quinta-feira, 14 de abril de 2011

O PERFIL DO HOMEM DE DEUS

Entendo que o perfil de um ministro deve ser coerente com as orientações bíblicas para tal ministério. A falta de seriedade e responsabilidade quanto a este quesito tem trazido muitos prejuízos à Igreja do Senhor.
Considere a pesquisa de John Seel nos EUA com 25 líderes evangélicos de renome, de igrejas tradicionalmente preocupadas com o zelo pela sã doutrina e o preparo de ministros para a obra de Deus e veja os principais resultados encontrados:


“1. Identidade incerta: confusão disseminada acerca da definição do que é um evangélico”.
2. Desilusão Institucional: percepção de ineficácia e da irrelevância do ministério.
3. Falta de Liderança: lamento pela escassez de liderança bíblica na igreja.
4. Pessimismo com respeito ao futuro: crença de que o futuro dos evangélicos está ameaçado.
5. Crescimento positivo, impacto negativo: um paradoxo intrigante sem explicações claras e imediatas.
6. Isolamento Cultural: estamos em plena era pós-cristã.
7. Soluções políticas e metodológicas são a resposta: surgem perspectivas não-bíblicas de ministério.
8. Troca de orientação bíblica pela pesquisa de mercado: a preocupação com o eterno é substituída pelo interesse no temporal, em um esforço para mostrar relevância.”

  • O Que Deve Ser e Fazer um pastor:
Kessler observa que, “ser ministro cristão é uma honra que Deus dá a um ser humano e requer, por isto mesmo, da parte do candidato, VOCAÇÃO e CHAMADA, ambas dependentes de Deus e manifesta pelo Espírito Santo”.

Por isso entendo que a vocação divina inclui o profundo desejo de obedecer à voz do Bom Pastor na sua consciência, com a exigência, muitas vezes, de sacrifícios e sofrimentos.
Para tanto é necessário ao pastor ser de acordo e moldado para que possa realizar com frutos espirituais o trabalho a que lhe é conferido. Dentre algumas características dentro da questão “ser e fazer”, ressalto algumas a seguir.

  • O pastor deve Ser Humilde
A humildade penso ser a principal marca de um bom pastor. A Bíblia está "recheada" com orientações de toda ordem com relação a ser humilde e misericordioso. Desde os profetas, juízes e reis do AT até o Sermão da Montanha e as cartas do NT, encontramos a humildade explícita em seus ensinos e mandamentos para todo aquele que teme e obedece a Deus. O pastor como um modelo para o rebanho deve ter essa marca muito forte em sua vida e ministério.
O contexto em que vivemos tenta nos carregar para o oposto desse ensino bíblico. O mundo não valoriza nem deseja a humildade. Seja na política, nos negócios, nas artes ou nos esportes, as pessoas se esforçam para alcançar destaque, popularidade e fama. Infelizmente, essa atitude tem contaminado a Igreja. Existe um culto à personalidade, pois os líderes cristãos lutam para alcançar a glória. MacArthur observa que, “(...) o verdadeiro homem de Deus, entretanto, busca a aprovação de seu senhor e não a adulação da multidão.” , e ainda Spurgeon nos lembra que,

“se exaltarmos a nós mesmos, nos tornaremos desprezíveis, e não exaltaremos nosso trabalho e nem o Senhor. Somos servos de Cristo, não senhores de sua herança. Os ministros são para as igrejas, e não as igrejas para os ministros... Cuide de não ser exaltado mais do que se deve, para que não se transforme em nada”.

  • O pastor deve pastorear o rebanho de Deus
O Senhor Jesus salientou a importância de alimentar o rebanho quando falou com Pedro no encontro descrito em João 21. Por duas vezes, em sua ordem a Pedro, Jesus usou o termo “eu alimento” (v. 15,17). Corroborando obedientemente com este ensino de Cristo, MacArthur observa que,

“O alvo do pastor não é agradar as ovelhas, mas alimenta-las, não é fazer cócegas em seus ouvidos, mas alimentar sua alma. Ele não está ali para oferecer gotinhas de leite, mas verdades bíblicas como sólidas refeições. Os que não alimentam o rebanho não são aptos para ser pastores”.

