terça-feira, 28 de setembro de 2010

O Bom Filho.


Outro dia em uma conversa com meu filho, falávamos sobre o que é ser um bom filho, e confesso que em certo momento, aprendi com ele. Entre um conselho e outro   de pai, deixava que comentasse e me surpreendi com a precisão bíblica dos comentários de meu querido filho.  
Ele, mesmo com toda sua energia e impetuosidade adolescente ressaltava com veemência algumas virtudes e com certo conhecimento bíblico, adquirido desde a tenra infância no convívio em uma família cristã como a nossa e sempre envolvido e participativo na Igreja, enumerava exemplos de obediência e da falta dela em alguns personagens bíblicos.
Esta conversa me inspirou a escrever e refletir mais sobre o assunto. E, por isso desejo partilhar convosco algumas de nossas conclusões.
São simples e objetivas, contudo de grande profundidade e dignas de reflexão:

As características de um(a) bom(a) filho(a).

1. O bom filho ama seu pai.

Isso pode parecer óbvio. Porém, amor é muito mais do que palavras. Amor é ação.
Uma das formas de amar é buscar agradar aquele que afirmamos amar. É buscar fazer aquilo que ele gosta. E mais, é estar sempre atento aos gostos e desejos do ser amado, para que no momento certo e oportuno realizemos atitudes e ações de amor que comprovadamente serão agradáveis a quem amamos.
O filho que ama de verdade seu pai sabe o que pode fazer para agradá-lo e o faz com alegria e satisfação. A alegria do bom filho é ver seu pai feliz.

2. O bom filho é grato ao pai.

Um filho ingrato causa sofrimento imenso ao seu pai. A ingratidão fere profundamente. 
O bom filho não lembra do pai somente para adquirir coisas ou por interesses pessoais. O bom filho lembra e agradece ao pai pelo que ele é e pelo que ele já fez por ele.
A pior dor para um pai é perceber que seu filho não considera o que ele passou para que esse filho pudesse ser o que é hoje. 

3. O bom filho honra o nome de seu pai.

Um pai sempre se alegrará ao ver que seu filho valoriza o nome que leva consigo. O pai sentirá prazer de ter seu nome ligado ao de seu filho. quando este por suas atitudes e procedimento é conhecido como alguém "de palavra" e que possui uma boa fama.
O pai saberá que seu legado será repassado aos filhos de seus filhos. E isso faz com que considere que todo seu sacrifício em ensinar e cuidar daquele filho não foi em vão.

4. O bom filho quer estar com seu pai e não com a herança do pai

Um filho que realmetne ama seu não pensa na herança. Ele deseja estar o maior tempo possível com seu pai. Esse é o seu maior tesouro. A presença de seu pai lhe traz alegria e aprendizagem. A simples menção da falta do pai lhe causa tristeza.
O que ele pode ter não é maior do que estar com seu pai. E o pai percebe isso em seu filho e respondendo às suas necessidades, permanece com ele, por amor.

5. O bom filho cuida de seus irmãos para o seu pai.

O bom filho não tem ciúmes ou inveja de seus irmãos. Ao contrário, ele cuida deles para o pai. Ele ama os irmãos mais novos com o mesmo amor que seu pai tem por ele. A família é importante para o bom filho, e por isso ele valoriza estar juntos. Ensina a seus irmãos isso e busca moldar neles o mesmo sentimento e pensamento que tem com relação a seu pai.

6. O bom filho tem o "jeito" de seu pai

O bom filho imita seu pai em tudo. Observa cada detalhe da sua personalidade e caráter e busca seguir a risca. Está sempre atento as atitudes e ensinamentos do pai para aprender com elas e depois pratica-las.

Essas são algumas características que observamos nos bons filhos. Existem mais, mas essas já podem sinalizar para a conclusão de que alguém é ou não um(a) bom(a) filho(a).

Ah, também conversamos sobre o que é ser um bom filho de Deus.
Pareceu-nos que as características são muito semelhantes. Muito mesmo.
Você também não pensa assim?

 Pr. Magdiel G Anselmo.






sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ilusão, presente do adversário

"Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar, resisti-lhes firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo."
1 Pedro 5: 8,9

Você já recebeu um presente que por fora era muito bonito, muito bem embrulhado com cores e laços mas por dentro foi uma grande decepção?
Minha querida mãe usa a expressão do interior de SP que diz: "por fora bela viola, por dentro pão bolorento".
Somos iludidos pela visão e aparências da beleza do pacote e imaginamos que o conteúdo será igualmente atraente e agradável. Mas, nem sempre é isso que ocorre.
Há até uma brincadeira muito usada em "amigos secretos" onde uma grande caixa ou pacote quando aberto vai se tornando em uma pequena, mostrando que o conteúdo era bem diferente do que se imaginava a princípio.
Quando aplicamos essa situação no contexto espiritual, podemos verificar que muita ilusão é apresentada como sendo verdade e inúmeras pessoas aceitam estes presentes imaginando que são bons e úteis para sua vida cristã, mas num breve futuro se tornarão em grandes males para suas vidas e dos seus.
O nosso adversário que é um mestre em ilusões e que não cessa em seus intentos (2 Cor. 2:11) continua preparando presentes muito atraentes e bonitos por fora mas que em seu conteúdo e essência se transformam nos grandes causadores de profundas enfermidades espirituais e de graves distorções doutrinárias no seio da Igreja Cristã.
Como ele não pode revelar sua real intenção que é de "matar, roubar e destruir", usa estes "presentinhos" para tentar iludir o povo de Deus, fazendo com que conceitos totalmente contrários à Palavra de Deus sejam adotados sem que percebam o grande erro que cometem.
Alguns destes "presentes" oferecidos pelo nosso adversário são:

1. O Presente chamado ACOMODAÇÃO

Este presente traz em seu bojo o seguinte conceito:
"Já sou crente salvo, não preciso orar muito. Deus já sabe de tudo, pra que ficar lembrando-O."
Iso não é verdade.
Este conceito parece até uma verdade. Se Deus sabe de tudo, é onisciente, pra que ficar orando, é perda de tempo. Com isso, o diabo vai fazendo com que o crente perca sua comunhão com Deus, se torne acomodado e enfraqueça em sua fé.
A verdade é que a oração aprofunda nossa relacionamento com Deus. Obtemos através da oração sincera e respeitosa, conforto e forças para prosseguir em nossa caminhada cristã. Sem uma vida de oração profunda e constante não conseguimos suportar as investidas de satanás. Não é a toa que a Escritura nos orienta a orar sem cessar (1 Tess. 5: 17).
Quem aceita este presente (conceito) em sua vida acabará em um breve futuro com sérios problemas espirituais. Não aceite esse presente. Recuse-o.

2. O Presente chamado ANEMIA.

Conceito: "Já sou crente salvo. Já li várias vezes a Bíblia toda. Não preciso ler muito agora, leio nos cultos. Isso basta."
Isso não é verdade.
A Bíblia é a Palavra de Deus e por isso deve estar diariamente em nossa rotina. É nosso alimento diário (Jeremias 15:16).
Devemos ler sozinhos, com a família, na igreja ou em qualquer outra ocasião que pudermos. Ela deve ocupar a nossa mente de tal forma que vivamos o que lemos e aprendemos com Ela.
Não seja iludido por esta falsa argumentação que ler muito a Bíblia é apenas para novo-convertido ou porque já leu-a inteira. Se seguir este conceito se tornará um crente anêmico, fraco e desanimado. Continue lendo a Bíblia, meditando Nela e estudando-a profundamente. Nela você encontra palavras de vida eterna. Não negligencie isso nunca.

3. O Presente chamado AUTO-SUFICIÊNCIA

Conceito: "Já conheço tudo sobre Deus. Não preciso mais que ninguém me ensine. Já sei o suficiente".
Isso não é verdade.
A aceitação desse conceito tem levado muitos crentes a profundos isolamentos e conflitos. Ninguém sabe o suficiente. Ninguém está isento de ser ensinado. Todos temos que continuar aprendendo e buscando sempre melhorar e aperfeiçoar em nossa vida seja espiritual ou secularmente.
Já dizia alguém: "quem não se senta para aprender, não pode se levantar para ensinar". Sempre crescer é a ordem (2 Pedro 3: 18).
Ninguém é auto-suficiente. Dependemos da graça e da misericórdia de Deus para tudo.

