quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Verdadeira Comunhão

As festas de final de ano por mais que muitas sejam desvirtuadas por motivações equivocadas e precipitadas de toda ordem, trazem um sentimento de solidariedade, fraternidade e acima de tudo de reconciliação (mesmo que inconscientemente) que alguns entendem como sendo "comunhão".
Os relacionamentos de amizade, irmandade e familiares são muitas vezes postos em um nível de "tudo está bem" ou ainda "deixemos os problemas pra trás".
De certa forma, essas atitudes são positivas, mesmo que muitas delas sejam realizadas por pressão da data, das festividades e das reuniões quase que "obrigatórias", e mesmo não representando a verdadeira opinião e intenção de todos que ali estão.
Mas, no todo, podem ser considerados bons momentos porque ainda existem e acontecem verdadeiras reconciliações e perdão nestas ocasiões (mesmo que isso a cada dia se torne mais raro).
Porém, há uma confusão no que diz respeito a considerar estes momentos como "comunhão", pelo menos na forma que a Bíblia nos revela.
Comunhão é muito mais que datas e festas. Comunhão é mais que estar juntos por algumas horas ou ainda ter atitudes positivas com relação aos relacionamentos interpessoais existentes para "não estragar a festa".
Um aspecto maravilhoso da comunhão, infelizmente pouco observável nos homens, é a beleza que este relacionamento produz. O compartilhar, auxiliar, socorrer e o companheirismo produzem uma beleza cintilante nos seus movimentos, beleza que irradia sempre, sempre, revelando a manifestação constante da operação de Deus na vida da obra criada, num movimento recíproco.
Mencionando alguns exemplos bíblicos, o relato das Escrituras nos mostram que no princípio, no momento da criação, era real a comunhão entre Deus Pai, Deus Filho e o Espírito Santo que se movia sobre a face das águas (Gn. 1:1,2). A Comunhão, a comunicação, o compartilhar da realeza Divina, é maravilhosa, é cordial, é reconhecedora das potencialidades uns dos outros, ela promove o outro, ela reconhece o outro. Esta idéia é encontrada em Gen. 1:26: "Façamos o homem a nossa imagem e semelhança..." e mais, em Gen. 2:18: "(...)não é bom que o homem esteja só: Façamos-lhe um adjuntório semelhante a ele".
Perceba que o nome e o pronome nos mostram o reconhecimento do outro.
Ainda Mateus e Lucas nos mostram a beleza da comunhão, da comunicação e do compartilhar da Trindade Santa nos textos de Mateus 3:16,17 e Lucas 3:21,22 onde há o registro do batismo de Jesus. Já João registrou essa beleza no respeito e carinho demonstrados em João 14: 16,17 e 26 no registro das três pessoas da Trindade trabalhando em total harmonia.
Observe que a comunhão da Trindade é produtiva. É uma bela produção de justiça, de proteção, de consolo, de ânimo, de respeito, de reconhecimento de capacidade e potencialidades, de valorização da outra pessoa. E nesse movimento de produção, posto que a comunhão não pode ser estática, percebemos a geração de uma beleza, que nos ensina a cordialidade que procura envolver no suprimento da necessidade do outro, mais do que querer apenas o suprimento de sua própria necessidade.
É inconcebível um Deus estático, uma administração estática, uma comunicação estática, um compartilhar estático.
O movimento produzido pela verdadeira comunhão produz uma beleza cintilante, e nesse movimento é possível ver o relacionamento Deus/homem, o movimento de Deus em direção ao homem, o movimento ordenado, comunicador, auxiliador, gerando em cada ato, o vislumbre de um colorido sem igual. De uma beleza que é rica em detalhes.
No diálogo de Deus com Adão após sua queda: "Adão, onde estás?" e ainda com Caim depois de ter matado seu irmão Abel, observamos que o Deus eterno está sempre disposto a comunicar-se livremente com o homem, auxiliando-o no sentido de este poder viver da melhor maneira possível, da maneira correta. Isto é beleza!!!
Veja a comunicação de Deus com Abraão. Veja a riqueza dos movimentos, o colorido, o brilho vivo desta comunicação. A comunicação redentora, resgatadora!
Tudo isso demonstra que o homem que está afastado de Deus pode voltar a comunhão, à comunicação com o Deus eterno.
E nesta comunicação, neste movimento, neste auxílio que Deus se faz homem para, vivendo como homem, salvar este mesmo homem conforme o relato de João 1:1-14.
Entretanto, essa comunicação não pode ser um monólogo. Ela tem de ser um diálogo. Já disse que a comunicação não pode ser estática, o homem tem de estar ativo também nesta situação.
E quando então ocorre essa comunicação de forma eficaz e este homem passa de simples coisa criada para um filho, isso indica e deduz-se um auxílio, compartilhamento, socorro, companheirismo, sociedade, cumplicidade, cooperação, enfim, comunhão constante e bem íntima. Este é o relacionamento Deus/homem e também homem/Deus.
É esta beleza de movimentos que atrai, fascina, que vislumbra, e mostra e prova para o homem que ele não pode ficar parado, que não há lugar para estar isolado e solitário, pois a geração da comunicação e compartilhamento são características inerentes e implícitas a esse relacionamento. É próprio do relacionamento Deus/homem e vice-versa.
Já quando observamos o relacionamento homem/homem salvo na visão bíblica, temos obrigatoriamente que levar em consideração os mesmos parâmetros do relacionamento ensinado por Deus e que Ele próprio se aplica e pratica.
Se, como expus, a comunhão da Trindade é produtiva, assim também deve ser a dos filhos de Deus. Conforme o padrão de Deus, a comunhão entre irmãos espiritualmente vinculados pelos Espírito, deve diluir a maldição para que a bênção seja completa. A comunicação, o compartilhar, o socorro, o auxílio e o companheirismo são necessários.
Faça uma análise de sua vida segundo o capítulo 4 de 1 João e entenda a partir daí a relevância da questão. É bem mais séria do que alguns imaginam.
O fundamental é que existe sim a possibilidade de haver este relacionamento, desta comunicação, deste compartilhar, deste socorro, deste auxílio, deste companheirismo, enfim, desta comunhão.
A Bíblia nos mostra vários exemplos dessa magnífica, maravilhosa comunhão homem/homem. Permita-me lembra-lo de alguns: Moisés e Josué, Josué e Calebe, Abraão e Eliezer, Davi e Jonatas, Elias e Elizeu, Paulo e Timóteo. Exemplos que revelam homens companheiros, que se socorriam e se auxiliavam. E o livro de Cantares ainda nos mostra a profunda comunhão entre o marido e a esposa ou noivo e noiva no contexto bíblico.
Um texto quase que oficial sobre o assunto e no contexto da Igreja é o de Atos 2: 42-47, confirmando o que já foi dito.
Poderia escrever mais ainda destes relacionamentos maravilhosos que a Bíblia nos mostra, seguindo esse colorido, belo, rico, de movimentos recíprocos, de movimentos que precisamos cultivar em nossos lares e em nossas igrejas.
A comunhão é produtiva e diria, produtora. Procura suprir a necessidade que o outro tem. A comunhão produz respeito, reconhecimento, cordialidade, ela valoriza o outro. Ela denuncia o erro, ela denuncia a injustiça, ela denuncia o orgulho, ela denuncia a opressão, o despotismo, a violência, ela desmascara o erro e coloca-o ao vivo. É a beleza de um movimento iniciado por Deus, mediado por Jesus Cristo e continuado pelo homem sob o domínio do Espírito Santo, para que todos sejam um. É nesse sentido que o Senhor Jesus Cristo orou ao Pai, a favor dos seus discípulos em João 17.
Todo esse movimento maravilhoso da comunhão nos dirige para a beleza explosiva de uma apoteose final, que não demorará, e nós, os remidos pelo Senhor Jesus vamos ver, e não somente ver, mas também estaremos lá.
A comunhão plena, completa, eterna e gloriosa.
Isso é o que nos aguarda. Essa é a consequência da comunhão Deus/homem, homem/Deus e homem/homem salvo conforme a revelação das Escrituras.
É bem mais profunda que simplesmente participarmos de um momento festivo ou de datas comemorativas juntos.
Bom seria se o bom sentimento, pensamento e atitudes advindas de motivações honestas e santas pautassem e regrassem todos nossos dias e não somente nessas ocasiões.
Somos livres para termos essa postura.
Sejamos um em Cristo. Sigamos e busquemos essa verdadeira comunhão.
Produzamos suas doces e santas consequências.
Libertas Quae Será Tamém.
Liberdade é o produto final da comunhão.
Glórias ao nosso Deus Pai.
Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que nos enviou o Espírito Santo!
Aleluia!  Amém!


Pr. Magdiel G Anselmo.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Que venha 2011...

