terça-feira, 23 de agosto de 2011

Movimentos de Crentes sem Igreja (Templos X igreja nos lares)


Escrevi meses atrás sobre os movimentos de crentes sem igreja depois de pesquisar o assunto e por se tratar de um tema que no dia-a-dia pastoral se tornou algo habitual, pois não é incomum nos depararmos com pessoas que deixaram suas igrejas e que defendem uma revolução na forma e na metodologia usualmente adotada pelas instituições e organizações cristãs (denominadas evangélicas e/ou protestantes), entendendo esses, que quase tudo que fazem ou pensam essas instituições é errado e contraria a essência do ensino das Escrituras sobre a Igreja.
Algumas pessoas me procuraram para afirmar que não eram sem igreja, mas que eram adeptos de uma nova forma de igreja ou de um retorno a forma correta e bíblica de igreja, que seria a igreja no lar. Não conseguiam explicar bem como era isso, pois defendiam que não havia "muita estrutura" ou "organização" e que isso é que lhes agradava. O Espírito Santo é que comanda!, me afirmavam.
Por isso volto a escrever sobre esse tema pontuando dentro dele uma questão que muito me chamou a atenção nos argumentos utilizados pelos então “revolucionários” asseverando estes que a igreja instituição como dois mil anos de história formaram, não é a vontade de Deus para Sua Igreja (Noiva do Cordeiro).
Para tanto atacam muitas vezes com veemência os prédios da igreja. O argumento é expresso de diversas maneiras: “A igreja é formada por pessoas, não por prédios”; “Não podemos ir à igreja, pois somos a igreja”.
A história é mais ou menos assim: No princípio, quando a igreja era pura, as pessoas se encontravam nas casas. Os cristãos só passaram a reunir-se em seus próprios prédios no século IV, sob Constantino, “o pai dos edifícios eclesiásticos”. Daí os cristãos começaram a chamar seus prédios de “igreja”. Mais tarde, passaram a chamar os prédios de “templos”.
Penso que em muitas ocasiões e locais, os cristãos estejam obcecados por construções, desperdiçando muito tempo e dinheiro em instalações demasiadamente grandes. De fato, às vezes achamos que prédios e igreja são a mesma coisa, quando o importante são as pessoas. O prédio não é um lugar sagrado, pelo menos não no mesmo sentido em que o templo era sagrado. Não creio que o chão dentro da igreja é mais santo do que fora. Portanto, concordo que muitas vezes existe um exagero e até mesmo certa espiritualidade equivocada com relação aos prédios ou templos da igreja em nossos dias.
Entretanto, existe também um exagero na argumentação dos sem igreja com relação ao mesmo tema.
Por que digo isso?
Para começar, é destacado exageradamente que os primeiros cristãos se reuniam em casas.
Ora, eles não se reuniam em casas ou lares para num esforço dar início à primeira religião não religiosa do mundo. Estudiosos do cristianismo primitivo comentam que “a prática de reunir-se em residências particulares foi provavelmente um expediente usado pelos judeus em muitos lugares, assim como para os cristãos paulinos, a julgar pelas ruínas de sinagogas em Dura Europos, Stohi, Delos e outros lugares, que eram adaptações de habitações particulares”.
E mais, os cristãos se reuniram em casas por trezentos anos porque sua fé era ilegal. Não havia outro lugar onde pudessem se encontrar, razão pela qual os prédios começaram a surgir depois de Constantino ter descriminalizado o Cristianismo. Não há mandamento para que os cristãos se reúnam em pequenos grupos em lares e nenhuma razão para pensar que tenham feito isso por algum outro motivo que não a necessidade e a conveniência.
Também vale ressaltar que uma casa romana, especialmente com pátio, poderia ser bem espaçosa, permitindo que quase cem pessoas se reunissem ali. Portanto, a “igreja no lar” não necessariamente significava um pequeno grupo de estudo bíblico. Em alguns casos, essas reuniões tinham mais pessoas que muitas igrejas espalhadas pelo nosso país.