4. O presente chamado "MUDANÇA PARCIAL".

Conceito: "Já mudei tudo que precisava em minha vida. Não preciso mais mudar nada. Assim já está bom".
Isso não é verdade.
A verdade é que todos os dias temos algo em nossa vida que precisamos submeter a Palavra de Deus. Somos transformados todos os dias. Ninguém está perfeito (Filipenses 3: 12-16).
A Igreja é como uma fábrica de peças e nessa fábrica não existe o setor de peças prontas. Todas estão em um processo de lapidação ou preparação. Esse processo que a Bíblia chama de santificação é contínuo, constante e diário. Sempre precisamos ser mudados em alguma coisa. Perfeição só em Deus.

Além desses "presentinhos" muitos outros são oferecidos ao povo de Deus com a intenção oculta de iludir e enganar com fins de causar graves transtornos a vida cristã e a obra de Deus.
Cuidados com os presentes do nosso adversário.
Não aceite esses presentes. Recuse-os.
O nosso maior presente é a Palavra de Deus.
Abra sua Bíblia, leia-a, estude-a, viva-a, partilhe-a.

"...Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância."
João 10: 10b


Pr. Magdiel G Anselmo.





quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Deus olhou para a Igreja e sorriu

Quando Deus olha para a Igreja, Ele não vê a sua incapacidade de entender sua missão e função. Ele nesse primeiro olhar não vê os erros, os defeitos e muitas vezes a imaturidade de Sua Igreja com relação a questões que deveriam já ter sido entendidas e vividas. Ele não vê os conflitos, as divisões, as contendas e os questionamentos que ela por vezes se envolve por razões banais ou simplesmente por caprichos e cuidados sem sentido. Ele não enxerga nesse primeiro olhar a negligência e a desobediência com a Sua Palavra que leva a formar cristãos superficiais e sem vida, ou ainda a teimosa prepotência e arrogância de uma Igreja que constantemente tem de ser lembrada de sua real essência, pois teima em ser deusa de si mesma.
Deus quando olha para a Sua Igreja, nesse seu primeiro olhar não vislumbra os desvios de sua chamada e de sua conduta e muito menos a implacável justiça que muitas vezes deseja exceder até a divina. Deus não vê sua impaciência em não se contentar com o que já alcançou em Cristo e a ansiedade desmedida por tesouros passageiros e temporários, trocando por aqueles que são eternos. Não enxerga sua incredulidade e falta de confiança naquilo que já foi prometido e a falta de compreensão com o que já foi revelado.
Deus quando olha para a Igreja não vê os critérios e regulamentos humanos que ela criou e que em sua maioria mais atrapalham do que abençoam. Não vê a falta de amor e de solidariedade entre irmãos que direcionam esta Igreja para uma estrada que leva a acusação, exclusão e não a restauração e reconciliação. Não enxerga a rebeldia com o sagrado e a cumplicidade e familiaridade com o profano. Ele não vê a maldade que permeia o coração humano nem a insatisfação com a “vida comum” de um cristão.
Deus quando olha para a Sua Igreja não enxerga as heresias que nascem dentro dela e se proliferam em suas reuniões e que são apoiadas por interesses escusos. Não vê o temor ser substituído pela falsa unidade. Não vê o respeito, a ordem e a decência serem postas como coisas do passado e mania de “gente atrasada e descontextualizada”. Deus não vê a adoração que Ele tanto ama que deveria ser Cristocêntrica se tornar em entretenimento e diversão.
Deus em seu primeiro olhar não vê tudo isso com relação a Igreja. Não que Deus não saiba disso tudo. Ele é Deus. Sua onisciência é um fato. Ele conhece toda essa realidade e isso não O alegra, muito menos o faz sorrir.
Mas, quando Deus olha para a Igreja, a princípio, em seu primeiro olhar, Ele não vê todas estas situações e fatos. Sabe o que Deus vê?
Deus vê Seu Filho. Deus vê Jesus Cristo.
Ele vê Jesus, Deus Filho se encarnando Homem e mesmo sendo Deus, vivendo neste mundo como tal. Ele vê Jesus nascendo milagrosamente, por obra do Espírito Santo, de uma mulher virgem. Ele vê Jesus pregando, ensinando, curando, fazendo milagres, orientando, aconselhando, evangelizando... Ele vê Jesus caminhando aqui nesse mundo. Ele vê Jesus tendo fome, sede, sono e cansaço. Ele vê Seu Filho Jesus separando pessoas para Si, discipulando-as, capacitando-as, enviando-as. Ele vê e escuta Seu filho orando a Ele e intercedendo por aqueles que preparou. Deus vê Seu Filho Jesus amando essa Igreja que se organizava. Ele vê Jesus perdoando... Ele vê Jesus sofrendo e morrendo na cruz por amor a esta Igreja. Ele vê o sangue de Seu filho derramado no Calvário. Ele vê seu Filho pagando o preço do pecado, sem merecer, no lugar do pecador.
Quando Deus olha para a Igreja, Ele vê Seu Filho Jesus ressuscitando dentre os mortos em glória e vitória. Deus vê Jesus restaurando o acesso do Homem a Deus. Ele vê seu Filho ao Seu lado ainda hoje intercedendo a Ele por essa Igreja. Deus vê o amor de Jesus por ela.
E mais, Deus vê o Seu próprio amor por essa Igreja expresso no amor de Seu Filho.
Quando Deus olha para Sua Igreja, mesmo sabendo dos problemas e imperfeições que ela possui, mesmo esta Igreja O entristecendo muitas vezes, Ele sabe que em todo este trajeto, o Espírito Santo a conduzirá em glória. Por isso, Ele vê em Cristo essa Igreja como a Noiva do Cordeiro, a menina dos Seus olhos, preciosa e amada. Ele sabe que no dia que Ele já escolheu, essa Igreja será arrebatada, transformada e estará para sempre sem dores e aflições. Toda lágrima será enxugada e todo pranto se findará. Estará livre para sempre do pecado e daquele que a incomoda. A vitória será total e eterna.
Quando Deus olha para a Igreja, Ele vê em Cristo essa Igreja, por isso seu coração se alegra e, então finalmente, Deus sorri.

Por isso, também sorria, Deus lhe ama.


Pr. Magdiel G Anselmo.


sábado, 18 de setembro de 2010

A Mentalidade de Clube

“Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e as boas obras. Não deixemos de congregar-nos.” Hebreus 10: 24,25.