Lá se vai mais um ano...
Planos, empreendimentos, projetos, conquistas, decepções, realizações, conflitos, alegrias, tristezas ...vida que passou e não volta mais...
Enfim, lá se vai mais um ano de lutas e expectativas de toda ordem.
Alguns dirão: Consegui alcançar grande parte de meus objetivos e metas.
Já outros não foram tão felizes como estes.
Outros se despediram de nós e já não entrarão em um novo ano aqui conosco. Já não há para estes expectativas e planos nesse mundo, somente o juízo os aguarda.
O interessante é que o prenúncio de um ano novo sempre traz a boa expectativa de não errarmos onde erramos e de continuarmos a acertar onde acertamos. Renova-se em nós a esperança e confiança de coisas novas e tudo parece-nos que enfim, pode dar certo.
A Palavra de Deus nos alerta: "melhor é o fim do que o começo..."
Essa verdade nos adverte para terminarmos bem, para não desistirmos, prosseguirmos para o alvo...
Sempre, com fé renovada, sempre crendo que coisas melhores estão guardadas para nós em Cristo.
Desta forma, tal qual 2010, em 2011 "arregaçaremos as mangas" e continuaremos no trabalho que não é vão, assegura-nos nosso Senhor. O suor não cessará de nos ensopar a camisa, a gravata muitas vezes parecerá uma forca a nos sufocar, o cansaço às vezes chegará como bandido, mas aprendemos a descansar no Senhor, a dor e o sofrimento são previsíveis e companheiras indesejadas e indesejáveis de horas difíceis, mas não nos assustam mais como antes, já as conhecemos muito bem.
As lágrimas serão inevitáveis, o grito surdo continuará, muitas vezes, em nossa garganta, porém cada lágrima derramada se transformará em palavras de oração na presença de nosso Deus e Ele as escutará atentamente como o fez no ano que está terminando..
Nossos cabelos vão ficando brancos ou "fogem" de nossas cabeças como que amedrontados com o labor e as preocupações. Mas, a cada dia nos acostumamos com nosso novo visual e com as mudanças em nosso corpo. O vigor já não é o mesmo, a empolgação nem se fala. Mas, a responsabilidade aumentou e nosso discernimento e reflexão estão mais aguçadas. É... ficamos mais sábios com o tempo (pelo menos a maioria de nós).
Uma voz ecoa em nossa alma: A luta continua! O serviço não acabou! A seara ainda é muito grande!
Percebemos que há muitos ainda que precisam ouvir o Evangelho de Cristo. O amor de Deus ainda precisa ser comunicado a este mundo tão apodrecido e corrompido pelo pecado.
Muitos não nos entenderão, alguns sequer nos ouvirão. Seremos muitas vezes ofendidos, caluniados, injuriados... Mas, alegremente participamos de todas essas coisas com a firme certeza de que Deus está conosco, Ele é Emanuel. Aprendemos que com Ele podemos todas as coisas, pois nos fortalece e quando somos fracos é que somos fortes. A graça de Deus nos basta.
Nesse ano que iniciará dentre poucos dias, teremos muitas alegrias e realizações. Veremos muitos se dobrarem aos pés de Cristo. O Senhor nosso Deus continuará reinando, soberano e Todo-Poderoso.
Mas, também padeceremos aflições, perseguições e tribulações.
É a vida. É a doce vida de um filho de Deus.
Os problemas mudam assim como os filhos crescem. É inevitável.
Entre os perus, pernis e chesters das festas de fim de ano, um pensamento nos transportará para o futuro e nos alertará para o trabalho ardúo de mais um ano que iniciará. Desfrutemos, então desses momentos de comunhão e confraternização como que recarregando nossas baterias para o que vira a seguir.
Um amigo me disse: É hora de curtir, pastor. Aproveita que é só no fim do ano, hein.
Ele não deixa de ter razão.
Mas no final de tudo, todo lágrima será enxugada e todo pranto findará.
Deus nos garante essa vitória! 
Avante Igreja!  Avante com e por Cristo!
Venha 2011. Estamos preparados para você.


Pr. Magdiel G Anselmo.






quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Lição Prática sobre Paciência

Em minha adolescência e juventude sempre fui muito "bravo", "briguento". Não admitia que ninguém me contestasse ou me afrontasse.
Era irredutível em minhas posições e até "ignorante" com os opositores.
A minha velha vida foi repleta de situações e circunstâncias onde "perdia a cabeça" e resolvia meus problemas e conflitos com aspereza e falta de compreensão com as pessoas.
Fui muito rebelde. Mesmo sendo filho de pais crentes, sai de casa. Não aceitava intromissão ou que alguém me dissesse o que fazer.
Meu lema era: "Pisou no meu calo, eu piso no pé todo!"
O tempo passou, fiquei adulto, me reconcilei com o Senhor, entendi o chamado e a vocação para o ministério pastoral, casei, tive filhos, ...
O meu jeito "durão" do passado havia mudado. Mas, ainda algumas coisas me irritava profundamente e por vezes me tirava a paz. Pedia a Deus com insistência para me transformar nessa área e me fazer mais paciente com as situações e as pessoas.
Buscando entender mais isso, passei a estudar biblicamente como ser paciente, sábio, etc...
E nesse contexto preparei, iluminado pelo Espírito Santo, sermão após sermão sobre essa questão. E é aí que um momento marcante de minha vida ocorreu.
Em um domingo desses após pregar um sermão que tinha como tema central "A paciência, irmã gêmea da sabedoria", caminhava pelo vão central da igreja rumo a porta de entrada para assim me posicionar para cumprimentar os irmãos. De repente, um homem veio apressadamente em minha direção com o dedo em riste e bradou:
- Quem você pensa que é pra falar daquele jeito? Você não passa de um moleque de recados de alguém que lhe falou sobre a minha vida particular.
Pego de surpresa com aquela atitude fiquei sem ação e não entendia o que aquele senhor queria de mim. Mas, ele continuava a gritar e me questionar sobre o que falei.
Em certo momento, e agora já mais no controle da situação, respondi que não sabia do que ele falava e se algo na mensagem o incomodou é porque certamente Deus o estava alertando para algo em sua vida que precisava mudar.
Foi a gota d'água para aquele homem ouvir isso e então veio de forma agressiva em minha direção, encostando o dedo em meu rosto e gritando palavras de baixo calão e ofensas de todo tipo, demonstrando que pretendia chegar "as vias de fato".
Por um instante, observei com mais clareza aquela figura: Era um homem pequeno, muito magro e que parecia-me adoentado e se movia com certa dificuldade. Não suportaria um confronto físico com qualquer pessoa. Certamente seria a parte derrotada.
Em minha velha vida, não suportaria metade das coisas que me falou e não ficaria me ofendendo por muito tempo sem que eu fechasse a sua boca de forma violenta. Como já disse, quando não conhecia o Senhor Jesus, eu me gabava em afirmar sempre que não levava desaforo pra casa e que não era simpatizante dos que "engolem sapos".
Em um instante, minha mão quase que obedeceu as ordens do passado. Como num relance lembrei de situações semelhantes da minha "velha vida". O temperamento explosivo, intempestivo desejou aflorar.  
Mas, mesmo em meio àquela situação, consegui submeter meu temperamento e desejos carnais ao controle do Espírito. Não foi fácil, mas consegui.
Me senti o próprio David Banner no filme do Incrível Hulk. Mas, consegui controlar a transformação para o monstro verde e sua fúria incontrolada.
O interessante e curioso é que continuo ainda hoje a ter o mesmo temperamento de antes, ainda a carne vez por outra, tenta sobrepujar o espírito. Mas, aprendi a contar agora com o controle do Espírito Santo, que me proporciona escapes nesses momentos de "fúria", antes incontida.
Foi justamente o que aconteceu neste episódio.
Usando a autoridade e sabedoria dadas por Deus pude discernir a situação e o espírito que agia naquele senhor. Após essa atitude e com mais calma, ele pode ouvir minhas palavras e apaziguado seu coração pelo poder convencedor do Espírito, dobrou-se aos pés de Cristo em oração sincera e lágrimas. 
Os que presenciaram tal acontecimento tiveram suas vidas renovadas e edificadas. Percebia-se nitidamente o mover do Espírito e o culto que havia acabado se prolongou por quase mais uma hora.
Aprendi muito. Após o susto, a surpresa, o constrangimento das ofensas dirigidas a mim, pude entender melhor o agir de Deus, nos possibilitando o discernimento espiritual para nos portarmos com sabedoria e unção.
Depois daqueles momentos abençoados e ao levar aquele, agora irmão, para sua casa, o próprio me confessou ainda no carro:
- Pastor, o senhor pregou primeiro na teoria sobre paciência e depois na prática.
Depois em minha casa e conversando com minha esposa sobre tudo que aconteceu, ela sabiamente comentou: Tomara que da próxima vez, Deus não seja tão duro e contundente contigo na prática do que você prega!
É verdade, Senhor. Já aprendi a ser paciente, viu? Aprendi a lição! Obrigado!
Já tá bom. Ufa...

Pr. Magdiel G Anselmo. 



sábado, 4 de dezembro de 2010

O Bom exemplo do filho da consolação.


Uma das inúmeras particularidades que me chama a atenção na Bíblia, é que o Senhor não deixou-nos registrado apenas os bons exemplos dos homens e mulheres de Deus. Temos também o registro dos maus exemplos, dos erros e equívocos ocorridos. É óbvio que isto serve para que não repitamos os erros de nossos irmãos do passado.
Lembrei disso nesses dias quando lia e meditava na Palavra de Deus. Deparei-me novamente com o texto de Atos 15: 36-41, quando Paulo se separa de Barnabé após uma desavença por causa de João Marcos.
Naquela ocasião, Paulo se negou a levá-lo na segunda viagem missionária pois este os havia abandonado na primeira, e resolveu levar consigo Silas, enquanto Barnabé não se incomodou em novamente ir com Marcos.
Quando aqui meditava lembrei o perfil de Barnabé, que era chamado de “filho da consolação” por Lucas. Este homem era marcado pela bondade, sabedoria, percepção espiritual e grande respeito, a ponto de convencer os principais apóstolos da autenticidade da conversão de Paulo (Atos 9:27) e reconhecer a situação da obra de Deus junto aos gentios em Antioquia (Atos 11:19). Era um homem de profundo discernimento espiritual e acima de tudo de expressão do amor e perdão de Deus.
A sua insistência em levar na segunda viagem missionária a João Marcos demonstra essa tendência em acreditar na restauração das pessoas e conseqüentemente na integração do restaurado no que tange a comunhão e conseqüente serviço na obra de Deus.
Paulo já não teve essa mesma atitude, esquecendo inclusive que Barnabé acreditando no que dizia, levou-o aos apóstolos contando o que havia acontecido na estrada que ia a Damasco e como Deus o estava usando para a pregação do Evangelho, e ainda o apoiou e acompanhou em Jerusalém no início de seu ministério apostólico. E fez isso quando ninguém acreditava ou pelo menos quando havia muita dúvida da conversão do então Saulo ao Evangelho de Cristo. Barnabé confirmava com isso o apelido que Lucas lhe dava: “filho da consolação”.
Essa atitude de Barnabé, assim como naquela época, é difícil de se encontrar em nossos dias, já a de Paulo muito se vê na vida da irmandade cristã atual. A implacabilidade com o erro de irmãos permeia a maioria das estruturas eclesiásticas e diria mais, a maioria da estrutura individual dos então cristãos de nossa época. Muitas vezes queremos ser mais implacáveis que Deus.
Aqui recordei-me de uma conversa que tive com um irmão quando comentávamos a vida do profeta Jonas e sua derrocada indo parar no ventre do grande peixe. Nesse ponto esse irmão declarou com contundência:
- Bem feito, quem manda ser rebelde!

E mesmo com minhas advertências, continuava a afirmar:
- Que isso pastor? Deus pesa a mão. E isso é bom. É um rebelde a menos em nosso meio!

