quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O Islamismo e a Fé Cristã

O Islamismo (ou Islã) tem crescido de forma significativa nos últimos anos e tem se infiltrado em todos os países do mundo tentando impor suas crenças e forma de vida. A chamada política dita "progressiva" que defende a "tolerância" tem ajudado neste processo e muitos tem se enganado acerca desta religião, imaginando que tem alguma semelhança com o Cristianismo. 
Este artigo busca trazer algumas informações  acerca desta religião para então, demonstrar que trata-se de algo antigo e prejudicial do ponto de vista bíblico.
Inicio com uma breve exposição da vida do seu fundador, suas experiências, posições e objeções acerca da fé cristã e das Escrituras, e por fim, afirmo e reafirmo a Veracidade, Inerrância e Autoridade das Escrituras, bem como a vida e obra de Cristo (Crucificação, Expiação) com argumentos e refutações bíblicas.
Muito ainda se pode comentar e trabalhar este tema, e meu desejo é que todos os cristãos se aprofundem nesta tarefa, a fim de responder a todo aquele que questionar, ou mesmo, se opor ou combater a fé que um dia foi entregue aos santos (cristãos). 

A vida de Maomé
Quase exatamente 550 anos depois da morte e da ressurreição de nosso Senhor Jesus, um homem chamado Maomé nasceu na cidade de Meca, capital do comércio na Arábia. Seu pai morreu antes que ele nascesse. Sua mãe faleceu quando ele tinha somente seis anos de idade. Primeiro foi o seu avô que cuidou dele e, depois da sua morte, um tio. A maior parte do povo da Arábia era pagã. Acreditava em muitos deuses e os adorava especialmente num templo que chamavam “Kaaba” (palavra árabe para cubo). Neste templo guardava-se a imagem de um deus chamado “Hubal”, que fora levado de Moabe, uma terra ao leste de Israel, para lá. Era em Moabe que se adorava ao deus pagão ha-Baal (“há” signiica “o”, em hebraico), acerca do qual Javé- Elohim, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de Israel, advertira tão freqüentemente no Antigo Testamento para que não o seguissem. (Nm 25:1-3; Lv 18:1-5; Jz 2:10-13; 1 Rs 18:16-40). Você pode perceber a semelhança entre os nomes Hubal e ha-Baal. No Alcorão lemos acerca de Maomé: “Fui mandado adorar o Senhor desta Terra...”(Sura 27:91). É claro que todos os muçulmanos dirão que isso se refere à Alah e provavelmente têm razão, segundo o entendimento islâmico, mas, àquele tempo, Hubal era o Senhor de Meca. Além disso, Alah era um nome que se usava para um dos deuses da Árabia, que era conhecido como o pai das deusas Lat, Uzza e Manat, adoradas por muitos. Maomé repudiou esta idéia, assim como qualquer outra que fomentasse idolatria em seu pensamento.
Maomé tinha tanto medo da escuridão que, ao entrar numa sala ou num quarto, à noite, não se sentaria antes que ascendessem uma lâmpada para ele. Al-Vaqqidi, biógrafo muçulmano de Maomé e historiador do islamismo, acrescenta que ele tinha tanta aversão à forma da cruz, que quebrava tudo que se trazia para a sua casa e que tivesse essa igura. (The Life of Mohammad, de Sir William Muir, p. 200)
Quando Maomé tinha 25 anos de idade, casou-se com sua patroa, uma senhora já duas vezes viúva. Seu nome era Khadija. Aprendemos acerca de Maomé que ele era  um homem quieto e de vida pura. Seu casamento com Khadija, que era 15 anos mais velha que ele, durou 25 anos e terminou com a morte da esposa. Parece que havia boa relação entre os dois. Tiveram vários ilhos, porém o único menino faleceu quando ainda era criança, o que trouxe grande sofrimento para Maomé.
Aproximadamente dez anos antes da morte de sua esposa, Maomé começou a ouvir vozes, ter visões e sonhos. Freqüentemente saía da cidade e ia para uma caverna no monte de Hira, para lá meditar, às vezes, por vários dias. Quando tinha quarenta anos, teve uma experiência extraordinária. Lá na caverna, recebeu a primeira revelação do que, mais tarde, se tornou “o livro santo” do Islã, o Alcorão (capítulo = Sura, versículo = Ayate). Maomé disse que recebeu as revelações do anjo Gabriel e que, a princípio, icou muito atemorizado, mas depois recebeu mensagens durante de 22 ou 23 anos, até sua morte. Segundo a tradição islâmica, pelo menos no início, Maomé icou preocupado porque espumava pela boca e rugia como camelo novo. Era como se sua alma fosse tirada do corpo, e ele, então, parecia embriagado. Primeiro as mensagens diziam que há só um deus, que é Alah e que todos os ídolos deveriam ser destruídos. Muito foi revelado acerca do julgamento vindouro, sobre a necessidade de viver corretamente e a perspectiva da vida eterna no paraíso ou no inferno. Tanto o paraíso como também o inferno receberam uma descrição muito viva. Os que fossem ao Céu receberiam todo o bem: comida maravilhosa, frutas e vinho e  “huris (virgens bonitas) de olhos grandes, semelhantes a pérolas em suas conchas”.No inferno nada haveria para refrescar ou agradar, e os que fossem para lá beberiam água fervente e pus em cima de frutas amargas. (Sura 56.1-56)
O sucesso da pregação de Maomé foi inicialmente pequeno. Sua esposa foi a primeira convertida, e ao longo dos anos cerca de mais duzentos moradores de Meca o seguiram. Em 622 d.C Maomé recebeu um convite para mudar-se para Medina, cerca de 250 km ao norte de Meca, a fim de servir como líder e árbitro nas questões existentes entre muçulmanos, pagãos e judeus que ali moravam. Somando isso à oposição que sua pregação ainda suscitava, ele emigrou para Medina. Essa fuga para Medina foi chamada de “Hégira” e tornou-se o início do calendário islâmico. Durante sua permanência em Medina, ele transformou-se, de um simples pregador revolucionário, em poderoso homem de guerra, e tornou-se polígamo também. Alguns sugerem que para poder sustentar sua família e seus seguidores Maomé em Medina instituiu a “guerra santa” (o Jihad) contra os infiéis, com o saque dos despojos e prisioneiros. “... matai os idólatras onde quer que os encontreis e capturai-os e cercai-os e usai da emboscada contra eles... Quando, no campo de batalha, enfrentardes os que descrêem, golpeai-os no pescoço... Combatei os que não creem no último dia e não proíbem o que Deus e Seu Mensageiro proibiram... Até que paguem, humilhados, o tributo(Jyza, uma taxa especial para os que não eram muçulmanos)... E combatei-os até que não haja mais idolatria e que a religião pertença exclusivamente a Deus...”(Sura 9:5; 47:4; 9:29; 8:39). 
Os muçulmanos entendem que estas batalhas surgiram em função do fato de que estavam sendo atacados, porém há discussão entre os intelectuais sobre se este era realmente o caso. Baseado neste princípio, o Islã dividiu o mundo em duas partes: o “Dhar-ul-Islam” e o “Dhar-ul-Harb”, isto é, o “território do Islã” e o “território de guerra”! A guerra santa não apenas tinha o objetivo de conquista de bens, mas também de conquistar os vencidos para o Islã. Hoje tal guerra já não se faz pela espada, mas pela aplicação de enormes somas de dinheiro dos países muçulmanos em  países pobres, como forma de atraí-los ao Islã. A violência tem sido a característica, não da comunidade islâmica em geral, mas, sim, dos radicais. Maomé faleceu em 632 A.D., mas não sem antes tomar a cidade de Meca.  Ele aproximou-se da cidade com 10.000 guerreiros e o povo de Meca rendeu-se, sem resistência nenhuma. Maomé destruiu todos os ídolos, mas manteve como prática islâmica a peregrinação a Kaaba, em Meca, o que já era prática comum na Arábia, mesmo antes de o Islamismo ser implantado. Nos séculos seguintes a nova fé espalhou-se, seja pela espada, seja através do comércio, por todo o Oriente Médio, Norte da África, parte da Índia, Espanha, África Oriental e Ásia Central. Essa nova religião pretendia ser a verdadeira depositária da mensagem do deus único, Alah, que foi entregue a judeus e cristãos, mas da qual eles tinham se afastado. Esta declara acreditar na Bíblia (Taurat = Lei, Zabur = Salmos, Injil = Evangelho), alegando que os textos existentes foram adulterados, apesar de não possuírem nenhum tipo de prova disso. Variação de manuscritos das Escrituras ou erros de tradução são maximizados pelos polêmicos muçulmanos, e uma interpretação literal é feita de passagens  de linguagem figurada, como forma de justificar a reivindicação de que a Bíblia está corrompida.
Maomé considerou os ensinos do Novo Testamento acerca de Jesus, o Filho de Deus na Trindade, e Sua morte substitutiva na cruz como uma blasfêmia total. 
Obviamente ele presumiu que isso não era bíblico, mas, sim, um excesso, uma heresia:“... E os cristãos dizem: ‘O Messias é o Filho de Deus’. Essas são suas asserções. Erram como erravam os descrentes antes deles. Que Deus os combata”.(Sura 9:30) São palavras fortes, mas cada muçulmano sente realmente assim acerca da fé cristã.