  • A Conduta Pessoal do pastor
O referencial de pastor que a Bíblia nos apresenta é Jesus Cristo. Ele é o modelo por Excelência. E é dele que devemos tirar as características para o perfeito desempenho ministerial.
Tendo como base então a Jesus Cristo e a Palavra de Deus seguem mais algumas características de conduta para o pastor, que resumi e entendo ser relevantes, após ler um pouco sobre o assuntos em obras de irmãos e obviamente nas Escrituras:

 Ter cuidado de si mesmo e da doutrina. (1 Tm. 4:16)

 Ter uma grande capacidade de perdoar. (João 4, 8,...)

 Ter uma grande capacidade de autodomínio. (Fruto do Espírito - Gál. 5:23)

 Ter uma grande capacidade de formar obreiros. (1 Tim. 3)

 Ter capacidade para dirigir sabiamente a igreja. (Tiago 1: 5-8)

Desafios para o Século 21

O século 21 guarda grandes desafios, bênçãos e problemas para a Igreja de Cristo. Os pastores terão que se aprofundarem cada dia mais em seu conhecimento bíblico e de sua experiência em andar com Deus. O horizonte que se vislumbra não é agradável de se visualizar, porém a certeza de vitória é garantida, assim como a certeza das lutas também é prometida.

Restam aos homens de Deus se preparar e aguardar o que virá.

Dentro desta questão Leith Anderson faz a seguinte observação,

“Líderes que sejam homens e mulheres de Deus, com integridade cristã, que tenham sofrido bastante e sido testados e aprovados. Líderes da igreja do século XXI têm de dirigir numa estrada para o futuro, em alta velocidade. O mapa ainda não foi traçado. Haverá curvas inesperadas e repentinas paradas e recomeços. Será emocionante. Não pegue no sono; mantenha-se alerta e conduza a Igreja do Senhor para o melhor século que há de vir.”

Sendo assim, o pastor contemporâneo deve prestar muita atenção às lições bíblicas, pois elas com certeza se repetirão nesta geração. Portanto, quando perguntamos: O que o pastor deve ser e fazer? Precisamos procurar as respostas na Palavra de Deus ao invés de nos últimos modismos ou teorias que se originam na sociedade pós-moderna, e não nas Escrituras, ou na cultura enganosa, e não em Cristo Jesus nosso Senhor.


Pr. Magdiel G Anselmo.




Bibliografia pesquisada

AZEVEDO, Irland Pereira. De Pastor para Pastores.
JUERP. RJ. 2001.

KESSLER, Nemuel. Ética Pastoral.
CPAD. RJ. 1988.

MACARTHUR, John Jr. Redescobrindo o Ministério Pastoral.
CPAD. RJ. 1999.

KEMP, Jaime. Pastores em Perigo e Pastores ainda em Perigo.
SEPAL. SP. 1995, 1996.

TRASK, Thomas, org. O Pastor Pentecostal.
CPAD. RJ. 1999.

SHEDD, P. Russel. O Líder que Deus usa.
Vida Nova. SP. 2000.


Um comentário:

  1. O século XXI traz inúmeros desafios e oportunidades para as mais variadas atividades, inclusive a atividade de pastor. Com multiplicação do conhecimento, parte disso graças a internet e suas ferramentas, o pastor tem sua área de atuação e pesquisa ampliadas; ao mesmo tempo, depara-se com uma enormidade de informações as quais precisa analisar criticamente, antes de poder utilizá-las. Do mesmo modo e pelos mesmos meios, a influência pastoral é estendida às pessoas que não necessariamente são de sua grei, assim como abre-se a possibilidade de que membros de sua grei sejam também influenciados por outros pastores, de outras denominações. Diante deste cenário, cabe a cada pastor estar contextualizado tanto com o presente século quanto com as ferramentas e capacitações bíblicas para o exercício de seu ministério, de forma a não cair nem na obsolescência e irrelevância ministerial, quanto no modernismo pragmático da ênfase em sucesso ministerial a qualquer preço.
    Muito bom artigo, pr. Magdiel.

    Graça e Paz!

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