Lembrei a ele que mesmo Jonas estando naquele momento como um rebelde e desobediente, orou arrependido lá no ventre do grande peixe e o mais surpreendente, é que Deus ouviu sua oração. E mais, de pronto Deus restaurou sua vida e ministério profético. Nem Jonas conseguiu assimilar esse milagre completamente, pois mesmo depois da salvação de muitos naquela cidade, ainda assim ele não desejava isso. Mas Deus o havia perdoado e restaurado, e mais uma vez o repreendeu e ensinou.

Nosso Deus sempre busca restaurar.

Muitos como esse meu irmão, pensam como ele e se juntam aos acusadores contra irmãos da mesma fé sem contudo, observar as orientações e critérios bíblicos para a correção e disciplina já revelados na Palavra.
Um texto que considero perfeito para este ponto é o de 2 Samuel 24: 13,14. Davi havia pecado e Deus manda que escolhesse o castigo que viria sobre ele e o povo. Em suma, Deus deu a ele duas opções: cair nas mãos dos homens (seus inimigos) ou nas mãos de Deus. E a resposta de Davi muito nos clareia a questão que estou abordando:

“Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do Senhor, porque muitas são as suas misericórdias; mas, nas mãos dos homens não caia eu.”

Davi sabia que os homens não são misericordiosos. E se você continuar a ler o restante do capítulo verá que Deus poupou Jerusalém, perdoou Davi e cessou a praga sobre Israel após o oferecimento de sacrifícios e holocaustos.

Deus é misericordioso com os arrependidos.

Outro texto que é interessante mencionar é o de Atos 9: 10-16. Lá encontramos a visita de Ananias, logo após o impactante encontro de Paulo com o Senhor na estrada que ia a Damasco. Paulo, aqui ainda Saulo, foi levado, totalmente dependente de outras pessoas (pois estava cego) a cidade e na casa de um homem chamado Judas (não o Iscariotes), orava. Certamente, uma oração de busca por entender o que acontecia e de reconhecimento dos erros e pecados que havia cometido em sua vida de fariseu zeloso pela lei.
O detalhe é o diálogo de Deus com Ananias. Deus ordena que ele vá até Paulo para orar por ele, impor as mãos e curá-lo. E ainda revelar-lhe o propósito de Deus para sua vida.
Mas, Ananias, assim como muitos (inclusive o próprio Paulo no episódio com Barnabé) somente enxerga os erros e pecados do fariseu Saulo e por um momento questiona a ordem de Deus (vs. 13,14). Era como se dissesse: - O Senhor não se enganou? É este mesmo o homem que tenho que abençoar em Teu nome? Este homem não “presta”. É um rebelde, só atrapalha a obra de Deus!

Deus então tem que repreendê-lo: - Vai... (vs. 15).
É como se Deus ordenasse: - Sou Eu que estou mandando.
Uma repreensão muito parecida com a que impôs a Josué:
“Não to mandei eu?...” (Josué 1: 9).

Em todas essas situações vemos a diferença da forma de Deus agir e a forma como na grande maioria das vezes os homens agem. A exceção fica com Barnabé.
O que podemos entender disso é que nosso Senhor tem um cuidado todo especial com a restauração e reconstrução da vida daqueles que erram, pecam, desfalecem na fé e caem.
A busca de Deus com relação à ovelha que se perdeu visa sempre em primeiro lugar trazer a pessoa ao entendimento de seus erros, reconhecimento dos seus pecados e por fim ao arrependimento. Nunca essa busca deve ser contaminada com a acusação, condenação ou exclusão. Ela não deixa de ser ovelha. As parábolas da ovelha perdida e do filho pródigo revelam claramente essa situação.
Essa lição que nos é aplicada pela Bíblia deveria fazer-nos repensar e refletir sobre a forma como agimos com aqueles nossos irmãos que cometem erros e pecados. Mesmo aqueles que sem temor ou sabedoria disseminam em nosso meio ensinos estranhos e prejudicais ao Evangelho (heresias). Não podemos confundir a apologética (defesa da fé cristã) com ataques a pessoas. Devemos sim atacar os ensinos propagados por estes, isso é apologética. A ofensa pessoal, o constrangimento desnecessário e a falta de sabedoria na defesa da fé cristã cria e promove mais problemas e acrescenta mais dores a uma situação que já é, por si mesmo, sofrida e delicada. Nunca é demais lembrar que a Bíblia afirma que nossa luta não é contra a carne.
Vejo, inclusive pela internet, muitos irmãos que na justificativa de pregar o Evangelho acabam propagando pecados de outros irmãos, apenas com a intenção que fica evidente, de simplesmente apontar o erro, sem contudo, ter o cuidado da opção de restauração para estas pessoas. Alguns, deixam transparecer um prazer e uma alegria quase mórbida ao apontar os pecados de irmãos e grupos reconhecidamente evangélicos. Mesmo com relação às seitas, devemos saber usar com sabedoria nossas palavras, temperá-las, medi-las com nosso manual e regra de fé e prática, a Bíblia (Efésios 5:1-21).
É com tristeza que vejo muitas postagens e comentários trazendo palavras torpes (palavrões) e termos inconvenientes (ofensas), além de vídeos que menosprezam e ridicularizam o meio evangélico e o culto cristão. Não vejo graça nisso. Vejo muita falta de sabedoria e discernimento.
Um pastor amigo meu certa vez disse: “É como ridicularizar nossa própria família.”

Repito, isso não é apologética.

Uma leitura cuidadosa de Efésios 4: 25-32 é aconselhável a todos nós nesta questão.
Não há humor em apontar erros e distorções. Não há prazer em advertir um irmão. Não há alegria em repreender.
Estas atitudes são necessárias, porém, sempre levando em conta as orientações bíblicas para a correção e disciplina de um irmão em Cristo (Mateus 18: 15-17; 2 Tm. 3: 14,15; Gál. 2:11-14; Mc. 8:33). Não vou detalhar estes textos aqui, porém uma leitura cuidadosa é essencial e a prática fundamental (convido-o a fazer isso). E não encontro nestas orientações humor, alegria ou prazer. Vejo seriedade, responsabilidade e temor a Deus quando somos instrumentos do Senhor para fazer isso.
A Bíblia diz que quando um filho de Deus peca, entristece o Espírito Santo (Efésios 4:30). Então por que eu deveria ficar feliz ou sentir prazer em apontar seu erro?
Ao invés de restauração, vemos acusação. Ao invés do ensino do caminho do arrependimento, vemos a condenação. Ao invés da edificação vemos a destruição do caminho de volta.
Lembro aqui um alerta feito a minha turma quando cursava o bacharel em Teologia pelo meu professor de Teologia Sistemática: - Cuidado com a síndrome apologética!
Na época eu não concordei. Estava muito empolgado em apontar erros das seitas e grupos pseudo-cristãos. Hoje, entendo o que ele quis nos ensinar.
A apologética (a boa apologética) não deve estar desvinculada do amor e perdão de Deus.
A defesa da fé cristã não pode se transformar no ataque ao pecador perdido e muito menos ao irmão caído. A apologética deve fazer o papel de remédio, não de veneno.
Amorosamente advirto aos que assim procedem para que revejam suas posturas e retornem a essência do Evangelho de Cristo, o amor, e a missão prioritária da Igreja, pregar as boas novas de salvação.
Meu amigo leitor, menos precipitação e mais sabedoria e reflexão bíblica é o que devem guiar nossa vida.
Retornando ao caso de Paulo e Barnabé, podemos entender que o apóstolo aos gentios aprendeu a lição, pois já quase no final de seu ministério, manda chamar João Marcos afirmando que era útil ao seu ministério (2 Timóteo 4:11), mostrando que os dois cresceram em maturidade e o bom relacionamento entre os dois foi restaurado e as atitudes do passado perdoadas.

Penso humildemente, que em nossos dias não precisamos de menos “Paulos”, eles são extremamente necessários, mas certamente precisamos urgentemente de mais “Barnabés”.


Pr. Magdiel G Anselmo.








quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Discernimento, esta é a palavra de ordem!




"Estou plenamente certo de que aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus"

Filipenses 1: 6.



A doutrina da salvação (Soteriologia) possui vários aspectos. Entre eles há a regeneração. Claro que não quero aqui escrever um compêndio teológico sobre tal questão, porém desejo trazer alguns argumentos que tem-me feito refletir já há algum tempo.
A forma como administramos nossa vida cristã e até mesmo como e o que pregamos, ensinamos e aconselhamos, como é o caso de pastores, pregadores e ensinadores da Palavra, demonstra como pensamos e entendemos sobre o assunto aqui proposto.
E muito mais, demonstra como tratamos as pessoas e as questões particulares e também as coisas da e na Igreja. 
Vejamos... 
A regeneração é prometida por Deus àqueles que receberam do Senhor tão grande salvação em Cristo Jesus. Deus promete que a obra que começou, será continuada.
A justificação, adoção e regeneração são realizadas no momento em que o pecador, ciente por obra do convencimento do Espirito, de sua situação de condenado ao inferno, arrepende-se de seus pecados, cre que somente Jesus Cristo pode salva-lo e confessa-O como seu único Salvador e promete segui-lo e servi-lo para sempre. A Partir daí, o processo de santificação se inicia. A obra uma vez iniciada não para.
Porém, já houve a transformação inicial. Já existe uma nova criatura. O espírito do pecador já foi vivificado por obra do Espírito Santo. Ele já passou a entender as coisas espirituais. Já não é mais "homem natural".
A sua mente e os seus sentimentos foram impactados pela operação poderosa e transformadora da Palavra de Deus e agora tem como "Mestre" e "Consolador" o Espírito Santo em todos os momentos de sua existência.
O aprendizado tem sequência e o agora salvo passa a cada dia conhecer mais seu Deus e Sua vontade.
O próprio Senhor afirma em Sua Palavra que ninguém mais os condenará, que não há acusação contra estes e por fim que ninguém os arrebatará de Suas mãos. São agora "propriedade exclusiva do Senhor".