Além disso, os primeiros cristãos não se reuniam exclusivamente em lares.
Vemos em Atos que eles também se encontravam no Pórtico de Salomão (At. 5:12), ainda iam as sinagogas (3:1) e ocasionalmente alugavam locais para palestras, como na Escola de Tirano (19:9). Provas arqueológicas também demonstram que eles às vezes se encontravam em cavernas.
Além disso, escavações descobriram uma casa de meados do século III (antes de Constantino!) que foi amplamente reformada, incluindo um salão de reuniões aumentado, para tornar-se um prédio “inteiramente dedicado a funções religiosas”, após o que “toda atividade doméstica cessou”. Será que isso tem alguma semelhança com as igrejas atuais? Claro que tem.
Por cima de tudo isso, temos Tiago 2:2, onde se lê: “Se, portanto, entrar na vossa sinagoga algum homem...” O termo original pode ser traduzido como “reunião” (NVI) ou “ajuntamento” (RC), mas também pode referir-se a uma sinagoga real. Considerando que Tiago escreveu a judeus (1:1) e que “sinagoga” era o termo comum usado para construções religiosas entre os judeus, é possível que Tiago 2:2 faça referência a cristãos judeus primitivos que se reunissem em seus antigos edifícios religiosos.

Resumindo:
Essa conversa toda sobre prédios da igreja é muito barulho por nada. Mesmo os “sem igreja” precisam reunir-se em algum lugar. Ainda que não possuam prédios, presumivelmente a sua reunião de adoração não ocorre num lugar aleatório, secreto e mutável (a não ser que estejam enfrentando perseguição como os primeiros cristãos). A verdade é que possuem um local para tal.

O fato (mesmo que não se agradem de ler isso) é que existe algum lugar no qual sua igreja se reúne.

É certo que, a rigor, podem querer pensar nesse local mais como uma casa de reunião (como os puritanos) que como uma igreja. Mas, se chamarem o prédio de “igreja”, creio que Deus vai entender.
E, no caso de pensarem, sem nenhuma superstição: “Posso adorar a Deus em todo o lugar onde estiver, mas este é o único lugar onde o adoro com o Corpo de Cristo, onde recebo as ministrações (sacramentos ou ordenanças, como quiser) e celebro a ressurreição, o dia do Senhor e, portanto devemos separá-lo de algum modo”, isso também não será um impulso ruim.
Além do mais, muitos prédios eclesiásticos são usados praticamente todas as noites da semana. É certo que um prédio custa dinheiro e exige esforço para ser mantido, mas estudos bíblicos, classes de discipulado, almoços festivos, encontros de casais, eventos esportivos, classes de idiomas, EBD e centenas de outras coisas acontecem naquele prédio o tempo todo exatamente porque isso não funcionaria na casa de alguma pessoa.

Por fim, não critico quem adora a Deus em sua casa ou em outra, ou em um trem ou praça, nas ruas ou em qualquer outro local. É uma forma, mas não é a forma. Grupos pequenos são úteis e fazem parte da vida da igreja. São complementares as duas formas, seja em lares, seja no templo, seja em grupos pequenos, seja de forma congregacional. Não são excludentes.
Mas, critico sim essa história de retorno ao que era correto e bíblico. Não creio que Deus abandonou a igreja nesse dois mil anos e permitiu que ela se desviasse da Sua vontade. Penso que Deus é que direcionou a Sua Igreja (e aqui me refiro "as igrejas" pois elas formam a Igreja) a prosseguir e o Espírito Santo a conduziu até hoje. Ela não é perfeita (não me refiro a seitas, mas igrejas) e não será antes da glorificação, mas "até aqui nos ajudou o Senhor".
Há algumas revoluções que precisamos realizar, mas não nessa questão.

