terça-feira, 20 de abril de 2010

DO QUE O PASTOR ESTÁ FALANDO ???


Esta pergunta muita vezes é feita por vários irmãos em nossas igrejas durante as pregações da Palavra de Deus e ministrações de estudos bíblicos em várias locais espalhados pelo nosso país.
Muitos ficam atentos e procuram com todo esforço entender do que o pastor está falando. Afinal de contas, o que significa aquele termo que usou, quem é aquele teólogo ou livro mencionado pelo pregador e ainda o que propõe a posição teológica que ele disse que é relevante saber.
Uma mistura de perplexidade e decepção inunda a mente da maioria dos da congregação e muitos se perguntam: Se não consigo entender o que ele diz, por que venho aqui?
A vergonha de não saber e o medo de perguntar ao pastor do que se tratava todas aquelas menções (termos técnicos e nomes desconhecidos da maioria da congregação) e ilustrações (descontextualizadas no que diz respeito a nosso país e nossa cultura), que usou no sermão levam os membros a se acomodarem a uma posição de ignorância e descontentamento.
Muitos continuam ali congregando porque já é uma tradição de família e mesmo sem serem edificados resolvem fincar estacas e suas vidas tornam-se a cada dia mais infrutíferas e frustrantes, pois não há quem sirva o bom alimento, o aconselhamento, a direção e a aplicação da Palavra não são servidos e caminham como cegos num mundo tenebroso.

O pastor por sua vez, está tão absorto em suas convicções teológicas que não percebe que a congregação não está entendendo o que diz. Está tão empolgado em sua exposição que sequer observa que seus irmãos lutam para acompanhar seu raciocínio (sem sucesso), e que está perdendo uma oportunidade grandiosa de abençoar pessoas em Cristo.

Porque isso acontece? O que será tão complexo que muitos não conseguem entender e seguem semana após semana na mesma situação e fazendo a mesma pergunta?
Por que é tão difícil, para alguns, perceber as reações da congregação e acima de tudo, perceber a responsabilidade que ministrar de forma simples e objetiva traz maiores resultados e agrada a Deus?

Claro que há pontos difíceis de entender nas Escrituras, principalmente se a pessoa não se dedica a leitura, meditação e estudo do texto bíblico, mas mesmo esses sinceros e dedicados cristãos ficam perplexos sem entender o que está sendo pregado ou ensinado.

O que fazer, então???
Ouso responder a estas indagações para entendermos o porquê da pergunta título deste texto.

Na maioria das vezes onde existe esta pergunta nas mentes dos ouvintes a culpa é de quem prega ou ensina, pois certamente, a linguagem não está sendo adequada ao púlpito. Seria muito apropriada para uma sala de aula de um seminário ou faculdade teológica ou freqüente em conversas particulares entre líderes com formação teológica profunda. Mas não para expor as Escrituras a pessoas que nunca ou apenas superficialmente compreendem termos, línguas originais da Bíblia ou conceitos técnicos largamente utilizados na vida acadêmica.

O púlpito ou o ensino da Igreja deve levar em conta a diversidade e pluralidade existente na membresia e até nos convidados e visitantes.

Ser incompreendido em sua comunicação não faz parte da tarefa ou do ofício pastoral.

Você leitor pode estar pensando: acho que ele não é a favor de estudar teologia ou se aperfeiçoar na busca e aquisição de conhecimento bíblico obrigatório a todo pastor e líder cristão.

Digo a você que não somente sou a favor do estudo e da busca do conhecimento bíblico, mas também de outros conhecimentos que podem auxiliar o pastor em sua tarefa de pastorear. Além disso, sou professor de Teologia e para tanto gastei (investi) anos de minha vida nesse sentido e ainda o faço. Admiro quem assim o faz e entendo que nunca podemos como líderes nos considerarmos conhecedores de tudo.

Temos sim que sempre nos aperfeiçoar, estudar mais, conhecer mais, para cumprirmos nossa função pastoral de forma abençoadora e útil ao rebanho.

Portanto, a posição que defendo nesta questão é a seguinte:

Os livros do teólogo devem ficar em sua sala de estudo ou gabinete e que os termos, a menção de nomes de teólogos e de livros, a defesa de linhas teológicas, as posições e convicções formadas de pontos polêmicos que até os teólogos não chegam a um consenso, fiquem para as conversas particulares com aqueles que possuem alguma formação nesta área e desta forma tenham sabedoria e discernimento para entendê-las como opiniões pessoais sobre estas questões.

