sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O Bom Pastor e o bom pastor.

“(...) Ele me faz repousar em pastos verdejantes...”
Salmo 23:2

Estava meditando na Palavra de Deus e me deparei com esta expressão do salmista que tantas vezes já li e até memorizei juntamente com o restante do salmo. Mas, dessa vez tive que parar neste ponto e refletir sobre o que realmente o texto está afirmando (O Espírito Santo faz isso conosco).
A Bíblia é a Palavra de Deus e em toda ela encontramos orientações para nossa vida. Em cada frase, observação, termo... Existe um sentido mais amplo e a descobrir. Por obra do Espírito Santo, podemos entender a Revelação. Deus nos ilumina para esse entendimento do que nos revelou. Esse mistério divino é que faz da Bíblia um instrumento poderoso e transformador.
O texto bíblico em questão nos revela como o Supremo Pastor cuida do Seu rebanho e deve nos ensinar como devemos também pastorear este mesmo rebanho que não é nosso, é Dele.
O Espírito Santo me fez refletir em como estou tratando as ovelhas do Senhor e que por permissão Dele pastoreio. Será que estou levando-as a pastos verdejantes? Será que elas podem repousar tranquilamente sabendo que podem confiar em seu pastor?
Dessa forma, o texto nos encaminha para entender que o pastor não força ou obriga as ovelhas serem submissas e se deitarem. Ele sabe o que o rebanho precisa para estar tranqüilo, relaxar e se deitar.
Por isso, ele cria o ambiente propício para que as ovelhas se deitem.
É interessante perceber que as ovelhas não se deitarão se estiverem com medo. Não se deitarão se houver atrito ou tumulto no meio do rebanho. Não se deitarão se estiverem com fome ou sede. Não se deitarão quando se acham atormentadas por moscas ou parasitas.
O pastor deve saber e entender as necessidades e limitações do rebanho. Tem de reconhecer as estratégias do inimigo e prover uma defesa para a congregação. É ele o responsável por preservar a harmonia dentro da congregação. Seu dever como ministro de Deus é fornecer uma dieta de ensinamentos adequados para manter a congregação forte e saudável.
Quando o Senhor Jesus viu a multidão “teve grande compaixão deles, porque andavam desgarrados e errantes como ovelhas sem pastor” (Mat. 9:36).
Os membros da congregação que sejam indefesos ou tenham sido hostilizados têm de encontrar compaixão no pastor. Suas situações difíceis não devem ser tratadas com indiferença ou falta de preocupação.
Eu sei que proteger as ovelhas pode custar caro ao pastor. O que separa os bons pastores dos irresponsáveis é a maneira como reagem quando o rebanho está sob ameaça. O bom pastor é abnegado e, correndo grande perigo pessoal, protegerá e defenderá o rebanho, chegando até ao ponto de entregar a própria vida. Tal coragem é o resultado de um relacionamento incomparável entre o pastor e a ovelha.
Sei, pela experiência e convivência com outros pastores, que depois de passar tanto tempo com os membros da congregação, o pastor estima cada um individualmente. Em cada um ele tem um investimento de oração, de ensino, de pregação, de aconselhamento e de apoio. Isso o faz alegrar-se com as vitórias e chorar na derrotas de cada membro em particular.
Esse extraordinário valor individual da ovelha é ilustrado na narrativa do Senhor Jesus, do pastor que deixa as 99 ovelhas para buscar uma única ovelha perdida (Mat. 18:12).
Quando se pesquisa o comportamento de uma ovelha literalmente, percebe-se que quando uma se perde ou se afasta do restante do rebanho, ela não consegue retornar. Fica parada balindo por socorro. Uma ovelha ou cordeiro nessa situação é presa fácil de um predador. São vulneráveis, ficam amedrontadas e perdidas. Sua volta ao aconchego e proteção do rebanho muitas vezes depende do valor que o pastor lhes dá e até onde ele está disposto a ir para buscá-la.
Aí se encontra a diferença de um bom pastor de ovelhas e o pastor mercenário. Os mercenários não têm nenhum interesse pessoal no bem-estar do rebanho. Servem pelo salário e ganho pessoal. A proteção, o crescimento e o conforto do rebanho são preocupações incidentais para eles. Fazem tudo que é exigido e necessário somente para receber pagamento, exceto quando o custo pessoal é grande demais. Fogem quando a responsabilidade fica muito elevada. Sacrificarão um ou mais cordeiros para se salvar.
É certo que todo bom pastor sabe que o inimigo atacará as ovelhas. O pastor que tem comunhão com o Bom Pastor verá o agressor se aproximando. Neste ponto é freqüente as ovelhas não perceberem o perigo. Quando perceberem, já é tarde demais. O pastor que ama a congregação não apenas avisará do ataque do inimigo, mas ficará para defendê-la durante e enquanto prosseguir esse ataque.