Os muçulmanos creem que a Bíblia não é o texto original da Lei, dos Salmos e do Evangelho. Eles sustentam que judeus e cristãos corromperam e mudaram o original, acrescentando os ensinos sobre a divindade de Jesus e sua iliação divina, o conceito de Trindade, a crucificação e a doutrina de expiação. A maior parte da literatura muçulmana contra o Cristianismo ataca violentamente os alicerces da nossa fé.

Será que devemos evitar falar sobre estas questões? Ou devemos tentar esclarecê-las? 

Se evitarmos falar sobre suas acusações, eles chegarão à conclusão de que os cristãos não têm nenhuma resposta às afirmações muçulmanas; por isso é necessário esclarecer exatamente o que cremos e por que cremos. A Bíblia apresenta uma maneira maravilhosa de fazer isso: “Antes santificai a Cristo, como Senhor, nos vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor, a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.”(I Pedro 3:15)

Vamos aprender algumas lições importantes:
1. O que quer que falemos, qualquer que seja nosso comportamento, façamos tudo na presença de Cristo e sob seu senhorio!
2. Estamos preparados! Não debatemos pontos que não conhecemos. Nós nos informamos de antemão e respondemos inteligentemente, de modo sábio e convencedor. O estudo deste tema é muito útil neste aspecto.
3. Respondemos a perguntas reais! Freqüentemente, ao compartilhar o Evangelho com muçulmanos, cristãos respondem às perguntas que pensam que eles têm. Tais perguntas são inúteis para os muçulmanos, porque eles pensam e raciocinam de maneira bem diferente.
4. Ao falarmos com muçulmanos, não nos aproximamos deles como cruzados, guerreiros, mas como testemunhas! Não lutamos com eles nem os intimidamos! O amor de Cristo nos guia. Não os forçamos, mas compartilhamos com eles, esclarecendo ponto por ponto o que os muçulmanos precisam conhecer e entender.
5. As informações aqui constantes sobre o Islã não são armas contra eles! São ferramentas para ajudar a entender o que é o Islã na sua essência. São úteis para ajudar o leitor, com mansidão e bondade, a demonstrar a um muçulmano a diferença que há entre uma vida segura do favor divino recebido através da morte de Cristo e da incerteza de alguém que não conhece ao Senhor.

Como Responder às objeções muçulmanas

Considerando que a Bíblia contradiz o Alcorão, vice-versa, não podem ambos os livros originar-se da mesma fonte, a não ser que um deles ou ambos tenham sido manipulados pelo homem e mudados pelo homem. É, portanto, nossa tarefa sentar-nos com os muçulmanos a fim de estabelecermos, juntos, a verdade. Não adianta querer insistir em estarmos certos porque a Bíblia é  verdadeira, enquanto o muçulmano insiste em que o Alcorão foi inspirado e é verdadeiro. 
Por que cremos que a Bíblia é verdadeira? 
Por que o muçulmano crê que o Alcorão é verdadeiro?

Vamos primeiro ver os argumentos islâmicos:
a) “a Bíblia foi mudada e corrompida!” As nossas respostas, em contra peguntas, são estas:
1. Por que alguém mudaria a Bíblia, se nela está escrito que aqueles que  acrescentam ou tiram dela alguma coisa sofrerão castigo eterno (Apocalipse 22:18 e19)?
2. Se alguém tivesse mudado a Bíblia, todos os outros que tivessem conhecimento dessa mudança se oporiam a isso. Nenhum homem pode mudar todas as Bíblias existentes ou partes dela.
3. O Alcorão airma, em termos bem certos, que a Taurat, o Zabur e o Injil foram dados por Alah!
4. O Alcorão também airma que ninguém consegue mudar as palavras de Alah (Sura 6:34). Se então o Taurat, o Zabur e o Injil são palavras de Alah, como alguém poderia conseguir mudá-las?
5. Quando foi a Bíblia mudada? Não poderia ser depois de Maomé, pois todos os manuscritos bíblicos são datados de antes dele. Não poderia ser antes, pois  o Alcorão teria então acusado os cristãos ou os judeus por terem feito isso.
6. Quem mudou a Bíblia?
7. Como é que alguém pode crer que a Bíblia foi mudada, se não receber respostas satisfatórias a pelo menos algumas de nossas perguntas?
É possível que os muçulmanos digam que o Evangelho original é o “Evangelho de Barnabé”. Tal evangelho é forjado, datado do século quatorze, o que pode ser provado sem dificuldades.
Muçulmanos também podem argumentar que - conforme o Alcorão - o Evangelho foi dado a Jesus, (este caso pensam que o Evangelho é um livro revelado a Jesus) mas que os nossos Evangelhos foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João, por isso não podem ser originais. A Jesus, porém, nunca nenhum Evangelho foi dado! Ele é o ponto central das Boas-Novas, do Evangelho! Ele é o Evangelho, e não um livro que lhe foi dado. Ele é o Evangelho das boas-novas através do que Deus se revelou através dele aos homens. 
Muçulmanos especialistas neste assunto aparecem com vários argumentos, questionando o texto bíblico; produzem literatura acerca disso.
b) “Jesus não é o filho de deus, nem é divino” Devemos dizer que a crítica islâmica deste ensino bíblico fundamental é extremamente fraca. O Alcorão ataca a Trindade: “adeptos do Livro, não vos excedais em vossa religião, e não digais de Deus senão a verdade. O Messias, Jesus, o ilho de Maria, nada mais era do que o Mensageiro de Deus e Sua palavra um sopro de Seu espírito que Ele fez descer sobre Maria. Acreditai, pois, em Deus e em Seus Mensageiros e não digais: ‘Trindade’. Abstende-vos disso. É melhor para vós. Deus é um Deus único. Glorificado seja! Teria um filho? Como! A Ele pertence tudo o que está nos céus e tudo o que está na terra. Basta-vos Deus por defensor.”(Sura 4.171)
“São descrentes aqueles que dizem que Deus é o Messias, o ilho de Maria, quando o próprio Messias declarou: ‘filhos de Israel, adorai a Deus, meu Senhor e vosso Senhor’. Em verdade, quem atribuir associados a Deus, Deus lhe proibirá o Paraíso e lhe dará o Fogo por morada. Os iníquos não têm aliados. São descrentes aqueles que dizem que Deus é o terceiro de três. (...)”(Sura 5.72-73).
“Por que Deus teria tomado a Si um ilho? Exaltado seja! Quando decreta algo, basta-lhe dizer: ‘Sê! ’ para que seja.” (Sura 19:35)”.
Podemos ver claramente o entendimento estranho que Maomé tinha da Trindade. Para ele, era constituída por Alah, Maria e Jesus, e está implícito que Cristo nasceu duma relação física entre Alah e Maria. Não admire que Maomé rejeitou esta idéia. Nós também a rejeitamos!
É interessante, contudo, que na Sura 19 está implícito claramente que Alah  é quem deu origem à gravidez de Maria, assim confirmando o papel de Deus como “pai”, embora diferente duma cópula física. que é trindade? 
O que queremos dizer quando falamos sobre nosso Deus Triúno? Este conceito é tão impossível de analisar ou imaginar quanto o do próprio Deus. Tudo que sabemos de Deus percebemos através das coisas que Ele fez e está fazendo e também pelo que Ele revelou acerca de si mesmo nas Escrituras. Além disso, Deus revelou-se em Jesus Cristo:  “... quem me vê a mim vê o Pai...”(João 14:9);  “Eu e o Pai somos um.” (João 10:30)
A filiação divina de Jesus e a Trindade de Deus são, mais que ensinada explicitamente, verdades implícitas nas Escrituras: Jr 23:5, 6; Jr 33:15, 16; Is 7:14; Is 9:6; 63:7-10  (a palavra salvador é tradução verbal do hebraico Jeshua, ou seja, Jesus!). A tradução verbal de Deuteronômio 6:4 também comprova isso. O texto diz:  “... o Senhor, nosso Deus, é um (numa unidade plural).”  O próprio nome de Deus (‘Elohim’) é uma forma plural, sublinhando a Trindade. Também nos Salmos 2:1-7 e 110:1 encontramos referências ao Filho de Deus. O Novo Testamento nada acrescenta à essência desses ensinos do Antigo Testamento, mas confirma estas afirmações acerca do Filho e da Trindade em passagens como Mateus 28:19 e II Coríntios 13:14; etc.
Deus é demasiadamente grande e diferente de nós para que O possamos compreender. Deveríamos, porém, crer no que Ele diz acerca de si mesmo. 