A preparação do sermão, do estudo bíblico ou  do aconselhamento devem ser tarefas prioritárias. Horas estudando e orando para entender o texto exegeticamente, para interpreta-lo em uma hermenêutica correta, além da busca da excelência na comunicação do sermão são e sempre serão obrigações de um pastor segundo o coração de Deus.
Mas, quando se chega ao púlpito, toda a preparação deve ser direcionada a uma exposição simples e coerente. O ambiente ali é outro. Ali é lugar do ministro de Deus transmitir a vontade de Seu Senhor àqueles que estão sedentos por uma orientação clara e objetiva.
O púlpito não é lugar para “teologizar” como fazemos no ambiente acadêmico, ou seja, de usar a linguagem específica acadêmica que lá utilizamos para debater ou comentar um ponto teológico, muito menos para se comunicar ou transmitir a mensagem a uma congregação em um culto cristão no templo ou em outro local.

O púlpito é lugar para pregar e ensinar o Evangelho de forma simples e objetiva, visando transformar as vidas e moldá-las segundo os princípios e valores revelados por ele.

O conceito é o seguinte: O pastor se prepara e se aperfeiçoa teologicamente através do estudo em seminários/faculdades, submete-se a boa leitura de material relevante e necessário, capacita-se regularmente em cursos e encontros com outros líderes, dedica-se a oração e leitura bíblica e acima de tudo, busca incessantemente a prática daquilo que Deus o ensina através disso tudo. E pra que? Para poder ensinar na Igreja de forma simples, objetiva e compreensível.

Lamentavelmente, muitos pastores teólogos e educadores cristãos ainda não entenderam este conceito.

Alguns recém-formados e empolgados tentam transformar suas igrejas em salas de aula como as que freqüentavam e se decepcionam com as pessoas por não conseguirem acompanhar seus ensinos. Outros simplesmente para demonstrar que possuem conhecimento profundo iniciam seus discursos mencionando nomes de teólogos renomados, livros teológicos e termos estranhos a maioria das pessoas provocando as mais diferentes reações (da indignação a piadas). Outros ainda se sentem felizes em mencionar termos em língua grega ou hebraica para a perplexidade da congregação e o descontentamento de outros que se sentem diminuídos com esta atitude.

O mais alarmante é que alguns desejam transformar a EBD em seminários teológicos, exigindo tarefas e trabalhos como se estes estivessem realizando um curso de bacharel e depois se assustam quando a média de freqüência cai assustadoramente.

Por que será que muitos não vêm mais? pergunta ele.

Ora, por que será, hein?

Vai aqui uma sugestão aos meus amigos pastores e líderes:

A Igreja precisa de pessoas capacitadas que entendam que o Evangelho deve ser exposto para abençoar as vidas em Cristo. O exemplo do Mestre deveria fazer-nos refletir. Mesmo com todo Seu conhecimento, pois é Deus, Sua simplicidade era tamanha que usava as coisas do dia-a-dia, parábolas, a natureza, etc, revelando aos que O ouviam o que ainda não conheciam por meio daquilo que já conheciam.

Voltemos para a simplicidade do Evangelho e deixemos de lado as complexidades, discursos inúteis e filosofias vãs que somente confundem e não clareiam o que é fundamental.

Mencionemos e ilustremos nossos sermões e estudos bíblicos muito mais pelos personagens, circunstâncias e situações já existentes na Bíblia e em nosso dia-adia do que aquelas encontradas em livros e compêndios teológicos. Apliquemos sempre na vida dos ouvintes as orientações e ensinos bíblicos e não fiquemos apenas no nível das idéias, das conjecturas e das divagações.

É a aplicação da Palavra de Deus, enfatizando a mudança de atitudes, que deve ser acentuado após pregarmos ou ensinarmos.

O pensamento que deve povoar a mente de nossos ouvintes não pode ser simplesmente esse: que belo sermão o pastor pregou hoje (porém nada lhe trouxe a percepção de mudança ou de santidade). Nada contra belos sermões, mas o que os ouvintes devem sair pensando é o seguinte: que belo sermão o pastor pregou hoje e através deste sermão Deus falou que preciso mudar isso em minha vida...

Transformação é a palavra-chave.

Desta forma, as pessoas não farão mais a pergunta título deste texto e Deus será glorificado por estarem inseridos em uma igreja que seu pastor prega e ensina a Palavra de Deus ajudando-os a compreender os mistérios do Senhor. Que mesmo com todo conhecimento que o pastor possui, consegue entender as limitações do povo e mesmo com toda bagagem teológica e experiencial que adquiriu, ainda assim é alguém com a sensibilidade e simplicidade para ajudar o rebanho do Senhor na aplicação individual desta Palavra em cada vida pela fiel exposição e aplicação da Bíblia.

Finalmente, o pastor que assim serve a Deus, tem como prioridade as pessoas e não a fama ou notoriedade que possa alcançar com sua formação e pregação.

É um servo com coração de pastor.
Certamente, pode e deve ser chamado de homem de Deus.



Só a Deus a glória!

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