Por isso, não me preocupo com a igreja. Ela sobreviverá a mais essa onda. Os seus cultos, sermões, liturgia, forma institucional e organizacional sobreviverá e prosseguirá. Me preocupo com os que saem da igreja. Como estarão daqui a cinco ou dez anos? Será que ainda estarão defendendo essa tal revolução? Me preocupo como estarão seus corações distantes da família e como estarão suas feridas?
Quero fazer uma observação antes de encerrar:
Alguns escritores, principalmente norte-americanos (e está na moda escrever sobre os defeitos da igreja) são adeptos do slogan: “aquele que adora debaixo de um campanário não condene o que adora debaixo de uma chaminé”. Em nosso contexto seria algo do tipo: “aquele que adora em bancos de templos não condene o que adora em seu sofá da sala”. Isso é uma verdade, mas também deveria ser verdadeiro “que aquele que adora no sofá da sala de estar não condene quem adora em bancos, juntamente com púlpitos, vitrais e salão social”.

Pr. Magdiel G Anselmo.
com citações da obra "Porque amamos a igreja" de Kevin Deyoung e Ted Kluck (Ed. Mundo Cristão).

12 comentários:

  1. Interessante a tese que o pastor esposa e defende. De fato, há uma ênfase exagerada no local da reunião e o Novo Testamento dá a entender que mais do que o local é a essência dessa reunião: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem." (João 4:23) Assim, creio que não há uma forma pré-definida, como querem alguns, mas sim uma essência pré-definida, como disse o Mestre e como foi repetido em inúmeras vezes por seus apóstolos.
    Tal ênfase é motivada por diversas coisas, dentre elas por um desejo sincero de viver o Evangelho de uma forma mais simples, menos "profissional". Creio que este é o problema que se pretende resolver: muitas igrejas, que compõem a Igreja como o senhor diz, se tornaram centros de "especialistas em liturgia e culto cristão", onde, por exemplo, "assiste-se ao culto" ao invés de "participar do culto"; onde as relações humanas tornaram-se restritas ao âmbito religioso; onde a aparência é maior que a essência. Este é o problema.
    De fato, Deus preservou a Igreja até hoje em dia. Mas isso não significa que ela não precise de restauração (e não apenas algumas "melhorias"). Com Lutero, foi restaurada a Palavra; com o avivamento da Rua Azuza, o Batismo no Espírito Santo e os dons espirituais. Que a Igreja (composta por igrejas) esteja atenta, porque antes do fim ela passará por uma derradeira restauração, levando-a ao padrão bíblico novamente, do qual ela jamais deveria ter se afastado.
    Graça e Paz!

    ResponderExcluir
  2. Pr. Ricardo, Graça e Paz,
    Entendo sua argumentação e que a Igreja precise ser restaurada em muitos aspectos (como mencionei na postagem) mas não entendo que precise de restauração com relação a questão que abordei. O que muitos precisam entender é que a forma de reunião ou de adoração como o sr. afirmou não se restringe ao local mas ao comprometimento das pessoas num relacionamento direto com Deus. Isso é que discuto pois alguns entendem que a forma congregacional é totalmente errada e as reuniões realizadas em templos ou salões (enfim, prédios construídos para tal) são contrárias a essência que Bíblia ensina e chegam a denominar esses cultos de inúteis e desprovidos de Deus. Entendo também que em certas circunstâncias e locais existe a profissionalização da liturgia e das atividades, mas também existem em outros locais e circunstâncias cultos onde adoradores como o Mestre procura se reunem para adorar. O erro não é da forma mas de quem as pratica equivocadamente. Como afirmei, não existe a forma correta mas várias formas de se expressar adoração a Deus e as realizadas no templo com sua dvs liturgias e afins são uma delas (sem menosprezar os pequenos grupos, eles tem sua finalidade). Por fim, muitas vezes a ênfase na forma e no local não é por buscar "viver o Evangelho de maneira mais simples", mas de "tentar" viver o Evangelho sem precisar assumir compromissos ou aceitar ser ensinado por outros, ou seja, não se submeter a nenhum critério ou norma doutrinária ou organizacional.
    Essa é a questão pastor. Defendo sim uma reforma conceitual (nos princípios e valores) e não subjetiva (em locais ou formas). Até porque a primeira leva naturalmetne a outra, se for necessário.
    Grande abraço,
    Pr. Magdiel G Anselmo.