O alcorão ataca a divindade de Cristo
Devemos notar a alta consideração que o Senhor Jesus recebe no Alcorão:
• Ele nasceu duma virgem (Sura 19:20)
• Ele era santo e perfeito (Sura 19:19)
• Ele é o Messias (Sura 4.171)
• Ele é a Palavra de Deus (!) (Sura 4.171)
• Ele é um espírito vindo de Deus (Sura 4.171)
• Ele criou vida (Sura 5.110)
• Ele curou os doentes (Sura 5:110)
• Ele ressuscitou os mortos (Sura 5:110)
• Ele veio com sinais claros (Sura 43:63)
• Ele é um sinal para toda a humanidade (Sura 19:21; 21:91)
• Ele é ilustre neste mundo e no além (Sura 3:45)
• Ele foi levado ao Céu (onde continua a estar) (Sura 4:158)
• Ele voltará para o julgamento (Sura 43:63)
Estas são treze afirmações acerca de Jesus Cristo. Poderíamos imaginar algum homem que jamais tenha vivido, exceto talvez Elias, que poderia verdadeiramente reivindicar para si mesmo pelo menos três destas qualidades? Somente a evidência destas afirmações faz de Jesus mais que um profeta. Estas treze qualidades obviamente dão a Ele uma posição divina. Como já vimos, tanto o Alcorão como os muçulmanos rejeitam a divindade de Jesus completamente, mas a Bíblia proclama isso sem a mínima dúvida e com toda a evidência necessária. Vale à pena fazer um estudo disso: Jo 14:6; Cl 1:15-20; 1 Jo 5:20; Jo 10:25-33; Mt 26:63-64; Tt 2:11; Lc 7:48-50; Dn 7:13,14; Fp 2:5,6; Mt 14:32-33; At 20:27-28; Jo 1:10-12; Jo 5:21-27; Jo 20:26-29; Hb 1:1-4; II Co 4:4; Rm 9:4,5.

Baseados nestes textos bíblicos tente responder às perguntas seguintes:
1. O que de fato expressa o título “ilho de Deus”? Quais são os poderes que este título tem?
2. Quando foi que Jesus começou a ser o Filho de Deus?
3. O título “Filho de Deus” realmente significa que Jesus é Deus?
4. Que significa afirmar que Jesus é a imagem de Deus?
Não é somente o Novo Testamento que ensina que Jesus é o Filho de Deus; mesmo o Antigo Testamento afirma isso claramente, profetizando acerca do Messias que viria: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um ilho, e será o seu nome EMANUEL (Deus conosco).”(Isaías 7:14)
“Porque um menino nos nasceu, um ilho se nos deu;... e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”(Isaías 9:6)
O Senhor tem as naturezas divina e humana em si mesmo. A sua aparência era totalmente humana. Ele tinha de comer, beber, dormir; sentiu dores, tristeza e mostrou alegria. Ele também sentiu a necessidade de orar, mas foi a sua divindade que o capacitou a alimentar cinco mil pessoas com cinco pães e dois peixes, a curar os leprosos, os aleijados, os paralíticos e os cegos, a ressuscitar os mortos, a acalmar a tempestade, a perdoar pecados, a andar sobre as águas e a ressuscitar dentre os mortos.

c. O islã rejeita a crucificação de Jesus e a Sua expiação
Talvez a resistência mais forte do Islã seja contra a crucificação  e morte do nosso Senhor:  “E por terem dito: ‘Matamos o Messias, Jesus, o ilho de Maria, o Mensageiro de Deus’, quando, na realidade, não o mataram nem o crucificaram: imaginaram apenas tê-lo feito. E aqueles que disputam sobre ele estão na dúvida acerca de sua morte, pois não possuem conhecimento certo, mas apenas conjecturas. Certamente, não o mataram.” (Sura 4:157)
“O Messias, o filho de Maria, nada mais é do que um Mensageiro, (...) ‘Adorareis, em vez de Deus, quem não vos pode nem prejudicar nem beneficiar?’.” (Sura 5:78-79)
Em muitos livros, panfletos, folhetos, cassetes e vídeos islâmicos, (alguns deles antigos e outros recentes) esta afirmação é fortalecida aparentemente como se fosse com base nas Escrituras. Alguns muçulmanos dizem que Jesus foi pregado na cruz, mas que não morreu lá. Então realmente não foi crucificado. Ele desmaiou, foi tirado naquele estado e recuperou-se no túmulo com a ajuda das mulheres. Outros dizem que Judas foi confundido com Jesus e crucificado. A palavra “crucificar” tem origem nas palavras latinas de “cruz” = cruz e “icere” = fixar. Afirmam que “crucificar” significa, então, fixar alguém numa cruz; não necessariamente a morte da pessoa na cruz; contudo, toda essa argumentação não faz sentido.
A cruz de Jesus sempre foi um escândalo, uma ofensa: “Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo cruciicado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.”( I Co 1:22-24). Em Gálatas 5:11, lemos acerca do “escândalo(ofensa) da cruz”. O que é tão ofensivo na cruz?
O sacrifício de Jesus Cristo na cruz mostra que o homem é completamente incapaz de ir ao céu, à presença de Deus, pela sua própria bondade e força. Jesus deixou isso  claro, quando disse:“... sem mim, nada podeis fazer.”(Jo 15:5) Paulo confessa:  “sei que em mim não habita bem algum.”
O homem precisava e precisa de Jesus, que se tornou o nosso sacrifício, que morreu em nosso lugar para abrir o caminho ao céu. O orgulho do homem faz que ele se rebele contra a sentença de Deus. Ele se ofende porque Deus não aceita seus esforços pessoais!

Expiação
Em Hebreus 9:22, lemos: “... sem derramamento de sangue, não há remissão.”Isto, naturalmente, refere-se ao sangue de sacrifícios. O Antigo Testamento ensina isso em toda a parte:“... é o sangue que fará expiação...”(Lv 17:11). “Expiação” significa basicamente, reconciliação; é a restauração de uma relação quebrada. Negar o sacrifício de Jesus na cruz, ou fazê-lo parecer desnecessário, é uma forma de invalidar a única maneira de o homem ser salvo, segundo a Bíblia, e isto é exatamente o 
que o Alcorão faz ao negar a crucificação de Jesus no Sura 4: 157. 
Como este é um ponto crucial, devemos gastar algum tempo para estabelecer a verdade acerca da crucificação e da morte do Senhor Jesus Cristo:

• Quase um terço dos Evangelhos tratam da última semana de vida de Jesus e da sua morte!
• O sacrifício de Jesus é a conclusão lógica dos ensinamentos do Antigo Testamento.
• O Antigo Testamento profetizou a morte de Cristo na cruz com detalhes enormes.
• Temos a narrativa de testemunhas oculares. Que sentido faria para eles inventar tal história?
• Cristo predisse a sua morte várias vezes.
• Existe evidência histórica aceitável da crucificação e da morte de Jesus. evidências da verdade.

Vamos ver em mais detalhes alguns destes aspectos acima mencionados:

a) relatórios de testemunhas oculares. Paulo refere-se a muitas testemunhas oculares para comprovar a ressurreição: “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos  nossos pecados, segundo as Escrituras,... e que foi visto... uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive, ainda, a maior parte...”(I Co 15:3-6)
O que o apóstolo Paulo parece estar afirmando é: se vocês não acreditam no que eu estou dizendo, tomem um barco de Corinto para Jope, vão a Jerusalém e perguntem a eles mesmos!
Pedro dá a evidência de testemunhas oculares: Somente imagine o que teria acontecido no im da pregação de Pedro no dia de Pentecoste, se não tivesse falado a verdade!  “A Jesus, nazareno, varão aprovado por Deus entre vós, com maravilhas, prodígios e sinais,... como vós mesmos bem sabeis; a este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos dos injustos.”(At 2:22, 23)
Lembrem-se de que isso foi somente sete semanas depois da crucificação! Se não fosse verdade, os ouvintes teriam dito: “Querido Simão Pedro, você deve estar sonhando! Quem foi crucificado e morto?”
Quando o Evangelho começou a espalhar-se, o povo de Jerusalém teria feito objeções à crucificação, em voz alta, se fosse mentira. Os judeus admitem a crucificação de Jesus (pois eles estavam lá!), mas negam que ele era o Messias. Muçulmanos admitem que Jesus era o Messias, mas negam que ele foi crucificado; porém eles não estavam lá, e as afirmações deles foram feitas 600 anos depois do próprio acontecimento.

