mundo.
Dizem esses teólogos poéticos que Deus jamais determinará o sofrimento das pobres vítimas da tragédia no Japão. Mas a Bíblia diz sobre o próprio Filho Unigênito do Deus que é amor que “ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Is 53.10).
Sobra a leitura de 1 Coríntios 13 mas falta a leitura de Romanos 9, por exemplo, onde o Deus que é amor afirma: “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão” (Rm 9.15). E aos que não concebem um Deus que não aja segundo as vontades humanas ou a teologia dos contos da carochinha, o apóstolo Paulo dá o ultimato cinco versículos à frente: “Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus?” (Rm 9.20). E logo depois: “E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição?”.
Olha só: o Deus que é amor se ira! Uma ira, aliás, explicitada em numerosas passagens, como Nm 22.22; Dt 4.25; Dt 6.15; Dt 7.4; Jo 3.36; Rm 1.18; Rm 2.5; Rm 3.5; Rm 5.9; Rm 9.22; Ef 5.6; Cl 3.6; Hb 3.17; Hb 4.3; Ap 14.10; Ap 14.19; Ap 15.1; Ap 15.7, entre outras.
Sim, o amor de Deus convive com sua ira. E o não-cumprimento de sua vontade exige o cumprimento da justiça divina. Pois a Bíblia escancara de Gênesis a Apocalipse o fato incontestável de que Deus tem um código de certo/errado.
Ou seja: por definição, tem um padrão moral. Um padrão ético. E exige de nós que o cumpramos, mesmo que precisemos renunciar a nossas vontades, ao que nos é conveniente, ao que fazemos em nome de uma graça barata. “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama”, diz Jesus em Jo 14.21. O mesmo Jesus de amor que em Jo 14.15 vaticina: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos”. Sim, o amor de Deus está condicionado à obediência a seus mandamentos (ou: normas, dogmas, decretos ou o nome impopular que se queira dar a aquilo que o Senhor determina que façamos em cumprimento a Sua vontade).
E como Jesus é o Deus da graça, fica claro que sua graça e seu amor trafegam em conjunto com a obediência a seus mandamentos. O que, na cabeça de muitos, faria dele um Deus legalista, veja você.
Sim, pois há aqueles que apostam na teologia do complacente Deus Papai Noel, um velhinho bonachão que nos vê desobedecer seus valores (explícitos nos mandamentos da graça) e passa a mão na nossa cabeça, quando o Deus da Bíblia, que é amor, afirma: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará” (Mt 10.38, 39).
Ou seja, é um Deus que exige renúncia por amor a Ele. Renúncia de nós, de nossos desejos, de nossas vontades, de nossos prazeres, daquilo que nos é mais conveniente, daquilo que exige esforço de nós. Mas graça não é sinônimo de moleza. “O Reino dos céus é tomado à força” (Mt 11.12). Quer desfrutar do amor e da graça de Deus? Então ouça o que a encarnação do amor diz: “”Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8.34).

Conclusão

Vivemos dias em que um conceito equivocado sobre o que significa “amor” está fazendo muitos cristãos acreditarem que o Deus que é amor não é mais soberano sobre tudo o que acontece, ou não condena mais os filhos da perdição ao fogo eterno, ou não exige obediência à custa de renúncia pessoal. Pintamos um Deus que, em nome de um amor que não é o amor bíblico, nos isenta de sofrimentos ou nos dispensa do cumprimento de seus mandamentos.
O Amor bíblico está longe de ser o amor dos contos de fadas.

O Amor bíblico permite que José passe décadas sofrendo como escravo e presidiário por um bem maior. O Amor bíblico permite que o príncipe do Egito passe 40 anos no deserto de Midiã e depois mais 40 no deserto do Sinai para cumprir seus planos soberanos. O Amor bíblico entrega Seu Filho unigênito para sofrer injustamente por multidões que não mereciam. Isso é o Amor bíblico: um Amor que custa caro. Que é dado pela graça, mas que custa no mínimo o preço da obediência e do respeito à vontade soberana de Criador dos Céus e da Terra. É um Amor que não isenta aqueles que são mais amados de serem “torturados (…) enfrentaram zombaria e açoites; outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados” (Hb 11.35-37).
O Amor bíblico é sacrificial.
É um Amor que permite catástrofes e sofrimentos porque a mente de Deus é muito mais elevada que a nossa e chega a ser arrogante tentar compreender o porquê de o Senhor optar por permitir tragédias que, dentro do grande esquema das coisas, poderão cumprir um propósito maior que não entendemos (afinal “agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido”).
O Amor bíblico cumpre a Justiça divina e condena muitos sim à perdição eterna, pois é a profundidade do vale que determina a altura da montanha da eternidade ao lado de Cristo.
O Amor bíblico exige do barro a coerência de obedecer de modo submisso ao oleiro, sem julgar que a renúncia de vantagens pessoais configure ausência de graça ou legalismo.
O Amor de Deus, o Amor bíblico, entrega Cristo para a cruz.
Entrega o Cordeiro inocente para a humilhação, a tortura, a dor e a morte, pois sabe que a leve e momentânea tribulação redundará num eterno peso de glória. E não somos melhores que o Cordeiro. Não estamos isentos de humilhação, tortura, dor e morte. E, se nós, japoneses, moradores da região serrana ou qualquer outro passa por isso, temos a certeza de que Deus está no controle e que todas as coisas contribuem para o bem dos que o amam e andam segundo o seu propósito.
Afinal, reconhecer que Deus é amor quando tudo vai bem é fácil. Difícil é confessar esse amor no meio do sofrimento, da perda, da lástima, do apedrejamento, da perda de entes queridos, de um casamento dissolvido, do desemprego, da fome, da miséria. Bem-aventurados os que creram nesse amor sem ter visto sua expresão poética. Bem-aventurados os que não se guiam por vista, mas por fé.
 E, afinal… não é isso que é fé? Crer com perseverança no amor de Deus quando tudo ao nosso redor tentar nos fazer acreditar que Deus não nos ama?


Por Mauricio Zagari.
Jornalista, colunista da revista Cristianismo Hoje.
Fonte: púlpito cristão.

 
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