Esta é a revelação de Deus sobre o assunto.
Mas a realidade da nossa irmandade não reflete isso. Alguns diriam: O ideal não é o real. Bom provérbio, porém quando se refere ao que Deus afirmou não funciona. O que Deus diz que acontecerá, tem que ocorrer, senão Ele não seria Deus.
Alguns questionamentos então povoam a mente de muitos:

Como pode então alguém que foi alcançado por essa salvação, não demonstrar frutos de arrependimento em sua vida (conduta, comportamento, conceitos e postura)? Não demonstrar o fruto do Espírito? Como pode não mudar sua forma de ver as coisas e de se pronunciar diante das diversas situações, dilemas e circunstâncias da vida?
Será que "uma nova criatura" continua com os mesmos métodos e procedimentos de sua velha vida e mesmo com o passar do tempo nada muda?
Será que estamos entendendo a salvação como algo superficial e a confirmamos quando alguém faz parte de uma denominação ou se "enturma" com os demais crentes?
Será que quando criticamos a Igreja, afirmando que ela está em decadência ou contaminada, não estamos confundindo a Igreja com algo que não é ela?
Será que não estamos confundindo e misturando os salvos com os não salvos em nossos discursos e argumentações apologéticas?
Ou será que o que Deus afirma sobre a obra que opera em cada um daqueles verdadeiramente salvos não nos traz convicção e certeza para corroborarmos com Ele?
Será que a realidade do convívio com os joios não tem cegado nossos olhos espirituais para enxergar que o próprio Deus é quem justifica Sua Igreja? E que ela continua sendo para Ele "a menina de Seus olhos"?
E por fim, não pode ser uma estratégia demoníaca, gastarmos tanto tempo e energia, propagando os problemas, defeitos, escândalos e contendas de pessoas nas igrejas ao invés de ressaltarmos e acentuarmos que Jesus virá buscar Sua Igreja? Não a pseudo-igreja, mas a verdadeira e pura Igreja que mesmo com todas os ataques externos e internos será arrebatada às nuvens e glorificada pelo Senhor.
Os falsos crentes não serão enviados de satanás para trazer transtornos e perturbações e para que mesmo os verdadeiros crentes generalizem a Igreja como sendo um ajuntamento de pessoas sem escrupulos ou caráter?
Será que quando nos atacamos, não nos juntamos as fileiras do mal?

Precisamos entender, de uma vez por todas, que a obra que Deus inicia em uma pessoa irá continuar. Frutos virão. E se não vierem, porque não houve verdadeira conversão. E, sendo assim, não é este, participante da Igreja de Cristo e não podemos contar os outros  com eles.

A falsa igreja existe e esta aí para enganar e perturbar os "santos".
A verdadeira Igreja existe e, mesmo expressa em diversos grupos ao redor do planeta, está aí trabalhando, servindo a seu Senhor (pregando, ensinando, evangelizando, adorando...)
A diferença entre elas é que uma segue olhando para Jesus e não para as tempestades, enquanto a outra tenta fazer-nos olhar para o mar bravio e os fortes ventos, tentando a todo custo que afundemos.
Tenhamos discernimento para distinguir entre uma e outra. 




Pr. Magdiel G Anselmo.

domingo, 21 de novembro de 2010

O Maior Hospital do Mundo, a Igreja.

“Então lhe ofereceu Levi um grande banquete em sua casa, e numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa. Os fariseus e seus escribas murmuravam contra os discípulos de Jesus, perguntando: Por que comeis e bebeis com os publicanos e pecadores?
Respondeu-lhes Jesus: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. “Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.”

Lucas 5: 29-32.

Este texto bíblico chama-nos a atenção para duas prioridades que o Senhor Jesus tinha e tem com relação à raça humana.
A primeira é a sua preocupação com ela. Ele sabe que ela está “doente”, corrompida pelo pecado e separada de Deus. Por isso, Ele deixa claro aos religiosos da época essa sua preocupação, afirmando que veio para aqueles que estão doentes e não para os justos, ou pelo menos não para aqueles que se consideram justos e que não precisam de Deus (mesmo entendendo que estes também necessitam).
A sua segunda prioridade é ir até onde estão os doentes, os pecadores. Ele foi até eles. Mesmo sendo estes considerados os piores pecadores, o Senhor Jesus foi e se sentou a mesa com eles. Por isso, era considerado “amigo dos pecadores” (apelido lindo e adequado para o Cristo de Deus).
O Senhor Jesus não somente se preocupava com os pecadores, os doentes. Ele efetivamente colocava em prática essa preocupação indo onde eles estavam para assim levar a cura para a enfermidade da qual padeciam.
A Igreja deve seguir e cumprir também estas prioridades e este ensino do seu Senhor.
Quando meditava nesse texto, veio a minha mente uma analogia que considero interessante. O Senhor Jesus usou termos como “doentes” e “médico”. Isso nos lembra locais onde essas pessoas costumam estar com freqüência, os hospitais.
E mesmo entendendo que a Igreja de Cristo é ligada espiritualmente pelo vínculo do Espírito e pela Palavra, tornando-a uma só Igreja composta dos salvos em todas as épocas e lugares, também entendo que a sua organização neste mundo se dá pelas várias congregações, grupos e comunidades que se reúnem em locais específicos (igrejas locais) para como corpo (juntos) prestar culto ao seu Senhor e servir a Ele e uns aos outros e não pelo isolamento de seus membros ou de seu trabalho solitário.
E quando comparamos essa Igreja a um grande hospital, o entendimento é similar. Seria como uma rede de hospitais, cada um alcançando uma região. Todos estes hospitais locais vinculados, formando um imenso hospital. Todos tendo um mesmo dono e proprietário.
Sendo assim, imagine agora esses hospitais locais, todos muito bem aparelhados e estruturados para bem atender doentes (pacientes). Equipados com a última tecnologia existente, com uma organização e administração modelo e um pessoal vocacionado e treinado para receber, atender e tratar pessoas com enfermidades e males de todos os tipos. Uma recepção cordial, amável e preocupada em atender adequadamente essas pessoas. Estacionamento amplo para os acompanhantes, visitantes e pacientes (doentes) e ainda dependências muito bem planejadas para suportar as exigências de vários tipos de tratamentos e especialidades.
Você diria que se trata de uma utopia, ou quem sabe de um exemplo em termos de hospital. Mas, imagine que esses hospitais existam, mas que tivessem atendido doentes somente durante um período após sua fundação e que não houvesse mais pacientes (doentes) sendo atendidos ou tratados. O que você diria desses hospitais exemplos ou modelos?
Certamente, ele não estariam cumprindo os objetivos para que foram criados. Não estariam cumprindo a missão para que foram construídos e planejados.
Por melhor que fosse sua infra-estrutura, seu preparo, a capacidade e conhecimento do seu pessoal, não serviriam para aquilo que seria o básico, ou seja, ser um local de atendimento, tratamento e recuperação de pessoas enfermas, feridas e machucadas.
Após expor isso e voltando ao texto, sabemos que quando o Senhor Jesus ensinava, tinha em mente, não somente os discípulos de sua época, mas todos os que viriam. Ele ensinava e dava o exemplo para Sua Igreja, para seus seguidores, para os cristãos.
Portanto, levando em consideração os termos “doentes” e “médico” usados por nosso Senhor, podemos entender a Igreja como um grande hospital.
E nessa grande rede espiritual de hospitais locais que é a Igreja, devemos viver estas prioridades ensinadas por Cristo, ou seja, a preocupação com os doentes e a busca por eles efetivamente.
Novamente, pensando literalmente em um hospital, vemos que existem ambulâncias. Veículos usados para ir até onde estão pessoas doentes, machucadas e que necessitam serem tratadas e trazidas ao hospital com certa urgência. São nas ambulâncias que os primeiros socorros são dados. E depois de estabilizados, são trazidos para receber atendimento mais aprofundado, criterioso e serem observados com mais calma.
O grande hospital-Igreja também deve ter essa função. Ir até onde estão os doentes e lá dar os primeiros cuidados e socorros. Isto é o que o Senhor Jesus nos declara em Marcos 16:16. Ir ou indo até onde estão os que precisam. Esta é grande comissão. Isto faz parte da missão desse grande hospital chamado Igreja.
Podemos entender essas ambulâncias de forma espiritual, como os braços e pernas da Igreja. É o evangelismo pessoal atuando onde convivemos e estamos. A ambulância espiritual alcançando o colega de trabalho, de escola, de faculdade. Pode ser indo até nosso vizinho, nosso parente. Pode ser na fila do banco, no ponto de ônibus, enfim, onde estivermos, podemos ser as ambulâncias desse grande hospital, levando os primeiros cuidados, socorros aos doentes sem Deus, espalhados por esse mundo.
Mas, também existem os que chegam por conta própria, (se bem que entendo que é Deus que os move para a Igreja), e que devem ser acolhidos por esse hospital espiritual, pela comunidade cristã. Aqui vale também o ensino de Cristo, pois temos que recebê-los e encaminhá-los aos diversos setores, alas, especialidades (ministérios) desse grande hospital (1 Cor. 12; Efésios 4).
O interessante é que assim como em um hospital que possui pessoas designadas e destacadas para várias especialidades, funções e serviços, na Igreja também existem uma diversidade e variedade de dons, talentos, funções e serviços (ministérios), revelando a importância que Deus dá ao trabalho em equipe e a participação de todos os crentes na vida da Igreja. Todos têm funções e serviços a realizar.

Veja como existem muitas semelhanças entre a Igreja e um hospital:

A Maternidade: Nos melhores hospitais sempre existe a maternidade. É ali que nascem os bebês. É onde ocorrem os partos. Na Igreja também isso deve ser uma constante (João 3:7). Os novos nascimentos devem ocorrer. Igreja que não vive a experiência de ter nascimentos, onde não se tem bebês espirituais, está em processo de estagnação, de decadência espiritual.
Mas, assim como em um hospital existem aqueles que fazem os partos e aqueles que cuidam dos bebês imediatamente aos partos, na Igreja também Deus capacita pessoas para tais funções (ministérios). Os nascimentos, os partos se dão pelo poderoso convencimento do Espírito através da pregação do Evangelho. Os pregadores, evangelistas e ensinadores da Palavra de Deus têm parte nisso. Deus os capacita extraordinariamente para exercer esses ministérios visando alcançar os pecadores perdidos (os pacientes). Após isso são encaminhados ao Berçário.
No berçário entra o trabalho dos enfermeiros (as) espirituais, cuidando dos bebês que acabaram de nascer.
É necessário aquecê-los, dar-lhes carinho e amor, encaminhá-los a primeira mamada, muitas vezes niná-los, dar o “colinho”, enfim, observá-los com cuidado e zelo, pois ainda são totalmente incapazes de viver sozinhos. São bebês. Precisam que alguém cuide deles.
Talvez Deus tenha capacitado você para ser um destes que servem na maternidade ou no berçário espiritual. Talvez seu ministério seja encaminhar aos partos ou cuidar dos bebês espirituais.

