terça-feira, 20 de julho de 2010

A Velha e a Nova Cruz

Em minha última postagem “Nova Criatura” escrevi algumas palavras sobre a transformação que Deus opera em todo aquele que é salvo por Cristo. Fiquei surpreso que muitas pessoas que leram o post me afirmaram que há muito tempo não ouvem mensagens em suas igrejas sobre este assunto. Declararam que muito se prega sobre o que pode e o que não pode, sobre curas e milagres com horário marcado, que Deus vai cumprir o que prometeu, mas pouco sobre o grande milagre da salvação, como ele é descrito na Bíblia. E mais, muitos me declararam que as mudanças ocorridas na vida do agora salvo (descritos no post) não eram percebidos por eles na vida de muitos que conheciam e que em alguns casos os tinham até discipulado.
Fiquei surpreso e depois preocupado.
E confesso que, passados alguns dias, ainda estou preocupado com o caminho que grande parte da igreja evangélica brasileira está seguindo em nossos dias. Resolvi, então, escrever o post atual fazendo uma distinção entre a verdadeira pregação e teologia bíblica e a que permeia em nossos dias.. digo isso porque o foco dos principais grupos ou denominações cristãs não é mais a pregação do Evangelho da cruz e a propagação do nome de Deus.
O “deus entretenimento” e a “deusa diversão” estão sendo adorados escancaradamente. Os marcos antigos fundamentados pelos pioneiros estão sendo substituídos pela superficialidade e irresponsabilidade diante do que deveria ser essencial para a missão e atuação da Igreja nesse mundo.
Nada contra a alegria e o ambiente festivo em um culto cristão. Desde que a alegria esteja alinhada com o temor a Deus e o ambiente festivo alinhado com a ordem e decência, nada a questionar. Mas, parece que muitos líderes não têm a capacidade de coordenar os cultos e suas congregações para que isso aconteça. Ou tem a capacidade, mas não a coragem de ensinar a verdadeira adoração e o verdadeiro culto a Deus revelados na Bíblia.
A total ausência de ordem e decência se tornou comum na maioria dos cultos. A adoração se transformou em um período de atitudes bizarras e expressões sem sentido e sem fundamentação bíblica.
A pregação, a cada dia mais, perde seu valor e se assemelha com palestras motivacionais, preleções com conteúdo duvidoso e não poucas vezes herético.
Quase que despercebida uma nova cruz introduziu-se nos círculos evangélicos nas últimas décadas. Essa infiltração se iniciou na sociedade moderna e se intensificou na pós-moderna. Ela se parece com a velha cruz, mas é diferente.
As semelhanças são superficiais e as diferenças, fundamentais.
Uma nova filosofia brotou desta nova cruz com respeito à vida cristã, e dessa filosofia inovadora surgiu uma técnica evangélica moderna ou se preferir pós-moderna, um novo tipo de reunião e uma nova espécie de pregação. Esta nova metodologia emprega a mesma linguagem que a velha, mas o seu conteúdo não é o mesmo e sua ênfase difere da anterior.
A velha cruz não fazia aliança com o mundo. Para a carne orgulhosa de Adão ela significava o fim da jornada, executando a sentença imposta pela lei do Sinai. A nova cruz não se opõe à raça humana, pelo contrário, é sua amiga íntima e, considera-a uma fonte de divertimento e alegria inocente. Ela deixa Adão viver sem qualquer interferência. Sua motivação na vida não se modifica. Ele continua vivendo para seu próprio prazer, só que agora se deleita em entoar canções, participar de confraternizações com cristãos e assistir filmes religiosos em lugar de cantar canções obscenas, freqüentar locais obscuros e tomar bebidas fortes. A ênfase continua sendo o prazer, embora a diversão se situe agora num plano moral mais elevado, ou mesmo intelectual.
A pregação da nova cruz não prega contrastes, mas semelhanças. Busca a chave para o interesse do público, mostrando que o Cristianismo não faz exigências desagradáveis, pelo contrário, oferece a mesma coisa que o mundo, somente num plano superior. Asseveram os pregadores da nova cruz que o produto religioso é bem melhor, por isso devem se juntar a eles.