b) Historiadores confirmam a crucificação
O bem conhecido historiador do primeiro século, Tácito, registrou que “o nome cristão vem a eles de Cristo, que foi executando no reino de Tibério, pelo procurador Pôncio Pilatos.”Tácito era um crítico bem agudo da fé cristã. O (quase) contemporâneo historiador judeu Flávio Josefo escreveu:  “Nesse mesmo tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se todavia devemos considerá-lo simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios. Era o Cristo. Os mais ilustres da nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e ele fê-lo crucificar. Os que o haviam amado durante a vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas o tinham predito e que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, que vemos ainda hoje, tiraram seu nome.”(Flávio Josefo,  Antiguidades Judaicas, Livro Décimo Oitavo, parág. 772)

c) O cumprimento das profecias acerca de Jesus no antigo testamento são evidência abundante da veracidade da Bíblia.
Temos visto, ainda que rapidamente, o que “os profetas divinos predisseram”. Jesus, o Messias, veio a este mundo “segundo as Escrituras”, ou seja, como as Escrituras (o Antigo Testamento) haviam predito: 
• Ele nasceu 483 anos depois do decreto para edificar Jerusalém, após a destruição por Nabucodonosor, Dn 9:24-26. (ano 445 a.C.);
• Ele nasceria em Belém (Mq 5:2); cumprido em Lc 2:4ss;
• Nascido de uma virgem (Is 7:14): cumprido em Mt 1:18;
• Seria o próprio Deus (o que não significava que Deus também não estaria em todos os outros lugares!) (Is 7:14; 9:6): cumprido em Mt 1:18;
• Seu nome seria “Salvador” (= Jesus) (Is 49:1-8; 63:8): cumprido em Mt 1:21;
• Ele viria para salvar e curar (Is 35:4-5): cumprido em Mt 1:21; Lc 19:10;
• Jesus entraria em Jerusalém montado num jumento (Zc 9:9): cumprido em Mt 12:1-9;
• Seria traído por um amigo (Sl 41:9): cumprido emMt 27:3-8; Mt 14:10; 21:43-44;
• Seria vendido por 30 moedas de prata (Zc 11:12) cumprido em Mt 26:15;
• Seria julgado e executado, mas não por males que houvesse feito! Ele morreria em favor de outros (Is 50:6; 53:1-12): cumprido em Jo 18:19;
• As suas mãos e pés seriam traspassados (Sl 22:1,7-17): cumprido, conf. Jo 18:19;
• Os seus vestidos seriam divididos, e sortes seriam lançadas sobre a sua túnica (Sl 22:18): cumprido em Jo 18:19;
• O Santo não veria corrupção (Sl 16:10): cumprido em Lc 24:1-11;
• Seria elevado ao Céu para se sentar à mão direita de Deus (Sl 110.1): cumprido em Mt 26:64; Hb 1:13;
• Ele voltará, e todos os habitantes de Jerusalém  olharão para aquele a quem traspassaram (Zc 12:10).
Estas profecias foram entregues entre os anos 100 e 1500 A.C. Todas descrevem em detalhes admiráveis algo impossível de prever, mas que se cumpriu em todos os detalhes. Alguém precisa esperar ainda mais evidências quanto à veracidade da vida, morte e ressurreição de Jesus? O próprio Deus inspirou os profetas antigos para que, depois de as profecias serem cumpridas, nós pudéssemos saber que tudo isso era verdadeiro e ordenado por Deus. Por causa destes sinais divinos podemos perfeitamente contar com a veracidade da Bíblia.

Os argumentos mais comuns que os muçulmanos citam, quanto à veracidade do Alcorão, são: a beleza de estilo no árabe original, a impossibilidade aparente de um homem iletrado como Maomé compô-lo, e a reivindicação de ser seu conteúdo perfeito; contudo, não nos são suficientes à luz do que aqui tem sido exposto brevemente, quanto às bases para nossa fé cristã. 

Por fim, afirmo com firmeza que nós, cristãos, não somente sabemos aquilo em que cremos, mas também sabemos porque cremos!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Igreja ou Empresa?

Mesmo entendendo que a Igreja Cristã é acima de tudo um organismo vivo (Corpo de Cristo, Noiva do Cordeiro, Igreja Invisível, etc...), e que ao mesmo tempo também se constitui em uma organização (forma do organismo-igreja se comunicar e se tornar visível ao mundo), penso que mesmo em sua forma visível (igreja-organização) e mais fácil de entender, muita confusão se faz, deturpando os objetivos e causas de sua necessária organização.
A falta de compreensão quanto a como e porque a Igreja deve ser organizada, faz com que se organize e administre-se levando em conta parâmetros, princípios e fundamentos que não são os ideais para sua vida e crescimento segundo os reais propósitos originários de sua existência e missão, que são essencial e prioritariamente espirituais.

Para expor com maior clareza o assunto precisamos primeiro definir cada uma das respostas à questão.
Primeiro então definamos o que é uma organização espiritual.
Conforme o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, uma organização define-se “por uma reunião de pessoas com o mesmo objetivo e interesses”, ou seja, seria similar a uma associação com ideais comuns. Logo, complementando do ponto de vista cristão, entendemos a partir dessa premissa que uma organização espiritual define-se por uma reunião de pessoas com interesses e objetivos comuns tendo como prioridade e fundamento os princípios e valores espirituais revelados nas Escrituras Sagradas.
Sendo assim, a Igreja Cristã é uma reunião de pessoas salvas por Cristo, que mediante Suas orientações, princípios e valores revelados na Bíblia se organizam em grupos ou denominações para adorá-lo, cultuá-lo e obedecê-lo em tudo que lhes foi comunicado.
Há muitas outras definições para Igreja, mas creio que esta alcança o objetivo de clarear o assunto em questão.
Definamos agora o que é um empreendimento empresarial.
O mesmo dicionário já mencionado define empreendimento como uma obra, uma realização, uma empresa ou um negócio. Já o termo empresarial é derivado do termo empresa que é definido por “uma organização que produz, vende e/ou oferece bens e serviços”.
Perceba que as definições vistas em um dicionário são em alguns pontos muito semelhantes quando se considera apenas etimologicamente os termos e expressões, porém o sentido mais amplo as faz distanciar-se uma da outra direcionando para objetivos e finalidades totalmente diferentes.
A primeira definição direciona para o espiritual. Têm sua origem, causas, métodos e objetivos pautados e delineados pela Bíblia. O objetivo maior é revelar Jesus Cristo ao Homem, comunicar-lhe o plano da salvação, convence-lo pelo Espírito do pecado, da justiça e do juízo e após sua conversão, fazê-lo crescer em conhecimento e graça, prosseguindo para sua glorificação e vida eterna.
Já a segunda direciona para obter vantagens e lucros. É direcionada a filosofia comercial e pragmática de vida. Sua origem e causas nascem muitas vezes na ganância e avareza humanas, seus métodos são humanos e centrados no movimento do mercado, no marketing e na propaganda. Seu maior objetivo é obter lucro, sejam financeiros, notoriedade ou vantagens.
Ressalvo que nada tenho contra a administração empresarial ou ao produzir e comercializar produtos de uma forma geral. Não seria alienado a ponto de desprezar a revolução industrial em suas várias atividades e muito menos negligenciar as melhorias e avanços proporcionados por ela na qualidade de vida humana atual. A minha argumentação não tem o objetivo de ignorar isso, mas se restringe ao contexto da vida cristã e da Igreja Cristã. Penso que todos os avanços e progressos têm seu lugar na vida humana, o que não pode e não deve acontecer é mesclar ou misturar conceitos e princípios sem antes discernir se estes possuem identificação com os objetivos de cada uma das organizações ou empreendimentos mencionados no título desta postagem.
Como diz um ditado popular: “cada macaco no seu galho”.
Por que digo isso? Porque a administração empresarial tem se instalado nas igrejas evangélicas a tal ponto que a própria Palavra de Deus em muitos casos acaba sendo algo secundário. O que importa são os conceitos de marketing e propaganda. Como se a Igreja comercializasse um produto e os crentes fossem vendedores ávidos por alcançar consumidores.
Obreiros são treinados não para pregar a Palavra ou para abençoar em Cristo as pessoas. São treinados como se fossem integrantes de uma equipe de vendas, tendo seu pastor como o diretor comercial e a igreja como uma empresa em que foram contratados para exercer tal função. Aprendem técnicas para convencer, fórmulas para agradar aos outros com a intenção de oferecer o produto “Jesus”.
As pregações são palestras motivacionais idênticas as que são realizadas em empresas com a clara intenção de motivar seus funcionários e conseqüentemente render mais em seus trabalhos e produzir muito mais lucro para suas empresas.
Os crentes são agradados para não deixar de consumir. A todo o momento, o produto principal (o carro-chefe) é enfeitado e demonstrado com mil e uma utilidades. O produto proporciona cura para todas as enfermidades. Proporciona riquezas, sucesso, prosperidade. Também, se consumido corretamente traz toda sorte de bênçãos materiais. Faz você conquistar posições elevadas e todos verão como você é "abençoado e feliz". Conforme a necessidade do consumidor o produto é oferecido de forma que seja consumido.
Estratégias de marketing são aplicadas. A propaganda é imensa (rádio, TV, internet...). Afinal de contas, a propaganda é a alma do negócio.
Juntamente com esta filosofia comercial, vem também a política do levar vantagem em tudo. Não se consideram as orientações bíblicas para as atitudes e métodos. O importante é alcançar o objetivo. “Os fins justificam os meios”.
Os novos candidatos ao pastorado são ensinados nestas igrejas-empresas desde muito cedo que terão que se sujeitar aos critérios da “empresa”. Terão que apoiar e participar de uma política mundana de acepção de pessoas, de obter vantagens eclesiásticas ou de defender seus pares não importa o que tenham feito. Nisso deverão se comprometer, se é que desejam serem realmente “pastores”. São submetidos a verdadeiros interrogatórios e constrangimentos chamados de exames, concílios, provas, entrevistas ou outra nomenclatura usada por cada denominação.
Momentos em que os já consagrados ou ordenados (os diretores comerciais e os gerentes de vendas) vão se “divertir” à custa do nervosismo e medo do candidato. Momentos em que aqueles que não “gostavam” daquele candidato se aproveitam para vingativamente deixá-lo em situações complicadas e constrangedoras. Lamentavelmente já presenciei verdadeiros massacres eclesiásticos de candidatos e seminaristas, que em algumas vezes eram em conhecimento e exemplo de vida cristã superior aos seus examinadores.
A vida pessoal é devassada e muitas vezes revelada a todos. São humilhados e nada podem falar. É a política da empresa. Senão acabam “demitidos” ou “deixados na geladeira” ou “fritados”, que são expressões mundanas usadas por alguns pseudo-pastores com relação a seminaristas e candidatos ao episcopado.
Ressalvo que ainda existem muitos bons pastores e exames ministeriais sérios e responsáveis, porém isso não exclui os maus e irresponsáveis. Não estou aqui generalizando, apenas constato um fato.
Nessas igrejas-empresa, as demais pessoas da congregação são ensinadas a vir buscar as bênçãos e nunca a ser bênçãos. Tornam-se simples consumidores e nunca ficam satisfeitos. Querem sempre mais.
A igreja tornou-se uma empresa e ás vezes até uma empresa mutinacional. Seus líderes fazem parte da equipe de vendas, marketing e publicidade. Os crentes são meros consumidores de um produto que não os satisfaz porque na verdade não existe. É apenas uma ilusão pregada como se fosse o Evangelho, mas de forma alguma o é.