A Pediatria: Nos hospitais existe uma área destinada ao atendimento às crianças. Na Igreja, quando os bebês são bem cuidados e alimentados adequadamente, eles crescem e se tornam crianças. Estão se desenvolvendo (1 Cor. 3: 12). E também necessitam de cuidados especiais.
Nesta fase já conseguem pegar os alimentos e comer até sozinhos. Porém, não discernem o bom alimento daquele que pode prejudicar-lhes a saúde. Ainda precisam que alguém prepare o que vão comer (é preciso preparar a famosa "papinha" ou a mamadeira que alguns teimam em não deixar).
Importante saber que gostam muito de alimentos que são saborosos ao paladar. Não são simpáticos àqueles que são fundamentais para o bom crescimento. Preferem os doces, as guloseimas e tudo que lhes traz satisfação naquele momento. Também fazem muita bagunça e barulho. São extremamente sensíveis e melindrosos. Choram à toa. Dormem quando é pra ficar acordado e ficam acordados quando é pra dormir. Quebram as coisas. Falam o que não é pra falar. Ficam “emburrados” e gostam muito de ser elogiados.
Ora, são crianças. O que podemos esperar? Não podemos exigir deles que tenham atitudes de adultos. Chegarão lá.
Temos que ter paciência, amor e entender isso.
Por isso, precisam de pessoas cuidando deles.
A boa alimentação (discipulado, ensino, aconselhamento...) são alimentos essenciais para as crianças crescerem, mas não esqueça de vez em quando de levá-las para passear (momentos de comunhão), de brincar com elas (confraternizações, eventos) e de demonstrar seu amor de forma objetiva (ouvindo-as e dedicando a elas sua atenção). Tudo isso faz parte da boa infância, inclusive espiritual.
Talvez você seja uma dessas pessoas que Deus capacitou para cuidar das crianças espirituais nesse grande hospital que é a Igreja.

A Clínica Geral: Nos hospitais e clínicas, os clínicos gerais são aqueles que tratam, a princípio, de todo tipo de enfermidade crônica em seu diagnóstico inicial. Quando verificam qual tratamento devem disponibilizar ao doente o encaminham a um especialista naquela área.
Na Igreja podemos encontrá-los realizando o trabalho de ensino de uma forma geral. Podem ser professores de Escola Bíblica ou líderes de grupos pequenos, por exemplo. Levam o alimento a todos e o remédio necessário àqueles que estão sendo tratados de enfermidades espirituais crônicas, como é o caso de pessoas que sempre ficam doentes da mesma enfermidade. São curadas, mas por não cumprir com as observações e medicamentos prescritos voltam a ficar doentes. Precisam ser corrigidas e advertidas de tais atitudes. Os clínicos gerais tem muitas vezes essa função.
Talvez Deus tenha capacitado você para ser um clínico geral.

A Ala Cirúrgica: Os cirurgiões são aqueles responsáveis pelas operações mais delicadas e indispensáveis quando os demais tratamentos não surtiram o efeito desejado. São tratamentos drásticos. Não há mais a possibilidade desses doentes serem curados através de medicação ou tratamentos mais comuns. É necessária uma cirurgia.
Na Igreja ou através da Igreja, muitas vezes isso também é necessário para que o doente seja restaurado ou até salvo.
A cirurgia é dolorosa e sofrida. Muitas vezes é demorada e trabalhosa. Requer um período de preparação e após, de restabelecimento. Mas, se feita corretamente e se seguida de todas as precauções e cuidados, restaura a qualidade de vida do doente. Espiritualmente isso também é um fato. Não podemos expulsar (excluir) doentes simplesmente porque estão doentes. Não é pra isso que existe o hospital (Igreja)? Não podemos mandar embora os que precisam ser tratados. Esse não é o papel de um hospital, e muito menos de uma Igreja verdadeiramente cristã.
Deus capacita certos crentes para esta tarefa (ministério). São líderes que entendem a importância e o momento certo de efetuarem essa operação. São homens e mulheres de Deus, capacitados, vocacionados e preparados para esse delicado trabalho.
Você pode ser um destes. Já pensou nisso?

O CTI: Este local é temido por todos. Quando se está internado no CTI corre-se sério risco de morte. Geralmente, aqui as pessoas estão em coma, ou seja, muitas estão vivas apenas porque aparelhos assim o permitem.
Estão quase mortas. Já não conseguem se comunicar com as demais pessoas. Não falam. Não vêem. Estão inconscientes.
Espiritualmente, muitos assim se encontram. Já não conseguem ver as coisas espirituais, não conversam mais sobre as coisas de Deus e não percebem que a consciência foi cauterizada pelo pecado que estão cometendo constantemente. Alguns já serviram e trabalharam em um hospital local (igreja local), mas hoje estão tão doentes quanto os que um dia trataram.
Estão vivos espiritualmente porque alguém ainda ora e intercede por eles. Estão ainda vivos porque Deus ainda os ama e os tem preservado.
Porém, precisam de tratamento intensivo. Precisam de remédios específicos e de muita paciência, para que novamente voltem à vida que já desfrutaram.
O coma pode durar horas, dias, meses e até anos. Requerem dos médicos e enfermeiros que trabalham nesse setor muita perseverança, esperança, confiança e fé.
Mas, enquanto estiverem ligados pelos aparelhos, tudo pode mudar.
Você pode ter sido chamado e capacitado por Deus para trabalhar em um CTI espiritual e cuidar dessas pessoas enquanto estão inconscientes, até que despertem.

A Geriatria: Esta área é separada para os mais idosos, ou seja, aqueles que já viveram muitos anos e agora estão em sua velhice. Os cuidados aqui são tão especiais quanto para as crianças. Alguns dizem que nessa fase voltamos a ser crianças.
Os nossos queridos mais experientes necessitam também de uma alimentação adequada a sua idade. Alguns ficam doentes com enfermidades próprias da idade, causadas muitas vezes pelo excesso de trabalho durante a vida ou ainda pela má alimentação que tiveram. Alguns têm feridas antigas que carregam sem ainda estarem cicatrizadas. Também requerem atenção e carinhos constantes, mas acima de tudo possuem uma sabedoria de vida sem igual que não pode e não deve ser desprezada.
Gostam muito de conversar e de contar os acontecimentos ocorridos na sua vida. Ouvi-los com atenção sincera além de ser remédio para eles, nos traz conhecimento para nossa vida.
Aprendemos muito com eles. E mais, um dia lá estaremos.
Quem sabe, você não foi capacitado por Deus para cuidar deles.

Percebeu como existem muitas semelhanças entre um hospital literal e uma igreja local.
Há muitas outras, porém creio que essas já bastam para compreendermos nossa missão.

E sendo assim, algumas perguntas são pertinentes.

Qual sua especialidade nesse grande hospital que é a Igreja?
Temos como membros dessa Igreja nos preocupado com os doentes que estão fora de nossas paredes?
Temos nos preocupado em alcançá-los?
Temos nos preocupado com os doentes dentro de nossas paredes?
Temos buscado curá-los ou temos expulsado muitos porque estão sofrendo de enfermidades graves?
Temos tido paciência?
Temos compreendido que as enfermidades, muitas vezes são acompanhadas de revolta e desânimo? Temos aplicado o bom remédio de Deus? Temos amado o suficiente?

Finalmente, observando a analogia usada por Cristo, temos entendido que a Igreja Cristã, também pode ser entendida como o maior hospital desse mundo?

O dono desse hospital e de todos que nele trabalham garante a vitória sobre a enfermidade que assola a humanidade, o pecado.
Comuniquemos, revelemos e apliquemos o remédio para a cura dos doentes. Remédio esse que um dia nos foi comunicado, revelado e aplicado, Jesus Cristo.

Pr. Magdiel G Anselmo.






quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Igreja, Lugar de Bons Momentos e de Gente Feliz.