    ResponderExcluir
  3. Compreendo sua tese, pr. Magdiel. Novamente, é como comentei: o problema não está na forma, mas na essência. Estamos em concordância.
    Como o senhor disse, há infelizmente casos onde a ideologia não é o retorno à simplicidade, mas sim a busca de um sistema sem compromissos com ninguém. Esses maus exemplos acabaram causando espécie nos pastores e denominações que não os adotaram (e digo que não o fizeram no pleno exercício do discernimento espiritual, haja vista o estrago que causaram - e até hoje estão a causar - em muitos ministérios e denominações, o número de crentes desviados que foram produzidos nestes sistemas). Não são, é claro, "movimentos alfanuméricos", "gerados numa visão ´sobrenatural´ pós-feijoada", que resolverão o problema de essência; quando muito, serão bons "case studies" em aulas de administração eclesiástica de como não agir, rs.
    Há outro viés, contudo, conforme apresentei: pessoas sérias e comprometidas com Deus e que buscam expressar sua fé em Cristo de forma menos burocrática (há infelizmente irmãos que insistem em burocratizar a fé, fazendo com que a igreja mais pareça com repartição pública do que com ekklesia - lugar daqueles que foram chamados para fora do mundo). Ano passado, publiquei sobre o tema em meu blog (http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/08/nova-reforma-protestante-e-restauracao.html). Como comentei ali "com a transformação no interior, pouco importará o local de reunião dos crentes, se nas casas ou nos templos; a fé será poderosa, alegre e simples". Esse é o nó górdio: a trasnformação do interior do homem pelo Espírito Santo.
    Defendemos, assim, a mesma reforma, pastor. O templo tem o seu lugar na adoração e serviço cristão, a casa tem o seu lugar na adoração e serviço cristão. Onde está o elemento comum? Na adoração e serviço cristão. Esse não pode parar, ou sofrer em detrimento de qualquer que seja a estrutura envolvida. O sacerdócio universal dos crentes deve ser exercido, independentemente de liturgias, organizações, estruturas e modelos. O crescimento espiritual dos crentes precisa avançar, "deixando os rudimentos" em direção à maturidade, a plena estatura de varão perfeito, como nos ensinam o autor aos Hebreus e o apóstolo Paulo em sua epístola aos Efésios.
    Por favor, perdoe-me por me alongar no texto.
    Grande abraço!
    Graça e Paz!
    Pr. Ricardo.

    ResponderExcluir
  4. Pena que a grande maioria dos praticantes desses sistemas "milagrosos" não frequentem as boas aulas de administração eclesiástica para se inteirar dos "case studies", não é verdade pr. Ricardo? rs
    E quão urgente é essa reforma que defendemos e que a Igreja tanto necessita.
    Um forte abraço e se alongue sempre que desejar.
    Graça e Paz.
    Pr. Magdiel

    ResponderExcluir
  5. Irmão Magdiel, aí vai o comentário que sumiu outro dia, era mais ou menos assim, se bem me lembro:
    O que menos importa é o local de reunião. Quem passou pelo sistema eclesiástico e opta consicientemete pelas reuniões nos lares, fora do esquema de "células" ou "grupos familiares" já entendeu isso. Ao contrário do que se quer fazer crer, são irmãos maduros na fé e que simplesmente se recusam a fazer parte de burocracias denominacionais, estruturas religiosas e sistemas que se tornam um fim em si mesmos, com grande e inútil dispêndio de recursos para manter templos, hierarquias e outros passivos, físicos e espirituais.
    Coloco "células" etre aspas porque se tornaram também m instrumento do sistema eclesiástico, que se apropriou de uma ótima ideia e tomou conta, como no famigerado G12, fazendo dos "grupos pequenos" uma simles engrenagem no esquema de marketing derede que disfarçam de "nova visão", dentre outros males.
    Não se trata de "sistema milagroso", mas apenas uma forma que, peso, é mais pura e livre, e como aventa o irmão Ricardo, traz à tona aquestão de se rediscutir a necessidade ou viabilidade de uma "Nova reforma", posto que os reformadores fizeram uma grande obra, mas sem dúida muita coisa herdada do sistema romanista permaneceu, como o sacerdócio profissional, a estrutura dicotômica leigo/pastor, e outros que abordo a seguir...