Eu e minha família temos um bom costume nos dias merecidos de descanso e lazer. Nos arrumamos convenientemente para o lazer e diversão e seguimos a um clube onde somos associados.
Ao chegarmos, procuramos uma boa vaga no estacionamento e nos certificamos que tenha algum funcionário do clube responsável em cuidar de nosso carro. Após essa checagem, cada um se dirige para aquilo que mais se identifica.
Nosso menino no auge da adolescência e adepto dos esportes vai para a quadra coberta onde, todo aparamentado como goleiro e cheio de alegria e empolgação, permanece quase todo o tempo praticando seu esporte favorito, o futebol. Já nossa menina que possui um temperamento mais introspectivo e que se irrita quando a chamamos de criança (diz com firmeza que é uma pré-adolescente), agrada-se de conversar com sua mãe sobre assuntos de toda ordem ao mesmo tempo em que se bronzeia ao lado da piscina. Minha esposa prefere entre uma conversa e outra com nossa filha ler um bom livro e meditar sobre a vida, como ela afirma. Eu, depois de ficar um pouco com “as meninas” e observar meu menino jogar futebol (ai de mim se não o fizer por algum tempo), sigo para um local do clube que mais me agrada, a sauna. Ali, permaneço por algumas horas, e entre uma chuverada e momentos na sauna finlandesa e vapor, converso sobre diversos assuntos com outros associados do clube.
Certo dia em uma dessas conversas, mesmo que em minha opinião o clube esteja cumprindo com seus objetivos, outros associados reclamavam de alguns serviços oferecidos e entendiam ser um absurdo a falta de consideração com suas reclamações por parte da administração. Um deles em um momento afirmou que o clube deveria cumprir com suas obrigações de tratar bem e agradar seus associados em suas necessidades e desejos. Afinal, dizia ele, eu me associei para que isso ocorresse. Quero vir aqui para ter meus desejos satisfeitos e não para me estressar. E, por fim decretou: Se não mudarem isso, vou me transferir para outro clube que me agrade.
E foi nesse momento que como num estalo, me vi refletindo sobre essa mentalidade e entendendo porque tantos deixam de congregar e participar ativamente de uma congregação ou denominação evangélica regularmente. É a mentalidade de sócio de clube influenciando e orientando muitos crentes na Igreja.
Muitos pensam que Igreja é como um clube. Existe para satisfazer seus desejos e anseios. Existe para agradar aos associados (membros). Existe para proporcionar aquilo que quero. E mais, muitos líderes que pensam da mesma forma, entendem a Igreja como um clube à busca de novos sócios. E, então partindo dessa premissa usam as reuniões da Igreja para agradar, encantar, entreter ou atrair novos-cristãos ou “associados”.
O que não percebem é que esta idéia e mentalidade da Igreja ser agradável a todos não é bíblicamente fundamentada. Esse apelo em conceder liberdade total (faça o que quiser), tolerância (não se pode chamar a atenção pois magoa-se as pessoas) e anonimato (não existe compromisso ou envolvimento), além de ser sempre "positivo" e benevolente toda vez que alguém for pregar, ensinar ou se relacionar com um irmão (não se toca em questões que podem desagradar aos “irmãos”) também não encontra respaldo no texto bíblico.
A crítica contra a pregação longa e enfatica e a veemência em organizar atividades para entretenimento em reuniões e cultos levam a Igreja a se assemelhar a um clube, casa de espetáculos, circo ou outra forma de lazer e diversão e não a uma casa de oração, adoração ou de ensino e pregação da Palavra de Deus.
Esta filosofia de marketing que busca trazer às pessoas o que elas desejam tem destruído em muitas pessoas o real sentido e significado da vocação/missão e funções da Igreja.
A falta de entendimento e esta visão deturpada do que é Igreja faz com que muitas pessoas se decepcionem e se frustrem por não conseguirem ter aquilo que esperavam que teríam. Decepcionadas, frustradas e muitas vezes até feridas abandonam suas congregações. Algumas vão para outras mas depois de um tempo também as deixam, até que definitivamente e cheias de mágoas e feridas decidem não mais congregar em nenhuma. Juntam-se ao grupo, cada vez maior, dos “crentes sem igreja”.
Procuram então uma justificativa para tal atitude na falta de amor e de acolhimento das então chamadas “denominações evangélicas” e no argumento de que o importante é seguir e servir a Deus, não importando se fazendo parte de um grupo ou denominação evangélica ou isoladamente (em casa, pregando em praças, em trens, etc...).
Segundo eles, a Igreja como organismo (corpo de Cristo, Noiva do Cordeiro, a Igreja Invisível, etc...) não está vinculada diretamente a Igreja organizada em grupos ou denominações que gostam de chamar de “templo” e lhe dão uma injusta conotação negativa. Asseveram que é melhor servir a Deus isoladamente do que congregacionalmente (mesmo que intimamente não concordem realmente com isso). Não entendem que as denominações ou grupos evangélicos (sérios e fiéis a Palavra), são a expressão visível do organismo Igreja.
Penso que para que não deixemos a mentalidade de clube nos influenciar e nos fazer tomar decisões e atitudes precipitadas e equivocadas, vale lembrar quais são as funções da Igreja aqui neste mundo, funções essas que compõem a sua missão como embaixadora de Cristo:

1. A Evangelização: Em Mateus 28:19, Jesus nos instrui: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações”. Em Atos 1:8, Ele diz: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. O chamado para a evangelização é uma ordem para a Igreja.
Portanto para a Igreja ser fiel ao seu Senhor e lhe agradar o coração, deve se esforçar para levar o Evangelho a todas as pessoas.

2. A Edificação: A segunda função da Igreja é a edificação dos crentes. Em Efésios 4: 12, por exemplo Paulo afirma que Deus deu vários dons para a Igreja “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”. Em 1 Coríntios 12, Paulo associa os dons espirituais à edificação. Estes dons não são para satisfação pessoal, como alguns podem imaginar, mas para a edificação do corpo como um todo. Por isso, a necessidade implícita de estar juntos, de congregar. Embora haja diversidade de dons, não deve haver divisões dentro do corpo.
Há vários meios pelos quais os membros da Igreja devem ser edificados. Um deles é a comunhão. Em Atos 5, vêmos um exemplo bíblico dessa comunhão. Paulo fala de um participar das experiências dos outros: “Se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam” (1 Coríntios 12:26). Penso que a dor se reduz e a alegria aumenta quando partilhada. Devemos então nos incentivar mutuamente e ser solidários uns com os outros.
A Igreja também edifica-se pela instrução ou ensino. Uma das ordens de Jesus na Grande Comissão foi de ensinar os convertidos a “guardar todas as cousas que vos tenho ordenado” (Mt. 28:20). Com esse objetivo, foi dado dons para as igrejas como os de “pastores e mestres” (Ef. 4:11) visando preparar e equipar o povo de Deus para o serviço e para a vida. É através do ensino que aprendemos como Deus deseja que ajamos e vivamos nesse mundo. O ensino e instrução com respeito a família, vida emocional, profissional, espiritual e em todas as áreas são abordados e aprofundados segundo o que a Bíblia nos revela.
Outro meio também usado para a instrução e ensino é a pregação. Ela é um meio utilizado pela Igreja desde o seu princípio, por orientação e exemplo diretos do próprio Senhor Jesus Cristo. Mas não uma pregação que busca satisfazer os ouvintes. A pregação que edifica é aquela que aborda e se aprofunda na revelação de Deus sobre todas as questões. Uma pregação cristocêntrica que busca ensinar todos os desígnios de Deus, entre eles: a ira de Deus, o pecado, o inferno, a responsabilidade humana, etc... e não somente sobre o amor, perdão, misericórdia, bêncãos, etc.

3. A Adoração: Enquanto a edificação centra-se no crente e o beneficia, a adoração centra-se no Senhor. A Igreja Primitiva se reunia para adorar regularmente, uma prática ordenada e recomendada pelo apóstolo Paulo que chega a advertir contra orações, músicas e ações de graças que não chegam a edificar porque não há ninguém presente para interpretar seu significado aos que não compreendem (1 Cor. 14: 15-17). Penso que a adoração individual e solitária é importante e faz parte da vida de um adorador do Senhor, porém a adoração congregacional é tão importante quanto e é orientada pelas Escrituras para a Igreja. Se assim não o fosse o autor de Hebreus não exortaria a seus leitores a não negligenciarem sua própria assembléia, como era costume de alguns (Hb. 10:25). Por isso devemos entender que nenhuma das duas formas de adoração deve ser negligenciada.

4. Preocupação Social: Dentre as várias funções da Igreja comentadas, existe a responsabilidade de praticar atos de amor e compaixão cristã tanto para crentes como para descrentes. É claro que Jesus se importava com os problemas dos necessitados e dos sofredores. Ele curou doentes e até ressuscitou mortos. Se a Igreja for dar continuidade ao ministério Dele, estará engajada em alguma forma de ministério aos necessitados e sofredores. Resumidamente, o que Jesus espera de nós está bem delineado em Lucas 10: 25-37 na parábola do bom samaritano e em Tiago 1: 27 quando menciona os órfãos e as viúvas, pessoas emblemáticas no que diz respeito a carência e necessidade humanas. Desta forma, a Igreja deve mostrar interesse e atuar sempre que vê necessidades, sofrimentos ou erros.

Para finalizar esse artigo, quero fazer algumas observações também com relação ao que não faz parte das funções da Igreja:

1. Não é função da Igreja proporcionar entretenimento, diversão, shows ou espetáculos aos seus integrantes ou membros. A Igreja não é o local adequado para estas atividades. É sim local adequado e preparado para a oração biblicamente ensinada, para a adoração Cristocêntrica, para a edificação dos crentes através do ensino, comunhão e pregação da Palavra de Deus e para o aperfeiçoamento dos santos para o desemplenho de seus ministérios no corpo de Cristo.

2. Não é função da Igreja testar novas formas ou metodologias para seu crescimento sem o respaldo e análise bíblicas criteriosas. Igreja não é laboratório de pesquisas. Crentes não são ratos de laboratório. Tudo que precisamos saber para nosso crescimento, seja individual ou como congregacão, se encontra nas Escrituras. Que ela nos guie.

3. Não é função da Igreja ser seguidora das novas tendências e ideías do Marketing e da Propaganda, da Psicologia, da Teologia Liberal ou Relacional e de demais formas de pensar que possam existir. Devemos seguir a Cristo. Todas as linhas de pensamento, argumentações, “teologias” ou filosofias devem passar pelo crivo das Escrituras. Ela é que nos mostrará se devemos ou não segui-las. Afinal de contas, a Bíblia é a nossa regra de fé e PRÁTICA. É a PALAVRA DE DEUS inerrante, orientadora, educadora, transformadora e poderosa.