Há momentos em nossas vidas que são inesquecíveis. Momentos que marcam nossa história e trajetória nesse mundo.
Quando chegamos a certa idade e podemos fazer uma retrospectiva de vida, encontramos esses momentos pontuais e ao lembrarmos parece que os vivenciamos novamente. São emoções, realizações e acontecimentos que estão ainda muito vivos em nossa mente.
Como cristão, um dos momentos mais marcantes de nossa vida é aquele em que, movidos pelo Espírito Santo, nos encontramos com Cristo. É tão marcante e importante que o resultado desse encontro durará pela eternidade.
Ainda, o momento de nosso batismo nas águas também se trata de uma lembrança que nos traz grande satisfação, pois foi a confirmação de que o encontro com Cristo foi real e que entendemos a sua importância e necessidade. Se é um ministro, o momento de sua ordenação ou consagração também é inesquecível e marcante.
Se você é casado há algum tempo e tem filhos, o namoro, noivado, casamento e o nascimento dos filhos fazem parte desse grupo de momentos que lembramos com muito carinho e alegria.
Lembra o dia em que conheceu, sua hoje, esposa ou, seu hoje, marido? Eu lembro bem. Foi em um acampamento de jovens patrocinado pela igreja que ela congregava. Quantos olhares, quantas conversas sem muito sentido. Havia uma emoção diferente que nos constrangia. Havia algo no ar que nos fascinava. Namoramos e noivamos na igreja e sempre buscamos juntos a presença e a direção de Deus. Tínhamos um pastor que nos ajudava e aconselhava. Foram bons momentos. Momentos de busca pela vontade de Deus. Éramos muito novos, mas já sabíamos o que queríamos. Queríamos alegrar a Deus e entender o que Ele tinha pra nós.
Estávamos sempre nas reuniões dos jovens, não importa se eram de louvor, estudo ou oração. Lá estávamos juntos e sempre com muita alegria. Guardamos bons momentos dessas ocasiões e lembramos com saudades de muitos jovens e adolescentes desse grupo, que hoje estão casados e foram direcionados e movidos por Deus para outros locais e ministérios, assim como nós.
Enfim, descobrimos a vontade de Deus pra nós...
E o casamento? Lembra o dia do seu casamento, o nervoso que se encontrava, a ansiedade por tudo dar certo? Lembra a igreja cheia com seus convidados, parentes, amigos e irmãos em Cristo? Lembra o “friozinho na barriga” antes da cerimônia? Quanta emoção, quanta adrenalina, quanta alegria...
E a festa? Quanta gente, quantos irmãos... Todos desejando bênçãos e mais bênçãos...
E o dia do nascimento dos filhos? Meu Deus, o que foi aquilo? Que sentimento foi aquele? Como pode uma pessoa nascer tão bonitinha? Quantas lágrimas de alegria, quanta satisfação, quanto amor.
E o dia em que foram dedicados ao Senhor na igreja? A família toda feliz. O neném ainda dormindo nos braços do pastor durante a oração em que os apresentava e suplicava as bênçãos de Deus a criança e a família. Quanta felicidade no ar. A igreja toda cantando “Vinde meninos, vinde a Jesus...” e as rosas presenteadas a mãe que chorava de alegria.
E as crianças cresceram. Freqüentaram a igreja. Um dia, sem percebermos, após uma pregação saíram de seus lugares e foram à frente chorando e confessando Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. Meu Deus! Parecia que éramos nós ali na frente. Chorávamos mais que eles. Quanta gratidão a Deus. Quantos “obrigados” falamos a Deus naquele dia. Nossos filhinhos, um adolescente e a menina pré-adolescente, tinham sido salvos. É a coroação de nosso trabalho como pais. Era tudo que sempre rogamos ao Senhor.
E o dia do batismo do nosso filho? Tive a honra dada por Deus de poder batizá-lo. Meus braços tremiam de emoção. Minha voz ao declarar as palavras próprias para o momento estava embargada pela alegria da ocasião. Quando nosso menino saiu das águas, dei um brado de Aleluia, que sei, ecoou nos céus.
Aguardamos o momento de nossa filhinha também passar pela águas. Ela está ainda mais ansiosa que nós. Deus será novamente exaltado em nossa família.
Existem outros momentos também inesquecíveis.
As reuniões e cultos na igreja. Os momentos de adoração congregacional onde percebemos nitidamente a presença e o mover do Espírito Santo. A pregação que sempre nos alimenta com o bom alimento de Deus.
Quantas vezes nesses anos todos, discernimos que Deus está a nos falar em um louvor? Quantas vezes somos quebrantados e não conseguimos suportar e choramos como crianças enquanto a igreja louva a Deus? Quantas vezes entendemos que Deus fala conosco em particular em uma pregação, mesmo quando estamos juntos com centenas de pessoas ali no templo? Quantas vezes fomos e somos abençoados por Deus em um estudo bíblico, em uma EBD, ou em uma reunião de oração da igreja?
Nesse tempo todo, quantas vezes constatamos que fomos usados por Deus para ensinar ou pregar e vimos claramente o mover de Deus nas pessoas, na congregação enquanto ministrávamos a Palavra? Em quantas situações fomos instrumentos da benção de Deus para a vida de outros irmãos quando utilizamos os dons e os talentos que Deus nos deu? Muitas vezes.
E quando vemos pessoas que oramos tanto e falamos do amor de Jesus, se entregando a Ele e passando a servi-lo ali conosco? Quando observamos que crescem espiritualmente e que produzem frutos para a glória de Deus? Quanta alegria e sentimento de vitória.
E quando vemos as famílias sendo restauradas, casamentos restaurados, vícios abandonados e nova vida se descortinando aos nossos olhos? É uma satisfação sem medida. É o sentimento do trabalho cumprido e do reconhecimento do poder e da intervenção direta de Deus. Como é bom presenciar isso na igreja. Vidas em Cristo que produzem vidas em Cristo no caminhar de uma igreja.
Ainda existiram aqueles momentos em que estávamos tristes e abatidos e um irmão ou irmã veio até nós e com um abraço sincero, um sorriso e uma palavra de amor e carinho nos animaram e nos fizeram entender que Deus continuava a nos amar. Mais que irmãos, em muitos momentos descobrimos que temos amigos na igreja que nos amam e que se preocupam sinceramente conosco. Lembro com carinho ocasiões em que irmãos nos ajudaram em várias áreas e que não pediram nada em troca. Lembro com muito amor...
Mas, existem ainda outros momentos inesquecíveis. Muitos outros... Você pode lembrar de muitos em sua vida.
Existem momentos que são tristes e que não gostamos de lembrar. Claro que existem. Mas, penso que os bons sobrepujam os ruins. Os bons devem ser lembrados, enaltecidos, os ruins esquecidos e deixados pra trás.
Enfim, observe que a maioria dos momentos que mencionei estão intrinsecamente ligados a minha vida e de minha família em uma igreja evangélica. Penso que muitos, como eu, também possuem trajetória similar a minha. Afinal de contas, congregar em uma igreja ou comunidade evangélica ou protestante é algo que sempre fez parte da vida dos crentes de uma forma geral.
Devemos lembrar desses momentos de alegria. Não com apenas nostalgia, mas com vívida certeza que eles se repetem na grande maioria das igrejas evangélicas.
Existem maus exemplos e fatos que não favorecem essa minha concepção, porém não representam a maioria dos crentes fiéis a Palavra de Deus que congregam em igrejas espalhadas por esse nosso país.
Lembremos dos bons momentos. Propaguemos as virtudes e qualidades da igreja que prega e segue a Palavra e perservera na fé cristã e não os fracassos e problemas. Usemos todos os meios para disseminar o nome e o Evangelho de Cristo e não as polêmicas e discussões que nada produzem de edificação.
Sem menosprezar ou desprezar a existência das seitas, heresias e dos pseudos grupos e crentes, tenhamos sempre uma visão de enaltecer as coisas boas e não de gerar um falso sentimento de que tudo está perdido e que o propósito de Deus com relação a sua Igreja de forma organizada aqui nesse mundo tenha sido um fracasso. Não podemos generalizar os erros e os equívocos ocorridos. Não podemos e não devemos desconstruir o que o Espírito Santo construiu desde a Igreja Primitiva. Mesmo as igrejas sérias e responsáveis tem problemas e vez por outra, pessoas cometem equívocos, pecados. Devemos buscar a restauração e não a generalização. Devemos buscar o discernimento e não misturar seitas com igrejas reconhecidamente evangélicas e protestantes.
Não devemos confundir ainda mais a mente daqueles que estão feridos e confusos com relação a irmandade cristã. Não devemos ajudá-los a se afastar do convívio com seus irmãos.
Não esqueça que o joio crescerá junto com o trigo. A Bíblia afirma que muitos esfriarão, porém não todos. Tem gente boa ainda, tem crente fiel, tem igreja séria. Não se afaste. Permaneça, persevere, comungue, compartilhe, edifique, congregue...
Mesmo entendendo que a apologética (defesa da fé cristã) é útil e necessária, não devemos esquecer que deve ser exercida e fundamentada criteriosamente nas orientações de Deus para tal. Mesmo o melhor remédio quando utilizado na dose e no tempo errados pode causar enfermidades ainda mais graves e em alguns casos até a morte do paciente.
Louvo a Deus pela Igreja Organismo e também pela Igreja Organização. As duas que no final das contas são a mesma, nasceram no propósito de Deus ao enviar e direcionar seus filhos para a adoração, evangelismo e serviço cristão.
Mesmo se você foi ferido ou magoado por uma igreja, irmão ou líder, sugiro-lhe que faça uma retrospectiva em sua vida e veja honestamente como existem muitos bons momentos passados na igreja. Não os despreze. Se vão sobrepujar os ruins, dependerá de sua visão das coisas.
Prefiro ser e ver como Josué e Calebe. Há muitos gigantes, há inimigos, há dificuldades e problemas. Porém, existe uma terra que mana leite e mel. Existe a benção de Deus.
Tudo depende de como olha, de como vê, de como crê.





A igreja ainda é o melhor lugar para você e eu estarmos aqui nesse mundo!







Em Cristo,
Pr. Magdiel G Anselmo.






sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Os Movimentos de "Crentes sem igreja"

Devido estarmos vivendo uma situação quase que inusitada em nossos dias no que diz respeito à desvalorização e desconfiança nas instituições e denominações evangélicas de uma forma geral por parte de grande parte dos então chamados “crentes”, resolvi pesquisar com mais profundidade esse fato e sobre isso aqui escrevo.
O assunto que desejo abordar aqui e que foi alvo de minhas pesquisas é deveras delicado para muitos irmãos, pois se preocupam em não incomodar ou chatear aqueles que pensam discordantemente. Mas, da mesma forma que emitem uma opinião formada a respeito e a declaram abertamente, devemos também expressar nosso posicionamento diante do quadro que se apresenta, sempre buscando contribuir para um aperfeiçoamento das concepções existentes e a edificação de nossa irmandade.
Penso que a preocupação em não incomodar tem algum sentido mas não pode substituir o bom argumento. Fazer ou pelo menos tentar levar à reflexão sobre a questão de forma respeitosa não é prejudicial, entendo que é uma contribuição valiosa para o crescimento de uma pessoa.
Dito isso, vamos ao assunto em questão.
Semelhantemente a média percentual de crescimento dos chamados “crentes sem igreja” (termo não criado por mim, mas largamente divulgado. Ressalto que o uso desse termo aqui não é da minha parte nenhuma forma de preconceito ou acusação. Não o utilizo de forma pejorativa, apenas o replico para melhor entendimento dos leitores), também cresce o número de crentes que entendem que ter um local de reunião (templo) e ser membro formal de uma denominação ou organização evangélica é uma perda de tempo e mais, muitos entendem que isso é errado e se justificam usando textos bíblicos do início da Igreja Cristã (Igreja Primitiva). Ainda alguns destes observam que a função ou título de pastor é algo prejudicial à Igreja, e que somente existem porque homens o criaram com a intenção de enganar e se aproveitar do povo de Deus.
Acentuam em seus argumentos que muitas pessoas são feridas e magoadas nas igrejas evangélicas e seguindo um raciocínio lógico (segundo eles) portanto a Bíblia ensina que o culto cristão (adoração, louvor, oração, leitura bíblica, pregação, etc...) podem ser realizados individualmente e em sua própria casa. Tornando assim uma inutilidade qualquer tipo de organização formal ou implantação de normas e critérios organizacionais por tais exigidas.
Desta forma, vemos a existência e o surgimento de movimentos que se originam nesta linha de raciocínio de questionamentos e que se disseminam rapidamente entre os que estão sem uma igreja para congregar, seja qual for o motivo para sua saída ou desligamento.
Antes de analisar à luz da Palavra de Deus esse pensamento e argumentos, desejo mencionar mais detalhadamente essas origens de tais movimentos e algumas conseqüências trazidas a vida das pessoas que os aceitam e decidem viver segundo esses ensinamentos:

Origens dos movimentos de “crentes sem igreja”

a) Líderes que ferem.
Essa é uma das razões de muitos crentes não pertencerem mais a uma denominação ou organização evangélica. As feridas causadas por líderes inescrupulosos ou sem a mínima idéia do que é e do que consiste a liderança cristã. Por isso, afastam muitos e prejudicam o andamento da obra de Deus. Líderes que se fazem líderes. Que pensam que liderar é ser “chefe” ou ainda “dono da igreja”. Que para alcançar os alvos estabelecidos não levam em consideração a vida das pessoas, ao contrário, se introduzem sem serem convidados, se metem em questões alheias sem permissão. E mais, nunca entenderam que a liderança ou o pastorado se realiza de forma servil e não como dominadores do rebanho.
Confundem serem ministros de Deus com aqueles que mandam, os que ditam as ordens. Esquecem ou nunca entenderam isso, que mesmo em uma posição de liderança, ouvir as pessoas e principalmente a Deus são fundamentos essenciais ao obreiro cristão. Esquecem que todas as decisões e atitudes a tomar devem sempre levar em consideração a vontade de Deus e conseqüentemente o crescimento do povo que ali se congrega.
Não possuem vocação, discernimento e sabedoria espiritual para liderar. Não compreendem que liderança não se impõe. Querem chefiar e não abençoar. Esquecem que todas as metodologias, conceitos, princípios e dons devem estar encharcados do amor cristão. Que mesmo necessárias, as normas e procedimentos de uma organização não podem e não devem sobrepujar as orientações bíblicas, muito menos possuir o mesmo valor e importância. Que mesmo quando precisarem repreender ou corrigir alguém pela Palavra devem buscar sempre a restauração, a reconciliação e nunca a expulsão ou acusação.
Como distinguir ou discernir quais atitudes tomar? Buscando em Deus a direção. Mas, isso eles não fazem. Dá muito trabalho. Preferem agir por impulso e por motivações equivocadas. São controlados pelos sentimentos e pelos seus próprios interesses. Agem pela paixão, pela ambição desmedida e não através da boa reflexão e meditação bíblicas.
Por isso causam e produzem feridas profundas na alma das pessoas que confiavam em sua liderança ou pastorado e ali estavam por amor a Deus e com desejo imenso de servir a causa de Cristo. Ferem, machucam e afastam da igreja os que ali congregam.

b) Igrejas que ferem
Da mesma forma que líderes podem ferir, grupos (igrejas) também o podem.
Existem igrejas que possuem tipos de governos eclesiásticos que favorecem o surgimento de feridas. São aquelas igrejas que privilegiam uns em detrimento de outros. Que criam classes diferentes e distintas de crentes, como se houvesse uma gradação ou níveis diferentes de importância e valor das pessoas para Deus na igreja. Negligenciam o sacerdócio universal dos crentes e o valor de cada membro da igreja e com isso humilham uns e tornam outros soberbos.
Acabam por ferir as pessoas fazendo com que pensem que são inferiores e que nunca chegarão a entender de verdade as coisas de Deus.
Há também grupos que valorizam demais a democracia na igreja e esquecem que a forma bíblica de governo é a Teocracia. A democracia deve estar sujeita a teocracia. Senão a igreja torna-se um grupo governado por normas e procedimentos muitas vezes desvinculados das Escrituras e por vezes com diretrizes que possuem o mesmo peso e até mais que a Palavra de Deus.
Isso faz com que muitos sejam feridos pelo não cumprimento fiel dos Estatutos, das Normas e Procedimentos criados pela organização e não pela desobediência ou rebeldia à Palavra de Deus. Ao contrário, se a Palavra fosse aplicada com fidelidade muitas normas e procedimentos não seriam necessários e seriam abolidos definitivamente por temor a Deus.
Muitas exclusões por descumprimento de normas e procedimentos estatutários seriam substituídas pelo tratamento bíblico das enfermidades espirituais e pela busca amorosa e dedicada a ovelha perdida.
Mas, essas igrejas preferem o caminho mais curto e mais rápido. Tratar o doente espiritual dá muito trabalho, exige dedicação e esforço. É muitas vezes demorado e cansativo. É imprescindível amor e abnegação pessoal.
É melhor expulsar o doente do hospital e deixá-lo se tratar sozinho. “Ele que se vire”. “Um rebelde a menos”, diriam muitos.
Por isso muitos são feridos quase que mortalmente nessas igrejas e se afastam de “seus irmãos”.

c) Problemas de Relacionamentos
Muitas vezes as razões ou motivos que levaram alguém a se afastar e não mais congregar em uma igreja evangélica foram os problemas que essas pessoas tiveram com relação aos relacionamentos interpessoais naquela comunidade cristã.
Pessoas que não somente na igreja, mas em todos os outros locais que convivem, tem problemas nessa área. Ainda não conseguiram aprender a conviver em grupo e não assimilaram as lições que a própria vida lhes proporcionaram.
Talvez pelo temperamento explosivo e sua incapacidade de perceber quando está sendo inconveniente, acabam criando polêmicas desnecessárias e contendas inúmeras (falam muito, sem sabedoria nesse falar e normalmente em momentos errados). Alguns desejam se sobressair aos demais e também provocam situações de confronto e conflitos de toda ordem.
Tornam o ambiente e a sua permanência em um grupo, quase que insuportável para si. Por fim, quando não conseguem satisfazer seus anseios de centralizar a atenção e expor suas idéias e não encontram compreensão para suas atitudes impensadas, se afastam e não mais retornam.
Outros pela própria imaturidade não conseguem construir relacionamentos sólidos de amizade e irmandade, pois estes relacionamentos exigem muitas vezes o ouvir e o respeitar o espaço de outros e isso é muito difícil para estes.
Ainda, não admitem se submeter a nenhum tipo de autoridade, seja ela familiar, profissional ou espiritual. Vive com problemas constantes com relação a isso.
E assim, preferem desistir de congregar e culpam a congregação pela sua incapacidade de viver em grupo.

d) Ausência de Conversão Genuína
Muitos se afastam das igrejas porque nunca fizeram parte dela de verdade. Ali se encontravam porque de alguma forma, seus anseios e desejos estavam sendo satisfeitos. Havia algo que os agradava muito e por isso freqüentavam aquele local e participavam da vida daquela comunidade cristã regularmente.
Mas, quando, por alguma razão, aquilo que os agradava foi modificado para algo que não os agradava, foi o que bastou para abandonar a igreja e procurar uma outra que trouxesse a satisfação perdida.
Chamo isso de “mentalidade de clube”.
Esses permanecem enquanto nada os incomoda. Se algo incomodou ou mexeu com questões e assuntos que não desejam que Deus “toque”, são enfáticos em afirmar que não fazem mais parte daquele grupo. Essa mentalidade têm afastado muitos.
Porém, nesse caso esses sempre estiveram afastados de Deus, mesmo que participantes ou membros de uma igreja evangélica.
Não entenderam o Evangelho de Cristo. Ainda não foram alcançados por ele. Devem ser alvos de nossa oração, intercessão e evangelismo.

Conseqüências dos movimentos de “crentes sem igreja”

1. O primeiro impacto é a enganosa impressão de independência e liberdade de todo e qualquer “jugo” denominacional. Não há regras ou normas a se cumprir. Entendem isso como a verdadeira liberdade que Cristo nos proporciona. Estão livres para servir a Deus é a frase que mais se ouve entre os “sem igreja”.
Essa sensação de leveza com o tempo vai sendo minada e substituída pela sensação de solidão. Mesmo com a disposição e muita disciplina pessoal para realizar um culto em casa individual ou com algumas pessoas, a ausência da vida em congregação traz uma saudade e uma nostálgica impressão de isolamento que com o passar do tempo percebe-se que não é apenas uma impressão mas uma realidade interna que traz angústia e tristeza.

2. Uma segunda conseqüência inicial é de que, como não há a necessidade de retorno a vida cristã de forma congregacional, não é também necessário se preocupar com o que foi constatado estar errado na sua vida. Não é preciso conserto algum, pois tudo era errado e agora tudo está de acordo com as Escrituras, portanto por que consertar os erros do passado?
Os problemas de relacionamento ocorridos, a falta de perdão ao próximo e temor a Deus, a ausência de amor pelos irmãos, o orgulho, a arrogância, a rebeldia, etc... Não é preciso mais “mexer” nisso. Tudo fica resolvido, somente não indo mais àquele lugar.
Mas, não é isso que a Bíblia nos ensina. A reconciliação, restauração, o conserto, são itens obrigatórios à vida cristã de todo salvo em e por Cristo.

3. Uma terceira conseqüência advinda deste pensamento dos “sem igreja” é a de esfriamento espiritual. Como não há mais o contato semanal com o restante do rebanho também não há o partilhar de idéias, experiências, bênçãos e dificuldades. Como não há o congregar, também fica mais difícil usar com perfeição os dons e talentos doados por Deus como: ensinar, exortar, servir, etc... Como não há mais a necessidade de estar juntos, também não há mais a refeição congregacional na forma de pregação e ensino sistemáticos da Palavra.
Mesmo com toda disposição em buscar isso de outras formas (DVDs, CDs, programas de TV ou literatura), não são a mesma coisa. Vemos essa busca claramente no âmbito da internet com o surgimento e o crescimento das redes sociais cristãs, onde as pessoas buscam interagir com outros irmãos incessantemente. Mas, com o tempo chegam a conclusão que falta o contato humano, falta o calor humano, falta o calor do rebanho. A conseqüência natural com o tempo é de esfriamento espiritual, e depois, muitas vezes a queda.

4. Outra conseqüência marcante para os “sem igreja” é a perda da benção de Deus que se manifesta na participação no culto e na vida da comunidade cristã. Quem não reconhece que nos momentos em que a congregação está adorando e louvando a Deus existe um ambiente todo especial proporcionado pelo Espírito? Quem não reconhece que no ensino (EBD, estudos bíblicos...) existe um mover de Deus singular? Quem não reconhece e admite que a pregação da Palavra em forma de sermão pregado a congregação não traz um ingrediente a mais em nossa vida?
Quem não reconhecer e admitir isso, talvez nunca tenha realmente participado integralmente da vida em congregação ou em uma comunidade cristã. Mas creio que a grande maioria entende o que estou dizendo.