    ResponderExcluir
  6. ...continuando, e terminando:
    Com "nova reforma", não podemos entender essas aberrações que têm surgido, como a proliferção de "apóstolos" e "Patriarcas", mas sim o que os próprios reformadores deseavam, uma volta à simplicidade do evangelho e do que acabou se tornando "liturgia".
    Há que se discutir, por exemplo, o que as cartas paulinas falam sobre louvor e adoração, se é algo extravagante, ou se é simplesmente salmos, hinos e cânticos espirituais; há qe se questionar se é de fato necessário usar templos cada vez mais suntuosos (tem razão em dizer que os primeiros cristãos não se reuniam exclusivamente em casas, isso é fato, mas desde aquele tempo tabernáculo e templo já estavam sperados pela Nova Aliança, como bem disse Estêvão minutos antes de ser apedrejado). Há que se pensar na superação dos dízimos obrigatórios e legalistas pela oferta voluntária, neo-testamentária, dirigida para caridade e sustento dos necessitados, dos missionários, e não de senhores feudais eclesiásticos.
    Finalizando: não se trata de rebeldia ou de não aceitar autoridade, nem de dificuldade de relacionamento, como alguns tentam fazer crer, mas sim de se procurar um retorno à simplicidade e pureza originais.
    Desculpe a prolixidade, mas o assunto não se esgota em poucas linhas.
    Abs
    Deus abençoe a todos!
    Georges
    (do blog Doa a quem doer)

    ResponderExcluir
  7. Um fato que vem ocorrendo nos últimos anos deveria ser ao menos merecedor da nossa reflexão.

    Seria ele um dos indicativos de que o arrebatamento da Igreja está próximo?

    Igreja nos Lares: Um Indício do Fim dos Tempos?
    São inúmeros os crentes que estão se reunindo em pequenos grupos em lares. Este é o fato apresentado.
    Seria isto resultante de uma ação preventiva do Senhor Jesus, em relação à Igreja de Filadélfia, que é assim descrita por Ele no livro de Apocalipse:

    “… tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.” (Apo 3.8)

    Em conseqüência dessa fidelidade e diligência de Filadélfia, lhe é feita a seguinte promessa pelo Senhor:

    “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.” (Apo 3.10)

    Seria por tal método do Espírito Santo de se preservar Filadélfia da grande apostasia da Igreja Institucional, que se encontra em curso desde meados do século XX, e que tem se intensificado em nossos dias, o segredo da fidelidade desta Igreja à Palavra do Senhor, nestes dias difíceis?

    Os apóstolos do Senhor profetizaram que nos últimos dias não se daria ouvidos à sã doutrina e que haveria líderes religiosos escarnecedores na própria Igreja de Cristo.

    Filadélfia seria esta Igreja que é separada do meio daqueles que rumam em direção à apostasia, e que se encontram satisfeitos e acomodados na Igreja apóstata de Laodicéia, que se considera “rica e abastada e que não precisa de cousa alguma”?

    Separada para ser bênção para a própria Igreja de Laodicéia, chamando-a ao arrependimento, pelo seu bom testemunho de prática da Palavra, e de fidelidade e honra ao grande nome do Senhor?

    Filadélfia não é constituída por meros ouvintes de sermões ou cantores de louvores, mas por pessoas que procuram permanecer na doutrina dos apóstolos e na comunhão dos santos, do mesmo modo que viviam os crentes da Igreja Primitiva. Negam a si mesmos, mas não o Seu Senhor e Palavra.

    E uma coisa que têm em comum com os crentes primitivos, é que eles não se reuniam em templos, mas em lares, e isto por cerca de 300 anos, até que viesse Constantino.

    Tal modo de reunião em lares já prevalece em países da Ásia, há vários anos, especialmente na China e na Índia, mas há cerca de 15 anos vem aumentando muito no chamado mundo Ocidental.

    É importante lembrar que a grande apostasia da Igreja Institucional, culminará na formação da grande igreja mundial que apoiará o governo do Anticristo.

    É preciso portanto cultivar uma vida santa e vigilante, sobretudo em nossos dias.

    Todavia, esteja num templo ou num lar, é possível viver como um crente de Laodicéia ou de Filadélfia.