4. Não é função da Igreja agradar aos seus integrantes ou visitantes. A função da Igreja é agradar seu Senhor e Deus. Os integrantes e membros dela devem se agradar disso. O conceito de igreja agradável é a contra-mão da revelação bíblica. O que a Bíblia ensina é buscar agradar a Deus, mesmo que para isso desagrademos ao Homem. Só para ilustrar biblicamente essa questão, não consigo enxergar esse conceito de “igreja agradável” em Atos 5, no epísódio com Ananias e Safira. Se tiver dúvidas leia o texto e verá que Deus se importa sobremaneira com a santidade e pureza na Igreja e abomina pecados ocultos e não tratados. Isso vai contra tudo aquilo que os pregadores e propagadores de uma igreja agradável a todos disseminam no meio evangélico.

5. Não é função da Igreja respaldar líderes e “obreiros” que não entendam a missão e função da Igreja de Cristo. Para os líderes sérios e honestos, chamados, vocacionados e capacitados pelo Senhor e que não iludem o povo com estas vãs filosofias e teologias, segue a orientação bíblica de Paulo a Timóteo:

“Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a Palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda loganimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina, pelo contrário, e se cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se as fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as cousas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério. (2 Timóteo 4: 1-5)

Sendo assim, que vivamos segundo as orientações do Senhor para sermos felizes (bem-aventurados - Salmo 1) e ensinemos e alertemos a outros quanto aos desvios dessa conduta.
E se você está atualmente sem uma congregação para participar regularmente, se de alguma forma a mentalidade de clube lhe influenciou em algum momento, seja qual o motivo tiver o levado a estar e pensar assim, amorosamente lhe digo: Deixe isso para trás, perdoe e procure um local e um grupo e retorne ao bom convívio de seus irmãos. Junte-se a eles. Sei que sente falta disso. Congregar faz parte de sua natureza em Cristo. Entenda que nenhum problema, conflito, decepção ou frustração devem lhe afastar de congregar regularmente com seus irmãos. Lhe afirmo com segurança, que sem dúvida, estar congregando nos ajuda significativamente a cumprir aquelas que são as funções da Igreja.






Venha e traga sua família.




E nunca esqueça: Igreja não é clube.

Deus o abençoe.

Pr. Magdiel G Anselmo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A QUEDA E O CHORO AMARGO... CALMA, AINDA HÁ UMA SAÍDA!

Infelizmente vemos muitas pessoas caminhando a passos largos para a sua própria queda.
E também, infelizmente, notamos que não conseguem perceber que estão se autodestruindo e causando e acrescentando ainda mais e maiores problemas a sua vida.
Mas, podemos alertar e advertir para que em algum momento despertem para o perigo que correm com atitudes e comportamentos que trazem repentina destruição.
Um exemplo bíblico clássico deste tipo de comportamento é o de Pedro no início de sua vida cristã. Veja o texto a seguir e perceba o primeiro passo que deu para sua própria queda. Passo este que muitos ainda hoje dão.

“Simão, Simão, eis que satanás vos reclamou para vós peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos. Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte. Mas, Jesus lhe disse: Afirmo-te Pedro, que, hoje, três vezes negarás que me conheces, antes que o galo cante.” Lucas 22: 31-34.

Veja que mesmo o Senhor Jesus advertindo Pedro para a provação (peneirar) que viria, ele não se importou com isso e assegurou que jamais abandonaria o Mestre. Confiava que suportaria tal situação de pressão e ataque. E mais, que se submeteria até a morte, se fosse necessário. Pedro pensava assim e acreditava que nada conseguiria fazê-lo abandonar o Mestre. A auto-suficiência o cegava. Ele se achava pronto para o que viesse.
Ainda hoje, tal qual Pedro, muitos crentes pensam que por serem participantes da Igreja de Cristo, de conhecerem a Deus e Sua Palavra e por anos estarem O servindo, estão imunes de pecar e cometer erros. Confiam que conseguem manter-se em santidade por causa de seu conhecimento, vontade e convicção. São auto-suficientes e crêem que são espiritualmente superiores a maioria dos outros filhos de Deus. Não aceitam conselhos. Pensam que não precisam de ninguém. Pensam que se bastam, que são suficientemente maduros para evitar a queda.
A auto-suficiência vaidosa é o primeiro passo que alguém dá para sua própria queda. E por quê?
Porque nós somente conseguimos suportar as tentações e ser aprovados nas provações quando entendemos que é Deus quem nos fortalece e que nos proporciona sabedoria para agir nestes momentos. Não somos auto-suficientes. Dependemos de Deus para tudo. Sem Ele nada podemos fazer. Todo o nosso intelecto, conhecimento, força, influência, carisma, dons e talentos, poder e capacidade não são suficientes para conseguirmos escapar das tentações e dos ardis de satanás. Necessitamos da graça e da misericórdia de Deus. Carecemos de Sua sabedoria e poder. Só com Ele podemos. Só com Ele fazemos o que é certo.
Somente através de uma vida aos pés do Senhor recebemos capacitação para prosseguirmos em nossa caminhada. Ele é quem dirige os nossos passos. A resposta certa dos lábios vem do Senhor.
Mas Pedro continuou caminhando para sua queda. Veja que depois do Senhor Jesus ser preso e de Pedro não poder fazer nada para evitar, ele segue a Jesus, mas de uma maneira diferente da que fazia antes. Veja o texto:

“Pedro, seguira-O de longe até o interior do pátio do sumo-sacerdote...”
Marcos 14: 54a.

Pedro agora já não seguia Jesus como antes. Já não se atrevia a chegar próximo dele. Seguia de longe. Sem se comprometer mais. Sem se envolver com aquela situação.
O fato da prisão do Mestre tornou-se um grande problema para Pedro. Este fato de grande pressão e aflição ocasionou o seu distanciamento, o seu afastamento. Já não o seguia com proximidade, mas agora com certa distância, de longe...

Este é o segundo passo para a queda de Pedro e também para a queda de muitos hoje, o afastamento.
Por causa dos problemas muitos de afastam de Jesus e O seguem de longe. Sem se comprometer, sem se envolver, sem desejar ser vistos juntos com o Mestre ou com os que O seguem de perto. Freqüentam esporadicamente as igrejas, às vezes até levam suas Bíblias, mas nada além disso. Sem compromisso, sem envolvimento. Possuem outras prioridades, não tem tempo pra essas coisas.
Justificam este afastamento por variados problemas e relatos que os conduziram a decepção, frustração e até amargura com relação à vida na Igreja. Resolveram então se distanciar e priorizar outras áreas e não mais congregar e comungar com seus irmãos de mesma fé.
Entretanto, esses sentimentos de decepção, frustração e amargura não são exclusivos dos afastados da Igreja. Muitos que continuam congregando regularmente têm a mesma percepção da vida na comunidade cristã. Não estão afastados da Igreja, mas estão afastados na Igreja.
Todos nós sabemos que tanto uma coisa como a outra não é boa. Todo afastamento é ruim, no que diz respeito à vida cristã. A Igreja de Cristo é uma comunidade, uma família, um corpo. E isso nos leva ao conceito de estarmos juntos, de comunhão, confraternização, edificação, participação e interação constantes. Quando há o afastamento, seja físico ou não, esse princípio é quebrado e como conseqüência malefícios diversos ocorrem na vida do crente individualmente e da Igreja coletivamente.
Mas não parou por aí.

“(...) e estava assentado entre os serventuários, aquentando-se ao fogo...” Marcos 14: 54b.

“E, quando acenderam fogo no meio do pátio, e juntos se assentaram, Pedro tomou lugar entre eles...” Lucas 22: 55.

Esse episódio lembra bem o Salmo 1. Pedro assentou-se a roda de pessoas que não conheciam a Cristo como Pedro conhecera. Não eram seguidores do Mestre. Mas, Pedro lá estava. Afinal, somente desejava se aquecer junto deles.
O terceiro passo para a queda de Pedro e de muitos hoje é esse. O comprometimento com o mundo. A proximidade com o pecado e com os que praticam a iniqüidade. O comprometimento nos silencia. A partir do momento que partilhamos dos valores, pensamentos, ações e conselhos do mundo, perdemos a autoridade para falar de Jesus e para desafiá-los a uma vida diferente.
A conseqüência desses passos veio:

“Entrementes, uma criada, vendo-o assentado perto do fogo, fitando-o, disse: Este também estava com ele. Mas, Pedro negava, dizendo: Mulher, não o conheço. Pouco depois, vendo-o outro, disse: também tu és dos tais. Pedro, porém, protestava: Homem, não sou. E, Tendo passado cerca de uma hora, outro afirmava, dizendo: Também este, verdadeiramente, estava com ele, porque também é Galileu. Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E, logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente.” Lucas 22: 56-61.