A verdadeira Igreja de Cristo não se confunde com o mundo. Não se conforma com ele.

Ela tem os seus próprios parâmetros, referenciais e paradigmas. Todas as suas atitudes, ações, ensinos e comunicação são fundamentados e supervisionados pela santa Palavra de Deus. A Bíblia é o seu manual de regra e prática. Não os conceitos humanos de administração empresarial. Não a filosofia do obter vantagens e lucros. Não os conceitos da psicologia motivacional ou da Propaganda e Marketing.
Todas essas linhas de pensamento ou de ação têm o seu lugar e propósito e devem primeiro ser filtradas e peneiradas pela Palavra e quando alinhadas e em coerência com essa, aí então ser aplicadas. Nunca o contrário, jamais o inverso.
Os líderes na Igreja devem conhecer o manual. Conhecer a Bíblia e usá-la em seu trabalho. Isso é prioridade. Isso é fundamental.

Igreja Cristã não é empresa. Pastor não é chefe, patrão, funcionário ou empregado. Crentes não são vendedores e muito menos meros consumidores superficiais. Jesus não é um produto.

Igreja Cristã é a Embaixadora de Cristo nesta Terra.
Sua missão é propagar, pregar e comunicar o Evangelho de Cristo (as Boas Novas de Salvação) a toda criatura e deve fazer isso juntamente com seu culto a Deus. Deve ser uma comunidade fraternal, solidária, educadora, trabalhadora, servil, edificante e edificadora. Deve ser conhecida pelo amor a Deus e as pessoas. Deve ser contagiada e movida pelo Espírito e Nele viver.
Isso é Igreja.
Deixemos os conceitos empresariais para as empresas.
Valorizemos a Palavra de Deus. Não precisamos de mais nada, de nenhum acréscimo para cumprirmos nossa missão. Deus nos garante isso.

“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual Ele comprou com seu próprio sangue.” Atos 20:28

(...) para que pela Igreja a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor, pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé Nele.” Efésios 3: 10-12.

“(...) para que, se eu tardar, fique ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” 1 Timóteo 3:15

“Toda a Escritura é divinamente inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a edificação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda a boa obra.” 2 Timóteo 3: 16,17.


Pr. Magdiel G Anselmo.

Pastores Bivocacionados, uma nova forma de exercer o pastorado ou um equívoco interpretativo?




Desejo aqui tratar deste tema com o objetivo de esclarecimento e aprofundamento, visando a edificação do Corpo de Cristo e sei que para tal missão, posso desagradar alguns. Mas, meu compromisso é com as Escrituras e com o Deus das Escrituras. Espero que o artigo lhe seja útil e lhe sirva de reflexão.
Boa leitura.

Pastores Bivocacionados, uma nova forma de exercer o pastorado, uma nova forma da chamada de Deus ou um equívoco interpretativo?

Para trabalhar esta questão tão discutida atualmente, devemos em primeiro lugar refletir em algumas questões que poderão nos ajudar na descoberta ou exercício da vocação para o ministério sagrado.

1.  A origem da vocação:

O chamado para a vocação é Soberano - Mt 4.18-22; 2Tm 1.3-10. Quem chama é Jesus, Ele é Senhor e cabeça da obra. Chama para uma vocação sagrada, vinda de Deus. O Espírito segundo sua providência, separa e levanta quem lhe apraz para a obra (At 13; Ef 4.11; Rm 12, 1Cor 12). Deus separa pessoas para o exercício do ministério, de acordo com os dons e realizações. Esse chamado não acontece porque Ele previu ou entendeu existir algo bom e útil em nós, mas devido a sua determinação e graça (2Tm 1.1, 9,). Toda glória pertence a Ele, e a convicção desse chamado é motivo para dizermos: “Bendito seja Deus, que não rejeita nossa oração e nem aparta de nós a sua graça” (Sl 66.20). Se a vocação é divina e recebemos o privilégio de ser instrumento de Sua vontade não temos o direito de negociar ou priorizar outras coisas em detrimento do chamado.

2.  A exigência do chamado:

A vocação requer sacrifício. Toda vocação exige um preço na vida, um investimento e uma doação de si mesmo. Em algumas ocasiões vemos que a decisão em seguir Jesus e sua obra, exigiu deixar. Talvez deixar a família e profissão para manter a primazia do Senhor em nossas vidas (Mt 4.18.22). Em muitos casos e circunstâncias se torna evidente que o ministério sagrado nos levará ao sofrimento, segundo a Escritura somos chamados a sofrer pela causa de Cristo (2Tm 2.4).

Além das possíveis perseguições, enfrentamos as demandas, lidar com pessoas duras de coração, ingratas, dúvidas que surgem, falta de dinheiro, etc. Algo muito recorrente no ministério, seja ordenado ou leigo é a injustiça.
Aconselhando um amigo pastor, que estava desiludido, lembrei-me que o ministério mesmo sendo sagrado é administrado por homens, isso é propósito de Deus, nem uma atitude errônea o desqualifica. O próprio Jesus sofreu com os líderes da Igreja. João relata que um líder chamado Diótrefes não os deixava ir à igreja local. Mesmo assim ele permanece firme como Presbítero e amando a Igreja para servi-la e promover a vontade de Deus (3Jo 1.9). 
O amor a Igreja e o desejo de servir na vocação nos fortalece e mantêm no caminho correto. Que Ministro nunca investiu em determinada ovelha de Cristo aos seus cuidados, orou, aconselhou e se colocou na frente de lobos e em determinado momento, a ovelha por alguma questão qualquer simplesmente virou as costas? Qual Ministro não deu sua vida pela Igreja e não viu resultados objetivos? Isso tudo faz parte do ministério e não pode ser motivo de desânimo ou abandono do chamado e nem mesmo para rebaixar a importância que a vocação sagrada tem nos propósitos de Deus. A Escritura afirma: “E Ele designou alguns para...” Ef 4.11, se é assim “... quem é você, ó homem, para questionar a Deus? Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim?’ Rm 9.20.

O sustento do chamado ao Ministério Sagrado – 1Cor 9.14
Quem cuida dos vocacionados – “O servo de Deus pede a Deus e informa suas atividades à Igreja”. Sou consciente de alguns grupos que defendem “o fazer tendas”, alguns mais radicais aboliram o ministério integral e até mesmo denominações têm determinado que seus Ministros devem exercer alguma atividade profissional. Por isso é necessário um esclarecimento bíblico e uma defesa coerente, ainda que breve daquilo que vem sendo a tradição ministerial com base nas Escrituras da Igreja de Deus.

3. O Pastorado segundo as Escrituras

Em defesa do Ministério Integral – No texto acima há uma ordem ministerial, essa palavra não é no sentido absoluto do termo, senão Paulo estaria desqualificado, porém o contexto nos esclarece que a questão aqui é a primazia. No contexto de pastoreio local, o Novo Testamento prioriza a permanência do Presbítero (Pastor) para que haja ordem e cuidado do rebanho. Mas ao mesmo tempo demonstra que em alguns casos no campo missionário, se torna necessário o trabalho “secular”, isso trará o sustento para o obreiro no processo de plantação de igreja e não acarretará em peso a mesma.