    Esta condição não é definida pelo modo e local de reunião dos crentes, mas pelo seu modo de vida.

    ResponderExcluir
  8. A Igreja Institucional versus a Igreja Orgânica

    Milhares de evangélicos e igrejas protestantes em todo o planeta dizem que “a Igreja é um organismo e não uma organização.” Infelizmente, para muitos esta expressão se tornou um mero chavão e muitas pessoas não têm a menor idéia do que isso quer realmente dizer na prática. Mas, afinal, como é uma comunidade que realmente vive e se expressa de forma orgânica? Neste artigo, Frank Viola fala a respeito de algumas diferenças entre uma igreja que opera de acordo com instintos e natureza orgânicos e uma igreja que opera como uma organização institucional (ou seja, uma igreja “organizada” ou “institucional”).

    Antes de nos aprofundarmos nas diferenças entre uma Igreja orgânica e uma Igreja institucional, permita-me ressaltar que o termo “igreja orgânica” está na moda nos dias atuais. Tornou-se comum diferentes tipos de igrejas usarem o termo para se descreverem. O mesmo acontece com o termo “igreja missional”. Ambas as expressões são como barro, sendo moldadas pelos mais diversos autores de formas diferentes. As vezes, extremamente diferentes.
    Dito isso, entendamos que a experiência do Corpo de Cristo é algo totalmente orgânico. Isso é, brota da vida, da vida de Deus, e não de métodos organizacionais humanos. Claramente, a Igreja que vemos no Novo Testamento era totalmente “orgânica”. Em outras palavras, nasceu e foi sustentada por meio de uma vida espiritual, ao invés de ser construída por estruturas humanas. Usarei uma ilustração: uma laranja criada em laboratório não seria orgânica. Mas se eu plantasse uma semente no solo e nascesse uma laranjeira, esta árvore seria orgânica.

    Em suma, a diferença entre uma igreja organizada e uma igreja orgânica é tão grande quanto refrescar-se em frente a um ventilador e ir para fora em um dia fresco. É a mesma diferença entre a General Motors e uma horta.

    Organização versus Organismo

    Vejamos de forma mais específica as diferenças entre uma expressão orgânica de igreja e uma forma organizada (ou institucional) de igreja:

    Na Igreja institucional, a forma precede a vida da igreja. A Igreja começa com clérigos, cargos, programas, rituais, etc. Já em uma expressão orgânica, a forma da Igreja deriva da vida Igreja, assim como a forma do corpo humano deriva da vida do ser humano.

    A Igreja institucional se sustenta no ministério de um clérigo ou ministro profissional. Em uma expressão orgânica de Igreja, não há clérigos ou ministros.

    Na Igreja institucional, o clero se empenha em entusiasmar os leigos. A Igreja orgânica não reconhece tal distinção de classes.

    Na Igreja institucional, certas funções estão limitadas aos “ordenados”. A Igreja orgânica reconhece todos os membros como sacerdotes atuantes.

    Na Igreja institucional, seus congregantes são mantidos passivos durante o culto de domingo. Na Igreja orgânica, todos os membros são encorajados a participar nas reuniões da Igreja.

    Na Igreja institucional, os membros associam a Igreja a um prédio, uma denominação ou um culto (normalmente no domingo). Na Igreja orgânica, enfatiza-se que as pessoas não vão à Igreja. Elas (juntas) são a Igreja. Essa não é uma mera afirmação “teologicamente correta”. É a experiência de seus membros.

    A Igreja institucional é unida em torno de um conjunto de costumes e doutrinas. A Igreja orgânica é unida em torno de Jesus Cristo. Não há nenhum outro critério para a comunhão.

    A Igreja institucional é sustentada por programas. A Igreja orgânica se sustenta nas relações construídas em Jesus Cristo.

    A Igreja institucional depende de finanças para sobreviver – seus gastos principais são com a manutenção de prédios e cargos assalariados. A Igreja orgânica não depende de edifícios. Não há clérigos assalariados. Os recursos financeiros são gastos com “os pobres entre vós” e em obras extra-locais.