Pedro não percebeu isso. E por isso caiu. Muitos ainda caem hoje. Muitos choram amargamente hoje como Pedro no passado.
Certamente, aquele dia para Pedro foi terrível. Aquele choro marcou sua queda.
Muitos choram e sofrem hoje escondidos. Sabem que pecaram, que continuam a pecar. Sabem que estão errados e que precisam mudar de atitude e de vida. Tem grandes feridas na alma porque um dia caíram e essa queda até hoje os faz chorar amargamente. Mas, não sabem como remediar esse mal. Não sabem o que fazer ou falta-lhes coragem para fazê-lo.
No passado andaram com Cristo. Estavam juntos com seus irmãos. Adoravam e louvavam a Deus na congregação. Trabalhavam na obra de Deus. Mas, hoje não conseguem mais fazer isso, não se consideram mais dignos de servir a Deus. Não conseguem nem orar mais...
A auto-suficiência os enganou. O afastamento aos poucos foi lhes deixando insensíveis para as coisas de Deus. O comprometimento com o mundo trouxe-lhes uma falsa ilusão de que tudo estava bem.
Não estava. Não está.
Hoje, sabem que foram passos dados na direção errada. E continuam a chorar...
Mas, entenda. Para que essa situação seja modificada não é necessário dar vários passos como os que foram dados para cair. Somente um passo é necessário na direção certa.
Qual passo? Um passo chamado arrependimento. Em qual direção? Na direção de Jesus.
Quando alguém faz isso, assim como na parábola do filho pródigo, Deus vai ao encontro de Seu filho e o abraça com amor e alegria, recebendo-o de volta.
Quando alguém verdadeiramente se arrepende de seus pecados e volta-se para Deus, todo o contexto de dor e sofrimento é transformado em perdão e nova vida.
Deus não olha o fracasso. Deus olha para o coração. E se encontra arrependimento, Deus em sua infinita graça e misericórdia restaura a dignidade dessa pessoa.
Deus é especialista em restaurar a dignidade do Homem.
O que é arrependimento? Arrependimento implica em admissão de erro, reconhecimento que errou e que necessita do perdão de Deus. Além disso, implica em um desejo de mudar de atitude e não mais cometer o mesmo erro.
Pedro entendeu isso. E quando Jesus ressuscitou e ainda aqui por um tempo encontrou-se com Pedro, a pergunta foi objetiva e incisiva: Pedro, tu me amas?
Pedro entendeu na terceira vez o que significava aquela pergunta e a partir daí os seus pecados e erros foram perdoados e apagados, e agora Jesus lhe diz: Apascenta minhas ovelhas. Isso significa restauração e novas responsabilidades.
Caro amigo leitor, se você se encontra dando passos para sua própria queda, entenda esse texto como uma advertência de Deus pra tua vida. Veja onde errou e acerte o passo e a direção. Ainda há tempo para que não caia.
Se, porém, já caiu e chora amargamente, Deus lhe aguarda para recebê-lo de volta.
Sei que a queda machuca, fere e envergonha. Mas, é hora de levantar. É hora de trocar a tristeza pela alegria de estar com Cristo. É hora de trocar o choro pelo sorriso.
Deus lhe perdoa, Ele é rico em perdoar, e lhe restaura, Ele está sempre pronto a restaurar.
Levante-se em arrependimento. Levante-se pela graça de Deus.
Venha receber o perdão e a restauração de Deus.
Procure uma igreja verdadeiramente evangélica e junte-se a seus irmãos.
Esqueça o passado. Volte-se para Deus e nunca mais deixe de olhar para Jesus, o autor e consumador de nossa fé.

Há ainda muito por fazer.

Deus o abençoe.

“Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”
1 João 1: 8,9.


Pr. Magdiel G Anselmo.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

APESAR DE TUDO, QUERO SER CONHECIDO COMO EVANGÉLICO !

De uns tempos pra cá, ser evangélico tornou-se sinal de status. Muitas pessoas se dizem evangélicas e pertencerem a uma igreja evangélica sem, contudo, ter uma vida coerente com esse título. Houve uma banalização do nome evangélico e até das próprias denominações evangélicas históricas existentes.
A busca por uma nova forma e filosofia de vida que caracteriza o indivíduo inconstante e confuso dessa sociedade pós-moderna trouxe ao meio evangélico muitos que equivocadamente pensavam que ser um evangélico era simplesmente adquirir o título e ostentá-lo como fazem tantos nas religiões diversas existentes. Artistas, desportistas, celebridades, filósofos de ocasião, teólogos ímpios e até políticos se tornaram “evangélicos” e alguns, depois de um tempo, desistiram. Mas, alguns permaneceram sendo assim chamados, para desapontamento da Igreja.
Favorecendo esta atitude, o assombroso crescimento das igrejas neo-pentecostais trouxe uma multidão de pessoas “convertidas” que freqüentavam templos ditos “evangélicos” por todo nosso país.
Alguns destes pseudo-conversos conseguiram até alcançar o título de ministros, de pastores, bispos, apóstolos e formaram discípulos. E com o carisma característico do manipulador e a facilidade em convencer multidões, iludiram muitos com “teologias” sem sentido e com graves incoerências (até o aborto era apoiado) e inconsistências que pareciam admiráveis a primeira vista, mas que não suportavam uma confrontação séria com as doutrinas bíblicas fundamentais do Cristianismo.
Diante de tamanha falsidade e falta de seriedade com o verdadeiro Evangelho de Cristo, era natural que os verdadeiros evangélicos reagissem, tentando alertar as pessoas dessa insensatez e mentira.
Mas, qual não foi a surpresa.
Como é próprio dos imaturos e inconstantes espiritualmente (Romanos 15), muitos cristãos não perceberam a astúcia maligna dessa crescente onda de novos evangélicos e se juntaram a eles contra atacando aqueles que defendiam a verdadeira Igreja e o verdadeiro Evangelho. E mais, afirmavam que não eram imaturos. Os imaturos eram os seus opositores.
Os que mostravam incansavelmente e biblicamente os equívocos e erros doutrinários dos pseudo-evangélicos eram tidos como “fariseus”, “religiosos”, “tradicionalistas”, “fundamentalistas” e alguns até os denominavam de “hiper-calvinistas”, como se o calvinismo tivesse alguma coisa a ver com essa questão. Calvino e Arminius tiveram seu tempo para argumentar, debater e servir a Deus. Os deixemos descansar em paz. Já temos nossos problemas, não acrescentemos os do passado.
A defesa da fé não é uma doutrina calvinista ou arminiana, é uma orientação bíblica (Judas 1).
Interessante que os irmãos que deveriam estar cerrando fileiras contra os falsos ensinos e doutrinas de demônios acusavam os defensores da fé evangélica de se posicionarem em seus “pedestais de donos da verdade” e ainda de pronunciar vãos discursos fervorosos sobre questões teológicas. Demonstrando um total desconhecimento do que é teologia e para que ela serve.
Mesmo quando estes tais discursos e debates teológicos eram comprovadamente respaldados e fundamentados no texto bíblico, continuavam a negar estes princípios, justificando essa intransigência pelo uso do amor cristão e da evangelização. Como se o amor e evangelização legitimamente cristã fosse totalmente desvinculada do ensino bíblico. Como se o pecado pudesse habitar tranquilamente com a santidade. Como se o erro encontrasse apoio para sua preservação nas Escrituras. Como se a omissão em dizer a Verdade Bíblica fosse um comportamento digno de um cristão.
A omissão da verdade era quase que uma ordem. Confrontar o erro era desrespeitoso e aconselhavam (como se tivessem condições e base bíblica para isso) os fiéis a Palavra de Deus que tivessem cuidado com o que falavam ou escreviam. Tudo em prol de uma falsa e pretensa maturidade, unidade e comunhão.
Como os que defendiam uma postura bíblica diante do engano não se acovardassem com as provocações e os insultos, e de uma pressão e desconforto com a situação e por não possuírem argumentos bíblicos consistentes para defenderem suas atitudes e posicionamentos ao lado de opositores do Cristianismo, alguns movidos pela emoção, erradamente e precipitadamente resolveram abdicar do seu título de evangélico e decidiram que não queriam ser mais chamados assim. Desprezando a própria definição do termo “evangélico” (que significa seguidor do Evangelho de Cristo, das Boas Novas de Salvação), em tom de desabafo não o queriam mais associados a esse termo.
E com isso, os enganados e os enganadores passeavam no meio evangélico tendo o apoio de grupos de outras religiões frontalmente contrárias ao Cristianismo. Os que defendiam um evangelho antropocêntrico, o sincretismo religioso e o liberalismo teológico aplaudiam de pé. E o nome “evangélico” era a cada dia mais banalizado e motivo de chacota a ímpios escarnecedores.
Os que sempre defenderam a fidelidade às Escrituras e a sua correta interpretação e pregação ficavam perplexos com tamanha insanidade e desprovimento de conhecimento bíblico e conseqüentemente discernimento espiritual de irmãos que outrora estavam com eles.
Diante disso tudo, uma atitude iracunda, implacável e vingativa seria natural consequência de nossa parte. Porém, não somos assim. Nossa vida foi transformada. Somos nova criatura em Cristo Jesus. E, por isso, mesmo com toda a dureza dos corações daqueles que não se conformam com a orientação bíblica, conseguimos vislumbrar o mover e a presença de Deus nisso tudo. 
Porque são nessas circusntâncias  e situações que aprendemos suportar provações e obter a aprovação de Deus. A separação daqueles que mesmo com dano próprio não se retratam por afirmar a verdade daqueles que não entendem inteiramente o que é seguir a Cristo e se juntam aos difamadores e inimigos da fé cristã têm suas vantagens. Faz com que nossa lista de oração cresça e nossa intercessão seja mais produtiva. Faz com que exercitemos nossa fé e paciência e nos apliquemos ainda mais no estudo profundo da Bíblia. Faz com que vigiemos ainda com mais diligência para também não errarmos. Faz com que amemos mais, pois alertar do erro um irmão é umas das maiores expressões de amor que existe. Quem não ama não se importa. Quem ama, por sua vez, se compromete e se envolve, mesmo que não seja compreendido e mesmo que seja ofendido.
Os que amam realmente, devem suportar estas atitudes imaturas e prosseguir em propagar o que é bom para edificação. Acolher com paciência aos irmãos confusos, na esperança que sejam iluminados para entender. 
Os que realmente amam, devem comunicar e advertir insistente e firmemente a verdade bíblica, mas até o limite do bom senso. Não devem se envolver em discussões inúteis que só trazem discórdia e inimizades e não produzem edificação. Os realmente experimentados conseguem discernir isso com sabedoria vinda dos céus. Fazem a sua parte como bons atalaias e em Deus depositam toda a sua confiança e esperança. Suplicam a Deus que em Sua graça e misericórdia faça os discordantes entender e retornar ao bom caminho da verdade de Cristo. Não se omitem em falar a verdade, não se escondem, porém, nunca deixam de amar e de deixar sempre aberto o caminho da reconciliação e do perdão.
Saber que ainda existem cristãos que se importam com a sã doutrina e que batalham pela fé que foi entregue aos santos e que ao mesmo tempo conseguem amar sem ser amados são motivos de alegria e satisfação. Saber que ainda existem muitos que não se dobram a baal e que pelejam diariamente pela fé e amor evangélicos é motivador e incentivador.
Por isso, apesar de tudo, desejo sim ser chamado de evangélico. Desejo sim ter meu nome associado a este termo.
Desta forma, busco mostrar a diferença entre o falso e o verdadeiro. Entre o santo e o profano. Entre o vil e o precioso.
Sou falho, claro. Sou pecador, é óbvio. Mas luto diariamente contra o pecado. Desejo sempre ser melhor cristão do que fui ontem.
Estou aberto à santificação e sei que esse processo em mim é constante.
Amo a Igreja. Amo ao meu Deus.
Creio na Palavra de Deus. Creio que Ele está comigo.

