quinta-feira, 8 de julho de 2010

"PERFEIÇÃO" + FAMA = HOMEM DE DEUS. SERÁ ???

Outro dia, recebi em minha casa uma visita de um velho amigo, irmão e colega de ministério. Uma visita que me alegrou e me fez vivenciar um dos momentos mais interessantes e edificantes da minha vida. Durante essa conversa, abordamos a questão de alguns irmãos possuírem uma consideração e admiração imensa por líderes e pastores que conhecem apenas pela mídia e virtualmente e mediante este conhecimento, afirmarem com convicção e certeza que são homens de Deus.
Também comentávamos que muitas vezes os líderes ou os pastores das igrejas que congregaram ou ainda congregam não merecem por parte deles tamanha consideração e admiração.
Perguntávamos-nos por que isso acontece e o que leva alguém a agir assim.
Tentamos responder a estas indagações com algumas considerações que desejo partilhar com os leitores de meu blog:

1. Quando se conhece alguém apenas pela mídia (TV, rádio, revistas...) ou pela net (blogs, sites, Orkut, etc) ou pelo que a pessoa escreve (livros, artigos,...), encontra-se maior facilidade em conhecer suas qualidades, virtudes, dons e talentos. A luz dos holofotes da fama não revela os pontos negativos, somente o “glamour do sucesso” é manifesto.

2. Quando não se convive com uma pessoa. Quando não se tem um relacionamento mais próximo, como congregar em uma mesma igreja, ou fazer parte de seu círculo de amizade ou familiar, não se conhece facilmente seus defeitos, suas falhas e seus desvios de conduta.

3. Quando nos relacionamos pessoalmente com uma pessoa, não apenas virtualmente, presenciamos esta pessoa em momentos de desequilíbrio, em situações de profunda pressão e opressão, e claro, em momentos de prática de pecados.

4. Quando nos relacionamos com alguém constantemente, em uma igreja, como amigo ou membro de nossa família, vez por outra esta pessoa nos contraria, tem atitudes que não nos agrada. Por vezes nos magoa e nos deixa irritados. Faz parte do processo de relacionamentos interpessoais.

5. Também pela necessidade que muitos tem de buscar pessoas perfeitas que podem ser seus referenciais de vida cristã, identificam os pastores e líderes famosos que não tem um relacionamento próximo, como tais pessoas e os consideram, por conseguinte homens de Deus em sua integralidade.

6. Na maioria dos casos, e por total falta de conhecimento pessoal sobre os “amigos virtuais", muitos consideram o desconhecido (o líder virtual ou midiático) mais apto e melhor preparado que o líder ou o pastor que convivem e conhecem mais profundamente.

7. Por fim, comentamos que muitos irmãos, com o tempo esquecem-se dos homens e mulheres que no passado os abençoaram e que ajudaram de forma pessoal e objetiva no seu caminhar cristão. Esquecem-se dos que os evangelizaram, discipularam, os encaminharam ao batismo, os indicaram e até nomearam para seus primeiros cargos e posições de liderança na igreja e ainda, os ensinaram em seus primeiros passos na vida cristã. E mesmo hoje, alguns desconsideram o que estes fizeram, afirmando que isso é passado. O que importa é o agora.

Sem desmerecer os líderes que “estão na moda” ou que fazem parte deste grupo ou elite privilegiada. Sem também deixar de compreender que muitos destes (não todos) fazem a obra de Deus de forma sincera e que estão em tal posição por intervenção direta de Deus, passamos a considerar e tentar expor como é ser um homem de Deus na concepção bíblica do termo.

Como é um homem de Deus? Como identificá-lo?

1. Ele não é Deus.

2. Ele é salvo, mas continua sendo humano.

3. Ele tem sentimentos e emoções. E algumas vezes elas suplantam a razão e o faz errar em suas decisões e atitudes.

4. Ele não é Deus.

5. Ele é salvo, mas continua pecador.

6. Ele tem projetos, sonhos e aspirações como todas as pessoas. Às vezes esses projetos, sonhos e aspirações o conduzem para erros e pecados.

7. Ele não é Deus.

8. Mesmo sendo chamado, vocacionado e capacitado por Deus para exercer liderança na Igreja, continua sendo ovelha de Deus.