5. Outra conseqüência é construir um argumento baseado na idéia de que toda forma que a Igreja buscou para melhorar a praticidade de suas reuniões (cultos) e acomodar melhor sua congregação é errada. Toda forma de templo é prejudicial. A forma correta são casas ou ainda praças, no monte ou na rua.
Isso é uma bobagem sem tamanho. Os templos ou salões usados para realização dos cultos cristãos são simplesmente uma forma prática e objetiva de acomodar a quantidade de pessoas em um só local. Ali é preparada toda uma estrutura para que as pessoas possam aprender e ensinar. Não há nada de prejudicial nisso, diria que é uma metodologia inteligente.
Nada contra cultuar a Deus em casa, em praças, nas ruas, em montes, etc... Eu diria que uma coisa complementa a outra, ou seja, não são excludentes.

Há outras conseqüências que podemos perceber claramente na vida dos que pertencem a esses movimentos dos “sem igreja”, mas, penso no momento, ser o bastante.
É comum conversar com pessoas que me confidenciam essas conseqüências em suas vidas, originadas da aceitação de que se pode viver bem e em paz com Deus longe da vida em congregação com seus irmãos. Que se pode cultuar e servir a Deus de forma isolada e sem o partilhar regular com um grupo de crentes. Ledo engano.
Descobriram o equívoco e hoje buscam não cometê-lo mais.

Análise da questão à Luz da Palavra de Deus

1. Ajuntamento vs. Isolamento
Seguindo o que nos revelam as Escrituras vemos que Deus desde a criação se preocupou em nos mostrar que o isolamento não é sua vontade para a humanidade. Quando criou o homem (Adão) e tudo ao seu redor, viu que não era bom que permanecesse só (Gen. 2:18), e então criou a mulher (Eva). A ordem para multiplicar não foi simplesmente para crescer quantitativamente mas um crescimento dirigido para a vivência em comunidades, em grupos. E historicamente observamos que os povos assim o fizeram.
Quando vemos Deus fazer a promessa a Abraão de fazer dele uma grande nação (Gen. 12: 1-3), e da escolha de Deus por um povo específico como sendo o Seu povo, encontramos mais uma vez a indicação de que a vontade de Deus é desse povo estar em unidade, ou seja, juntos.
Observamos em todo o AT essa orientação divina sempre ajuntando o povo, sempre reunindo a nação, e não encontramos nenhuma orientação de Deus para que pessoas isoladamente e a só representassem nisso o propósito e o objetivo de Deus para Seu povo.
Desde os primórdios da criação, passando pela libertação do jugo egípcio e babilônico, da época dos reis e juízes e por fim, da narrativa bíblica acerca dos profetas, não encontramos a orientação para nos isolarmos ou cultuarmos a Deus somente individualmente, do contrário, há uma enorme quantidade de orientações e exemplos de culto a Deus coletivo, como povo, como nação.
Quando então adentramos o terreno do NT, observamos que essa indicação torna-se muito mais concreta e objetiva em Cristo e após com seus discípulos. Os termos agora usados para o povo de Deus tornam-se muito mais íntimos e fraternos. Destacam-se os termos: família de Deus, Corpo de Cristo, Assembléia dos santos, e outros (Gál. 6:10; 1 Cor. 12: 27; Col. 1: 19), mostrando claramente o princípio de “estar juntos”, de congregação, de comunidade cristã, de fraternidade cristã.
Ao examinarmos o livro de Atos percebemos que ali se inicia o período da Igreja sendo organizada, e nas cartas do NT vemos a expansão e fundação de novas igrejas, fruto do trabalho missionário, principalmente de Paulo.
A história da Igreja mostra que os irmãos iniciaram suas reuniões (cultos) nas casas, praças e no pátio do templo judaico. Com a perseguição, tiveram que se esconder e se reunir nos cemitérios subterrâneos e em locais ermos. Com o tempo, passaram a construir locais para culto, os então chamados templos cristãos, que foram aperfeiçoados e melhor estruturados para receber os crentes para o culto de adoração a Deus.
Sempre a idéia e a indicação de ajuntamento, de grupo, permeiam toda essa trajetória.
Por quê? Porque a vontade de Deus é que haja um partilhar de vidas entre seu povo (Atos 2: 42-46), na Sua Igreja. Deus deseja seus filhos juntos, unidos e partilhando de suas experiências, dificuldades, problemas, bênçãos e suas virtudes. Deus deseja através dessa união, a edificação dos seus, e o crescimento da Igreja. Para tanto, é necessária a vida em comunidade. É necessário o contato humano, o calor humano. É desta forma que os dons são utilizados para a edificação do Corpo e que os crentes são aperfeiçoados em Cristo (1 Cor. 12; Ef. 4:1-16).
A vontade de DEUS é que vivamos como família e não como eremitas espirituais.

2. Templos: Idéia Humana ou Criação Divina
Paralelamente a idéia de ajuntamento que já abordei anteriormente, vê-se também a idéia de um local para agregar as pessoas que irão cultuar a Deus.
Basta uma leitura atenta da Bíblia para perceber que desde o AT, Deus mostra que não é contrário a existência de um local para seu culto. Local esse que possa reunir um número muito maior do que poderia se conseguir em um culto em uma casa comum ou em um local não construído ou preparado para tal.
Mesmo quando o povo estava peregrinando pelo deserto, Deus instituiu e orientou a construção de um local provisório (pois era erguido somente quando paravam a caminhada), chamado de Tabernáculo, onde aconteciam as cerimônias concernentes ao culto na época (Êx. 26:30; 40:2).
Quando o povo de Deus se estabeleceu e cresceu, Deus não rejeitou a idéia da construção de um templo, ao contrário incentivou e orientou em todos os detalhes para a concretização do projeto, visualizado por Davi, mas consumado por Salomão (1 Reis 6-8).
E o templo foi no AT utilizado em todos os momentos de culto sob a orientação direta de Deus, com orientação clara aos sacerdotes e aos que o usavam regularmente.
A História da Igreja mostra que com a organização e crescimento desta, foram construídos templos e locais de culto seguindo o princípio largamente usado no AT: um local onde se centralizava (mas não se esgotava, pois sabemos que a adoração não se limita ao templo, mas segue constante e individualmente (João 4: 23,24)) o culto a Deus por seus seguidores, por seus filhos.
Hoje, isso ainda é tremendamente importante, pois, além do culto individual, todo cristão deve ter um local onde de forma congregacional adora, louva e serve ao seu Senhor, e se reúne com seus irmãos (Hebr. 10:25).
Não sacralizamos o templo, mas o consideramos importante para a vida da Igreja.
Vemos então que a idéia de templos não é humana. É uma criação do Deus da Igreja.

3. Os Líderes (o pastor) segundo a Bíblia
Aqui nos detemos principalmente no NT.
Mesmo com todas as orientações e exemplos de pessoas que Deus escolheu para liderar Seu povo no AT, é no NT que encontramos maior respaldo e fundamento para a liderança cristã.
Nesse contexto, encontramos os dons espirituais. Veja que há dons espirituais específicos para liderança nas listas que a Bíblia nos revela. Os principais são: apóstolo, profeta, pastor, mestre e evangelista (Ef. 4:11). Restringindo-nos ao dom de pastor especificamente, descobrimos então que biblicamente pastor não é título ou cargo, é um dom espiritual dado a certos crentes para poderem exercer a função (o ministério, o serviço) de apascentar, pastorear o povo de Deus.
Na narrativa bíblia e na história da Igreja foi também usado o termo presbítero para se referir à pessoa com dom para pastorear, para liderar um grupo de crentes.
Desta forma, a Igreja respeitando essa orientação e indicação bíblica, separa essa pessoa e a delega autoridade para liderar. Por isso deve ser respeitada, não por ser melhor que outros irmãos, mas sim pela missão que a ela é delegada por Deus (Hebr. 13: 7, 17)
Os maus exemplos não devem ser usados para generalizar de forma pejorativa os que permanecem fiéis a Deus em seus ministérios. Do contrário, os fiéis devem ser dignos de duplicada honra (1 Tm. 5:17; 1 Tess. 5: 12,13).

Considerações Finais

Claro que não esgotei o assunto, mas diante do exposto, penso que a Igreja Cristã deve buscar uma reforma urgente que inclua principalmente os seguintes aspectos:

1. Efetuar uma auto-análise honesta na sua forma de administrar (governo) uma comunidade cristã e na sua metodologia preparatória (preparo, formação e capacitação) para os novos obreiros.
Para tanto um retorno a currículos exclusivamente bíblicos e com disciplinas extremamente fiéis as Escrituras e pertinentes ao trabalho de liderança pastoral nos Seminários e Faculdades Teológicas deve ser prioritário. Isso aliado a uma organização que considera atentamente a maneira bíblica de governo e administração eclesiástica fundamentadas nos princípios e valores de Deus já revelados, sem ceder a pressões antropocêntricas e desvinculadas dos ideais do Evangelho de Cristo são muito relevantes nesse processo de reforma.

2. Reconhecer que vivemos a realidade de um fato histórico importante que são “os movimentos de crentes sem igreja” e buscar biblicamente formas de alcançá-los e trazê-los novamente ao convívio dos seus irmãos, sem contudo, acusá-los ou condená-los. Não deve existir o confronto inútil do debate de acusações ou as pressões e imposições que somente contribuem para o acirramento dos ânimos e a afloramento da revolta.
Deve existir a comunicação concreta do amor cristão expresso em forma de compreensão e auxílio, mesmo que a princípio, isso não surta o efeito desejado. Sempre a restauração e a reconciliação devem ser os alvos. É uma pessoa, um irmão que ali está. E deve ser amado e respeitado, mesmo que entendamos que corre sério perigo estando distante dos demais.

3. Retornar a fidelidade doutrinária, ao amor a Palavra e aos bons costumes. Isso significa voltar a ter uma postura de busca pela profundidade bíblica e pela boa tradição, aplicando-a aos processos e questões da vida da Igreja e ao nosso dia-a-dia. Ouvir o clamor dos que sempre compreendem a Igreja como sendo aquilo que Deus a instituiu, ou seja, a Embaixadora de Cristo, seria muito importante e essencial a todos nós que fazemos parte dessa Igreja hoje.

Louvado seja Deus, o Senhor da Igreja.

Pr. Magdiel G Anselmo.




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