Sou com muita alegria, evangélico, graças a Deus.

"Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para a edificação. Porque Cristo não se agradou a si mesmo, antes, esta escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim. Pois tudo que outrora foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança. Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus."
Romanos 15: 1-7.

Pr. Magdiel G Anselmo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Igreja Cristã, Organização Espiritual ou Empreendimento Empresarial?

Mesmo entendendo que a Igreja Cristã é acima de tudo um organismo vivo (Corpo de Cristo, Noiva do Cordeiro, Igreja Invisível, etc...), e que ao mesmo tempo também se constitui em uma organização (forma do organismo-igreja se comunicar e se tornar visível ao mundo), penso que mesmo em sua forma visível (igreja-organização) e mais fácil de entender, muita confusão se faz, deturpando os objetivos e causas de sua necessária organização.
A falta de compreensão quanto a como e porque a Igreja deve ser organizada, faz com que se organize e administre-se levando em conta parâmetros, princípios e fundamentos que não são os ideais para sua vida e crescimento segundo os reais propósitos originários de sua existência e missão, que são essencial e prioritariamente espirituais.
Para expor com maior clareza o assunto precisamos primeiro definir cada uma das respostas à questão.
Primeiro então definamos o que é uma organização espiritual.
Conforme o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, uma organização define-se “por uma reunião de pessoas com o mesmo objetivo e interesses”, ou seja, seria similar a uma associação com ideais comuns. Logo, complementando do ponto de vista cristão, entendemos a partir dessa premissa que uma organização espiritual define-se por uma reunião de pessoas com interesses e objetivos comuns tendo como prioridade e fundamento os princípios e valores espirituais revelados nas Escrituras Sagradas.
Sendo assim, a Igreja Cristã é uma reunião de pessoas salvas por Cristo, que mediante Suas orientações, princípios e valores revelados na Bíblia se organizam em grupos ou denominações para adorá-lo, cultuá-lo e obedecê-lo em tudo que lhes foi comunicado.
Há muitas outras definições para Igreja, mas creio que esta alcança o objetivo de clarear o assunto em questão.
Definamos agora o que é um empreendimento empresarial.
O mesmo dicionário já mencionado define empreendimento como uma obra, uma realização, uma empresa ou um negócio. Já o termo empresarial é derivado do termo empresa que é definido por “uma organização que produz, vende e/ou oferece bens e serviços”.
Perceba que as definições vistas em um dicionário são em alguns pontos muito semelhantes quando se considera apenas etimologicamente os termos e expressões, porém o sentido mais amplo as faz distanciar-se uma da outra direcionando para objetivos e finalidades totalmente diferentes.
A primeira definição direciona para o espiritual. Têm sua origem, causas, métodos e objetivos pautados e delineados pela Bíblia. O objetivo maior é revelar Jesus Cristo ao Homem, comunicar-lhe o plano da salvação, convence-lo pelo Espírito do pecado, da justiça e do juízo e após sua conversão, fazê-lo crescer em conhecimento e graça, prosseguindo para sua glorificação e vida eterna.
Já a segunda direciona para obter vantagens e lucros. É direcionada a filosofia comercial e pragmática de vida. Sua origem e causas nascem muitas vezes na ganância e avareza humanas, seus métodos são humanos e centrados no movimento do mercado, no marketing e na propaganda. Seu maior objetivo é obter lucro, sejam financeiros, notoriedade ou vantagens.
Ressalvo que nada tenho contra a administração empresarial ou ao produzir e comercializar produtos de uma forma geral. Não seria alienado a ponto de desprezar a revolução industrial em suas várias atividades e muito menos negligenciar as melhorias e avanços proporcionados por ela na qualidade de vida humana atual. A minha argumentação não tem o objetivo de ignorar isso, mas se restringe ao contexto da vida cristã e da Igreja Cristã. Penso que todos os avanços e progressos têm seu lugar na vida humana, o que não pode e não deve acontecer é mesclar ou misturar conceitos e princípios sem antes discernir se estes possuem identificação com os objetivos de cada uma das organizações ou empreendimentos mencionados no título desta postagem.
Como diz um ditado popular: “cada macaco no seu galho”.
Por que digo isso? Porque a administração empresarial tem se instalado nas igrejas evangélicas a tal ponto que a própria Palavra de Deus em muitos casos acaba sendo algo secundário. O que importa são os conceitos de marketing e propaganda. Como se a Igreja comercializasse um produto e os crentes fossem vendedores ávidos por alcançar consumidores.
Obreiros são treinados não para pregar a Palavra ou para abençoar em Cristo as pessoas. São treinados como se fossem integrantes de uma equipe de vendas, tendo seu pastor como o diretor comercial e a igreja como uma empresa em que foram contratados para exercer tal função. Aprendem técnicas para convencer, fórmulas para agradar aos outros com a intenção de oferecer o produto “Jesus”.
As pregações são palestras motivacionais idênticas as que são realizadas em empresas com a clara intenção de motivar seus funcionários e conseqüentemente render mais em seus trabalhos e produzir muito mais lucro para suas empresas.
Os crentes são agradados para não deixar de consumir. A todo o momento, o produto principal (o carro-chefe) é enfeitado e demonstrado com mil e uma utilidades. O produto proporciona cura para todas as enfermidades. Proporciona riquezas, sucesso, prosperidade. Também, se consumido corretamente traz toda sorte de bênçãos materiais. Faz você conquistar posições elevadas e todos verão como você é "abençoado e feliz". Conforme a necessidade do consumidor o produto é oferecido de forma que seja consumido.
Estratégias de marketing são aplicadas. A propaganda é imensa (rádio, TV, internet...). Afinal de contas, a propaganda é a alma do negócio.
Juntamente com esta filosofia comercial, vem também a política do levar vantagem em tudo. Não se consideram as orientações bíblicas para as atitudes e métodos. O importante é alcançar o objetivo. “Os fins justificam os meios”.
Os novos candidatos ao pastorado são ensinados nestas igrejas-empresas desde muito cedo que terão que se sujeitar aos critérios da “empresa”. Terão que apoiar e participar de uma política mundana de acepção de pessoas, de obter vantagens eclesiásticas ou de defender seus pares não importa o que tenham feito. Nisso deverão se comprometer, se é que desejam serem realmente “pastores”. São submetidos a verdadeiros interrogatórios e constrangimentos chamados de exames, concílios, provas, entrevistas ou outra nomenclatura usada por cada denominação.
Momentos em que os já consagrados ou ordenados (os diretores comerciais e os gerentes de vendas) vão se “divertir” à custa do nervosismo e medo do candidato. Momentos em que aqueles que não “gostavam” daquele candidato se aproveitam para vingativamente deixá-lo em situações complicadas e constrangedoras. Lamentavelmente já presenciei verdadeiros massacres eclesiásticos de candidatos e seminaristas, que em algumas vezes eram em conhecimento e exemplo de vida cristã superior aos seus examinadores.
A vida pessoal é devassada e muitas vezes revelada a todos. São humilhados e nada podem falar. É a política da empresa. Senão acabam “demitidos” ou “deixados na geladeira” ou “fritados”, que são expressões mundanas usadas por alguns pseudo-pastores com relação a seminaristas e candidatos ao episcopado.
Ressalvo que ainda existem muitos bons pastores e exames ministeriais sérios e responsáveis, porém isso não exclui os maus e irresponsáveis. Não estou aqui generalizando, apenas constato um fato.
Nessas igrejas-empresa, as demais pessoas da congregação são ensinadas a vir buscar as bênçãos e nunca a ser bênçãos. Tornam-se simples consumidores e nunca ficam satisfeitos. Querem sempre mais.
A igreja tornou-se uma empresa e ás vezes até uma empresa muti-nacional. Seus líderes fazem parte da equipe de vendas, marketing e publicidade. Os crentes são meros consumidores de um produto que não os satisfaz porque na verdade não existe. É apenas uma ilusão pregada como se fosse o Evangelho, mas de forma alguma o é.