O Apóstolo como plantador de igrejas e vivendo em contexto transcultural, escreve que em alguns casos ele mesmo precisou fazer tendas. Sou consciente de que alguns irmãos usam o “fazer tendas” como desculpa para dividir seu tempo. A revelação bíblica não permite isso, e mesmo que eu reconheça ser honroso essa atitude, devido as necessidades, como evangélico (seguidor do Evangelho), não posso criar uma doutrina tendo por base a experiência e necessidade. Este é um princípio elementar que se aprende em exegese bíblica. Ou seja, a experiência ou necessidade pessoal jamais podem estar acima das Escrituras e criar um padrão ou doutrina para a Igreja, mesmo que esta necessidade e experiência foram na vida de um apóstolo como Paulo. O que vale sempre é o que as Escrituras ensinam e revelam como norma, doutrina para as questões e não estas excepcionalidades.

A Escritura afirma que “...àqueles que pregam o Evangelho, que vivam do Evangelho”, e que “os Presbíteros (Pastores) que se afadigam na Palavra são dignos de duplos honorários” 1Tm 5.17. O justo viverá pela fé, confiando que o Soberano enviará os recursos para que a vocação não seja envergonhada e Seu Nome deixe de receber a Glória que Lhe é devida. Isso tem a ver com confiança na Providência Divina, no suprimento de Deus prometido ao vocacionado.

A regra da Escritura é a primazia do ministério pastoral, porém é possível entender que em alguns casos no contexto missionário se faz necessário o trabalho secular e assim o exercício do ministério bivocacional. Mas para benefício do ministério e bem da Igreja não há fundamento para que a exceção se torne a regra geral ou se “crie” um novo padrão para candidatos ao ministério pastoral ou para aqueles que desejam exercer outras atividades além e juntamente com o pastorado.

Particularmente reconheço também que o Ministro (pastor) em alguns momentos e circunstâncias, seja obrigado, a dividir seu tempo com outras atividades seculares, mas não vejo fundamento para buscar isso, ser uma orientação da denominação e nem mesmo ser uma atitude permanente. Vemos o caso de igrejas novas, pequenas, onde os irmãos não têm como sustentar o obreiro que ali está ou em casos onde a igreja não foi ensinada biblicamente acerca do sustento pastoral e por isso negligencia este sustento. São situações excepcionais onde o Ministro terá que buscar outro meio para seu sustento, mas, repito, é circunstancial e passageiro, não deve ser regra ou situação permanente. Ainda, existem casos onde o Ministro exerce uma atividade que pode e tem total liberdade para cessa-la no momento em que o rebanho precisa de sua presença ou trabalho. São funções e atividades que quem controla é o Ministro, por exemplo, trabalhar em instituições de ensino teológico onde a administração e gestão conhecem e respeitam o trabalho pastoral exercido por professores e entendem que estes podem necessitar se ausentar para atender ao rebanho que apascentam para Cristo, ou ainda, atividades que trabalhe em casa (profissionais liberais, autônomos, etc.) onde os mesmos administram seus horários, bem diferente de funções, atividades ou trabalhos onde o Ministro terá que cumprir horários e obrigações previamente estabelecidas, que o impeçam de atender quando for solicitado e então, o rebanho tem que esperar uma “folga” ou “tempo disponível” para ser atendido pelo seu pastor. Mas, mesmo estas atividades, reafirmo, são circunstanciais e não devem ser entendidas como permanentes.
A verdade é que o propósito de Deus para os Presbíteros (pastores) é: “vivam do Evangelho”, isso se tornará benefício à igreja e crédito da mesma diante do Senhor. Não é peso, mas benção sobre benção à igreja local.

Qual deve ser nossa atitude diante dessas questões?

1. Ter convicção interna e externa da vocação.

a)  O dom que há em ti - 2Tm 2.6. O exercício da vocação não vai ser genuíno e ativo se não houver uma motivação interior. O sentimento de “para onde iremos nós?” precisa inundar o coração e conduzir a vida do vocacionado, também percebe-se que essa motivação se torna parte da vida do Ministro quando o mesmo se dedica nas disciplinas espirituais, não há desejo pela causa sagrada sem a prática da oração e leitura das Escrituras, por esses meios nos relacionamos com Deus e recebemos o alimento necessário para o exercício da vocação no ministério sagrado. A convicção interna é que o levará ao “aí de mim”!

b)  A imposição de mãos - 2Tm 2.6. A vocação não acontece apenas na experiência mística individual, além de toda manifestação da glória de Deus e o ouvir do Espírito, o texto revela a necessidade de convicção externa. A igreja é o agente da realização da obra de Deus, sendo assim os Ministros e toda a congregação possuem participação ativa no chamado de alguém, por isso o Apóstolo diz: “...pela imposição de minhas mãos”. Ele mesmo vivenciou esse padrão, em Atos recebemos o relato dizendo: “Enquanto adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: "Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado". Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram. 13.2-3.

2. Obediência imediata

a) Seguir a vocação é ter atitude radical – Não somos covardes - 2Tm 1.7. Servir ao Senhor é uma atitude espiritual e bem estranha e até loucura para aqueles que não discernem as coisas do Espírito. Talvez alguém que ainda não amadureceu sua fé ou não entendeu a vocação tenha dificuldades, mas aqueles que Deus chamou precisam tomar uma decisão e não fugir para Társis e nem mesmo escolher suas riquezas ou preferir enterrar os pais primeiro.

b) Ouvindo Jesus deixaram no mesmo instante, imediatamente (Mt 4). O chamado dos discípulos revela a importância de todos os pontos acima e nos encoraja a caminhar com o Senhor, com o coração livre, mesmo sendo difícil. Logo após a obediência a glória de Deus e a graça se tornarão suficientes para uma vida em plena comunhão e serviço no reino do Amado. Para os obedientes a contemplação da glória e o viver a glória na edificação e salvação dos perdidos serão a recompensa e a única satisfação.

Considerações Finais

Quando vejo um Ministro (pastor) defender com "unhas e dentes" (e usando a Bíblia equivocadamente), o ministério pastoral parcial ou "o ministério bivocacional ou o pastor bivocacionado" como algo permanente e ainda, aprovado por Deus, fico a pensar que por mais que se faça uma defesa em causa própria, a própria necessidade desta defesa já a torna, no mínimo, questionável.
Quer enganar quem "cara pálida"?
A verdade bíblica, ou seja, o ideal para o pastorado é que ele seja exercido de forma integral. Não adianta “invencionices” ou criação de novas metodologias. A Bíblia já diz tudo acerca disso.
Não adianta, como expus, tentar usar o que ocorreu de forma circunstancial na vida do Apóstolo (Missionário) Paulo (fabricar tendas) e tornar isso como argumento para não se dedicar integralmente ao pastorado. Ora, Paulo fabricou tendas porque foi obrigado pela negligência das igrejas em não o sustentar adequadamente e não porque entendia ser isso o correto. E quando ele renuncia a este direito de sustento é porque aquela igreja não tinha condições de fazê-lo e sustentá-lo dignamente, o que ocorre muitas vezes ainda hoje, com pastores de igrejas novas, pequenas e pobres como mencionei anteriormente.
Não adianta tentar usar o extraordinário como ordinário, ou usar o atípico como sendo típico ou o passageiro e provisório como padrão para o ministério pastoral.
E mais, não adianta tentar comparar o trabalho exercido por um missionário com o trabalho do pastor de igreja local. Uma coisa é muito diferente da outra. Paulo era missionário, Pedro era pastor. Veja, biblicamente, como era o ministério e sustento de cada um deles devido as características de cada ofício e função.
Ora, vamos ser criteriosos e honestos com a interpretação das Escrituras e não atribuir a Ela o que Ela jamais teve a intenção de ensinar.
Sem dúvida, os que defendem este tal ministério bivocacional como permanente e nova forma de Deus chamar e vocacionar irmãos para o pastorado, cometem um grave erro de interpretação que tem como consequência, um grave erro de ordenação e consagração.
Por fim, devo acrescentar que respeito os pastores que são obrigados pelas razões expostas no artigo a exercer outras atividades juntamente com o pastorado, mas entendem isso como provisório, passageiro e circunstancial e que buscam o ideal bíblico do pastorado integral. Desejo, sinceramente, que Deus os conduza até este objetivo.
Esperando que o artigo desperte maior reflexão bíblica, pesquisa, estudo e muito menos paixão (emoção), encerro aqui minha contribuição acerca do tema, não esgotando-o certamente.
Deus nos abençoe.

Pr. Magdiel G Anselmo.




quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Movimento G12 (visão celular) e sua vida longa no Brasil


Este tema e movimento não são novos em nosso país, mas mesmo com as advertências, continua crescendo tendo como marca principal, uma metodologia “recheada” de heresias e práticas sem fundamento bíblico. Podemos dizer que o movimento G12 é o pai do M12, MDA e coisas semelhantes propagadas em nosso país. Por isso, resolvi escrever novamente acerca deste movimento que se tornou uma verdadeira epidemia na Igreja Evangélica Brasileira e que, diferentemente do que pensam alguns, se perpetua e invade cada dia mais igrejas e mentes trazendo uma falsa e suposta “nova visão ministerial”.