“Leva-me para junto das águas de descanso...”
Salmo 23:2

Na analogia do pastor de ovelhas, sabe-se que a ovelha quando com sede põem-se em debandada em direção à água. Mas água poluída ou contaminada pode ser fatal às ovelhas.
Ás vezes é necessário o pastor conduzir o rebanho sedento por um caminho mais extenso, a fim de evitar o risco das ovelhas correrem em disparada para uma lagoa poluída com águas que as levarão a morte.
Congregações com sede são mais susceptíveis ao engodo de águas poluídas. A última novidade doutrinária ou o último modismo eclesiástico são atrativos tentadores a uma congregação sedenta. É responsabilidade do pastor saber do estado da água das redondezas do rebanho. O pastor tem de conhecer as armadilhas doutrinárias que cercam a congregação. Tem de conduzir o rebanho para longe delas. É trabalho tedioso. Requer estudo, preparo e um firme comprometimento com as Escrituras e um sólido apego à Teologia Bíblica.
Antigamente, mesmo nos tempos bíblicos do AT, os pastores de ovelhas cavavam poços em regiões áridas ou em lugares onde não houvesse água. Faziam isso antecipando as necessidades do rebanho. Era algo que as ovelhas não podiam fazer por si mesmas.
O trabalho tedioso da preparação do sermão é algo semelhante. O pastor antecipa as necessidades dos membros da congregação e faz o que não podem fazer. Ele cava na verdade da Palavra de Deus e disponibiliza água fresca para as ovelhas.
Desta forma, protege as ovelhas dos ataques futuros. Sacia a sede e provê descanso através da Palavra.
Sendo assim, os pastores seguem o exemplo e orientação do Senhor dos pastores.
Sendo assim, as ovelhas podem se alimentar tranqüilas nos pastos verdejantes, saciar sua sede em águas cristalinas, sabendo que estão sendo protegidas e bem cuidadas.


Elas podem, afinal, repousar...





Pr. Magdiel G Anselmo.

2 comentários:

  1. Poxa, me lembrei até do hino antigo, de minha infância, chamado "Cem Ovelhas":

    Eram cem ovelhas, juntas no aprisco
    Eram cem ovelhas, que amante cuidou
    Porem em uma tarde ao contá-las todas
    E lhe faltava uma, lhe faltava uma e triste chorou

    As noventa e nove deixou no aprisco
    E pelas montanhas a buscá-la foi
    A encontrou gemendo tremendo de frio
    Curou suas feridas pôs logo em seus ombros
    E ao redil voltou

    Um pastor precisa ter muita atenção com as ovelhas, afinal ele dará contas ao dono do rebanho um dia. O seu maior exemplo é Jesus: "Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse." (Jo 17.12)

    Tenho certeza que o Senhor lamentou profundamente a perda desta única ovelha, que por pura obstinação, deixou os cuidados do Bom Pastor e acabou se perdendo para sempre. Isso deveria servir de exortação para as ovelhas do Senhor atualmente!

    Boa reflexão, pastor! Que o Senhor continue abençoando-o com tão boas e edificantes meditações nas Escrituras!

    Graça e Paz!

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  2. Palavra abençoada querido pastor. Precisamos aprender cada vez mais com o Mestre Jesus que o bom pastor dá a vida pelas ovelhas. Precisamos entender também que para que a ovelha dê cria, lã e carne, é preciso primeiro que ela seja bem alimentada e cuidada. Muitos querem apenas a lã, mas não oferecem o alimento necessário à ovelha. Deus o abençoe!
    Quero convidá-lo a conhecer o Blog Luzeiro: http://prronaldodeoliveira.blogspot.com

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