A verdadeira Igreja de Cristo não se confunde com o mundo. Não se conforma com ele.

Ela tem os seus próprios parâmetros, referenciais e paradigmas. Todas as suas atitudes, ações, ensinos e comunicação são fundamentados e supervisionados pela santa Palavra de Deus. A Bíblia é o seu manual de regra e prática. Não os conceitos humanos de administração empresarial. Não a filosofia do obter vantagens e lucros. Não os conceitos da psicologia motivacional ou da Propaganda e Marketing.
Todas essas linhas de pensamento ou de ação têm o seu lugar e propósito e devem primeiro ser filtradas e peneiradas pela Palavra e quando alinhadas e em coerência com essa, aí então ser aplicadas. Nunca o contrário, jamais o inverso.
Os líderes na Igreja devem conhecer o manual. Conhecer a Bíblia e usá-la em seu trabalho. Isso é prioridade. Isso é fundamental.

Igreja Cristã não é empresa. Pastor não é chefe, patrão, funcionário ou empregado. Crentes não são vendedores e muito menos meros consumidores superficiais. Jesus não é um produto.

Igreja Cristã é a Embaixadora de Cristo nesta Terra.
Sua missão é propagar, pregar e comunicar o Evangelho de Cristo (as Boas Novas de Salvação) a toda criatura e deve fazer isso juntamente com seu culto a Deus. Deve ser uma comunidade fraternal, solidária, educadora, trabalhadora, servil, edificante e edificadora. Deve ser conhecida pelo amor a Deus e as pessoas. Deve ser contagiada e movida pelo Espírito e Nele viver.
Isso é Igreja.
Deixemos os conceitos empresariais para as empresas.
Valorizemos a Palavra de Deus. Não precisamos de mais nada, de nenhum acréscimo para cumprirmos nossa missão. Deus nos garante isso.

“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual Ele comprou com seu próprio sangue.” Atos 20:28

(...) para que pela Igreja a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor, pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé Nele.” Efésios 3: 10-12.

“(...) para que, se eu tardar, fique ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” 1 Timóteo 3:15

“Toda a Escritura é divinamente inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a edificação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda a boa obra.” 2 Timóteo 3: 16,17.


Pr. Magdiel G Anselmo.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Em Defesa da VIDA

Na internet encontramos informações e materiais de todos os tipos. Sites, blogs, redes sociais, etc... Há informações interessantes, úteis, engraçadas, chocantes, bizarras e até impróprias e nocivas. Materiais que ajudam, contribuem para enriquecer o conhecimento, fontes idôneas, mas também muito material inútil, destrutivo e pernicioso a qualquer pessoa.
Há oportunidades também variadas na grande rede. Pode-se usá-la para publicidade, propaganda e como ferramenta de marketing. Também para divulgação de projetos, trabalhos e instituições educacionais e afins das mais diversas. Ainda, existem profissões que necessitam da internet e dela se utilizam para continuarem a existir.
No contexto cristão, a internet pode ser usada como propagação do Evangelho, para divulgação de projetos e campanhas evangelísticas, além de facilitar o estudo e o aprofundamento daquelas pessoas que buscam crescer no conhecimento teológico e em sua carreira eclesiástica. Mas, como na vida secular, no contexto cristão existem informações e materiais bons e ruins, construtivos e destrutivos, santos e profanos.
Este vídeo inserido aqui é um exemplo de como a internet pode ser utilizada para enganar, iludir e corromper as pessoas.