9. Mesmo tendo o dom e título de pastor pode ser ferido e machucado.

10. Ele não é Deus.

11. Mesmo sendo aquele que ensina e aconselha a outros, ele não é perfeito.

12. Mesmo sendo aquele que sempre demonstra maior amor pelos irmãos, ele necessita ser amado.

13. Ele não é Deus.

14. Ele é apenas um homem, um simples homem de Deus.

Quando falávamos sobre estes itens todos que escrevi aqui, a emoção tomou conta de nós e por um momento ficamos em silêncio.
Meu amigo então quebrou o silêncio e emocionado começou a lembrar com voz embargada que existem homens e mulheres que estão nesse momento evangelizando, pregando e anunciando a Cristo pelos rincões desse país. Em bairros, vilas e povoados distantes das regiões urbanas, longe dos holofotes da fama. Locais onde as pessoas têm baixo poder aquisitivo e que sofrem e lutam todos os dias para sobreviver.
Locais onde muitos ditos líderes e pastores não desejam ir e desmotivam os que desejam. Que existem pastores que sequer tem um púlpito bonito, de acrílico (como é comum hoje em dia) para pregar, que não tem um ministério de música que os ajude no pastoreio, que penam para pagar o aluguel de um pequeno salão ou sofrem todos os meses para conseguir dar continuidade à construção de um templo próprio. Homens que militam incansavelmente, sem reclamar, para levar vidas à presença do Senhor.
E continuava a falar que existem pastores que não tem o apoio e reconhecimento de denominações, amigos e nem da própria família para dar seqüência a seus ministérios. Que se refugiam no Deus que os chamou para conseguir suportar e prosseguir, porém jamais deixam de se alegrar em servir a Deus com sinceridade e amor.
Que existem milhares de pessoas assim. Que não são conhecidas de muitos. Não são famosos, não são celebridades. Mas, que tem coragem de enfrentar o inimigo. Que se colocam na frente da batalha. E que são fortalecidos todos os dias em Deus para tal tarefa santa.
Pessoas que choram de alegria quando alguém é convertido por Cristo, que se alegram ao ver homens e mulheres que antes eram perdidos, sem Deus, iniciarem uma nova vida com Cristo. Se sentem satisfeitos com pessoas que começam a aprender a Bíblia e que são todos os dias transformadas de glória em glória em alguém mais parecido com o Senhor.
Que choram quando alguém se afasta de Deus e que fazem de tudo que é possível para trazê-las a razão e a reconciliação com o Pai.
Pastoreiam igrejas com apenas algumas dezenas de membros. Mas, sacrificam seu conforto, comodidade e lazer em prol da causa de Cristo. Que visitam os que necessitam de uma palavra amiga, de conforto e ânimo. Ou apenas doam seus ouvidos para saciar a necessidade que as pessoas têm de desabafar e encontrar em alguém um ombro amigo e de Deus para chorar.
Meu amigo continuava e juntos começamos a lembrar que muitos, sem poder, sem condições, dedicam anos de suas vidas para estudar a Bíblia, se aprofundar no conhecimento bíblico. Fazem cursos de Teologia e se aprimoram sempre. Com o simples objetivo de abençoar outros e ser mais útil ao reino de Deus como bom servo.
Que vivem em casas pequenas com seus familiares. Que não tem um sustento adequado. Que seu único meio de transporte é a sola de seu velho sapato e como companheiro de anos seu velho terno.
Que sabem que não são perfeitos. Reconhecem suas limitações. Mas, que acima de tudo conhecem a Deus e reconhecem Nele a força e o poder para prosseguir. São apenas instrumentos falhos nas mãos de um Deus Santo e Perfeito.

As horas passaram muito rápido e meu amigo precisava ir embora.
Finalizamos nossa conversa afirmando que estes pastores não eram famosos aqui neste mundo. Não eram ícones evangélicos da mídia e muito menos possuíam sites ou blogs com milhares de acesso ou seguidores. Não eram celebridades.
Não, aqui neste mundo não eram. Não eram mesmo.
Mas, nas regiões celestiais, certamente o eram. Eram famosos lá.
Esse é o reconhecimento que todo verdadeiro homem de Deus busca.

Meu amigo, ao entrar em seu carro, ainda me disse:

- Nada contra os homens de Deus famosos da nossa época, o Evangelho precisa ser anunciado a todos, mas eu prefiro os anônimos. O nome de Jesus é que deveria ser anunciado sempre, não o nosso.

Caro amigo leitor, que este post lhe faça refletir. E quem sabe, a partir desta reflexão honesta, honre e considere em alta estima tais homens. Por fim, adicione (pra usar a linguagem virtual) a sua galeria ou rol de homens de Deus estes que não são famosos aqui neste mundo, mas o são no reino de nosso Deus e Senhor.

Em Cristo,

Pr. Magdiel G Anselmo.







2 comentários:

  1. Muito boa reflexão, pastor. Me fez lembrar uma ocasião quando fui "comparado" ministerialmente, por um antigo obreiro "meia-sola", com um "superpop-pastor-midiático-elvis-evangélico", com relação ao suposto "avivamento" que o midiático promove. Repondi-lhe, mostrando a verdade dos fatos:

    1) Primeiro, o "avivalista topetudo" usa do expediente de criar de diálogos dentro da Bíblia que nunca existiram, para dar a sensação aos ouvintes de "conhecimento" (e isso com severas distorções no texto bíblico);
    2) Segundo, o dito pastor é manipulador dos ouvintes, usando técnicas teatrais de impostação de voz e de gesticulação, a fim de gerar nos ouvintes a reação desejada;
    3) Terceiro, eu, como então pastor dele, tinha uma responsabilidade no pastoreio de sua vida; já o midiático não tinha nenhuma responsabilidade com ele.

    Infelizmente, o "obreiro", oriundo de uma denominação onde a Bíblia é algo supérfluo (o que interessa é o "fogo") acabou saindo da Igreja. Hoje, fiquei sabendo que encontra-se desviado.
    É possível constatar que os seguidores/admiradores desses "famosos" são, via de regra, pessoas com pouquíssimo ou nenhum conhecimento (ou interesse em conhecer) a Palavra de Deus, e que geralmente são problemáticas em suas Igrejas.

    Graça e Paz!

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  2. AMADO E QUERIDO IRMÃO,PR. MAGDIEL,GRAÇA E PAZ!
    BELÍSSIMA REFLEXÃO E MENSAGEM.MUITO CONTEMPORÂNEA E ATUALÍSSIMA.
    GOSTEI MUITO.CERTAMENTE FORA O ESPÍRITO SANTO QUEM TE INSPIROU PARA NOS MINISTRAR UMA PALAVRA COMO ESSA!
    QUE DEUS TE ABENÇOE EM TUDO E SEU MINISTÉRIO TAMBÉM...
    ATÉ A PRÓXIMA...
    BY, PR. RIVELINO.

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