A nova cruz não mata o pecador, mas dá-lhe nova direção. Ela o faz engrenar em um modo de vida mais limpo e agradável, resguardando, é claro, o seu respeito próprio.
A mensagem da nova cruz diz para o arrogante: “Venha e mostre-se arrogante a favor de Cristo.” Para o egoísta, declara: “Venha e vanglorie-se no Senhor”. Para o que busca emoções, chama: “Venha e goze da emoção da fraternidade cristã”. A mensagem de Cristo é manipulada na direção da moda corrente a fim de torná-la aceitável ao público.
A filosofia por trás disso tudo pode até ser sincera, mas sua sinceridade não impede de ser falsa. É falsa por ser cega, interpretando erradamente todo o significado da cruz de Cristo.
A velha cruz é um símbolo da morte. Ela representa o fim repentino e violento de um ser humano. A cruz não faz acordos, ela acaba completamente com o homem, de uma vez por todas. Ela não tenta manter bons termos com sua vítima. Golpeia-a cruel e duramente e quando termina o trabalho, o homem já não existe mais.
A Bíblia declara claramente que a raça de Adão está sob sentença de morte. Não existe comutação de pena nem fuga. Deus não pode aprovar qualquer dos frutos do pecado, por mais inocentes ou belos que pareçam aos olhos humanos. Deus resgata o indivíduo, liquidando-o e depois o ressuscitando em novidade de vida.
O evangelismo que traça caminhos paralelos amigáveis entre o caminho de Deus e os do homem é falso em relação à Bíblia e cruel para a alma dos ouvintes. Ao nos aproximarmos de Cristo não elevamos nossa vida a um plano mais alto, mas a deixamos na cruz. A semente de trigo deve cair no solo e morrer.
Nós, pastores e pregadores do Evangelho em nosso país, não devemos julgar-nos agentes ou relações públicas enviados para estabelecer boa vontade entre Cristo e o mundo. Não fomos comissionados para tornar Cristo aceitável aos homens. Não somos diplomatas, mas profetas, e nossa mensagem não é um acordo, mas um ultimato.
Como essa teologia pode ser resumida em termos de vida? É muito simples, o homem deve arrepender-se e crer. Deve esquecer-se de seus pecados e depois esquecer-se de si mesmo. Ele não deve encobrir nada e muito menos procurar fazer acordos com Deus, mas inclinar a cabeça diante do golpe do desagrado severo de Deus e reconhecer que merece a morte.
Depois disto, ele deve contemplar com sincera confiança o Salvador ressurreto e receber Dele vida, novo nascimento, purificação e poder. A cruz que terminou a vida terrena de Jesus põe agora um fim no pecador, e o poder que levantou Cristo dentre os mortos agora o levanta para uma nova vida com Cristo. Essa nova vida, nova criatura, nova criação (como descrevi no último post), transforma a percepção do passado, presente e futuro.
Essa é a velha, mas atual pregação da cruz revelada na Bíblia. Essa é a mensagem de Deus aos homens. Esse é o sermão que deve ser pregado aos quatro cantos e a toda criatura.
Ousaremos, nós, os pregadores de nossa época, manipular a verdade? Ousaremos apagar as linhas ou alterar o padrão que nos foi revelado nas Sagradas Escrituras? Teremos a audácia de lançar por terra todo o trabalho dos discípulos, apóstolos e reformadores?

Que Deus não permita.

Não abramos mão de nossas convicções e princípios bíblicos. Não cedamos à tentação da igreja cheia de pessoas vazias. Não caiamos no erro da manipulação psicológica e da mensagem agradável.

Preguemos a velha cruz e conheçamos o velho poder.

Deus nos fortalecerá e protegerá de todo mal.



Toda a glória, majestade e poder ao Senhor da Igreja.

Toda submissão, temor e obediência ao Senhor de Tudo que existe.



Pr. Magdiel G Anselmo.

Um comentário:

  1. OLÁ BENÇAO..OBRIGADA PPR SUAS PALAVRAS DE MOTIVÇAO..E SEMPRE UM PRIVILEGIO COMPARTILHAR DE JESUS COM PESSOAS COMPROMETIDAS COM SUA VERDADE..VOU SEGUIR SIM SEU BLOG...
    MILAGRES PRA VOCE NESSE LINDO DIA.

    BJIM NO CORAÇAO DE PAPAI DO CEU E MEU..

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