 
O então denominado “bispo” descaradamente propaga concepções e opiniões frontalmente contrárias a tudo que a Bíblia nos ensina e revela sobre a vida e sua importância.
Com autoridade que não possui e destacada arrogância pronuncia um emaranhado de opiniões sem fundamento bíblico e ainda menospreza de forma vil os que possam discordar de seus argumentos. Argumentos esses que chegam as raias da insanidade.
Quero deixar bem claro que não pactuo de posturas intransigentes com relação a ajudar e facilitar a vida das pessoas que passam dificuldades e privações. Sou a favor de a Igreja manter sempre ativo a ação social e a generosidade com todas as pessoas, independente de qual crença e fé professem, desde que não nos levem a pecar. Mas essa minha posição não se coaduna com os excessos e radicalismos absurdos proferidos pelo “bispo”.
Não necessito aqui fazer uma abordagem teológica e uma exegese exaustiva de textos bíblicos para que se entenda e se revele a sandice das opiniões do “bispo” da IURD. Toda a Bíblia revela-nos um Deus que valoriza a vida (por isso a criou), que detém o poder de doá-la e de retirá-la. Um Deus que considera crianças como pertencentes ao reino de Deus. Mas, vale a pena lembrar que há inúmeros ensinamentos nas Escrituras que deixam muitíssimo clara qual é a visão de Deus sobre o aborto. Jeremias 1:5 nos diz que Deus nos conhece antes de nos formar no útero. Êxodo 21:22-25 dá a mesma pena a alguém que comete um homicídio e para quem causa a morte de um bebê no útero. Isto indica claramente que Deus considera um bebê no útero como um ser humano tanto quanto um adulto. Para o cristão, o aborto não é uma questão sobre a qual a mulher tem o direito de escolher. É uma questão de vida ou morte de um ser humano feito à imagem de Deus (Gênesis 1: 26-27; 9:6).
O Salmo 139.13-16 traz-nos um exemplo extraordinário daquelas passagens que se referem a uma pessoa em seu estado fetal. Entre outras frases significativas encontra-se o versículo 13: “entreteceste-me no ventre de minha mãe”. A importância desta declaração reside no fato de que o salmista refere-se a si mesmo na sua identidade humana pessoal embora estivesse no ventre de sua mãe: “entreteceste-me”. Ele refere-se a si mesmo, antes e depois do nascimento, na sua unidade psicossomática. Aquele que agora dá graças a Deus, no versículo 14, é o mesmo que foi maravilhosamente formado em secreto no ventre da sua mãe, versículos 13 a 15.
Lucas 1.24-26 é uma passagem que muito me fascina. Penso ser esclarecedora e uma das mais relevantes do Novo Testamento. O versículo 41 diz que a criança de Isabel lhe estremeceu no ventre quando ela ouviu a saudação de Maria. “A criança estremeceu de alegria dentro em mim” (v.44). Temos aqui um feto de seis meses descrito nos termos da emoção humana da alegria. Esta mesma criança é tratada, no versículo 36, como “um filho”.
Há muito outros textos, mas considero suficientes os mencionados para qualquer pessoa que honestamente deseja entender a opinião do Deus da Bíblia sobre o aborto.
Alguns argumentam que não há uma referência explícita e direta quanto ao aborto. Considero esta argumentação muito fraca, pois toda a Bíblia é unânime ao considerar o nascituro como um ser humano e por considerá-lo assim, isso indica que o aborto voluntário é a violação de um dos mandamentos de Deus: “Não matarás”.
Pode-se objetar que tal comprovação é esparsa e indireta; não é uma proibição explícita. Mas isso não é, em si mesmo, uma objeção substancial. Muitas das provas bíblicas sobre tantas e importantes questões se apresentam de modo semelhante. Isso faz parte da natureza da revelação bíblica. A falta de clareza não pode ser usada para forçar a aceitação do aborto, ou a sua indiferença.
Dito isto, alguns questionam os que são contrários ao aborto a uma “insensibilidade”, quanto ao sofrimento de mães e crianças.
É óbvio que precisamos sim ensinar as pessoas a planejar o crescimento de suas famílias, de entender a importância de criar e cuidar de seus filhos razoavelmente. Esta orientação deve ser prioridade não somente de nossos governantes, mas também de todo cidadão consciente de seus deveres como tal.
Precisamos combater a miséria e a fome. Precisamos ter políticas que ajudem as pessoas a viver com uma qualidade de vida melhor. Precisamos combater a epidemia das drogas e a proliferação da violência e promiscuidade. Precisamos cuidar dos que sofrem de forma prática e urgente. Precisamos abrigar e abraçar as crianças abandonadas e desprezadas que habitam nas ruas de nossas cidades.
Precisamos ajudar os que não assim fizeram. Para que eles possam, pelo menos, daqui pra frente viver dignamente.
Precisamos ensinar. Precisamos ser exemplos. Precisamos não fechar os olhos para o sofrimento e a miserabilidade que assola o mundo. Precisamos fazer a diferença.
Tudo isso é necessário e ainda mais.
Porém, não resolveremos esses problemas fazendo com que estas pessoas desapareçam. Fazendo com que sejam exterminadas, assassinadas.
Este conceito e atitude foram largamente utilizados em um passado muito próximo. Adolf Hitler entendeu que os problemas dos alemães eram as outras raças, era a mistura e a influência destas na que ele chamou de “raça ariana”. E para resolver este problema exterminou milhões de seres humanos implacável e cruelmente. Em um passado um pouco mais distante, os cristãos foram perseguidos e muitos foram assassinados porque seu número crescia aos olhos dos outros povos. Foram mortos de várias maneiras, todas com requintes de crueldade.
Já vimos isso na história da humanidade. Conhecemos bem este tipo de pensamento. É característico de quem não conhece a Deus e conhece com certa intimidade aquele que vive apenas para roubar, MATAR e destruir.
Ora, o que é o aborto? Penso eu que não se comete aborto contra outra coisa, senão contra vida de alguém? Logo o que chamam de aborto é a autorização que inconstitucionalmente, o código penal brasileiro dá a algumas pessoas para matar fora do tempo de guerra, pior contra inocentes, indefesos, sem tribunal, de modo sumário. Verdadeiro descarte. Filho de estuprador corre o risco de ser estuprador, filho de ladrão corre o risco de ser ladrão, se vai morar na favela será marginal.
Karl Marx venha ver a sua estupidez, ainda hoje tem gente acreditando que o homem é produto do meio.
Sei que existem casos de gravidez indesejável, por estupro, de bebês que tem anomalias e de gravidez com sérios riscos de morte a mãe. Sei disso tudo, já estive aconselhando pastoralmente grávidas que passavam por estas situações terríveis. E sei, sou testemunha de muitas mulheres, que apesar disso, tiveram seus filhos e hoje agradecem a Deus por não ter abortado. Também é público e notório o arrependimento das mães que um dia abortaram, seja por qual razão foi. Basta conversar com uma delas e você percebe a dúvida se fizeram o certo e a tristeza que inunda o coração quando mencionam o assunto.
Penso que a criança resultante de estupro/incesto pode ser dada para adoção por uma família amável incapaz de ter filhos por conta própria ou a criança pode ser criada pela mãe. Mas em hipótese alguma, o bebê deve ser punido pelos atos malignos do seu pai.
Mas, a realidade é outra. 94% dos abortos realizados hoje em dia são por razões diferentes da vida da mãe estar em risco. A vasta maioria das situações pode ser qualificada como “Uma mulher e/ou seu parceiro decidindo que não querem o bebê que eles conceberam”. Isto é um terrível mal. Mesmo nos outros 6%, onde há situações mais difíceis, o aborto jamais deve ser a primeira opção. A vida de um ser humano no útero é digna de todo o esforço necessário para permitir um processo de concepção completo.
Para aquelas que fizeram um aborto – o pecado do aborto não é menos perdoável do que qualquer outro pecado. Através da fé em Cristo, todos e quaisquer pecados podem ser perdoados (João 3: 16; Romanos 8:1; Colossenses 1:14).
Uma mulher que fez um aborto, ou um homem que encorajou um aborto, ou mesmo um médico que realizou um. Todos podem ser perdoados pela fé em Cristo.
Ressalto que não se resolve a violência, um estupro, a miséria, a fome e as desigualdades sociais assassinando bebês. Não são os bebês causadores dos sofrimentos da humanidade. Por que devem eles pagar e serem punidos pelo que não fizeram? Por que eles devem ser submetidos a pena de morte sem ser merecedores dela? Eles só desejam continuar vivendo.
Se fosse correto o aborto, deveríamos então exterminar os mendigos, os moradores de rua, os moradores de favelas, as crianças abandonadas, os viciados em drogas, os aidéticos, etc... Todos aqueles que sofrem e que vivem em um submundo deveriam por essa ótica serem varridos de sua existência. Assim resolveríamos o problema. Daríamos o golpe de “misericórdia”. Cessaríamos com o sofrimento deles e o incômodo de ter que conviver de certa forma com eles.
Ora, sr. Macedo, tenha paciência. Como pode propagar tal atitude horrenda e nefasta?
Já não chega suas heresias e práticas pecaminosas que teima em ensinar aos desvalidos. Já não basta se utilizar do poderio da mídia para influenciar as mentes dos desavisados e iludi-los com um pseudo-evangelho? Já não basta torná-los inconstantes e confusos. Agora quer fazer deles também homicidas?
Apelo a Deus que use de misericórdia para contigo e lhe faça acordar e despertar desse seu sono de morte. Que lhe faça retornar ao Evangelho de Cristo (se é que algum dia o conheceu). Deus o ama, a Igreja de Cristo o ama. Deus ama o pecador, mas abomina o pecado. Deus é amor. Mas, sua justiça é igualmente eterna e não tarda. As conseqüências de tal atitude de escárnio a Palavra de Deus são tristes para ti. Arrependa-te enquanto é tempo.
Apelo aos meus irmãos que, por amor a Cristo, combatam tal absurdo e ajudem aos que não compreendem ou estão confusos quanto à questão. Pregue o amor à vida, a valorização do dom dado por Deus e não a propagação da morte e o extermínio de bebês.

Por amor a Cristo e Sua Palavra façam isso.
Desejo a todos muita vida. Vida em Cristo. E vida com abundância.

E disse o Senhor Jesus:

(...) Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância.
João 10: 10b

“Eu sou o caminho, a verdade e a VIDA, ninguém vem ao Pai senão por mim.”
João 14: 6.

(...) Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus.
Marcos 10: 14b.

Pr. Magdiel G Anselmo.


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