UM POUCO DA HISTÓRIA DO MOVIMENTO
Uma das características de grande parte da Igreja Evangélica Brasileira é a sua avidez por novidades. Vários segmentos evangélicos não se contentam mais com a antiga doutrina pregada pelos apóstolos e Pais da Igreja — mais tarde defendida pelos Reformadores — e vivem numa busca constante de novidades e modismos doutrinários.
Nas últimas décadas (à partir dos idos dos anos 90), vimos vários ensinos e práticas controvertidos invadirem os púlpitos e infestarem a mídia evangélica, tais como: quebra de “maldições hereditárias”, “cura interior”, “confissão positiva”, “espíritos territoriais”, “mapeamento espiritual”, cultos de “libertação”, "cobertura espiritual", dentre muitos outros.
Uma destas novidades no final do século passado, a invadir o arraial evangélico brasileiro chegou da Colômbia. Denominado G 12 (Grupo 12), esse é um movimento que propõe o crescimento das igrejas através de células, com reuniões nas casas. O principal protagonista do G 12 é César Castellanos Domínguez, líder da Missão Carismática Internacional, com sede em Bogotá.
Entre 1989 e 1990, sua esposa Cláudia (com quem se casou em 1976) envolveu-se com a política, sendo candidata à presidência daquele país, ficando em quinto lugar no número de votos. Mais tarde, ela conseguiu eleger-se senadora. O casal tem quatro filhas: Joana, Lorena, Manuela e Sara Ximena.
Castellanos conta que depois de sua experiência com Cristo e de trabalhar como evangelista nas ruas de Bogotá, teve a oportunidade de pastorear pequenas igrejas, durante nove anos de ministério. A última delas só tinha 30 membros quando ali chegou, alcançando dentro de um ano, o número de 120 membros. Insatisfeito com os resultados conseguidos nessa igreja, ele renunciou ao pastorado.
Em fevereiro de 1983, enquanto passava férias numa praia colombiana, diz ter tido uma experiência com Deus, que o chamava para pastorear. No mês seguinte, iniciou na sala de sua casa a Missão Carismática Internacional, com apenas oito pessoas.
Traçou depois um alvo para atingir o número de 200 membros. O líder colombiano confessa que foi grandemente influenciado por David (Paul) Yonggi Cho, da Coréia, que já vinha adotando por várias décadas o sistema de crescimento de igreja em células (também chamado de grupos familiares).
Muitos milhares formaram a família da igreja na Colômbia. O alvo era no final de 1997, a meta de Castellanos era ter 30 mil células e 100 mil grupos. No ano 2000, seu alvo era ter um milhão de membros.
No Brasil várias pessoas e ministérios abraçaram a visão de César Castellanos. Os que mais se destacam são Valnice Milhomens, muito conhecida pelos seus programas de TV nos anos 90 e 2000, e Renê Terra Nova, líder da Primeira Igreja Batista da Restauração, em Manaus. A exemplo de Valnice, Renê já pertenceu também à Convenção Batista Brasileira. Valnice explica sua ligação com a Colômbia:
Tendo a convicção de que o modelo de Bogotá era a base para o modelo que Deus tem para nós, temos retornado às convenções para beber da fonte. Cremos que Deus deu ao Pr. César Castellanos o modelo dos doze que há de revolucionar a igreja do próximo milênio, pelo que o abraçamos inteiramente, colocando-nos sob sua cobertura espiritual dentro dessa visão revolucionária, fundada na Palavra de Deus. Tendo sido ungida como um de seus doze internacionais, estamos, como igreja, comprometidos em viver essa visão.


POR QUE G 12?
César Castellanos explica porquê:
Pedi a direção do Senhor, e Ele prometeu dar-me a capacidade de preparar a liderança em menos tempo. Pouco depois abriu um véu em minha mente, dando-me entendimento em algumas áreas das Escrituras, e perguntou-me: ‘Quantas pessoas Jesus treinou?’ Começou desta maneira a mostrar-me o revolucionário modelo da multiplicação através dos doze. Jesus não escolheu onze nem treze, mas sim doze.

Outros exemplos bíblicos são mencionados, como as 12 pedras no peitoral do sacerdote (Êx 28.29); também com 12 pessoas Jesus alimentou as multidões. Para reforçar o argumento de Castellanos, Valnice acrescenta:
Podemos notar que o número doze, nas Escrituras, é o número de autoridade e governo… O dia tem 24 horas, que são dois tempos de doze. Cada ano tem doze meses. O relógio não pode ser de 11 ou de 13 horas. Deve ser de doze horas, para que possamos administrar o tempo. Não foi um capricho de Jesus escolher doze homens. Ele sabia que estava ali a plenitude do ministério. Os fundamentos requeriam doze apóstolos.

Penso que não há necessidade de se criar uma aura mística ao redor do número doze, pois há outros números na Bíblia que também despertam a atenção (um bom estudo dos hebraísmos encontrados nas Escrituras é relevante neste ponto). Pense, por exemplo, no número três. Três é o número da Trindade. Três foram os presentes que os magos do Oriente ofertaram a Jesus. Três foram os principais patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó. Três foi o número dos discípulos mais íntimos de Jesus: Pedro, Tiago e João.
O número sete também é bastante sugestivo. Em sete dias Deus fez o mundo. Durante sete dias, o povo de Israel marchou em volta da cidade de Jericó, até conquistá-la. Instruído por Eliseu, Naamã mergulhou sete vezes no rio Jordão para ser curado de lepra. Sete foi o número dos diáconos escolhidos pelos apóstolos (Atos 6.5). Sete foram também as igrejas do Apocalipse. Agora, pense no número 40. Por 40 o povo de Israel peregrinou no deserto. Moisés esteve no monte durante 40 dias, jejuando e orando na presença de Deus. Jesus jejuou 40 dias no deserto, por ocasião de sua tentação. 
Portanto, se utilizar de um número somente porque ele é mencionado ou possivelmente escolhido nas Escrituras sem que se analise devidamente o porquê deste uso, seu contexto e aplicação, é no mínimo irresponsável e tendencioso e demonstra uma manipulação do texto bíblico para fins outros que não são a correta interpretação e aplicação das Escrituras Sagradas.

COMO FUNCIONA O G 12
A igreja se divide em pequenos grupos denominados células. As pessoas são evangelizadas através das células, das reuniões na igreja ou de eventos evangelísticos. Depois de evangelizadas, começa o processo de consolidação. O novo adepto responderá um questionário chamado mapeamento espiritual, com uma grande variedade de perguntas sobre o passado da pessoa e de seus familiares. Algumas perguntas são bastante constrangedoras. Tal questionário vai dar ao líder da célula ou ao discipulador uma visão da jornada espiritual do novo discípulo. Em seguida, ele será levado a participar da célula, passando a construir novos relacionamentos.

Após esse processo inicial, a pessoa é estimulada (e muito) a passar pelos seguintes estágios:
1. Pré Encontro: Constituído de quatro palestras preparatórias para o encontro de três dias. Nessa fase, o discípulo recebe orientações sobre a Igreja, o senhorio de Cristo, mordomia e batismo.
2. Encontro: Um retiro espiritual de três dias, onde a pessoa receberá ministração nas áreas de arrependimento, perdão, quebra de maldições, libertação, cura interior, batismo no Espírito Santo e a visão da igreja. Cerca de 100 pessoas (jovens, mulheres, homens e crianças) são separadas um ou dois meses após a sua entrega na igreja e são levadas a um lugar distante do contexto familiar para serem ministradas. Para César Castellanos, o encontro equivale a todo um ano de assistência fiel à igreja.4
3. Pós Encontro: Quatro palestras para consolidação das vitórias alcançadas no Encontro.
4. Escola de Líderes: Formação em três estágios de três meses cada, para se tornar líder de célula e de grupo de doze.
5. Envio: Quando alguém começa uma célula de evangelismo a partir de três pessoas, tornando-se líder de célula. Depois de sua célula consolidada, ele começa a formação do seu grupo de doze para discipulado, tornando-se líder de doze. Consolidado seu grupo de 12, ele estimula a cada um a formar seu grupo de doze. Surge então o líder de 144, e assim por diante.