    ResponderExcluir

  9. Na Igreja institucional, a liderança é hierárquica. Na igreja orgânica, a liderança emana do Corpo. No início, apóstolos 1 equipam a Igreja e, posteriormente, presbíteros emergem para juntos supervisionarem a comunidade.

    Na Igreja institucional, as decisões são feitas por clérigos ou por uma junta de representantes eleitos. Na Igreja orgânica, decisões são tomadas coletivamente, em consenso.

    Na Igreja institucional, o pastor é o líder e ministro da Igreja. Na Igreja orgânica, há uma pluralidade de pastores. Eles são homens dotados para cuidar do rebanho.

    Na Igreja institucional, há uma forte ênfase na frequência dos cultos de domingo, na manutenção do edifício e no aumento das finanças. Na Igreja orgânica, a ênfase é buscar o Senhor Jesus Cristo coletivamente, em comunhão “cara a cara”. Todas as outras coisas nascem a partir desta experiência.

    A Igreja institucional faz essencialmente a mesma coisa semana após semana, mês após mês, ano após ano – está atada a um ritual. A Igreja orgânica passa por fases. Não está atada a um ritual.

    Na Igreja institucional, dons são vistos como cargos. Pessoas são colocadas nestes cargos desde o princípio. Na Igreja orgânica, dons não são vistos como cargos, e sim como funções. Eles emergem natural e organicamente com o tempo. Eles brotam da terra, e normalmente não carregam títulos.

    Na Igreja institucional, é típico que os membros não se conheçam muito bem, e se vejam apenas semanalmente nos cultos da igreja. A Igreja orgânica é sedimentada na comunhão. Os membros são como uma família uns para os outros. Eles vivem uma vida compartilhada em Cristo.

    Extraído e adaptado do artigo “Organizational vs. Organic” (por Frank Viola) na Revista Neue, Novembro 2009. O artigo original pode ser lido na íntegra aqui.

    ResponderExcluir
  10. Ultimamente tenho me sentido muito estressado devido às pressões impostas pela vida trabalho família dívidas etc... Também faço parte do ministério de louvor da igreja onde congrego e sinto que isso tem também imposto uma outra responsabilidade sobre mim e as vezes sinto que estou preso a igreja as vezes sinto vontade de sair fazer uma viajem mas não posso devido ao meu compromisso devido a isso tenho sentido que tenho sido muito ecanico na caminhada tem sido difícil me quebrantar diante de Deus parece que o meu amor tem se esfriado devido ao caso de eu ver a igreja como uma obrigação imposta muitas vezes pelo meu pastor e isso tem me feito pensar seriamente em ir à igreja somente aos domingos e como visitante visitar outras igrejas etc... Pois tenho achado esse lance de bater ponto em igreja algo que tira o brilho do evangelho quando irá a igreja se torna uma obrigação ir à igreja passa a ser mais um peso do que um ato de gratidão e felicidade

    ResponderExcluir
  11. E isso mesmo pastor, concordo afinal onde e que vai se justificar o dízimo que e investido errado mas igrejas não é mesmo? Seus Jesus e de pau? Ele é de tijolo? Jesus exigiu a construção do templo? Jesus expulsou um monte de gente que ficava fazendo o q todo.mundo faz hj na igreja: comércio. Templos que precisam de slogans: "aqui um milagre espera por vc" e isso não é comercial? Precisa de templos mesmo pra receber os tales Robertos da vida.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Daniel, pelo visto não entendeu nada do que escrevi. Penso que sequer teve a preocupação de analisar os argumentos e referências bíblicas honestamente antes de destilar todo seu veneno (ira) contra igrejas e irmãos em geral, não é mesmo? Com esta atitude apenas age como os que tanto critica. Sua história deve ter sido muito triste quando congregava... Mas enfim, não vou responder suas perguntas absurdas e sua insinuações maldosas (e nada cristãs). A verdade é que nem todos entenderão mesmo. Desejo que Deus lhe abençoe Daniel Júnior e que Ele mesmo lhe ilumine nesta questão. Graça e Paz.

      Excluir

Faça seus comentários. Sua opinião é importante. Participe.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...