PRÁTICAS QUE PREOCUPAM
Não há nada de errado em dividir a igreja em células ou grupos familiares para reuniões nos lares ou outros locais. Muitas igrejas ao redor do mundo têm feito isso e até com bons resultados.
Dependendo da região ou da cultura onde se aplica o processo, pode ser uma boa idéia ou não. Creio que um dos fatores que muito contribuiu para o crescimento da Igreja no Brasil foi o culto doméstico e os grupos pequenos de estudos bíblicos. As reuniões nos lares eram usadas por todas as denominações para a evangelização dos perdidos e para a edificação dos crentes. Não haviam aberrações doutrinárias.
Um dos problemas em relação ao G 12 é a inserção de práticas, conceitos e ensinos nada bíblicos, tais como quebra de maldições hereditárias, cura interior, mapeamento espiritual, escrever os pecados em pedaços de papel e queimá-los na fogueira, revelações extra bíblicas e outros.
Outra coisa intrigante é a proibição taxativa de se relatar o que se passa nos encontros. Conversei com várias pessoas que participaram e elas me falaram que a única coisa que poderiam dizer do encontro é: “o encontro é tremendo”. Observe uma das normas do Encontro: “Não se pode mencionar muitas coisas sobre o Encontro, porque o mesmo tem muitas surpresas e todos os seus participantes comprometem-se a não revelar absolutamente nada do que receberam lá”.
Acho isso realmente muito estranho. Ora, quando alguém recebe bênçãos de Deus, quando Deus faz uma grande obra numa pessoa ou no meio de um povo, o mais natural e bíblico é dar testemunho, é contar o que Deus fez. Tal proibição não tem base bíblica. Ao contrário. Observe a declaração de Jesus diante do sumo sacerdote: “Respondeu-lhe Jesus: Eu falei abertamente ao mundo; sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada disse em segredo” (João 18.20).
Paulo escreveu a Timóteo: “E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros” (2 Timóteo 2.2). Portanto, não há por que ficar escondendo informações dos demais. Isso mais parece “maçonaria evangélica”.
O G 12 assume também uma postura exclusivista. Ele é apresentado como a única tábua de salvação para a igreja, o último movimento de Deus na terra, a única solução para a salvação das almas. É apresentado ainda como a restauração da Igreja segundo o seu modelo original no livro de Atos dos Apóstolos. David Kornfield, da Sepal, declarou:
Notamos que Deus está produzindo um novo mover do Seu Espírito no seio da Igreja brasileira, à medida que nos aproximamos de um novo milênio. Esse mover do Espírito é tão grande que algumas pessoas o entendem como uma Segunda Reforma. A primeira reforma, deflagrada por Martinho Lutero, tinha a ver com a justificação pela fé e com a salvação individual. A Segunda Reforma celebra e desenvolve a alegria de sermos salvos a nível coletivo; salvos para, reciprocamente, vivenciarmos a alegria da vida em Cristo.

César Castellanos confirma tal exclusivismo ao declarar:
A frutificação neste milênio será tão incalculável, que a colheita só poderá ser alcançada por aquelas igrejas que tenham entrado na visão celular. Não há alternativa: a igreja celular é a igreja do século XXI.

Nem certos movimentos e líderes de Deus no passado escapam dos ataques do G 12. Valnice Milhomens denomina a Igreja da época do imperador romano, Constantino, de “igreja política”, dizendo que Constantino relegou oficialmente o vinho novo aos odres velhos das catedrais. Sobre a Igreja Reformada, ela diz que Lutero reformou o vinho (teologia), mas o derramou novamente nos odres velhos.
Para ela, o movimento de avivamento procurou reavivar o vinho dentro dos odres velhos. Os pentecostais e os carismáticos derramaram o vinho do Espírito Santo dentro dos odres velhos. Quanto a Igreja em Células, sua opinião é de que Deus está recriando modelos de comunidade de odres novos que preservem o vinho novo em odres novos.
Estas opiniões e “visões” foram recebidas em sua íntegra por muitas outras igrejas já no século XXI, principalmente pelas igrejas denominadas de “comunidades” que enfatizavam e enfatizam uma vida sem tantas restrições ou normas como das antigas denominações. A pretensa liberdade e a libertação da opressão antiga deu lugar a novos ensinos e práticas desvinculadas das Escrituras e foi neste contexto que as idéias (visão) do movimento G12 encontraram um solo rico para crescer e multiplicar. E como não era pra ser surpresa pois onde a heresia é multiplicada, nascem outras, cresceram as igrejas neopentecostais que potencializaram os falsos ensinos do G12 e os usaram adicionando as suas técnicas de persuasão e manipulação visando o lucro, poder e controle sobre as pessoas que ali congregavam ou frequentavam suas reuniões.
Estava instalado o caos na Igreja Brasileira.
E ainda hoje crescem estas aberrações.
Entretanto, não é a primeira vez que surge um grupo ou movimento religioso dizendo ser a única e última solução de Deus para o mundo. Não vou mencionar aqui as diversas seitas que já fizeram isso desde os tempos da Igreja Primitiva. Mesmo dentro do mundo evangélico mais recente, já surgiram vários grupos agindo da mesma forma.

VENTOS DE DOUTRINA
O G 12 bem como seus seguidores, tem sido grandemente influenciado por vários líderes da Confissão Positiva (Teologia da Prosperidade) – entre eles, Kenneth Hagin. Um dos exemplos é o emprego do termo rhema. Na língua grega, há dois termos para o vocábulo “palavra”: logos e rhema. Como os pregadores da Confissão Positiva, vários líderes do G 12 (entre os quais César Castellanos e Valnice Milhomens) fazem um alarde sobre uma suposta diferença entre esses dois termos. Rhema, dizem eles, é a palavra que os crentes usam para decretar ou declarar. É o “abracadabra”. Já logos, é a palavra de revelação, mística, direta, que Deus fala aos iniciados. O termo pode referir-se também à Bíblia.
Quando analisamos exegeticamente vemos que o apóstolo Pedro não fez distinção entre esses dois termos quando escreveu 1 Pedro 1.23-25. Por favor, veja a seguir:
v. 23: pois fostes regenerados. Não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra (logos) de Deus, a qual vive e é permanente.
v. 24: Pois toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva: seca-se a erva, e cai a sua flor;
v. 25: a palavra (rhema) do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra (rhema) que vos foi evangelizada.
O G 12 deixa muito a desejar no que se refere ao discernimento doutrinário, pois tem sido grandemente influenciado pelos ensinos anômalos de Peter Wagner e de outros na área de batalha espiritual. Peter Wagner é professor da Escola de Missões do Seminário Fuller na Califórnia, Estados Unidos. Entretanto, seus escritos sobre guerra espiritual, como também os de Rebeca Brown, são inaceitáveis à luz da Bíblia.
Por fim, o G 12 não foi o último vento de doutrina a invadir o arraial evangélico mas, sem dúvida, foi e é um dos que mais prejudicam e atrapalham o verdadeiro serviço e obra de Deus. Seus líderes antigos e atuais já abraçaram outros modismos no passado, e certamente abraçarão outros que virão. Por esta razão, deixo aqui um alerta ao povo de Deus: Todo líder, Igreja ou ministério que se abre para um vento de doutrina, um modismo doutrinário, ou uma aberração teológica, estará sempre aberto para a próxima onda, quando aquela já arrefeceu. Fuja destes homens e destas denominações.

CONCLUSÃO
A questão não é se devemos ou não usarmos a estratégia e metodologia de "grupos pequenos" na Igreja pois, na verdade, eles já são usados desde o surgimento da Igreja Cristã. Uma igreja pode ter em suas atividades grupos pequenos nos lares de estudos bíblicos ou de evangelização, ou mesmo de comunhão. A Igreja com células é uma igreja bíblica. A questão central e fundamental é o que se está ensinando nestes grupos nascidos e surgidos à partir do movimento G12 e da tal visão celular que muitos adotaram e que desconstroem a visão de Igreja desprezando sua história e ação, bem como suas demais atividades tão relevantes quanto os grupos pequenos nos lares. A Igreja em células não é uma igreja bíblica pois traz como "exclusiva" esta metodologia, negando a direção do Espírito Santo durante toda a história da Igreja Cristã. 
Uma igreja com células, sim. Uma igreja somente em células, não. 
A importante constatação é que a análise e pesquisa nos mostraram e revelaram que heresias (falsos ensinos) estão sendo propagadas como se fossem a Palavra de Deus nas denominações que abraçaram esta "visão" e não podemos nos omitir quanto a isso. Devemos combater os falsos ensinos que se "mascaram e se disfarçam" de novas metodologias e "visões". Esta é a orientação bíblica para todos os cristãos que amam as Escrituras e o Deus das Escrituras.
Que Deus nos ajude a permanecermos constantes, firmes na Rocha!

Bibliografia pesquisada
Milhomens, Valnice, Plano Estratégico para Redenção da Nação, Palavra da Fé Produções, São Paulo 1999, p. 12. 
Castellanos, César, Sonha e Ganharás o Mundo, Palavra da Fé Produções, São Paulo, 1999, p. 78.
Milhomens, Valnice, Plano Estratégico para Redenção da Nação, p. 107.
Castellanos, César, Sonha e Ganharás o Mundo, p. 91.
Apostila de Igrejas em Células, p. 55.
Apostila de Igrejas em Células, p. 123.
Castellanos, César, Sonha e Ganharás o Mundo, p. 143
Milhomens, Valnice, Plano Estratégico para Redenção da Nação, p. 60.

Magdiel G Anselmo. 
Com menções do artigo de Paulo Romeiro. http://www.cacp.org.br/o-movimento-g12/
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